“Tem muita coisa parada ainda no governo, precisamos acelerar”

Deputado diz que Caiado ainda está no início do mandato, defende a reforma administrativa e lança Wilder Morais a prefeito de Goiânia

Vinicius Cirqueira deputado Jornal Opção
Foto: Fábio Costa / Jornal Opção

Relator da reforma administrativa na Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa, o deputado Vinicius Cirqueira apresentou [Pros] apresentou o relatório pouco mais de uma hora após ele chegar à casa. Ainda assim, diz que o conhecia antecipadamente, o que o fez avalizar o texto, com pequenas mudanças, e garantir que ele trará economia ao Estado. “Serão feitos cortes em comissionados, gratificações e cargos”, diz.

Com trajetória ligada ao Conselho Tutelar, Cirqueira é da base do governador Ronaldo Caiado, ainda assim, diz que não votará favorável ao projeto que muda as regras do Passe Livre Estudantil conforme o Palácio das Esmeraldas deseja. “Do jeito que está, não passa”, garante.

Nas questões políticas, o deputado recebe o ex-senador Wilder de Morais no partido e banca a candidatura dele à Prefeitura de Goiânia. Nessa entrevista ao Jornal Opção, Cirqueira também projeta que o Pros crescerá e chegará competitivo às eleições de 2020 e 2022. Leia a seguir:

Augusto Diniz – Qual o momento da análise da reforma administrativa, que chegou à Assembleia na semana passada?

Estava construindo um entendimento com o governo desde a semana anterior [à chegada do projeto], então, já estava preparado para apresentar o relatório.

Vimos um pequeno equívoco [na proposta], que era a extinção da Superintendência de Políticas para as Mulheres. O governo automaticamente voltou atrás e ela será mantida, com duas gerências abaixo. Fizemos algumas mudanças em nomenclaturas de superintendências e gerências da Secretaria de Esporte, também em consonância com o governo.

Debatemos muito na Comissão Mista, onde foram apresentadas várias emendas, que devem ser analisadas pelo líder do governo.

Rodrigo Hirose – Causou estranheza a rapidez com que o sr. apresentou o seu relatório na CCJ, apenas uma hora após o projeto chegar à Assembleia. O sr. já tinha conhecimento de todo o teor da reforma?

Já estava falando com o governo há uma semana. Ajudamos a construí-lo e, portanto, já tinha conhecimento do projeto.

Não houve recriação de cargos comissionados, mas a readaptação de valores e nomenclaturas

Rodrigo Hirose – Além da manutenção da Superintendência de Políticas da Mulher, houve a recriação de 300 cargos comissionados para o Vapt Vupt no interior.

Ainda há um debate sobre isso. Mas não diria recriação, mas readaptação de nomenclaturas e valores [de salário]. Os Ciretrans, Emater e Agrodefesa têm pouquíssimos funcionários no interior e há até unidades que não estão abertas por falta de funcionários.

Não estamos aumentando o impacto financeiro e mantendo a economia de R$ 119 milhões. Com a readequação de valores, conseguimos um saldo que possibilitará ter cerca de 300 funções e diminuir menos a quantidade de cargos.

Mas essa possibilidade ainda não está 100% acertada com o governo.

Rodrigo Hirose – Há, também, um sentido político na manutenção desses cargos, já que eles podem ser utilizados para atender indicações de parlamentares, prefeitos ou aliados políticos?

Não existe acordo para que os cargos seja utilizados para atender deputados, mas, sim, a necessidade de que esses departamentos funcionem bem nos municípios.

É normal que, quando se está nomeando alguém em algum município, se ouçam as lideranças, prefeitos, vereadores e deputados. Faz parte do processo administrativo do governo.

Estádio Serra Dourada | Foto: Governo de Goiás

Rafael Oliveira – Haverá extinção de superintendências na Secretaria de Esporte?

