“Vou ajudar o PSDB a eleger o próximo prefeito e a ampliar seu número de vereadores em Goiânia”

Aclamado como novo comandante dos tucanos na capital, o presidente da Juceg diz que seu único projeto político é fazer o partido retomar a hegemonia no município

 Fernando Leite/Jornal Opção

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

O novo presidente me­tro­politano do PSDB, Ra­fael Lousa, já tem meta estabelecida: quer fazer com que, depois de 20 anos, o partido volte a eleger o prefeito da capital do Estado. Os tucanos só estiveram no poder em Goiânia uma vez, com a eleição de Nion Albernaz — que já tinha sido gestor da cidade por duas vezes, de 1983 a 1985 e de 1989 a 1992, mas pelo PMDB.

Se lhe falta um mandato — uma “falta” que, no caso, acaba sendo uma “virtude” para a posição que passa a ocupar —, sobra a Lousa diplomacia e experiência de gestão. Além de sua formação como sociólogo, cientista político, bacharel em Direito e advogado, ele é empresário dinâmico e militante das entidades classistas do setor. Ex-secretário de Indústria e Comércio no mandato anterior de Marconi Perillo (PSDB), foi convidado este ano a assumir a presidência da Junta Comercial do Estado de Goiás (Juceg), posição estratégica para dar suporte aos empresários.

Mostrando que vai saber lidar com os anseios de quem já pensa nas eleições de 2016, o novo comandante do PSDB na capital espera a definição das regras para a sucessão municipal, que deverá ter novidades com o avanço da reforma política no Congresso. Reforçando que não tem pretensão alguma de ser candidato, nesta entrevista ao Jornal Opção, Ra­fael Lousa traça uma meta ousada para os pretensos gestores da capital: fazer de Goiânia uma nova Cingapura em termos de competitividade.

Marcos Nunes Carreiro — O sr. foi secretário de Indústria e Comércio. Neste momento de crise, o setor industrial é um dos que sofrem mais. Como o sr. avalia a situação da indústria em Goiás? As perspectivas para 2016 são boas? Os especialistas dizem que não, que o próximo ano pode ser igual ou até pior.
Não sou dos que comungam da ideia de que o Brasil está em crise porque o mundo está em crise. Os outros países já reagiram, de maneira até bem diferente da nossa, à crise de 2008. Basta ver os indicadores de crescimento do PIB [Produto Interno Bruto] nos países de outros continentes e mesmo os do continente americano. Mes­mo na América do Sul há quem tenha dado outras respostas e já saíram na nossa frente, em termos de recuperação. O Brasil, então, está na contramão.

Como Goiás está no Brasil, não há como não ser afetado. O consumo diminuiu, há mais desemprego e, assim, menos dinheiro circulando. Logicamente, isso tudo é sentido pela indústria. Não adianta ela produzir se não há para quem vender. Uma das indústrias que nos impactam bastante no Estado é a automobilística, uma de nossas matrizes — temos grandes montadoras em Goiás — e que tem mantido estoque em alta em virtude da dificuldade em vender. Por um lado, é preciso dar os parabéns à sociedade civil, porque as pessoas têm tomado a decisão de ajustar suas vidas para controlar suas dívidas, sem se curvar ao estímulo de um consumo exacerbado. Houve uma redução na capacidade de compra e no valor da moeda e não se pode mais gastar aquilo que não se tem. Sempre faço essa analogia, seja para empresas, indústrias ou para a casa do cidadão: se você ganha “x” e gasta “x + 2”, a conta não fecha e isso vira dívida. Em nenhum governo isso é diferente e, por isso, vejo que o governo de Goiás acertou em tomar as medidas que vêm tomando, cortando na própria carne e enxugar a máquina para torná-la mais eficiente. E está fazendo com a ajuda de especialistas, sem achismo algum.

A questão competitividade — até por eu militar no movimento Goiás Competitivo —, acho que esse é o ponto mais importante. Mede-se a capacidade de recuperação do País por sua eficiência de gestão e é isso que garante sua condição de fazer investimentos ou promover investimentos privados. É preciso que os governos criem ambiente propício a esses investimentos, que desburocratizem o processo, que deem segurança jurídica, que se tenha clareza das regras.

Frederico Vitor — E sobre 2016, especificamente, o que o sr. poderia dizer?
Vai depender de uma série de questões, entre elas a de como vai passar esse ajuste do governo federal. Para Goiás, a decisão final sobre os incentivos fiscais terá um peso considerável. A não convalidação — ou mesmo a convalidação com a extinção dos incentivos de agora em diante — muda todo o cenário para o Estado. Os incentivos foram, durante muito tempo, um instrumento usado com muita eficiência para atrair investimentos para cá.
Essa questão dos incentivos é vista de forma distorcida. Basta ver que o mundo inteiro utilizou in­centivos de alguma maneira para promover o desenvolvimento: os Estados Unidos fizeram isso para o progresso do Oeste; a Europa, para integrar a União Europeia — e continua usando incentivos, seja através de créditos diretos de recursos, seja por estímulos de políticas fiscais; a China também usa muito os incentivos. Ou seja, todos os países que chegaram ao primeiro time em relação à renda per capita ou as classificações internacionais de competitividade ou de ganho de PIB fizeram uso de algum tipo de incentivo.

