A literatura da escritora espanhola que criou a inspetora Amaia Salazar, sucesso no cinema

“Tudo Isso Te Darei” é um romance que revela os mistérios da sociedade a partir de uma morte que parece mas não é acidental

Celeste Gomes del Salto

De Madri, especial para o Jornal Opção

Dolores Redondo Meira é uma escritora espanhola de “romances negros”. Começou na literatura com 14 anos, escrevendo contos e histórias infantis. Nasceu em 1969, na cidade de San Sebastian, no norte da Espanha. Começou a estudar Direito na Universidade de Deusto (embora não tenha concluído) e Restauração Gastronômica em São Sebastião. Antes de se dedicar profissionalmente à literatura, trabalhou em vários restaurantes, até conseguir ter o seu próprio.

Dolores Redondo: escritora espanhola | Foto: Reprodução

Em 2009 publicou seu primeiro romance, “Os Privilégios do Anjo”, no qual mergulha nas implicações que a morte pode ter na vida das pessoas do seu entorno, analisada por intermédio da amizade de duas meninas.

Dois anos depois, Dolores Redondo finalizou seu segundo romance, “O Guardião Invisível”. Nesse mesmo ano, na Feira do Livro de Frankfurt, a editora Destino e outras seis editoras internacionais compraram os direitos de publicação. O interesse por esta obra foi tanto que fizeram uma adaptação para o cinema e a produtora NadCon comprou os direitos de produzir os filmes baseados na trilogia.

Com o “Guardião Invisível” começa a trilogia do Baztán, que continua em 2013 com o “Legado dos Ossos” e é concluída “Oferenda à Tempestade”, que relata as investigações criminais da inspetora Amaia Salazar.

O livro seguinte de Dolores Redondo Meira, “Tudo Isso Te Darei”, recebeu um dos prêmios mais importantes da literatura espanhola, Prêmio Planeta, e foi a sua consagração como escritora. Seu último romance é “A Face Do Norte do Coração”.

“Tudo Isso Te Darei”

No romance “Tudo Isso Te Darei”, no majestoso cenário da Ribeira Sacra, Álvaro sofre um acidente que vai acabar com sua vida. Quando Manuel, seu marido, chega à Galícia para reconhecer o corpo, descobre que a investigação sobre o caso foi fechada muito rápido.

A rejeição da poderosa família do seu marido, “Os Muñiz de Dávila”, o leva a fugir desse ambiente, porém lhe retém o apelo contra a impunidade, que Nogueira, um guarda civil aposentado, alega contra a família de Álvaro, nobres que vivem de privilégios, e a suspeita de que esta não é a primeira morte de seu ambiente que foi mascarada como acidental.

Lucas, um padre amigo de infância de Álvaro, e Manuel e Nogueira reconstroem a vida secreta daqueles que eles achavam que conheciam bem.

A amizade inesperada desses três homens, sem qualquer afinidade aparente, ajuda Manuel a navegar entre o amor por quem seu marido era, e o tormento de ter vivido sem saber nada dessa realidade, blindados atrás da quimera do mundo de seu escritor. Assim começa a busca pela verdade, num lugar de fortes crenças e costumes arraigados em que a lógica nunca acaba de atar todos os cabos.

Celeste Gomes del Salto, jornalista radicada em Madri, é colaborada do Jornal Opção.

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