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MÚSICA
Bach: o fim de um mundo, o começo de todos

Encerrar um ano é sempre um gesto simbólico. Olhamos para trás, organizamos memórias, tentamos compreender o que se fecha e o que permanece. Talvez por isso Johann Sebastian Bach seja uma companhia tão adequada para este momento. Poucos artistas representam com tanta clareza o fim de um mundo, e, paradoxalmente, o alicerce de tantos outros.

Para o historiador da música Roland de Candé, a obra de Bach resume toda a história da música tal como ela podia ser compreendida em seu tempo: uma síntese impressionante da polifonia imitativa, do estilo concertante e do canto dramático, levados ao mais alto grau de perfeição. Bach não foi um compositor profético, no sentido de anunciar o futuro. Foi, antes, aquele que levou o Barroco até o limite máximo de sua realização e, justamente por isso, marcou o fim desse estilo.

Johann Christoph Bach (1642 – 1703)

Nascido em Eisenach, em 1685, Bach herdou não apenas um sobrenome, mas um ofício. Antes dele, os Bach já eram músicos municipais, organistas, violinistas, mestres de capela. A música, naquela família, não era um chamado excepcional, mas um saber transmitido de geração em geração. Órfão ainda criança, Johann Sebastian foi criado pelo irmão mais velho, Johann Christoph, organista, com quem aprendeu desde cedo a disciplina silenciosa do teclado e da escrita musical.

Aos quinze anos, ingressou na escola de São Miguel, em Lüneburg, onde conciliava estudo e canto coral. Já então revelava uma inquietação pouco comum: caminhava longas distâncias para ouvir organistas que admirava, absorvendo estilos, técnicas e linguagens que circulavam pela Europa. Essa curiosidade, quase obsessiva, seria uma marca permanente de sua música.

Igreja de São Tomás, Leipzig, Alemanha: lugar em que Bach trabalhou como Kantor  e onde estão seus restos mortais

Bach viveu de sua arte. Trabalhou como organista, músico de corte, compositor e professor. Seus períodos mais estáveis foram aqueles ligados às cortes, especialmente em Köthen, onde pôde se dedicar intensamente à música instrumental e de câmara. Ainda assim, seu desejo mais profundo era escrever música sacra. Por isso, aceitou o posto de Kantor da Igreja de Santo Tomás, em Leipzig, um cargo que ia muito além da regência de um coro. O Kantor era o responsável pela música das principais igrejas da cidade, pela formação musical dos estudantes e pela composição de novas obras para o calendário litúrgico. Era, ao mesmo tempo, diretor musical, educador e compositor oficial.

Foi nesse período que nasceram algumas das obras mais monumentais da história da música: as grandes Paixões, centenas de cantatas, motetos e a imensa Missa em si menor. Paradoxalmente, enquanto sua produção atingia um nível de complexidade e profundidade raramente igualado, o mundo ao seu redor mudava. As ideias do Iluminismo avançavam, o Classicismo se afirmava, e a música de Bach passou a soar excessiva, densa, “antiga”. Pouco a pouco, ele foi sendo afastado da composição.

Anna Magdalena (1701 – 1760)

Nos últimos anos, quase cego, ditava partituras com a ajuda de Anna Magdalena, sua segunda esposa. Seus cadernos domésticos, simples, cotidianos, seriam decisivos para que a música de Bach atravessasse o tempo. Quando morreu, em 1750, ano que simbolicamente marca a transição do Barroco para o Classicismo, Bach era respeitado sobretudo como instrumentista virtuose, não como compositor. Muitas de suas obras foram esquecidas ou perdidas. Durante décadas, seu nome permaneceu restrito a círculos especializados.

Felix Mendelssohn (1809 – 1847)

A redescoberta só ocorreria em 1829, quando Felix Mendelssohn regeu, em Berlim, a Paixão segundo São Mateus. A partir desse gesto, iniciou-se um movimento de recuperação que transformaria Bach no que hoje reconhecemos como a base da música ocidental. Mozart estudou Bach. Beethoven estudou Bach. Chopin estudou Bach. Todos beberam dessa fonte.

