“Prefeitura quer passar uma imagem que não é verdadeira”

Para vereador relator da Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Saúde, prefeito precisa entender que Fátima Mrué não tem condições de gerir pasta

Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Depois de sete meses de trabalho, a Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Saúde chegou a final na Câmara de Goiânia com a aprovação de seu relatório na sexta-feira, 18 de maio. Na lista das 28 pessoas e empresas que tiveram pedido de indiciamento pelos vereadores está a secretária municipal de Saúde, Fátima Mrué, que afirma estar tudo bem nas unidades geridas pelo município.

Relator da CEI, o vereador Elias Vaz (PSB) afirma que o prefeito Iris Rezende (MDB), que escapou de ser indiciado pelo Legislativo como um dos responsáveis pela crise na saúde em Goiânia, precisa escolher melhor seu secretariado. “Espero que o prefeito tenha a sensibilidade e, ao ser notificado formalmente do resultado da CEI, tenha outra postura. É até ruim dizer isto, mas espero maturidade do prefeito”, declara o parlamentar do PSB.

Augusto Diniz – Como se deu o trabalho da Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Saúde desde o início até a apresentação do relatório final?
A CEI usou uma metodologia de investigação com a adoção de diligências, com mais de 50 mil páginas de documentos analisadas, assim como vários depoimentos. Só a secretária municipal de Saúde, Fátima Mrué, esteve sete vezes na Comissão Especial de Inquérito. Nós procuramos pegar alguns temas ligados à saúde com a preocupação de que não nos perdêssemos em um conjunto de questionamentos e até mesmo denúncias que chegavam à CEI.

Houve a preocupação de fazer um trabalho bem focado em algumas questões que achávamos mais relevantes ou mais agudas, como o problema das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), como a gestão e o próprio atendimento. Tentamos identificar a qualidade do atendimento, a qualidade da gestão e também possíveis irregularidades e de haver corrupção na secretaria.

A CEI conseguiu trazer à luz várias situações que demonstram claramente todos esses aspectos, seja na questão da corrupção, que ficou bem clara no problema da manutenção dos veículos, com gastos de quase R$ 13 milhões em veículos que supostamente passavam por manutenção, mas que aparentemente o serviço não existia. Não era possível trocar tantas peças daquela forma. Chegou ao ponto de serem gastos R$ 64 mil em 2016 com uma ambulância do Samu [Serviço de Atendimento Móvel de Urgência] que no final do ano virou sucata.

O mesmo aconteceu com outra ambulância, com a qual foram gastos R$ 89 mil da metade de 2015 até 2016, e que foi encontrada pela CEI em outra oficina com um novo orçamento de R$ 45 mil em manutenção. Um veículo que já estava parado desde agosto, um carro totalmente sucateado. Tudo isso ilustrou o problema da corrupção.

E outras situações foram verificadas como o direcionamento de contratos para a clínica Cliame, que começa com 23% dos exames na área renal, e depois de três anos a empresa passa a ter mais de 70% dos exames feitos para a prefeitura. Coincidentemente, a chefe da regulação era ex-funcionária da empresa, casada com o amigo do proprietário da Cliame.

Pudemos constatar de forma clara o problema de gestão, que vai desde ter uma lista de UTIs cadastradas no Ministério da Saúde, mas que constam até hoje leitos de unidades fechadas há mais de um ano, como o caso do Hospital Santa Helena. Mesmo depois de os membros da CEI avisarem a secretária sobre o fechamento do hospital, Goiânia ainda conta com o Santa Helena cadastrado com seus leitos de UTI no Ministério da Saúde.

Cezar Santos – Quem acompanhou o trabalho da CEI percebeu que a situação é caótica. No entanto, quando o prefeito Iris Rezende (MDB) e a secretária falam sobre o assunto, passam a ideia de que o quadro não seria tão preocupante. Por que o descompasso entre vereadores e prefeitura?
A prefeitura quer passar uma imagem que não é verdadeira. É nítido que a situação da saúde hoje piorou e piorou muito. Algumas pessoas dizem que a saúde já não estava bem, o que é verdade. Em todas as diligências, procuramos conversar com o pessoal do administrativo, médicos e gestores. E havia um consenso de que essa gestão piorou a qualidade da saúde. Isso é nítido, é claro.

O prefeito, quando colocou Fátima Mrué como secretária, afirma que a empossou no cargo para enfrentar vários problemas, vícios e irregularidades que existiam. Acredito que a intenção até seria essa mesmo. Por isso ele pegou uma pessoa que não tinha nenhuma experiência administrativa. O problema é que ela não tem capacidade de gestão. Às vezes o problema da gestão causa mais problema até do que a corrupção.

E a CEI mostrou isso, que não é uma tentativa de se criar um cenário irreal, é só verificar as várias matérias que têm em todos os veículos de comunicação. Não é um, são todos que tratam sobre a saúde trazem todo dia a agonia e a situação caótica que a sociedade passa efetivamente na saúde. É um cenário que não adianta a prefeitura querer tapar o Sol com a peneira.

É interessante verificar que um veículo de comunicação vai até a unidade de saúde, conversa com um usuário. Ele reclama que não foi atendido, que não tinha médico. Conversa com a atendente, que confirma que realmente não tinha médico. Em seguida, a prefeitura solta uma nota dizendo que tinha médico. É impressionante isso! A equipe está lá filmando, vendo as pessoas sem atendimento, os funcionários confirmando a falta de médico e a prefeitura diz que não falta profissional. A prefeitura tenta vender um cenário que não existe.

Isso ficou bem evidente com as propagandas que a gestão fez. Foram gastos R$ 400 mil. Nada contra a propaganda, que pode ser usada de forma útil para se fazer uma conscientização com relação ao vírus H1N1 [gripe], que está muito vinculado à prevenção ao comportamento. Fazer uma campanha dessas seria bem útil, e não dizer que a saúde está bem. É querer passar para a sociedade uma coisa que efetivamente não existe.

Marcelo Mariano – Os sete depoimentos que a secretária Fátima Mrué prestou à CEI da Saúde acrescentaram alguma informação relevante ao trabalho da comissão?
Algumas coisas foram interessantes. Mas o problema da secretária é não ter humildade de reconhecer os problemas. Para começar a resolver um problema é preciso reconhecer que ele existe. Quando não reconhecemos que um problema existe nós temos um grande problema. O que notávamos sempre que a secretária ia à CEI é que ela não reconhecia os problemas. A secretária sempre dizia que já estava resolvido. Vou citar dois casos que levamos até a secretária na CEI. Um deles é o das cirurgias cardíacas, no qual não havia pactuação com o valor da UTI.

Quando um leito de UTI é utilizado, o governo estadual entra com o complemento em caso de emergência. Já a cirurgia cardíaca é um situação diferente, porque o paciente vai para a UTI depois de passar pela cirurgia, que são os casos nos quais o governo não fazia o repasse. Por isso, os hospitais não queriam mais fazer essas cirurgias.

Os médicos reclamam que os pacientes que precisam ser submetidos a cirurgias cardiovasculares não conseguem fazer. Colocamos essa situação para a secretária, que desconhecia o problema e disse que isso não acontecia. O ex-secretário Fernando Machado confirmou que esse problema de fato existe, foi ele o responsável pela pactuação. Depois disso, a secretária afirmou que iria verificar a situação, mas até hoje continua o problema.

