“Trabalho para disputar a Prefeitura de Rio Verde e para ser o candidato da base do governo”

Deputado federal revela plano de trocar o Legislativo pela administração de seu município no próximo ano, mas opera pela união e diz que não será candidato de si mesmo

"Juraci Martins faz um trabalho revolucionário por Rio Verde, que daqui a 20 anos poderá ter 500 habitantes. É preparar a cidade para isso" | Foto: Renan Accioly / Jornal Opção

“Juraci Martins faz um trabalho revolucionário por Rio Verde, que daqui a 20 anos poderá ter 500 habitantes. É preparar a cidade para isso” | Foto: Renan Accioly / Jornal Opção

No exercício de seu se­gundo mandato na Câ­mara dos Deputados, Heuler Cruvinel (PSD) não esconde a pretensão de trocar de Casa. Ou melhor, de poder: ele se coloca, desde já, como pré-candidato à prefeitura de Rio Verde. Quer su­ceder a Juraci Martins, seu correligionário e a quem agradece por estar na po­lítica. “Juraci é um prefeito eficiente e melhorou nossa cidade nos úl­timos anos. Basta você comparar a Rio Verde de hoje à de alguns anos a­trás”, argumenta, classificando a gestão do pessedista como “revolucionária”.

Mas sua saída do mandato em Brasília para ocupar o cargo executivo não seria uma perda em termos de força nacional para o município? Heuler ressalta que não: “A eleição municipal será em 2016; no ano seguinte, eu poderia executar as emendas indicadas por mim [como deputado]. Já em 2018, em uma nova eleição estadual, teríamos um candidato que poderia representar nossa cidade e nossa região na Câmara”, justifica.

De toda forma, ele mesmo considera que pode ser prestativo ao município em qualquer dos cargos. “Não posso ser candidato de mim mesmo. Temos um grupo e trabalhamos junto para viabilizar a candidatura. Se for da vontade do povo e de Deus, serei candidato a prefeito de Rio Verde para termos condições de implementar uma administração de resultados”.

Nesta entrevista ao Jornal Opção, o deputado rio-verdense ressalta o perfil do governador Marconi Perillo, a quem coloca entre os principais nomes para a disputa dos principais cargos do País, e também analisa a crise entre governo federal e Poder Legislativo.

Frederico Vitor — Rio Verde sempre se destaca em Goiás por sua importância econômica. O sr. diz que, apesar da crise, o município não a tem sentido tanto porque as commodities que produz não tiveram uma queda acentuada no preço. Isso tem mesmo segurado a economia local?
Rio Verde é uma cidade importante no contexto estadual e até nacional. É a cidade polo da Região Sudoeste, a mais próspera do Estado. Não temos sentido tanto a crise instalada no País por termos como base a produção de alimentos, que, assim como o consumo, não diminuiu nem no Brasil nem no mundo. Assim, não sentimos a crise como outros Estados e regiões, o que tem acontecido, por exemplo, com os que dependem das indústrias automobilística e de eletrodoméstico, que têm perdido escala e preço. Em Rio Verde, o que vemos são os produtores rurais se preparando para a próxima safra, a partir de outubro.
Estamos fazendo a economia girar em Rio Verde, que é muito diversificada. Temos produção de sorgo, soja, milho, aves, carne suína, carne bovina, cana de açúcar. Isso faz com que tenhamos essa pujança e o maior PIB [produto interno bruto] do agronegócio no Brasil.

Euler de França Belém — Rio Verde tem hoje mais de 200 mil habitantes…
Segundo o IBGE temos 207 mil, mas creio que tenhamos já 220 mil habitantes. É uma cidade que tem crescido muito nesse sentido, em torno de 10 mil a 12 mil habitantes por ano. Acredito que daqui a 20 anos, o município terá de 450 mil a 500 mil. É importante, portanto, esse período de preparação para suportar essa população. É preciso abrir novas avenidas e tomar outras medidas para dar condições de a cidade crescer ordenadamente. Antigamente tínhamos cidades planejadas; hoje, temos de fazer planejamento de cidades, já que as temos instaladas.

Euler de França Belém — Essa população crescente não é só de contingente da própria cidade. Há muitos migrantes?
Sim, muitos. Com a instalação de novas indústrias e empresas, vieram milhares de pessoas, especialmente do Nordeste, em busca de uma colocação. Lá, conseguiram isso por meio do agronegócio. Hoje, além do nascimento de pessoas da cidade, Rio Verde está trazendo migrantes de outros municípios e regiões do Brasil.

