“Quem responde pelas contas da Prefeitura é o prefeito. As contas de Anápolis estão sob controle”

Depois de dois meses e meio à frente da gestão municipal, em lugar de Antônio Gomide, o ex-vice mostra personalidade e diz que quer preparar a cidade para as próximas décadas

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Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Depois de um mandato inteiro como vice-prefeito de Anápolis, Antônio Gomide, e de sua recondução na mesma formação de chapa, em 2012, João Gomes, de 48 anos, assumiu a cadeira principal da cidade em abril, com a saída do companheiro — a quem ele considera um “irmão” — para se candidatar ao governo do Estado. E logo algumas vozes quiseram interpretar declarações que ele teria dado — principalmente em relação às finanças da administração — como críticas ao petista que saía.

Já com tarimba para as questões políticas, João Gomes demonstra tranquilidade para analisar o fato. “Às vezes pegam uma declaração e puxam para certo lado buscando tirar proveito político.” Ao mesmo tempo, ele nega qualquer risco de atraso da folha ou algo parecido, como chegou a ser aventado.

Empresário do setor elétrico e trabalhando praticamente desde o fim da adolescência — “meu pai me emancipou aos 18 anos” —, ele acredita que é preciso fazer um governo pensando não em obras pontuais ou ganho político imediato. “Até tempos atrás, Anápolis foi administrada se pensando em três, quatro, cinco anos. Quero fazer minha parte para que pensemos na cidade para daqui a 30, 40, 50 anos”, ressalta. Entre as prioridades de João Gomes, ele destaca a prestação de serviços, com vistas a agilizar a administração para afinar a gestão pública com o novo momento tecnológico que o município vive com a implantação dos diversos modais — além da consolidada ligação rodoviária com Goiânia e Brasília, também a recém-inaugurada Ferrovia Norte-Sul e o iminente aeroporto de cargas.

Patrícia Moraes Machado – A relação administrativa do sr. com o governador Marconi Perillo tem prejudicado sua relação partidária com o ex-prefeito de Anápolis e pré-candidato ao governo pelo PT, Antônio Gomide?
De maneira alguma. Antônio Gomide e eu somos, acima da política, como irmãos. Nós nos damos muito bem, somos amigos, companheiros e o princípio de lealdade entre nós persiste. Sou leal ao meu grupo. Sou leal ao meu partido e sou leal ao meu companheiro Antônio Gomide. E, como prefeito de Anápolis, não estou fazendo nada diferente do que ele fez. Ele também foi parceiro do governador Marconi Perillo enquanto prefeito. Os interesses da cidade estão acima disso. Até porque Marconi é o governador de Goiás e não o governador de um partido. O mesmo ocorre com a gestão do Estado. Como gestor, o governador julga importante ser parceiro do governo federal e admite que isso o ajuda a governar. Ou seja, é necessário separar essas questões. Agora, essas especulações sobre desentendimentos entre nós são normais nesse calor das discussões eleitorais. Porém, não correspondem à realidade. Eu e Gomide nos falamos sempre.

Patrícia Moraes Machado – Como o sr. disse, Antônio Gomide ressaltou as parcerias entre o governo do Estado e a gestão dele enquanto prefeito de Anápolis. Mas agora ele faz duras críticas ao governador. Como fica isso?
Gomide responde pelo período em que ele foi prefeito e eu respondo pelo meu. Talvez ele queira dizer que o governo poderia ter feito mais. Temos convênios que foram celebrados em 2011, por exemplo, mas que parte dele estamos correndo para consolidar agora. Temos um convênio de asfalto, no valor de R$ 8 milhões, dos quais R$ 6 milhões foram cumpridos. Faltariam, então, cerca de R$ 2 milhões. Talvez Gomide esteja querendo dizer que o governo tivesse feito um pouco mais, talvez essa fosse a vontade dele. Se parar para pensar, R$ 6 milhões em três anos, pelo tamanho de Anápolis, realmente parece muito pouco, poderia ter feito mais.

Patrícia Moraes Machado – Qual o retorno que Anápolis dá para Goiás em termos financeiros – impostos, arrecadação etc.?
Anápolis é o 2º PIB [Produto Interno Bruto] de Goiás e responde por 10% de toda a riqueza gerada no Estado. Só perde para Goiânia. É a cidade que mais gera emprego, renda e impostos para Goiás e o Brasil depois da capital.

Patrícia Moraes Machado – Talvez seja por isso a queixa de Gomide.
Talvez seja em função disso. Mas é preciso separar as coisas. Gomide está em campanha, fazendo seu discurso e viajando o Estado inteiro. A realidade que ele vive é uma realidade de Estado. Eu vivo a realidade de Anápolis, uma cidade com 107 anos e que, obviamente, tem seus problemas, tem suas demandas represadas. É uma cidade que não foi planejada, que cresceu em torno de uma igreja. Estamos buscando avançar em cima dessas demandas para melhorar a qualidade de vida de seu povo e, para isso, precisamos de parceria com o governo do Estado. Então, tantas quantas parcerias forem necessárias buscar com o governador eu estarei buscando. Mesmo que não tenha resultado nenhum diretamente, mas tenho visto boa vontade por parte do governo.

