As 10 mulheres que te farão entender melhor a música independente

Em sua 14ª edição, o festival traz para o Oscar Niemeyer mais de 50 bandas. Que tal conhecer as artistas femininas?

A vocalista do Carne Doce, Salma Jô, é um dos grandes destaques da música independente goiana

A vocalista do Carne Doce, Salma Jô, é um dos grandes destaques da música independente goiana

Yago Rodrigues Alvim

Em um piscar de olhos e já é final de semana, não é verdade? Parece até que os dias são curtinhos. E, que a vida anda corrida, não há dúvida alguma. Talvez, corra mais rápido pelo tanto de coisas boas que acontecem –– ao menos dizem isto, que quando se está feliz, o tempo voa. Então, que tal fazer o tempo voar mais rápido ainda, descobrindo dez artistas incríveis da música independente (quase brasileira, se não fosse pela espanhola Indee Styla), que você deve sim conhecer? Olha o melhor, já que em um piscar de olhos o final de semana está aí, a espera vai ser curtinha. Por quê? O que acontece em Goiânia mesmo? Isso, a 14ª edição do Festival Vaca Amarela, que ganha o Centro Cultural Oscar Niemeyer. O melhor é que todas as garotas listadas abaixo agitam suas guitarras e vozes no festival. Bora lá?

Tulipa Ruiz: a grande atração do Vaca 2015

Tulipa Ruiz: a grande atração do Vaca 2015

1. Tulipa Ruiz
“Um disco para se ouvir com o corpo. Para se deixar levar”, um Dancê mesmo. A cantora, que em 2010 estreou no mercado independente, chega a seu terceiro álbum um “q” mais solar. Não que “Efêmera” e “Tudo Tanto” já não lhe fizesse arrastar os móveis e fazer as dancinhas pessoais mais gostosas possíveis. Nada disso, dá para dizer que “Efêmera” é mais doce, te embala em canções amorosas como “Sushi” e “Do Amor”. Já “Tudo Tanto” tinha uma pegada rockzinho à lá “Víbora”. “Dancê” encorpa os sons em metais e letras; afinal tudo proporcional, não é mesmo? “Visto GG, você P”. E quanta crítica boa aquela formosura de flor já não arrancou de jornalistas? E dá para dizer, muitíssimo acertadamente, que nem por um segundo ela não soubesse quem era. Nada disso. Tudo veio só florescendo, fosse em voz e som, letra e desenhos. Santista de nascimento e mineira de criação, tem berço musical. O pai Luiz Chagas foi guitarrista na Isca de Polícia, banda de Itamar Assumpção. As referências da cantora e compositora? Simples, Baby do Brasil, Zezé Motta, o grupo Rumo e as internacionais Meredith Monk, Yoko Ono e Joni Mitchell.

Foto: Reprodução

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2. Deize Tigrona
Põe a música “Prostituto” (feat. Jaloo) para tocar, que já dá para entender bem sobre o quê estamos falando. “Tô cansada”, canta Deize, um dos maiores nomes do funk carioca. Tudo bem que muitos aconselham não escutá-la perto dos pais, menos ainda dos avós. Mas as letras, ainda que sujíssimas no primeiro play, trazem diversas reflexões. A liberdade do corpo, a igualdade sexual e de gênero estão ali, só basta abrir os ouvidos. Musicalmente, as batidas quentes de funk, os sintetizadores e referências como “Diplo”, já a levaram para palcos em Lisboa (Rock in Rio), Alemanha, Suíça, Dinamarca e Suécia. Com 29 anos, Deize é mãe de três filhos e tem repensado o funk.

4. Salma Jô (Carne Doce)
“E se eu pedisse pra apanhar, podia me bater?” diz os primeiros versos de “Passivo”, uma das canções da goiana Carne Doce que tem conquistado o público. Só uma pausinha na letra, imagina uma sociedade machista, até mesmo na realidade homoafetiva, onde passivo é sempre o “dominado”, pedindo para apanhar? E, mais, dizer que ele, o ativo, não, “não machuca ninguém”. Bacana, certo? Pois é, não para aí. Jô dá voz as incríveis letras da banda. Seja para falar do Sertão Urbano, das Ideias de tirar e pôr acento em ideia. “Gente genial demais.” Carne Doce, junto a Boogarins, é o maior destaque musical goiano por todos os cantos do Brasil.

