“Se tivéssemos unificado a oposição, atritos e desgastes poderiam ter sido evitados”

Mesmo com ligação histórica a Iris Rezende e ao reduto emedebista, deputado estadual sentiu que o momento era de defender projeto diferente do partido

Foto: Fábio Costa/ Jornal Opção

Cotado para ser pré-candidato a vice-governador na chapa do senador Ronaldo Caiado (DEM), o deputado estadual Lívio Luciano trocou o MDB na janela partidária pelo Podemos. Quem o convenceu de fazer a mudança de sigla foi o senador Álvaro Dias (Podemos), que trabalha para ser o presidenciável escolhido pelos partidos de centro. A missão de Lívio Luciano é formar uma frente evangélica em Goiás que fortaleça a pré-candidatura de Álvaro Dias. Em Goiás, o deputado estadual é cotado com aposta dos 11 partidos que estão na aliança de Caiado para ser o vice da chapa do democrata. Cansado do que ele chama de falta de relevância de seu antigo partido como oposição ao governo estadual, Lívio trabalha para que a união do DEM com o MDB ainda possa acontecer, mas diz acreditar que o melhor nome para os adversários da base aliada na eleição majoritária é o do senador democrata. “Temos de ter a humildade para reconhecer que não fomos competentes para ganhar eleições nos últimos 20 anos.”

Fotos: Fábio Costa/Jornal Opção

Euler de França Belém – O sr. era um dos políticos mais experientes e respeitados do MDB, com ligação histórica ao prefeito Iris Rezende. Por que o sr. trocou o MDB pelo Podemos e resolveu apoiar a pré-candidatura do senador Ronaldo Caiado [DEM] ao governo?

Em 1998, nós perdemos a eleição estadual. Desde então, sempre estivemos na oposição. No ano de 2014, Caiado esteve conosco e fez parte da aliança como um de nossos companheiros e nos acompanha desde então. Tanto que todo emedebista não só apoiou como votou em Caiado para senador em 2014. Não vejo apoiar Caiado como uma mudança radical que eu tenha tomado.

A reunião que tive com o pré-candidato a presidente Álvaro Dias [Podemos] foi o que preponderou. Na minha avaliação, será um presidenciável com muito potencial. A linha do Álvaro é muito agregadora. E pode se tornar a grande alternativa de uma candidatura de centro. Ter ligação com um pré-candidato a presidente da República é muito honroso. Álvaro fez uma palestra na Acieg [Associação Comercial, Industrial e de Serviços do Estado de Goiás] da qual fui convidado a participar pelo presidente estadual do Podemos, Sandro Resende, indicado pelo Álvaro Dias.

Participei da palestra, na qual estavam presentes o deputado federal Daniel Vilela [MDB], Caiado e outros parlamentares. Depois me reuni com Sandro e Álvaro Dias, que me chamou para fazer parte do projeto do Podemos e ajudar sua candidatura criando uma frente evangélica em Goiás. Esse é o meu trabalho em apoio à pré-candidatura de Álvaro Dias, uma vez que ele tem identificação muito grande com o segmento evangélico do Paraná. Isso teve peso muito grande.

Paralelo a esse convite, o desgaste interno no MDB era muito grande. O MDB não conseguiu atrair outros partidos à coligação, não tem conseguido formar uma boa chapa de deputado. O MDB não significava expectativa de poder. A expectativa de poder de quem é contra o modelo de gestão do Estado estava – como está – em volta do senador Ronaldo Caiado. É lógico que o governo também é um polo de atração de possíveis candidatos.

O governo conseguiu, através dos seus partidos, formatar boas chapas de deputado, o que também aconteceu do lado do Caiado, e o MDB não conseguia fazer o mesmo. Quem pretende disputar uma eleição proporcional leva isso em consideração. Há falta de mais diálogo. No MDB, eu pregava o tempo todo a junção das oposições representadas por MDB e Democratas. Trabalhei muito nessa direção com Daniel, Maguito Vilela, Iris. A pergunta que se fazia era “nós sempre fomos governo, vamos ser vice?”.

A minha resposta sempre foi “se tivermos de ser precisamos ser”. Temos de ter a humildade para reconhecer que não fomos competentes para ganhar eleições nos últimos 20 anos. Caiado é nosso aliado, adversário do governo, que fez o caminho inverso dos aproveitadores. O democrata estava no governo e veio se aliar à oposição por não comungar com o modelo de gestão do atual governo. Tanto que participou e disputou voto conosco em 2014. Em 2004, quando Iris foi para o segundo turno contra Pedro Wilson [PT] à Prefeitura de Goiânia, Caiado ajudou Iris no segundo turno. Raquel Azeredo foi candidata a prefeita pelo PFL no primeiro turno. Ela e Caiado vieram para o palanque de Iris.