Elder Dias – Qual seria a prioridade número um em termos de parceria?
Primeiro, resolver as que estão pendentes. Temos esse convênio sobre asfalto, que estamos resolvendo. O governador mesmo me ligou esses dias para dizer que está tudo resolvido. É uma obra de R$ 9 mi­lhões, das quais quase R$ 2 milhões, agora, fazem parte do convênio com o Estado – o restante é por conta do município e da União. A notícia que tenho é de que a demanda agora está na Casa Civil. Era um convênio que estava praticamente suspenso, mas que foi reativado.
Um problema sério que temos em Anápolis hoje é com a Saneago. A empresa tem desenvolvido várias obras na cidade, em função de um trabalhou que fizemos, logo no início de nosso governo, com o objetivo de universalizar água e esgoto na cidade, que é uma questão muito grave em Anápolis. Ocorre que as obras acabaram por afetar nossa malha asfáltica como um todo, deixando-a totalmente sucateada. Estamos tapando buraco em cima de buraco. Vamos tapando e a Saneago atrás, furando, porque as redes são antigas demais e a empresa tem, muitas vezes, de voltar no mesmo mês ao mesmo lugar para cuidar da mesma tubulação. In­fe­lizmente, é assim. A Saneago trocou uma grande parte da rede, mas isso causou bastante estrago na malha viária da cidade. Minha reivindicação com o governador na primeira reunião com ele foi resolver isso. É um problema da cidade, mas causado pela Saneago. Ele entendeu e enviamos projetos no valor de R$ 40 milhões à Agetop [Agência Goiana de Transportes e Obras]. Já começou a licitação de um lote de R$ 7 milhões. Creio que este seja o que está destacado para recapeamento, ou seja, para restauração de vias já asfaltadas, em função da deterioração de nossa malha. Como eu disse, é uma malha antiga que, à medida que vão fazendo obras, os remendos tornam a coisa pior ainda. É um dos nossos maiores problemas e que demandariam um investimento muito alto, superior a R$ 40 milhões, talvez mais de R$ 100 milhões.

Patrícia Moraes Machado – Agora, como prefeito e não mais vice, é que seu nome começa a ser conhecido como político e como gestor, inclusive pela população anapolina. Qual é a imagem que o sr. pretende imprimir, agora que entrou de fato para a história da cidade?
A primeira imagem que conseguimos imprimir já foi, em parte, como vice-prefeito. Se você for a Anápolis e perguntar a quem mais acompanha as questões da cidade, a maioria vai dizer que a cidade tinha um vice-prefeito que trabalhava, que estava junto com o prefeito, que acompanhava a gestão, que se dedicou à cidade. Um empresário que deixou para segundo plano seus negócios pessoais, deixou-os para gerentes e diretores cuidarem, e se dedicou a uma causa chamada Anápolis. Agora, não é diferente. Enquanto prefeito, a principal marca será a de trabalhar. A força do trabalho é a marca característica que nós queremos manter na administração do município. Vamos trabalhar e trabalhar muito.

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Patrícia Moraes Machado – Mas existe algum projeto específico a que o sr. quer se dedicar, dando prioridade?
A prestação de serviços. Uma pre­feitura é sempre o maior empregador de uma cidade. E o que ela faz é prestar serviço. A qualidade do serviço que nós prestamos, então, precisa ser melhor a cada dia, e isso vale para todos os aspectos – manter a ci­dade limpa, cuidar da iluminação, fa­zer obras etc., mas principalmente na­quilo que demanda trabalho direto, como alvarás, licenciamentos, a­companhamento de construções, ex­pansões, parcelamentos, aprovação de projetos. Enfim queremos dar celeridade às questões de Anápolis.
Temos uma cidade hoje que, como eu já disse, responde pelo 2º maior PIB goiano. É a cidade que abrange 10% das riquezas geradas em Goiás. Com a inauguração da Fer­rovia Norte-Sul, mais a consolidação do aeroporto de cargas e da plataforma logística multimodal, A­ná­polis vai passar a viver, sem dúvida nenhuma, um novo momento em seu ciclo econômico, em sua história. Se tomarmos desde 1935, quando foi inaugurada a Ferrovia Goiás, que é a Centro-Atlântica, que liga Anápolis ao Sudeste do País, a gente vê que a história da cidade já mu­dou na parte econômica. Creio que agora, com a Norte-Sul, com o ae­roporto e plataforma, além do polo tecnológico – que está caminhando também –, Anápolis passa a experimentar um novo momento, um novo ciclo. Temos de preparar a cidade para isso e, então, a qualidade dos serviços e a celeridade nos processos são coisas que mais a gente precisa trabalhar. Projetos individuais, obras localizadas, isso é à parte.
Uma cidade como Anápolis demanda obras todos os dias, e algumas delas serão novas, em função do novo momento. Nossa cidade faz parte de um eixo consumidor entre Goiânia e Brasília que dá uma soma de mais de 6 milhões de pessoas. A somatória de tudo dá um PIB de quase R$ 270 milhões. É muita coisa e é preciso que pesemos isso e interpretemos o que tudo pode representar para o futuro da cidade. Temos de imaginar que a cidade de hoje passa por alguns problemas que existem porque lá atrás alguém não pensou no que seria a cidade atualmente. Não se pode pensar a cidade para os próximos três, quatro, cinco, seis anos. Precisamos ter um grupo de pessoas que nos ajude a pensar nessa cidade para 20, 30, 40, 50 anos, para que, quando esse período chegar, as pessoas que lá estiverem possam enxergar isso que foi feito. Do contrário, vamos estar sempre apagando fogo. Se eu não tiver um projeto paralelo para preparar a cidade para os desafios que virão, para esse novo ciclo, certamente vou estar pecando. É importante pensar a cidade com o setor produtivo – que gera emprego e renda –, mas também com o setor político, entendendo que o momento político agora é um, mas pode mudar. Então, meu intuito é preparar a cidade para este novo momento, com essa consolidação de estrutura logística, com esses três modais consolidados, contando já com o aeroporto de cargas. Anápolis está no centro geográfico do País, equidistante dos principais centros consumidores de todo o Brasil. As empresas enxergam isso. E vão enxergar ainda mais, com a consolidação dos três modais.