Portanto, são instrumentos legítimos, em meu ver, mas no Brasil a questão não está calcada nesse aspecto. Temos um problema federativo. Por minha formação, vejo que temos uma formação híbrida de federação: não usamos nem o modelo americano — que é competitivo e que permite aos Estados fazer suas próprias regras em concorrência aberta — nem o modelo europeu ou alemão — que é cooperativo e no qual quando uma mercadoria ou custo logístico passa por mais de um Estado, a participação é proporcional para cada parte. Usamos os dois modelos misturados e não somos eficientes.

Marcos Nunes Carreiro — Tem uma questão que foi levantada recentemente: Goiás se beneficiou bastante dos incentivos e se industrializou por conta deles. Mas agora o Estado já é por si atrativo, pelas empresas que aqui estão e pelo fator logístico. Preci­samos ainda ficar reféns dos incen­tivos, mesmo assim?
Não vejo dessa maneira, até porque não acho que Goiás seja “refém” dos incentivos. Um argumento que ouço muito — e que é um mito — é de que, com os incentivos, o Estado está abrindo mão de sua receita. Ora, o incentivo só é dado depois que os investimentos são realizados. Ou seja, o Estado só vai ganhar algo em termos de investimento se você conceder os incentivos. Outra questão: a eventual receita da qual se estaria abrindo mão não existia, havia zero de receita daquela empresa. Ao atraí-la para cá, o que primeiro entra no Estado é o dinheiro do empresário.

O incentivo é uma compensação logística: estamos a mais de mil quilômetros do porto mais próximo. Em termos de competitividade, com os incentivos em Goiás, Mato Grosso ou Acre, estamos fazendo essa compensação. Goiás tem certo privilégio logístico? Sim, em termos de América do Sul, embora possa ser mais bem aproveitado para angariar outras vantagens ao longo da história e das cadeias de produção. Mas o que temos ainda está em processo de construção: a plataforma logística de Anápolis, o aeroporto de cargas, os entroncamentos ferroviários e seus ramais, as rodovias federais que cortam o Estado, tudo isso é um conjunto de instrumentos que promovem a competitividade da indústria goiana, mas não resolvem o problema todo. A não ser por via aérea, não se sai de Goiás direto para o mundo.

Dentro desse aspecto ainda temos uma série de questões a serem resolvidas. Por exemplo, a Ferrovia Norte-Sul tem operações em estado ainda incipiente, com plataformas a concluir e uma série de outras pendencias. Quando falamos de Goiás, estamos falando de 3% do PIB, 3% da população e 3% do eleitorado brasileiro. Ainda há muito a caminhar, mas temos condições de ser o Estado mais competitivo do Brasil e esse é exatamente o desafio que o governador colocou para esse mandato. Isso envolve todos os setores, desde os mais estruturais — educação, saúde, segurança etc. — até infraestrutura, meio ambiente e outros. E não é algo só do Poder Executivo: o orçamento é dividido pelos três Poderes e pelo Ministério Público. Todos acham que o cobertor é curto, e é mesmo, não vamos ter recursos sobrando. Por isso, até, é preciso que o pacto seja conjunto. Se queremos ser o Estado mais competitivo, ter uma gestão eficiente, é preciso fazermos isso juntos, cada qual fazendo sua melhoria de eficiência em sua área, dentro de seus processos em suas respectivas máquinas, cortando privilégios e gorduras.

Marcos Nunes Carreiro — Como está a situação da plataforma logística de Anápolis hoje?
Hoje quem está cuidando dessa matéria é a Secretaria de Gestão e Planejamento (Segplan) e a Goi­aspar­cerias, mas tenho acompanhado a evolução. Há vários instrumentos dentro da plataforma multimodal — que reúne modais aéreos, ferroviários e rodoviários. Temos um conjunto multimodal, formado por equipamentos como o aeroporto de cargas e um porto de desembaraço, que é o porto seco. Há a possibilidade de outros atrativos, como agora uma negociação em andamento com o Amazonas de um entreposto aduaneiro da Zona Franca de Manaus — o volume de cargas aumenta a competitividade da plataforma e estimula os investimentos ou mesmo a aquisição de concessão por parte dos investidores, tanto em termos de aeroporto de cargas como para os demais modais.