O Esporte está virando uma pasta bastante robusta, baseada no Plano de Governo do governador Ronaldo Caiado. A Secretaria de Esportes havia sido extinta. Havia programas importantes nela, como o Pró-Esporte e o Bolsa Atleta, além de recursos da Lei Pelé. Quando ela deixou de existir, caiu muito o rendimento e os índices dos atletas de Goiás.

As praças esportivas, como o Autódromo, o Serra Dourada, o Estádio Olímpico, o Rio Vermelho e o Goiânia Arena passam a ser geridos de forma diferente com a secretaria específica, ao invés da Agetop, como era.

Isso é um acerto. O secretário tem de estar com uma agenda pulsante. O Goiânia Arena, por exemplo, ficou sendo usado muito tempo apenas para shows, sendo um grande palco esportivo. A secretaria ganha uma robustez à altura dos atletas goianos.

Rodrigo Hirose – De onde vem a economia de R$ 119 milhões prevista na reforma?

Da extinção de 2,3 mil cargos comissionados e mais de 2 mil funções gratificadas, assim como o enxugamento de algumas gerências e espaços na administração.

Augusto Diniz – O governo recebeu críticas por ter deixado cargos vagos nesses quatro primeiros meses. Essas nomeações deixaram de ser feitas justamente para extinguir esses cargos? Era esse o plano do governo deste o início?

Grande parte dos cargos que não foram nomeados, como gerências e superintendências, era porque elas seriam extintas. Seria complicado fazer uma nomeação e quatro meses depois extinguir esse cargo. Seria um problema político para o governador.

O escopo da reforma é o que está posto no governo atualmente. É lógico que haverá ainda outros espaços vagos que serão nomeados. Essa discussão está sendo feita, ainda que de forma lenta. Precisa acelerar esse processo, ampliar esse debate de espaços.

Tem muita coisa parada ainda no governo. Precisamos acelerar isso porque a máquina é muito pesada. A troca de governo não é fácil. Temos um governador que nunca foi do Executivo, apenas no Legislativo. É uma adaptação para ele e para a equipe que está ocupando o governo de Goiás.

É tudo muito novo e é normal esse travamento no início.

Augusto Diniz – Se já havia a expectativa de extinção desses cargos, essa segunda etapa da reforma administrativa não deveria ter sido enviada antes para a Assembleia?

Esse tempo para assimilar a máquina foi necessário para não errar tanto, ou nada, em uma reforma. Conversar com os secretários para entender quais superintendências são essenciais ou não. Na Educação, por exemplo, existiam núcleos sem função ou organograma bem posto, assim como gerência, então eles foram extintos.

Nesses quatro meses, as pessoas que assumiram tiveram tempo para entender o que é essencial para a máquina pública.

Rafael Oliveira – Uma economia de R$ 119 milhões por ano é satisfatória?

É até repetitivo falar da forma que pegamos o Estado. O governador Ronaldo Caiado conseguiu avançar em alguns pontos, o repasse da saúde e do transporte escolar em dia.

A Secretaria da Economia tem um grande desafio, que é melhorar a arrecadação, trazer mais indústrias para o Estado, gerar mais emprego e renda.

Uma discussão importante é a revogação da Lei Kandir. Goiás não recebe a indenização [sobre a desoneração das exportações] da União.

Os produtores de grãos não quer saber de industrializá-lo no Estado. Para ela basta vender. Não temos um plano de industrialização. A maneira como foi feita a política de incentivos fiscais, e temos uma CPI na Assembleia que está apurando isso, trouxe mais prejuízos que benefícios.

Todos esses são desafios para os próximos quatro anos.

Rodrigo Hirose – Deputados que se sentaram exatamente onde o sr. está agora, para falar com o Jornal Opção, argumentaram que o governo teve de negociar antes e acertar as indicações, antes de mantar os projetos mais pesados para a Assembleia, como a reforma e o orçamento impositivo. Essa reforma vai contemplar os espaços que os deputados reivindicaram no governo?