Frederico Vitor – O sr. citou a questão do problema de abastecimento da cidade, que está sendo encaminhado com o trabalho com a Saneago. Mas há informações de problemas de energia elétrica, principalmente no Daia [Distrito Agroindustrial de Anápolis]. Isso procede?
Sim, claro que procede. Eu atuei no setor elétrico durante 35 anos e conheço bem esse setor, trabalhei com montagem industrial a vida inteira. Conheço muito bem o Daia, também. Dias atrás eu recebi empresários de Anápolis que estão com dificuldade de expansão, porque conseguiram apenas pouco mais de 10% da carga elétrica de que precisavam para expandir sua empresa. Foram obrigados a comprar grupos geradores, uma energia muito mais cara e cujo custo acaba indo para a planilha e até inviabilizando determinados produtos, já que é preciso concorrer com o mercado e, se for para concorrer, ganha quem oferecer o menor preço.
Energia elétrica é um problema sério em Goiás porque, na verdade, faltou investimento no setor, ao longo da história da Celg. A empresa não investiu em redes de transmissão, apesar de Goiás ser um Estado riquíssimo em recursos hídricos. Temos condições e fontes de geração suficientes para gerar energia com sobra, mas infelizmente seria necessário fazer chegar essa energia para quem gera emprego e renda. Uma empresa, quando solicita uma demanda de carga, faz isso momentaneamente. Mas essa mesma empresa automaticamente pega uma área cinco ou seis vezes maior do que a que originalmente vai ocupar, justamente porque pensa em se expandir. Essa expansão, nos últimos dez anos, ocorreu de maneira muito rápida e acelerada. E, infelizmente, o pouco investimento que foi feito em transmissão pesou negativamente. Essas indústrias aumentaram a geração de empregos e a geração de renda porque aumentaram sua produção. Hoje estamos correndo risco de estagnação, o que só não ocorreu ainda porque as empresas estão investindo em fontes alternativas de energia, como é o caso dos grupos geradores, principalmente.

Elder Dias – O fator elétrico é o principal entrave para o desenvolvimento tanto de Anápolis como de Goiás como um todo, hoje?
Com certeza. O empresário sempre vai fazer contas e vê todos os custos. No caso de Anápolis, tenho um problema sério: a própria área do Daia hoje me impede de trazer empresas novas. Já foi feito um projeto de expansão, já se efetivaram legalmente novos terrenos como áreas de interesse público, mas ainda não é uma realidade a expansão do Daia. Então, hoje tenho dificuldades para receber novas empresas e indústrias. E hoje as empresas que temos sofrem para expandir porque há falta de geração de energia. Isso é um fator que pesa.
Por outro lado, há cinco anos estamos fazendo investimento em formação e capacitação de nossos cidadãos, especialmente os jovens, para ocupar as vagas do mercado. Hoje Anápolis tem sua unidade do IFG [Instituto Federal de Goiás]. É um projeto do governo federal, do governo do PT, para o Brasil todo. Hoje são quase 500 institutos federais em todo o País, que capacitam os jovens para o mercado, assim como fazem o Senai e outras instituições.
O empresário leva isso em conta, também. Olha a questão da mão de obra e da qualidade de vida de seus trabalhadores. Ele entende que o trabalhador com melhor qualidade de vida produz mais na empresa. O trabalhador vai para o Daia, para a indústria ou para o comércio, mas, assim que ele termina seu turno na empresa, ele volta para casa. E é lá que ele vive, é lá que ele mora. Qualidade de vida, para ele, tem de ser onde ele reside. E essa é uma de nossas preocupações. Anápolis é a segunda economia de Goiás, mas traduzir isso em desenvolvimento social para a população é o grande desafio que temos, como gestores.
O novo tempo do Brasil força com que precisemos de mais energia. Gente que não comprava arroz de primeira hoje pode comprar. Quem não tomava iogurte hoje toma. O consumo aumentou e isso forço o setor produtivo, gerando maior necessidade de mais energia, o que não andou no mesmo ritmo, pelo contrário, esteve bem devagar.

