PF abre inquérito contra Grupo Fictor por crimes financeiros após recuperação judicial
05 fevereiro 2026 às 08h52

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A Polícia Federal instaurou nesta quarta-feira, 4, um inquérito para investigar o Grupo Fictor, que entrou com pedido de recuperação judicial nesta semana e, em novembro do ano passado, apresentou proposta para adquirir o Banco Master.
A investigação apura a prática de quatro crimes contra o sistema financeiro nacional: gestão fraudulenta, apropriação indébita financeira, emissão de títulos sem lastro equiparados a valores mobiliários e operação de instituição financeira sem autorização. Segundo a PF, o grupo já vinha sendo monitorado e a abertura do inquérito ocorreu após o surgimento de indícios concretos de irregularidades.
No domingo, 1º, o Fictor protocolou pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo, alegando necessidade de reequilibrar as operações e garantir o pagamento de compromissos financeiros estimados em R$ 4 bilhões.
A apuração se conecta à crise do Banco Master. Em 18 de novembro de 2025, a Polícia Federal realizou uma operação contra a instituição, que resultou na prisão de Daniel Vorcaro, controlador do banco. À época, Vorcaro afirmou negociar a venda do Master ao Grupo Fictor, em parceria com supostos investidores árabes.
O banco, no entanto, foi liquidado pelo Banco Central do Brasil, sob suspeita de fraudes financeiras e ausência de garantias aos produtos ofertados, especialmente no crédito consignado a aposentados e pensionistas. Vorcaro sustenta que a liquidação foi precipitada em razão das negociações em curso.
O Banco Central classificou o anúncio da negociação com o Fictor como uma “cortina de fumaça”, apontando três fatores: a falta de capacidade financeira do grupo para a compra, a inexistência de informações sobre os investidores estrangeiros e a criação tardia da proposta para tentar adiar ações do BC e da PF.
Na véspera da liquidação, representantes do Banco Master procuraram o diretor de Fiscalização do BC, Ailton Aquino, para tratar das negociações, mas a operação policial já estava em andamento e a decisão de liquidar o banco havia sido tomada.
Em nota, o Grupo Fictor afirmou que a associação com o caso afetou sua reputação e liquidez. Segundo a empresa, a liquidação do Banco Master um dia após o anúncio da aquisição gerou especulações e um volume elevado de notícias negativas, com impacto direto sobre a Fictor Invest e a Fictor Holding.