Vejo as indicações com naturalidade. Vejo meu próprio exemplo. Comecei na vida pública em 2008 e nunca fiz parte do Governo Estadual. Não sabia como era o 10º andar do Palácio das Esmeraldas. Agora entrei no projeto do governador Ronaldo Caiado.

Quando se ganha um governo, é normal que participemos dele. Nada mais justo que um deputado faça suas indicações políticas para contribuir. É assim em todo lugar do planeta.

É lógico que, após essa fase de acomodações políticas, a base do governo seja testada com matérias necessárias. Não necessariamente que a base tenha de ser cega, aprovado do jeito que chega.

Por exemplo, tenho muitas dificuldades de votar o projeto do Passe Estudantil da maneira que chegou. Temos de debater. É esse o papel  da base: conversar e construir uma saída de bom senso, para que também não prejudiquemos os serviços públicos.

Augusto Diniz – O sr. disse que acha natural que deputados indiquem nomeações no governo. Mas, quando o Lissauer Vieira venceu a eleição para a presidência da Assembleia, disse que ela seria finalmente independente e não apenas votar tudo que o governo quer, como em mandatos anteriores. Essa independência já está abalada?

A Assembleia tem hoje uma independência de debate muito forte. Um exemplo são as emendas impositivas que mostraram a cara da nova Assembleia. Estávamos preparados para votar 1,2% da receita líquida já este ano. Mas a Assembleia mostrou maturidade ao conversar com o governo, tanto membros da base quanto da oposição e aqueles que se dizem independentes. Entramos em um comum acordo e aprovamos a participação de 0,7% este ano, 0,9% em 2020 e 1,2% somente no último ano.

Não colocamos a faca no pescoço do governo e construímos um acordo de bom senso, que ficou bom para o Estado, bom para o parlamento e melhor ainda para quem vai receber esses recursos, que são os municípios.

Rodrigo Hirose – Em entrevista ao Jornal Opção, o deputado Talles Barreto disse que a base que o governo formou não assumirá desgastes para votar projetos de interesse do governo. Vai ser assim mesmo? Em pautas desgastantes para o governo, ele terá de negociar mais com os deputados?

Não participei de legislaturas anteriores, mas, de fora, via que o governo mandava projetos, que eram aprovados do jeito que estava. Não vejo esse posicionamento dos parlamentares hoje. Essa é uma legislatura muito mais independente, em que a Assembleia participa das votações do governo, mas em que o governo também precisa ouvir os deputados.

Foto: Reprodução

Augusto Diniz – Nas novas regras do Passe Livre Estudantil, conforme do projeto do governo, o estudante terá de estar em algum programa social, como o Renda Cidadã e o Bolsa Família, ou ter renda familiar de até três salários mínimos. Essas regras não prejudicam muito os estudantes que precisam desse benefício?

Penso que sim. Eu ia para as ruas reivindicar o Passe Livre, quando já tínhamos a meia-passagem. Agora o projeto nem prevê a meia-passagem para os estudantes do ensino superior e do ensino técnico. Estamos retroagindo há 20 anos.

Vai ser um impacto muito grande. Salvo engano, 62 mil estudantes serão afetados diretamente. A base pode tentar construir um meio-termo que nãos seja tão prejudicial.

Rodrigo Hirose – Então, nesse projeto, da forma como está, o sr. não vota com o governo?

Da maneira que está, não. Não tem possibilidade de ficar como ele chegou à Assembleia. Temos de construir uma saída.

Penso também que da forma que o benefício estava, era complicado. Mais de R$ 8 milhões iam todos os meses diretamente para os cofres das empresas. E todos tinham direito, estudantes das classes mais baixas até das mais altas. Não havia um critério, estava muito solto. Parecia mais uma mesada para as empresas que um programa que atende quem realmente precisa.

