“Qual o receio dos demais pré-candidatos em concorrer comigo ao Senado?”

Deputado federal recordista de votação nas duas últimas eleições à Câmara, ele diz que candidaturas avulsas da base governista é “princípio democrático”

Ninguém negaria o apelo popular que tem o nome de Waldir Soares de Oliveira, o Delegado Waldir, depois de duas eleições: foram 274.625 votos em 2014, pelo PSDB, e 274.406 votos em 2018, pelo PSL. Fenômeno de votação, recordista em ambos os pleitos, ele é uma verdadeira “galinha dos ovos de ouro” para formar uma chapa ao Legislativo em Brasília e garantir de cara duas vagas – na última eleição, levou de carona para a Câmara o major Vitor Hugo (hoje no PL), que teve 31.390 votos e teve pouco mais da metade do segundo menos votado entre os eleitos, José Nelto (então no Podemos, hoje no pP).

Só que a pretensão do parlamentar, desta vez, é um voo maior: ele não abre mão de postular uma cadeira no Senado e propõe que a base governista tenha vários candidatos – para tanto, já fez consulta ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre candidaturas avulsas. Nesta entrevista ao Jornal Opção, o foco está centrado nesse tema, mas ele fala também da conjuntura nacional e, bem a seu estilo, dispara: “Quem manda no País é Arthur Lira (pP-AL)”, diz, ressaltando que, para ele, quem de fato governa é quem controla o orçamento, o qual o presidente Jair Bolsonaro (PL) deixou praticamente sob controle do presidente da Câmara dos Deputados.

Marcos Aurélio Silva – É sua votação expressiva nas eleições para deputado federal que coloca o sr. como pré-candidato ao Senado por Goiás?

Na verdade, é um processo de construção. Foram várias campanhas – em 2010, 2014, 2016 [para prefeito] e 2018 –, duas delas com resultados realmente expressivos. Mas não é só a quantidade de eleições nem o expressivo resultado, mas é que, além de ter o voto de opinião, passamos a construir, no Estado todo, hoje em todos os municípios, nosso partido tem uma base. Ajudei a construir o União Brasil, em parceria com o governador Ronaldo Caiado, e hoje somos o maior partido do País e com o maior tempo de TV e o de maior estrutura. É extremamente importante termos um candidato. Em outros momentos, na história de Goiás ou de qualquer parte do Brasil, aquele que era então o maior partido do Estado sempre almejou eleger uma grande bancada de deputados estaduais para ajudar o governador, uma grande bancada de deputados federais para fortalecer a própria sigla, em relação à estrutura.

Da mesma forma, ocorre a respeito de senadores e de governador. Assim foi com Iris Rezende (MDB), lá atrás, que elegeu dois senadores do MDB [na verdade, foi na vitória de Henrique Santillo ao governo que o partido, então PMDB, conseguiu eleger dois senadores, Iram Saraiva e Irapuan Costa Junior, em 1986, embora o partido, com Iris vitorioso para governador em 1982 e 1990, tenha conseguido eleger seus candidatos ao Senado – Mauro Borges e Onofre Quinan, respectivamente]; com Marconi Perillo, que elegeu dois senadores do PSDB [na verdade, nas quatro vezes em que Marconi foi candidato ao governo (1998, 2002, 2010 e 2014), o PSDB elegeu apenas Lúcia Vânia para o Senado, por duas vezes, em 2002 e 2010, embora de 2002 até 2014 apenas partidos da base governista tenha conquistado as vagas]. Eu acho muito estranho toda a mídia fazer esse questionamento agora enquanto toda nossa história mostra que foi desse jeito no passado. Isso é padrão na política goiana, mas não só aqui, nacionalmente também: se pegar o cenário dos 27 Estados brasileiros, vai ver que é assim que funciona.