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Cezar Santos – Surgiu na imprensa notícia sobre dificuldades financeiras da Prefeitura de Aná­polis. Como está isso? Há capacidade de investimento pela Prefeitura?
Sim, claramente. Estamos assumindo agora um financiamento grande dentro do PAC Mobilidade, com a Caixa Econômica Federal, tudo já aprovado pela STN [Secretaria do Tesouro Nacional]. A verdade é que acaba havendo muita especulação na mídia sobre essa questão financeira. Uma cidade de 107 anos é uma cidade que tem problemas, naturalmente. Temos um quadro grande de aposentados e quase 10 mil servidores.

Cezar Santos – Chegaram a falar em risco de atrasar folha de pagamento.
Um exagero. Quem responde pelas contas da Prefeitura ou é o prefeito ou alguém que ele autorize a fazer isso. Seria então, automaticamente, seu secretário da Fazenda. Ninguém ouviu isso da minha boca em qualquer meio de comunicação, ninguém me ouviu falando isso. Essa é uma das minhas preocupações, mas porque eu não penso Anápolis apenas para agora, mas para o futuro. Então, não quer dizer que eu não vá ter problemas – se eu não correr atrás para equacionar, certamente teremos problemas, inclusive financeiros, no futuro.
Hoje temos uma folha com comprometimento na casa de 47%. A prestação do último quadrimestre deu pouco menos do que isso. Podemos chegar a 51,30%, o que chamamos de margem prudencial em relação ao limite, de 54%. Estamos bem aquém ainda da margem prudencial. Mas mesmo esses 47% eu considero um índice alto, porque poderia estar sendo revertido para investimentos. Se eu preciso expandir, fazer viadutos e receber empreendimentos, preciso de mais receita. Então, quando se tem uma folha muito alta, esses investimentos ficam comprometidos, porque é preciso primeiramente pagar a folha.
A capacidade de aumento da arrecadação não avança na mesma velocidade de crescimento da folha. Então, no mês do ano seguinte não há a mesma arrecadação, mas a folha aumentou pelo menos em relação à reposição da inflação. Houve progressão de folha sem progressão de receita então. Tenho experiência nisso: sou empresário desde os 18 anos de idade, emancipado pelo meu pai, além de ser formado em Gestão Pública pela UEG [Universidade Estadual de Goiás].
Então, minha preocupação não é pontual. Mas, respondendo a você, a situação financeira da Prefeitura é boa, com problemas que têm sido enfrentados não de agora, mas nestes cinco anos, na gestão de Antônio Gomide e da qual fiz parte o tempo todo. São problemas de ordem histórica já – precatórios, dívidas com o INSS, com a Celg etc. Dia a dia chegam à nossa mesa decisões judiciais que comprometem pesadamente nossa receita. Houve, portanto, um certo exagero na interpretação com relação à preocupação que eu tenho em não deixar a coisa desequilibrada. Em alguns meses do ano, a receita é menor do que a despesa, o que é natural, principalmente nos primeiros. No decorrer do ano, o que posso dizer é que, de fato, temos uma dívida fundada muito alta, que passa de R$ 100 milhões e deve aumentar um pouco mais à medida em que perdemos ações na Justiça, o que compromete a receita, que é a mesma.
Ou seja, tem preocupação de nossa parte? Tem, mas a cidade não corre qualquer tipo de risco. Não há nada em termos de demissões ou coisa assim, o que assusta o povo. Não é nada disso. Às vezes pegam uma declaração e puxam para certo lado buscando tirar proveito político. Estamos com as contas em dia, pagando o servidor dentro do mês trabalhado, mas temos equações a ser resolvidas, como a do comprometimento da receita com a educação, que está em 28%, e com a saúde, que está em 19%. Precisamos trabalhar para equacionar esses números para sobrar recursos e, então, investi-los na cidade, que tem uma demanda grande nesse sentido.

“Mobilidade urbana é a nossa prioridade” 

Cezar Santos – Qual seria a prioridade de sua gestão, em termos de infraestrutura?
Mobilidade urbana. Temos um projeto para esse setor, mas também temos uma dificuldade grande, principalmente na parte central da cidade, que têm ruas estreitas, o que prejudica qualquer estudo, não é fácil. Nestes cinco anos fizemos dois viadutos e há mais dois projetados para serem construídos, além de um terceiro, nessa parte central, que seria na confluência da Avenida Engenheiro Portela com a Avenida Brasil. A ideia é que tenhamos um eixo de pista dupla que se inicie já na frente do Laboratório Teuto, no final da pista do Daia, até o término da Avenida Brasil Norte, no bairro Recanto do Sol. Um grande corredor, com a ideia de trazer mais mobilidade e celeridade ao tráfego, principalmente em relação ao transporte de massa, o que poderá fazer com que tiremos veículos individuais das ruas, não tem outro caminho. Infelizmente ou felizmente, porque a grande maioria tem carros. Eu falo carros, porque é difícil uma família que não tenha mais de um carro ou mais de um veículo automotor. Esse povo vai para rua e todos esses carros criam dificuldades. Anápolis tem, temporariamente, certa dificuldade, mas, se comparada a grandes centros, está muito longe de questões mais graves. Só que é uma preocupação nossa dar melhor mobilidade urbana, imaginando que vamos crescer e teremos ainda mais carros do que nós temos hoje.