Em 2014 fizemos a coligação. Caiado conseguiu a eleição para senador, nós não chegamos ao governo. A partir de então, para mim todo mundo está junto na oposição para satisfazer a vontade do povo. Qualquer pesquisa que se faça hoje mostra que a maioria da população quer mudança em todas as esferas. Caiado conseguiu ter discurso de oposição a tudo que acontece no Estado muito mais forte do que o MDB. Todos esses anos do MDB na oposição enfraqueceram o partido. MDB perdeu o discurso mais forte de oposição que hoje pertence a Caiado.

Cezar Santos – O sr. não via o mesmo senso de oposição no pré-candidato a governador Daniel Vilela que o sr. diz que Caiado tem?

Caiado tem um senso oposicionista mais forte. Os próprios números do democrata nas pesquisas publicadas e nas internas são de uma aceitação muito forte, que é fruto do discurso de oposição no Estado.

Cezar Santos – O sr. acredita então que Daniel Vilela seja um pré-candidato fraco?

Não. Daniel é um político de futuro. Se não existisse a pré-candidatura de Ronaldo Caiado, Daniel estaria em posição bem melhor nas pesquisas de intenções de votos. É que surgiu o efeito Caiado. O MDB teria de rever o conceito de ser o partido hegemônico e único com direito a lançar candidato na oposição.

Euler de França Belém – Há componentes que precisam ser considerados. O número de indecisos é muito grande. A quantidade de eleitores que sabe quem são os pré-candidatos é muito pequena. Caiado pode liderar por ser o mais conhecido, não pelo discurso. Não seria uma liderança inercial, pelo fato de os discursos não serem conhecidos?

Uma coisa implica na outra. Se Caiado é mais conhecido, ele tem tido um discurso mais fervoroso de oposição. Isso o torna mais conhecido com um aspecto: a maioria dos que o conhecem, ou boa parte, vota no democrata. Se pegarmos o nível de conhecimento e confrontarmos com o percentual de intenção de votos, Caiado tem o melhor desempenho ao se opor a tudo que tem acontecido.

O momento é de renovação, de mudança de prática política. O destaque alcançado por Caiado também há o aspecto de um discurso forte de mudar tudo que está em prática. Esse é o sentimento popular. Por isso ele tem uma aceitação, que é um conhecido de quem conhece gosta. Diferentemente de outros políticos que são conhecidos, mas têm uma rejeição elevada.

Augusto Diniz – Para parte do MDB, ficou a impressão de que faltou gratidão de Caiado pela eleição de 2014, quando o partido ajudou o democrata a conquistar a vaga no Senado. A forma como a disputa com Daniel se deu é tida por emedebistas como injusta e cruel, com tentativa de tirar bases do MDB de Daniel. Foi isso o que aconteceu?

Não vi tentativa do Caiado de tentar tirar bases do Daniel no MDB. Vi muitas pessoas que sentiram que Caiado, com uma bandeira de oposição mais forte do que o MDB, teria mais condições de ser governador. E acredito que seria ingratidão se Caiado, eleito pela coligação com o MDB, viesse a se alinhar com o governo desconhecendo totalmente quem o ajudou a se eleger.

O democrata colocar o nome na disputa ao governo para fortalecer as oposições e fazer de tudo para que o MDB estivesse junto – inclusive ao admitir em entrevistas que abriria mão da postulação –, com definição de critérios objetivos e claros de como se escolheria quem seria o candidato, não é ingratidão. Tudo isso foi amplamente divulgado e conversado.

Vejo como um companheiro que saiu de uma eleição, entrou em um mandato, se fortaleceu ao ponto de estar muito bem situado nas pesquisas e não poder ser desconhecido em um processo eleitoral estadual.

Augusto Diniz – A disputa pela consolidação de uma das duas pré-candidaturas, seja a de Daniel Vilela ou a de Ronaldo Caiado, não enfraqueceu os dois na busca por apoio político? Isso não faz com que a oposição chegue a outubro com candidaturas enfraquecidas?

Concordo. Se tivéssemos unificado a pré-candidatura da oposição, todos estes atritos e desgastes poderiam ter sido evitados. Quando se cogitou a tentativa de aliança entre MDB e Democratas antes do prazo final de mudança partidária, no início de abril, foi exatamente pensando dessa forma. Ao invés de termos o jogo do perde-perde, ter o jogo do ganha-ganha. Com a junção MDB-DEM, seria possível definir para qual partido cada liderança iria, como se formariam as coligações proporcionais. Não podemos negar que esse enfraquecimento aconteceu.

Marcelo Mariano – Cinco prefeitos do MDB declararam apoio a Caiado, mas não mudaram de partido. Por que o sr. acredita que esses prefeitos não saíram do MDB na janela partidária e agora passam por processo de expulsão?

Os prefeitos não precisam obedecer à janela, podem mudar de partido a qualquer momento, não há qualquer impedimento legal. Mas avalio que eles ainda alimentem alguma esperança de, no MDB, articularem para que a aliança com o DEM ainda aconteça. O prazo final é 5 de agosto. Isso pode acontecer, apesar de ser difícil. É possível.

Marcelo Mariano – Tem se falado muito sobre uma eventual aliança entre MDB e PSDB, mesmo que somente no segundo turno. O próprio Iris não descarta a possibilidade. Como o sr. vê essa situação?

