A literatura e a liberdade de existir: “Sou uma tentativa quase exagerada de ser os personagens que crio”

Autor do livro de contos “Até de Repente” revela seus interesses estéticos com a linguagem e reflete sobre o poder da criação literária diante de um panorama político brasileiro em franca decadência

Márwio Câmara

Especial para o Jornal Opção

Rodrigo Maceira, híbrido de escritor, artista visual, pesquisador, tradutor e professor universitário, é promessa literária que não se utiliza do marketing pretensioso da era do espetáculo | Foto: Divulgação

O paulista Rodrigo Maceira é um daqueles jovens talentos da literatura que, embora ande conectado com as tecnologias da contemporaneidade, não é um grande entusiasta das redes sociais. Além disso, mantém uma postura bastante discreta e dispersa dos debates e das picuinhas protagonizados entre escritores, editores, críticos e seguidores à biosfera literária do ambiente virtual.

Ainda que alheio às redes, não deixa de exercer seu lugar sobre esse tal mundo dito globalizado, registrando uma série de notas, poemas, vídeos e ilustrações em seu site pessoal (https://rodrigomaceira.com). Lugar onde encontramos uma preview do artista de mão cheia, que com o segundo livro de contos, intitulado “Até de Repente”, foi agraciado com o posto de semifinalista do Prêmio Oceanos de Literatura, uma das mais importantes honrarias literárias de língua lusófona.

Um híbrido de escritor, artista visual, pesquisador, tradutor e professor universitário, Maceira é uma promessa literária que não se utiliza do marketing pretensioso e exagerado da era do espetáculo. Os livros “Um Céu Diferente Daquele de Lá” e, sobretudo, “Até de Repente”, ambos editados pela Oito e Meio, demonstram a virtuosidade de um prosador que tem muito para dizer.

No conjunto de contos, que contemplam seu último trabalho, somos inseridos para uma viagem fruitiva de sentimentos, em que o afeto e a nostalgia são a grande tônica desse existencialismo movido pelos registros do ontem e pela efemeridade do tempo ante a própria liquidez das relações humanas. Movimento rotativo que nos aproxima e ao mesmo tempo nos afasta de outros indivíduos.

Em entrevista exclusiva para o Opção Cultural, o autor fala sobre o seu processo de criação, o interesse pela cultura latina, as influências literárias, a íntima relação com as suas personagens e como ele enxerga a atual conjuntura do Brasil.

“Até de Repente” fala sobre afeto, memória, juventude e música, tendo São Paulo como uma metrópole que observa e participa direta ou indiretamente de cada narrativa. O escritor Paulo Scott, inclusive, observou uma coisa muito interesse: que os seus contos nos levam a fazer uma leitura similar à de um romance, ainda que de forma fragmentada. Como surgiu a ideia deste livro e como foi chegar até o produto final?
Em comum, os contos de “Até de Repente” sustentam um pacto amigável com a despedida. Os personagens sabem que não existe saída. É ir, encontrar, conhecer, viver e deixar os rastros se apagarem. O que não significa que, tivessem escolha, necessariamente deixariam de optar pela continuidade, por um segundo tempo.

De uma maneira mais ou menos clara, é isso que está ali por trás, que dá a ideia de que todos os personagens habitam, ainda que fora de cena, todos os contos do livro. Em algum lugar, em outro tempo, talvez nos textos que estou escrevendo agora, eles de fato se cruzam, se cumprimentam, se espiam no vagão do trem ou dividem uma cerveja. E se despedem, cientes de que a vida tem uma fórmula mágica, de que estamos o tempo todo sujeitos a outros de repentes.

O livro surge como vontade de condensar tempos, alguns espaços (maioria deles em São Paulo, mas Madri também é muito citada) e, sobretudo, projetos de pessoas que sempre quis ter por perto. Mas não é um livro de memórias, na medida em que, tendo roubado características e episódios de gente que existe, são todos hackeados, recombinados e organizados sob a lógica da mentira e da invenção.

