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Kim Phuc, vietnamita de 9 anos, corre, queimada por Napalm: a foto chocou e comoveu o mundo e ajudou a pôr um fim à Guerra do Vietnã[/caption]
Leitores perguntam, com certa insistência, se aprovo a divulgação de vídeos escandalosos e de vídeos que chamam de “sádicos”.
Entre os escandalosos estão os que expõem pessoas nuas, famosas ou não, ou, às vezes, mantendo relações sexuais.
Se o próprio indivíduo expõe os vídeos, não faço nenhum reparo. É seu direito. Porém, se o vídeo foi “roubado” e é exibido contra a vontade da pessoa, aí oponho-me à sua divulgação. Trata-se, a vulgarização, de um crime.
No caso dos vídeos que os leitores denominam de “sádicos” — as imagens de um tigre matando um jovem e de um terrorista decapitando um jornalista —, nada tenho contra a divulgação.
O vídeo do tigre, comecei a ver e, rapidamente, desisti. Sugiro, portanto, que as pessoas façam suas escolhas, como fiz a minha, mas não proponho qualquer censura. Um alerta — “este vídeo contém cenas fortes” — talvez seja apropriado. A ressalva é que um aviso deste tipo serve mais como incentivo.
O vídeo de um jornalista sendo decapitado, por lamentável e chocante que seja, é informação, um fato. É importante, mesmo para quem não queira vê-lo, saber o que os terroristas do Estado Islâmico fazem com inocentes. É possível sugerir que sua divulgação maciça contribui para que seja aceita a violência americana no Iraque, e não apenas contra terroristas. Quando militares dos Estados Unidos atacam esconderijos terroristas, no Iraque ou em outros países, eventualmente centenas de inocentes também morrem. A maioria não está envolvida diretamente na guerra, embora muitos sejam usados como “escudos” por terroristas.
A foto da menina vietnamita Kim Phuc, de 9 anos, correndo nua e queimada, na Guerra do Vietnã (militares americanos jogaram napalm), contribuiu, em larga medida, para que o mundo condenasse a ação dos Estados Unidos e para acelerar o fim da batalha. A foto é chocante, permanece explosiva, mas quem pode sublinhar que sua publicação não foi relevante?
Veja vídeo com cenas de jornalistas que foram decapitados:
https://www.youtube.com/watch?v=9soEUzx-Q5A
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Jornalistas como William Bonner e Fátima Bernardes se tornaram capitalistas[/caption]
O economista francês Thomas Piketty, autor do livro “O Capital no Século XXI” (Intrínseca, 768, tradução de Monica Baumgarten de Bolle), diz que alguns indivíduos que são vistos como trabalhadores deveriam ser percebidos como capitalistas. É o caso dos executivos de algumas empresas e mesmo jornalistas. O apresentador e editor-chefe do “Jornal Nacional”, William Bonner, recebe 1,5 milhão de salário (18 milhões por ano) — valor que extrapola a ideia de salário e pode ser considerado praticamente participação nos lucros —, um rendimento mensal que muitas empresas de médio porte não obtêm.
Na semana passada, a “Folha de S. Paulo” revelou que, além de um salário de 1,5 milhão de reais, a jornalista Fátima Bernardes, apresentadora de um programa matutino na Globo, está se tornando uma das garotas-propaganda mais bem pagas do País. Seu cachê saltou de 5 milhões para 10 milhões. Ela faturou 5 milhões da Seara, segundo o jornal.
É provável que Piketty tenha razão: alguns executivos e jornalistas se tornaram neocapitalistas. Dizer isto nada tem de pejorativo. É uma constatação de como o capitalismo se tornou mais “absorvente” — transformando setores das classes médias em, para usar uma linguagem antiquada, burgueses.