Euler de França Belém — Que empresas são essas?
Temos a BRF [Brasil Foods], que é a antiga Perdigão, hoje em fusão com a Sadia; a Comigo, uma das grandes cooperativas do Brasil e a maior de Goiás; a Orsa, a Videplast, a Cargill, a Kowalski, entre outras. Enfim, todas as grandes empresas do País ligadas ao agronegócio estão de alguma forma em Rio Verde, gerando oportunidades e empregos.

Euler de França Belém — Quanto representa apenas a BR Foods para a economia do município?
Só de empregos diretos, a BRF gera 8 mil. Diretos e indiretos, isso chega a 20 mil. Na economia rio-verdense, a empresa coloca em torno de R$ 20 milhões para circular, mensalmente, em relação somente ao pago a seus colaboradores. A BRF abate cerca de 550 mil aves e 6 mil suínos por dia, sem contar os industrializados em geral — como pizza, lasanha etc. — que há em sua linha de produção. A planta da empresa foi dobrada em relação ao seu início.

Cezar Santos — Esse crescimento do município, infelizmente, não é somente positivo. Como está o problema da violência e da falta de moradia?
Logicamente, há o bônus, mas também o ônus. Vieram problemas sociais, de infraestrutura. O grande gargalo é a segurança pública. Há muitas queixas sobre a falta de efetivo de policiais militares, sobre o sistema penitenciário deficitário, a casa de prisão provisória e a falta de um Credeq [para recuperação de dependentes químicos]. Te­mos, realmente, alguns problemas crônicos, apesar de muito ter si­do feito na gestão do prefeito Ju­raci Martins (PSD), que solucionou problemas primários. Hoje, Rio Verde está 100% asfaltada e fez parceria público-privada (PPP) para poder universalizar o sistema de esgoto, como foi feito em Trindade, Jataí e Aparecida de Goiânia.
Porém, precisamos de ações emergentes na segurança pública, que possam funcionar na prática. A criação da Guarda Municipal, por exemplo, seria fundamental neste momento, para poder dar a sensação de uma maior segurança a toda a população. Também precisamos melhorar a mobilidade urbana, bem como o transporte público, a saúde e a educação.

Euler de França Belém — O sr. está na base da presidente Dilma Rousseff (PT). Há quem acredite que ela vá sofrer impeachment, há que ache que ela vá renunciar e até quem pense que ela vai sobreviver. Qual é sua avaliação?
Não acredito que ela renuncie, por causa de sua história de luta. Penso que isso não passa pela cabeça dela. O Brasil vive três crises simultâneas: econômica, política e a maior crise de corrupção da história do País. Estamos caminhando para um ano, em 2016, que ainda será difícil, mas creio que a partir de 2017 possamos melhorar a situação do País, o que vai também ajudar na condição política da presidente. Sabemos que passamos por uma crise mundial nos últimos anos e isso chegou agora de fato ao Brasil. Nós tivemos um período de alto consumo, que agora diminuiu. As classes D e E, que não tinham acesso a esse consumo, adquiriram bens que agora estão estocados. Hoje, a maioria tem carro e, da porta para dentro de casa, tem bons eletrodomésticos e come bem melhor. Essa população, que já consumiu, está agora com seu consumo baixando, o que afeta os índices de industrialização do País, que tinham tido um ápice. Mas acredito que, a partir de 2017, como eu disse, isso vá melhorar, inclusive na questão política.
As CPIs que estão em curso no Congresso devem prosseguir desvendando os casos de corrupção e creio que isto seja algo que o próprio Partido dos Trabalhadores deseja também: que todos os investigados que forem realmente culpados possam ser punidos. É o momento de passar o País a limpo, de fato.

Euler de França Belém — As pedaladas fiscais não podem causar a queda da presidente Dilma?
Eu acredito que ela vai conseguir se justificar, sem maiores dificuldades. Há também governadores que estão em situação parecida. Acho que o maior entrave em relação à presidente é com relação à última campanha eleitoral, na chapa com o vice-presidente Michel Temer (PMDB). Então, se houver alguma dificuldade, isso será em relação ao TSE [Tribunal Superior Eleitoral].

Cezar Santos — Mas o novo pedido de adiamento da prestação de contas já prova que ela está tendo dificuldade em relação a justificar essas pedaladas fiscais.
Sem dúvida, Dilma está tendo dificuldades em todos os sentidos. Basta ver a avaliação do governo, que tem apenas 7% de “ótimo” e “bom”, a pior da história do Brasil, além da fragilidade política que ela tem hoje no Congresso Nacional. Mas creio que ela possa passar por cima de tudo isso. O momento, no entanto, é realmente delicado.