Qualquer tipo de especulação nesse sentido é ruim, contribui para o enfraquecimento das oposições. Mas não creio que isso aconteça nunca. Nem no segundo turno. Vejo que a oposição estará unida, caso não aconteça no primeiro turno, isso se consolidará no segundo turno. A população quer mudança no Estado e na União.

Augusto Diniz – Que tipo de mudança seria essa?

Falo em mudança no modelo de gestão. O Brasil está sendo passado a limpo.

Euler de França Belém – Mas pelo o que o sr. diz, a fidelidade partidária não tem importância, já que os prefeitos estão no MDB e não apoiam o pré-candidato do partido.

Acredito que, estando no MDB, eles podem trabalhar para que a aliança aconteça até 5 de agosto.

Euler de França Belém – Mas contra o pré-candidato do partido?

Até o dia 5 de agosto não existe candidato. A partir da convenção sim.

“Álvaro Dias será um presidenciável com muito potencial. A linha dele é muito agregadora” | Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

Euler de França Belém – Mas esse é um argumento conveniente para o sr., que está ao lado de Caiado. Expec­ta­tiva de poder não é algo dado, é conquistado. Se pode ser construída, por que Daniel não pode crescer? E se crescer, como ficam esses prefeitos?

Essas pessoas estão trabalhando para unir.

Euler de França Belém – Essas pessoas não trabalham por união, há uma articulação para derrubar a pré-candidatura do Daniel e fortalecer a postulação de Caiado.

Até a conversa de possibilidade de expulsão, havia o trabalho pela união entre MDB e DEM. A partir do momento que existe a possibilidade de expulsão, fica mais difícil de ter união. Mesmo assim ainda é possível. Quando passar o dia 5 de agosto não justifica mais ficar no MDB na busca de colocar todo mundo junto. Se Daniel crescer nas pesquisas até 5 de agosto, podem ser criados critérios para construção da união.

Euler de França Belém – Em 1994, Caiado liderava as pesquisas contra a ainda deputada federal Lúcia Vânia [no PP à época] e o então vice-governador Maguito Vilela [MDB] e terminou em terceiro lugar. Na disputa pelo Senado em 2014, se não fosse o MDB, Caiado provavelmente teria perdido a eleição. A decência na política é cobrada dos outros, mas não do próprio grupo. Por que é decente um filiado estar no partido trabalhando por outro candidato?

Enquanto não tiver convenção não tem candidatura colocada. A partir da convenção realmente não faz sentido permanecer no partido ajudando o candidato de outro partido. Hoje, um membro do MDB ajudar a pré-candidatura de Caiado significa que fazer a junção da oposição é mais fácil em torno do nome do democrata. Mas pode ser que isso possa inverter até 5 de agosto. O raciocínio é de unir mesmo estando no MDB. Após o processo de expulsão, acredito que seja mais difícil a junção.

Augusto Diniz – Maguito diz que mesmo antes da possibilidade de expulsar os dissidentes do MDB que apoiam a pré-candidatura de Caiado nunca houve qualquer tentativa real de unificação das oposições. Magui­to acerta ao analisar dessa forma?

Participei de reuniões da bancada de deputados do MDB com Caiado, Daniel, Iris de Araújo, Maguito. Todos juntos. O prefeito Iris fez várias tentativas em encontros com Daniel, conversas com Caiado e com os dois juntos. Isso não tem como negar. Caiado conversou com Maguito sobre critérios para buscar essa união. Pessoas ligadas aos dois pré-candidatos se reuniram para buscar o consenso. Isso é fato e é público. É só procurar na imprensa.

Tentativas foram feitas e continuam a ser feitas até hoje. Mesmo acreditando que Caiado tenha uma possibilidade de poder maior, muitas pessoas ainda estão no MDB lutando para que a união aconteça.

Euler de França Belém – Nesse ponto, Iris é mais correto do que os outros, porque apoiou Daniel mes­mo sem a realização da convenção.

Decisão pessoal do prefeito de Goiânia.

“Meu desejo é que a oposição vença a eleição”

Augusto Diniz – Quem o sr. acredita que seja o grande culpado de a união de DEM e MDB não ter acontecido?

Uma coisa que tem atrapalhado muito é o tradicionalismo. “O MDB sempre teve candidato a governador. Não pode deixar de ter. Somos o maior partido da oposição. Temos mais de 30 prefeitos.” Esse tradicionalismo é que tem sido o maior empecilho para que a oposição tenha a condição de estar junta.

Cezar Santos – O sr. diz que Caiado representa uma mudança em relação à prática política que a população não quer mais. Mas o democrata dirige o partido em Goiás como um feudo. Várias figuras saíram do DEM por falta de espaço. Como um político com esse comportamento pode representar mudança?

Marcelo Mariano – Caiado fez parte do tempo novo em 1998. Isso não é contraditório?