Quando houve a crise da saúde bucal, tivemos o caso das crianças especiais, aquelas com Síndrome de Down, altismo ou microcefalia, que precisam de anestesia geral quando fazem tratamento dentário. A anestesia geral precisa ser aplicada em ambiente hospitalar. Até aquele momento não havia pactuação. A secretária dizia que iria resolver o problema, enquanto havia uma fila enorme de crianças sofrendo sem atendimento.

O que a Fátima precisava fazer era a pactuação com algum hospital estadual, como o HGG ou Hugo, e reservar um local. Porque uma anestesia geral não pode ser aplicada em um consultório odontológico. Ela não resolve os problemas. Trata tudo sempre com soberba. Dizia que determinado problema havia sido resolvido, mas quando voltava à CEI a situação continuava a acontecer. O interessante de ela ter ido sete vezes à comissão foi mostrar que a secretária não consegue resolver nada.

Augusto Diniz – Como os membros da CEI receberam a informação dada pelo prefeito de que Fátima Mrué é uma boa secretária e seria mantida no cargo, já que as críticas – na visão de Iris – não faziam sentido?
Eu espero que o prefeito tenha a sensibilidade e, ao ser notificado formalmente do resultado da CEI, tenha outra postura. É até ruim dizer isto, mas espero maturidade do prefeito. Na idade do Iris nós cobrarmos isso é difícil. A atitude do prefeito tem sido aquela infantil de emburrar porque não quer dar o braço a torcer e nem quer se sujeitar à pressão de ninguém. Não estamos falando de o Iris nomear o gerente da fazenda dele. Estamos falando de uma pessoa que está a frente de uma das secretarias mais importantes do município.

Ele tem sim de prestar conta disso. A sociedade tem o direito de cobrar através dos instrumentos legais, das redes sociais, da Câmara de Vereadores e do Ministério Público. Tem direito de fazer isso. A CEI fez um trabalho consistente. Demonstramos isso apontando irregularidades no governo do Estado. A CEI não teve cor partidária. Tivemos até divergência na hora de decidir qual nome tirar ou deixar como indiciados. Mas o conteúdo teve consenso. As irregularidades detectadas, seja do município ou do Estado, houve consenso que fossem enviadas ao Ministério Público e Polícia Civil.

Se o prefeito não entende essa situação, Iris demonstra que não tem mais capacidade de continuar à frente da prefeitura. As pessoas que precisam da saúde estão morrendo por fruto de um trabalho incompetente que a secretária tem feito. Nós vamos continuar a ser omissos e aguardar dois anos e meio até ser escolhido o próximo prefeito? Essa é uma situação absurda. Estamos estudando, in­clusive, a possibilidade jurídica de apresentar um pedido de impeachment do prefeito Iris Rezende.

Não é o que queremos. Torço para que o prefeito tenha sensibilidade e tome uma atitude. Não é possível que um capricho vai valer mais do que o interesse público. O prefeito, que sempre fala em interesse público, não tem tido nenhum interesse público ao manter a secretária á frente da pasta. Na CEI, nunca acusamos a secretária de corrupta. A questão é que ela não tem capacidade de gestão. Quem está à frente de uma pasta como essa tem de ter capacidade de gestão.

Ninguém nunca foi injusto com Fátima Mrué. Tem hora que as pessoas dizem que as críticas são pelo fato de a secretária ser mulher. Não tem nada disso. Eu particularmente já convivi com várias secretárias, como a Neide Aparecida na Educação e tantas outras. Essa é uma conversa rasa. Estamos falando de algo concreto. Tem raio-X parado no almoxarifado encaixotado enquanto contrata raio-X velho gastando R$ 12 milhões. Tivemos caso de servidores ociosos na área de radiologia. Encontrar mais de 500 latas de leite Pregomin, que são caras, enquanto verificamos que nos dias que antecederam o vencimento do produto tinha família indo à Justiça para exigir que a prefeitura fornecesse esse leite enquanto estava sobrando no estoque.

Augusto Diniz – O deputado estadual Lívio Luciano (Podemos) diz que independente da pessoa que estivesse no lugar de Fátima Mrué no cargo seria também alvo de críticas porque a prefeitura tem feito tudo que é possível para melhorar a saúde, mas que a culpa não seria da Fátima e sim da situação crítica vivida pelo setor. É o que tem acontecido?
Tanto não é que ficou 5 votos a 1 o placar – porque o presidente Clécio Alves (MDB) não votou, porque se votasse seria 6 a 1. O vereador Clécio Alves, que é do MDB, defende abertamente a saída de Fátima Mrué da secretaria. E ficou comprovado que a CEI tinha majoritariamente base do prefeito em sua composição. Não é uma questão política. Não é possível isso. “Os vereadores antigos ficaram contrariados.” Quando o prefeito fala isso, ele deveria dizer quem. Algo positivo, com orientação do Iris, foi o fim da indicação de cargo em unidade de saúde por vereador. O problema é que Fátima não está indicando gente competente, o que é outra história. Isso foi feito para realmente indicar pessoas que tenham capacidade.

Fátima não foi nomeada secretária para beneficiar duas servidoras com mais de R$ 100 mil gastos em um mestrado, sendo que essas servidoras não têm vínculo de curso superior com a prefeitura. Um passou em concurso com exigência de ensino fundamental e outra no nível médio. Jamais essas pessoas poderão exercer a função do mestrado que estão fazendo por uma razão simples: desvio de função. Isso é ilegal. Pode não ser politicagem partidária, mas há um privilégio de forma particular a algumas pessoas.

Acredito que não tenha sido essa a intenção do prefeito ao colocar a secretária no cargo. Tanta gente quer fazer mestrado. Tanta gente não tem sequer o tempo liberado, pagando por conta própria, para fazer o mestrado. De repente, alguém iluminado tem sua passagem aérea paga para ir a São Paulo, hotel quatro estrelas no litoral, em Santos. Isso é muito interessante. A prefeitura deve estar com muito dinheiro para fazer isso. Quando perguntei ao prefeito, Iris disse que era pouco dinheiro.

Não acho que R$ 100 mil seja pouco. R$ 100 mil só o curso, fora o custo aéreo, alimentação e hospedagem. Acredito que a crítica pode acontecer de que o prefeito teria a colocado na secretaria para não ter politicagem na pasta, mas parece que tem havido politicagem na Saúde, o que não resolve o problema.

Fernanda Garcia – Mesmo assim o nome do prefeito foi retirado da lista de pedido de indiciamento no relatório da CEI.
Isso para mim foi uma grande incoerência. O relatório teve um grande trunfo que foi o conteúdo integral garantido. Nenhum vereador pediu qualquer destaque no conteúdo do relatório. E vai ficar a contradição porque tirou o nome, mas não vai adiantar nada. O Ministério Público, diante dos fatos, tomará posição do envolvimento.

Até porque, com relação ao prefeito, Iris não falou em uma mesa de boteco que tudo que a secretária fez foi sob a ordem e o aval dele. Iris disse isso para a CEI e para a imprensa, de forma pública. Tudo que ela fez foi responsabilidade dele. Como se condena a secretária e não condena quem diz que a mandou fazer ou a mandou fazer? Para mim foi incoerência. Isso foi um ponto fora da curva.

