Toffoli admite sociedade em empresa ligada a resort e nega relação com dono do Banco Master
12 fevereiro 2026 às 14h44

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, afirmou nesta quinta-feira, 12, que é sócio da empresa Maridt, mas negou qualquer relação pessoal ou financeira com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e investigado pela Polícia Federal.
Em nota, o gabinete informou que a Maridt é uma empresa familiar, constituída como sociedade anônima de capital fechado, registrada na Junta Comercial e com declarações regulares à Receita Federal. Toffoli integra o quadro societário, enquanto a administração é exercida por parentes — situação permitida pela Lei Orgânica da Magistratura (Lei Complementar 35/1979), que proíbe magistrados apenas de exercer atos de gestão.
A Maridt integrou o grupo Tayayá Ribeirão Claro, responsável pelo resort Tayayá, no Paraná, até 21 de fevereiro de 2025. A saída ocorreu em duas etapas: venda de cotas ao Fundo Arleen, em 27 de setembro de 2021, e alienação do restante à PHB Holding, em 21 de fevereiro de 2025. Segundo o gabinete, todas as operações foram declaradas à Receita Federal e realizadas a valor de mercado. Os valores não foram divulgados.
Interlocutores afirmam que Toffoli recebeu dividendos enquanto a empresa ainda participava do grupo do resort.
O gabinete também informou que a ação sobre a tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) foi distribuída ao ministro em 28 de novembro de 2025, quando a Maridt já não fazia mais parte do grupo Tayayá.
Toffoli declarou que não conhece o gestor do Fundo Arleen e negou qualquer amizade ou vínculo com Daniel Vorcaro ou com Fabiano Zettel, cunhado do empresário, preso pela PF. Segundo a nota, o ministro “jamais recebeu qualquer valor” dos dois.
A manifestação foi divulgada um dia após o diretor-geral da Polícia Federal entregar ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, relatório com dados do celular de Vorcaro, apreendido na Operação Compliance Zero, que investiga fraudes no Banco Master. O aparelho continha menções ao nome de Toffoli.
Em nota anterior, o gabinete classificou como “ilações” as referências ao ministro e afirmou que não há motivo para alegação de suspeição na relatoria do caso.
Leia também: PF pede suspeição de Toffoli em inquérito sobre fraudes no Banco Master

