A morte da grande cantora Aretha Franklin

“I say a little prayer” e “Respect” são músicas que podem figurar em qualquer antologia de músicas de alta qualidade

Marcelo Franco

Aretha Franklin morreu, somos avisados hoje. Tinha 76 anos. Parecia que tinha 90, tanto tempo estava no mercado.

Aproximei-me da sua música um tanto sem ordem, uma canção aqui, outra acolá, nunca a ouvindo de modo sistemático. Sempre a apreciei, claro: não há como não se espantar com aquela voz.

“Respect” entra em qualquer cânone de grandes canções do século passado, mas gosto mesmo é de “I say a little prayer” — há ali uma entrega que não cessa de me comover ainda hoje.

Teve vida atribulada, a velha Aretha, o primeiro filho (ou filha?) nasceu quando ela tinha somente 12 anos. E era eleitora do Partido Democrata, mas perdoemos esse pecadilho. De qualquer modo, seguiu, atribulada ou não, cantando para nossa alegria e júbilo.

Morta, penso um pouco na letra de “Amazing Grace”, canção gospel que ela e tantos outros cantaram (inclusive o presidente Obama) e que é quase um segundo hino americano. A graça divina derramada sobre alguém perdido talvez seja uma das maneiras de a ver.

Requiescat in pace.

Marcelo Franco é crítico.

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