Durante a última semana, a Rússia começou a enviar para a Bielorrússia uma grande quantidade de tropas, blindados e até mesmo aviões militares. Ao todo foram mais de 370 veículos, incluindo tanques; 100 canhões e morteiros; milhares de soldados russos; e caças russos MiG 31 equipados com mísseis balísticos hipersônicos. A informação foi confirmada por Viktor Khrenin, ministro da Defesa do país.

Instantaneamente, a primeira conclusão que se pode chegar é da possibilidade de uma nova tentativa de invasão pelo norte da Ucrânia, por meio da fronteira com a Bielorrússia. O movimento pode ser uma estratégia para dividir esforços ucranianos em duas frentes de batalha, uma no oeste do país ocupado pelos russos e outra para proteger a capital Kyiv, o que seria uma tentativa de conter o avanço significativo do adversário nos últimos.

Por outro lado, Khrenin afirma que o movimento seria para uma “força-tarefa militar” entre os dois países a fim de proteger a fronteira e integridade russa. A nação bielorrussa está polvorosa em ondas de protesto contra a guerra e o ditador Aleksandr Lukashenko, o que não teria uma relação direta no primeiro momento com uma nova invasão pelo norte.

Entretanto, os dois cenários não podem ser descartados, conforme apontou Paulo Filho, especialista em guerra e coronel da reserva do Exército. Os exercícios militares podem ser uma forma de Lukashenko conseguir “bajular” a Rússia para ganhar tempo, sem entrar de vez no conflito. Mas, caso a pressão do Kremlin chegue a níveis elevados, ainda existe uma possibilidade de uma nova invasão.

Novos ataques

A Rússia também voltou a bombardear Kyiv nos últimos dias, depois de meses sem ataques. Como de costume, os russos miraram os esforços contra os civis ucranianos no centro da cidade e causaram mortes. A única novidade foi o uso de “drones kamikazes” Shahed-136, recém adquiridos em um acordo com o Irã.

Além dos ataques na capital, a infraestrutura também foi alvo na nova onda ofensiva. Segundo o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, a Rússia destruiu 30% das estações de energia elétrica do país. Possivelmente, a ideia é deixar os ucranianos sem energia e aquecimento durante o rigoroso inverno que começa em dezembro.

As novas ofensivas podem ser uma retaliação depois da destruição parcial da única ponte que liga a Rússia até a Crimeia, algo que era vital para logística de guerra russa. Além de ataques recentes a cidade russa de Belgorod, próxima da fronteira com a Ucrânia.

Acidente com caça russo

Outro evento de destaque sobre o conflito foi um caça Sukhoi Su-34 russo que caiu em um prédio residencial em Yeysk, cidade no sul da Rússia. O acidente teria acontecido durante a decolagem para um treinamento e matou 13 pessoas em solo, os pilotos conseguiram ejetar. As causas para o acidente estão sendo investigadas, mas existe a possibilidade de pássaros terem sido sugados pelo motor da aeronave.