O outro foi a retirada do nome do secretário estadual de Saúde Leonardo Vilela. Não tenho nada pessoal contra o secretário, mas identificamos uma irregularidade em aditivos que foram assinados. Por que não colocamos o nome do ex-secretário Antônio Faleiros? Faleiros assina os contratos, mas não os aditivos que provocaram a irregularidade. Indiciamos o Idtech, que faz a gestão do HGG, o IGH, que gere o Hospital Materno Infantil, mas não quem assinou os aditivos com as Organizações Sociais (OSs).

O indiciamento não é uma condenação. O indiciamento é dizer que está constatada a materialidade da irregularidade e indício de autoria. E a assinatura do aditivo é o indício de autoria por meio de um ato formal. Cabe ao secretário dizer que foi induzido ao erro e provar. Eu tenho que me basear em documentos. Com relação ao Iris, ele não assina, mas diz para a própria CEI que foi ele quem mandou a Fátima fazer. E eu perguntei sobre cada caso. No caso do raio-X o prefeito disse que está certo. Como que está certo gastar R$ 12 milhões tendo equipamento novo, servidores parados recebendo salário e a saúde precisando de dinheiro?

Há um contrato com a empresa Neo [Neo Consultoria e Adminis­tração de Benefícios Eireli], que não é só com a secretaria, mas com toda a prefeitura, de R$ 20 milhões que prevê pagamento de R$ 3 milhões em um ano à Neo de manutenção que não tem um parafuso ou chave de fenda. A única coisa que a contratada fará será escolher a oficina que fará o serviço para a prefeitura e ganhará R$ 3 milhões. É preciso me convencer como isso vai baratear o sistema. Todos os depoimentos mostraram que esse contrato encarecerá o serviço, o que é pior, ainda pode direcionar quem receberá para executar as manutenções. Isso ficou bem claro quando o diretor diz à CEI que iria para determinada oficinal. E o serviço foi feito pela oficina que o diretor tinha citado.

É um sistema falho. Por exemplo, quem faz a manutenção na Comurg é uma concessionária. Quem paga concessionária para fazer manutenção de carro velho? Ninguém faz isso. Não tem como o prefeito dizer que não tem consciência, até porque o contrato não é só com a Saúde, são três contratos com a Neo, que in­cluem um com a Saúde, um com a Comurg e outro com o restante das outras secretarias que dá um total de R$ 20 milhões por ano em manutenção de veículos.

Augusto Diniz – O não indiciamento do prefeito não coloca em risco o resultado do trabalho da CEI?
Acredito que não porque o conteúdo foi aprovado. Quem terá de ter convencimento para indiciar é o Ministério Público. O Ministério Público pode entender que pode ter mais gente do que a CEI apontou. Ou menos. Quem faz a denúncia, quando pede a abertura da ação, é o Ministério Público. A partir de então cabe ao juiz aceitar ou não a denúncia. Se o Ministério Público entender que o prefeito é responsável, o nome do Iris será incluído. O prejuízo é muito mais político do que prático. Porque como todo o conteúdo foi para o Ministério Público, acredito que será muito difícil ignorar a participação do prefeito ou do secretário do Estado.

Por isso digo que não podemos transformar uma vitória em derrota. A grande vitória da CEI é que todo o conteúdo das irregularidades, com as comprovações, todo ele será direcionado à Polícia Federal em determinadas situações, Polícia Civil para a Dercap [Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Administração Pública] e até para a Homicídios [Delegacia Estadual de Investiga­ções de Homicídios – DIH], como foi aberto procedimento, o Ministério Público Federal (MPF) e Estadual (MP-GO).

Marcelo Mariano – Como o sr. avalia o trabalho do vereador Dr. Paulo Daher (DEM) na CEI, que correu o risco de ser afastado da comissão?
Paulo Daher acabou por ter participação mais efetiva no final. No início o vereador faltava muito às reuniões e foi muito criticado. Mas no final acabou tendo um destaque razoável. Só o achei incoerente porque votou a favor de colocar o ex-governador Marconi Perillo (PSDB), o secretário, mas foi a favor de retirar o nome do Iris do relatório. Acabou sendo uma ação política, mas contribuiu por ter levado muitos dados. O que não podemos confundir é que, independente da cor partidária, quando o vereador diz coisas que são verdadeiras, precisamos fazer um filtro.

É preciso analisar o fato de serem informações verídicas. Em um determinado ponto, a participação do Paulo Daher foi importante. Acredito que ele tenha sido incoerente por não querer o afastamento da secretária Fátima Mrué, quando foi o único voto contrário. Para mim, isso foi pon­to negativo. Quando levantou os problemas do governo do Estado foi uma atuação positiva. Até porque a saúde em Goiânia funciona diferente da educação, que não se mistura. Já a saúde sim porque é tripartite. O sistema é único. Saúde tem uma particularidade muito especial. É uma área que não pode ser analisada de forma fragmentada entre município, Estado e União. É um corpo só.

A regulamentação da saúde tem a participação de todos os entes, cada um com um valor. Por isso que fizemos como sugestão para a saída dessa crise a criação imediata de um comitê de crise para tratar principalmente as questões mais agudas, como a situação das cirurgias e exames reprimidos, com muita gente sem conseguir atendimento, assim como o caso das UTIs, que é o mais grave de todos. Que fosse um comitê dirigido pelo MPF e MP-GO, com a participação dos entes federados e da própria Câmara Municipal.

Marcelo Mariano – A CEI passa a atuar como uma comissão temporária.
É preciso ficar claro que o relatório da CEI não precisa ser aprovado pelo plenário da Casa, assim que é feita a leitura passa a estar aprovado. Uma das sugestões que fizemos foi a criação de uma comissão temporária, com os membros e com o respaldo do plenário, para darmos continuidade àquilo que constatamos e sugerimos. Goiânia é a única cidade com mais de 300 mil habitantes no Brasil que não tem um hospital próprio. Tem a Ma­ternidade Dona Iris, a Maternidade Nascer Cidadão, mas não tem um hospital. Muitas cidades goianas bem menores do que Goiânia têm hospital municipal.

“Um dos problemas centrais de Goiânia é a ausência de um hospital próprio”

Augusto Diniz – Pode acontecer de Aparecida de Goiânia receber a demanda de Goiânia quando o hospital municipal da cidade vizinha começar a funcionar.
É importante Goiânia ter um hospital próprio. Das conversas com médicos, percebemos que Goiânia fica refém dos hospitais particulares. Quando se tem um hospital próprio e há uma crise na área de cardiologia é possível dar uma resposta. Tem uma crise na área de pediatria. É possível intensificar o atendimento no hospital do município. Tirando as UTIs do Materno Infantil, nas áreas neonatal e pediatria, a Prefeitura de Goiânia não tem nenhuma UTI. Goiânia regula, mas não tem UTI. Fica refém.

Os hospitais resolvem boicotar, que aparentemente é o que andou acontecendo, e começam a estabelecer critério para selecionar paciente, o que foi uma das coisas mais graves que nós tivemos na CEI. Imaginar que um hospital verifica que determinado perfil de paciente vai gerar mais custo e não abre a vaga para ele. Isso é assassinato! Por isso a Delegacia de Homicídios está investigando. O relatório do governo estadual apontou. As declarações da Prefeitura de Goiânia apontaram para isso.