Caiado fez parte do tempo novo, mas não concordou com muita coisa. Tanto é que veio para a oposição. Para se comandar um partido é preciso ter firmeza e é preciso dar oportunidade às pessoas. Nacionalmente, o Democratas vem definhando. Elegeu poucos deputados federais, poucos senadores. Se não existisse em Goiás uma pessoa como o Caiado, com vários mandatos e de proeminência nacional comandando um partido como o DEM, já teria se esfacelado. Caiado não deixou o partido acabar como praticamente acabou em vários Estados brasileiro, que não têm nenhum deputado federal ou estadual.

Deputado Lívio Luciano fala à equipe do Jornal Opção: “O serviço de Saúde de Goiânia ficou sobrecarregado” |Foto: Fábio Costa/Jornal Opção

Cezar Santos – Em Goiás o DEM é nanico?

O partido vem em um processo de definhamento sim, mas na esfera nacional. Em Goiás, o partido existe em função do Caiado, assim como afirmo para vocês que o MDB ainda é um partido com força em Goiás por conta do Iris. Se não existisse a figura do Iris, a liderança dele e as disputas eleitorais das quais participou, mesmo perdendo, mas com votações enormes, o MDB já teria virado o que o DEM é hoje, um partido muito pequeno.

Cezar Santos – Qual é a estrutura do Podemos depois da janela partidária em Goiás? O sr. será candidato a reeleição?

Eu vim para somar no projeto. Quero ganhar o campeonato. Onde o técnico quiser me escalar estou pronto para jogar. Não tenho apego a candidatura. Mes­mo porque sou servidor de carreira do Estado. De todo jeito estarei ajudando o governo, nem que seja na minha repartição como auditor da Receita do Estado.

Marcelo Mariano – Quantos deputados estaduais os partidos aliados a Caiado esperam eleger?

Pelo o que os presidentes dos partidos que estão na aliança conversam, ainda depende de alguma legenda que possa vir a somar. Mas com os que estão hoje ao lado de Caiado, espera-se que sejam eleitos de quatro a cinco deputados federais e 15 a 16 deputados estaduais. Por­que são mais de 500 pré-candidatos.

Cezar Santos – Quantos e quais são os partidos que apoiam a pré-candidatura de Caiado neste momento?

São 11 partidos. DEM, Pode­mos, PMN, PSDC, PSL, PPL, PMB, PRTB, PTC, PSC e Patriotas.

Marcelo Mariano – Pela expectativa dos partidos aliados de Caiado, caso o democrata seja eleito governador não haverá dificuldade para governar?

Não terá dificuldade. Com uma base iniciada com 15 a 16 deputados na Assembleia, a construção de uma aliança no Legislativo fica facilitada.

Euler de França Belém – O sr. tem sido bancado para a vice de Caiado pelos pequenos partidos e pelo Podemos?

Os partidos que compõem a aliança com Caiado apresentaram meu nome. É claro que o processo está no começo, outras forças políticas poderão vir a fortalecer o projeto. Os partidos definiram o meu nome para estar, por ora, na indicação para a vice na chapa do Caiado.

Euler de França Belém – E como tem sido a receptividade do Caiado ao nome do sr. como vice?

Tem sido muito boa. Mostrei para Caiado que entendo o momento. No momento de reunir forças não posso olhar para o próprio umbigo. Disse para o senador “não quero ser artilheiro, quero é ganhar o campeonato”. Meu desejo é que a oposição vença a eleição.

Euler de França Belém – Diz-se que a chapa seria a seguinte: Caiado para governador, Wilder Morais [DEM] vice, Lúcia Vânia [PSB] e Vilmar Rocha [PSD] ao Senado. Como o sr. avalia essa chapa? É possível?

Muito boa. Vai depender de como ficará a situação na base do governo para senador. É plenamente possível, porque o diálogo tem acontecido. Caiado tem um bom relacionamento com Vilmar Rocha, que foi do DEM, e Lúcia Vânia, que também é senadora. Eles trabalham juntos por Goiás no Senado.

Augusto Diniz – Na semana passada, a imprensa goiana divulgou foto de Caiado e Lúcia Vânia juntos no Senado em momento descontraído com a informação de que a relação dos dois é boa. Essa relação é boa?

Não sei ao certo como é a relação dos dois, mas ruim que não é. O fato de trabalharem na mesma Casa, que é o Senado, defenderem o mesmo Estado, traz uma aproximação natural.

Euler de França Belém – O sr. tem informação do que Caiado e Lúcia têm conversado?

Não tenho informação de como estão as conversas. Mas vejo como possibilidade real termos na aliança partidos da base do governo.

Augusto Diniz – Apesar de pré-candidato a reeleição para deputado federal, há a possibilidade de o Delegado Waldir Soares (PSL) disputar uma vaga ao Senado? Como ficaria a briga por espaço na chapa majoritária caso Lúcia Vânia e Vilmar Rocha se aliem a Caiado?

Para nós, Delegado Waldir tem dito que será candidato a deputado federal. Mas não vejo como problema. Quem está com Caiado quer ganhar o campeonato não importa a posição. Não vejo esse tipo de vaidade prevalecer.

