Durante os últimos dias, semanas e até meses, as chuvas castigaram os moradores de Goiânia com temporais e enchentes. Além de alagamentos que destruíram casas, móveis, eletrodomésticos e veículos, vidas também foram perdidas, como a de Warley Melo Adorno, de 22 anos, no final de janeiro. Motociclista, ele estava indo para uma entrevista de emprego, mas foi arrastado por uma enxurrada e foi parar no leito do Córrego Cascavel. 

Apesar da situação, conforme apontou a vereadora Sabrina Garcez (PSD), ainda não existem ações conjuntas entre os parlamentares da Câmara Municipal de Goiânia a respeito. Ela ressaltou que ocorrem apenas iniciativas individuais, como as que propôs. Mesmo que as chuvas tenham afetado sistemas de som e painel de votação na Casa e levando ao cancelamento de uma sessão ordinária na última semana.

Em uma das iniciativas, a parlamentar contou para o Jornal Opção que está trabalhando em bairros que sofrem com os problemas de alagamentos, como a Vila Canaã. “Acompanhamos o sofrimento dos moradores do bairro há dois anos e cobramos o executivo em relação a obras estruturantes que precisam ser feitas lá. Chegamos a destinar emenda parlamentar do orçamento para a Canaã”, explicou a parlamentar. 

Além de propor discutir os Planos de Bairro, com foco inicial para o setor Sul, que considerou ser um local importante para a drenagem da capital, por conta das áreas verdes que ajudam na absorção da água. 

A vereadora também destacou que é necessário fiscalizar o andamento de obras para evitar alagamentos na capital como redes de drenagem e recuperação de erosões. Ao mesmo tempo, um supervisionamento iniciativas já existentes, como uma da Prefeitura a respeito de limpeza de bocas de lobo. 

Drenagem

Recentemente, na Câmara Municipal, o vereador Paulo Magalhães (UB) também discutiu o problema da drenagem na cidade, por meio de audiência pública. No dia 14 de fevereiro, o parlamentar reuniu especialistas, que foram unânimes em dizer que é preciso comprometimento de diferentes áreas para garantir a segurança da população. Participaram da audiência, representantes do CREA-GO, do Instituto Brasileiro de Avaliações de Perícias do Estado de Goiás, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Defesa Civil Municipal e Estadual e representantes da sociedade civil, entre outros.

O vereador questionou os investimentos da Prefeitura de Goiânia em obras de conservação e restauração. “A administração atual não tem planejamento. As chuvas têm feito estragos e deixam prejuízos para toda população, que paga imposto caríssimo. O prefeito destinou pouco recurso para drenagem de Goiânia. A cada dia fica pior. Se não for realizado um serviço de drenagem eficiente, podem cair pontes”, pontuou.

Preservação de Nascentes

Além da prevenção dentro do ambiente urbano, Sabrina ainda está propondo um projeto para adequar a identificação de nascentes nos termos do atual Plano Diretor de Goiânia. “A proposta está pronta e só não foi apresentada ainda porque não teve sessão esta semana. Ela estabelece que a Prefeitura precisa identificar as áreas de nascente na capital para torná-las públicas e realizar ações de preservação dessas nascentes com área de 100 metros, como foi estabelecido no Plano Diretor”, contou. 

A vereadora também apontou que a Comissão de Meio Ambiente teve um projeto aprovado a respeito de obrigar a Prefeitura  a identificar as nascentes e realizar a preservação do local, o que virou a Lei 10.270/2018 de Goiânia, em 2021. Além de um Código Florestal que prevê a preservação de Área de Preservação Permanente (APP) de 50 metros, mas que foi alterada para 100 metros no novo Plano Diretor.