“Nós queremos eleger o governador, o senador e uma
bancada de deputados federais pelo União Brasil”

Hoje, nós queremos eleger o governador, o senador e uma bancada de deputados federais pelo União Brasil. Repito, é uma construção que fizemos ao longo do tempo, unindo não apenas o voto de opinião, mas também nosso trabalho. Eu tive colocações em comissões importantes da Câmara, fui líder do PSL, o maior partido do País na época, com 54 deputados, período em que entregamos o projeto mais fundamental do governo Bolsonaro, que foi a aprovação da reforma da Previdência. Tivemos um amadurecimento político que nos permite hoje pleitear a cadeira no Senado, além da afinidade e parceria com o governador Caiado. Dos atuais pré-candidatos, o único que esteve com ele desde o começo, em 2017, e que levou o PSL para ele naquele momento foi o Delegado Waldir. Portanto, é isso que nos coloca a pleitear a vaga ao Senado.

Marcos Aurélio Silva – O sr. foi o primeiro a levantar a bola das candidaturas avulsas ao Senado, até mesmo por meio de uma consulta ao TSE [Tribunal Superior Eleitoral]. Essa posição é interessante para o quadro político que temos no Estado hoje?

Primeiramente, é preciso dizer que isso é predominante na doutrina e na jurisprudência. Já ocorreu no Estado do Pará, em outros momentos, e mesmo na eleição passada em Goiás, com candidaturas semelhantes. Ou seja, é algo previsto por lei, não estou trazendo nada de novo. Apenas atualizei ao momento político quando eu vi que algumas pessoas estavam tentando colocar a faca no pescoço do governador, impondo condições e praticamente exigindo essa candidatura ao Senado. Não acho isso democrático. É preciso deixar ao eleitor a possibilidade de escolher quem considera o melhor nome para representá-lo no Senado. Uma eleição em que há apenas duas ou três candidaturas polarizadas não atende as princípios democráticos. Temos de dar amplitude de opções ao eleitor.

Então, propusemos a consulta para permitir ao governador ter maior jogo de cintura. Ele já fez uma grande sinalização aos partidos políticos, a qual ocorreu ao ceder vários nomes do União Brasil – que seriam candidatos a deputado federal por nossa sigla – a todos os demais partidos que têm pré-candidatos ao Senado, como Republicanos, PSC e pP. Ronaldo Caiado cedeu vários nomes de pré-candidatos a federal e até a estadual a esses partidos, fazendo essa concessão. Todos esses partidos, também, ocupam espaços no governo do Estado. Ou seja, o União Brasil já fez várias concessões, o que abre a oportunidade de ter candidatura ao governo e ao Estado, tendo em troca uma chapa mais “humilde” de deputados federais. Já nossa chapa de deputados estaduais é forte.

Marcos Aurélio Silva – Existe uma chance de o ex-governador Marconi Perillo sair como candidato ao Senado na chapa de oposição ao governador Ronaldo Caiado. O sr. não acha que, com mais candidaturas avulsas ao Senado, Marconi acabaria favorecido?

Na verdade, é uma visão política. Se pegarmos as últimas pesquisas divulgadas – como a última a que tive acesso, bem como vários presidentes de partidos –, o ex-governador tem a maior rejeição, tem um grande desgaste político. E todo o trabalho que ele tem realizado neste momento é para ser candidato ao governo, não ao Senado, por tudo o que temos visto nos eventos de que tem participado e por onde tem andado. Mas, se vir ao Senado, respeito seu nome, mas serei postulante à vaga contra ele. Não me preocupo se isso vai pulverizar ou não os votos, acho que cada um tem de ter sua habilidade para buscar o voto ao Senado. Se fôssemos pensar assim, ninguém lançaria tantos candidatos a deputado federal, mas apenas um ou dois, porque desse modo concentraria todos os votos nesses nomes. A mesma coisa ocorre para o Senado. Primeiro devemos pensar na democracia, em permitir ao eleitor escolher entre o Delegado Waldir e os candidatos A, B, C ou D. O que não pode é restringir essa oportunidade, ou o partido X ou Y colocar isso como condição para pressionar o governador. Acho que ele já cedeu demais levando seus quadros do União Brasil para outros partidos e ao ceder espaços no governo a esses partidos. Acho que esses partidos poderiam ter a sensibilidade política de perceber que o governo e o União Brasil já cederam bastante para que pudessem ter o candidato ao governo e ao Senado. Repito: não tenho a menor preocupação de que tenham outros candidatos, só não sei o receio que os demais têm em concorrer com o Delegado Waldir. Por quê? Sou bicho-papão? Vamos colocar as candidaturas e vamos atrás do voto do cidadão.

