“Quero ser um vice-governador presente e trabalhador”

Presidente estadual do Pros diz que o partido se tornou o quarto maior de Goiás após as eleições

Foto: Ruber Couto/Alego

Eleito deputado estadual pela primeira vez em 2010, Lincoln Tejota (Pros) cumpre atualmente seu segundo mandato e, em julho, foi convidado para ser vice-governador na chapa de Ronaldo Caiado (DEM), que venceu as eleições já no primeiro turno.

O rompimento com a atual base go­vernista gerou polêmica, mas Lincoln Tejota não quer olhar para trás. O agora vice-governador eleito, que pretende participar ativamente da transição de governo, diz que o projeto é de unificação e a sua proximidade com o Poder Legislativo deve ajudá-lo na composição de maioria na Assembleia Legislativa a partir do ano que vem.

Nesta entrevista ao Jornal Opção, o parlamentar afirma estar preparado para assumir a função que Ronaldo Caiado achar mais importante. “Quero ser um vice presente, trabalhador, que sabe o seu lugar, pronto para servir em qualquer função e em qualquer lugar que o governador queira”, ressalta.

Lincoln Tejota não descarta a possibilidade de ser candidato a prefeito de Goiânia em 2020 — o seu nome costuma ser ventilado com frequência. Contudo, frisa que ainda não é o momento adequado para este tipo de discussão.

Presidente estadual do Pros — que elegeu três deputados estaduais (Cairo Salim, Rubens Marques e Vinicius Cirqueira) e tem a primeira suplência de deputado federal (Dona Cida), Lincoln Tejota rejeita apoio ao presidenciável petista Fernando Haddad — nacionalmente, Pros e PT caminham juntos. “Eu, Lincoln Tejota, não tenho a intenção de apoiar o PT”, frisa. “Respeito a decisão partidária, mas tenho posição aqui em Goiás.”

Qual será o seu papel como vice-governador durante a gestão de Ronaldo Caiado? O sr. deve assumir alguma secretaria?
Quero fazer como Marco Maciel [vice-presidente de Fernando Henrique Cardoso de 1995 a 2002]. Quero ser o mesmo vice que ele foi. Um vice presente, trabalhador, que sabe o seu lugar, pronto para servir em qualquer função e em qualquer lugar que o governador queira. Tenho a confiança do Ronaldo Caiado. Afinal, fui escolhido e convidado para ser o vice dele. Tenho também a confiança da população do Estado, que aprovou o nosso projeto e me elegeu como vice. Estou pronto para ocupar a função que o governador achar importante. Não tenho apego por espaço. Tenho apego por resultados.

A sua saída da base governista gerou muita polêmica. Agora, com um novo governo eleito, o sr. acredita que outros nomes podem deixar o grupo e aderir a Ronaldo Caiado?
Esse é um processo natural. Um prefeito inteligente não faz oposição ao governo do Estado. Isso é, no mínimo, burrice. Sabemos que os prefeitos precisam do governador. O que queremos é um projeto é de unificação, de entender que a política precisa evoluir. Política tem que ser feito para os goianos, para o nosso povo ter uma saúde de qualidade, uma segurança de qualidade, ter um imposto tão caro que o povo paga devolvido como benefício. Nosso objetivo é esse. Sem olhar para trás. Eu fiz parte desse grupo, dei a minha contribuição e ajudei o Estado. Eles também ajudaram, mas agora é hora de olhar para frente. Motorista que só olha o retrovisor bate o carro.

Qual é a avaliação que o sr. faz do desempenho do Pros nestas eleições, que elegeu um vice-governador, três deputados estaduais e tem a primeira suplência de deputado federal?
Avalio que o Pros saiu de um partido nanico para se tornar o quarto maior de Goiás. O partido se agigantou. Obtivemos mais de 39 mil votos para deputado federal e mais de 191 mil votos para deputado estadual e pudemos eleger três representantes para a Assembleia Legislativa. Hoje, temos uma das maiores bancadas da Casa, ficando atrás apenas do DEM e do PSDB [com quatro e seis deputados estaduais, respectivamente]. Isso se deve ao nosso trabalho, ao trabalho do nosso presidente nacional [Eurípedes Júnior] e dos demais membros, mas, principalmente, à atenção que eu demos para o partido neste momento.

O seu nome costuma ser ventilado como um possível candidato a prefeito de Goiânia em 2020. O sr. pensa nisso?
Não. Até o presente momento, quero participar da transição do governo, ver o que o Estado precisa e discutir os problemas. Vamos deixar para debater isso no momento certo. Se for da vontade do povo e da vontade do governador, o meu nome está à disposição, mas eu particularmente não tenho trabalhado com esse intuito.

Nacionalmente, o Pros, partido que o sr. preside em Goiás, apoia o PT, mas Ronaldo Caiado está com Jair Bolsonaro, do PSL. Se o candidato a presidente petista, Fernando Haddad, vencer, o sr. pode se tornar uma elo entre o Estado e a União?
Não sei. Eu, Lincoln Tejota, não tenho a intenção de apoiar o PT. Respeito a decisão partidária, mas tenho posição aqui em Goiás. Apesar de termos um bom PT goiano, que deveria ser referência para o Brasil, com nomes como o deputado federal Rubens Otoni e os deputados estaduais Delegada Adriana Accorsi e Luis Cesar Bueno, não compartilho dos pensamentos que o PT nacional tem. Respeito a posição do meu partido e me reservo ao direito, como ente político e cidadão que sou, de manter a minha opinião.

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