O promotor de Justiça Érico de Pina categoricamente citou os casos, como, por exemplo, pacientes idosos com problemas renais ou de hipertensão, em que a chance é zero de conseguir vaga de UTI, que são casos que geram mais gastos. É preciso ter estrutura própria para ter uma regulação e equilibrar o uso da rede complementar, até para não ficar inteiramente na mão da rede particular conveniada. Isso fragiliza muito a prefeitura. Acredito que esse seja um dos problemas centrais da saúde municipal: a ausência de um hospital próprio.

Augusto Diniz – O sr. cita como um dos casos mais graves a falta de vagas de UTI. Na crise da saúde, a rede municipal é a mais criticada porque é onde morrem mais pacientes. Qual é a situação constatada pela CEI no caso das UTIs?
Temos dois problemas nas UTIs. Um deles é próprio da prefeitura, que é a regulação. Depois de a CEI constatar a falha, isso mudou um pouco este ano. Embora o contrato coloque de forma clara que quando um hospital particular pactua as vagas são da regulação, a regulação não deveria ligar para pedir a vaga. A regulação deveria apenas ligar e avisar ao hospital que vai encaminhar o paciente, porque já se tem o perfil do paciente e da vaga. O que observamos é que a regulação ligava para pedir vaga. O paciente só utilizava o leito de UTI depois de o hospital liberar a vaga. Houve casos de o paciente chegar ao hospital e voltar para a rede municipal porque o hospital não quis deixar a pessoa entrar. A forma que a regulação estava trabalhando não era aquela prevista no contrato nem na portaria do Ministério da Saúde.

Augusto Diniz – Essa prática continua?
Houve uma alteração. Este ano isso mudou um pouco. Depois de conversarmos com médicos, percebemos que a prefeitura endureceu o jogo porque o contrato é muito claro. Antes isso não estava sendo respeitado. O outro problema é o cadastro feito pela prefeitura. Temos hoje uma situação tão ridícula que é a prefeitura, além de não gastar um centavo com UTI, arrecadar. A prefeitura recebe em torno de 460 UTIs. Depois de aprovado, o Ministério da Saúde paga R$ 478 de diária, independente de a vaga de UTI ser usada ou não.

O que nós chamamos de incompetência é o fato de estar no cadastro da prefeitura vagas de UTI que não existem. No último relatório que fizemos, mais de 80 vagas de UTI do cadastro da prefeitura não existiam. Essa quantidade oscilava durante o trabalho da CEI. Estão no Cnes [Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde], do Ministério da Saúde, mas efetivamente não existem. Mas a prefeitura recebe por essas vagas-fantasma. E a prefeitura só paga aquilo que é efetivamente usado. No dia que o hospital particular usou a vaga de UTI para o SUS, a prefeitura paga pela vaga utilizada. Então a prefeitura arrecada muito mais do que paga.

O governo do Estado fez uma pactuação, porque R$ 478 é um valor muito pequeno, e faz um complemento para chegar a R$ 1,1 mil. A diária de vaga na UTI que um hospital recebe é de R$ 1,1 mil. Das vagas que são utilizadas, a prefeitura paga uma parte e o governo estadual outra. Como a prefeitura arrecada mais do que utiliza, até porque recebe boa parte de vagas que não existem, acaba arrecadando com UTI em plena crise. Olha que absurdo!

Outro problema que existe é o das OSs. Verificamos que as OSs, pelo menos em dois hospitais, têm problemas. O HGG, que dizia ter 40 vagas, tinha 30. O hospital alega que 10 são de cuidados paliativos. Só que cuidado paliativo o custo é menor, o que demandava uma repactuação do contrato. O caso que é um verdadeiro absurdo é o do Materno Infantil, quando se soma os aditivos do início, com 28 vagas, até o último aditivo, deveria ter 53 vagas de UTI. A OS que administra o Materno Infantil já disse que são 23, depois 25.

Cada vez que se manifestam, dizem algo diferente. Mas parece que são de fato 25 vagas. Fizeram uma contratação absurda do Hospital da Vila Nova, onde deveria ter 20 vagas de UTI e 10 de enfermaria, mas o relatório diz que isso não existe. Mas na hora de criar as vagas, o valor foi acrescido no contrato. Quando era para reduzir o valor repassado, isso nunca aconteceu. As vagas nunca existiram, mas o valor do contrato continuou alto. A OS alega que mudou o conceito de contrato, que não é mais por leito, mas por meta.

As metas que são colocadas são muito baixas. A meta do HGG de atendimento de urgência e emergência é de oito pessoas com toda aquela estrutura. Mesmo o Materno Infantil, que é um pouco mais, a meta diária dá 66 pessoas na emergência e urgência. No dia em que a comitiva da CEI esteve no Cais do Urias Magalhães, na fila tinha 80 pessoas aguardando, sem contar a quantidade já atendida e quem chegou depois.

Essas OSs acabam por receber um valor muito maior do que essas metas, que não valem nada. É só pegar o Credeq [Centro Estadual de Refe­rên­cia e Excelência em Dependência Quí­­mica] para provar que meta não vale nada. Com um contrato de R$ 27 milhões no ano de 2017, receberam R$ 26 milhões e atingiram 23% da meta. Que meta é esse que se recebe quase todo o contrato?

Fernanda Garcia – Nos repasses, um dos pontos levantados foi o de que o governo não teria repassado o mínimo exigido para a saúde, que é de 12%. Isso foi esclarecido?
Essa foi uma questão levantada pelo vereador Dr. Paulo Daher, que levou dados do Tribunal de Contas do Estado (TCE) de que o governo não estaria cumprindo os 12% de repasses à saúde. Isso seria uma irregularidade clara. Nesse caso, o vereador atribuiu a responsabilidade ao ex-governador. Foi por isso que o nome do ex-governador entrou como um dos que poderiam ser indiciados porque a responsabilidade não é do secretário, porque quem ordena a despesa global não é o secretário. Qualquer secretário quer mostrar serviço e aplicar o máximo de recursos possíveis em sua pasta. Não dava para acusar o secretário nesse caso. Como houve um empate, Clécio Alves acabou por desempatar a favor de Marconi, que não teve seu nome incluído na lista de pedido de indiciamento.

Augusto Diniz – Uma das propostas do Iris na campanha de 2016 era a de colocar os Cais em funcionamento 24 horas por dia. Quase dois anos depois, a prefeitura alega que a crise herdada da gestão Paulo Garcia (PT) impede que a saúde funcione da forma como deveria. Como o sr. vê essa situação?
Eu não posso admitir que o prefeito, depois de um ano e meio, continue tentando justificar sua péssima gestão jogando a culpa no ex-prefeito. Isso é um absurdo. Já passou da hora do Iris abandonar esse discurso. É preciso reconhecer que nós temos problemas na saúde. Tanto o ex-governador Marconi quanto o prefeito Iris colocaram que temos um problema, que é a pactuação de participação, da qual o governo federal deveria participar mais. Até porque quem tem o maior bolo tributário é a União, que deveria colocar mais dinheiro na saúde.