A literatura, nesse sentido, é um truque para criar, ou recriar, amizades que escaparam, porque nunca aconteceram, ou que, como aparece logo nas primeiras páginas do livro, debandaram, já que, no fundo, as bandas e o rock vieram para encenar as mesmas velhas tragédias de sempre.

A presença da música é muito forte em “Até de Repente”. Aliás, música e nostalgia são palavras-chave neste trabalho. Como as escolhas musicais foram se adentrando em suas histórias e fazendo parte do repertório sentimental de seus contos?
Quando resolvi fazer de “Até de Repente” um projeto com começo, meio e fim, estava experimentando uma consciência tremenda, inédita para mim, em relação aos efeitos de um tempo que passa e desmancha tudo que faz da gente a ficção que a gente é. Era um movimento autocentrado, o cultivo da saudade daquilo que, querendo ou sem querer, aconteceu comigo, com pessoas que conheci, e fez da vida o que a vida tem sido por aqui.

Eu vinha, há tempos, falando, entre amigos, dessa necessidade de admitir o pop como o pano de fundo do nosso tempo, do meu tempo, como o fluxo de ideias onde me encontrei e me perdi. Então, a aparição das músicas, mas também da literatura e dos tantos artistas e sonhadores que acenam para os personagens, é, no fundo, uma homenagem a esses ídolos, distantes e de perto, que, ajudando a montar o sentido de tudo o que acontece ao nosso redor, nos ajudam a querer continuar.

A música, no livro, é um terreno de comunhão. As pessoas descobrem afinidades e se descobrem assistindo ao clipe do Luis Miguel num quarto de hotel em Buenos Aires, por exemplo. As canções funcionam também como elemento narrativo, dando textura para o tempo e o espaço, e emprestando suas letras como rubricas para os personagens.

O que você sentiu de mais diferente durante o processo de produção do primeiro para o segundo livro?
“Até de Repente” teve um projeto desenhado desde o início. Sabia que seriam histórias sobre pessoas que se conheceram, viveram apaixonadamente juntas, mas resignadas com a ideia de que a paixão passaria algum dia. E, curiosamente, não sofreram por isso. Vamos fazer juntos, vamos fazer, porque, mais tarde, já não estaremos juntos.

Se, no geral, “Até de Repente” é um livro sobre amizades, “Um Céu Diferente Daquele de Lá” aponta para a família. É na família que, via de regra, a gente estreia no fracasso e na fragilidade dos laços, do tempo e dos projetos. Mas, diferentemente do livro que veio em seguida, “Um Céu” aconteceu de ser assim, sem uma intenção ou um lastro claros, não foi exatamente planejado.

É um livro ainda mais pessoal, mas bastante ficcional também. Um Natal desencantado, a morte de uma tia, a biblioteca herdada de um tio, um postal para salvar o pai, um incesto entre irmãos, um bilhete extraviado, a filha e uma mãe incapaz de traduzir o que talvez só uma vida possa querer tentar explicar. Arriscaria dizer que, no livro que lentamente escrevo agora, os dois territórios, família e amizade, colidem explosivamente.

Maceira: “A cena literária em São Paulo é ação entre amigos. Faça um curso para fazer amigos. Ou seja rico. Dá preguiça. Mas entendi que, de alguma forma, essas engrenagens são um estímulo” | Foto: Divulgação

Pelo que eu estive pesquisando, o autor possui uma forte inclinação pela cultura latino-americana. Inclusive, esteve envolvido no projeto artístico “Si No Puedo Bailar, No És Mi Revolución” há alguns anos. Esse interesse pela cultura latina surge como e por quê?
Surge por conta da Espanha e da formação que eu tive. Estudei em colégio espanhol, fui estagiário no Memorial da América Latina e morei em Barcelona. No Memorial, aproveitava os intervalos para ir até a biblioteca. Foi lá que conheci Ernesto Sábato e li “El Túnel”. Vi a capa de uma “Nossa América”, com o Juan Rulfo, e, na semana seguinte, desci no meio do trajeto do ônibus, para passar na extinta livraria do Fondo de Cultura Económica, perto da PUC, e comprar “Pedro Páramo”. A biblioteca do Memorial é um patrimônio tão grande de São Paulo e do Brasil, e tão esvaziada de leitores… Onetti, Bryce Echenique, Cortázar, Bolaño, Caicedo; conheci tudo ali.

