“Torço por Dilma e vou votar nela por conta de sua disposição para o diálogo”

Líder do agronegócio nacional, senadora é a figura mais influente do Tocantins no governo federal e diz que Marina Silva é “radicalíssima em torno dos princípios que cultua”

Fernando Leite/Jornal Opção

Fernando Leite/Jornal Opção

Empresária de grande sucesso, presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e senadora da República. Com essa apresentação, já não seria exagero afirmar que Kátia Abreu é hoje a mulher mais poderosa do Tocantins e uma das mais influentes do Centro-Norte brasileiro. Mas a peemedebista se tornou, também, uma forte aliada da presidente Dilma Rousseff, o que seria algo inimaginável anos atrás.

Na era Lula, Kátia era uma das mais ferrenhas adversárias do governo do PT, considerado um inimigo do agronegócio. Juntamente com o goiano Ronaldo Caiado (DEM), também parlamentar e líder ruralista, ela compunha a tropa de choque que teve embates homéricos com a então ministra do Meio Ambiente Marina Silva, candidata a presidente da República pelo PSB.

Daquela época ficou a impressão da senadora sobre a hoje socialista. “Os produtores rurais em geral têm dificuldades quase insuperáveis com Marina, uma situação que ela mesma construiu”, resume. Mas é mais pela proximidade com Dilma do que pela alta resistência à ex-ministra que ela revela seu voto e sua militância pela reeleição da presidente. Uma das maiores conhecedoras da área logística no Congresso, Kátia Abreu — que nasceu em Goiânia, ressalta que a petista tem sido a grande desencadeadora de projetos para acima do paralelo 16. “Com Dilma, teremos três ferrovias, três rodovias e o começo do desenvolvimento das hidrovias”, aposta.

Euler de França Belém — A candidata Marina Silva (PSB) sempre teve uma posição de confronto com o agronegócio. Mas o vice dela é tido como um homem do agronegócio [deputado federal Beto Albuquerque, do PSB-RS]. E o ex-ministro Roberto Rodrigues, um dos maiores líderes ruralistas, já disse que não considera Marina inimiga do agronegócio. Como a sra., que é presidente da CNA, a maior entidade representativa do agro, avalia essa questão?
Roberto Rodrigues fala isso para ser cortês. Ele é um grande amigo meu e a gente sabe que não é assim. Bem, os produtores rurais em geral, nem digo só o agronegócio, têm dificuldades quase insuperáveis com Marina Silva, uma situação que ela mesma construiu. Quem planta soja não colhe milho, colhe soja mesmo. Marina criticou propositadamente e atacou muito o agronegócio até mesmo para crescer em seu contraponto ambientalista. Ela se utilizou dessa animosidade com os produtores para ficar bem com sua plateia. Marina é muito radical e fez da questão ambiental um dogma. Durante todos esses anos, tivemos muita dificuldade para atualizar a legislação justamente pela força dela no Ministério do Meio Ambiente [Marina foi ministra de 2003 a 2008, no governo Lula].

A presidente Dilma Rousseff (PT) tem crédito comigo por conta do Código Florestal, cuja votação ela apoiou em três anos de mandato, o que outros presidentes não tiveram força ou não quiseram fazer. E é uma questão que, se o presidente da República não quiser, não vota fácil. E se o ministério da área é contra, também não vota. Dilma não só mandou votar o código, como fez uma política de substituição das ONGs [organizações não governamentais] no Mi­nistério do Meio Am­biente para um pessoal técnico, com a Izabella Tei­xeira [bióloga, doutora em Pla­nejamento Am­bi­ental, funcionária do Ibama desde 1985]. O ministério era muito mais militante de uma causa, enquanto ministérios têm de ser republicanos, têm de de­fender o Brasil e não alguns brasileiros.

Faço uma observação: se o Ministério da Agricultura fizesse tudo que os produtores rurais quisessem, certamente gostaríamos de ampliar as áreas de produção, mas ele não pode permitir isso. Tudo tem de ter dois pesos e duas medidas. O fato é que nós resgatamos o Ministério do Meio Ambiente, que voltou a ser republicano, tanto que hoje eu tenho muito mais proximidade com a ministra Izabella do que com o próprio ministro da A­gricultura [Neri Geller, do PMDB-RS]. Isso era inimaginável antes, eu nem podia entrar no espaço físico do Ministério do Meio Ambiente. Marina Silva utilizou-se dessa animosidade e está sofrendo as consequências. Isso não quer dizer que o agronegócio vai eleger ou derrotar alguém. Mas temos uma predisposição negativa com ela.

Euler de França Belém — Marina Silva não tenderia a cair na realidade se ela ganhar a eleição, como aconteceu com Lula?
Não posso trabalhar sob hipótese. A Marina que conheço é essa, do mundo real. Para comparar, nun­ca tive medo ou dúvida sobre a presidente Dilma, apesar de que era contra o PT e então votei contra a presidente naquele ano por conta do PT, isso é natural de qualquer eleitor. Marina não é só o discurso, ela é convicção, radicalíssima em torno do tema meio ambiente.

Cezar Santos — Na candidatura de Marina à Presidência, em 2010, essa radicalidade não foi amenizada?
A candidatura dela à Pre­si­dência não era inviável, ela teve um de­sempenho muito satisfatório [cerca de 20 milhões de votos], mas não conseguiu explicar ao a­gronegócio o que é agricultura sustentável. Ela não conseguiu ser cla­ra sobre isso. Ou seja, ela já teve uma oportunidade e vai ter outra. As pessoas amadurecem, mas na convivência que tenho com ela há mais de dez anos, acho muito difícil que ela reverta esses princípios que ela cultua.