Euler de França Belém – Depois das críticas feitas ao senador Ronaldo Caiado, o vereador Jorge Kajuru [PRP] está fora da aliança?

Não sei como é o relacionamento do Caiado com Kajuru. Sei que é algo histórico. O próprio senador poderia resolver.

Cezar Santos – Mas a ausência do Kajuru prejudica?

Eu o vejo como um puxador de votos. Em uma aliança é evidente que ele acrescentaria.

Euler de França Belém – Há negociação com o deputado federal João Campos [PRB]?

O PRB já esteve reunido conosco, mas sem evolução. O diálogo está aberto. A aliança em torno do nome de Caiado está sendo formada aos poucos. Hoje tem 11 partidos. Quanto maior o exército de candidatos a deputado e quanto maior o tempo de rádio e TV, maior a chance de o candidato vencer.

Marcelo Mariano – A saída do sr. do MDB mudou em algo a relação com o prefeito Iris Rezende?

Não. Lógico que Iris não quer que ninguém saia do MDB, mas a minha relação com o prefeito extrapola a questão política. É uma relação muito madura e muito afetuosa. Para mim é uma honra ter a amizade dele, o maior líder político que o Estado já teve.

Marcelo Mariano – Como o sr. avalia a administração do emedebista, principalmente na saúde?

Está lutando e se esforçando muito. Iris é extremamente dedicado e focado. É sempre bom não perder de vista a forma com que Iris encontrou a prefeitura, com cobrador na porta, a prefeitura devendo o equivalente a dois meses e meio de receita. A prefeitura demoraria cerca de dois meses e meio para ter uma receita de R$ 600 milhões. Foi exatamente a dívida que Iris encontrou com cobradores na porta. Devagar o prefeito tem conseguido sanear essas dívidas e ao mesmo tempo tendo de honrar as obrigações que a gestão tem.

“Álvaro Dias me chamou a fazer parte do Podemos para criar uma frente evangélica em Goiás”

Cezar Santos – Essa situação herdada teria vindo de um prefeito que o próprio Iris pediu votos e disse à população que poderia confiar e votar, que é o Paulo Garcia?

Mas em 2016, Iris disse que não valeu a pena confiar e que queria voltar ao cargo para tentar consertar a situação da prefeitura. E é o que o prefeito tem tentado fazer.

Euler de França Belém – Há a possibilidade de o salário dos servidores municipais começar a atrasar a partir de agosto. Iris também não conseguiu ajustar a máquina.

Dos R$ 600 milhões em dívidas, Iris já pagou mais de R$ 200 milhões das contas atrasadas. É lógico que isso pode comprometer o pagamento das contas mensais da prefeitura. Tenho certeza que essa situação está sendo equacionada para saber quanto se pode pagar de atrasado sem comprometer o bom andamento da atualidade, como pagar a folha, que representa hoje mais de 50% da receita, honrar os compromissos com fornecedores, fazer os repasses constitucionais e fazer os investimentos obrigatórios em saúde e educação. A área financeira está trabalhando bem e tem controlado os gastos. Não acredito que aconteça atraso de pagamento.

Augusto Diniz – O que Iris precisa fazer para cumprir a principal promessa de campanha que era a de realizar a melhor administração de sua vida pública?

Primeiro é preciso que sejam destravados os repasses da União, como os recursos para o BRT, Marginal Botafogo e terminar a Leste-Oeste, o que já daria outro astral para a cidade. O BRT, por exemplo, que é uma obra moderna. As contas atrasadas sempre serão um fantasma para a administração. São dívidas que precisam ser pagas, mas que não podem jamais comprometer essa boa administração que Iris garantiu e acredito que acontecerá. Não tem jeito! Em qualquer gestão com rombo nas contas será preciso dois anos para pode equacionar e a partir de então poder realizar. Até hoje só foi possível fazer o arroz com feijão. Vai chegar a hora da mistura, a hora da carne.

Euler de França Belém – Vanderlan Cardoso [PP] disse em entrevista recente que o dinheiro tem vindo do Ministério das Cidades, mas que falta projeto na Prefeitura de Goiânia.

Isso não é verdade. Falta dinheiro, os repasses federais acontecerem. Como está formatado hoje o pacto federativo, os Estados e municípios dependem fundamentalmente da União. Mais de dois terços do que é arrecadado com tributos fica na União. Por isso que fica essa dependência de pires na mão dos Estados e municípios dependendo do governo federal.

Marcelo Mariano – Por ser médico, Caiado não deveria comentar a situação da saúde em Goiânia?

Caiado tem de falar sobre tudo.

Marcelo Mariano – Por que o senador não fala?

Mas ele não tem falado?

Cezar Santos – Caiado critica a saúde gerida pelo Estado.

Mas a saúde gerida pelo Estado não merece crítica?

Cezar Santos – E a saúde gerida pela prefeitura não merece crítica?

Toda a saúde é um problema.

Euler de França Belém – Mas está morrendo gente em Goiânia.