Depois, em Barcelona, pela disponibilidade de conteúdo sobre arte e literatura latino-americanas, e acompanhando a programação da Casa Amèrica Catalunya, o interesse se multiplicou. Mas eu já tinha passado pelo rock britânico, pelo punk e pós-punk, pelas freakices de São Paulo… E todo esse conjunto orquestrou o baile – com música, ilustração e referências literárias – do “Si No Puedo”, um projeto que estava em busca do lado b de uma América Latina urbana, desorganizada e – pelo menos da perspectiva do Brasil – ineditamente conectada.

Com “Si No Puedo Bailar”, quis muito entender que lugar era o meu, que fronteira classe média branca era essa a separar o encantamento pela ordem velha das coisas e a tentação diante de um mundo que pede para ser lido sem regras.

Quando inicia-se o trabalho com a escrita? Falo da consciência do fazer literário, de entender a literatura como uma experiência mimética e meticulosa com a linguagem.
Estudei num colégio que organiza uma Feira do Livro enorme e recebe diversos autores e grandes editoras. Numa dessas vezes, o Skármeta fez uma palestra, falou do exílio dos chilenos na Alemanha, e, antes de encerrar, perguntou se alguém pensava em escrever. Uma professora chegou perto e, meio que respondendo por mim, “Rodrigo, você não vai escrever?”. Foi ali que a coisa bateu, aos 16 anos.

Fui um aluno completamente envolvido pela redação. Montei histórias em caderninhos de sulfite e papel cartão, e, entre infância e adolescência, gastei boas horas no maleiro do quarto inventando situações que um dia poderiam acontecer. E é assim: o poder acontecer é um feitiço, porque dificilmente dá em alguma coisa, mas nunca te abandona. É a singularidade da mimese que dá sentido à literatura e à escritura: aumentar um ponto. Deixar o mundo, o nosso, esse bem particular, maior.

Publicar é outra história. A cena literária em São Paulo é ação entre amigos. Faça um curso para fazer amigos. Ou seja rico. Dá preguiça. Demorei muito para tentar alguma coisa, mas entendi que, de alguma forma, essas engrenagens são um estímulo, principalmente porque, por menor alcance que tenham os livros, eles levantam pontes importantes com outras pessoas.

Quais são suas maiores influências literárias?
Custo a ver alguma coerência entre autores e livros que me marcaram; o ponto de contato, acho, sou eu mesmo. Certamente posso dizer que Sábato foi e é uma referência permanente, mas vejo também, nas passagens mais misteriosas e mesmo piegas de “Até de Repente”, ecos de Hermann Hesse e Salinger, por exemplo.

A lista seria grande: tem Fogwill, a melancolia de Vidal-Folch, a ironia de Azúa, a delicadeza do Carrascoza, do Laub, a vida louca dos personagens do Scott, a saudade da Clarice, a solidão de McCullers, alguns contos do Bizzio, um romance belíssimo do Jeanmaire, alguma coisa de Graciliano. Durante um tempo, fui muito fã de Cortázar, mas outro dia estava pensando que a gente se separou. Com uns amigos, cheguei a publicar um zine chamado “Club de las Serpientes”.

Li quase tudo do Vila-Matas também; “Una Casa para Siempre” ficou comigo. Recentemente, ganhei “A Noite da Espera”, do Hatoum, e me encontrei demais naquele texto; virou referência imediata. Fora literatura, leio (e frequento) bastante teatro; tem uma peça do Will Eno que sopra demais quando penso em alguns personagens que eu narrei. E isso me faz lembrar que tive-tenho uma fase Beckett, que não passa nunca.

