A goiana Maria Luiza X. de A. Borges é uma das maiores tradutoras do Brasil

Traduziu Lewis Carroll (Alice e um poema célebre), Conan Doyle, Willa Cather, Jean-Paul Sartre, Bertrand Russell, Anthony Giddens, Marguerite Yourcenar e Stephen Hawking

Yuri Baiocchi

Especial para o Jornal Opção

Maria Luiza X. de A. Borges, tradutora | Foto: Revista CartaCapital

Goiás, finalmente, é comercializado e lido pelas grandes editoras.

Não estou me referindo às obras de Hugo de Carvalho Ramos (1895-1921), Bernardo Élis (1915-1997), José J. Veiga (1915-1999) ou Afonso Félix de Sousa (1925-2002), goianos que, no passado, tiveram que atravessar o Paranaíba para que fossem vistos e publicados pelas grandes editoras. Nem mesmo a poeta Cora Coralina, cuja obra majoritariamente compartilhada na internet não corresponde à sua. E também não estou falando de Maria José Silveira (prêmio de revelação da APCA, menção honrosa no Prêmio Nestlé e finalista no Prêmio Kindle), nem de Edival Lourenço (2º lugar na categoria romance no Prêmio Jabuti 2013) ou de Nelson Moraes, que são hoje os goianos que mais se destacam fora do Estado e, infelizmente, quase que com o mesmo esforço daqueles mais antigos.

Sabemos que não é bem por falta de conteúdo interessante ou qualidade que os escritores locais não voam mais alto. Embora muita coisa tenha mudado, algumas distâncias foram preservadas, tanto de lá para cá como daqui para lá. Não é apenas Rio e São Paulo que ignoram o que é produzido em Goiás, mas Goiás também o faz solenemente. Desconhecemos até mesmo o que é produzido aqui ao lado, em Brasília, ou em Beagá ou no Tocantins, Estado tido como irmão.

É normal ter o seu modus operandi, no entanto não é nada inteligente pensar que somos o topo do setor ou que não valemos nada e, assim, por um ou por outro motivo, desconsiderarmos todo o restante e nos mantermos afastados.

Vital é a qualidade da literatura

Goiás tem alguns fomentos, é verdade que agora tudo está um pouco capenga, mas, ainda assim, temos uma quantidade considerável de caminhos para publicar um livro com custo zero ou próximo disso. No ano passado, a Prefeitura de Goiânia lançou mais de duzentos livros, sem mencionar os publicados por editais de academias de letras, concursos literários bancados por diversos setores e os que foram financiados por leis de incentivo.

É uma boa requisitar que, para serem beneficiados, esses autores morem em Goiás. Mas também não é tão bom assim. Não acredito que, no caso do edital de Goiânia, tenham visto propriamente qualidade — em tão curto espaço de tempo — em mais de duzentos autores. Nem acredito que se tenha tantos escritores assim morando em Goiás. Falo isso com a convicção de leitor e com a consciência de que não pretendo publicar nada por esses meios enquanto for esta a forma.

Atitudes assim levam para o leitor goiano apenas alguma ou outra coisa boa e muita coisa (mas muita mesmo!) inominável. O requisito para publicar um livro de caráter literário, na minha opinião, tem de ser, antes de mais nada, a qualidade literária, principalmente se custeado com dinheiro público. Não acredito que todo mundo possa publicar. Tais editais deveriam primar pela qualidade.

Deve haver algum percentual para pessoas de outros Estados e até de outros países publicarem aqui. Precisamos saber o que acontece fora, criar vínculos, integrar algo maior. Em 1911, o teatrólogo goiano João Teixeira Álvares afirmou que em Goiás não havia letras, mas sim um “clube do elogio mútuo”. Não sei se à época ele tinha razão, mas, independentemente disso, soa bem atual.

Maria José Silveira e Sonia Sant’Anna

Temos hoje o professor Gilberto Mendonça Teles, excelente crítico literário (especialista na poesia de Carlos Drummond de Andrade) e que não aderiu ao compadresco. Desconhecida em Goiás, Julianne Veiga tem publicado ótimos contos na “Revista Gueto”, do Rio de Janeiro, e acaba de lançar seu primeiro livro “Histórias do Meio do Mundo”, pela Editora Patuá. Augusta Faro, boa contista, e que ainda não recebeu o devido reconhecimento em Goiás (Roberto Pompeu de Toledo percebeu a vitalidade de sua literatura, na revista “Veja”), assim como as poesias de Maria Lucia Félix e Marcos Caiado. Isso tudo por não serem habitués do tal clube. Sem falar dos falecidos Yêda Schmaltz, José Godoy Garcia e Domingos Félix de Sousa, este último, felizmente, estará sendo devidamente reconhecido em breve por meio de publicação da Editora da Universidade Federal de Goiás, organizada por sua filha Maria Lúcia Félix e com acréscimos de pesquisas minhas.