Mas muitas pessoas deveriam ser atendidas no interior. A normatização do SUS estabelece a regionalização da saúde. O Estado deveria ter construído complexos para receber leitos, UTIs e clínicas para exames descentralizados da capital. Isso não aconteceu. O que faz com que o paciente seja trazido em uma ambulância sofrendo para ser jogado em Goiânia, que fica cada vez mais sobrecarregada. Isso é real. O grande pleito dos municípios é por ambulância para pode transportar pacientes para a capital.

Casos de hemodiálise, um tratamento difícil feito duas vezes por semana, nos quais o paciente precisa deslocar mais de 200 quilômetros para ser tratado em Goiânia. São tratamentos que deveriam ser feitos na região em que a pessoa mora. A regionalização da saúde não aconteceu. Estamos analisando a consequência, mas e a causa? A causa é o desrespeito à norma do SUS de regionalizar a saúde.

Euler de França Belém – O sr. avalia a gestão da secretária municipal de Saúde, Fátima Mrué, como positiva?

Avalio a cidade de Goiânia como um município que ficou sobrecarregado em função da não regionalização da saúde, da não resolutividade de problemas básicos da saúde nas regiões do Estado.

Euler de França Belém – Por isso a prefeitura não precisa fazer nada?

Isso sobrecarrega muito Goiânia com a quantidade de pessoas que chega.

Cezar Santos – Mas sempre foi assim, só que agora chegou a uma situação de caos.

Só que está cada vez pior. Ainda mais em um cenário de dívidas que a gestão passada deixou na saúde com fornecedores e prestadores de serviços. As empresas começam a se negar a fornecer insumos com medo de atrasar novamente o pagamento. Todo tipo de dificuldade existe. Aumentando cada vez mais a medida que os municípios se equipam com ambulâncias e trazem seus pacientes para Goiânia. O gargalo é aqui porque o paciente não encontra o atendimento regionalizado. A pessoa sente o problema aqui.

Quem procura o atendimento que sente a dificuldade. Nessa hora, fala-se que a falha é do secretário, do prefeito. Mas a estrutura está toda equivocada. A saúde em todo o Brasil precisa ser repensada e mudada. Esse percentual de investimento obrigatório em saúde tem de ser aumentado. No relatório da prestação de contas do governo do Estado de 2017, você vai ver que foi investido 11,35% na saúde, menos do que é estabelecido pela Constituição, que é 12%, porque o governo deixou mais de R$ 12,8 bilhões em restos a pagar.

Nos restos a pagar há recursos referentes à saúde. Se ficou como restos a pagar, não foi utilizado. As contas foram aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) com ressalvas. Isso daria até rejeição das contas, exatamente por não cumprir o mínimo exigido em saúde. Se tivesse esse investimento em saúde com a regionalização com estruturas para atendimento nas cidades-polo promovidas pelo governo do Estado, não teríamos esse gargalo na saúde, essa dificuldade toda. Qualquer um que for colocado para gerir a saúde nessa situação será taxado de ruim e incompetente. É a circunstância.

Euler de França Belém – Como o sr. avalia a investigação feita pela Câmara na saúde de Goiânia?

Acredito que toda investigação é válida. Na Assembleia, fizemos investigações. Participei da CPI da GoiásTurismo, que apurou muitas irregularidades. Estamos fazendo uma CPI para investigar as instituições de ensino superior irregulares que causarão prejuízo a pessoas que estudarem e se diplomarem nelas. São sempre investigações válidas.

Augusto Diniz – Mesmo com todas as dificuldades que a gestão do prefeito enfrenta, Iris ainda é um grande cabo eleitoral para Caiado?

Sem dúvida. Iris tem um eleitorado bem definido, e que não é pequeno. Muita gente fala que votará em quem Iris indicar. É fácil perceber que Iris é um grande cabo eleitoral. A experiência política de Iris como conselheiro, articulador e participando das atividades de campanha tem muito a somar nas eleições.

Euler de França Belém – Iris é candidato a reeleição na capital em 2020?

Disposição e saúde para ser candidato Iris tem. Mas não sei se vai querer disputar outra eleição.

Euler de França Belém – O sr. não acredita que o pré-candidato a presidente Álvaro Dias seja um político apenas com votos no Paraná?

Tem uma boa linha de trabalho. No Sul é um pré-candidato forte.

Augusto Diniz – Álvaro Dias tem uma proposta de unir os partidos de centro em torno de uma só pré-candidatura, mas excluindo PSDB e MDB da aliança. Isso é possível?

É possível. PSDB e MDB são partidos em processo de desgaste muito grande. Há a possibilidade de construir uma aliança dos partidos de centro no nome do Álvaro Dias, mas é algo que precisa ser construído.

Cezar Santos – Que partido consegue governar sem o MDB?

Quem disse que o MDB não vai querer estar junto para governar?

Euler de França Belém – Se o deputado federal Jair Bolsonaro [PSL] for eleito presidente, o País continua do jeito que está ou corre o risco de desestabilizar o Brasil do ponto de vista econômico e institucional?