Marcos Nunes Carneiro – Falando de política, como o sr. vê a formação dessa chapa pura pelo PT?
O PT é um partido que está acostumado a esse tipo de situação. Em Anápolis, em 2008, nós também tivemos uma chapa pura e vencemos. Então, o partido trabalha com projeto, planejamento e propósito. E vamos trabalhar assim daqui em diante.

Marcos Nunes Carreiro – Ter o vereador Tayrone di Martino como candidato a vice-prefeito não é uma mostra de que o partido ficou sem alternativa para alianças e até mesmo para composições dentro do próprio partido?
De forma alguma. Tayrone foi colocado como vice exatamente por ser qualificado. Com relação a alianças, nós ficamos abertos até agora para que pudéssemos fazer as coligações. Como não aconteceu, Tayrone é nossa opção, pois é ligado à ala do prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, e à Igreja Católica. É um companheiro que estava preparado para ser candidato a deputado federal e, sem dúvida alguma, agrega muito à campanha de nosso candidato Antônio Gomide.

Marcos Nunes Carreiro – Como o sr. vê a finalização das demais chapas e grupos de partidos por alianças?
Não tenho posição sobre as demais chapas. Ainda não parei para analisar isso. Mas, pelo que vi do encaminhamento das composições, acho que será uma boa campanha. Acredito que o PT vem com novas propostas, ao encontro do desejo do eleitorado, que busca novas alternativas e mais comprometimento com as causas ligadas à gestão e ao planejamento.

Patrícia Moraes Machado – Como o sr. avalia a chapa entre Iris Rezende (PMDB), Armando Vergílio (SD) e Ronaldo Caiado (DEM)?
É uma chapa que reúne forças antagônicas, politicamente falando, mas é uma chapa forte. Agora, quem decide as eleições, o eleitor, não enxerga isso.

Patrícia Moraes Machado – O eleitor enxerga de que maneira?
Os jovens, principalmente, foram às ruas há pouco mais de um ano mos­trar sua insatisfação. O movimento começou um tanto disperso, to­mando como ponto principal a questão do transporte coletivo, mas depois foi agregando outros fatores. Acho que é importante dar ouvido à voz das ruas, pois esses jovens, dez anos atrás, não votavam e não presta­vam atenção em quem votava. Mas o que eles estão enxergando hoje? O que eles querem? Nós, políticos, precisamos tentar pensar como eles, uma vez que a voz das ruas terá um reflexo grande nas eleições deste ano. Esses jovens vão ouvir bem o que os candidatos têm a dizer. Assim, em uma campanha, será mais eficaz para o candidato mostrar que tem propostas do que explicar quais são os partidos que compõem a aliança.

Patrícia Moraes Machado – Che­gam a comparar a aliança entre PMDB e DEM a uma aliança entre MDB e Arena, partidos divergentes à época da ditadura militar. O sr. acha que esses jovens estão atentos a essa divisão política?
Acho que poucos jovens farão essa leitura, por não ter conhecimento desse processo histórico. Mas acredito que esse tema será lembrado nas eleições e que, de alguma forma, a juventude irá tomar conhecimento disso, o que é bom. Agora, a leitura que eles farão dessa questão é muito difícil prever. Acredito que o mais importante, na visão deles, não são as diferenças do passado, mas, sim, a convergência de tudo isso para uma perspectiva futura. Ou seja, o que uma aliança entre forças historicamente divergentes vai somar positivamente para o futuro de Goiás.

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Patrícia Moraes Machado – Com seria a administração pública dessas forças?
Essa é uma boa pergunta. Mas não tenho a resposta. Não consigo enxergar.

Patrícia Moraes Machado – A visão administrativa dos componentes dessa aliança é muito diferente?
Totalmente. As eleições deste ano são para o Legislativo e para o Executivo. A convivência com esse antagonismo é muito boa no Legislativo. No Executivo, não. É impossível.

Patrícia Moraes Machado – Quais são as diferenças básicas?
Basicamente, o ponto de vista. O jogo de interesses. Não sei no que isso vai refletir. Observo que as alianças estão sendo feitas para viabilizar um projeto partidário. A preocupação está em ter partidos em uma coligação para somar tempo de TV e não em uni-los em volta de um projeto de governo. Mas o que essa somatória de forças vai resultar para governar o Estado? Acredito que esse ponto é que será observado pelos jovens que irão às urnas.