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Fotos: Renan Accioly / Jornal Opção

Frederico Vitor — O sr. acredita que a pauta do impeachment possa ganhar força nas próximas semanas?
Há um grupo que está fazendo a articulação para que seja votado esse pedido, por meio do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que hoje é adversário político da presidente. Ou seja, isso pode chegar a ser votado, sim. Mas creio que algo nesse sentido perdeu um pouco de força com o resultado das manifestações do dia 16 de agosto, quando não foi às ruas o contingente que as oposições desejavam. Outro fator que atrapalhou essa articulação está relacionado às denúncias da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente da Câmara. De qualquer forma, pode ser que esse pedido aconteça ainda neste mês de setembro, o que levará Dilma a ter a uma dificuldade ainda maior. Se a Câmara colocar um processo de impeachment em votação, ela terá realmente muita dificuldade.
Cezar Santos — Que avaliação o sr. faz da gestão de Eduardo Cunha à frente da Câmara?
É fato de que, por conta da denúncia da PGR, Cunha vai passar também por dificuldades. Mas ele é muito articulado, bem preparado e conhece como ninguém o regimento interno da Casa. Acima de tudo, ele fez com que a Câmara produzisse, passando uma outra imagem do Legislativo para a sociedade brasileira. Isso realmente impressiona. Foi um semestre de muito trabalho, em que todos os parlamentares acabaram se desdobrando, mas essa produtividade fez com que votássemos em seis meses o que não tínhamos votado em dois anos. Foi um ano de resultados para a Câmara que ajudou a melhorar sua imagem junto à sociedade.

Cezar Santos — Costumam dizer que o presidente da Câmara é um trator…
Realmente é um trator, passa por cima de tudo, quanto a isso pode ter certeza. Ele é preparado e inteligente e passa por cima mesmo. Realmente, é ousado.

Euler de França Belém — Na Câmara os deputados do PT estão envergonhados? Nem todos do PT estão envolvidos no escândalo de corrupção.
Acima de tudo, o PT passa por uma crise de identidade neste momento. Até porque foi um partido que se propôs a ser criado para que não houvesse tudo aquilo que está acontecendo agora. Falam até que o PT foi um partido criado por presos políticos que vai terminar com políticos presos. É um partido que está jogando muito na defensiva. Estão acuados e, de certo modo, envergonhados por tudo o que está acontecendo.

Euler de França Belém — Cogita-se até mesmo que Lula possa sair do PT e criar um novo partido. O sr. acredita nessa possibilidade?
Sim, acredito. Até porque Lula disse, nesta última semana, que já é candidato a presidente da República em 2018. Com as dificuldades e desgastes que o PT tem hoje, acredito que esse seja o caminho do ex-presidente para criar um novo partido e uma nova identidade.

Frederico Vitor — O sr. acredita que o PMDB possa lançar um nome próprio à Presidência da República em 2018?
Acredito que podem, sim, vir com candidatura própria em 2018, até porque eles têm vários nomes do partido que poderiam ser candidatos. Em 2018 vai haver uma campanha em que o descrédito da classe política vai trazer mais opções, com mais espaços para que possam mostrar seus projetos para o País, já que a população está cansada da polarização entre o PT e PSDB. Pela estrutura do PMDB, pelo tamanho do partido, eles têm condições, sim, de lançar candidato.

Euler de França Belém — Mas o sr. não acha que Marina Silva pode dar trabalho, mesmo com a falta de estrutura?
Marina Silva está indo no mesmo caminho de Lula, ou seja, tentar várias candidaturas até aproveitar um recall para que possa vencer o pleito através do descontentamento com os últimos presidentes. Ela pode ser a terceira via novamente, mas não acredito que passe este porcentual a que ela chegou agora.

Euler de França Belém — O sr. acha que o PSDB vai de Geraldo Alckmin ou de Aécio Neves?
São dois excelentes nomes do partido, além de José Serra e do governador Marconi Perillo, também dois excelentes quadros. Mas Alckmin está num momento melhor, porque ele é pela terceira vez governador de São Paulo, o Estado mais rico do Brasil, reeleito muito bem votado, e tem a estrutura e a máquina do governo do Estado de São Paulo, o que conta muito para uma candidatura a presidente da República. O problema de Aécio é ter perdido em seu próprio Estado, no qual foi governador duas vezes. Inclusive muitos do PSDB falam isso, que ele deve voltar a Minas Gerais para alcançar a liderança e alçar outra vez uma candidatura a presidente. Lógico que ele teve grande votação na última eleição, mas o momento agora é do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

Euler de França Belém — Marconi já tem perfil de político nacional?
Sem dúvidas. Marconi Perillo é es­tadista, o maior político da história do Estado, tem potencial, tem o no­me reconhecido em nível nacional e possui o perfil adequado. É um bom gestor e já provou isso nas quatro ve­zes em que administrou Goiás. É re­conhecido por todos os seus colegas do PSDB como um dos grandes nomes do partido e pode ser alternativa a um voo nacional. O governador sempre esteve à frente de seu tempo, sempre foi ousado, corajoso e ambicioso. Já provou que tem total condição de ser presidente da República.