Outro dia perguntaram ao Bol­so­naro se ele tinha equipe para go­vernar. E perguntaram quem seria o ministro da Fazenda de Bolsonaro. Ele respondeu que tinha uma pessoa que estava o ajudando e citou Paulo Guedes. Ques­tionaram o Paulo Guedes e ele confirmou que estava ajudando Bolsonaro.

O coronel Raul Coutinho Neto, se­cretário de Planejamento e Re­gu­lação Urbana de Aparecida de Goiâ­nia, é muito amigo do Bolsonaro. Os dois serviram a Academia Militar das Agulhas Negras [Aman] juntos. O coronel diz que Bolsonaro é mui­to inteligente, marqueteiro, mas lon­ge de ser esse porra louca que ele vende.

Cezar Santos – Cobra-se muito que Bolsonaro entenda de economia.

Quem foi o melhor ministro da Saúde? José Serra. Vi uma entrevista do Serra em que ele dizia não saber di­ferenciar um cibasol de um paracetamol, só que entendia de gestão, sabia montar equipe e colocar os melhores quadros. Lula não sabia fazer conta de padaria, mas escolheu Henrique Meirelles [MDB] para o Banco Central.

Euler de França Belém – Meirelles seria um bom presidente ou um bom candidato a presidente?

Seria muito bom presidente e um péssimo candidato.

Augusto Diniz – Meirelles se vende mal?

Ele não tem uma coisa que é fundamental para um candidato: uma boa interação com as pessoas.

Marcelo Mariano – Caiado se parece mais com Álvaro Dias ou com Bolsonaro?

Com o Álvaro Dias. Caiado é mais sensato. Bolsonaro tem um estilo mais arrasa quarteirão. Esse estilo do Bolsonaro nada tem a ver com ser bobo. É um estilo que tem dado certo nas pesquisas. E há a máxima de Tancredo Neves que governo é igual violino, pega com a esquerda e toca com a direita. A pessoa vai contra tudo, mas na hora de governar é preciso de apoio. Talvez o Bolsonaro se encaixe nesse estilo.

Euler de França Belém – A versão Caiado paz e amor é verdadeira?

Sim. Nem tanta paz nem tanto amor. Mas não é essa agressividade que se propaga. Caiado é uma pessoa sensata, tem espírito de equipe. Veio da área de medicina, sabe que precisa de um conjunto ao seu lado. Ele é firme e às vezes duro nas posições que defende. Isso às vezes pode ser confundido com outra coisa. Mas é um político de perfil de equipe.

Euler de França Belém – O sr. não tinha uma convivência estreita com Caiado. Como tem sido?

Muito boa. Muito respeitosa. Sem­pre um bom diálogo, otimista. Isso ajuda a entusiasmar a quem está perto. O candidato tem de dar o tom da cam­panha. Nessa relação com Caia­do, de 2014 até hoje, aprendi a admirá-lo.

“Foi uma pena o goiano Arthur não ter sido convocado por Tite”

“Renato Gaúcho tem tudo para ser técnico da seleção depois do Tite”

Euler de França Belém – Qual jogador brasileiro não está na lista dos convocados da seleção brasileira, mas merecia estar na Copa do Mundo na Rússia? E qual convocado não deveria estar na lista do técnico Tite?

Acredito que o Arthur [jogador goiano do Grê­mio, de Porto Alegre-RS] deveria ter sido convocado, porque cumpre uma função tática muito boa no campo. A saída de bola dele é muito boa. Arthur pode ser tanto primeiro quanto segundo volante. Para mim foi uma pena ele não estar na lista dos convocados. Acho que o volante Fred [Shakhtar Donetsk-Ucrânia] não deveria ter sido convocado. Talvez Tite o tenha convocado por ser um jogador canhoto, mas vejo Arthur com mais capacidade técnica para a saída de bola e mais força defensiva do que o Fred.

Marcelo Mariano – Muitas pessoas dizem que o meia-atacante Luan é o melhor jogador que atua no Brasil. Já outros acreditam que seja o Arthur. Qual é melhor?

Os dois são muito bons. Mas vejo Arthur em um melhor momento.

Marcelo Mariano – Luan deveria ter chance na seleção?

Naquela posição Luan não te­ria espaço. Na meia temos Phi­li­ppe Coutinho [Barcelona-Espa­nha] e Willian [Chelsea-Inglaterra].

Marcelo Mariano – Nem no lugar do Taison [Shakhtar Donetsk]?

Mas Taison é mais atacante pelas pontas. Taison está atravessando um bom momento.

Marcelo Mariano – Fizemos um levantamento das convocações da seleção brasileira desde a Copa de 1930 e nunca houve um goiano na lista. Arthur seria o primeiro jogador nascido em Goiás em uma Copa do Mundo.

Pela análise do futebol do Arthur, ele merecia estar na Copa. Por ser goiano melhor ainda. Independente disso, Arthur merecia estar no lugar do Fred na lista dos convocados.

Euler de França Belém – O único jogador que não merecia estar entre os convocados seria o Fred?

Só o Fred. Tem o Taison, mas que vive um bom momento, um jogador agudo. O Euler nos bons tempos. Vertical. Pega a bola e parte para cima.