Mas, da forma que o governo propôs, prejudica muito os estudantes. Um aluno que paga uma mensalidade R$ 1 mil em universidade particular, terá um impacto de R$ 200, R$ 300 por mês.

Em um país que tem os índices de desemprego que temos, colocar passagem cheia, é crítico.

Rodrigo Hirose – Qual o critério o sr. acha que deve ser utilizado para definir quem deve ter direito ao Passe Livre? É o critério econômico?

O critério econômico é importante, mas três salários mínimo são pouco, precisa aumentar esse teto. Três salários mínimos são R$ 3 mil por mês. Em uma família que tem três filhos e paga aluguel, não sobra nada.

Quem tem Bolsa da OVG [Bolsa Universitária] ou Prouni, precisa ter uma atenção especial. Tem de ser criada também a meia-passagem, que é outra discussão, porque se aumenta os custos das empresas e esse valor vai para o aumento da passagem.

Por isso, seria muito precoce uma votação rápida sobre o assunto. Precisamos debater, ouvir o governo, os representantes dos estudantes e toda a sociedade.

Italo Wolff – O sr. esteve no CIP [Centro de Internação Provisória]. Qual o propósito dessa visita?

Assumi a presidência da Comissão da Criança e do Adolescente da Assembleia Legislativa e me deparei com a pauta, ainda do ano passado, sobre a morte dos dez adolescentes queimados no CIP. Há negligência, não está em um local adequado. Enfim, todos os problemas públicos.

Augusto Diniz – o CIP continua funcionando no mesmo lugar?

Sim, continua no 7º Batalhão.

A Defensoria Pública propôs um acordo extrajudicial para indenizar as famílias de forma individual e de forma coletiva – revertida em investimento no próprio CIP, de aproximadamente R$ 1 milhão.

Resolvemos fazer a inspeção no local após uma audiência pública da Comissão da Criança e do Adolescente. A situação continua a mesma de como era no governo passado e é muito grave. Os meninos não recebem colchão, nem banho de sol, toalha, material de higiene. Não recebem noções de higiene e têm apenas uma hora e meia de aula.

Muita gente diz que esses jovens têm de sofrer ali. Mas não é isso que resolve. Conheci um garoto de 14 anos de idade lá. Do jeito que está, vai sair ainda pior. Precisamos de um sistema socioeducativo que recupere os adolescentes e recoloca-los na cidade, para que construam suas famílias.

Faremos um relatório único com a Defensoria e cobraremos, por enquanto administrativamente apenas, da Secretaria de Desenvolvimento Social, atividades e ações que possam resolver a situação, que é inadmissível. Se for necessário, tomaremos ações judiciais.

“A falta de CMEIs leva abre as portas da criminalidade para os adolescentes”

Augusto Diniz – A indenização proposta para cada família é de R$ 200 mil?

Sim, R$ 200 mil como indenização individual e R$ 1 milhões para indenização coletiva.

Há algum tempo tento falar com a secretária de Economia [Cristiane Schmidt] para construir isso. Pode haver uma contrapartida do governo, escalonamento do governo.

É muito grave uma família deixar um adolescente sob a tutela do Estado e ele voltar para dentro de um caixão, queimado e carbonizado. O trauma que fica para toda a família é enorme. Os relatos familiares são assustadores.

A indenização poderá ajudar as famílias melhorarem um pouco sua condição, mas o mais importante é que nada mudou após aquela tragédia. Enquanto essa situação não for atendida, a Comissão da Criança e do Adolescente da Assembleia não cessará sua atuação.

Ítalo Wolff – O CIP foi criado em 1975 e sempre foi desse jeito. O sr. vislumbra alguma saída para esse sistema?

No Entorno do Brasília, foi construída uma casa para acolher adolescentes em conflito com a lei que possui escola, área para prática esportiva. É um sistema que realmente recupera o adolescente.