Cezar Santos — A sra. apoia a reeleição da presidente Dilma Rousseff, mas o País patina no crescimento econômico, com o PIB (Produto Interno Bruto) tendo aumento pífio, a inflação cresce, os escândalos de corrupção se sucedem a cada dia. A sra. se sente confortável apoiando uma candidata nessa condição?
Com relação ao crescimento, estamos assistindo uma crise no mundo inteiro, não só no Brasil. Não atribuo à presidente Dilma um PIB. Um governo não é um PIB, um PIB não é um governo. Com relação à inflação, no último ano de Fernando Henrique, a inflação era de 13% ao ano, hoje são 6,5%. As duas são ruins, toda in­flação é desastrosa. Com relação à corrupção, não percebo em Dilma, enquanto cidadã e presidente da República, nenhum ato de corrupção. Estou muito indignada com a corrupção sistêmica no Brasil inteiro, a começar das prefeituras até a União. É algo sistêmico, não é de um grupo. Hoje é difícil encontrar políticos que não queiram tirar vantagens pessoais. Isso cresceu de tal maneira que não sei o que fazer para melhorar isso.

Não vejo em Dilma uma mu­lher corrupta. Vejo muito mais de­núncias e dificuldades apontadas que são do governo anterior. A Pe­tro­brás, que talvez seja o ponto mais crítico sobre corrupção, a­pontado na CPI, foi no governo passado. O mensalão foi no governo passado e está todo mundo preso. Não digo que não tenha ou poderá ter no governo Dilma alguém praticando atos de improbidade e corrupção, mas eu não vejo que ela apoie qualquer coisa nesse sentido.

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Cezar Santos — A sra. não vê problemas mesmo quando a presidente Dilma demite ministros envolvidos em graves denúncias e entrega o cargo ao mesmo grupo de influência do demitido?
Ela não readmitiu envolvidos, readmitiu seus partidos. Por exemplo, Alfredo Nascimento [PR-AM, deixou o cargo após denúncias sobre um suposto esquema de superfaturamento em obras] não foi readmitido. César Borges [PR-BA, substituído no Ministério dos Transportes por acerto de seu partido para apoiar a reeleição de Dilma] é um homem da maior categoria que o País tem, meu amigo pessoal, senador, foi um dos melhores governadores da Bahia. É acima de qualquer suspeita, não é corrupto, muito menos Paulo César [Passos, o substituto nos Transportes]. (enfática)

Euler de França Belém — Apesar de César Borges ter todos esses predicados que a sra. cita, ele foi afastado por pressão do próprio partido, para que se colocasse alguém mais manejável.
Não, Paulo César Passos não foi colocado por ser manejável. Conheço muito os dois, como dediquei muito do meu mandato à questão da logística, tenho uma relação com os ministros dos Transportes. Foi uma briga pessoal do PR com o César Borges, que disse que poderia ser qualquer um, menos ele, por conta de uma animosidade com deputados. Aí Dilma voltou o ex-ministro Passos, que era da cota pessoal dela. Carlos Lupi [então no Ministério do Trabalho, foi o sétimo ministro a cair nos 12 primeiros meses do governo Dilma, o sexto por denúncias de irregularidades] não voltou ao ministério.

Euler de França Belém — Estudo recente mostra que a capacidade dos portos estará esgotada em 2015. O governo Dilma não errou muito nessa questão?
Não vai ser em 2015: os portos já estão esgotados. O agronegócio cresceu muito, e no governo Lula havia um decreto que impedia a iniciativa privada de construir portos, mas derrubamos isso no governo Dilma, aliás, uma bandeira minha no Senado. Dilma abriu os portos e já temos 23 licenciados e mais 20 caminhando para isso. Mas demoram-se dois anos no mínimo para começar a construção de um porto. Tivemos um atraso de oito anos nessa questão, já que a lei, muito boa, foi feita por Fernando Henrique Cardoso, mas o decreto de Lula alterou e privilegiou o cartel do porto de Santos, o grande adversário dessa abertura dos portos. Lembro-me de que de­fendi praticamente sozinha a bandeira da MP dos portos no Se­na­do. Então temos hoje uma ótima pers­pectiva, mas ainda numa situação de risco porque isso leva tem­po, com licença do porto, licença ambiental e só depois a obra.

Cezar Santos — E como está a questão dos armazéns, outro grave gargalo para os produtores?
Isso está um pouco mais adiantado, porque é mais simples. Entre a lavoura e o navio, não tínhamos nem armazém nem portos, o caminhão virou armazém, o que congestionou a logística do País inteiro. Sempre houve financiamento para armazéns, mas o pessoal não pegava o recurso, porque o juro tem de ser baixo e com carência razoável, já que armazenagem só se paga em longo prazo. A CNA apresentou à presidente Dilma um plano de negócios para financiar armazéns. Hoje são 15 anos de prazo, 3 anos de carência, juro de 4,5% ao ano. Nessas condições fo­ram financiados quase R$ 4 bi­lhões e tem mais R$ 3 bilhões à dis­posição neste Plano Safra. Também não é um passo de mágica, isso demora um ano ou mais. E um porto, para funcionar, são de três a quatro anos, na melhor das hipóteses.

Elder Dias — Esse prazo conta a partir de quando?
De uns dois anos atrás. Os armazéns foram no Plano Safra do ano passado. A MP dos Portos aprovamos em 2012.