Por mais confortável e familiar que seja a literatura goiana, existe algo maior e que não representa propriamente a nossa anulação, muito pelo contrário.

Mas é preciso avançar anos, levantar vidraças e jogar fora as naftalinas chamadas bairrismo e compadresco. Aí que críticos sérios e bem estabelecidos fazem a diferença e ajudam a construir.

Um dia festejaremos nossos escritores de fora de Goiás com a mesma alegria com que festejamos os daqui. Um dia ouviremos os nomes de Maria José Silveira e Sonia Sant’Anna (uma das maiores romancistas históricas do Brasil — goiana, mas radicada hoje em Belo Horizonte, onde acaba de publicar “Rondo” — já noticiado por mim no Jornal Opção —, livro de muitos contos e uma novela autobiográfica, pela Editora Penalux) numa palestra de algum instituto histórico fora das biografias de seus pais, mas em suas próprias. E nos orgulharemos de dizer que Maria José Dupret, Moacyr Félix e Sérgio Sant’Anna são filhos de goianos e alguns até darão um jeito de perfilhá-los como se filhos da terra fossem.

Maria Luiza X de A. Borges, tradutora

Por enquanto, já que isso ainda não acontece, nos limitamos a ver Goiás representado nas grandes publicações por uma mulher que não é autora e que faz o caminho inverso do que precisamos fazer: ela traz o mundo todo para cá.

Mas será que é lida em Goiás? Será que os goianos reconhecem Goiás em alguns clássicos da literatura mundial? Será que os goianos reconhecem a conterrânea pelos sobrenomes históricos de sua assinatura?

Maria Luiza X. de A. Borges, como assina suas aproximadamente 300 traduções, é uma das mais competentes e premiadas profissionais deste ofício.

Precisa e consagrada desde o infantil (e lido com prazer por adultos) “Alice” (Rio de Janeiro, Zahar, 2002), edição comentada, de Lewis Carroll — pelo qual, na categoria tradução, recebeu menção honrosa no Prêmio Jabuti 2002 —, passando por artigos de revistas científicas e livros como “Tempo, Amor, Memória — Um Biólogo Notável em Sua Busca das Origens do Comportamento” (Rio de Janeiro, Rocco, 2002), de Jonathan Weiner — que lhe rendeu menção honrosa por tradução científica e técnica no Prêmio União Latina 2002 —, ao clássico da literatura norte-americana “Minha Ántonia” (São Paulo, Códex, 2003), de Willa Cather — que foi finalista na categoria tradução, no Prêmio Jabuti 2004.

“Alice” recebeu, juntamente com “Contos de Fadas” (Rio de Janeiro, Zahar, 2004), edição comentada, de Maria Tatar (org.), e “Contos de um Reino Perdido” (São Paulo, SM, 2006), de Erik L’Homme, menção altamente recomendável da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.

Também por intermédio da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, vieram os dois prêmios Monteiro Lobato de melhor tradução para o público jovem com os títulos “Contos de Fadas” e “Nenhum Peixe Aonde Ir” (São Paulo, SM, 2006), de Marie-Francine Hébert.

Dentre os seus feitos está o de ser a primeira (e talvez ainda seja a única) a traduzir todas as aventuras do personagem Sherlock Holmes, de Arthur Conan Doyle, publicadas pela Zahar.

Maria Luiza X. de A. Borges, como bem apontado pelo “Dicionário de Tradutores Literários no Brasil”, chama a atenção pela quantidade de distinções recebidas por suas traduções literárias voltadas ao público infantil, o que é ainda mais impressionante se olharmos também para o relevante número de títulos científicos traduzidos (alguns premiados), talvez influência dos anos de trabalho na revista “Ciência Hoje” (de 1986 a 1991), da SBPC, e como editora de texto do “Dicionário Histórico-Biográfico do CPDOC”, da Fundação Getúlio Vargas, em 1984. Qual seria a semelhança entre o conteúdo infantil e o filosófico tão bem traduzidos por ela?

Considera-se autodidata, jamais tendo feito qualquer curso de tradutora nem possuindo formação superior em línguas. Aluna do Sacré-Coeur de Jésus da Tijuca, no Rio de Janeiro, sua formação é bilíngue francês-português. O inglês foi aprendido em cursos livres e por meio da leitura de romances em língua inglesa. O espanhol também aprendeu via leituras.

Antes de traduzir autores como Einstein, John Le Carré, Anthony Giddens (o da terceira via política), Marguerite Yourcenar (autora de “Memórias de Adriano”), Jean-Paul Sartre, Benny Lévy, Bertrand Russell, Ludwig von Mises, Luc Montagnier, Stephen Hawking, Ferdinand Alquié, dentre outros, formou-se em Psicologia pela PUC-Rio, tendo feito mestrado em Psicologia Clínica.