O CPI, da forma que está, não recupera ninguém. O adolescente entra saudável e sai com pano branco, micose, ácaros. É como pegar um cachorrinho novo e prendê-lo em um corrente: o grau de agressividade dele será exacerbado. O ser-humano é da mesma maneira. Um adolescente que está em plena formação está sendo trancafiado. O resultado disso é que, se ele entra furtando, quando sair será capaz de assassinar.

Rodrigo Hirose – Como falar em melhoria no atendimento ao adolescente em conflito com a lei quando é preciso o Ministério Público Federal acionar a Prefeitura de Goiânia para concluir Cmeis [Centros Municipais de Educação Infantil]? Quando a Prefeitura de Goiânia deixa de investir na educação infantil, na atenção à primeira infância, ela não está alimentando essa máquina que vai terminar mandando mais adolescentes para os Centros de  Internação?

Completamente. A primeira infância é o período mais importante da formação do ser-humano. É muito diferente quando uma criança tem o amparo social do Estado.

Imagine uma mãe que, para trabalhar, deixa seu filho no CMEI, onde ele terá alimentação, convivência com outras crianças, banho. E imagine outra que precisa deixar seu filho com vizinhos, o irmão mais velho ou até sozinho. Essa segunda criança estará convivendo com diversas outras situações inadequadas.

A formação dessas duas crianças, até os sete anos de idade, será totalmente diferente.

A falta de políticas públicas e de ferramentas de inclusão, como o esporte, cultura e educação de qualidade, resulta no aumento de infrações. O Centro de Internação recebe essas crianças que deixaram de receber atendimento nos CMEIs.

Os governantes não enxergam as políticas públicas para crianças e adolescentes como algo lucrativo eleitoralmente

Existe sim, essa culpa, da falta de creches e da pré-escola. O atendimento das crianças da primeira infância nos CMEIs é fundamental para a prevenção à criminalidade e às drogas.

Goiânia já chegou a atender 18 mil crianças com iniciação esportiva gratuita. Hoje, não atende nem mil. Era comum, no governo Pedro Wilson, as escolinhas de iniciação esportiva em todos os bairros. Havia uma inteligência. Aquelas lideranças dos bairros que tinham capacidade para dar aulas de futebol, capoeira e outras modalidades recebiam uma remuneração.

Mas os governantes não enxergam essas ações como algo eleitoralmente “lucrativo”, porque o resultado de uma política pública com uma criança de sete anos só será vista dez anos depois.

A sociedade também tem de entender que não é só o político que faz asfalto e constrói praças que deve ser visto.

Italo Wolff – Como está a relação da Comissão da Criança da Assembleia com o Grupo Executivo de Apoio à Criança e ao Adolescente [Gecria]?

Preciso fazer um elogio. Fui conselheiro tutelar no período em que havia uma superintendente muito arredia à fiscalização e até mesmo ao diálogo.

Agora, formos muito bem recebidos pelo Gecria. Falei com o tenente Wilson, que é um dos gerentes, que tem um belo projeto de colocar artes marciais para os meninos. Vi boa vontade e um projeto ousado. Mas ainda não tivemos tempo. Esse é o momento de construirmos juntos.

Rafael Oliveira – A discussão sobre a redução da maioridade penal deve ser retomada no atual governo. O que o sr. pensa sobre isso?

Não é o caminho da solução da segurança pública. Menos de 2% dos crimes são cometidos por adolescentes. Só que eles são mais divulgados. Enquanto não solucionar a política de prevenção, dar essas ferramentas [de desenvolvimento] para os jovens, uma das opções que sempre baterá a sua porta é a criminalidade.

O debate que tem de ser feito primeiro é a universalização da educação infantil, dar acesso às políticas de esporte e cultura. Com certeza, se essas políticas forem colocadas à frente, esses crimes, que não chegam a 2%, diminuirão drasticamente.

Com certeza esse debate virá à tona e o tempo será o divisor de água.