Esse desenho está sendo construído. Houve expectativa de fazer o leilão por concessão, mas depois teve um recuo em virtude da obra do aeroporto. Mas, como a obra está sendo finalizada, acho que já está no momento de começarmos a pensar nisso, talvez até pegando carona nessa possível colocação da Celg como um ativo que será oferecido ao mercado nesse contexto de investimentos para Goiás. É outra matriz importante — o fornecimento de energia, para o que a classe produtiva também tem uma demanda forte. A Celg está classificada muito mal em termos de serviços e necessita muito de investimentos. Goiás é superavitário em energia, a gente não consome o que produz. Nosso problema não é geração, nesse aspecto, a Celg GT é até bem gerida. A carência é de investimento em distribuição. Lógi­co que a empresa tinha uma dívida considerável, o que acabou levando à federalização.

Frederico Vitor — À frente da Junta Comercial, quais suas as principais metas?
Estou muito feliz de estar na Juceg, agradeço ao governador todos os dias pela oportunidade. Eu já tinha voltado às minhas empresas, depois desse um período na SIC, cargo que eu considerava que seria de interinidade, mas no qual acabei ficando o ano todo. Em março, o governador me convidou para assumir a Juceg, em um ambiente que para mim é muito familiar — ou natural, uma palavra mais adequada, por eu ter um envolvimento empresarial há bastante tempo.

Nossa tratativa é basicamente com empresários e contadores, como operadores do investidor. Sinto-me tranquilo, pois peguei uma gestão muito bem executada pelo ex-presidente Alexandre Caixeta, que introduziu uma série de inovações na pasta. O momento agora é, dentro deste contexto da melhoria da competitividade do Estado e do ambiente dos negócios, de avançarmos no aspecto da desburocratização, da melhoria dos serviços oferecidos ao empresário e ao empreendedor. Os desafios são nessa linha: conseguir dar comodidade ao cidadão, que ele eventualmente não tenha necessidade de estar presente pessoalmente para fazer os seus registros. Costumo dizer que o empresário tem de gastar energia em seu negócio, não nos guichês de atendimento da Junta Comercial ou do Vapt Vupt Empresarial. Queremos que essa agilidade seja uma alavanca para que o negócio se concretize, até porque o trabalho da Junta é registrar a constituição de empresas, uma eventual alteração, o que a gente torce para sempre ser no sentido de ampliação do capital e dos negócios. A Junta acaba sendo um termômetro da economia, porque lá também se registra o fechamento de empresas e as alterações para que se tenham mudanças de sociedade em todos os tipos jurídicos de empresas.

Além de trabalhar nesse sentido de virtualizar o processo — de acabar com a tramitação de papel, dar mais segurança e transparência, permitindo ao cidadão acompanhar o processo de maneira muito mais célere e no conforto do seu escritório, sem gastar a energia dele com a burocracia, que é necessária —, o papel da Junta é garantir a segurança jurídica do patrimônio das pessoas. Não deixa de ser um trabalho cartorial, mas é um cartório de patrimônio, ou seja, estamos ali tratando do que a pessoa conseguiu construir em termos de risco que ela correu, do investimento que ela fez em sua vida. Não é qualquer coisa.

Alexandre Parrode — Como está a questão do Vapt Vupt Empresarial? Quantos são hoje e quais as perspectivas de investimentos, dos processos do Vapt Vupt Empresarial?
O Vapt Vupt Empresarial é um só, situado na Rua 20, no Setor Oeste. Há outros pontos de atendimento de que a Junta participa, nas unidades do Vapt Vupt normais. Tem também o Vapt Vupt da Associação Comercial (Acieg). Esses são ambientes onde a ideia é facilitar diretamente a vida do empresário. Nos interior, são 60 Vapt Vupts. Em 30 deles há também atendimento da Junta Comercial, além dos nossos escritórios regionais em cidades onde não há Vapt Vupt.

Além disso, temos parcerias com as prefeituras, que colocam ou um servidor à disposição do trabalho da Junta, que entra com o espaço, ou o contrário. A ideia é dar essa capilaridade ao atendimento em todo o Estado, porque a atividade econômica acontece em todo o território, então é preciso dar acesso aos serviços em qualquer município. Mas ainda temos de ampliar essa rede, porque há dificuldades em algumas localidades.

A possibilidade de verticalizar também é importante nesse sentido, pois permite o acesso pela internet, o que dá maior celeridade. O interessante é que a demanda na Junta é por celeridade. Querem agilidade nos processos, dizem “quero abrir minha empresa, quero começar a trabalhar”. E temos conseguido fazer isso, com nossos atendimentos dentro desse período de 24 a 36 horas, em média. O serviço da Juceg hoje é considerado o melhor do Brasil.

Marcos Nunes Carreiro — E como a Juceg conseguiu esse resultado?
No ranking da consultoria Urban Systems, publicado na revista “Exame” no ano passado, a Juceg é considerada a mais rápida do Brasil. Eles mediram as cidades mais empreendedoras no Brasil, e um dos itens que leva a isso é a rapidez nos registros ou nas alterações no registro do ato mercantil. E eu tenho batido na tecla de que temos de ser rápidos e certos: não adianta ser rápido e não ser eficiente.