Elder Dias – Existe uma preocupação na base governista em relação à eleição ao Senado, justamente por ser ela uma base ampla construída por Caiado e que já tem duas vagas reservadas: uma para o União Brasil, com o próprio governador, e outra, a de vice, para o MDB, com Daniel Vilela. Sobraria apenas uma vaga em disputa para as eleições majoritárias se não houver candidaturas avulsas. Com tantos partidos, o sr. considera que seu nome continuaria no páreo, mesmo sendo da mesma sigla do governador?

Tenho extrema tranquilidade em relação a isso. Quais dos demais pré-candidatos foi o mais votado por duas vezes em Goiás? Quem seriam os possíveis adversários do governador Ronaldo Caiado? Um deles é Gustavo Mendanha (Patriota)? Onde Mendanha é forte? Em Aparecida de Goiânia. Quem entre os pré-candidatos atuais ao Senado é mais forte em Aparecida? E em Goiânia e em toda a região metropolitana? Quem, dos atuais pré-candidatos, politicamente falando, é mais forte no Entorno de Brasília? Essas regiões, mais Anápolis, representam 60% do eleitorado. Quem é o deputado federal com maior potencial de votos nesses municípios, considerando as duas últimas eleições? Veja, a gente tem de falar em números, não adianta querer falar factoides, criar candidaturas “tabajaras”, é preciso verificar números e pesquisas.

Eu diria também outro detalhe: por que eu fui procurado pelo ex-governador Marconi Perillo, pelo ex-prefeito Gustavo Mendanha? Por que fui procurado por eles para me filiar a um partido da base deles? Qual a razão? Você poderia consultá-los, se foi procurado ou não, ou se eu estou trucando sem cartas. Então, se o nome tem grande aceitação popular, qual o medo dos interlocutores de discutir nossa candidatura? O que estão tentando fazer é agir de forma inversa, criando um fato inexistente para impedir que o Delegado Waldir, hoje o mais fiel escudeiro do governador, seja alijado da chapa principal. Pergunte para a primeira-dama Gracinha Caiado quem é o mais fiel escudeiro do governador desde 2017; pergunte à filha dele quem é Delegado Waldir; pergunte aos secretários e à assessoria mais próxima do governador quem anda em todos os eventos com o governador Caiado e quais dos atuais pré-candidatos faz isso. Pergunte quem deu o PSL para ele ter uma parceria já a partir de 2017 e ser eleito em 2018. Pergunte também quantos cargos o Delegado Waldir tem no Estado de Goiás e também quantas vezes o Delegado Waldir colocou a faca no pescoço do governador: zero. Esse é o cenário.

Marcos Aurélio Silva – Com seus votos para a Câmara dos Deputados, graças a sua eleição, o sr. puxou muitos outros formar a bancada de seu partido. Ou seja, o Delegado Waldir tem um peso muito grande dentro da chapa de deputado federal. O sr. não teme que a chapa do União Brasil sem a sua participação, ainda que haja outros nomes, esteja enfraquecida para este ano?

Essa escolha já foi feita pelo governador. Ele admitiu o enfraquecimento da chapa do União Brasil para atender a outros pré-candidatos, a outros partidos – o Republicanos, o pP, o PSC. Então, sua preocupação não procede, Caiado já buscou ajudar os demais partidos em relação a isso. Nosso partido foi esvaziado para que o governador pudesse atender todos os demais partidos, como aconteceu também por meio de cargos no governo. No momento mais difícil para montagem das chapas dos partidos, considerando que há uma pequena quantidade de candidatos competitivos, o governador atendeu esse pleito.

