Na reta final para o segundo turno das eleições presidenciais da Argentina, Javier Milei (52%) e Sergio Massa (48%) estão bem próximos dentro das recentes pesquisas eleitorais. Com menos de duas semanas para o pleito, o cenário deverá ser o mesmo durante a votação, segundo o professor Carlos Ugo Santander, da Universidade Federal de Goiás (UFG). Entretanto, ele não arrisca quem poderá ser o vencedor da disputa.

“A últimas pesquisas apontam que essas eleições serão apertadas”, conta o docente da Faculdade de Ciências Sociais (FCS) da UFG. Por isso, Santander vê que o cenário pode até favorecer Massa no segundo turno. Mesmo com um quadro que ele classifica como “apatia política” devido à crise econômica que o país sofre.

“A Argentina tem sofrido um processo de ‘apatia’ e também de indignação por conta de uma crise que se alastra há vários anos pelos efeitos da inflação. Temos muitos que não tem nada a perder, outros que se sentem indignados e não se sentem representados, com um segmento que acredita que o voto não resultará em melhorias na qualidade de vida. Isso pode favorecer Massa a se manter a mesma escala de votação no primeiro turno”, explica o professor.

Apesar do atual cenário de derrocada do peronismo parecer tender para o favorecimento do candidato opositor, Santander explica que o nome do “A Liberdade Avança” ainda espanta o eleitorado por conta do “perfil destemperado”. Principalmente os eleitores de Patricia Bullrich, a candidata de direita que ficou em terceiro lugar no primeiro turno e que declarou apoio a Milei.

Por outro lado, o docente volta a lembrar que a grave crise econômica ainda é um problema para Massa. Mesmo com a impopularidade de Milei entre os mais moderados, os problemas econômicos e o alto índice de inflação não foi esquecido pelos argentinos. Por isso, o atual ministro da Economia também não “encanta” os argentinos.