O governo editou um decreto que flexibiliza o porte de armas. Fico pensando um conselheiro tutelar chegando armado para atender uma família. Não é esse o caminho.

Deputado estadual Alysson Lima (PRB) | Foto: Reprodução

Augusto Diniz – Seu colega Alysson Lima [PRB] apresentou um pedido de impeachment do prefeito Iris Rezende, na Câmara de Vereadores de Goiânia. O sr. acha que esse pedido tem alguma efetividade? Há cenário para isso?

Sou totalmente contrário ao pedido de impeachment. É um pedido totalmente político que não tem fundamentação. Em nenhum lugar do planeta constrói-se uma solução administrativa por exclusão, ainda mais sem respaldo jurídico.

Há muitas falhas na gestão da Prefeitura, mas essa não é a saída. Não há essência nem clima interno na Câmara. O prefeito Iris, se tem algum momento positivo no atual mandato, é agora. Os dois primeiros anos foram de muita ‘segurança’ financeira. A falta de gestão, se existe, tem de ser consertada na eleição de 2020.

Rodrigo Hirose – O sr. foi conselheiro tutelar. Na redação do Opção, recebemos rotineiramente denúncias do Conselho Tutelar de Campinas quanto ao atendimento pediátrico. Ao mesmo tempo, o Hospital Materno-Infantil, que é de responsabilidade do Estado, sofre pedido de interdição. Por que os agentes políticos, incluindo o governador, o prefeito, os deputados e vereadores permitem que a situação chegue a esse ponto de destruição no atendimento?

Fui uma das vozes mais vorazes da Câmara de Vereadores em relação a essa situação. Infelizmente, a gestão atual não entende que centralizar o atendimento pediátrico, especialmente o de emergência, no Cais de Campinas foi um dos maiores erros dela. É muito complexo para uma família sair de um extremo da cidade, de madrugada, para buscar atendimento em um local que não tem capacidade para isso.

Muitos atendimentos mais simples poderiam ser feitos nos Cais do Jardim Guanabara, Jardim Novo Mundo…

Mas não dá também para achar que o pediatra sairá do local que está trabalhando hoje pelo salário que a Prefeitura está oferecendo. Vamos oferecer um salário digno, para que os pediatras venham para a Prefeitura para serem plantonistas nesses Cais e poder descentralizar. Há também a questão da falta de insumos [que afasta os profissionais]. Nada é feita. Essa é uma das falhas mais grosseiras dessa gestão.

Rafael Oliveira – O governo e a Prefeitura alegam falta de recursos. Mas os relatórios fiscais da Prefeitura mostram que o prefeito Iris Rezende tinha R$ 852 milhões para aplicar na Saúde no bimestre, mas utilizou apenas R$ 169 milhões. O que acontece que a Prefeitura não consegue nem utilizar os recursos?

Recentemente, fiz uma visita técnica na Santa Casa da Misericórdia. O dinheiro vem [do Governo Federal] para o caixa da Prefeitura, que tem de fazer o repasse. Ele fica lá parado por três meses e a Prefeitura sequer faz esse repasse. Isso é ingerência pura. Parece que as pessoas precisam ficar pedindo favor.

Falta diálogo e bom senso. Chegou o recurso, tem de repassar. A Santa Casa tem uma estrutura excelente, que precisa ser utilizada em toda a sua complexidade. Hoje não estão sendo usados nem 50% de sua capacidade.

O Hospital Materno-Infantil foi sucateado. Mas uma decisão de mandar fechar um hospital, com quatro meses de gestão? O governador tomou medidas desde o primeiro dia. No dia da posse do presidente da República [Jair Bolsonaro], o governador foi direto para o hospital, porque ele iria fechar. O governo abriu mais de 50 leitos no Hugol para atender adolescentes e crianças.