Talvez o aspecto mais comovente de sua história seja este: Bach nunca soube que era um gênio. Não compôs para a fama, nem para o aplauso. Muitas de suas obras sequer trazem seu nome, mas apenas as iniciais S.D.G., abreviação de Soli Deo Gloria “Somente para a glória de Deus”. A música, para ele, era ofício, fé e responsabilidade. Não espetáculo.

Morreu pobre, cansado e quase esquecido. Mas deixou algo que atravessa séculos. Hoje, sua música está presente em salas de concerto, escolas, gravações, pesquisas acadêmicas e até no espaço, levada como símbolo da humanidade. Encerrar 2025 com Bach não é apenas um tributo. É um lembrete silencioso de que a verdadeira permanência nasce da profundidade, não da urgência.

Viva Bach. E que saibamos escutá-lo, também como quem aprende a escutar o tempo.

Sugerimos A Paixão segundo São Mateus BWV 244, de Johann Sebastian Bach, com legenda em português; duração: 2h43min18s; na Kölner Philharmonie(Colônia, Alemanha) com o Coro e Orquestra do Collegium Vocale Gent sob a regência do maestro Philippe Herreweghe, com os solistas: Christoph Prégardien – tenor (Evangelista); Dorothee Mields – soprano; Hana Blažíková – soprano; Damien Guillon – contratenor (alto); Robin Blaze – contratenor (alto); Colin Balzer – tenor; Hans Jörg Mammel – tenor; Matthew Brook – baixo; Stephen MacLeod – baixo e Tobias Berndt – baixo (Cristo).

A Paixão segundo São Mateus é um vasto afresco sonoro sobre o sofrimento humano, a fé e a compaixão. Nela, Bach transforma o relato bíblico em experiência musical de rara intensidade, alternando coros monumentais, árias de extrema delicadeza e o papel central do Evangelista, aqui interpretado com clareza narrativa e sensibilidade por Christoph Prégardien. A escuta com legendas em português permite acompanhar o texto e compreender como palavra e música se entrelaçam de forma inseparável, revelando por que esta obra permanece, séculos depois, como um dos cumes da criação artística do Ocidente.

Fique atento ao  tom geral da interpretação: não há virtuosismo exibido, nem busca de efeito. Tudo está a serviço do texto e da obra. É exatamente esse espírito que Bach assinalava com as iniciais S.D.G.“Somente para a glória de Deus”.

https://www.youtube.com/watch?v=KNJZzXalO8Q

Foto: Divulgação/SMS
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DESABAFO
“Sinto falta todos os dias”: esposa de Michael Schumacher fala sobre acidente após 12 anos

Doze anos depois do grave acidente de esqui que transformou a vida de Michael Schumacher, Corinna Schumacher, esposa do heptacampeão mundial de Fórmula 1, fez um desabafo público nesta segunda-feira, 29, data que marcou o aniversário do episódio ocorrido em 2013. Em uma publicação nas redes sociais, ela afirmou sentir a ausência do marido todos os dias, mas ressaltou que o ex-piloto continua presente, ainda que de uma maneira diferente.

“Sinto falta do Michael todos os dias. Mas não sou só eu. As crianças, a família, o pai, todos ao redor dele sentem essa falta. Todos sentem falta do Michael, mas o Michael está aqui — diferente, mas aqui. Ele ainda me mostra o quão forte é todos os dias”, escreveu Corinna em mensagem divulgada na conta oficial de Schumacher na rede social X.

https://twitter.com/_MSchumacher/status/2005537139531092452

Desde o acidente nos Alpes Franceses, Schumacher, atualmente com 56 anos, não voltou a aparecer publicamente. O ex-piloto sofreu uma queda enquanto esquiava, quando bateu a cabeça em uma rocha e foi arremessado a cerca de dez metros. Ele permaneceu em coma por aproximadamente seis meses, e seu estado de saúde segue sendo mantido sob rigoroso sigilo pela família.

