Neste domingo, 17, a população chilena rejeitou, com 55% dos votos, a proposta de uma nova Constituição elaborada por um conselho constitucional de maioria de direita. O plebiscito representa uma derrota para a oposição do presidente Gabriel Boric, que defendeu a rejeição do texto considerado conservador durante a campanha da esquerda.

A votação foi compulsória, marcando a segunda tentativa do país de elaborar e aprovar uma nova Constituição para substituir o atual documento, redigido durante a ditadura de Augusto Pinochet. Em setembro, a população já havia rejeitado, em um plebiscito, a modificação da Carta Magna.

A esquerda também demanda a alteração do texto, mas as propostas até agora são vistas como retrocessos. A Constituição votada neste domingo continha trechos polêmicos, como um que endurecia a abordagem à imigração ilegal e outro que facilitava a declaração de estado de exceção.

Após a decisão, Boric declarou que durante seu governo não haverá mais discussão sobre uma nova constituinte. Ele enfatizou que as prioridades são outras e que o país continuará com a Constituição existente, já que as duas propostas anteriores não conseguiram representar nem unir o Chile em sua diversidade.

O presidente destacou que o processo de mudança da Carta Magna tinha a intenção de trazer esperança, mas acabou gerando frustração. Ele observou que o país ficou polarizado e dividido, e que o processo constituinte não conseguiu canalizar a esperança de ter uma nova Constituição escrita por todos.