Cezar Santos — Qual foi o grande investimento em porto no governo Dilma?
Acompanho portos e armazenagem 24 horas por conta do meu setor. Tive uma relação excelente com Gleisi Hoffmann [ex-ministra-chefe da Casa Civil], tínhamos uma afinidade muito grande em relação à logística. Os recursos liberados pelo PAC 2, para reforma principalmente do porto de Santos e do porto de Paranaguá, os dois processos estão no Tribunal de Contas da União (TCU), cuja relatora é a mãe de Eduardo Campos. Não consegui dizer por que o governo não a acusou de suspeição. Não era possível uma ministra do TCU criar tantos problemas para a reforma dos portos. Nós temos portos privados e públicos para poder deslanchar. Os recursos do PAC até hoje estão nas mãos dela.

Cezar Santos — Mas o porto de Mariel, em Cuba, foi feito rapidinho.
Porque lá não precisa ter licença ambiental, lá é uma ditadura. Dizem que essas são as vantagens de uma ditadura, não pedir autorização para ninguém, como é na China também.

Cezar Santos — A sra. concorda com a construção deste porto em Cuba, quando há déficit de porto no Brasil?
Eu concordo desde que seja um investimento que dê retorno. Todos os bancos do mundo financiam empreendimentos fora de seus países. Hoje temos cerca de US$ 40 bilhões de investimentos vindos da China à disposição dos empreendimentos brasileiros. Se o BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social] está financiando um porto no Uruguai, ou na China, ou em qualquer outro lugar, como Cuba, é preciso ser fiscalizada a transparência deste empréstimo. Eu não concordo nem discordo, só acho que é um financiamento como outro qualquer, que deverão pagar com condições boas para o banco. Nós do Senado fomos atrás, para saber o quanto isso significava em detrimento do Brasil. Hoje em trono de 12% dos recursos do BNDES financiam obras no exterior, o que é um índice razoável.

Cezar Santos — O Congresso nem pode ter acesso a essas informações? Há uma determinação do governo federal vedando esses esclarecimentos.
Mas, se quisermos os números do BNDES via Senado, eles são obrigados a encaminhar. Eles não repassam essas informações tão facilmente para jornais e demais veículos de imprensa.

Cezar Santos — Nenhum senador se interessou?
Nós pedimos. Foi nesta oportunidade que descobrimos que os 12% eram de investimentos no exterior.

Euler de França Belém — E a Ferrovia Norte-Sul que beneficia Goiás e Tocantins, como está a situação dela hoje?
Está pronta para ser utilizada. O grande problema dela é por conta da falta de planejamento dos governos.

Cezar Santos — Ela já está operando no Tocantins?
Sim.

 

“O País ficou 8 anos sem investimento”

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Euler de França Belém — Ela opera em que trecho hoje?
De Anápolis até Itaqui, no Maranhão. A grande dificuldade de aproveitamento é com as plataformas, para que possamos fazer os condomínios industriais. Temos de desapropriar áreas ou chamar os donos da área para serem parceiros. Eu consegui colocar essa ideia para Siqueira Campos [PSDB, ex-governador do Tocantins] fazer um condomínio desses em Palmas, mas graças a Deus, o governo não deu conta e a iniciativa privada está fazendo — esta é sempre mais ágil —, um fundo americano com parceiros portugueses e brasileiros. Eles compraram toda a área e estão construindo um condomínio industrial nas costas da plataforma. Nós vamos povoar isso, porque essa ferrovia custou muito caro para o Brasil. Temos de utilizá-la o máximo possível. Em Palmas nós estamos com a ajuda da iniciativa privada. Em Gurupi, a mesma coisa. A prefeitura local está desapropriando e chamando parceiros. Acredito que Colinas (TO) vai ser o trecho mais movimentado desta ferrovia, creio que seja que logo ela vai se tornar uma Anápolis.

Elder Dias — Em termos do escoamento da produção, quanto de evolução a sra. viu depois da inauguração da Ferrovia Norte-Sul? E o que tem para melhorar?
Acho que precisa melhorar 90%. Nós conseguimos mudar neste governo Dilma o marco regulatório das ferrovias. Por exemplo, se eu faço uma ferrovia ela é minha, correto? Só que se esqueceram do direito de passagem. Se alguém for passar por minha ferrovia, esse alguém terá de pagar, e este preço será o de mercado. Mas sou obrigada a ceder o direito para terceiros passarem. Isso é um avanço muito grande, que deve constar em todos os editais. Deve ter dono e concessionária, mas as pessoas precisam ter o direito de passar. O direito de passagem é uma empresa ter seu próprio trem, seu próprio vagão e poder passar em qualquer ferrovia.