Euler de França Belém — E este ajuste, está incomodando a base?
Não por minha parte. Estamos passando por uma crise em todas as esferas e realmente tem que segurar, senão não daremos conta de cumprir os compromissos. O governador Marconi está passando por dificuldades que têm ocorrido em vários outros Estados, basta ver a situação do Rio Grande do Sul. Lá, é uma situação de greve e de salários atrasados em várias áreas de governo, uma dificuldade muito grande. En­tão o governador não tem outra o­pção a não ser implementar os ajustes e fazer contenção de despesas.

Euler de França Belém — Dizem que o sr. é um excelente deputado e que sua permanência em Brasília é necessária para trazer emendas para Rio Verde. Quer ser candidato a prefeito ou vai permanecer como deputado federal?
Acho importante, desde quando iniciei na vida pública, quando precisávamos eleger um representante de Rio Verde à Câmara Federal, o que ocorreu depois de 18 anos. Era necessário encaminhar recursos para a cidade. Rio Verde que, não tinha nenhuma obra do governo federal, hoje já viabilizou inúmeras. Toda obra em execução hoje no município tem recurso do governo federal. No decorrer destes anos, além da experiência que adquiri, tive a oportunidade de poder ajudar ainda mais a cidade por meio de bons relacionamentos. Até porque a eleição é em 2016, no ano seguinte eu poderia executar as emendas que seriam indicadas por mim. Já em 2018, em uma nova eleição estadual, teríamos um candidato que poderia representar nossa cidade e região na Câmara. Apesar da pouca idade, mas com a experiência destes anos, é possível viabilizar vários benefícios e ações para poder ter condições de fazer uma gestão que seja referência em nível estadual e nacional para benefício de Rio Verde. A cidade tem boa arrecadação e, juntamente com os governos estadual e federal mais a iniciativa privada, poderíamos nos unir para solucionar os problemas crônicos que temos. São problemas que hoje estão lá e podemos resolver com criatividade e capacidade administrativa.

Euler de França Belém — O sr., então, é candidatíssimo a prefeito?
Estou trabalhando, não posso ser candidato de mim mesmo. Nós temos um grupo e temos de trabalhar junto para viabilizar a candidatura. Se for da vontade do povo e de Deus, serei candidato a prefeito de Rio Verde para termos condições de implementar esta administração de resultados. Sou da tese de política de resultados. Desde que me dispus a ser candidato a deputado federal isso foi no sentido de levar benefícios e recursos do governo federal para a cidade.

Nós conseguimos viabilizar isso em forma de obras em diversas áreas: levamos 2.188 casas do programa Minha Casa Minha Vida, que já foram entregues à população; a canalização do Córrego do Sapo, em execução com recursos de R$ 22 milhões do Ministério das Cidades; o Hospital Materno Infantil, no qual serão investidos R$ 14 milhões; o Centro de Convenções, com emenda própria, no valor de R$ 5 milhões, no campus de Rio Verde; os centros poliesportivos nos bairros Canaã e Gameleira; aquisição de tratores e máquinas agrícolas; a central de monitoramento por vídeo instalada na cidade; a construção da Praça de Esporte e Cultura, no Bairro Céu Azul; equipamentos hospitalares, como tomógrafos, dois ultrassons e vários recursos em diversas áreas. Levamos também recursos para o Instituto Federal Goiano (IF Goiano) de Rio Verde, para a construção de laboratórios para o curso de Engenharia Civil, além de verba para o Hospital Evangélico de Rio Verde. São recursos em diversas áreas que já foram realizadas e entregues a população, obras em execução, além de recursos para custeio. De fato, é um resultado prático na vida das pessoas. Nós conseguimos viabilizar tudo isso por meio de nosso mandato. A população quer hoje benefício para a coletividade e para o uso comum.

Quero ressaltar também a duplicação da BR-060 de Rio Verde até Goiânia, que foi um trabalho de toda a bancada federal, que colocou recursos na emenda e a obra já está finalizada. São obras que melhoraram a qualidade de vida das pessoas e que deram condições para que as pessoas tivessem benefício com nosso mandato. Por isso, foi importante desde o primeiro momento o mandato para a cidade de Rio Verde.