“Até de Repente” foi semifinalista do Prêmio Oceanos de Literatura 2017, uma das mais importantes honrarias literárias concedidas para autores de língua lusófona. Como essa notícia chegou para ti e o que ela passou a representar sendo um jovem escritor no Brasil? Pergunto isso porque como crítico e também escritor, sempre me pego imerso a dúvidas com relação a tudo que escrevo. Não se trata de insegurança, porém de um mistério, uma indagação constante. Afinal, sempre quando a nossa subjetividade criativa se transforma em literatura, essa subjetividade enquanto signo verbal acaba por se tornar uma outra coisa quando compartilhada com os leitores através do objeto livro. É como se o nosso trabalho passasse a ser um mistério para nós mesmos, você me entende?
Às vezes paro para reler alguns trechos de textos que publiquei, ou que tenho guardados, e me esforço para refazer o momento em que aconteceram – enquanto texto, não trama. E tem muito disso que você comentou: vira um mistério. Quem era o Rodrigo por trás daquela estrutura? O que aquele texto mudou, por aqui, contaminando tudo o que veio depois? Existe uma magia na certeza de que jamais serei capaz de, como e no texto, me repetir. Vou ser sempre alguma coisa além dos textos que tentaram falar por mim.

A indicação do Oceanos foi surpresa imensa. E soube dela justamente por você. Fiquei contente aos baldes, por motivos diferentes. Primeiro, porque você se descobre entre autores de quem é fã e, depois, como diz um dos personagens de “Book Lovers”, em “Até de Repente”, passa a acreditar, por não mais que os cinco segundos que interrompem os vídeos do YouTube, que vale a pena viver da ficção.

Não no sentido de que a literatura vai pagar suas contas, porque não vai, mas no sentido de que a ficção é o espaço onde o mundo admite os nossos sonhos, onde a vida se libera das nossas limitações. No dia da indicação, pela primeira vez, e passou bem rápido, me senti um escritor. E também foi uma experiência muito positiva, porque percebi os prêmios abertos a autores que saem por editoras independentes e aterrissam nas inscrições sem qualquer recomendação.

Você disse: “Sou uma tentativa quase que exagerada de ser o que escrevo”, durante o teaser de “Los Mejores Tips de Belleza”. Pode falar um pouco sobre isso?
“Sou uma tentativa quase exagerada de ser os personagens que eu crio.” Foi isso que eu quis dizer. Saí para gravar o teaser, com o Lucas; fomos numa pizzaria que também é karaokê, bebemos, e, como terminei rouco, decidi gravar a locução naquela noite mesmo. E veio essa ideia, que, no fundo, é ebriamente sincera. Tento muito ser o personagem que eu narro, porque quero acreditar no que eu conto.

Diante do computador, gerenciando a palavra que traduz um personagem, os sintagmas que vão servir de chave de acesso para qualquer leitura posterior, quero que as criaturas sejam o máximo que pode acontecer de elas serem. Os personagens são sempre mais corajosos do que eu; menos preocupados em salvaguardar qualquer pureza. Levam adiante situações incalculáveis. Querem tudo, estão disponíveis, menos vigilantes. Eles fazem valer a liberdade de existir – literalmente – na ficção.

Imagem: Divulgação

Você acredita que a literatura enquanto arte ainda pode revolucionar a sociedade para além das diretrizes restritivamente estéticas?
A literatura talvez seja a possibilidade de bagunçar a vida de quem escreve e de uma parcela pequena entre os que leem. E isso é muito. É demais. É uma revolução modesta, em escala, mas fundamental em experiência. Fui tomado de assalto por diversos textos e passagens ao longo de leituras que eu fiz. E isso cria um mundo habitável. Criou para mim.

Também acho cabível querer que a literatura seja um instrumento de implosão das vaidades de quem escreve. Sei que soa raro, porque o que não falta é vitrinismo literário nas redes e nos coquetéis de lançamentos brancos, mas enxergo, no texto, a oportunidade de ser exposto, de testar outras crenças, de ameaçar estabilidades, de viver a ambiguidade. Ser ambíguo, ser até o que você duvida… é revolucionário. A literatura é um jeito covarde de encarnar o borrão que me interessa ser.