Frederico Vitor — Hoje já é mais barato escoar a produção por meio do transporte ferroviário do que o rodoviário?
Hoje não está. A regulação não está adequada, essa mudança que fizemos na lei ainda não foi incorporada efetivamente na prática. Como ainda não regulação do direito de passagem e ninguém ainda tem vagões, o transporte rodoviário é mais barato. Não há vantagem para o consumidor. Nós tivemos concessões no governo de Fer­nando Henrique Cardoso, que foi na área de telefonia, energia, comunicações, o que foi fantástico para o País. Depois tivemos oito anos do presidente Lula onde as concessões foram paralisadas. Agora, no governo Dilma, está voltando de novo a cultura das concessões. A partir de agora isso nunca mais vai retroagir. Pela ausência de recursos suficientes para fazer a infraestrutura e os investimentos que o Brasil precisa, temos de contar com a iniciativa privada. O Brasil não está crescendo, mas dou um desconto, porque aqui não há a cultura de projetos em infraestrutura. Em países desenvolvidos, um governante está sempre fazendo um projeto para o outro governante executar. Há uma corrente positiva de construção e investimentos. Nós ficamos oito anos sem nenhum projeto. Esse governo está tendo de jogar no gol, na defesa, no meio de campo e no ataque. Foi criada a EPL [Empresa de Planejamento e Logística S.A.], uma empresa brasileira de logística, aí veio o ministro Cesar Borges e Paulo César Passos, que ajudaram demais para encontrar o meio para suprir a falta de projetos, que foi o RDC [Regime Diferenciado de Contratações]. É uma forma de licitações onde as empresas já fazem o pré-projeto e terminam o projeto executivo até o final da obra. Sou relatora da mudança da Lei de Licitações, que deverá ser votada no próximo esforço concentrado e, para minha surpresa, o TCU é a favor do RDC.

Mesmo o governo conseguindo trazer alternativas, está tudo ainda muito atrasado. Ainda não há uma modelagem para ferrovia entre setor privado e governo. A primeira modelagem foi horrorosa, os empresários não quiseram participar das concessões. Governo, quando vai concessionar, pergunta aos empresários: vocês vão entrar, tem interesse? Da forma como estava, ninguém se interessa. Isso levou mais de um ano e meio de discussão e participei de todas para que ficasse atrativa para a iniciativa privada. Conversei com as cinco maiores empreiteiras do País e agora estamos próximos de fechar o edital, mas demorou muito. Existe dentro dos governos, digo de todos, desde Fernando Henrique e Lula, pessoas muito contrárias às concessões. Aquela coisa de privatizar o que é público, como se isso tivesse algum dono, ou se fosse do governo. Essa cultura que existe em todo o mundo desenvolvido das concessões é bastante natural, mas sobre a qual no Brasil ainda há um preconceito horroroso. Superar isso não foi fácil. Conseguiram concessionar para nós, do agronegócio, algumas rodovias importantes como a BR-164, a Cuiabá-Santarém. A presidente pediu para informá-la qual era a rota do agro, e a CNA a informou. Foi uma interlocução maravilhosa no qual a mostramos qual é esse novo Brasil da logística do qual precisamos. Tivemos um bom avanço na MP dos Portos e nos aeroportos as concessões funcionaram bem.

Minha missão é melhorar as concessões nas ferrovias. E também estamos conversando muito sobre portos e hidrovias, um assunto por que sou apaixonada. E a presidente me prometeu que, se ela se reeleger, este próximo mandato será o das hidrovias. Antes de todos falarem sobre hidrovias, nós implantamos a primeira, que é a do Rio Tocantins. Dilma lançou o edital, no PAC 2, para o derrocamento do Pedral do Lourenço, que fica em Marabá (PA). A presidente Dilma teve a delicadeza de me convidar para participar do ato. Será uma hidrovia de 1,5 mil quilômetros, obra de qual Marcelo Miranda está falando em todos seus discursos. É a mesma distância de Lisboa a Paris. Tem esse Pedral do Lourenço, de 40 quilômetros, o principal obstáculo à hidrovia do Tocantins. Há também outros dois obstáculos: a Hidrelétrica de Estreito (MA) e a Hidrelétrica Luís Eduardo Magalhães, em Palmas, onde é preciso fazer duas eclusas. Mas, somente com a superação do Pedral do Lourenço, será possível, usando a Ferrovia Norte-Sul, chegar até Praia Norte (TO), onde estamos construindo um ecoporto, cuja licença dos portos foi obtida há 120 dias. É um ecoporto totalmente privado, mas que o cidadão é o dono. Lá dentro faremos os condomínios das empresas que prestarão serviços. Tenho a palavra da presidente Dilma de que ali será feito uma ZPE [zona de processamento de exportação], uma Manaus ao contrário. Em Manaus se produz sem imposto para concorrer com o empresário do Brasil; lá será de acordo com o princípio chinês, de produzir sem imposto para vender para fora. Se algo for produzido para ser vendido no Brasil, terá de ser com a carga tributária igual. Queremos fazer 4 ZPEs, uma em Praia Norte e outras três marítimas. Tudo isso ligado ao agronegócio.

Teremos de mudar a lei para concessionar as hidrovias, já que, por incrível que pareça, o Brasil não tem concessão de hidrovias — para ter ideia, o Rio Mississippi [no sul dos Estados Unidos] é todo concessionado. Estamos preparando um projeto de lei para que, então, possamos cobrar das tradings [grandes empresas com diversos tipos de produtos para venda ao governo, outras empresas ou governos], isso não será cobrado do pescador artesanal ou do turismo. Isso foi obra de R$ 600 milhões. Outro trecho, que está tendo sua formatação concluída — com a ajuda de César Borges e de Paulo César Passos — no Ministério dos Transportes —, é a construção das duas eclusas, com a concessão para administrar as duas passagens. A hidrovia do Tocantins será um modelo para outras hidrovias do País, como Teles Pires–Tapajós, Madeira e outras no Sul do Brasil.
Nosso Estado será outro, muito melhor, com a ferrovia, com essa hidrovia de 1,5 mil quilômetros e, também, com a duplicação da BR-153 de Anápolis até Aliança do Tocantins. Esta é uma obra para cinco anos, cujo edital já foi para a Empreiteira Galvão.

conexao.qxdEuler de França Belém — Os trabalhos começam agora, em setembro?
Sim, não tem erro, em setembro. De Aliança até Paraíso vamos duplicar com dinheiro público, porque a tarifa nesse trecho ficou alta e a presidente não aceitou, o que gerou muita frustração na população. Com o dinheiro do PAC a presidente vai duplicar. O trecho da BR-153 até Palmas foi doado para a União, já que do lado direito da capital está a plataforma da ferrovia.

