De acordo com cálculos feitos pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Goiás (CAU-GO), o novo Plano Diretor de Goiânia permite a construção de 8.500 apartamentos de 120 m2 na quadra F44 do setor Sul, na região da avenida 136 com a rua 90. O número corresponde a 60 edifícios de 35 pavimentos.

Para fins de comparação, a população aproximada do setor Sul inteiro, atualmente, é de 11.300 pessoas. Os 8.500 apartamentos da simulação do CAU-GO e da Associação para Recuperação e Conservação do Ambiente (ARCA) poderiam abrigar 28.900 pessoas.

No projeto inicial para Goiânia, Attilio Corrêa Lima previu para as quadras, que têm 170 mil m2, a criação do Parque das Paineiras. Considerou a importância das áreas verdes para a drenagem urbana, para a manutenção do lençol freático e dos córregos e rios, para a mitigação do efeito “ilha de calor” e para a qualidade de vida dos goianienses.

Segundo a Aprosul, tem havido especulações e boatos sobre investimentos do setor imobiliário na quadra, onde durante anos funcionaram, em área pública, uma sede administrativa da Saneago e o clube de funcionários da Celg. A entidade defende que a área seja tombada e que, assim, não sejam construídos prédios dentro da área pública destinada originalmente ao parque.

A associação também busca que sejam estabelecidas restrições de ocupação do entorno imediato da área, garantindo a permeabilidade mínima de 30%, a ocupação máxima de 60% e o gabarito com limite de 11 metros de altura para os edifícios – o que corresponde a um prédio de até três andares. Na última semana, o vereador Mauro Rubem (PT) apresentou um projeto de lei propondo o tombamento de parte da quadra F44, pelo Patrimônio Histórico e Cultural de Goiânia.

O Plano Diretor (Lei 349/2022) incluiu as quadras, que são áreas públicas, na categoria de Área Adensável. De acordo com o artigo 196, inciso II, do Plano Diretor, nas Áreas Adensáveis poderão ser erguidas edificações com área construída de até seis vezes a área do terreno, para qualquer uso.
O presidente do CAU-GO, Fernando Chapadeiro, critica a venda do espaço público. “É inaceitável a venda de um espaço público, que é de toda a sociedade. Ao mesmo tempo, é necessário ordenar adequadamente o território da cidade, de forma que toda a população seja beneficiada.”

“A cidade que não pensa a importância da drenagem urbana no impacto da sua infraestrutura e qualidade de vida, tem a tendência sofrer enormes danos ambientais, econômicos e sociais”, afirma o conselheiro David Finotti. “As áreas públicas da quadra F44 são de fundamental importância para a cidade. Portanto, devem ser preservadas para que cumpram a função para a qual foram projetadas.”

“Precisamos observar que as principais cidades do mundo estão retornando espaços antes ‘cimentados’ para espaços verdes”, diz a presidente da ARCA, Maria Ester de Souza. “Se temos um bairro inteiro com áreas ainda verdes, é nosso dever mantê-las como são.”

“O setor Sul merece ser preservado por conta de sua importância histórica e do seu traçado urbano singular”, afirma a arquiteta e urbanista Márcia Guerrante, integrante da Aprosul, “como também por sua importância ambiental para toda a cidade”.