Como um jovem intelectual brasileiro, o que você sente com relação a nossa atual conjuntura política, o crescente lugar de fala das minorias, a latente guerra entre os grupos de esquerda e direita, e a própria banalização da linguagem como código de identidade humana? Em suma, tenho sentido um problema muito grande da nossa geração que, ao mesmo tempo em que se mostra muito antenada e altiva nos assuntos contemporâneos, vive o problema de reproduzir mais discursos do que trabalhar a própria consciência em busca de um pensamento autêntico ou mais fidedigno possível, se é que isso existe. Sinto que vivemos a era da reprodução dialógica de massa. Os debates que ocorrem nas redes sociais só demonstram que a democratização da informação tornou a vida do homem um verdadeiro caos, então reproduzir os discursos dos outros seria um meio para se fazer parte de algo.
Já me senti – e, de fato, fui – mais envolvido com política do que atualmente. E estou convencido de que isso tem a ver com essa nebulosa em que se transformaram os debates nas redes: “o diálogo na era da reprodutibilidade algorítmica”.

Tenho a sensação cada vez maior de que precisamos sabotar as próprias vaidades para viabilizar qualquer atuação política – e tornar responsável a tal circulação de discursos que você menciona. O político é o comum, e o risco do vitrinismo é sempre enorme quando nos projetamos diante dos outros.

A gente precisa aprender a ficar bem, pelado, sem medo do nosso corpo, das nossas marcas e defeitos, e das ofensivas que inevitavelmente virão de fora. Atualmente, só me interesso pelos debates das minorias gigantes. Apesar da estratosférica decepção com o PT, tenho certeza de que contribuíram com os debates raciais. Sou visceralmente a favor das cotas (raciais). Basicamente, é isso que – no que diz respeito à política mais institucional – captura minha atenção.

Já há tempos, sempre tenho algum voto em mulher. Mas não era negra. Agora, só vou votar em negros. No geral, esses debates acalorados, com a defesa do indefensável, revelam a extensão da preguiça que a gente tem em refletir sobre as próprias paixões. Todo mundo quer muito ser o que sempre foi.

Como estou topando ser um borrão (a “mancha” barroca), ser acusado disso e daquilo; de ser rico, por alguns, e pobre, para outros; de ser de esquerda e reacionário, rebelde e da corporação, autor e personagem, apocalíptico e integrado, professor e aluno, hétero e gay etc., esse tipo de discussão cheia de certezas ficou mais entediante que intervalo da Globo.

Teremos um livro novo em breve? Caso sim, pode falar um pouco sobre?
Por conta das tantas coisas que ando fazendo, não será para tão breve. Tenho já algumas partes escritas e muitas, muitas anotações. É um romance que mantém contato com “Um Céu Diferente Daquele de Lá” e “Até de Repente”. Alguns personagens dos contos, inclusive, surgem tangencialmente na narrativa. Em linhas gerais, é a história de três personagens que se veem obrigados a mudar as próprias trajetórias diante da ausência da mãe. Um brasileiro, fã de poesia visual, que vai para Madri; um espanhol, pouco mais velho, dono de um pet shop, e um moçambicano.

O brasileiro leva na bagagem Zelino Grünewald, Pignatari e Brossa; o espanhol, certo “situacionismo” punk, Arthur Russell e My Bloody Valentine; e o moçambicano, os cachorros dos clientes, que viram amigos. São vários planos e núcleos concomitantes, e eu, autor, faço uma ponta. Gosto muito do lugar de saída, mas só vou entender bem onde tudo vai dar quando acelerar o processo de escrita, o que, espero, deve acontecer no segundo semestre, após a qualificação para o doutorado.

Tenho também três contos escritos, parte de uma coletânea que virou duvidosa. Não que seja ruim, porque gosto muito dos textos, mas porque esse imperativo do romance me faz pensar se vale a pena concluir uma terceira coletânea de textos curtos. Como “Até de Repente”, essa coletânea teria também um denominador em comum, as comemorações fora de hora e de lugar.

Márwio Câmara é escritor, jornalista e crítico literário; autor do livro “Solidão e Outras Companhias” (Editora Oito e Meio).

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