Patrícia Moraes Machado – O sr. consegue definir o perfil de Iris Rezende e Ronaldo Caiado juntos no Executivo?
Historicamente, eu conheço os dois lados. Mas é difícil definir um perfil hoje, porque houve um amadurecimento muito grande de todos os partidos. Processo que foi acelerado nesse último ano, em que o povo chamou os partidos para dar respostas que eles não tinham. Assim, não podemos voltar 30 anos atrás, quando nasceu, por exemplo, meu partido, o PT. Não podemos analisar tendo em vista os perfis de partidos antigos como MDB, UDN e Arena. O contexto é outro. Há atualmente uma mistura muito grande. Os partidos atuais não têm uma ideologia muito bem definida. Tirando os partidos históricos, todos os partidos trazem consigo um pouco de cada um.

Elder Dias – O PT também?
O PT, não. O PT é um partido que tem sua ideologia e doutrina. Dos partidos políticos brasileiros, pelo fato de estar no governo, o PT é, talvez, o partido que mais evoluiu e amadureceu nos últimos anos.

Cezar Santos – E ficou incrivelmente parecido com os outros. Ou sempre foi como os outros e só explicitou isso de vez…
Não digo que tenha ficado parecido. Não posso dizer isso. É um partido que continua tendo suas posições muito bem definidas, mas que tem procurado ouvir as ruas. Não é um processo fácil para partido nenhum, principalmente estando no governo. É muito fácil criticar e dar sugestões para outros partidos quando não se está no governo. Uma vez no governo, é necessário agir.

Patrícia Moraes Machado – O PT tinha a possibilidade de caminhar com o PMDB e agora corre o risco de enfrentar uma eleição difícil, pois está, de certa forma, isolado. O partido não sai perdendo na sua determinação de lançar Antônio Gomide como candidato ao governo do Estado, mesmo mantendo a prefeitura de Anápolis?
É necessário olhar pelos dois lados. Do ponto de vista partidário, temos a seguinte questão: partido grande precisa ter candidato. Até para se afirmar como tal. E o PT é um partido grande, pois tem a Presidência da República, governadores, deputados estaduais e federais, além de várias prefeituras em Goiás, sendo duas das três principais cidades do Estado, Anápolis e Goiânia. Então, é um partido que precisa ser tido como protagonista, mas que respeita os parceiros. Pode ter sido mal compreendido, mas ao definir Antônio Gomide como o nome do partido, o PT não definiu apenas um projeto partidário, mas um projeto de governo. E buscamos os nossos parceiros, aqueles que estão na base aliada da presidente Dilma Rousseff, para compor esse projeto. O que aconteceu foi que não queriam colocar os nomes na mesa para definir a questão. Disseram que já tinham um candidato e o PT, então, também colocou o seu. Antônio Gomide é um nome que já foi homologado pelo partido e os diretórios, tanto nacional quanto estadual, já estão fechando as questões de chapa proporcional e majoritária.

Patrícia Moraes Machado – Mas sair com chapa pura não é uma campanha suicida?
Não. Vivemos uma situação se­me­lhante em 2008 lá em Anápolis. To­dos disseram para ele, Gomide, que era suicídio perder seu mandato co­mo vereador para disputar a Pre­feitura. Tanto que nenhum partido quis ser vice na chapa. Mas nós vencemos.

Patrícia Moraes Machado – Mas o quadro é diferente. As eleições agora são para o governo do Estado e não para a Prefeitura.
Não é diferente. Quem decide eleições é o eleitor e não o tamanho das coligações. É o eleitor quem compra a ideia do projeto e vai para as urnas definir as eleições. Foi comprovado isso em 2008. Tínhamos 3% das intenções de voto e chegamos a 75% dos votos no segundo turno. Então, não é a envergadura de uma eleição que decide, mas, sim, a vontade do eleitor.

Patrícia Moraes Machado – De quanto será o tempo de TV de Antônio Gomide?
Creio que cerca de 5 minutos. Um tempo razoável.

Cezar Santos – Quem está com o PT?
Essa resposta eu não tenho. Apenas o presidente do partido, Ceser Donizete, e o pré-candidato, Antônio Gomide, podem responder essa questão. São eles que estão articulando isso. Eu estou apenas administrando a cidade de Anápolis.

Cezar Santos – Mas o sr. tem informações a respeito.
Essas informações são volúveis, pois as conversações são dinâmicas. Detalhes podem modificar tudo. Para formar as chapas proporcionais, por exemplo, às vezes somos obrigados a fazer modificações. Isso acontece porque o candidato a deputado estadual ou federal está preocupado se a coligação dará quociente, se o quociente será suficiente para garantir a reeleição, ou se pode aumentar as chances de uma possível eleição. Tudo isso pesa. Não é só a vontade pessoal do candidato majoritário.

Elder Dias – Então o sr. acha que no momento final alguns partidos, como o PCdoB, ainda poderão se coligar com o PT, que não deve ir de chapa pura.
Não é só o PCdoB. Nós temos conversas bem avançadas. Mas ainda não há nada definido. Estamos buscando.