Goiana de quatro largos costados, o nome abreviado (X. de A.) que é impresso nos livros que traduz esconde um velho sobrenome goiano de uma gente honrada e inteligente, hoje quase desaparecido destas plagas: Xavier de Almeida.

Maria Luiza Xavier de Almeida Borges é filha dos professores universitários Orivaldo Borges Leão e Zilah Xavier de Almeida Borges.

Pargarávio entusiasma Caetano Galindo

Caetano W. Galindo, o assombroso tradutor de “Ulysses” (e está traduzindo o ainda mais complexo “Finnegans Wake”), recentemente escreveu a seu respeito no “Jornal Nexo”, quando se propôs a indicar “5 livros com traduções exemplares para o português”: “os dois livros de Alice (‘No país das maravilhas’ e ‘Através do Espelho’), mais um episódio inédito. Mais as clássicas ilustrações de John Tenniel. Mais as anotações exaustivas e divertidíssimas de Martin Gardner (matemático como Carroll). O projeto editorial, bravissimamente encarado por Maria Luiza Borges, já era impressionante. Mas a tradução dela entra aqui por seus próprios méritos, e por um ‘pequeno detalhe’, sua versão hilariante, perfeita, do poema ‘Pargarávio’, em que ela não fugiu de lutar com três monstros: o Jabberwocky do original, a poesia alucinada de Carroll e a sombra do mais-que-clássico ‘Jaguadarte’ de Augusto de Campos, tão famoso que tende a simplesmente ser citado a cada nova tradução. Mas não aqui!”.

Segue abaixo mais um de seus feitos dignos de nota: a tradução do poema nonsense “Jabberwocky”, presente em “Alice”, de Lewis Carrol, para o português. A tarefa é mais difícil do que uma tradução comum, pois a maioria das palavras foi inventada pelo autor e não existe no idioma original.

Jabberwocky
Lewis Carrol

“Twas brillig, and the slithy toves

Did gyre and gimble in the wabe:

All mimsy were the borogoves,

And the mome raths outgrabe.

“Beware the Jabberwock, my son!

The jaws that bite, the claws that catch!

Beware the Jubjub bird, and shun

The frumious Bandersnatch!”

He took his vorpal sword in hand:

Long time the manxome foe he sought—

So rested he by the Tumtum tree,

And stood awhile in thought.

And, as in uffish thought he stood,

The Jabberwock, with eyes of flame,

Came whiffling through the tulgey wood,

And burbled as it came!

One, two! One, two! And through and through

The vorpal blade went snicker-snack!

He left it dead, and with its head

He went galumphing back.

“And hast thou slain the Jabberwock?

Come to my arms, my beamish boy!

O frabjous day! Callooh! Callay!”

He chortled in his joy.

‘Twas brillig, and the slithy toves

Did gyre and gimble in the wabe:

All mimsy were the borogoves,

And the mome raths outgrabe.

A tradução de Maria Luiza X. de A. Borges

Eis aqui um pouco da astúcia, da mestria, da inventividade linguística e do lirismo da tradutora.

Pargarávio
Lewis Carroll 

Solumbrava, e os lubriciosos touvos

em vertigiros persondavam as verdentes;

Trisciturnos calavam-se os gaiolouvos

e as graverdugas estriguilavam fientes.

“Cuidado, ó filho, com o Pargarávio prisco!

os dentes que mordem e as garras que fincam!

Evita o pássaro Júbaro e foge qual corisco

do frumioso Capturandam.”

O moço pegou da sua espada vorpeira:

Por delongado tempo o ferogonista buscou.

Repousou então à sombra da tuntumeira,

E em lúmbrios reflaneios mergulhou.

Assim, em turbulosos pensamentos quedava,

Quando o Pargarávio, os olhos a raisluscar,

Veio flamiscuspindo por entre a mata brava.

E borbulhava ao chegar!

Um, dois! Um, dois! E inteira, até o punho,

A espada vorpeira foi por fim cravada!

Deixou-o lá morto e, em seu rocim catunho,

Tornou galorfante à morada.

“Mataste então o Pargarávio? Bravo!

Te estreito no peito, meu Resplenderoso!

Ó, gloriandei! Hosana! Estás salvo!”

E na sua alegria ele riu, puro gozo.

Solumbrava, e os lubriciosos touvos

Em vertigiros persondavam as verdentes;

Trisciturnos calavam-se os gaiolouvos

E as graverdugas estriguilavam fientes.

Goiás, finalmente, é comercializado e lido pelas grandes editoras, mas ainda só como tradução.

Besta quem suspeita que existam pensamento solitário e observação inédita. É que numa dessas incursões em arquivos e jornais a fim de reunir material para o livro sobre o contista e crítico literário Domingos Félix de Sousa, deparei-me com as mesmas perguntas e respostas apresentadas por mim no texto acima.

