“Queremos fazer da OAB Goiás uma referência nacional”, diz Rodolfo Otávio Mota

Pré-candidato à presidência OAB Goiás o advogado Rodolfo Otávio Mota tem cumprido uma agenda intensa com apresentação de seu projeto, que tem recebido uma série de manifestação de apoio

O presidente da Caixa de Assistência dos Advogados de Goiás (Casag), o advogado Rodolfo Otávio, se apresenta como candidato à presidência da OAB-Goiás, com projeto de unir a classe. Segundo ele, o foco é construir um projeto sólido e plural para impor uma gestão renovada à Ordem em Goiás.

A experiência que Rodolfo Otávio possui à frente da gestão da Casag – entidade que ele preside há quase seis anos –  será a vitrine para sua campanha. O advogado aponta que a OAB goiana precisa de um gestor experiente, e que seu perfil vanguardista vai lhe permitir valorizar a advocacia em início de carreira e os representantes do interior. 

Qual é sua motivação para se lançar candidato a presidente da OAB-GO?
O momento da advocacia. Estamos vendo a advocacia sofrendo, padecendo, enfrentando um momento de muita agrura, com crise financeira, crise pandemica, necessidade de inserção dos jovens advogados e necessidade de se ter um gestor experimentado. Dentre os nomes que estão colocados vejo que tenho as credenciais para tanto.

A nossa história na Caixa de Assistência aos Advogados nos credencia a isso. Sou o único candidato que de fato geriu algo na OAB-Goiás que teve orçamento próprio, que cuidou e fez história e que elevou a Casag a uma referência nacional. São essas credenciais que demonstram compromisso com a advocacia e por isso  apresentamos a pré-candidatura. Queremos fazer da OAB goiana uma referência nacional, e assim possamos defender as bandeiras da sociedade civil, e também garantir sua participação nos mais diversos segmentos, como advocacia do interior, advocacia jovem, as mulheres, negros, advogados sênior, enfim todos os segmento e todas as áreas do Direito.

O senhor é atualmente o presidente da Casag, compondo um grupo de gestão do atual presidente Lúcio Flávio. O senhor assume a postura de candidato oposicionista?
Não é essa a minha posição. Essa dicotomia é muito comum na política partidária –  ou é oposição ou é situação. Com a maturidade que temos entendemos que não é esse o posicionamento, apesar de por vezes estar escutando que “quem não está conosco é contra nós”. Mas não é isso.

“Para fazer história precisamos construir um movimento extremamente plural”

Na verdade tem algumas coisas que devem ser mantidas e outras que devem avançar. Há também outras que precisam ser modificadas e retomadas. Nós nos apresentamos com projeto autônomo, voltado para advocacia unida e queremos avançar resgatando alguns valores que se perderam nos últimos anos. Também é importante manter os avanços que vivemos e ampliá-los.

Não vemos que a nossa candidatura é de continuísmo e tampouco de oposição. Claro que vamos discutir a advocacia com absoluta independência, com altruísmo e galhardia nesse processo político, sempre com absoluto respeito a todos que aí estão, inclusive as gestões anteriores. Sempre de forma elegante, produtiva e construtiva. Temos que reconhecer os avanços e criticar onde não houve. Essa independência de não nos portar como oposicionistas, críticos ácidos e contumazes a tudo e a todos, e nem tampouco também como avalista de tudo que aconteceu. Isso nos dá independência para colocar a advocacia em um novo patamar.

Seu trabalho à frente da Casag é a sua vitrine para candidatura?
Na verdade não é questão de vitrine. Isso mostra o compromisso que nós sempre tivemos de servir a todos indistintamente. O nosso passado nos credencia. Não estamos entregando um portfólio de expectativas e esperanças. Temos atestado de entregas por tudo que já fizemos. O advogado sabe tudo e exatamente que terá de nós o mesmo compromisso e comprometimento. 

Eu não diria que me escoro e me escudo só nisso. Mas minha gestão na Casag é referência para todos que sabem que podem contar com muita dedicação, compromisso, além de um gestor experimentado e uma pessoa que sabe o que fazer e como fazer, sempre com vanguardismo e ineditismo trazer soluções efetivas para o momento em que a retórica tradicional não vai resolver o problema da advocacia. Precisamos inovar e ser criativos para assim trazer alternativas que sendo um gestor ortodoxo não terá.

Tem recebido muitas manifestações de apoio? Como tem recebido essas iniciativas?
Muito positivo. Recebo com muita alegria. São fatos que ratificam a ideia da advocacia unida. Se prestarmos atenção nos apoios que recebemos, tem manifestação de pessoas que estão na atual gestão do presidente Lúcio Flávio, tem apoio de outros que estiveram a serviço da antiga OAB Forte e também da Nova Ordem. Há conosco pessoas da OAB Independente, pessoas do antigo grupo do Alexandre Caiado, além de manifestações nas subseções que tiveram vinculadas aos mais diversos projetos. 

“Tem algumas coisas que devem ser mantidas e outras que devem avançar”

Isso mostra que estamos no caminho certo. Mostra que pessoas de idoneidade moral inquestionável e de reputação ilibada e competência profissional que se somam a todo momento ao nosso projeto para fazer história. Esse é o único movimento que tem essa característica e dá essa possibilidade para que os mais diversos segmentos da advocacia aportem neste movimento.

Há um chamado para todos aqueles que são simpáticos a esses ideais do movimento da advocacia unida, que nos procure e nos contate. As portas estarão sempre abertas num projeto absolutamente horizontal, onde todos terão voz e vez.