Cezar Santos – Segurança é questão de Estado e do governo federal, mas o município pode contribuir e o projeto de câmeras nas avenidas centrais de Anápolis, iniciado por Gomide, é interessante, e existe em outras cidades. Ele está sendo ampliado?
Nós já passamos de 60 câmeras. Começamos com 25 e estamos com mais de 60. É um grande projeto. Um projeto muito ousado, caro. Hoje, custa mais de R$ 300 mil ao mês a manutenção desse projeto. Ainda assim, é um projeto excelente do ponto de vista de segurança pública. Ele inibe várias ações de meliantes, de bandidos, pois sabem que estão sendo filmados. Então, hoje, nós temos as principais áreas, as principais regiões, as principais localizações com aglomeração de pessoas sendo monitoradas 24 horas, via sistema de câmeras. Diga-se de passagem, o nosso sistema hoje, com fibra ótica, é um dos melhores do Brasil. Caro isso, o custo mensal, não é barato, mas funciona 24 horas por dia e tem dado um apoio à Polícia Militar e à própria Polícia Civil, um apoio que tem sido muito importante, com testemunhos. Eu acredito que foi um investimento acertado. Gomide acertou em cheio e a cidade, hoje, reconhece isso. Talvez, amanhã ou depois, se pararem de funcionar essas câmeras, a população não aceitará. É uma coisa bacana. Tem sido um recurso muito bem investido. Ainda há algumas câmeras sendo colocadas em função do último projeto, mas as principais localizações já estão com elas instaladas e funcionando muito bem.

Prefeito João Gomes fala aos editores Patrícia Moraes Machado, Elder Dias e Cezar Santos e ao repórter Frederico Vitor: “Planejamento na cultura é um dos pontos fortes da nossa administração” | Foto: Fernando Leite

Prefeito João Gomes fala aos editores Patrícia Moraes Machado, Elder Dias e Cezar Santos e ao repórter Frederico Vitor: “Planejamento na cultura é um dos pontos fortes da nossa administração” | Foto: Fernando Leite

Frederico Vitor – Gomide marcou a administração de Anápolis por investimentos públicos. Como exemplo, a reinauguração do Planetário, que foi algo extraordinário. O sr. continuará com esse legado de investir em cultura no município? Tem projetos?
Esse foi um dos pontos fortes da nossa administração — eu falo “nossa” como Gomide e eu; hoje falo “minha” por não ter vice. Nós temos um planejamento em curso e estamos seguindo esse planejamento. Obviamente que em uma cidade como Anápolis surgem demandas todos os dias e é preciso fazer adequações dentro daquilo que se planejou. Acredito muito nesses investimentos na área de cultura. Hoje, dificilmente tem uma peça que venha a Goiânia ou vá a Brasília que não passe também em Anápolis. Nosso teatro tem recebido boas peças. Na área de cultura, nós tivemos a 4ª edição do Festival de Cinema de Anápolis, que traz artistas renomados e tem um concurso bacana.
Sobre o planetário, é uma área de ciência e tecnologia, uma área em que investimos muito. Hoje temos telecentros até mesmo em nossos distritos, que antes não tinham nem telefone celular. Temos escolas de informática fazendo inclusão digital nos quatro distritos. Chegaremos a 20 telecentros, oferecendo cursos, formação e inclusão digital, e as praças digitais. Em quase todas as nossas praças centrais, como também nos distritos, há internet de graça. Hoje, você chega ao distrito e pode navegar. Uma coisa nova, inédita.
No esporte, temos mais de 15 mil garotos e garotas praticando as mais variadas modalidades esportivas. O esporte como uma rede de proteção, ou seja, tirando os nossos jovens das ruas, no contraturno das aulas. Temos o projeto Mais Educação, que mantém o aluno o dia todo na escola. A ideia é tirar esse garoto da rua enquanto os pais estão trabalhando dando atividades para ele. Anápolis é uma cidade que projeta isso para os jovens, uma perspectiva futura. Isso está em uma pesquisa na revista “Veja”. Ainda na área de esporte temos várias modalidades na cidade. Temos uma escola de basquete, modalidade que até então não tínhamos em Anápolis. Avançamos na área de artes marciais e de natação. Há um projeto novo de construção de um centro esportivo, um centro de atletismo específico para atletismo, com pista de treinamento e ginásio coberto. Também uma escola para formação de professores, de árbitros.