Elder Dias – Numa eleição que tende a ser polarizada nacionalmente entre Jair Bolsonaro (PL) e Lula (PT), em Goiás há uma situação bem curiosa: há uma intensa disputa para ter o presidente no palanque: Bolsonaro já garantiu apoio ao major Vitor Hugo (PL), recebeu o assédio de Gustavo Mendanha e tem também uma tentativa de reaproximação de Ronaldo Caiado, o que este demonstrou recentemente, em um evento com líderes ruralistas. Por outro lado, não parece haver nenhuma negociação de algum dos principais pré-candidatos com o lado de Lula. Como o sr. vê esse cenário? Estrategicamente, para alguém como Gustavo Mendanha, que não tem nenhum posicionamento ideológico mais consolidado, não seria mais interessante e inteligente procurar ter um palanque com a esquerda?

Não sou candidato ao governo, só ao Senado (risos). Mas o que vejo é que a base de Gustavo Mendanha não o permite avançar para a esquerda, ainda que tenha partidos desse espectro na composição de sua gestão em Aparecida. O que me parece é que o ex-governador esteja caminhando para fazer essa aliança mais à esquerda. Vejo que Mendanha foi um excelente prefeito, pontua muito bem nas pesquisas e tem grande potencial. Nosso grupo político, com o governador Ronaldo Caiado, não pode subestimar Mendanha nem nenhum adversário, pelo contrário, temos de trabalhar muito, mesmo tendo muitos prefeitos nos apoiando. Não podemos subir em salto alto, eleição não se ganha na véspera.

“Nas eleições passadas, Caiado abriu seu palanque
para quatro candidaturas à Presidência”

Sobre as escolhas políticas, vejo que ainda é muito cedo. Não dá para saber desde já se Bolsonaro é candidato, se Lula é candidato. Daqui até lá ainda tem tempo. No União Brasil, não sabemos se Luciano Bivar [presidente do partido e pré-candidato à Presidência] vai ser candidato, o que só saberemos com as convenções. Tem também o nome de Ciro Gomes (PDT), que é um nome espetacular. Por enquanto, tudo são meras especulações. É preciso lembrar sempre que [Fernando] Collor de Mello surgiu em agosto de 1989 e ganhou as eleições para presidente daquele ano.

Nas eleições passadas, o governador Caiado deixou em aberto seu palanque para quatro candidaturas à Presidência. Acho que desta vez não será diferente. Por exemplo, a deputada Flávia Morais é do PDT, que deve Ciro como candidato. Em nosso grupo político, no União Brasil, temos bolsonaristas. Ou seja, temos pessoas que defendem outros nomes. Então, no primeiro turno, creio que isso seja uma estratégia correta. No União Brasil, o governador Caiado caminha com o nome que o partido tiver. Se não tiver, vamos tomar a decisão correta depois das convenções.

Marcos Aurélio Silva – Tem sido discutida muito pela mídia a questão das emendas parlamentares. O Congresso, hoje, consegue ficar com 25% do valor das emendas. O sr. é a favor disso, de como essa negociação tem sido feita hoje, com orçamento secreto e tudo o mais?

Orçamento não tem de ser secreto e a decisão do STF [Supremo Tribunal Federal], de que ele tem de ser divulgado, é acertada. Na verdade, são recursos que serão encaminhados a cada município. Hoje eu tenho recursos para ser entregues a cada um dos 246 municípios goianos. Penso que o presidente Bolsonaro tinha duas possibilidades: ou entregava os ministérios aos partidos ou entregava o orçamento. Preferiu entregar o orçamento, foi uma escolha que fez, de governo, não foi uma escolha do Parlamento. O presidente considerou que assim seria uma forma mais tranquila para poder governar e é preciso respeitar a opinião dele, mesmo o lembrando de que, no primeiro ano de mandato, mesmo sem essa composição política, conseguimos aprovar a reforma da Previdência e a lei da liberdade econômica, dois dos projetos mais importantes aprovados no governo Bolsonaro. Mas, repito, é uma escolha do Executivo. O próximo presidente poderá modificar isso.