O Jornalistas&Cia e o Maxpress, por meio de votação, listaram os 100 jornalistas mais admirados do Brasil. Observando a lista, sobretudo dos dez mais admirados, é possível concluir que o País resume-se a São Paulo e Rio de Janeiro. Não há jornalistas do Rio Grande do Sul, do Paraná, de Minas Gerais, de Goiás, da Bahia, de Pernambuco. É provável que os mais admirados sejam, na verdade, os mais conhecidos. Tanto que, do chamado top 10, sete são profissionais de redes de televisão, que são os mais vistos e lembráveis. Eis o chamado top 10: 1 — Ricardo Boechat — Apresentador da TV Bandeirantes. 2 — Miriam Leitão — Comentarista da Globo News e colunista de “O Globo”. 3 — Elio Gaspari — Colunista e articulista da “Folha de S. Paulo” e de “O Globo”. 4 — Caco Barcellos — Repórter da Rede Globo. 5 — William Waack — Apresentador do “Jornal da Globo”. 6 — William Bonner — Apresentador e editor-chefe do “Jornal Nacional”. 7 — Carlos Alberto Sardenberg — Comentarista do Globo News. 8 — Mino Carta — Diretor de redação da revista “CartaCapital”. 9 — Eliane Brum — Colunista do jornal “El País” e repórter. 10 — José Hamilton Ribeiro — Repórter do “Globo Rural”, da TV Globo.
Autor de livros importantes, como “Cachorros de Palha”, “A Anatomia de Gray”, “Missa Negra”, “Al-Qaeda e o Que Significa Ser Moderno”, “Falso Amanhecer”, o filósofo John Gray lança mais um livro polêmico, “A Busca Pela Imortalidade — A Obsessão Humana em Ludibriar a Morte” (Record, 251 páginas, tradução de José Gradel).
Gray, filósofo que desagrada a esquerda e a direita, dadas suas críticas contundentes a ambas, diz, no livro mais recente, que, “durante o final do século 19 e o começo do século 20, a ciência transformou-se em um instrumento investido contra a morte. O poder do conhecimento foi convocado para libertar os seres humanos de sua mortalidade. A ciência foi lançada contra a ciência e tornou-se um canal para a magia”.
Muitos, afirma Gray, “voltaram-se para a ciência para escapar ao mundo que a própria ciência havia revelado”. O filósofo frisa que, “na Rússia, assim como na Grã-Bretanha, a ciência era usada como uma forma de não aceitar a lição de Darwin de que os seres humanos são animais, sem nenhum destino especial que lhes assegure um futuro além de seu lar terreno”.
Gray deu aulas na London School of Economics, Oxford, Harvard e Yale.
Na terça-feira, 23, “O Popular” publicou uma extensa reportagem, “Saída de Walter Paulo reduz grupo ligado a Cachoeira”, na capa de seu caderno de política. Fica-se com a impressão de que o jornal está perdendo tempo com temas, na verdade, de pouco interesse para a população. Há um problema técnico. “O Popular” não percebeu que, se não tem mandato e se não foi eleito — pelo contrário, desistiu de disputar cargo na Câmara dos Deputados —, como se pode sugerir que, com sua saída, Walter Paulo reduz grupo ligado a Cachoeira? Será possível dizer que, se uma jornalista “x” sair de um diário local, o grupo de Cachoeira ficará menor na redação?
O Serpes é um instituto de pesquisa de nível nacional. No entanto, algumas reportagens do “Pop” que interpretam seus dados, como uma do jornalista Caio Salgado (Fabiana Pulcineli, embora às vezes idiossincrática, interpreta-os de maneira muito mais qualificada), são de um primarismo atípico. Algumas vezes, o levantamento diz uma coisa e a reportagem, outra.
Ao entrevistar o governador Marconi Perillo, na Rádio 730, o jornalista Vassil Oliveira, um profissional correto e competente, insistiu num ponto: o blog Goiás 24 Horas conta com a anuência do tucano-chefe? Marconi disse que, se o repórter tiver provas de que “orienta” o blog, que apresente-as e, se necessário, que recorra à Justiça. O blog é editado por Cristiano Silva. Não seria o caso de Vassil Oliveira perguntar diretamente ao jornalista e escritor quais são os autores dos textos? Aos que querem saber sobre supostos colaboradores anônimos do Goiás 24 Horas, deixo a pergunta: quem escreve os editoriais do “Estadão”, da “Folha de S. Paulo” e de “O Globo”? Não se sabe. Certamente são várias pessoas. Nós, jornalistas, apreciamos criticar, porém, se criticados, ficamos “revoltados”. Recentemente, a apresentadora do “Jornal Nacional”, Patrícia Poeta, irritou-se com a publicação de uma nota, na coluna “Radar”, da revista “Veja”, que revelou que havia adquirido um apartamento, em Ipanema, por 23 milhões de reais. Todos os dias, jornalistas escarafuncham a vida das pessoas e fazem revelações, às vezes explosivas, sobre aquisições de bens, separações, namoros. Então, por que não podem ter suas notícias divulgadas? Com um salário de 1 milhão de reais, menos apenas do que o de William Bonner no telejornalismo global, Poeta comprou o apartamento legalmente. Talvez seja mais apropriado, no lugar de vasculhar os nomes dos “autores” do blog, Vassil criar um blog para criticar seus críticos.