Euler de França Belém — A duplicação da BR-153 tem uma urgência para evitar as mortes. Para se ter ideia, somente Porangatu já perdeu cinco vereadores na rodovia.
Eu fico torcendo para a presidente Dilma para implementar essas obras tão importantes. Gosto dela por seu jeito de agir. Nunca votei no PT e discordo de muitas coisas, mas vou votar em Dilma.

Euler de França Belém — A sra. nunca voltou e agora vai votar?
Vou votar na pessoa dela. Em que pesem minhas críticas a vários segmentos do PT, não são todos radicais: Gleisi Hoffmann é petista, Paulo Bernardo é petista, além de outras pessoas, pensam totalmente diferente. Não podemos estabelecer um preconceito e achar que todas as pessoas pensam iguais. Em minha área, também tenho radicais e conservadores — assim como Marina Silva é um contraponto da radicalização de um lado, eu também tenho radicais do lado de cá.

Torço por Dilma por conta de sua disposição para o diálogo. Há coisas atrasadas, não é o melhor dos mundos e no Brasil ainda há tudo por fazer. Mas pelo menos encontrei nela uma pessoa para ter a sensibilidade de me dizer “me dá a segunda etapa, me dá o outro mapa, do que o seu povo precisa”. Isso nunca tinha acontecido conosco. Eu já fiz esse mapa e já a entreguei. Já tinha feito um primeiro estudo, do qual ela fala em todos os discursos, citando o paralelo 16. Esse paralelo coloca, acima dele, os Estados de Mato Grosso, Goiás, Bahia e todo o Norte e Nordeste. Nesse pedaço do Brasil, já são produzidos 56% de toda a soja e todo o milho do País. Só que 86% dessa produção desce [para os portos do Sul] e só 14% sai pelo Norte-Nordeste.

Euler de França Belém — E Dilma ouve seus argumentos?
Com riqueza de detalhes e anota tudo. Eu me pareço muito com ela nesse sentido. Ela é muito rápida, ligeira, para fazer as coisas em que acredita. Tem um detalhe: ela questiona demais e é preciso dar conta de sustentar a ideia com ela, porque ela põe a pessoa do avesso. Tenho sempre de me preparar muito para falar com ela.

Minha tese com Dilma é a de executar três ferrovias, três hidrovias e três rodovias desse eixo acima do paralelo 16. O grande problema do Nordeste brasileiro não é a seca, mas, sim, não ter comida. Nós não temos nenhum transporte das áreas de produção para o Nordeste, todo o milho da seca brava do ano passado veio do Uruguai, acreditam? É mais barato do que vir do Rio Grande do Sul pelo mar. Temos a pior cabotagem do mundo, é mais fácil um caminhão fazer o trecho com um valor mais barato do que um navio. É inadmissível.

Uma das estradas que coloquei é a BR-242, que liga Mato Grosso, passando pela Ilha do Bananal (TO), até Luís Eduardo Magalhães (BA). Nesta cidade, tem uma rodovia, que é a BR-020, que tem 500 quilômetros sem asfalto, e que passa por dentro da Bahia e do Piauí, até o Ceará. Esse é um exemplo do que estou dando para dizer que milho não pode mais vir do Sul tem de vir de um lugar mais próximo, pois temos como fazer isso para distribuir no Nordeste. Coloquei essa obra no PAC 3, porque temos calcário para dar ao povo de Mato Grosso e eles têm produtos de alimentos para ir embora pela hidrovia e pela ferrovia também. Outra obra é uma rodovia que liga o sul do Piauí até Pedro Afonso (TO) e outra, a BR-010 para alcançar o sul do Maranhão. Tudo isso para dizer que vejo em Dilma alguém que nos ouve.

Com ela, conseguimos avançar no Código Florestal. Ficou perfeito? Não, não ficou, mas não tem jeito de ficar perfeito na democracia. Só Marina Silva que repete “foi retrocesso, foi retrocesso!”. Peço a ela para me dizer onde foi o retrocesso e ela se recusa, não dialoga. Ela ficou à margem do Código Florestal para manter o status de “sou contra”, não sentou em sequer uma mesa de negociação. Se a votação do Código não agradou 100%, pelo menos agradou 80%. Como cidadão fiquei satisfeita, porque quebrou um paradigma, porque saiu do impasse.

Voto em Dilma pelo Código Florestal, como também pela MP dos Portos e pelo estancamento da reforma agrária. Ela é criticada por Stédile [João Pedro Stédile, líder do MST] todos os dias por não ter ampliado o número de assentamentos, optando por dar qualidade aos já existentes.

