A gasolina, atualmente obtida através do refinamento do petróleo bruto, tirado principalmente do fundo do mar, em breve estará sendo extraída em larga escala a partir da eletricidade. A produção é uma combinação de energia elétrica, água e CO2 e gera o e-METANOL, que, por sua vez, dá origem a uma gasolina neutra em carbono a partir da eletricidade. Por esse motivo, esses novos combustíveis serão chamados de eletro combustíveis, combustíveis eletros ou e-fuels.

A produção se dá através de dois elementos: água e eletricidade verde, gerada por meio dos fortes ventos daquela região, que são capazes de produzir energia eólica por 6 mil horas em operação em carga máxima.

Por meio de uma grande parceria com empresas do ramo automotivo, a startup chilena Highly Innovative Fuels (HIF GLOBAL) criou os chamados e-fuels, combustíveis produzidos a partir da água e dióxido de carbono usando energia eólica. Esta equação permite uma emissão praticamente zero de poluentes quando usado em veículos.

A primeira usina de gasolina sintética produzida em larga escala, Haru Oni,foi inaugurada no último dia, 20, em Punta Arenas, extremo sul do Chile. O nome é inspirado em línguas nativas dos povos indígenas chilenos e significa ventos fortes.

Nesta primeira fase, a Porsche é das grandes investidoras. A previsão é da empresa é de produzir 130 mil litros de e-Fuel por ano. Após a fase piloto, a empresa prevê uma produção de 55 mil litros por ano até 2025, podendo chegar em dois anos aos 550 mil litros anuais. No total, a intenção é chegar a até 550 milhões de litros de gasolina sintética até 2027.

Inovação

Essa descoberta poderá representar uma nova vida aos carros movidos a combustão, num cenário em que os carros elétricos prometem por um ponto final na tecnologia. Se realmente o novo combustível se mostrar capaz de uma produção em larga escala e anular emissões de poluentes, com certeza poderá causar uma reviravolta na visão que coloca os carros elétricos como a salvação do planeta.

Vale ressaltar que a transição do novo combustível poderá ser feita normalmente em qualquer motor já existente, ou seja, não haverá a necessidade de trocar o motor ou fazer adaptações. Os transportes para os postos também não precisaram passar por modificações, podendo ser feitos da mesma forma que a atual.

Outro fator muito importante é que o novo combustível acabará com a dependência que todo o mundo tem dos 23 países que fazem parte da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP+).

A situação confirma tendência apresentada pelo ex-ministro da economia do governo Bolsonaro, Paulo Guedes, durante entrevista em 2021. Nela, Guedes defendia a privatização da Petrobrás sob o argumento de que daqui 30 anos a petroleira valerá zero. O ex-ministro afirmou ainda que quem tirou o petróleo, refinou e enriqueceu, fez muito bem, já quem não o fez – caso do Brasil –, não o fará mais. Para Guedes, daqui dez a quinze anos o combustível será elétrico.