“Quem manda no País hoje é Arthur Lira,
porque quem manda no orçamento
manda no País”

Eu falei, e algumas pessoas ficaram bravas, que hoje o presidente Bolsonaro é apenas o presidente, quem manda é Arthur Lira [deputado pelo pP-AL e presidente da Câmara dos Deputados], que é o primeiro-ministro. Quem manda no País hoje é Arthur Lira, porque quem manda no orçamento manda no País.

Elder Dias – Então o sr. considera que hoje o Brasil vive uma espécie de semipresidencialismo?

É um parlamentarismo. Semipresidencialismo é um termo abrasileirado. Mas concordo, esse é o sistema hoje.

Elder Dias – Ou seja, se tem um primeiro-ministro, o presidente virou quase que uma rainha da Inglaterra?

O presidente da República, em razão dos fatores de fragilidade de seus familiares por causa das investigações, viu a necessidade de enfraquecer a Operação Lava Jato, o MPF [Ministério Público Federal] e os órgãos de investigação em geral. Ele tinha contra si uma chuva de pedidos de impeachment. Assim, viu a necessidade de fazer essa parceria com o Parlamento para poder governar e teve de entregar a chave do orçamento. É uma questão de escolha nas democracias.

Marcos Aurélio Silva – Em 2018, muita gente surfou na onda, que veio com o presidente, de trabalhar a campanha em cima do tema segurança pública. O sr., como delegado, vê que estas próximas eleições terão esse mesmo apelo ou isso perdeu o apelo nos últimos anos?

Primeiramente, tenho de ressaltar que minha onda não é a de 2018, mas a de 2014. Não surfei na onda do presidente Bolsonaro. Eu comecei a caminhar com ele quando me tornei deputado federal e começamos a fazer parcerias. Em 2016, ele foi candidato a presidente da Câmara e teve quatro votos: além do dele próprio, também os de Eder Mauro, Marcelo Delaroli e do Delegado Waldir. Em 2018, quando ele foi para o PSL, apenas três deputados o acompanharam: Major Olímpio, Delegado Francischini e Delegado Waldir. Isso entre 513 deputados e 81 senadores. Hoje, ele tem algumas centenas de parlamentares. Mas, na época, éramos apenas esses três mosqueteiros, além do Bolsonaro filho [Eduardo Bolsonaro (PL), deputado federal por São Paulo pelo PSL].

Quando Jair Bolsonaro falou em lançar a candidatura a presidente, eu comecei com ele quando tinha 1% nas pesquisas. Quem o trouxe para Goiás foi o Delegado Waldir, quem tem nota fiscal das despesas dele aqui no Estado de Goiás é só o Delegado Waldir, ninguém mais. Ninguém mais sabe o roteiro das viagens que ele fez, ninguém sabe onde ele dormiu. Quem sabe é só o Delegado Waldir, que foi o parceiro dele de primeira hora. Em relação a “surfar”, se você observar que em 2014 eu tive 274 mil votos e em 2018 eu tive 274 mil votos, quantos votos Bolsonaro deu para o Delegado Waldir? Zero. Na verdade, eu perdi cerca de 200 votos, porque ele tinha uma grande rejeição entre as mulheres e cerca de 70% de meu eleitorado é de mulheres.

De qualquer forma, a força do presidente Bolsonaro continua grande, embora não tão forte como na eleição passada, quando muita gente surfou na onda da extrema-direita. Haverá a eleição de alguns candidatos, mas acredito que em número muito reduzido. Creio que os atuais deputados federais fizeram fortes bases políticas e, assim, têm grande capacidade de se reeleger. Os novos nomes não surgirão de uma onda do bolsonarismo. Se isso ocorrer de novo, será em pequeno número, não como foi na eleição passada, quando Eduardo Bolsonaro, em São Paulo, arrastou vários deputados com pouquíssimos votos. Por falar nisso, em quantitativo de votos ele foi recordista de votos; mas, em números proporcionais, eu tive 9,05% do total em Goiás e isso é maior, em porcentagem, do que o índice dele. Ou seja, se eu tivesse sido eleito por São Paulo, com a mesma proporcionalidade, minha votação teria sido maior do que a dele.