Euler de França Belém — O sr. era visto como candidato natural à sucessão de Juraci Martins, também de seu partido. Mas, com o tempo, parece que houve uma ruptura entre o sr. e o prefeito, aparecendo um novo candidato, que é o deputado Lissauer Vieira (PSD). O que exatamente aconteceu?
Nunca tive nenhum desentendimento com o prefeito e ele nunca fa­lou que teve um desentendimento comigo. De fato às vezes, o relacionamento pode não ser o mesmo. Mas, na verdade, nós nunca tivemos desentendimento, não teve nenhuma causa e atrito, algum problema que fosse motivo de um rompimento de nosso relacionamento. Nunca tive um problema com Juraci e ele nunca me falou algo nesse sentido.

Sempre trabalhei ajudando a administração, levando todos esses benefícios para a prefeitura, fazendo convênios com o governo federal, e com a prefeitura fazendo as licitações para as obras na cidade de Rio Verde. Sempre procurei ajudar a administração do prefeito Juraci na cidade de Rio Verde e só tenho de agradecer a ele. Afinal, entrei para a vida pública pelo incentivo dele, quando eu era secretário de Governo e iniciamos esta nova mentalidade política em Rio Verde, que é a política de resultados, de poder levar os benefícios para a população de modo geral.

“Sou totalmente contra a volta da CPMF”

Deputado Heuler Cruvinel, com a equipe do Jornal Opção e os vereadores de Rio Verde Celso do Clube e Elecir Casagrande, ambos do PSD: “Nossa intenção é manter a base unida” | Foto: Renan Accioly / Jornal Opção

Deputado Heuler Cruvinel, com a equipe do Jornal Opção e os vereadores de Rio Verde Celso do Clube e Elecir Casagrande, ambos do PSD: “Nossa intenção é manter a base unida” | Foto: Renan Accioly / Jornal Opção

Euler de França Belém — Mas apareceu um novo pré-candidato da base do prefeito, que é um grande líder, Lissauer Vieira. Como o sr. avalia isso?
Nós temos de aguardar, primeiramente, a reforma política para definir se haverá a janela para mudança de sigla, pois ele está no mesmo partido que eu. Lissauer iniciou agora sua vida política e nós, eu e a população, estamos esperando os resultados de seu mandato e, quanto aos benefícios que nós viabilizamos, espero que ele consiga fazer isso também. Não é só acabar uma eleição e já começar a querer ser candidato. Nós estamos esperando que isso possa acontecer da parte do deputado Lissauer para avaliá-lo como político.

Euler de França Belém — Há possibilidade de saírem quatro candidatos: Heuler Cruvinel, Lissauer Vieira, Paulo do Vale (PMDB) e Karlos Cabral (PT). Isso não fortaleceria muito Paulo do Vale?
Eu não acredito, até porque ele tem o mesmo alinhamento e os mesmos seguidores que Karlos Cabral. Estaria bem dividido o palanque com quatro candidaturas em Rio Verde para que tivéssemos viabilidade de vencer as eleições. Tenho serviço prestado a Rio Verde, tenho família tradicional na cidade, tenho grandes amizades e bom relacionamento lá. Tenho também grande credibilidade e confiança da população de modo geral para que possamos ter condições de tentar viabilizar uma candidatura e vencer as eleições para implementar em Rio Verde uma gestão revolucionária, de resultados.

Euler de França Belém — O sr. trabalhará para ser o candidato da base do governo?
Sem dúvida. A intenção é de que possamos ter o grupo unido, com a base liderada por Marconi Perillo, juntamente com o líder municipal, o prefeito Juraci, para que tenhamos condições de juntar todos os partidos aliados em Rio Verde. Eu me dispus, desde o primeiro momento, quando o governador me pediu que liderássemos esse projeto de eleição a sucessão municipal em Rio Verde e que tivéssemos como juntar toda essa base. Vejo possibilidade disso e condições para que isso possa acontecer nas eleições de 2016 e essa é minha vontade.

Cezar Santos — Neste momento, ninguém pode se dizer candidato — o sr. mesmo afirmou isso. O sr., então, se coloca como pré-candidato da base em Rio Verde? Isso de forma clara?
Sim, a queremos ter condições de discutir e debater Rio Verde. Depois que eu tiver condições de poder mostrar nosso projeto para a população e para a sociedade de um modo geral, quero colocar meu nome. Como eu disse, não sou candidato de mim mesmo, mas de um grupo, caso esse grupo queira que eu seja o pré-candidato nesse momento. O pior momento de Rio Verde já passou; o prefeito Juraci deu condições para a cidade estivesse hoje em melhores condições do que há alguns anos. Foi importante a administração do prefeito Juraci e nós temos condições de modernizar ainda mais a administração aos níveis atuais.

