“Vale fez escolha consciente de ignorar contrato válido”, afirma advogada ex-mulher de Wilder e Cachoeira sobre disputa milionária
30 setembro 2025 às 18h30

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A empresária e advogada Andressa Mendonça, controladora da Peroza Administração e Participações e ex-esposa do bicheiro Carlinhos Cachoeira e do senador Wilder Morais, falou com exclusividade ao Jornal Opção sobre o imbróglio que trava a expansão da Mina do Sossego, em Canaã dos Carajás (PA), uma das principais operações de cobre da Vale no país. Em meio à disputa judicial, ela acusa a mineradora de ter ignorado deliberadamente um contrato válido que assegurava à sua empresa participação de 33,33% no negócio.
Segundo Andressa, a Peroza arcou integralmente com os custos técnicos, jurídicos e operacionais necessários para viabilizar a cessão do direito minerário à GB Locadora, empresa de Goiás que firmou acordo de R$ 50 milhões com a Vale. “A GB violou frontalmente o contrato ao firmar acordo diretamente com a Vale, omitindo a participação da Peroza e deixando de repassar a fração que lhe era contratualmente garantida”, disse.
Ela reforça que a Vale tinha “ciência inequívoca” da existência do contrato entre Peroza e GB, já que a empresa peticionou no processo que tramita no TRF-1 e também na Agência Nacional de Mineração (ANM). “Cabe à Justiça avaliar se essa conduta configura negligência ou dolo, mas é inegável que houve uma escolha consciente de ignorar um contrato válido e eficaz. O resultado foi a supressão indevida dos direitos da Peroza, com potencial responsabilização solidária pelo prejuízo causado”, afirmou.
O litígio, que se arrasta há anos, agora se concentra na cobrança de um terço dos R$ 50 milhões pagos pela Vale à GB. Andressa afirma que uma decisão favorável à Peroza “não inviabiliza a continuidade das operações da Mina do Sossego”, mas garantirá que a parte lesada receba sua legítima participação. “Na prática, a Vale terá de ajustar suas obrigações financeiras, seja por repasse direto, seja por bloqueio judicial de valores”, disse.
Ela destacou, ainda, que a disputa coloca em jogo princípios fundamentais de segurança jurídica no setor de mineração. “Contratos devem ser respeitados, sob pena de comprometer a credibilidade das relações negociais”, concluiu.
O Jornal Opção procurou a Vale, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto.
Entenda o caso
A Vale enfrenta entraves judiciais na expansão de sua Mina do Sossego, em Canaã dos Carajás (PA), devido a um litígio que envolve a empresária Andressa Mendonça, ex-esposa de Carlinhos Cachoeira. A Mina do Sossego é a segunda maior operação da mineradora no setor de cobre, que gerou US$ 18,8 bilhões em receita líquida em 2024.
A disputa gira em torno de um acordo da Vale com a GB Locadora de Equipamentos e Construções, empresa de Goiás que havia adquirido direitos minerários sobre uma área de 3.818 hectares dentro da Mina do Sossego. A Vale pagou R$ 50 milhões à GB para garantir o controle da região, após perder o prazo para renovar o título minerário.
No entanto, a Peroza Administração e Participações, controlada por Andressa Mendonça, alega ter direito a 33,33% do valor pago e à participação na exploração mineral, segundo contrato firmado com a GB. Andressa afirma que sua empresa financiou todos os custos técnicos, jurídicos e administrativos para viabilizar a área, mas não recebeu sua parte. Ela entrou com ação na Justiça de Goiás para garantir seus direitos.
A disputa travou a transação, que agora depende de decisões tanto da Justiça de Goiás quanto do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região), onde tramita outra ação da Vale para reverter decisões que consolidaram a posição da GB. Até o momento, a mineradora não possui garantia de posse plena da área, apesar do pagamento de R$ 50 milhões.
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