Voltando um pouco a resposta sobre os desafios do nosso trabalho na Juceg, o parâmetro que temos usado é o do Banco Mun­dial, em seu relatório anual, o Doing Business, que avalia mais de 180 países em termos de ambiente de negócios. Ele extrapola um pouco o trabalho específico da Junta, pois envolve infraestrutura e meio ambiente, mas acho que é o parâmetro mais adequado para medir também nosso trabalho, porque ele trata o ambiente como um todo. É um desafio para nós, mas que chega em boa hora, porque estamos num processo de fazer a integração de todos os órgãos governamentais, para que o cidadão tenha virtualmente, à disposição, todos os registros, aí incluindo Corpo de Bom­beiros, Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz), secretarias municipais, órgãos federais, como a Receita, o licenciamento no meio ambiente, os órgãos municipais de liberação de licença de funcionamento, alvarás e tudo o mais. Todos esses órgãos hoje estão à disposição presencialmente no Vapt Vupt Empresarial e a ideia é oferecer o mesmo serviço de modo virtual, para que, ao entrar para pedir seu registro, o empresário tenha a resposta de todos esses órgãos numa mesma plataforma, para dentro de um mesmo portal fazer esse percurso que se faz presencialmente. Isso diminui muito o prazo de abertura de empresa na parte da Juceg, que hoje é em média de 24 a 36 horas, que nunca foi o mais demorado. Mas aí teremos também todos os órgãos das prefeituras e do Estado.

Esse projeto chama-se RedeSim, do governo federal, que permite também fazer um cadastro único, que será uma grande facilidade. Hoje o cidadão tem de ter 21 documentos e, na maioria das vezes, se faz de novo o mesmo cadastro em todos os lugares que vai, repetindo endereço, CNPJ, CPF, RG etc. Não faz sentido ter vários documentos de identificação nacional — não sei como até hoje não criaram um documento municipal para o cidadão, porque para a empresa já há — tem o CNPJ, que é federal, e tem também inscrição estadual e inscrição municipal, todos com o mesmo cadastro, com mesmo endereço, mesmo nome de razão social, nome de empresa, os sócios são os mesmos. Então, por que não ter um cadastro único, com a mesma base válida de dados?

Estamos conversando com a Sefaz, com a Prefeitura de Goiânia e com as outras prefeituras goianas para fazermos essa integração. Esse é um desafio. Temos sido ajudados nisso pelo apoio do governador Marconi Perillo (PSDB) e o secretário José Eliton [Desenvolvimento Econômico, Científico e Tec­nológico e de Agricultura], a quem a Juceg é jurisdicionada. O Sebrae, da mesma forma — que tem esse como um projeto também em termos nacionais.
Em termos estruturais, temos estudado alternativas para me­lho­rar o próprio ambiente de trabalho na Juceg. Estamos em prédio próprio, mas uma edificação de certa idade. A ideia é de uma reforma ou de mudança para um local mais adequado em termos de conforto e de ambiente para o trabalho.

Marcos Nunes Carreiro — Esse processo de virtualização foi uma das bandeiras levantadas pelo secretário de Gestão e Planejamento, Thiago Peixoto (PSD), em sua última entrevista ao jornal. Esse trabalho da Juceg está integrado a isso?
Totalmente, e dou um dado concreto: fomos o primeiro órgão do Estado a receber a equipe do escritório de processos da Segplan para o mapeamento interno de nossos processos e sua otimização. Isso está em andamento, foi uma sugestão que fizemos ao secretário, que tem estendido a mão para essa integração e merece nosso parabéns. A Segplan passa a fazer esse trabalho prioritariamente, muito mais do que o processo fiscalizatório ou qualquer outro tipo de cobrança. É importante ressaltar essa questão e fomos agraciados com a presença do escritório de processos, que iniciou o trabalho dentro da Junta Comercial. A ideia é cortar ao máximo em termos de burocratização. Isso não deixa de ser um avanço em termos de gestão, porque implica processo mais transparente, mais integrado e, com certeza, mais eficiente.

“Precisamos sustentar Marconi nacionalmente”

galeraMarcos Nunes Carreiro — O sr. foi eleito presidente metropolitano do PSDB. Como será esse processo?
Eu já ajudo dentro do PSDB há algum tempo. Participei da campanha do professor Nion Albernaz em 1996 para prefeito de Goiânia, naquela que foi a primeira e única gestão do PSDB na cidade. De lá para cá, nós não tivemos nenhum gestor que fosse do partido na capital goiana. Nós tivemos a candidatura da senadora Lúcia Vânia em 2000, que não foi exitosa, e depois nem apresentamos uma alternativa para o município. Dentro dessa discussão de preparação do partido para o embate de 2016, surgiu uma conversa para indicação do meu nome ao diretório.