“Fátima Mrué pode ser uma oncologista sensacional, mas como gestora é uma tragédia”

Cezar Santos – Não é nitidamente um problema de gestão?
Inegavelmente, temos também um problema de gestão. Se uma pessoa faz hoje um exame pré-operatório para marcar determinada cirurgia, a volta ao médico demora tanto que o exame precisa ser refeito. Isso não é uma situação isolada, infelizmente é algo corriqueiro. Todo mundo sabe que a atenção básica é fundamental para o processo de saúde pública. Cuba é interessante, mesmo sendo um país pobre, por ter um índice de mortalidade infantil menor do que o Canadá e nações europeias. O programa de saúde da família cubano é impressionante. O Mais Médicos, que muita gente imagina que só exista no Brasil, Cuba tem com mais de 20 países, inclusive Canadá e Holanda.

O Programa de Saúde da Família (PSF) de Goiânia é ruim, com nota péssima. Quem atesta isso é o Ministério da Saúde, do governo do MDB. Do ponto de vista da qualidade, o alcance é ruim pela falta de condições. O médico vai à casa da pessoa, descobre um problema e pede um exame, mas o paciente não tem como fazer. Um caso de pressão alta não é tratado, não passa por exame, não toma medicamento. A pessoa pode ter um AVC e ficar com sequela muito maior. O que já existe é ruim. Além de ser ruim, temos apenas 45% de cobertura em Goiânia. Em Goiás é 66%. Senador Canedo, aqui do lado, é 100% de cobertura do PSF.

E é justamente o momento em que se previne e cuida de uma doença no início. Quando se descobre um problema no início fica muito mais fácil o tratamento. No Brasil a lógica foi invertida. O que dá dinheiro é a média e alta complexidade na saúde. Ninguém se interessa pelo básico. O que é privado não é a saúde básica, mas sim a alta complexidade. A estrutura da saúde brasileira está focada na média e alta complexidade. Temos um grande problema e precisamos rever essa situação.

Cezar Santos – O PSF ser tão ruim em Goiânia é questão de gestão. Mas o problema está só na saúde municipal?
Não é só da saúde municipal. Tenho crítica à metodologia do governo do Estado. HGG, Hugo e Crer são hospitais excelentes, mas não têm universalização do atendimento. O problema antes era a pessoa morrer na portaria do Hugo. Hoje o paciente morre no posto de saúde por falta de vaga. Não resolveu o problema.

E o que agrava é a falta de diálogo. Acredito que seja uma crítica muito mais à prefeitura do que ao governo do Estado, porque a gestão estadual tem abertura – e isso foi demonstrado na CEI – ao diálogo. A prefeitura não tem abertura. Fátima Mrué acha que sabe tudo, que é a dona da verdade. É impressionante!

Notei, durante os trabalhos da CEI, que o governo estadual se mostrou mais aberto a discutir os problemas conosco do que a secretaria municipal. E o diálogo precisa existir. Mas tem problemas em todas as áreas. O exemplo que citei da crise da cirurgia cardíaca poderia ser resolvido com uma simples repactuação, de pagar o complemento que o governo do Estado faz no caso de emergência nas UTIs e também cobrir quando forem realizadas cirurgias cardíacas. Se isso for feito, os hospitais voltam a atender.

O dono do hospital recebe R$ 1,1 mil se receber um paciente da emergência na UTI, mas se atender uma pessoa para realizar uma cirurgia cardíaca, o pagamento é de apenas R$ 400. Para a rede particular é muito mais vantajoso receber o paciente da emergência do que aquele que precisa ser submetido a uma cirurgia. Essa é a conta que o proprietário da rede particular faz. Por isso o cirurgião cardíaco não pode fazer o procedimento no hospital dele, encaminhando o paciente para outro lugar.

Resolver isso é muito simples. Colocamos isso para o secretário Leonardo Vilela, que disse o seguinte: “É só sentar com a secretária municipal e resolver. Mas é preciso sentar e conversar”. Mas nem abertura tem por parte da prefeitura, o que complica o caso.

Augusto Diniz – A Secretaria Municipal de Saúde divulgou que o problema do chequinho estava resolvido, mas criou-se uma fábrica de comprovantes de exames e consultas remarcadas pelos pacientes. A CEI buscou uma solução?
A secretaria está apostando muito nesse software que foi contratado com dispensa de licitação por R$ 4,2 milhões, o que nós apontamos como um erro. O primeiro problema foi o próprio software, que não tinha conexão com os dados contidos no software anterior. Tivemos um depoimento muito interessante do vereador Kleybe Morais (PSDC), da base do prefeito, que é analista de sistemas, servidor da extinta Companhia de Processamento de Dados de Goiânia (Comdata), ligada à Secre­taria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho, Ciência e Tecnologia (Sedetec).

Kleybe foi um dos servidores que ajudou na elaboração do software anterior, que recebeu prêmios nacionais. O correto seria fazer a adequação do software que estava em uso. Não pagar R$ 4,2 milhões por um software estranho que marca para o mesmo paciente duas consultas no mesmo horário em lugares diferentes de Goiânia. Isso não é uma solução. Há demanda reprimida. O que acontece hoje é o paciente ganhar chequinho. Tudo que tenta se marcar a informação é de que existe uma demanda reprimida. Dizem que a fila está muito grande e não saem as marcações de exames e consultas.

Os funcionários do HGG disseram que o hospital chegou a ficar com 50% a 60% dos exames e consultas sem acontecer porque a regulação não marcou. Temos um sistema que é falho, que não consegue fazer o mapeamento e a localização das vagas disponíveis. Quando começaram a falar do novo software, eu brinquei que pagar R$ 4,2 milhões para resolver tudo estava muito barato. Disseram que o software resolveria tudo. Se era a solução de todos os problemas, o software poderia até custar R$ 10 milhões. Só que o software não resolveu nada.
Quando a secretária foi à CEI anunciar o software, Fátima disse que dentro de 60 dias estaria tudo resolvido. Não está. Tudo piorou, inclusive esse software, que não funciona direito.

Augusto Diniz – As filas voltaram.
Voltaram. Está acontecendo algo pior. Quando digo que o problema é de gestão é porque isso fica claro. Um sistema que tem vaga para exame e continua com uma fila enorme, com serviço ocioso… O ex-diretor do Cais de Campinas afirmou que ocorre de se formar uma fila enorme no plantão, enquanto sobram vagas de consulta de pediatra. É falta de organização deixar um plantão sobrecarregado se há vaga sobrando. Se a sociedade fosse informada que há vaga em determinada unidade de saúde, uma pessoa poderia marcar uma consulta para o filho, já que o atendimento seria imediato porque tem vaga disponível. Justificaria uma propaganda.

Cezar Santos – Parece não ter a mínima gerência.
Não tem. Por várias vezes verificamos que o problema de gestão é seriíssimo. A secretária pode ser uma oncologista sensacional, não duvido que ela seja, mas como gestora é uma tragédia.

Marcelo Mariano – O sr. comentou a possibilidade de o prefeito sofrer um processo de impeachment. Como Goiânia não tem vice-prefeito, a lei diz que se o impedimento for concluído nos dois primeiros anos de governo, eleições diretas devem ser convocadas, no terceiro ano votação indireta e no quarto ano assume o presidente da Câmara. Qual seria a melhor solução?
A melhor solução é o prefeito resolver o problema da saúde. A Câmara e a CEI não avaliaram esses aspectos. Prefiro acreditar que Iris vai entender que nomear secretária não é a mesma coisa que nomear o gerente de uma fazenda. Tenho a convicção de que o prefeito terá maturidade para perceber que ele deve, sim, explicações e satisfações para a sociedade. Prefiro acreditar que seja preciso dar um tempo ao Iris para que ele seja notificado e faça uma reflexão e tome outra atitude. Se o prefeito insistir, estamos estudando – minha assessoria e dos vereadores Jorge Kajuru (PRP) e Dra. Cristina Lopes (PSDB) – a possibilidade de apresentar um pedido de impeachment.

