“As Mulheres Que Não Vestiam Calças”, uma obra sobre o ser humano histórico e estrutura familiar

Com direção de Michel Mauch, o espetáculo da Companhia d’Os Palimpsestos vem acompanhado ainda de duas oficinas

Espetáculo “As Mulheres Que Não Vestiam Calças” fica em cartaz em Goiânia entre 14 e 16 de janeiro, no Centro Cultural da UFG, no Setor Universitário | Isadora Xavier

Espetáculo “As Mulheres Que Não Vestiam Calças” fica em cartaz em Goiânia entre 14 e 16 de janeiro, no Centro Cultural da UFG, no Setor Universitário | Isadora Xavier

“Como diz uma expressão francesa: ‘és filho de alguém’ (…) porque quem começou a cantar as primeiras palavras era filho de alguém, de algum local, de algum lugar, então, se tu reencontras isso, és filho de alguém.”

Jerzy Grotowski

Yago Rodrigues Alvim

Dentre várias mulheres, Francisca e Joaquina são as únicas que restaram de um povoado depois que os homens foram convocados à guerra. Sem a figura do pai, a casa ficou à mercê das irmãs, já que a mãe se confinara ao próprio quarto. A história compõe o enredo do espetáculo “As Mulheres Que Não Vestiam Calças”, da Companhia d’Os Palimpsestos. A obra realça a estrutura familiar e busca recuperar o ser humano como ser histórico e não apenas momentâneo.

Fundada por Michel Mauch e Janaina D’Freitas, a Cia paulista, com pés e corações goianos, procura desde seu início, em 2011, investigar a prática do ator através da montagem de dramaturgias teatrais. O grupo estreou nos palcos em 2013 com o espetáculo “Na Toca do Coelho” (texto, direção e atuação de Michel Mauch e Rafael Rios) pela Mostra de Experimentos Teatrais de Jabaquara e, neste mesmo ano, começou os ensaios de “As Mulheres Que Não Vestiam Calças”, que fica em cartaz em Goiânia entre os dias 14 e 16 de janeiro.

O termo “Palimpsesto” se refere ao pergaminho que, raspado e polido, era reaproveitado. Muitas vezes, o texto apagado permanecia ali, por detrás de um novo. Desse modo, textos como os de Aristóteles puderam ser recuperados. E é assim que a Cia busca criar seus espetáculos. “São frutos de aproximações sucessivas, movimentos reescritos sobre o movimento anterior, muitas vezes irrecuperável.”

Além das apresentações, o grupo oferece ao público duas oficinas; ambas com carga horária de três horas e destinada a 20 participantes cada, acima de 16 anos. Na manhã do dia 14 e do dia 15, Janaina e Marina Regis (ambas atuam em “As Mulheres Que Não Vestiam Calças”) ministram “Ma­teriais ressignificados para a cena: teatro como experiência sensorial”. Segundo Rafael Rios, qualquer grupo de teatro pode montar seus adereços, figurinos e cenários utilizando caixas de papelão, isopores ou caixotes encontrados nos lixos de mercados, feiras livres ou espaços do gênero. A partir da premissa do figurinista, elas propõem compartilhar técnicas de reaproveitamento de materiais que, usualmente, são descartados.

Já “Como se faz um elefante? Elementos construtivos da interpretação teatral”, ministrada por Michel na tarde do dia 14 e do dia 15, conta com os pressupostos práticos e teóricos de Constantin Stanislavski (1864 – 1938), Vsevolod Emilevich Meyerhold (1874 – 1940), Mikhail Tchekhov (1891 – 1955) e Maria Knébel (1898 – 1985) e outras contemporâneas como subsídio a fim de enfocar técnicas de comunicação verbal e não-verbal para a composição de personagem.
As oficinas e espetáculos serão realizados no Centro Cultural da Universidade Federal de Goiás (UFG). Gratuitas, as inscrições para as oficinas vão até o dia 12 de janeiro. Os interessados devem mandar e-mail para [email protected] O ingresso para o espetáculo custa R$ 20, a inteira, e as sessões são para 40 pessoas.

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