Sou proativo, não preciso de nenhum cargo para ajudar o partido, já tenho feito isso ao longo dos anos. Mesmo como suplente do diretório eu já ajudava, com uma vida partidária bastante ativa e, sempre que convidado, me coloquei a disposição. Foi assim também no contexto da formulação e estruturação de nossos diretórios zonais. Goiânia é dividida em dez zonas eleitorais e isso antecede à discussão do diretório, já que as zonais são os ambientes onde de fato se faz política dentro do partido. O diretório metropolitano atua muito mais como um coordenador, mas não tira delegado para convenções estadual ou municipais que escolhem os candidatos. Esses delegados vêm dos diretórios zonais, que são os representantes políticos de cada uma dessas regiões da cidade.

Existia uma barreira legal para essa discussão que era uma resolução nacional que estabelece, para a existência do diretório metropolitano, de ter 80% das zonais constituídas. Tenho trabalhado no sentido de conversar com o conjunto de vereadores, já que a indicação do meu nome foi feita pela bancada de Goiânia e os estou representando. Nossos deputados estaduais e federais também fizeram sugestões de nomes e os que têm domicílio em Goiânia também estão participando.

Chegamos ao final com a representação de todos esses grupos no diretório. A executiva tem, na verdade, um papel de gestão. Muitas vezes, os partidos formam executivas com representação política, como se a executiva tivesse o poder de decisão política. Na prática, o papel dela é gerir o partido, apoiando todos os candidatos a vereador e a prefeito e dar um suporte de gestão a isso, ter um tesoureiro para cuidar das finanças do partido, um jurista para a assistência jurídica. Quando se começa a fazer representações políticas, isso acaba enviesando esse auxílio, e nossa ideia não é essa.

Queremos que esta gestão seja para o conjunto dos representantes; por isso, estimulamos aos representantes que têm interesse em disputar mandato de 2016 que não participassem da executiva, mas que estejam no diretório, participando da vida partidária, nos dando a oportunidade de dar suporte a todos eles para que tenham êxito no processo eleitoral. É uma visão não muito usual no Brasil, ainda que seja eficiente mundo afora: pensar o partido e pensar em seu representante mais próximo do partido. Uma via de mão dupla: promove-se o êxito do candidato e depois, logicamente, se cria um vínculo maior entre o candidato e o partido no exercício do mandato.

Frederico Vitor — O sr. defende a candidatura própria do PSDB para a Prefeitura de Goiânia?
Defendo. É há uma ampla defesa, dentro do partido, da candidatura própria, respeitando os demais partidos e as alianças em termos estaduais, respeitando o direito dos demais partidos de pleitearem o mesmo. Afinal, Goiânia merece um debate de qualidade e uma alternativa de gestão. O PSDB, especificamente, não apresenta candidatos há três eleições — 2004, 2008 e 2012. Há até uma saudade em relação a isso. Nossa referência é o professor Nion Albernaz, que fez uma gestão marcante na cidade e que deixa saudade até hoje. Ele é sempre citado, pois foi o único prefeito que o PSDB teve em Goiânia.

Mas tudo é um processo. Primei­ramente, precisamos construir um projeto para Goiânia e propor soluções para cidade. Isso é tarefa para o conjunto do partido; portanto, entra o trabalho do diretório como um todo e não só da executiva. Esta tem o papel de transformar o projeto em realidade. O do diretório é pensar alternativas e vislumbrar Goiânia daqui a 20 ou 30 anos.

Sempre digo que é possível alcançarmos as metas. O maior exemplo disso é um país pequeno que tem o tamanho de Goiânia e a população de Goiás dentro, que é Cingapura. Conseguiram sua independência em 1965, estavam na posição 180 em termos de competitividade no mundo e, em 50 anos, chegaram à liderança. Ou seja, existe esta similaridade. É uma referência para nós de que é possível, sim — tendo objetivos claros, e metas bem estabelecidas e uma gestão azeitada —, conseguir alcançar essa condição de um país com um dos melhores padrões de vida, de liderança em competitividade, e com uma das maiores rendas per capita do mundo. Existem também outros exemplos de países assim no mundo.

Marcos Nunes Carreiro — A palavra chave da última fala do sr. é gestão. Um nome que é tomado dentro do PSDB como bom em gerência é Jayme Rincón, presidente da Agetop [Agência Goiana de Transporte e Obras]. Seria ele o nome do PSDB, neste primeiro momento, para ser candidato em Goiânia?
Jayme é um gestor muito eficiente, muito competente. Reconhecida­men­te é um gestor que tem feito um trabalho excepcional na Agetop e é um dos nomes que o PSDB está apresentando. Hoje, ele está muito focado na gestão do próprio órgão, que logicamente tem uma série de projetos que envolvem Goiânia, mas tem de pensar no Estado como um todo. Mas também temos outros pré-candidatos dentro do partido, que têm interesse, também representam parcela significativa da população e, prin­cipalmente, têm amor por Goiânia.