O historiador Antonio Pedro Tota lança um livro de qualidade sobre o povo da terra de Thomas Jefferson, Abraham Lincoln e Barack Obama: “Os Americanos” (Contexto, 304 páginas). É um belo livro de história e de interpretação de um povo. A pesquisa é rigorosa, o texto é delicioso e os americanos são examinados sem preconceito. Uma obra nuançada.
Sinopse da editora: “Quem são os verdadeiros americanos? Sofisticados moradores de Nova York ou jecas da ‘América profunda’? Intelectuais vencedores do prêmio Nobel ou truculentos senhores da guerra?
“Para uns, os Estados Unidos da América são um paradigma da modernidade, para outros, um monstro tentacular imperialista. Gostemos ou não, os americanos são importantes. E muito. Todos os dias eles bombardeiam o mundo com filmes, séries de tv, hambúrgueres e Coca-Cola. Suas músicas são ouvidas em todos os continentes. Seus ícones transformaram-se em símbolos mundiais e o inglês é uma espécie de língua franca universal.
“Qual a origem da autoconfiança e soberba dos americanos? E mais: como esse gigantesco vizinho do norte se tornou o que é, rico e poderoso? Com texto denso, brilhante e provocativo, o historiador Antonio Pedro Tota rastreia origens, costumes e paradoxos desse povo, desde o início até a eleição do primeiro presidente negro. Fala também de expansionismo, anos dourados, guerras, escândalos, jazz, cinema e muito mais.”
“Exílio e Literatura — Escritores de Fala Alemã Durante a Época do Nazismo” (Edusp, 296 páginas, tradução de Karola Zimber), de Izabela Maria Furtado Kestler, revela que dezesseis mil exilados da Alemanha nazista e da Áustria vieram para o Brasil. Vários eram intelectuais e escritores. O período discutido pela autora é de 1933, ano da ascensão de Adolf Hitler, a 1945, ano de sua queda. A obra apresenta o que escritores e jornalistas exilados publicaram e analisa a literatura escrita no exílio, especialmente obras de autores como Stefan Zweig, Ulrich Becher e Hugo Simon.
Aldo Vannucchi conta, no livro “Alexandre Vannucchi Lemes — Jovem, Estudante, Morto Pela Ditadura” (Contexto, 176 páginas), a história do líder estudantil na USP e militante da esquerda. Aldo é seu tio e biógrafo. O livro é apresentado como um testemunho pessoal, dolorido. Não é uma vingança, e sim uma espécie de esclarecimento.
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O Pintassilgo é um livro belo e estranho, com misturas de tempo, em termos de narrativas, personagens e hábitos[/caption]
O cartapácio “O Pintassilgo” (Companhia das Letras, 719 páginas, tradução de Sara Grünhagen), da escritora americana Donna Tartt, desconcerta a crítica, mesmo um especialista como James Wood, da “New Yorker”, que não soube apreciá-lo. Os motivos? Aponto um: o romance é uma catedral do século 19 com frequentadores (com hábitos) do século 21. Há um cruzamento hábil, com movimentos rápidos e lentos — simulando um jogo ardiloso, nem sempre visível numa leitura apressada —, da prosa mais convencional do século 19, mais lenta e discursiva, com a prosa experimental do século 20, mais rápida e contida.