Marcelo Mariano – Só que Taison tem média de 0,19 gol por jogo.

Mas Taison joga pelas beiradas. O duro seria um atacante centralizado ter essa média de gols. O centroavante não poderia ter essa média. Não diria que o Taison é a sétima maravilha do mundo, mas no lugar dele não teria outro.

Euler de França Belém – De zero a dez, qual a chance de o Brasil ser campeão mundial na Rússia?

A chance é oito. Estou animado.

Marcelo Mariano – O sr. acredita que Tite tenha protegido os nomes de confiança do técnico, que já trabalhavam com ele desde o Corinthians, como Cássio e Fagner, e outros que saíram do clube, como Renato Augusto [Beijing Guoan-China] e Paulinho [Barcelona-Espanha]?

Paulinho está no Barcelona jogando um bolão, fazendo gol toda hora, jogando uma competição muito difícil, joga ao lado do Messi. Vejo o fato de ter sido jogador do Corinthians do Tite como uma coincidência.

Marcelo Mariano – Quase todos são inquestionáveis, mas o Fagner?

Titular o Fagner não é de jeito nenhum. Eu colocaria Danilo [Manchester City-Inglaterra] de titular na lateral-direita. Fagner foi convocado por questão de sorte, pela contusão do Daniel Alves [Paris Saint-Germain-França]. Quem teríamos para convocar no lugar do Fagner?

Marcelo Mariano – Há outros jogadores que Tite poderia ter testado, como Rafinha [Bayern de Munique-Alemanha] ou Mariano [Galatasaray-Turquia].

Mas fica difícil separar a convocação política daquela feita pela confiança que o técnico tem no jogador. E leva vantagem o jogador que já atuou com o treinador. O atleta já conhece a maneira do técnico armar sua equipe. Outra coisa que conta é a comunicação entre o jogador no campo e o treinador no banco. Por incrível que pa­re­ça, pela cara do técnico para o jogador, o atleta que já conhece aquele treinador sabe o que deve fazer. Mas a confiança não po­de ser o único critério. Se o Daniel Al­ves tivesse condições de jogar, o Fagner estaria fora.

Euler de França Belém – Neymar está fora de forma?

Não está voando. Mas Neymar é um jogador muito dedicado, que ama treinar. Isso ajuda muito no processo de recuperação da forma física e do ritmo de jogo. Torcemos que no mês que falta para a Copa, Neymar volte em alta.

Marcelo Mariano – Fala-se muito sobre a continuidade do Tite à frente da seleção depois da Copa do Mundo, com a possibilidade de Renato Gaúcho [Grêmio] ser o próximo treinador da seleção. Se o técnico fosse Renato Gaúcho, Arthur e Luan seriam convocados?

Não tenho dúvida. Arthur e Luan sim. Mas com certeza Renato tem outros jogadores de confiança no elenco que não seriam convocados. Acredito que ele tem tudo para ser técnico da seleção depois do Tite. Vi que Renato estava maduro para chegar à seleção quando ele foi perguntado em uma entrevista na ESPN sobre o fato de ter sido cortado da seleção pelo falecido técnico Telê Santana por ter fugido da concentração com o ex-jogador Leandro [Flamengo], o que faria com o Renato jogador no lugar do Telê. Renato respondeu “eu teria cortado” senão teria perdido o controle do grupo.

Euler de França Belém – O que acontece com o Goiás, um time que tem boa estrutura, a equipe não é ruim, mas que vive uma crise?

As decisões no Goiás parecem um processo em tramitação em uma repartição pública. Tem de passar por vários departamentos. Existe uma burocracia muito grande até para contratar um jogador. É preciso agradar uma meia dúzia de pessoas que precisam endossar a contratação.

A mesma coisa para demitir alguém. Goiás errou muito por ter insistido muito tempo com o técnico Hélio dos Anjos, que é um técnico para ficar um mês. Eu o contrataria com a condição de recebimento de um prêmio para, por exemplo, livrar a equipe da zona do rebaixamento. Hélio é um treinador tiro curto.

Augusto Diniz – A impressão que dá é a de que o Goiás tem um apego emocional com Hélio dos Anjos.

Sim. Tem muitas decisões no Goiás que são emocionais. Quan­do Fernandão voltou, por exemplo, houve uma festa com helicóptero, salário muito maior do que os outros atletas. E todo mun­do sabia que a chance de dar certo era muito pequena. Jogador que chega como a grande estrela precisa ser recebido por um técnico muito habilidoso para trabalhar a cabeça dos outros jogadores, que podem perder o entusiasmo.

Sei de casos de bons jogadores que o Goiás poderia ter contratado, mas deixou de trazer porque o empresário seria irmão de outro empresário que teria dado problema para o clube há 30 anos. A questão emocional está muito presente na vida do Goiás. É preciso profissionalizar mais a gestão. As pessoas que compõem o quadro diretivo do Goiás são boas, mas o espírito profissional tem de prevalecer mais do que tem prevalecido.

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