Precisamos agora arrumar outro local para construir outro hospital. O atual espaço do HMI não tem mais condições, mas mandar fechar é a pior das possibilidades. Há ótimos profissionais, vem gente de fora fazer cirurgia aqui [em Goiânia]. Precisamos é de uma estrutura física adequada, e isso não acontece em quatro meses. O governo está procurando áreas para construir outro hospital.

O fechamento foi totalmente político. A auditora [Jacqueline Carrijo] chamou a imprensa e o Estado nem sabia o que estava acontecendo.

Augusto Diniz – A relação com a direção do Pros com o vice-governador Lincoln Tejota está boa? Os problemas foram sanados?

Nunca tive problemas com o Lincoln. Ao contrário, ele foi o grande incentivador da minha candidatura a deputado estadual. Eu não disputaria a eleição, decidi faltando dois meses para o início da campanha.

Existe um desagrado por parte do Lincoln com a direção nacional e da direção com ele. Mas eu defendo muito sua permanência no partido.

Recentemente, foi anunciada a vinda do ex-senador Wilder Morais para o partido. O Pros caminha para ser um dos maiores partidos do Estado.

A grande maioria dos prefeitos apoiava o ex-governador Marconi Perillo. Mas as prefeituras precisam muito de um suporte do Estado para seu sucesso administrativo. E não consigo enxergar outro partido com tanta capilaridade e abertura quanto o Pros, com o senador Wilder na presidência.

O MDB é oposição, o PTB não vejo essa abertura. O DEM é um partido fechado pelas esferas estaduais. O Wilder tem conhecimento de todos esses prefeitos e quando ele vem para a presidência do Pros e convidando as pessoas a ingressarem, mostrando que tem essa interlocução com o governo, vai fazer o partido crescer muito.

Temos ainda mais dois deputados acordados, por seus partidos não terem atingido a cláusula da barreira, que são o Wagner Neto [Patriotas] e Rafael Gouveia [DC]. Então, termos cinco deputados e o maior número de prefeitos.

Augusto Diniz – A filiação do Wilder de Morais ao Pros está cercada de polêmica. O sr. defende publicamente que ele é bem-vindo, mas o presidente da Câmara de Vereadores de Goiânia, Romário Policarpo, se pronunciou contra e o deputado Carlos Salim disse que o deputados deveriam ser consultados antes. Como está essa situação?

O Romário nunca falou que não queria o Wilder no Pros. Quando saiu essa declaração [na imprensa], fiz questão de ir com o Romário visitar o Wilder e acertar essas arestas. Ele é muito bem-vindo e será recebido de tapete vermelho.

A bancada de deputados já se reuniu com o ex-senador, conversamos longamente, fizemos um almoço na fazenda dele, com a direção nacional, deputados, e está tudo muito bem acordado.

Augusto Diniz – A chegada do Wilder ao Pros representa, então, a troca de poder dentro do partido, que hoje é presidido pelo vice-governador Lincoln Tejota. O que isso representa em relação às eleições de 2020? Goiânia é o foco do Pros?

Temos excelentes nomes, como o do Romário Policarpo e o meu, e agora o do senador Wilder Morais. É quase certo que vamos lançar um candidato a prefeito de Goiânia e hoje estaria à frente o senador Wilder, que é o que tem mais capilaridade política entre os membros do partido.

Rodrigo Hirose – Essa postulação à Prefeitura de Goiânia passa mais pelas mudanças nas regras eleitorais, que passaram a proibir coligações proporcionais, ou pela real percepção de que é possível derrotar o prefeito Iris Rezende nas urnas?

O momento é muito propício, creio que o prefeito não será candidato.

As mudanças das regras eleitorais obrigam que os partidos formem suas chapas próprias para vereador e ter uma pessoa com a densidade eleitoral como a do Wilder fará com que tenhamos uma chapa competitiva.

Haverá uma grande aglutinação de candidatos. Hoje os dirigentes partidários já estão em busca de candidatos. Goiânia terá uns dez candidatos a prefeito.

