Queimadas caem 70% na Chapada dos Veadeiros após força-tarefa percorrer 2,5 mil km
11 outubro 2025 às 09h25

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Uma força-tarefa envolvendo Semad, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e Polícia Civil percorreu mais de 2.500 km em áreas críticas da Chapada dos Veadeiros, dos dias 6 ao 9 deste mês, para combater incêndios florestais e identificar os responsáveis.
A operação, batizada de “Abafa”, não apenas resultou em flagrantes e autuações, como também revelou um dado surpreendente: a área queimada em unidades de conservação estaduais caiu 70% em relação a 2024. Pelo menos 30 proprietários de imóveis rurais já foram ou estão sendo notificados para que respondam pelos incêndios que castigaram a região
Segundo Sayro Reis, gerente de urgências ambientais da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), essa redução é fruto direto da cooperação entre os órgãos. “Atuamos dentro das nossas unidades de conservação e nas Áreas de Proteção Ambiental (APAs) do entorno. Esse trabalho conjunto com o Corpo de Bombeiros foi essencial para que não tivéssemos grandes áreas queimadas neste ano”, afirmou.
Desde julho, por decreto do governador Ronaldo Caiado, está suspensa qualquer autorização para uso do fogo em Goiás. A medida vale até o fim de outubro e tem como objetivo evitar que práticas tradicionais de queima para renovação de pasto se transformem em incêndios de grandes proporções.
“Mesmo quando o fogo é colocado com objetivo controlado, como queimar folhada ou renovar pasto, as condições climáticas, alta temperatura, baixa umidade e ventos fortes, fazem com que ele rapidamente fuja do controle”, explicou Sayro. Um dos casos mais graves identificados pela operação envolve um único proprietário rural que poderá responder pela destruição de 30 mil hectares.
Flagrantes
A operação também resultou em abordagens em flagrante, como em Teresina de Goiás. Daniel Vila Verde, agente da Delegacia de Meio Ambiente (Dema), relatou dois casos já classificados pela Polícia Civil. “Um deles foi fogo colocado em lixo que se alastrou, e o outro, um pequeno produtor que ateou fogo em área desmatada e perdeu o controle. Usamos imagens de satélite, drones e mapeamento para chegar à autoria dos focos”, contou.
Mais de 80 processos administrativos estão sendo abertos, com multas que variam de R$ 20 mil por hectare, por se tratar de área dentro da APA de Pouso Alto, podendo chegar ao teto de R$ 50 milhões, conforme o decreto federal 6514/2008.
Prisões
O subcomandante do Batalhão Rural da Polícia Militar, Leyster Araújo, destacou que a PM intensificou o patrulhamento nas áreas com maior incidência de queimadas. “Estamos realizando de duas a três prisões por semana nessa fase crítica. A pessoa que for pega causando incêndio pode ser autuada pelo artigo 250 do Código Penal, com pena de três a seis anos de prisão, além de multa”, disse.
Leyster também fez um apelo à população como principal fator de redução de incêndios. “A conscientização é o principal fator para reduzir as queimadas. E a colaboração da comunidade tem sido fundamental. Se alguém presenciar incêndio na zona rural, pode contatar o Batalhão Rural pelo telefone (62) 99631-4340″, apontou.
Operação “Abafa”
A operação Abafa teve início em 6 deste mês e se estendeu até o dia 9, com equipes da Semad, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e Polícia Civil percorrendo mais de 2.500 km para validar focos de incêndio detectados por satélite. As ações seguem os critérios da Instrução Normativa 14/2025 da Semad, que estabelece parâmetros técnicos para responsabilização dos autores.
Os autos de infração estão sendo redigidos e as multas calculadas com base no decreto federal 6514/2008, que prevê R$ 10 mil por hectare destruído, valor que pode dobrar em zonas de amortecimento de unidades de conservação, como a APA de Pouso Alto, chegando ao limite de R$ 50 milhões.
Embora o uso do fogo seja proibido em Goiás desde julho por decreto estadual, há exceções previstas mediante autorização formal, todas suspensas até o fim de outubro. Na prática, isso significa que qualquer queimada, mesmo com intenção controlada, é considerada ilegal nesse período.
A Semad identificou que muitos dos incêndios têm origem em pequenas propriedades e territórios de povos originários, onde o fogo é usado tradicionalmente para manejo de vegetação. No entanto, as condições climáticas extremas tornam essas práticas altamente arriscadas, transformando focos localizados em incêndios de grandes proporções.
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