O Palácio do Planalto está em alerta diante da expectativa de que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determine nas próximas semanas o início do cumprimento da pena do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em regime fechado, no Complexo da Papuda, em Brasília.

Ministros e assessores do governo temem que o timing da decisão prejudique a indicação de Jorge Messias, atual advogado-geral da União, para o Supremo Tribunal Federal. A avaliação é que a prisão de Bolsonaro deve elevar a tensão política no Senado e dificultar ainda mais a aprovação do nome de Messias.

Nos bastidores, parlamentares já alertaram o governo de que Messias não teria hoje votos suficientes para ser confirmado pela Casa. O sinal mais recente veio da votação apertada que reconduziu o procurador-geral da República, Paulo Gonet, na última quarta-feira, 12. Alvo da direita após apresentar denúncia contra Bolsonaro no inquérito do golpe, Gonet foi aprovado por 45 votos a 26 — o placar mais estreito para um PGR desde a redemocratização.

A previsão no Planalto é que Moraes determine a ida de Bolsonaro para a Papuda entre o fim de novembro e o início de dezembro, período em que a indicação de Messias deve chegar ao Senado.