Euler de França Belém — Um candidato à posição majoritária, sobretudo, tem de ser um agregador, tem de ampliar a base política — o que Marconi sempre fez. Tancredo Neves [presidente eleito em 1985 e morto antes de assumir] falava até que não se ganha uma eleição com os melhores, se ganha uma eleição com todo mundo. O sr., há pouco tempo, teve um problema com o PP. Qual é sua base além do PSD? O PSDB o apoia?
Eu estou na presidência do PSD. Nós temos condições totais de ter o apoio do PSDB em Rio Verde. Tive uma reunião com a presidente do diretório na cidade e o governador já sinalizou para que possamos ser o candidato da base. Ou seja, ele já nos disse que tem condições de nos dar o apoio do PSDB em Rio Verde para a eleição municipal. O PP de Rio Verde também está conosco, já sinalizou isso. Temos vários outros partidos que estão conosco. Nós temos cerca de 12 partidos que compõem a base para encarar as eleições de 2016. Ainda é muito prematuro falar das alianças, pois falta mais de um ano. Nós estamos trabalhando em nosso mandato e conversando sempre com as pessoas. Estamos discutindo Rio Verde, vendo os projetos para cidade para, então, definir um nome consistente para que possamos vencer as eleições. Neste primeiro momento, nosso objetivo é trabalhar em projetos para a cidade.

Euler de França Belém — O sr. quer ser o candidato de Juraci Martins?
Eu quero ser o candidato dele, sim. Se for da vontade do prefeito Juraci, estou à disposição de fazer um trabalho por Rio Verde. Minha intenção política é trabalhar pela cidade para que a cidade possa melhorar, possa se desenvolver. Se eu acrescentar nesse projeto, quero ser instrumento da força popular, da população rio-verdense. Não quero ser candidato de mim mesmo: quero ser candidato de nosso grupo político, que é administrado pelo prefeito Juraci, e da população.

Euler de França Belém — Ele é um prefeito eficiente?
Juraci é um prefeito eficiente, sim. Tanto é que eu disse que ele melhorou cidade nos últimos anos. A administração de Juraci foi revolucionária. Basta você a comparar à Rio Verde de alguns anos atrás.

Cezar Santos — E quanto ao PSD em Goiânia? O sr. vê condições de ter candidatura a prefeito?
Eu sou favorável a mais de uma candidatura da base aliada aqui na capital. É importante, até porque temos condições de provocar um segundo turno e ter nele alguém da base aliada. O PSD tem vários nomes consistentes e com condições de chegar ao segundo turno em Goiânia: Virmondes Cruvinel, Francisco Júnior, Vilmar Rocha, Thiago Peixoto. Nós temos vários nomes consistentes e com condições de ser apoiado pela base aliada. Dentro do propósito de ter mais de uma candidatura dentro da base para poder provocar o segundo turno, é importante o PSD participar e colocar nomes para discutir o projeto de Goiânia para 2016.

Frederico Vitor — Como o sr. analisa a política de terceirização implementada pelo governo estadual? Por exemplo, as organizações sociais (OSs) na saúde, setor em que houve um salto qualitativo muito expressivo. O governo quer, também, expandir esse sistema para a educação. O sr. acredita que o caminho é esse mesmo?
É importante, principalmente nesse momento de crise, em que não temos recursos para investimento, o projeto de terceirização que torna mais eficiente a gestão e que, também, melhora o serviço prestado à população. Isso não deixa dúvidas. Nós temos, hoje, parceria público-privada (PPP) em saneamento básico, na saúde, que deu muito certo, e para educação, por meio de alguns projetos que temos para serem implantados em Goiás. Nós temos várias alternativas de terceirização que podem ser importantes nesse momento de crise que temos passado e, mais ainda, para o poder público.

Frederico Vitor — E quanto à ampliação do Simples para médias empresas? O sr. acredita que a pauta possa passar na Câmara dos Deputados?
Isso é importante também. Eu apoio o Simples, até porque hoje nós temos que partir da premissa que qualquer incentivo para qualquer empresa que seja instalada no País tem que ser valorizado. Até pelo ponto de vista da geração de empregos. Nós temos de diminuir o índice de desemprego, que é crescente. Portanto, qualquer oportunidade de incentivo para que as empresas possam expandir, possam ser criadas e serem instaladas é importante, principalmente neste momento, como Simples para as médias empresas.

