Com a proximidade do período de estiagem e a forte preocupação decorrente do El Niño 2026, considerado um dos mais intensos desde anos 1950, o Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás (CBMGO) já está com sua engrenagem operacional a todo vapor. O fenômeno tem provocado uma preocupação maior das autoridades devido ao prolongamento do período de estiagem, onde haverá a estimativa de picos de calor extremo previstos para atingir até 46°C, com umidade do ar chegando próximo a zero.

Para enfrentar esse cenário crítico, que, segundo as previsões, pode se estender perigosamente até o final do ano sem chuvas expressivas em novembro e dezembro, a corporação e o Governo de Goiás intensificam o planejamento estratégico e preventivo. 

Tradição no período de junho, a Operação Cerrado Vivo mobiliza o efetivo de homens e mulheres da corporação para a fase preventiva e de combate a incêndios. Diante da severidade do atual ciclo climático, a operação ganhou uma envergadura inédita e integrada em 2026.

Um dos pilares fundamentais deste ano é o projeto piloto PSA Brigadas, uma iniciativa pioneira no país desenvolvida na região Nordeste do estado, área de extrema importância ecológica e turística que abriga o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. O projeto capacitou mais de 200 brigadistas locais em 30 dias de treinamento intensivo por meio de 6 municípios: Alto Paraíso, Colinas do Sul, Cavalcante, Teresina, Nova Roma e São Domingos.

O comandante-geral dos Bombeiros e vice-presidente da Liga dos Bombeiros Militares do Brasil (Ligabom) destacou o impacto social e econômico da iniciativa, que garante retribuição financeira aos moradores locais durante o período de safras em que costumam ficar desempregados. “Treinamos essas pessoas que são da região e que normalmente nesse período estão desempregadas. Então nós vamos pagar um salário, que pode chegar de 2.500 até 3.500 para eles, por mês. Para que eles possam nos auxiliar nas prevenções. Mas, mais que isso,  eles vão trabalhar de forma integrada com o Corpo de Bombeiro Militar”, explica. 

Investimento de R$ 70 milhões reforça combate a incêndios e capacitação de mais de 200 brigadistas em Goiás | Foto: Reprodução/CBMGO

Além disso, para blindar o estado contra os prejuízos econômicos dos grandes incêndios, o CBMGO atua em conjunto com um gabinete de crise formado em parceria com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SEMAD), articulando a criação de brigadas rurais em polos produtivos cruciais como Rio Verde, Silvânia e a região do Vale do Araguaia. No dia 28 de agosto, um grande encontro multissetorial no Palácio das Esmeraldas, em Goiânia, reunirá secretarias de Estado, prefeituras, órgãos de saúde, agricultura e sindicatos para apresentar o Plano de Integração Multiagência.

Estrutura e investimentos

Para dar sustentação a essa operação, o Governo do Estado investiu mais de R$ 70 milhões do ano passado para cá, na aquisição de novos caminhões florestais, kits picape (com tanques de 400 litros e bombas de dispersão) e na ativação do helicóptero da corporação, preparado para o lançamento de água diretamente nas frentes de fogo (jump). 

A malha de atendimento também saltou de 42 municípios atendidos para cerca de 70 a 80 postos espalhados em mais de 65 cidades em 2026. Um reflexo claro desta descentralização ocorreu no posto avançado de Alto Paraíso, segundo o coronel Washington. “Alto Paraíso era uma região que tinha todos os anos constantemente grandes incêndios. E o incêndio não começa grande, ele começa pequeno. Então se você tiver uma equipe de brigada de bombeiros militares prontos para dar resposta imediata, aquele grande incêndio que aconteceria, porque o quartel mais pronto naquela época era 200 quilômetros, acontece, agora, de forma imediata. A gente vê que depois que o posto foi instalado lá, esses grandes incêndios acabaram na região de Alto Paraíso. Então para nós é uma alegria”, conta.

Apesar da forte estrutura montada, o comando faz um apelo à sociedade: 99% dos incêndios florestais e urbanos registrados em Goiás são causados por ação humana, seja por queimas de limpeza de lotes ou atos criminosos. Casos atribuídos a bitucas de cigarro ou cacos de vidro representam menos de 1% das ocorrências. Só no ano passado, o CBMGO atendeu mais de 20 mil ocorrências, sendo 60% delas em lotes baldios. “As pessoas têm a coragem ainda de limpar lotes do lado de casa, ou na frente de casa, ateando fogo. Isso é crime. Além de levar fumaça para o meio ambiente, suja a casa dos outros, provoca a questão de saúde pública”, alerta.

Informações sobre a Operação Cerrado Vivo 2026 | Foto: Divulgação