Marcelo Mariano – O sr. será candidato neste ano?
Se a convenção do partido aprovar coletivamente sim. Fui convidado a ser candidato a deputado federal.

Augusto Diniz – E há o interesse em concorrer?
Sim. Se eu for candidato a algum cargo deverá ser a deputado federal.

Marcelo Mariano – Como o sr. analisa a situação do PSB na base aliada do governo?
Sou uma pessoa que gosta muito de respeitar a trajetória dos outros. Eu tenho uma trajetória, nunca participei da base do governo, mas a senadora Lúcia Vânia todo mundo sabe que até ontem era do PSDB e ajudou a construir esse projeto. Eu tenho um compromisso com a senadora, até pela sua história, e faço isso com muita tranquilidade e alegria, sabendo que a Lúcia tem na sua história o fato de ter sido relatora da Lei Maria da Penha, uma das idealizadoras do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti).

Gosto muito do trabalho da senadora porque Lúcia Vânia não se preocupa com a questão partidária. Ela tem uma grande relação com vários prefeitos de todos os partidos, porque é uma pessoa republicana que ajuda a todos os municípios. Tenta ajudar a Prefeitura de Goiânia. Lúcia se posta como uma pessoa que atua com espírito de defesa do interesse do povo goiano.

Com a senadora vou caminhar. Mas já discutimos internamente e avisei que não tenho condições de apoiar a base do governo. Não vou apoiar. A minha posição é de que há um esgotamento desse projeto. Acredito que o projeto da manutenção da base do governo dificilmente vinga. Depois de 20 anos é natural que haja esse esgotamento. Precisamos buscar a renovação até para oxigenar a vida política no Estado.

Respeito a posição do partido, mas defendi várias vezes e acredito que deveríamos caminhar com o deputado federal Daniel Vilela (MDB). Particularmente me reservo o direito de não apoiar o projeto da base do governo. Não tenho condições de fazer isso. Até porque quando entrei no PSB, o partido tinha lançado a candidatura do Vanderlan Cardoso (PP) contra as duas candidaturas – Marconi e Iris – com postulação própria. Respeito a história da senadora e entendo que para Lúcia é difícil uma ruptura.

Embora hoje seja preciso que a base tenha respeito com a senadora. Não é possível que depois de dois mandatos e tudo que Lúcia Vânia construiu ainda tenha de passar pelo constrangimento de ter que passar por uma disputa com quem quer que seja. Até porque não tenho dúvida que entre as pré-candidaturas que têm competitividade, como o caso do Daniel e Ronaldo Caiado (DEM), eles não vacilariam em tê-la como candidata a senadora nas suas coligações. Ela não teria de disputar com ninguém. A base teria de respeitá-la. Mas havendo esse respeito, eu saberei respeitar a posição da senadora.

Cezar Santos – Se Lúcia Vânia for confirmada como candidata a reeleição pela base do governo e pedir votos para o governador José Eliton (PSDB), o sr. não subiria no palanque?
No palanque de José Eliton eu não subiria. Vou subir para Lúcia Vânia, para quem eu farei campanha. Não por falta de respeito pelo José Eliton ou Marconi, mas porque acredito que sejam posições diferentes da minha trajetória. Não tenho identidade com o projeto. Quando digo isso não estou jogando pedra ou dizendo que não presta, é porque preciso defender a minha história e posição política. Não vou contrariar tudo que construí e penso. Campanha para a senadora eu farei com prazer e satisfação. Esse outro projeto vou respeitá-lo.
Como posso querer que Lúcia Vânia rompa de uma hora para outra? Olho para o meu lado e também para o da Lúcia. Como a senadora vai romper com toda a história dela?

Vereador Elias Vaz fala aos jornalistas Augusto Diniz, Fernanda Garcia, Cezar Santos e Marcelo Mariano: “Caiado está à frente nas pesquisas agora, mas se pegarmos o retrospecto, eu diria que ele já perdeu. Isso é besteira”

“Você acha que todo mundo vai assistir a um sujeito desqualificado como Bolsonaro virar presidente?”

Cezar Santos – O governo que Lúcia Vânia ajudou a eleger e construir.
Ajudou a eleger e a construir lá no início. Não posso cobrar isso dela. Compreendo a posição da senadora.

Augusto Diniz – Por que o sr. acredita que Daniel Vilela seria o melhor pré-candidato a governador para o PSB se aliar?
Porque acredito que Daniel pode capitalizar e canalizar um desejo que há na sociedade hoje de renovação. Penso que isso será o ponto mais forte nessa eleição. Lembro-me da eleição de 1998, quando apareceu essa vontade de renovação. Conversávamos com as pessoas, que elogiavam Iris Rezende, mas diziam que não votariam no emedebista. É engraçada essa posição. A pessoa elogiava o candidato do MDB, mas não votava. Se fosse feita uma pesquisa com as pessoas que gostavam do Iris, seria assustador ver o resultado que Marconi teria nas urnas. Era o sentimento de renovação.

É mais ou menos a sociedade dizer que determinado grupo já deu o que tinha para dar, ao afirmar que era preciso oxigenar o poder. Acredito que é esse o sentimento que está na sociedade. José Eliton vai enfrentar essa dificuldade. Qualquer um enfrentaria essa dificuldade no lugar do governador. É um problema de conjuntura, de esgotamento de um ciclo político. Acredito que esse ciclo tenha chegado ao seu esgotamento.

Fernanda Garcia – Como o sr. avalia uma possível vitória do Caiado, já que ele lidera neste momento as pesquisas de intenção de votos?
Penso que estar à frente na pesquisa, se pegarmos o retrospecto, eu diria que Caiado já perdeu. Maguito tinha mais de 50% nessa época quando foi candidato contra Alcides Rodrigues [à época no PP, hoje no PRP] e perdeu. O próprio Caiado em 1994. Isso para mim é besteira. Basta pegar a última eleição para senador e ver que Caiado quase perdeu para Vilmar Rocha (PSD). Não é bem assim que acontece uma eleição. As coisas não funcionam dessa forma. Acredito que o eleitor goiano não é o eleitor de extremo. O eleitor goiano não é de esquerda, não é de direita.

Iris, que foi cassado pela Ditadura Militar, é de esquerda? Não. Mas nunca foi de direita. Até mesmo Marconi, que quando chegou ao poder, tinha votações no Congresso muitas vezes alinhadas com a esquerda, é um político de centro. Foi um deputado estadual que fez oposição bem acentuada contra os governos do MDB. O PT em Goiás nunca conseguiu ter uma expressão muito grande. Talvez a maior força do PT no Estado tenha sido quando houve a onda do Lula, que chegou a 17% em Goiás. E a ultradireita nunca conseguiu ter essa performance nos processos eleitorais.

Caiado representa uma candidatura de ultradireita que não é o perfil do eleitor goiano. O conservadorismo do eleitor goiano não é um conservadorismo de ultradireita. É um conservadorismo mais centrado. É conservador, mas não pende tanto para a direita. Acredito que isso vá pesar no processo eleitoral. Caiado tem o nome muito conhecido, é natural que esteja liderando as pesquisas agora. Mas vejo um crescimento do José Eliton com a máquina do Estado na mão, tanto Daniel, que preside o partido.