Euler de França Belém — O sr. acredita que, mesmo assim, a pauta vai ser aprovada?
Joaquim Levy pode ter errado em algumas medidas que ele já tomou nos últimos meses à frente do Ministério da Fazenda. Principalmente em relação aos incentivos fiscais, um problema dos Estados menores, que não têm nenhum atrativo para trazer novas empresas e novas indústrias para o Estado. Hoje, nós temos de dar incentivos, como foi feito em Goiás nos últimos anos.

Euler de França Belém — Mas o governo federal parou de discutir a questão do ICMS. Por quê? O que aconteceu?
Foi a pedido do ministro Joaquim Levy. Tive oportunidade de ir com o governador Marconi Perillo a Brasília para pedir ao deputado Eduardo Cunha para pautar esse projeto. É muito importante para Goiás o incentivo de ICMS.

Frederico Vitor — Falou-se muito da nova CPMF [Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira]…
Sou totalmente contra, é o imposto mais injusto que eu já vi. A cada dia que se passa, é mais difícil produzir, e quem trabalha, quem produz, é quem tem pagado a conta. A CPMF é um imposto que, depois de todos os tributos que as empresas pagam, depois do líquido que sobra, ainda tem essa tarifa de 0,38% —– proposta agora para sua volta. Sou completamente contra a CPMF, como toda a população brasileira é contra. Lógico que o governo federal quer, pois seriam mais R$ 50 bilhões injetados nos cofres do governo federal. Mas eu sou totalmente contra, é o imposto mais injusto que eu já ouvi falar.

Cezar Santos — A presidente percebeu o desgaste e já recuou.
Justamente. Nós não vamos, a meu ver, ter pautada a volta do CPMF na Câmara Federal, pois é o maior absurdo, além da fragilidade política que Dilma tem passado nesse momento. É um ponto muito impopular.

Euler de França Belém — A obra do aeroporto de Goiânia finalmente será concluída?
Agora, parece que está avançando, que está realmente saindo do papel. Ainda assim, o projeto do aeroporto de Goiânia já é um projeto ultrapassado. Ele foi feito há muitos anos.

Euler de França Belém — Será que vão mudar o projeto outra vez?
Eu acho até pequeno o projeto do aeroporto de Goiânia que está sendo construído. Mas, de toda forma, é mais moderno. Espera-se que tenha, pelo menos, condições de terminar a execução do terminal de passageiros do aeroporto de Goiânia e, também, o incremento da pista, que está sendo construído.

Euler de França Belém — Por que o ramal da Ferrovia Norte-Sul vai para Santa Helena e não para Rio Verde, que é um município de maior produção?
Isso foi definido há alguns anos, mas, de qualquer forma, foi comprada pela prefeitura uma área para ser construída uma plataforma multimodal particular que passasse pela Ferrovia Norte-Sul e também pelo município de Rio Verde. Foi definido em 2010 que fosse feita a plataforma no município de Santa Helena e isso é meritório, não há nenhum problema que Santa Helena tenha sua plataforma multimodal. Rio Verde, também, vai partir para esse projeto, por meio da iniciativa privada. A plataforma seria benéfica para os dois municípios, tanto para Santa Helena como para Rio Verde.

Euler de França Belém — Mas te­rão outros municípios envolvidos?
Terão outros ramais da ferrovia principal, a Norte-Sul, que passará por Santa Helena e Rio Verde. A plataforma multimodal da Valec seria em Santa Helena e a plataforma da iniciativa privada, em Rio Verde.

Euler de França Belém — E como está a construção da ferrovia?
A construção já está executada em Rio Verde, mas ainda está em obras para chegar até Estrela D’Oeste, que é onde termina a primeira fase da Norte-Sul que sai de Anápolis.

Euler de França Belém — Um aeroporto de cargas estaria previsto para Rio Verde?
Um aeroporto de cargas não seria muito funcional para a cidade. Ele é muito útil em Anápolis, porque o volume do que é produzido na cidade é compatível para ser levado em aviões; em Rio Verde, não. A produção da cidade — soja, milho, boi — não é propícia para transporte em avião. Já a ferrovia vai minimizar os custos do frete para os produtores, dando maior lucratividade.

