O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retoma os trabalhos na próxima semana com um julgamento de grande impacto político: o processo que pode levar à cassação do mandato do senador Jorge Seif (PL-SC), um dos principais nomes do bolsonarismo em Santa Catarina.

A ação está pautada para o dia 5 de fevereiro e investiga suposto uso indevido da estrutura da rede varejista Havan durante a campanha eleitoral de 2022. O processo havia sido incluído na pauta em 2024, mas acabou adiado após o tribunal decidir aprofundar as investigações.

Durante a apuração complementar, foram reunidas novas informações que apontam para a utilização de aeronaves pertencentes ao grupo empresarial da Havan em atividades relacionadas à campanha de Seif. O material foi incorporado ao processo e fundamenta o parecer do Ministério Público Eleitoral (MPE).

O MPE se manifestou favoravelmente à cassação do senador e de seus suplentes. Caso a decisão seja confirmada, Seif perderá o mandato quando ainda restam quatro anos de legislatura. A ação foi apresentada por uma coligação liderada pelo PSD em Santa Catarina.

No curso do processo, partidos chegaram a solicitar o aproveitamento dos votos obtidos por Raimundo Colombo (PSD), derrotado na disputa ao Senado em 2022. No entanto, o Ministério Público defendeu a realização de novas eleições, posição que agora será analisada pelos ministros do TSE, juntamente com a possibilidade de cassação da chapa eleita.

Em nota, Jorge Seif afirmou estar “tranquilo” diante do julgamento. O senador sustenta que o caso já foi considerado improcedente em duas ocasiões na Justiça Eleitoral de Santa Catarina e que as diligências realizadas em Brasília não identificaram irregularidades.

“Permaneço confiante de que a Justiça reafirmará a improcedência da ação e confirmará que não houve ilegalidades no processo eleitoral, respeitando a escolha de 1,5 milhão de catarinenses”, declarou.

O julgamento pode redefinir a representação de Santa Catarina no Senado e reacender o debate sobre o uso de estruturas empresariais em campanhas eleitorais.