Cezar Santos – Uma questão séria em Anápolis diz respeito à saúde. Há muitas pessoas reclamando do atendimento, da falta de médicos, uma questão que o prefeito Antônio Gomide vinha combatendo e não conseguiu equalizar da melhor forma. Como está isso?
Esse é um desafio e eu gosto de desafios. Mas a grande maioria das pessoas que reclamam da saúde em Anápolis nunca usou a saúde pública do município. Atendemos no hospital municipal quase mil pessoas todos os dias. Se tiver dois ou três que vão lá para reclamar é pouco. Muito pouco. Existe reclamação? Existirá sempre. Mas Anápolis oferece hoje a melhor saúde pública de Goiás, não tenho dúvida ao afirmar isso. A população tem a melhor saúde de todos os tempos em Anápolis, e eu estou lá há 30 anos. Temos problemas pontuais? Sempre os teremos, a saúde é um negócio muito complexo. Anápolis responde como a cidade polo de mais de 20 municípios que procuram educação e, principalmente, saúde. Isso dificulta. Prepara-se para receber certo contingente e vem um excesso de contingente. À medida que melhora, as pessoas vêm mais. Vá às cidades próximas de Anápolis e procure como está a área de saúde de Anápolis: vão dizer que a saúde está boa. Isso dificulta para nós, mas entendemos que é por ser uma cidade polo. Não falta médico. Para ter uma ideia, o hospital municipal tem 147 médicos para 15 mil atendimentos, em média. Às vezes, chega até a 18 mil, pois há uma variação, de acordo com a busca.

Cezar Santos – O último concurso resolveu o problema? Havia falta de médicos, inclusive admitida pelo próprio ex-prefeito Gomide.
Algumas especialidades talvez seja o grande gargalho nosso. Algumas especialidades não faltam hoje só em Anápolis, mas no Brasil. Na área de residência médica, a especialização menos procurada é a pediatria. Infelizmente, é uma realidade não só de Anápolis, mas do Brasil inteiro. Ainda assim, nós temos bastantes pediatras na rede. A grande maioria dos que prestam serviço é clínico geral, aquele que atende todas as especialidades. Você vai encontrar, no mínimo, dez médicos em qualquer horário que for ao hospital municipal. É grande a quantidade? É. Mas são turnos, 24 horas por dia. Vamos inaugurar, agora nosso hospital na Vila Esperança, uma unidade de atendimento maravilhosa, totalmente equipada. Para essa unidade, estamos fechando, só nesse ano, quase 300 novos servidores. Estamos com esse pessoal, quase todo, contratado, dependendo de alguns especialistas ainda para que possamos fechar tudo. A unidade da Vila Esperança, que é a nossa UPA [unidade de pronto atendimento]. Não adianta inaugurar um hospital daquele porte, com quase 3 mil metros quadrados de área construída, de primeiro mundo, se não tiver todos os profissionais.
A saúde de Anápolis é um desafio, mas eu me atrevo a dizer que a saúde pública lá hoje oferece um dos melhores serviços, melhor até do que a saúde privada. Se você for a Anápolis, em busca de saúde, principalmente à noite, fora de hora, só encontrará nas unidades da rede municipal, seja nos Cais ou no hospital municipal. Então, é preciso fazer uma leitura da saúde, não pontual, mas no geral. E no geral hoje somos campeões do programa Brasil Sorridente. Re­ce­bemos um título recentemente pelo trabalho do Cerest [Centro de Refe­rência em Saúde do Trabalhador] com o projeto Mamãe Feliz, Criança Sorridente, com as gestantes para, preventivamente, cuidarem da saúde bucal da criança por meio da saúde bucal da mãe. Ganhamos esse prêmio entre 60 cidades e fomos a Brasília recebê-lo da presidente Dilma Rousseff.

Elder Dias – O aniversário da cidade é dia 31 de julho. Tem alguma coisa especial que o sr. está preparando?
Em julho temos agenda praticamente durante todo o mês, entre eventos culturais, esportivos, inaugurações, entregas de obras, ordens de serviço, além de um desfile tradicional do dia 31. Mas a grande atração este ano será um festival de balonismo. Nos 30 anos em que estou em Anápolis isso é inédito. Traremos campeões da modalidade em todo o País. Já fechamos com a Base Aérea, que tem o domínio do espaço aéreo, e vamos fazer uma apresentação no dia 31 para, na sequência, ser sede de um torneio de balonismo que se dará do dia 1º ao dia 3 de agosto. Também entregaremos a Comenda Gomes de Souza Ramos, a maior que o município a várias pessoas.

Elder Dias — Estamos em 2014, antes ainda das eleições estaduais. Mas lá em Anápolis, como está a movimentação política em relação a 2016?

Cezar Santos — Mais direto, o sr. vai ser candidato à reeleição?
Eu sou muito grato a Anápolis pela relação de confiança que estabeleceu com relação a mim, porque qualquer transição tem seus desafios. Todos têm recebido muito bem, eu não percebi trauma nenhum. Meu comprometimento, agora, é dar o melhor de mim pela administração, em prol de Anápolis. Nas horas vagas, estarei obviamente na campanha do companheiro Antônio Gomide, mas fora isso não quero perder o foco da gestão. Existem conversas? Claro que sim, o País vive assim, se sai de uma eleição e logo vem outra. É inevitável que haja esse tipo de conversa, mesmo que a eleição deste ano não seja municipal. Há especulações sobre meu nome porque há uma perspectiva de reeleição, mas eu tenho me colocado à margem dessas conversas. Isso fica para quando chegar a hora adequada.

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