“Nada é capaz de diminuir a saudade”, diz prefeito de Itumbiara sobre morte dos netos
22 fevereiro 2026 às 09h00

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O prefeito de Itumbiara, Dione Araújo (UB), se pronunciou pela primeira vez nas redes sociais após a morte dos netos Miguel Araújo Machado, de 12 anos, e Benício Araújo Machado, de 8 anos. As crianças foram mortas pelo próprio pai, Thales Machado, no último dia 11.
Na publicação, o gestor municipal se despediu dos netos e agradeceu as manifestações de solidariedade recebidas pela família. “Todo o amor que tem chegado até nós tem sido um abraço na alma, uma força a mais para continuar seguindo… um dia de cada vez”, escreveu.
A mensagem repercutiu amplamente nas redes sociais, ultrapassando 80 mil curtidas e 7 mil comentários. Entre as manifestações, estão as de autoridades e figuras públicas, como o ex-prefeito de Aparecida de Goiânia Gustavo Mendanha (PSD), o deputado estadual Amilton Filho (MDB) e o vereador Radivair Neto (PSD).
Violência vicária
Na tarde do dia 11, Thales Machado, que ocupava o cargo de secretário de Governo do município, baleou os dois filhos e, em seguida, tirou a própria vida na residência da família, em Itumbiara.
O episódio é classificado como violência vicária, modalidade em que o agressor atinge filhos ou familiares com o objetivo de ferir emocionalmente a companheira. O caso ganhou repercussão nacional e reacendeu o debate sobre a tipificação específica desse tipo de crime na legislação brasileira.
Tramita na Câmara dos Deputados proposta que busca enquadrar a violência vicária entre os crimes previstos na Lei Maria da Penha. Especialistas ouvidos pela reportagem afirmam que o episódio também evidencia a dimensão da violência de gênero no país, agravada pela disseminação de discursos de relativização do crime nas redes sociais.
Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, referentes a 2024 e 2025, apontam que quatro mulheres morrem por dia no Brasil em decorrência da violência. Em 2025, foram registrados quase 1,5 mil casos. Em Goiás, a Polícia Militar (PM-GO) informou aumento superior a 338% no acompanhamento de medidas protetivas apenas no primeiro semestre de 2025, além de crescimento de 6% nos registros de crimes relacionados à violência doméstica no Estado.