Para fazer história precisamos construir um movimento extremamente plural com quantitativo amplo. Teremos frente de trabalho que contemple absolutamente todos aqueles que queriam trabalhar e servir a Ordem, e não se servir dela, será absolutamente bem recebido pela advocacia de goiana que espera dias melhores para a sociedade. 

O senhor descarta totalmente uma aliança com os pré-candidatos Rafael Lara e Valentina Jungmann?
O grupo do Rafael Lara eu vejo como impossível, até porque é um grupo fechado de difícil construção. Eles estão enfrentando dificuldade em trazer novos nomes, até porque os compromissos assumidos naturalmente em outras gestões vão ter que ser mantidos. É um grupo difícil de se renovar. 

Diferente do que acontece com a Valentina, que traz consigo um novo projeto, com uma nova construção. Eu vejo muita identidade do nosso movimento com o dela. Isso porque também não é um movimento oposicionista e não é continuísta. 

O senhor vai buscar compor sua chapa com advogados que representam o interior?
Claro. É uma questão de justiça. Temos uma advocacia no interior que é representativa . Temos que espelhar essa advocacia das subseções do interior também na composição da chapa.

Ninguém mais do que eu, que esteve na coordenação política nas subseções nas últimas duas gestões conhece a realidade do interior. Também há a experiência que tive à frente da Casag. Temos bons nomes a se somar no projeto que são advindos do interior. Temos por o compromisso com a advocacia trazer essa pluralidade para vir repreentar essa heterogeneidade que é a advocacia com negros, mulheres, advogados do interior, advogados da capital, advogados das mais diversas áreas. Assim a gente expira esse extrato social, que é a advocacia hoje. 

O senhor é a favor de que a eleição deste ano seja de forma remota?
Ao que nos consta, pela deliberação do Conselho Federal, é uma questão resolvida. Só oito estados aderiram ao projeto piloto de eleição virtual. Goiás não foi um deles. Goiás manterá a eleição tradicional. O presidente Lúcio Flávio não fez a opção para uma eleição virtual. 

“Não vemos que a nossa candidatura é de continuísmo e tampouco de oposição”

Confesso que não sei se estaríamos preparados em termos de segurança e tecnologia para uma eleição dessa forma. Para se ter ideia, estamos com urna eletrônica há mais de uma década e ainda se critica o processo, e agora existem projetos para impressão do voto. Não sei se teríamos maturidade tecnologia para manter a rigidez de um processo tão importante.

Como essa é uma situação que já está resolvida do ponto de vista jurídico, eu acho que se debruçar neste tema agora é perda de energia. 

E em relação ao voto daquele advogado que se encontra inadimplente com a Ordem?
Sabemos muito bem das dificuldades da advocacia, principalmente neste momento em que temos trabalhado com auxílio. Sabemos que muitas pessoas deixaram de pagar a anuidade, não porque querem. Mas por absoluta insuficiência e impotência para o momento. 

Infelizmente essa é uma deliberação que passa pelo Conselho Federal. Então a gente pede para que haja maturidade e sensibilidade de nossos representantes em relação a realidade da advocacia neste momento. 

Em relação ao advogado em início de carreira, o senhor acha que merece neste momento maior atenção?
Claro. A advocacia em início de carreira em todos os momentos da história sempre é um ponto focal de preocupação. A inserção é importante, neste momento de pandemia, muito mais. temos duas balizas intransponíveis no código de ética em relação a publicidade do jovem advogado e dos profissionais mais experimentados como um todo, que é a impossibilidade de mercantilização da profissão e da vedação da ridicularização profissão. Mas temos ainda um provimento que trata de publicidade com muita rigidez e fora do seu tempo. 

Sabemos que está sendo aprovado um novo regramento para publicidade no que se diz respeito à inserção no mercado de trabalho. Imagine que estamos em um momento em que o jovem advogado precisa se inserir no mercado de trabalho e está absolutamente engessado em relação a construção de seu network e relacionamento, já que vivemos em um momento de pandemia em que existe a necessidade de distanciamento. Não há possibilidade de realizar congressos, eventos e não se pode apresentar em eventos sociais ou reuniões de um segmento para discussão do direito, então o advogado em início de carreira está com mais dificuldades que em outros momentos. 

“Minha gestão na Casag é referência para todos que sabem que podem contar com muita dedicação”

Temos preocupação sim com a colocação no mercado de trabalho, com a criação de habilidades naturais e que precisam ser complementadas no início da profissão. Sabemos que a graduação de bacharel em Direito ela não é exauriente para o exercício profissional, ou seja, precisa de outras formações complementares que também são prejudicadas pela pandemia. Por mais que tenhamos o EAD (Ensino a Distância) tenha vindo como alternativa para construção do profissional de momento, ela ainda não é a ideal. Temos muita preocupação e muitos projetos neste sentido para auxiliar o advogado em início de carreira para colocação no mercado e para criar uma série de oportunidades.

Como o senhor se posiciona a respeito do negacionismo à ciência e os arroubos autoritários do atual presidente?
A OAB é guardiã dos interesses sociais. Somos a única entidade de classe que tem função ambivalente. Nós temos que nos posicionar sim em toda e qualquer demanda social. E em momento de pandemia isso não pode deixar de existir. O que somos radicalmente contrários é a partidarização da Ordem, de forma cética, cega e atrelada a qualquer tipo de projeto de poder. Precisamos ter nossa independência até para que sejamos ouvidos e respeitados. A OAB tem que emitir suas opiniões de forma técnica e verdadeiramente apartidária, não apolítica. A Ordem nunca vai deixar de ser politizada, mas nunca deve ser partidária. 

Essas questões do negacionismo e ceticismo não podem existir, sobretudo neste momento de extrema necessidade de um enfrentamento de uma crise sanitária, talvez não vista nos últimos cem anos.

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