A política externa do governo do presidente Donald Trump passou a enfrentar críticas públicas mais duras de importantes atores internacionais após as recentes ações militares dos Estados Unidos na Venezuela. Alemanha e China se manifestaram de forma explícita, elevando o tom do debate diplomático sobre os limites da atuação americana e o respeito às normas do direito internacional.

Na Europa, a reação ganhou destaque com declarações do presidente alemão Frank-Walter Steinmeier, que alertou para o risco de erosão da ordem internacional. Em discurso, Steinmeier afirmou que o mundo não pode permitir que a “ordem mundial se desintegre em um covil de ladrões, onde os inescrupulosos pegam o que querem”, em referência indireta a ações unilaterais de grandes potências.

Embora o cargo de presidente na Alemanha tenha funções majoritariamente cerimoniais, Steinmeier dispõe de maior liberdade institucional para expressar posições políticas do que membros do governo. Por isso, suas falas costumam ser interpretadas como sinais relevantes do sentimento político em Berlim e de preocupações mais amplas dentro da União Europeia.

A China também reagiu às movimentações dos Estados Unidos na Venezuela. Em pronunciamentos oficiais, autoridades chinesas criticaram o uso da força e defenderam o respeito à soberania dos Estados, reforçando a posição histórica de Pequim contra intervenções militares sem respaldo multilateral. Para o governo chinês, ações desse tipo aumentam a instabilidade regional e comprometem a credibilidade das regras internacionais.

As manifestações de Alemanha e China ocorrem em um contexto de crescente tensão diplomática, no qual aliados e parceiros estratégicos dos Estados Unidos demonstram desconforto com decisões tomadas de forma unilateral. Analistas avaliam que as críticas públicas indicam não apenas divergências pontuais sobre a Venezuela, mas um questionamento mais amplo sobre o papel de Washington na manutenção da ordem global.

Até o momento, o governo americano sustenta que suas ações estão amparadas por interesses de segurança nacional e pelo combate a ameaças transnacionais. Ainda assim, o aumento das reações internacionais sugere que o tema deve permanecer no centro das discussões diplomáticas nas próximas semanas, especialmente em fóruns multilaterais como a Organização das Nações Unidas.