Desta vez, a demanda não será apenas segurança. Teremos de tratar principalmente de economia, bem como geração de empregos, meio ambiente, cultura, inclusão, redução da pobreza e da miséria. Estamos num momento de pandemia, de guerra, de Copa do Mundo. É um ano atípico e os temas desta eleição serão outros. O eleitor hoje é muito mais politizado do que o de 2018.

Elder Dias – O sr. considera, então, que não teremos uma grande renovação do Legislativo?

Não acredito nisso. Não haverá, desta vez, o Delegado Waldir, que não será candidato a deputado federal, e mais um ou dois nomes que também não concorrerão. Acredito que a renovação, no total, não passe de 40%, não será grande. Da mesma forma, vejo também para a Assembleia Legislativa.

Elder Dias – E em relação à divisão entre direita, esquerda e centro, o sr. acha que terá alguma mudança na composição?

Não, o centro continuará mandando.

Elder Dias – O centro ou o Centrão?

(risos) Agora você me apertou. O Centrão vai continuar mandando. Mas o presidente que se eleger, seja de direita ou de esquerda, vai ter a maioria, isso é líquido e certo.

Elder Dias – O sr. não acredita que o presidente que entrar – ou o que continuar – não terá dificuldades para recuperar o controle do orçamento, que está entregue ao grupo que hoje comanda a Câmara? Não vai afetar a governabilidade de quem estiver no poder no começo do ano que vem?

Não acho que seja difícil alcançar esse controle. Os atuais três nomes que estão se destacando nas pesquisas – o ex-presidente Lula, o presidente Bolsonaro e Ciro Gomes – têm experiência no governo. E ninguém governa sozinho, sempre existem composições. Isso vai facilitar para quem estiver no Executivo. No momento atual, foi uma escolha do presidente e de seu grupo político entregar o orçamento. Ou entregava o orçamento ou entregava os ministérios. Ou, então, governaria com um embate muito grande com o Congresso. Deixando claro, se o presidente Bolsonaro quisesse continuar governando sem o Centrão, ele faria isso? Faria, não teríamos uma ruptura, ele não seria impedido porque tem força popular. Só que teria dificuldade em governar. Creio que ele agiu dessa forma, com essa opção, para que os filhos não sofressem as consequências, infelizmente, dos atos que praticaram. Ele pensou mais nos filhos do que no governo.

Marcos Aurélio Silva – O sr., talvez melhor do que outros deputados no País, vai entender esta questão: a força que tem um deputado federal hoje e a intenção dos partidos em elegê-los por serem determinantes, não só para garantir a governabilidade, mas também para garantir recursos à sigla para a próxima eleição. O sr. não acha que hoje os partidos estão hoje muito mais focados em compor as chapas pensando assim, nos recursos?

A prioridade de todos os partidos, inclusive do União Brasil, é essa. E aqui novamente eu coloco para vocês o tamanho do sacrifício que o governador Ronaldo Caiado fez, sinalizando aos demais partidos que agora colocam seus postulantes ao Senado, ao abrir mão da chapa que tinha para deputado federal. Se pegarmos as eleições passadas, com Marconi Perillo à frente, todas as vezes o PSDB teve grandes bancadas, porque era uma exigência da executiva nacional do partido, como ocorre, aliás, com todos. Você está corretíssimo na pergunta, a prioridade dos partidos é, sim, a eleição de deputados federais.

2 respostas para ““Qual o receio dos demais pré-candidatos em concorrer comigo ao Senado?””

  1. Avatar Arthur disse:

    #delegadowaldir meu senador

  2. Avatar carlos disse:

    Eu entendo que o delegado deveria continuar com a candidatura de deputado federal, que não precisava se esforçar e correr o risco de não eleito para o senado.

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