“O que falta à literatura goiana?”

Certa vez, ainda por volta dos anos 1950, o professor Domingos Félix de Sousa propôs uma enquete com a seguinte pergunta: “O que falta à literatura goiana?”.

Além do próprio professor Domingos Félix de Sousa — que o fez bem a seu modo, isto é, de modo irretocável —, responderam à questão outros três observadores da literatura naquela época: A.G. Ramos Jubé (com uma crítica à altura de seu talento), Jesus de Aquino Jayme (que, com extremo pessimismo, traiu sua intenção de ser minimamente realista a ponto de apresentar um quadro ainda pior e soar pedante), Jarmund Nasser (atento aos problemas, mas não respondeu à pergunta) e Oscar Sabino Júnior (1921-1989), cuja construção de pensamento me impressionou tanto, assim como um artigo seu publicado naquele mesmo ano, que resolvi transcrever sua resposta.

Oscar Sabino Júnior: crítico literário| Foto: Dicionário do Escritor Goiano

Chamaram-me a atenção não só a habilidade com a qual expõe sua opinião, toda lucidez e atualidade que carrega, mas também o fato de haver pouquíssima ou nenhuma diferença com um artigo que escrevi há mais de um ano, claro, antes de ter conhecimento deste texto. Se por um lado me alegro em ter a minha opinião afinada à de um João Teixeira Álvares — que, num prefácio, em 1911, teceu comentários sobre a literatura feita em Goiás — e a de Oscar Sabino Júnior — autor do pertinente livro “Notas de um Leitor de Província” (coletânea de artigos) —, entristeço-me com essa situação quase que engessada, cuja constatação, de tão óbvia, talvez não represente mérito algum.

Resposta de Oscar Sabino Júnior

“Talvez fosse mais válido que se indagasse qual foi a contribuição real dos escritores goianos aos quadros literários do Brasil. Mas vamos ao assunto da pergunta.

“Repito que num Estado como Goiás, que viveu durante quase toda a sua existência num grande atraso econômico e social, forçosamente desajudado de “circunstâncias histórico-culturais”, o fenômeno literário teria de desenvolver-se aí de maneira lenta, vaga e informe. E essas condições econômico-sociais eram madrastas e refletiram naturalmente na literatura que se fez aí. Somente agora se pode olhar com algum entusiasmo e muita esperança para o futuro.

“Explicar ou julgar a literatura de Goiás invocando razões puramente sentimentais é situar fora da realidade o problema. Não se tem uma literatura porque se quer, nem se faz uma literatura à força de convicção literária. E muito menos é verdadeiramente literatura tudo o que se escreve e se publica em livros ou jornais. De resto, literatura não é apenas “uma coisa que existe, mas uma coisa que dura” e sobrevive à sua época.

“O exercício da literatura entre nós, como no resto do Brasil, foi durante muitos anos um privilégio, com algumas exceções, das elites do espírito e das famílias de influência. Na sua grande maioria era manejada por bacharéis palavrosos ou por literatos fofos e preciosos.

“A par dessas realidades históricas e de outros fatores bem evidentes, que a ligeireza desta enquete não permitiria explicar melhor, compreende-se que não se possa falar francamente na existência, em Goiás, de uma literatura de grande significação quanto à natureza intrínseca e à originalidade artística de suas obras. Isto sem desprezar a contribuição de algumas figuras do passado e das gerações mais novas. Quando muito seria lícito falar na existência de uma literatura em sentido largo, mesmo assim de expressão bem modesta.

“Não resta dúvida que de uns tempos para cá criaram-se melhores condições para se fazer literatura em Goiás, apesar de nos faltar ainda muita coisa. Talentos naturalmente é que não faltam. Nem vontade de estudar e achar caminhos. Problemas humanos e estéticos estão aí desafiando o talento e a capacidade de todos nós. É preciso movimentar o ambiente e torná-lo mais arejado. Mas não será com fórmulas batidas, atitudes conformistas, numa doce e irritante submissão ao passado, que poderemos achar as soluções que tanto procuramos para esses problemas. Precisamos debatê-los, equacioná-los, conhecer o homem e a realidade a que está vinculado, combater sem trégua tudo o que signifique atraso, convenção tola, reacionarismo, mostrando objetivamente os erros do passado, os enganos do presente, para que seja possível afirmar tendências e fixar rumos.

“E para isto é preciso alguma cultura, mas cultura que não seja apenas ornamento ou simples erudição. Ademais, não termos medo do futuro e não ficarmos tão autossuficientes a ponto de parecermos muito satisfeitos com o que já somos.”

Yuri Baiocchi, crítico literário e pesquisador, é colaborador do Jornal Opção.

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