Cezar Santos — Dilma assentou menos famílias do que Lula e Fernando Henrique Cardoso.
Isso não pode ser uma gincana. Ou, se for, precisa ser uma gincana de qualidade e não de quantidade. E Dilma optou pela qualidade, tanto que Stédile bate nela todos os dias, estando ela correta. Se tomar as unidades de conservação, fizemos um acordo com a ministra Izabella Teixeira e com o Instituto Chico Mendes, de não abrir mais nenhuma unidade de conservação sem orçamento. Ali tem gente que é dona, como fazem um decreto de desapropriação sem dar indenização, para o cidadão nunca mais poder produzir e nunca mais poder financiar? Não pode nada e ainda não é indenizado, que país seria este? Não teve novas unidades de conservação, porque não teve orçamento, bem como não faz um ano e quatro meses que não se publica uma portaria sobre terras indígenas.

Justamente por isso estão havendo invasões. Elas foram acirradas em Mato Grosso do Sul porque não teve portaria. Mas enquanto não ordenar essa questão das terras, ver quem é dono, quem tem título, quem será prejudicado etc., não pode andar. É preciso respeitar os documentos, tem gente com cem anos de propriedade e não vai ser indenizado? Ora, se o Estado brasileiro não tiver palavra e fé pública, quem terá? O modelo de escolher terras indígenas é de 1996, esse decreto, da gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso. Por que não deu problema antes? Porque naquele tempo a Funai só queria áreas da Amazônia, onde não tinha produção. Quando a Funai começou a “descer” com esse mesmo decreto para o Sul do País, onde há os grandes polos de produção, o mundo acabou e caiu tudo no colo da presidente.

Uma observação: o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, poderia ter uma atuação mais incisiva, está sendo leniente, está protelando. Ele é uma pessoa séria, correta, não é corrupto, foi deputado comigo, mas precisava fazer mais.

Euler de França Belém — O que a sra. acha da chamada “política dos campeões” do BNDES?
Sou radicalmente contra. O mercado não pode ser forçado, as empresas têm de crescer naturalmente, por sua competência e competitividade. Tenho medo do crescimento artificial. A JBS acha que tenho implicância com o grupo, me tem como arqui-inimiga. Estão redondamente enganados, não tenho arqui-inimigos. Não tenho nada contra as empresas do Brasil, mas, sim, contra a prática do capitalismo predatório. Tem gente que é contra o capitalismo, eu sou contra quem desvirtua o capitalismo. Fazemos uma vigilância 24 horas sobre a JBS.

Euler de França Belém — A sra. mantém as críticas que fez à JBS?
Mantenho. Eles fazem uma ação mercadológica muito nociva e predatória. A competição é saudável e é o que faz as empresas crescerem. Do jeito que eles fazem, destroem.

Euler de França Belém — O que eles fazem, exatamente?
Eles procuram o monopólio todos os dias. Chegam a comprar empresas simplesmente para fechá-las. Não podem mais fazer exa­tamente isso porque o Cade [Conselho Administrativo de Defesa Econômica] proibiu. Mas, segundo informações que obtive, eles estão montando outras empresas e fazendo essas compras no paralelo. Quando eu voltar da campanha, este será um assunto sobre o qual vou me debruçar com o Cade. As denúncias que tenho recebido dizem que eles estão desobedecendo a determinação do Cade. Não sei se é verdade, mas vou apurar.

Elder Dias — Para encerrar a questão da logística, como fica a questão da água no Nordeste? O andamento da transposição do Rio São Francisco parece que não ficará pronta nunca. Há alguma previsão?
A obra deve ficar pronta até o fim do próximo ano, em seus principais canais. É bom explicar que existem vários Nordestes: o Ceará, por exemplo, fez seu dever de casa. A Bahia, se a dividirmos ao meio, veremos que metade fez sua parte e a outra metade, não. Nesta, morreu todo o gado, virou terra arrasada. O Rio Grande do Norte e a Paraíba também fizeram algo positivo, mas o primeiríssimo lugar foi do Ceará.

A presidente Dilma nos atendeu no Nordeste para resolvermos um passivo e começarmos uma vida nova. Criou-se, por meio do Senar [Serviço Nacional de Apren­dizagem Rural], um programa para aprender a conviver com a seca, com orientações técnicas aos produtores para, por exemplo, deixar de plantar milho — porque isso não dá para o Nordeste, é preciso entender. Estamos com empresas, com a Embrapa, tudo em um pacote tecnológico, fazendo extensão rural com o Pronatec [Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego]. Nós estamos formando 2 mil técnicos no Nordeste, com o dinheiro do Pronatec, que não era para isso. No restante do Brasil, são 8 mil. Mas nós faremos mais que isso.

Elder Dias — Em relação à questão do fornecimento de água potável, a água de consumo da população brasileira, tivemos o drama vivido por São Paulo neste ano, com o reservatório Cantareira. Isso foi um sinal ou um acidente?
Isso foi um acidente. Um acidente, ninguém faz isso por maldade, faz por omissão.

Elder Dias — Omissão do governo de São Paulo?
O governo de São Paulo, principalmente. Mas tirar a culpa do governo federal nós não podemos, porque eles poderiam atuar com a agência reguladora, com todos os instrumentos que têm, terem jogado mais pesado em relação ao racionamento. Ficou naquela coisa de pensar em advertir e alguém então dizer que era implicância e, depois, se a água não faltasse, teria sido perseguição do PT contra o PSDB. Eu penso que houve um constrangimento político que impediu que o governo federal agisse. Ele poderia ter tido uma ação técnica mais forte, mas essa questão política o paralisou, pois, se essa água não falta, se a chuva fosse suficiente? Iriam dizer que a culpa seria do governo federal que seria culpado por fazer o povo sofrer sem motivos. Portanto, para mim, houve omissão dos dois governos.