Euler de França Belém — Havia uma reclamação forte em relação às estradas vicinais de Rio Verde. Como está agora?
Rio Verde é o terceiro maior município de Goiás. São 8,5 mil quilômetros quadrados. Temos 9 mil quilômetros de estradas não asfaltadas dentro da cidade, as chamadas estradas vicinais. Estas estão em bom estado de conservação. Agora, as rodovias estaduais foram quase todas recuperadas — as que ligam a cidade a Iporá, a Caiapônia, a Aparecida do Rio Doce e ao distrito de Uruana. Falta apenas a GO-174, que liga Rio Verde a Montividiu e é a rodovia mais movimentada da cidade. Mas ela já tem um projeto finalizado para recuperação e construção das terceiras faixas. Já está licitado e apenas esperando o aporte financeiro que está sendo feito entre o Estado de Goiás e o Banco do Brasil. Tivemos a duplicação da BR-060 e também da BR-452, outra rodovia federal que liga Rio Verde a Itumbiara. Todas estão em ótimo estado de conservação. Então, atualmente, a realidade das rodovias que passam pelo município é muito boa.

Cezar Santos — O município é privilegiado na questão logística.
Sim. Temos várias opções de acesso e saída: ligação para Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, além de bom acesso à capital, com rodovia duplicada. Isso favorece muito os produtores rurais, que têm boa tecnologia em suas propriedades e pedem apenas que o poder público dê boas condições de escoamento da produção. E isso está sendo feito.

Frederico Vitor — Goiás tem uma hidrovia importante que é São Simão, mas que tem enfrentado alguns problemas. Não é essencial investir nisso?
O grande problema da hidrovia de São Simão é a calagem. Não há profundidade o suficiente para comportar a produção de soja da nossa região. Então, teria que ser feito um serviço para dar maior profundidade.

Euler de França Belém — Quem são os cinco maiores produtores de soja da região de Rio Verde?
Hoje, os maiores produtores são os irmãos Cassol — Van­derlei e Marcos Cassol. Mas também há vários grandes produtores, como Pedro da Silveira Leão, Flávio Faedo, Evaristo Baraúna, Antonio Chavaglia, que são produtores no nível de 4 mil ou 5 mil hectares de soja e milho.

Euler de França Belém — A Comigo faz um bom trabalho?
Excelente trabalho. Ela é a maior cooperativa de Goiás e está entre as cinco maiores do País, tendo em torno de 10 mil cooperados. É uma empresa sólida, que já se consolidou como uma das maiores do Estado e uma das que mais paga ICMS.

Euler de França Belém — Muitos se impressionam com a Tecnoshow.
É uma das principais feiras do Brasil. Já fechamos R$ 1 bilhão em negócios e contamos com mais de 600 expositores, 80 mil visitantes e a mais alta tecnologia utilizada no agronegócio do País. É a maior feira do Centro-Oeste e a terceira maior do Brasil, ficando atrás apenas da de Ribeirão Preto — Agrishow — e da cidade de Maringá.

Euler de França Belém — Rio Verde é o maior produtor de soja de Goiás?
O maior PIB do agronegócio brasileiro é de Rio Verde, pela sua produção diversificada.

Euler de França Belém — E a soja é também transgênica?
Não.

Euler de França Belém — O sr. é produtor?
De carne bovina. Sou fazendeiro. Desde a época do bisavô que minha família tem uma atividade agropecuária. Menos meu pai.

Cezar Santos — O sr. é engenheiro agrônomo, certo?
Sim. Agrônomo, formado em Rio Verde. Nasci lá e sempre morei na cidade. Só saí de lá para ficar parte do tempo em Brasília. Toda nossa família é de lá.

Euler de França Belém — O aeroporto da cidade tem uso contínuo?
Tem um voo regular da empresa Azul, diário. Eles usam aeronaves para 70 passageiros. A pista do aeroporto é boa, com 1,8 mil metros. Porém, o aeroporto precisa de um novo terminal, que já está ultrapassado. Uma solução, já que precisa de recursos para fazer um novo, seria fazer uma parceria com a iniciativa privada. Assim, poderia fazer, inclusive, uma nova pista.

Euler de França Belém — Mas, se o sr. for eleito prefeito, não terá um deputado em Brasília para vincular emendas.
Se for eleito prefeito, em 2017 ainda estarei utilizando as emendas que disponibilizei para a cidade. Mas também não tenho a necessidade de ser prefeito. Minha intenção é ajudar. E, sendo deputado federal, isso é mais que ser prefeito. Eu tenho o compromisso e a vontade de realizar e fazer uma administração que possa ser referência.

Euler de França Belém — O ministro Gilberto Kassab, líder maior do PSD, disse que vai levar o prefeito Juraci Martins para Brasília.
Ele fez convite para que o prefeito, depois de terminado o mandato, trabalhe no Ministério das Cidades. Então, ele poderá nos ajudar lá em Brasília.

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