Há a polarização MDB e PSDB em praticamente todos os municípios do Estado. Alguém tem de cair para os dois crescerem. Na minha opinião, Caiado vai entrar no processo eleitoral propriamente dito de uma forma muito negativa. Quando começar a campanha de fato, acredito que o democrata entra em queda.

Marcelo Mariano – Em um eventual segundo turno entre Caiado e José Eliton, o sr. votaria em qual dos dois?
É algo que não parei para pensar. Mas teria uma dificuldade muito grande. Não penso em votar em nenhum dos dois.

Augusto Diniz – Como o sr. avalia a saída do Vanderlan Cardoso do PSB?
Vanderlan é um amigo que tenho. Tentei inclusive convencê-lo a não sair, fiz todo movimento possível para que Vanderlan e Lúcia Vânia se entendessem. Há momentos que as pessoas têm visões políticas diferentes e Vanderlan acabou por achar que o melhor caminho para ele fosse sair do partido. Achei muito ruim a saída do Vanderlan, até porque tenho um grande apreço por ele. Vanderlan tem um patrimônio político muito grande.

Estamos falando de alguém que disputou com Marconi e Iris as últimas duas eleições e teve 17% dos votos, foi para o segundo turno na eleição em Goiânia. É uma pessoa muito competente para administrar. Respeito a posição dele. Lamentei muito, mas continuo a ter uma ótima relação com Vanderlan. Não deixo de ser amigo. Sei separar as duas coisas e não deixo de admirá-lo por ser uma pessoa competente do ponto de vista administrativo.

Marcelo Mariano – O sr. era um entusiasta da pré-candidatura do Joaquim Barbosa?
Realmente estava entusiasmado com a pré-candidatura do ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal. Acho que isso ainda não acabou. Só teria acabado se Joaquim Barbosa tivesse desfiliado do partido. Ele apenas disse que tem problemas pessoais. Problema pessoal pode ser resolvido. Cacife para entrar na última hora já mostrou que tem. Na primeira pesquisa já apareceu com 10%. As últimas declarações que ele deu me deixaram bem empolgado. Estamos em um momento bem difícil na política brasileira. Temos de pensar em uma candidatura no campo democrático.

Até no contraponto do que foi a experiência da esquerda governando o País, temos uma tendência de migrar para o outro extremo. O grande problema é que podemos ter retrocessos enormes no País, como estamos observando. Precisamos ter muito cuidado. Digo que não estamos em momento de avançar, mas sim de resistir. Se não tivermos o cuidado de ter a humildade de centrar em uma candidatura que tenha mediação de garantir no mínimo os aspectos democráticos, teremos um grande problema pela frente.

Marcelo Mariano – Como o sr. avalia a possibilidade de o PSB lançar o vice na chapa do Ciro Gomes?
Acredito que seja uma possibilidade plausível. O que achei importante foi o PSB decidir que não caminhará com o PSDB, que foi decisão do congresso nacional do partido. Isso para mim foi uma ótima resolução. Como o Márcio França assumiu o governo de São Paulo havia os rumores. O partido decide em seu congresso a flexibilidade, inclusive, para poder definir uma candidatura própria ou apoiar um nome no marco da esquerda. É uma possibilidade. Quando colocamos os candidatos com chance real de ganhar a eleição, temos Jair Bolsonaro (PSC), Geraldo Alckmin (PSDB) e Ciro Gomes (PDT). Entre os três, não tenho dúvida sobre escolher apoiar o Ciro.

Marcelo Mariano – O sr. já foi do PV, assim como Marina Silva (Rede). O sr. não pensa na Marina como uma alternativa?
Minha entrada no PSB se deu pela Marina Silva, quando ela foi para o partido. Mas sofri uma desilusão com a Marina. Acredito que ela tenha cometido muitos erros, mas todos ainda eram admissíveis. Eu pretendia ficar na Rede. Mas não dava para Marina ter apoiado Aécio Neves (PSDB) no segundo turno em 2014. A sociedade poderia não saber quem era o Aécio, mas quem estava na cúpula da política sabia.

O maior erro que Marina cometeu foi em uma reunião, na qual mais de 90% dos militantes queria uma posição de neutralidade, um percentual pequeno acreditava que deveria apoiar Dilma Rousseff (PT) e praticamente ninguém queria que apoiasse o Aécio. Marina saiu da reunião, disse que era uma cruz que teria de carregar e que escolheria qual cruz carregaria. No dia seguinte anunciou, sem falar com ninguém do partido, que apoiaria Aécio.

Construir partido com uma pessoa que pensa assim, sinceramente, não tenho disposição. Por esse motivo – quando ela fez isso –, ela quebrou uma lógica política, o que pode acontecer, mas quebrou uma metodologia. Participar de um partido em que uma pessoa vê que todo o partido quer uma coisa e ela faz outra, isso não é partido. Eu não vou construir partido com uma pessoa dessa.

Cezar Santos – Marina então se portou como dona do partido.
Não dá. Foi um descontentamento muito grande, muitas pessoas saíram da formação da Rede naquele momento. Tenho um respeito. Do ponto de vista moral, Marina é uma pessoa inatacável e séria. Mas, do ponto de vista político, tive sérias divergências, inclusive de formação partidária. Se for para ser isso não quero. O PSB me dá liberdade. O partido tem uma linha política, mas sabe conviver mais com as diferenças e respeita o campo majoritário. Todo mundo sabe que há uma ala do PSB de São Paulo que preferia apoiar o Alckmin. Mas o PSB sabe respeita a sua maioria. É assim, é no voto.

Marcelo Mariano – Quem manda no PSB não é a ala de Pernambuco?
Mas não é só Pernambuco. Se você pegar quase todo mundo que é histórico no partido tem essa posição. O Nordeste e o Sul, nos vários Estados em que o PSB tem uma história maior, com militantes mais antigos, todos têm essa posição mais à esquerda.

Augusto Diniz – O descontentamento com Marina Silva, que foi recebida pelo PSB enquanto a Rede não recebia autorização da Justiça para ser criada, é um desencanto do sr. ou de todo PSB com a pré-candidata?
O meu descontentamento foi no plano pessoal. Sempre tive uma ligação muito forte com a ex-senadora Heloísa Helena, que resolveu ficar na Rede. Respeito a decisão. É minha amiga até hoje, gosto muito dela. Mas tivemos uma diferença muito grande porque particularmente não construiria um partido nessas condições. Disse à Heloísa Helena que quando ajudei a construir o Psol, acreditei nas pessoas e nela.

Heloísa é uma pessoa comprometida, acredito que nunca adotaria uma decisão como a Marina Silva, de ignorar todo mundo e tomar uma posição. E não foi uma posição qualquer. Imagine alguém com a história da Marina apoiar Aécio em uma campanha! Isso é uma coisa que surpreendeu todo mundo. Aquilo foi uma coisa totalmente fora da curva até para a história da Marina. Apesar da minha postura crítica, não deixo de elogiar as coisas boas.
Marina é uma figura que precisamos ter eterno respeito por ela. Uma pessoa muito séria, honesta, que não se enriqueceu com a política, que faz política com convicção. Mas tenho divergência na metodologia utilizada. Não quero continuar e construir partido assim.