“Marcelo Miranda é a melhor opção”

Senadora Kátia Abreu: “Hoje, nada funciona no Tocantins. Não tem combustível para viatura da polícia”

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Euler de França Belém — Como foi construído o projeto Rio Formoso [conhecido como o maior projeto de arroz irrigado em área contínua do mundo], na época de Ary Valadão?
Não tinha Ministério Público para embargar, nem licença ambiental tão complicada, então era mais fácil projetos assim. (risos)

Euler de França Belém — E como é hoje? O projeto funciona?
Produz-se muito bem, mas o projeto precisa urgentemente de uma revitalização. Com as chuvas, os canais vão assoreando, pois vai caindo terra nos canais. De quando em quando, é preciso limpar esses canais para melhorar a produtividade. Lá teve uma licitação horrorosa, fraudulenta e com superfaturamento. Um problema seriíssimo, mas nós estamos trabalhando duro para superar essa situação. Até já temos dinheiro, falta a questão jurídica.

Cezar Santos — Sobre o quadro político local do Tocantins: é um Estado que ainda se pode considerar atrasado em termos econômicos. Como mudar essa realidade?
Se não fosse o agronegócio no Tocantins, hoje, nós estaríamos em uma situação pior do que a que estamos hoje. Se juntarmos as obras do governo federal e o agronegócio, te­mos o que deu alento. A Norte-Sul gerou muito emprego, toda essa questão das casas, apesar dos poucos projetos via programa Minha Casa Minha Vida. O agronegócio tem crescido muito no Estado, naturalmente, apesar do governo estadual.

Com esses três modais funcionando, nós não temos mais nenhuma desculpa para não industrializar o Tocantins. Não adianta forçar a barra com o empresário, não adianta falar que ele precisa ir para o Tocantins de qualquer jeito. Ele tem de olhar para o mapa e sentir que existem saídas viáveis. Goiás é um Estado modelo para o Brasil, exemplo de produtividade, de industrialização. Agora, é normal o crescimento do Sul para o Norte. Ninguém pula Goiás e diz “vou desenvolver o Pará”. O desenvolvimento vai subindo. O Matopiba [sigla para Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia] é a bola da vez. Para mim, essa é uma das maiores fronteiras agrícolas do mundo. Querendo ou não, ali vai se desenvolver, precisamos apenas ficar de olho para ajudar a ordenar. No Bico do Papagaio são 25 cidades. O porto de Praia Norte, uma cidade com 10 mil habitantes, se deixar por si só, aquilo vai se tornar uma favela. A ideia, com o Sebrae, é fazer um plano diretor dessas 25 cidades. Queremos distribuir os equipamentos. Apresentaremos uma planilha: onde será o aeroporto de cargas, Já tem um em Araguatins, então vamos reforçar? Destinaremos a saúde para qual cidade? Augustinópolis é a cidade mais central, portanto, manteremos isso aqui? Onde pensaremos a parte hoteleira, um centro de convenções? Um grande centro de qualificação profissional, onde faremos isso? Com esse plano diretor, propomos dividir os benefícios e tentar fazer os polos. Terá um grande desenvolvimento no Estado.

Euler de França Belém — A sra. apoiou Siqueira Campos (PSDB) a governador e agora está apoiando Marcelo Miranda, de seu partido. Por que essa mudança?
Porque com Siqueira eu tinha a ilusão de que ele faria o melhor governo da vida dele. Nós tivemos muita sorte no Tocantins: tivemos Siqueira por oito anos [de 1989 a 1991 e de 1995 a 2002], tivemos Moisés Avelino (PMDB) por quatro anos [1991 a 1994], tivemos Marcelo por sete [2003 a 2009]. Três governantes do nosso Estado foram bons. Siqueira foi excepcional, porém, nos últimos quatro anos, terceirizou o governo para o filho [Eduardo Siqueira Campos, do PSDB] e o filho não é ele. A maior prova é que o filho não se viabilizou e teve de se candidatar como deputado estadual, cargo em que é preciso um número menor de votos para se eleger, para não ficar sem mandato. O filho não tem capacidade administrativa, não é zeloso com o que é público, não trabalha, não se dedica ao trabalho, à administração. Marcelo saiu e Gaguim [Carlos Gaguim, do PMDB] entrou para uma campanha; depois, Siqueira entrou e começou uma campanha para o filho; não deu certo, ele e seu vice renunciaram e elegeram Sandoval Cardoso (SD); e o que este fez? Campanha. Os senhores acham que um Estado aguenta quatro anos seguidos de campanha eleitoral? Dinheiro não aguenta desaforo. Temos um Estado pobre. Se nós unirmos a incapacidade de Eduardo Siqueira Cam­pos em administrar, a falha do pai em ter dado ao filho essa administração e quatro anos de campanha eleitoral, não tem Estado que sobreviva. A saúde no Tocantins está na UTI, que é lugar de doente em estado grave. Infelizmente, estamos no noticiário nacional como fato negativo na saúde.

Euler de França Belém — Mas por que, exatamente, o Marcelo? O que ele significa?
Eu não vejo melhor alternativa. Desses bons governantes, ele é o que está disponível para nós e o que mais fez um bom trabalho. No processo da cassação apoiei Marcelo, ficamos com ele até o fim, enquanto ele não saiu do Palácio Araguaia [sede do governo estadual], meu partido de então, o Democratas (DEM), não o deixou. Nós ficamos com ele até o fim, no apagar das luzes.

