7 filmes de “O Amor, a Morte e as Paixões” que você não podia ter perdido

Com curadoria de Lisandro Nogueira, a mostra exibiu 117 longas e já deixa saudades. O Opção Cultural esteve no festival e lista aqueles filmes que precisam ser assistidos

“Respire”, de Mélanie Laurent, conta a hisória de duas garotas, que se tornam amigas e se vêem numa situação-ápice, sem retorno | Fotos: Divulgação

“Respire”, de Mélanie Laurent, conta a história de duas garotas, que se tornam amigas e se vêem numa situação-ápice, sem retorno | Fotos: Divulgação

Muitos lamentos se ouvia no hall de entrada das salas de cinema Lumière do shopping Bougain­ville. Afinal, chegava ao fim mais um ano de “O Amor, a Morte e as Paixões”. Se não fosse o fim de uma maratona de 117 filmes, o dia seria apenas mais uma quarta-feira no calendário. Mas era dia 17 de fevereiro, o último dia da quinzena cinéfila goiana. Só no ano que vem. Com curadoria de Lisandro Nogueira, a mostra, também idealizada pelo proprietário da rede de cinema Gerson Santos, vem desde 2001 reunindo obras e mais obras, de blockbusters a clássicos e experimentais, a fim da apreciação fílmica e formação de público. Dá para contar muitas histórias de sessões que peguei, mas vale contar de alguns filmes que a mim marcaram e que você, se perdeu, sem dúvida deve ver. E já.

Anomalisa

Anomalisa

Anomalisa
De Charlie Kaufman, a produção estadunidense é uma animação nada indicada para crianças. Já dá para imaginar o porquê. Tam­bém diretor de “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças” e “Quero Ser John Malko­vich”, Kaufman impressiona com uma atual história singela de dar calafrios. Até porque, como explicar o interesse e desinteresse amoroso tão repentino por alguém, senão por uma visão pessimista tão radical?

Boi Neon
Como bem simplificou Vinicius de Oli­veira, ator que esteve presente na mostra e bateu um papo sobre o longa, “Boi Neon” é um filme de movimento. Nada tão complexo e demasiadamente enredado. Um simples ir. Você passa a sessão à espera de um clímax que não vem e isso é genial, pois o longa nada mais é que uma crônica do nordestino com aquele desconstruir de estereótipos. A história conta que aquele mundo é como qualquer outro, enorme para quem o vive.

Body
São cerca de 90 minutos brancos, em que tudo que é muito pesado é mostrado de modo leve. De Malgorzata Szumowska, o filme conta a história de pai e filha que lidam com a morte da mãe. Ele, um investigador cético que trabalha com casos horripilantes, como uma criança esquartejada no banheiro de uma estação. Ela, bulímica e anoréxica sem nenhuma estima pela vida. Eles conhecem Anna, uma médium e terapeuta. O filme te inunda os olhos, principalmente, com a cena derradeira.

Eu Estava Justamente Pensando em Você
Sem meio, início e fim, perdidos em um universo paralelo, revivemos a relaxão apaixonada e complicada de Kimberly e Dell. Do roteirista e diretor da série Mr. Robot, Sam Esmail, o longa é daqueles romances de dar inveja. Romance mesmo, dos amorosos, fugindo a todas as categorias e classificações de amor. Nada caramelado demais e ainda assim singelo e afetuoso. Não indicado se você estiver na bad, tentando se recuperar de uma dor de cotovelo.

Filho de Saul
Ao lado de “Respire”, de Mélanie Laurent, o longa húngaro de László Nemes ocupa, a meu ver, o posto de melhor filme da mostra. Não dá para assisti-lo desavisado, pois é de devastar qualquer um. O filme se passa na Segunda Guerra, em um campo de concentração nazista, em câmaras de gás em sepulturas de judeus. Pode julgá-lo lento no desenrolar da história, no clarear do enredo e complicação, mas os 107 minutos voam em face da falta de fôlego a cada cena/crueldade avistada.

Party Girl

Imagem do filme Party Girl

Party Girl
O filme vale (mais) por seus últimos minutos. Se você for daqueles que detestam filmes assim, não dê play no longa de Claire Burg, Marie Amachoukeli-Barsacq e Samuel Theis. Mas vale argumentar que toda poética imagética da última cena só se desembaraça graças ao fim, meio e início. A canção de Chinawoman, “Party Girl”, talvez faça toda a diferença; ou, ainda, a identificação de quem sabe que viver sozinho vale mais que estar banalmente acompanhado só pelo medo de ser sozinho. Angélique, uma senhora de 60 anos que vive em uma boate de strip-tease, por fim, sabe bem disso.

Respire
“Au revoir, Shoshanna”, talvez lhe relembre, caro leitor, de Mélanie Laurent. A atriz protagonizou o filme de Quentin Tarantino, “Bastardos Inglórios”. Também cantora, mas sem nenhuma novidade desde 2011, a francesa Laurent adapta o romance de Anne-Sophie Brasme para o cinema; uma história de tirar o fôlego. Literalmente. Durante todo o filme, você se pergunta como aquilo pode terminar bem. Você quebra a cabeça desesperadamente contra o relógio que lhe diz que o fim está perto e nada de solução. O filme brilhou em Cannes.

Cena do filme “Filho de Saul”. A obra concorre na categoria “Melhor Filme Estrangeiro” no Oscar 2016

Cena do filme “Filho de Saul”. A obra concorre na categoria “Melhor Filme Estrangeiro” no Oscar 2016

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