Donna Tartt escreve muitíssimo bem, arquiteta e amarra sua história à perfeição, mas deixando que as ambiguidades da vida frequentem suas linhas, com pontos não muito bem esclarecidos, e, ao final, faz um discurso filosófico, à moda mais de Fiódor Dostoiévski filtrado por Nietzsche e, quem sabe, Thomas Bernhard (que não a influencia, diga-se).
As influências literárias de Donna Tartt são espraiadas no romance, às vezes às claras, às vezes de maneira subterrânea. Dickens e Dostoiévski são as influências mais perceptíveis, e em vários trechos. A autora escreveu um romance americano que é filho das literaturas russa e inglesa. O estilo é meio lerdo, como o da prosa russa do século 19, e com personagens (dois meninos, seus pais e um restaurador de móveis) meio dickensianos.
A história é intrincada, às vezes parece não correr, com aparente enrolação (meia russa). Theo Decker visita um museu, nos Estados Unidos, com sua mãe. Há uma explosão, provocada por um ato terrorista, e ela morre. Theo leva do museu o quadro “O Pintassilgo”, do holandês Carel Fabritius (1622-1654) — o pintor morreu na explosão de um paiol —, e recebe de um moribundo um estranho anel.
Inicialmente, Theo vive com uma família rica, em Nova York, e, depois, vai morar com o pai, um escroque, em Las Vegas. Quando o pai morre, num acidente, o garoto volta para Nova York e vai morar com James Hobart, um personagem tipicamente dickensiano, ligeiramente modificado. Há, até, uma espécie de Raskólnikov, o criminoso Boris, um garoto de origem russo-ucraniana. Boris é quase uma Sônia, de “Crime e Castigo”, de calça? Quase é o termo. Porque Sônia, religiosa, não tem uma visão cínica do mundo, ao contrário de Boris. Agora, sem tirar nem pôr, Theo é um “filho” de Dickens plantado por Donna Tartt na América. É uma história policial? Também. Na prática, uma história literária refinada. A relativamente reclusa Donna Tartt é autora de mais dois romances de alta qualidade.
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Livro de pesquisadora norte-americana revolve a crise que levou à falência total do socialismo no Leste Europeu[/caption]
Trecho do excelente livro “A Cortina de Ferro — O Fim da Europa de Leste” (Civilização Editora, 697 páginas, tradução de Miguel Freitas da Costa), da historiadora e jornalista Anne Applebaum, ex-professora de Yale e Columbia: “Num epílogo posterior a ‘As Origens do Totalitarismo’, Hannah Arendt escreveu que a Revolução Húngara ‘foi totalmente inesperada e apanhou toda a gente de surpresa’.
“Como a CIA, o KGB, Kruchev e Dulles, Arendt tinha chegado a acreditar que os regimes totalitários uma vez que se infiltrassem na alma de uma nação eram praticamente invencíveis.
“Estavam todos enganados. Os seres humanos não adquirem ‘personalidades totalitárias’ com essa facilidade toda. Mesmo quando parecem enfeitiçados pelo culto do chefe ou do partido, as aparências podem ser enganadoras. E mesmo quando parece que estão totalmente de acordo com a mais absurda propaganda — mesmo quando estão a marchar em paradas, a entoar slogans, a cantar que o partido tem sempre razão —, o feitiço pode repentinamente, inesperadamente, dramaticamente, ser quebrado” (página 584).
O jornalista Alexandre Braga lançou, na semana passada, o jornal “Diário Canedense” (www.diariocanedense.com.br). O “DC” cobre bem a cidade, faz um jornalismo popular, mas não é inteiramente popularesco.
Uma jornalista da CBN Goiânia gagueja, com frequência, ao ler notícias do dia. O editor da rádio deveria encaminhá-la para um fonoaudiólogo. A CBN Goiânia precisa também investir mais em jornalismo e evitar, pelo menos em parte, o popular “gilete press”.
A única vitória que efetivamente cria espaço para a renovação política é a de Marconi Perillo, que, se eleito em 2014, não poderá disputar o governo em 2018. Se derrotar Iris, o tucano liberta peemedebistas jovens como Daniel Vilela e Júnior Friboi e promove governistas como Giuseppe Vecci, José Eliton e Thiago Peixoto