Assim, o senador Wilder foi um grande senador, é um gestor, foi projetado empresarialmente. Por isso, tem boas chances.

Rafael Oliveira – O Wilder de Morais será candidato do Pros com apoio do governador Ronaldo Caiado?

A chance de ter um apoio maciço do governo estadual é real. Wilder é secretário, foi companheiro inseparável do governador Ronaldo Caiado na campanha, construíram a candidatura juntos. O senador teve papel importante de trazer o Lincoln para a chapa e o Pros para a aliança. Por isso, tende a isso [ter apoio do prefeito].

Rodrigo Hirose – O governador Ronaldo Caiado deixou a reunião com o presidente Jair Bolsonaro [quarta-feira, 8] frustrado, pois não foi apresentado o Plano de Equilíbrio Fiscal. Porém, mais cedo ou mais tarde, esse plano chegará. Vislumbram-se anos de muito arrocho, sem fazer um trocadilho com o mote de campanha do governador, para o funcionalismo e para os investimentos estaduais?

Esses arrochos são extremamente necessários, mas é lógico que serão impopulares. Mas o bom gestor é aquele que não tem medo de tomar decisões que coletivamente são as melhores. E com certeza elas terão de ser tomadas.

É claro que construídas com muito diálogo. O Estado não pode apenas ter a visão do arrocho, mas buscar soluções que melhorem a arrecadação. Esse é o maior desafio, tanto político quanto de gestão.

Talvez seja o caso até mesmo da criação de uma Secretaria de Arrecadação. O ralo da sonegação é muito grande. É preciso inserir ferramentas de tecnologia para diminuir isso.

Outra alternativa interessante é a Lei Kandir, não só no aspecto da arrecadação, mas também de industrialização do Estado.

Augusto Diniz – O sr. foi relator do pedido de título de cidadão, apresentado pelo deputado Humberto Teófilo, ao presidente Jair Bolsonaro. Apesar do relatório contrário, a Assembleia aprovou a concessão do título. Como o sr. viu essa decisão do plenário, de rejeitar seu relatório?

Vi com naturalidade.

Sempre disse que a apresentação do título foi muito precoce. A legislação diz que tem de ter um anexo com as contribuições que a pessoa fez ao Estado. E não vi qualquer rol de serviços prestados pelo presidente a Goiás, apenas uma folha em branco. Meu relatório foi estritamente técnico.

Há tantas outras coisas para se discutir no Estado e infelizmente esse título virou uma grande polêmica. Mantenho meu posicionamento, porque o presidente ainda não mostrou nenhum tipo de serviço prestado ao Estado.

Rafael Oliveira – Alguns deputados falaram na criação de um “centrão” na Assembleia. Esse grupo tende a ser firmar?

Houve a formação de um bloco de parlamentares que estavam propensos a votar a vinculação do orçamento impositivo em 1,2% das receitas. Alguns deputados defenderam que esse grupo poderia se unir em torno de algumas outras matérias também.

Acho que esse bloco ficará restrito a essa questão. Pode-se até formar esse grupo novamente, mas não vejo uma construção. Bloco com mais de cinco deputados, se desfragmenta muito rápido, porque são muitas ideias e interesses.

O Vila Nova precisa ser renovado e ter pessoas que o amam na direção

Rodrigo Hirose – O sr. se colocou como possível candidato a prefeito. Mas hoje é mais fácil consertar a Prefeitura de Goiânia ou o Vila Nova, time do qual o sr. é conselheiro?

[Risos]. O Vila Nova também passará por eleições este ano. Faço campanha declarada para que o capitão da Polícia Militar Hugo Jorge Bravo seja o próximo presidente. Ele entende de futebol, já foi diretor de futebol do Vila, tem apoio da torcida e mostrou ser capacitado.

O Vila precisa ser renovado e ter pessoas quem o amam, como é o caso do Hugo Jorge Bravo.

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