LuizaPereira | Foto: Marina Abadjieff | C-Heads Magazine

LuizaPereira | Foto: Marina Abadjieff | C-Heads Magazine

5. Luiza Pereira (Inky)
Ainda na casa dos 20 anos, e não só a vocalista Luiza Pereira, como todos os integrantes, a cantora tem feito da paulista Inky um indie rock da pesada. A Inky já abriu show para a banda nova-iorquina LCD Soundsystem, já no Popload Session e viajaram para Holanda, prum bate-papo com o produtor inglês Steve Lillywhite, que já trabalhou U2, Rolling Stones e Morrissey, o ex-Smiths. Que tal deixar o “Baião” tocar e, depois, curtir o álbum, ainda quentinho do forno, “Primal Swag”?

Indee Styla | Foto: Reprodução

Indee Styla | Foto: Reprodução

6. Indee Styla
Não só na Espanha, donde é, como em todo mundo, o hip hop de Indee Styla tem balançado muitos passinhos. Não só cantora, Indee é também dançarina e coreógrafa renomada. Tem misturado, num estilo refinado, muito rap, reggae, nusoul (ou neosoul) e dancehall ao seu hip hop. Já se apresentou no Canadá, França, Portugal, Grécia, EUA, Inglaterra, Alemanha, Turquia, Ucrânia, Itália, Noruega, Bélgica e está de volta ao Brasil. Há algum tempo, em Barcelona, a cantora foi apresentada, por uma amiga baiana, ao rap daqui. Primeiro, no fone de ouvido, “Solo los hechos cuentan” (2006) e, depois, “Nómada” (2014), o EP da cantora. Combinado?

Lei Di Dai | Foto: Reprodução

Lei Di Dai | Foto: Reprodução

7. Lei di Dai
“Eu sei que você vai ouvir e vai gosta do meu afrobrazuca”, canta Lei di Dai, que botou a Jamaica no seu som e se fez a rainha do dancehall ragga brasileiro. “Filha de preto, original do gueto”, Lei di Dai ou Daianne Nascimento é das badalas noites paulistanas. A cantora apareceu em 2006 na cena musical independente brasileira. Em 2008, ela lançou seu “Alpha & Omega”. Pela MTV, foi indicada ao prêmio de Melhor Artista Reggae. Europa? Claro, a cantora fez turnê por lá. Em 2012, gravou a musica e o webvideo “Rude Girls”, com a cantora norueguesa She.

Camilla Ferreira | Foto: Nathalia Mendes

Camilla Ferreira | Foto: Nathalia Mendes

8. Camilla Ferreira (Cherry Devil)
Em 2011, a goiana Cherry Devil se consolidou. Antes, a banda meio que já existia, mas não tinha dado certo ainda, por mudanças de vocalista. Por um amigo em comum, Camilla Ferreira conheceu Ewerton Santos e o convidou para um teste. Vocalista certo, estrada afora. Camilla conta que a primeira vez que foi em um show da Black Drawing Chalks e viu Denis de Castro no baixo, não teve dúvida. Comprou roupas e até um baixo de mesma cor. “Tentei fazer uma versão feminina. Até hoje, eu o chamo de muso”, brinca. Filha de uma família nada roqueira, Camilla cresceu ao som de Charlie Brown Jr., CPM 22 e diz que até queria se casar com o guitarrista do Blink 182. Ela diz que nunca sofreu qualquer problema por ser uma mulher baixista, nenhum preconceito sequer. A banda tem, cada vez mais, conquistado espaço. Já se apresentou em Brasília, Palmas, Uruaçu, Porangatu, Pirenópolis; seu último show foi no Fica 2015, na Cidade de Goiás.

Luiza Jobim | Foto: George Magaraia

Luiza Jobim | Foto: George Magaraia

9. Luiza Jobim e Sofia Vaz (Baleia)
Dobradinha vale? Vale. Até porque fica aqui a super indicação de “Baleia”. Você precisa correr para o YouTube e dar play na banda. Bom, começando por Luiza Jobim, a cantora compôs o coletivo e tem trilhado um novo caminho. Filha de Tom Jobim, Luiza era um dos vocais da “Baleia”, que conta agora apenas com Sofia Vaz. Se o autor deste texto pudesse usar a primeira pessoa, provavelmente ele te diria para não perder por nada o show dessa galera no Vaca. O pop, jazz, folk e o som brasileiro da banda carioca não deixa ninguém parado.

Foto: Reprodução

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10. Anna Tréa (Emicida)
Por fim, que tal ficar até o último segundo do festival, curtindo o som das guitarras de Anna Tréa, no show do Emicida? Natural de São Bernardo do Campo, a “multiartista”, como se diz, Anna já está flertando com as baterias. É, a artista, abre o diário em sua página do Facebook. Segundo ela, está felicíssima pelo carinho do público por seu trabalho com o Emicida. E que trabalho! Eles, como todas as artistas desta lista, têm mandado muito bem. Não é mesmo?

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