Euler de França Belém — E a decisão da Justiça?
Eu não gosto de discutir decisão judicial. Eu só deixo um questionamento, pois tenho pensando muito sobre ele: Marcelo fez 40 mil casas e deu 80 mil óculos. Qual a diferença entre 40 mil casas e 80 mil óculos? Por que essa diferença? Dizem, “ah, casa é diferente”. Diferente em quê? Não seria compra de voto, também?

Euler de França Belém — O detalhe é que não teve ilegalidade alguma.
É o que eu estou dizendo: se se pode dar 40 mil casas, por que não dar 80 mil óculos? E era um programa que nunca tinha sido feito no Estado. Hoje, é como aparelho dentário. Qualquer pessoa que for ao dentista, sai de lá com aparelho. Isso é uma tendência para melhorar a saúde bucal, muito importante para a saúde humana. Agora, óculos? Se você pegar a idade média no Tocantins, ao completar 40 anos, as coisas vão se degradando (em termos de saúde). Tem gente até hoje com esses óculos. Entenderam que isso influenciou, alterou a eleição? Tudo bem, eu repito que não discutirei a decisão final judicial. Está decidido? Está decidido. Mas cumpriram-se os oito anos de cassação, certo? Então, a oposição querer que o Marcelo fique eternamente inelegível é uma hipocrisia e uma desonestidade com a população do Tocantins. Ele não teve uma condenação perpétua. Os oito anos vencem agora. Ele não tem outra condenação, e a condenação que ele tem, termina no dia 1° de outubro de 2014. Assim decidiu o TSE sobre todos os candidatos do Brasil, mas nossos adversários, por não terem voto, insistem em uma insegurança política que não é verdadeira. Marcelo é elegível. Eu, como senadora do Tocantins, jamais seria irresponsável em insistir em uma farsa. Jamais.

Ruy Bucar — A sra. acaba de voltar de Bico do Papagaio onde a coligação da sra. praticamente foi carregada, como um arrastão. A sra. percebe o Bico do Papagaio como um termômetro do que está acontecendo nesta campanha? Ou seja, a campanha de Marcelo está nos braços do povo?
Eu sinto uma vontade muito forte de mudança do status quo. Não é nem “o novo”, uma figura nova. É uma figura que apresente fatos novos, que apresente uma capacidade administrativa. Nem sempre o novo é um nome novo. Iris Rezende (PMDB) pode ser o novo, com ideias novas. As ideias vão se reciclando. As pessoas vão ficando mais preparadas, mais amadurecidas. As pessoas têm saudade do Marcelo. Ele foi um governador muito querido, ele é uma pessoa muito humana, muito cordato, muito calmo, uma pessoa democrática. Ele é uma pessoa de quem os outros gostam. Eu já sou mais esparolada, falo de um jeito mais bravo. Ele é incapaz de dar uma palavra assim, sempre muito meigo com as pessoas, muito educado. As pessoas gostam disso e é um contraponto em relação ao ex-governador e à baderna em que se encontra o Estado. Hoje, nada funciona. Não tem combustível para viatura da polícia, não estão pagando plantão de auxiliar de enfermagem, não tem combustível para ambulância. Os telefones dos hospitais estão sendo cortados. As diretoras estão se juntando, fazendo vaquinha, para pagar conta de luz de escola. Enfim, acabou, o Estado chegou a um ponto crítico. Não tem administração (enfática). Qualquer pai de família que tenha uma renda “x” e seja responsável, vive com essa renda “x”. Come só arroz e feijão, mas come, reorganiza sua vida. Está faltando no Estado aquele administrador que ponha freio. Se o filho quer uma bicicleta, o pai diz “não dou, porque tenho de operar seu irmão”. São prioridades. E hoje não têm prioridades. No dia em que Sandoval demitiu 2,7 mil funcionários, eu fiquei com pena coitado dos servidores, mas não fiz nenhuma crítica. Quinze dias depois, ele contratou 5,5 mil. É uma brincadeira! (muito enfática). Isso é tratar as pessoas como palhaços, torna-los cabos eleitorais para sua campanha! Isso, sim, é comprar votos.

Euler de França Belém — A tendência de sua coligação é eleger o governador e a senadora. E a Câmara dos Deputados?
Acredito que nós faremos quatro deputados e eles (a oposição), quatro também. Com a vinda de tantos apoios no Estado, temos chance de fazer até cinco. Mas, sendo mais prudente, acho que nós faremos quatro e eles quatro.

Euler de França Belém — O PT está com vocês?
Está. O PT fará muitos deputados estaduais, eu acredito. Na coligação com o PV, eles estão com nomes muito fortes para deputado estadual. Tem chance de federal, mas o peso maior é estadual.

Euler de França Belém — O Marcelo Lelis (PV) tem uma convivência boa com a sra.?
Excelente! Eu gosto dele como se fosse um filho lá de casa. Meus meninos são apaixonados por ele. Nós fizemos a campanha dele, ajudei-o para valer. Tenho um carinho muito grande por ele, pelo pai dele que faleceu, Ailton Lelis. Eu tinha muita amizade com ele. O acho uma liderança extraordinária, um rapaz preparado e eu o vejo no futuro do Tocantins, no futuro do Estado, pois ele é muito comedido, muito correto. Temos uma convivência maravilhosa. Ele tem um temperamento parecido com o de Marcelo Miranda.

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José Roberto

Parabéns Senadora , com sua reeleição teremos nós Tocantinenses natos e de coração,mais orgulho ainda de te-la e ser a melhor senadora do Brasil.