Frederico Vitor — Quem seriam esses nomes?
Hoje, nós temos os deputados federais Delegado Waldir, Fábio Sousa e Giuseppe Vecci, embora este não tenha se declarado pré-candidato, mas sabemos de sua presença e do envolvimento que tem com a cidade, bem como a votação expressiva que teve na capital. Temos também o deputado estadual José Vitti. Daqui para outubro, dependendo das mudanças da reforma política, teremos outras candidaturas colocadas. Nomes não são nosso problema, hoje o partido está bem representado nesse aspecto e essa discussão vai ficar, logicamente, para a convenção de 2016. O primeiro passo é traçarmos um bom projeto e, a partir dele, escolher o melhor perfil para sua execução. Um passo de cada vez.

Para passar à fase de execução, é preciso uma base de representação com ligação direta com a população, para escutar e reverberar. Esse é o nosso conjunto de representantes na Câmara Municipal. Ou seja, há o desafio de ampliar nossa bancada de vereadores. Isso facilita e muito — e não falo apenas em termos de ser hegemônico na Casa para que passe um projeto: é ter um projeto e ter condições de implantá-lo. Não adianta ter um projeto se não há condições de implantá-lo.

Marcos Nunes — O PSDB tem um projeto para “retomar” as grandes cidades do Estado, que não estão sob o cuidado do partido, mas sim da oposição. São elas: Anápolis, Goiânia e Aparecida de Goiânia. Duas estão com o PT e uma com o PMDB. Em Anápolis, há um candidato que já disse ter interesse na prefeitura, que é Alexandre Baldy. Anápolis tem tido boas gestões de governos do PT e será um desafio ganhar a eleição lá. Baldy é realmente o nome do PSDB para cidade?
Anápolis é mesmo um desafio e Alexandre Baldy é um excelente nome, até pelo resultado eleitoral que teve. O fato de ele ser deputado federal já o coloca como representante da cidade e o legitima para essa postulação. Podem também surgir outros nomes, afinal o partido nesse aspecto é muito democrático e aberto, inclusive, a alianças com demais partidos. Mas em Anápolis, hoje, a tendência é de que seja Baldy o candidato. É um bom nome, competitivo, que tem condições de ser alavancado. Ele, como secretário de Indústria e Comércio, conseguiu, juntamente com o governador, levar uma série de investimentos para o município e fazer essa representação, estruturando a competitividade de Anápolis.

Alexandre Parrode — Quanto a 2016, o governador tem demonstrado muito interesse nessas três cidades. Porém o secretário Vilmar Rocha (PSD) já defendeu candidaturas de seu partido e outros aliados também têm feito isso em Goiânia. Como será o trabalho para unir essa base? Ou não será preciso essa união em um primeiro momento?
É legitimo que todos os partidos coloquem suas opções. O PSD, assim como os demais partidos, tem pessoas com boas ideias e é natural que eles postulem. Dentro do próprio PSDB há vários nomes. Onde não tem discussão? Só onde já tem candidatura definida, que é o caso do PMDB, com o ex-prefeito Iris Rezende. Não sei se haverá debates no partido, aliás poucas vezes houve e foram traumáticas. Mas isso é um processo interno do partido que precisamos respeitar, não é uma crítica o que faço.

Nos demais partidos é normal que haja debates. E é justamente essa disputa que vai resultar em um projeto comum e na escolha de representantes para executá-lo. Quem são os melhores nomes para vice? Que alianças nós faremos? Vai existir coligação para cargos majoritários ou para proporcionais? Ainda não sabemos. Muitas vezes essas alianças são feitas visando o tempo de TV, mas não sabemos como ficará o escopo jurídico para 2016. Então, são todos os ingredientes de uma sopa que ainda vemos efervescer, mas que vai assentando.

Não é só o interesse da pessoa em ser candidato que vai viabilizá-la; é preciso articular internamente. Al­guns defendem a tese de que a base do governo estadual deveria ter mais de uma candidatura no primeiro turno para fazer frente à de Iris Rezende e à possível candidatura de Vanderlan Cardoso (PSB), que até então disputava os governos estaduais e a prefeitura de Senador Canedo, mas que agora entra em Goiânia. A população goianiense vai aceitar Vanderlan como alternativa para gerir a cidade ou não? Isso é uma questão. Agora, isso tudo tem um pano de fundo, que é o fortalecimento da base estadual. Nós temos o desafio de oferecer alternativas de gestão às três maiores cidades do Estado, além de um projeto de sustentação ao nosso governador em termos de projeção nacional. Isso é um ponto importante, pois permite que ele tenha uma musculatura maior na representação de Goiás.

Eu digo que Marconi Perillo não tem um projeto pessoal, mas um projeto de representação de Goiás no cenário nacional. Ele é, hoje, a pessoa mais qualificada e legítima para isso e já tem sido citado por lideranças de outros Estados, inclusive algumas que já concorreram à Presidência da Re­pú­blica, como um bom nome para es­sa representação do Estado em termos de País. Enfim, é uma discussão ampla.

