Selic elevada fecha o crédito e empurra empresas para a recuperação judicial
26 janeiro 2026 às 11h19

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A taxa básica de juros elevada tem fechado o acesso ao crédito e impulsionado o aumento dos pedidos de recuperação judicial e falência no país. A avaliação é do especialista em Recuperação Judicial Hanna Mtanios Hanna, que projeta a manutenção de índices elevados ao longo de 2026. Segundo ele, a saúde financeira das empresas está diretamente ligada à taxa Selic definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, e, na ausência de linhas de crédito atrativas, a recuperação judicial acaba sendo a alternativa viável para muitos empresários.
Desde junho de 2025, a Selic está fixada em 15%, completando quase um ano acima do patamar de 13,25%. A última vez que a taxa ficou abaixo de 10% foi em 2021, quando estava em 9,25%. Já a expectativa do boletim Focus, do Banco Central, é de que 2026 termine com a taxa ainda elevada, em torno de 12,25%.

De acordo com Hanna, o encarecimento do crédito dificulta a captação de recursos e impacta diretamente o aumento dos pedidos de recuperação judicial. “Com a dificuldade de captar dinheiro novo no mercado e com juros altos, o empresário, muitas vezes sem alternativa, acaba recorrendo à recuperação judicial”, explica.
O especialista destaca que a RJ se torna um instrumento para reorganizar a vida financeira da empresa, permitindo renegociar dívidas, alongar prazos e obter deságios. “É uma consequência lógica para quem encontra portas fechadas ou severas restrições no sistema bancário para obter crédito”, afirma Hanna Mtanios Hanna.
Diante desse cenário, o especialista alerta que, caso os juros permaneçam elevados até o fim do ano, até mesmo empresas que já estão em recuperação judicial podem enfrentar dificuldades adicionais. “Com juros altos e escassez de recursos, os negócios naturalmente diminuem. Essa redução de faturamento compromete o cumprimento do plano de recuperação e frustra a expectativa de novos negócios”, conclui.