Michael e Corinna Schumacher são pais de dois filhos. Gina-Maria, de 28 anos, atua no hipismo, enquanto Mick Schumacher, de 26, seguiu carreira no automobilismo e já competiu na Fórmula 1. A família opta por divulgar poucas informações e restringir visitas ao ex-piloto a um círculo bastante próximo.

Há cerca de um mês, Richard Hopkins, ex-chefe de operações da Red Bull e amigo de Schumacher, declarou em entrevista que não acredita que o público voltará a ver o alemão. “Não acho que veremos Michael novamente. Sinto-me desconfortável em falar sobre o estado de saúde dele, devido ao sigilo que a família, por razões compreensíveis, deseja manter”, afirmou Hopkins, que conheceu Schumacher no início dos anos 1990, quando trabalhava como mecânico da McLaren.

No ano passado, tabloides europeus noticiaram que Schumacher teria feito uma aparição reservada no casamento da filha Gina-Maria. Segundo o jornal britânico The Mirror, os convidados tiveram os celulares recolhidos na entrada da cerimônia, como forma de impedir registros e preservar a privacidade do ex-piloto.

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Resultado
Governo amplia déficit e fecha novembro com rombo de R$ 20,2 bilhões

O desempenho de novembro foi influenciado por uma combinação de queda na arrecadação e crescimento das despesas

Faltou Dizer
Lula bate os próprios recordes: governo registra déficit de R$ 20,17 bi em novembro

Os números fiscais de novembro de 2025 não são apenas preocupantes: eles escancaram a fragilidade da gestão financeira do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O déficit primário de R$ 20,2 bilhões em um único mês, quase cinco vezes maior que o registrado em novembro de 2024, é um retrato de um governo que gasta sem disciplina e sem planejamento.

A comparação com as expectativas do mercado é ainda mais reveladora. O Prisma Fiscal projetava um déficit de R$ 12,7 bilhões, mas o resultado veio quase o dobro. No acumulado de janeiro a novembro, o rombo já alcança R$ 83,8 bilhões, superando os R$ 67 bilhões do mesmo período de 2024. Não se trata de um acidente de percurso, mas de uma tendência consolidada.

O contraste entre arrecadação e despesa mostra a contradição central da gestão: a receita líquida cresceu 2,9%, mas as despesas avançaram 3,4%. O Tesouro e o Banco Central até registraram superávit de R$ 244,5 bilhões, mas a Previdência Social afundou as contas com um déficit colossal de R$ 328,3 bilhões. É a máquina previdenciária, somada à política de reajustes e expansão de benefícios, que corrói qualquer tentativa de equilíbrio.

Entre os gastos, destacam-se os Benefícios Previdenciários (+R$ 36,4 bilhões) e o aumento de Pessoal e Encargos (+R$ 13 bilhões). O governo insiste em reajustes e ampliações sem contrapartida, enquanto cortes pontuais em programas como o Bolsa Família (-R$ 16,2 bilhões) são insuficientes para conter a escalada.

O resultado é inequívoco, arrecada-se mais, mas gasta-se ainda mais rápido. O déficit de novembro de 2025 é o maior rombo para meses de novembro desde 2023, naquele ano, o resultado negativo foi de R$ 41,71 bilhões. Lula não apenas repete erros de gestões anteriores, como os transforma em recordes de irresponsabilidade.

O discurso de responsabilidade fiscal se dissolve diante da prática de déficits crescentes e da incapacidade de enfrentar o verdadeiro problema, uma Previdência insustentável e um Estado que se expande sem medir consequências.

Em tempos de incerteza econômica, insistir nesse caminho é mais que imprudência, é condenar o país a carregar uma dívida cada vez mais pesada. Lula bate recordes, sim, mas são recordes de desequilíbrio e de falta de coragem política para enfrentar a realidade.

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