Rafael Lousa ao Jornal Opção: "A sociedade clama pelo diálogo. O PSDB deve se estruturar melhor para que isso ocorra"

Rafael Lousa ao Jornal Opção: “A sociedade clama pelo diálogo. O PSDB deve se estruturar melhor para que isso ocorra” | Foto: Fernando Leite

Marcos Nunes Carreiro — Mas a rearticulação do PSDB também visa à renovação tendo como objetivo as eleições de 2018, haja vista que Marconi Perillo não pode mais disputar reeleição?
Espero que sim. Temos quadros excelentes em prefeituras, com candidaturas bastante viáveis. Mas em outros lugares precisamos nos fortalecer. Em termos de conjunto, é o sonho de todo partido ter todas as prefeituras. E nem é para sufocar as demais legendas, mas é uma questão de defesa de posição e de um projeto socialdemocrata. Ou seja, também há uma bandeira ideológica, mas não se trata de uma ideologia travada e sim aberta ao diálogo com a sociedade e que respeita o estado de direito e as outras ideologias.

Alexandre Parrode — O sr. defendeu que quem tivesse mandato não fizesse parte da executiva. É inevitável que pensemos na eleição do diretório estadual, em que o deputado federal Alexandre Baldy aparece tentando se viabilizar como presidente. Como fica a situação?
O que nós homologamos foi o seguinte: o presidente anterior do diretório municipal, Maurício Be­raldo, seria candidato natural à reeleição, com apoio da maioria, inclusive o meu, porque fez uma bela gestão. Ele arrumou as contas do partido. O que os demais vereadores colocaram em debate foi o seguinte: se ele é candidato a vereador e todos os atuais vereadores são candidatos à reeleição, então o partido ficaria prejudicado, pois o presidente sairia no meio do mandato para se dedicar à campanha municipal. Ou seja, em tese, ele se ajudaria e os outros ficariam prejudicados em termos de estrutura partidária.

E isso é importante, pois estamos falando de 35 vagas, podendo ser 37. Então, foram os vereadores que defenderam essa posição. Ou seja, estamos falando de candidatura e não de exercer cargo legislativo. Não é o fato de ter ou não mandato, mas o de estar no mandato que vai ser disputado na eleição do ano que vem. Assim, eu não acho que seria diferente se a eleição do ano que vem fosse estadual. Os deputados estaduais e federais iriam se posicionar da mesma maneira. O fato é que a eleição do ano que vem não é estadual.

Então, a discussão não é se a pessoa tem ou não mandato. Há outras questões que precisam ser debatidas — como a preparação para as eleições, a ampliação do conjunto de alianças em termos municipais, que é diferente do conjunto para o Estado. Às vezes, vemos alianças municipais acontecendo de maneira completamente diferentes das estaduais e das federais. Os interesses são muito particulares em cada município.

Alexandre Parrode — Como presidente do diretório municipal, de que forma o sr. avalia a eleição do diretório estadual? Parece que há ruídos na articulação.
Não tenho acompanhado a fundo essa discussão. Mas os delegados vão votar, em caso de disputa, o que não acho que ocorrerá. Acredito que a eleição vai convergir para um acordo. Não que é não gostemos de disputa. Pelo contrário, as pessoas acham que disputas podem criar dissidências no partido, mas não é assim. As fissuras ocorrem muito mais pela tentativa de descumprimento das regras do que pela disputa em si. Até porque a tendência do diálogo é convergir. Mas não sou contra as disputas, basta que as regras sejam claras.

Alexandre Parrode — E sobre os nomes que já foram colocados, quais os prós e os contras?
Não vi nomes colocados, mas apenas citados. Não houve explicitação, nem por parte do deputado [Alexandre Baldy], nem por parte do ex-deputado [Afrêni Gonçalves]. São dois nomes citados. Eles mesmo dizendo que vão trabalhar pela presidência, isso eu ainda não vi. O processo começar mesmo na segunda-feira em momento de registro de chapa.

Em Goiânia, enquanto ainda estávamos discutindo as zonais, estava se discutindo primeiro a obrigação de percentual de zonais formadas para que houvesse a possibilidade de haver diretórios. O foco esteve muito nesta base e foi muito importante: tivemos casos de pessoas que há 30 anos militavam no PMDB e se filiaram ao PSDB, buscando uma alternativa. Isso é importante porque oxigena as bases de lideranças que estão nos bairros. Não é fácil entusiasmar o cidadão, mesmo que filiado. Por isso, estamos satisfeitos e essa mobilização terá resultados em termos de capilaridade, atuação e presença do partido em diversas regiões de Goiânia. Isso é fundamental. Foi-se o tempo em que se tinha a convivência dos goianienses no mesmo ambiente e no mesmo bairro, como ocorria no Centro. Cada região tem sua peculiaridade. Quem conhece Goiânia sabe o quanto a cidade se expandiu e isso implica novos desafios.

Marcos Nunes Carreiro — A Câmara dos Deputados acaba de aprovar o fim da reeleição para cargos executivos. Como o sr. avalia isso?
Não vai ser a solução para todos os males. Para mim, era necessário apenas o ajuste: o candidato que estivesse exercendo a função no cargo deveria renunciar para se candidatar. O ex-governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), deu o exemplo: renunciou e disputou a reeleição fora do cargo. Acho que o peso de estar no cargo influencia no processo, para o bem ou para o mal. Com este ajuste, conseguiríamos uma situação melhor.

Em vários países, de governador para baixo, a reeleição é indefinida, não há limites, e com continuidade no cargo. Ainda vai ser discutido o período de mandato, mas, para uma gestão bem avaliada, é uma decisão complicada essa, de não ter reeleição, embora provavelmente vá se eleger o candidato daquele governante que está bem avaliado, o que é natural também no final de um segundo mandato. A tendência vai ser essa.

O que vejo é que, em muitos casos, vai se perder a chance da continuidade de processo construtivo. Mas defendo a alternância em alguma seara. Logicamente, as coisas não acontecem em curto prazo. O período de quatro anos é pouco tempo, porque há muita burocracia. Imagine que, para fazer uma obra, é preciso um projeto, plano executivo, licitação, passar por todos os recursos, começar a trabalhar, eventualmente aparece um embargo. Se o governante não terminar a obra, qual a garantia de que ela terá sequência? Várias questões no Brasil, como a Ferrovia Norte-Sul, a transposição do Rio São Francisco, podemos levar a esse questionamento. Não existe uma garantia real. Mas foi votado e retornamos agora ao modelo anterior, com uma alternância maior de gestores. Vamos ver o que vai ser.

Marcos Nunes Carreiro — Como o sr. enxerga a doação de empresas privadas aos partidos, como foi aprovado em primeira votação na Câmara?
De certo modo, não vejo mal no fato de as empresas poderem fazer doações. Acho que tem de haver uma regulamentação melhor, eventualmente estabelecendo critérios e limites. É uma vantagem as empresas doarem só para o partido e não para o candidato, porque nesse último caso haveria uma implicação direta e o comprometimento da atuação parlamentar. Mas é preciso fazer a regulamentação para ver como essas doações se darão dentro dos partidos.

Há uma série de discussões que tem se desdobrar. De todo modo, o dinheiro vem da sociedade civil. Ou seja, o financiamento é privado por essência. O dinheiro não sai do nada. Pode-se discutir que uma parcela do recurso, que estaria reservado para outras ações em termos de saúde e segurança, vai ficar reservada para o próximo período eleitoral — o que também não é de todo mal, já que temos de pensar na importância que existe nesse processo. Em essência não sou contra as doações de empresas, dependendo da regulamentação, que pode solucionar ou distorcer totalmente o processo. Uma coisa que defendo é uma empresa doar para um único partido. Ou seja, teria de ter um lado e uma ideologia.

Frederico Vitor — O vice-presidente nacional do PSDB, Alberto Goldman, disse que a legenda não tem projeto para o Brasil. E os tucanos estão sendo criticados por não atuarem com mais afinco por um processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). O sr. concorda?
Primeiramente, o PSDB tem projeto nacional. Ele foi exposto e foi amplamente apoiado pela sociedade brasileira, mas não o necessário para eleger nosso candidato [Aécio Neves]. Mas as posições foram colocadas e são bem divergentes ao modelo que hoje governa nosso País. Mais uma vez, o PT tem usado da receita do PSDB para a solução da crise. Como o ex-presidente Lula, em seu primeiro mandato, utilizou-se da receita que vinha dando certo, com metas de inflação e câmbio flutuante.

Em relação ao impeachment, uma ação penal contra a presidente neste momento é mais razoável. Já derrubaram 11 pedidos de impeachment desde 2011. Tem de ter uma sustentação jurídica, o que pode vir com o avançar da Operação Lavajato. O impeachment é um instrumento legítimo e constitucional. Existe exatamente para responsabilizar o mandatário do País. Sobre a tramitação do impeachment, não sou nada contra. Qual resultado terá, porém, não vai depender quem o propõe.

Marcos Nunes Carreiro — O sr. tem projeto político para um futuro próximo?
Não. Meu projeto é ajudar o Estado em termo de melhoria da competitividade, especificamente na Junta Comercial. E, como presidente do diretório municipal, fazer o próximo prefeito de Goiânia e o máximo de vereadores possível. Ajudar a eleger e a estruturar nosso partido, defendendo um viés um pouco diferente, no sentido de usar mais tecnologias, aperfeiçoar a gestão com instrumentos tecnológicos, que abram o diálogo. A sociedade clama pelo diálogo, seja nas redes sociais, seja indo para as ruas. O partido tem de se estruturar melhor para que isso seja um processo de formulação de políticas públicas que represente a vontade da população.

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