Augusto Diniz – Com o ex-presidente Lula da Silva preso, a maior possibilidade neste momento é que tenhamos um segundo turno entre Bolsonaro e Marina. O que o sr. faria?
Não acredito que a candidatura do Bolsonaro tenha essa consistência toda. Em 2016, muita gente dizia que o deputado federal Delegado Waldir Soares (PSL) seria eleito prefeito. Eu afirmava que ele não ganharia e nem iria para o segundo turno. E não foi. Tem um setor forte da sociedade que está analisando, que ainda não sabe em quem vai votar, mas no Bolsonaro com certeza não será. Dizer que o Bolsonaro é uma figura polêmica, conhecida, pode ganhar a eleição tudo bem.

Mas quando a discussão se aprofunda, acredito que seja muito difícil se sustentar. Até por tudo que representa. As declarações que esse sr. deu, as posições que já manifestou. Quando as pessoas tomarem conhecimento disso fica difícil de continuarem ao lado de um candidato como esse. Uma pessoa dizer para uma mulher que ela é tão feita que não merece ser estuprada… Alguém que diz isso e quer ser presidente do Brasil? Não acredito que o povo brasileiro vai respaldar uma pessoa com manifestações tão absurdas igual ele já teve.

Outro dia vi um vídeo com Bolsonaro afirmando que essa coisa toda de 13º salário e direito trabalhista era besteira porque os Estados Unidos não têm. Quero ver na hora que o povo que diz votar nele assistir a um vídeo desses se vota no Bolsonaro! Mas não vota de jeito nenhum. É só uma questão de esclarecimento. Bolsonaro é uma pessoa que se for pego em uma entrevista igual a essa aqui, com repórteres fazendo perguntas bem claras para ele, o candidato não sobrevive. Se der publicidade a isso Bolsonaro não sobrevive. É só fazer as perguntas e o deixar responder que não sobrevive.

Marcelo Mariano – As eleições nacionais têm muitas semelhanças com as de 1989, e uma delas pode ser o fato de um candidato precisar de 15% a 20% para chegar ao segundo turno. Bolsonaro teria seu teto nos 20%. O sr. acredita mesmo que não tenha chance de chegar ao segundo turno?
Acredito que Bolsonaro não tem nenhuma chance de ir ao segundo turno. Quando o processo eleitoral evoluir para algo mais qualificado de debate, a tendência é de que Bolsonaro desidrate.

Marcelo Mariano – O sr. acredita que Bolsonaro terá menos de 15% dos votos válidos?
Acredito que sim. Bolsonaro não deve passar de 15%. É um fenômeno inconsistente. Quando começa a aparecer a ligação com militar inicia-se a pancada. As declarações sobre o que significou o governo do Geisel, Figueiredo, tudo isso faz com que Bolsonaro não sobreviva. Com pouca discussão os argumentos se desmontam. Ele representa quem? Não representa os trabalhadores, não representa a elite, não representa o capital internacional. Você acha que todo mundo vai assistir a um sujeito desqualificado desse virar presidente do País? As emissoras de TV, jornais, os grandes capitalistas, os sindicatos dos trabalhadores ficarão quietos vendo uma pessoa como Bolsonaro chegar ao poder?

Cezar Santos – Bolsonaro tem a bandeira da segurança pública, que será seu grande argumento.
Ele vai ficar batendo nisso, mas esse assunto tem limite. Há quem o compare com o Trump. Mas o Trump conseguiu ser o candidato do Partido Republicano. É um grande empresário, um cara da elite, que tem um discurso nacionalista. Trump pegou o contraponto da globalização, que tanto os Estados Unidos defenderam que começou a ter efeito colateral no país, a indústria preferiu montar empresa na China, com mão de obra mais barata. Trump atacou essa questão na campanha.

Fez uma discussão que a esquerda fez no passado, que é o nacionalismo. Interessante que Trump defende que o emprego é nosso. Quando se falava em globalização, todos os movimentos de esquerda eram contra. Hoje Trump quem defende isso.

Marcelo Mariano – Tanto que um grande nome da esquerda, o filósofo esloveno Slavoj Zizek, declarou que preferia votar no Trump do que na Hillary Clinton.
Justamente por esse aspecto. Trump explorou contradições que existem. Mesmo assim, é alguém que atende determinado setor do capital americano que tem interesse nesse discurso. O vínculo do Trump com a indústria bélica é muito claro, com a qual tem relação política consistente. Já o Bolsonaro representa o que? Qual setor Bolsonaro representa? Representa os banqueiros? Representa os trabalhadores? Representa o agronegócio? Quem Bolsonaro representa?

Marcelo Mariano – Bolsonaro representaria os evangélicos?
Nem os evangélicos. Até porque os evangélicos estão lançando o dono da Riachuelo, Flávio Rocha (PRB). Não acredito em Bolsonaro. É uma candidatura que é espuma, que se faz com facilidade, mas que se desfaz com a mesma facilidade.

Augusto Diniz – Com a prisão do Lula, as últimas pesquisas de intenção de votos apontaram um crescimento do número de indecisos. O que pode acontecer com esses eleitores que ainda não migraram para nenhum presidenciável?
Um balão de ensaio que eu não defendo, mas que pode acontecer no Brasil é o que ocorreu em São Paulo em 2016. Um candidato que estava com 3%, pouco mais de um mês depois venceu no primeiro turno, que foi o João Dória (PSDB). Joaquim Barbosa teria uma chance enorme de ganhar as eleições. E pode ser esse o medo do ministro aposentado do STF. Porque o medo não está em disputar as eleições, mas sim em ganhar e a responsabilidade que o cargo traz. Quando se é sério é preciso ter medo.

Uma coisa seria o Joaquim Barbosa encerrar a vida dele como presidente do STF, outra coisa é assumir a Presidência da República e acontecer um desastre. Isso é uma possibilidade. Quem tem responsabilidade e boa fé tem medo. Acredito que essas coisas estejam pairando na cabeça do ministro aposentado. A pessoa pode ter vaidade, mas há também o bom senso que prevalece. Considero que seja um processo. Pode haver outra candidatura, uma novidade. Ciro tem se cacifado.

Alckmin está tentando viabilizar a sua candidatura perante as elites, o que está muito claro. E claro que isso tem consequências. Ciro já vem um pouco por fora, desprendido do capital. Um balanço que precisa ser feito da gestão do PT é que foi reproduzida a visão monetarista, do capital especulativo financeiro. Tanto é que Henrique Meirelles não é outro, é o mesmo que foi presidente do Banco Central no governo Lula. O último ministro da Fazenda do governo Dilma, Joaquim Levy, era diretor do Bradesco. O capital financeiro foi muito forte em todos esses governos.

Ciro dá um sinal de que é preciso apostar mais no desenvolvimentismo, no capital produtivo, e menos no capital especulativo. É uma lógica que pode dar fôlego para a candidatura do Ciro, inclusive com áreas mais vinculadas ao setor produtivo. Nosso País está em crise, mas banco não está em crise. Pode pegar o balanço do Bradesco, Itaú e outros bancos, sempre surge mais lucro. Quando há prejuízo é porque o banco não teve lucro no primeiro trimestre de R$ 4 bilhões, mas só de R$ 3,5 bilhões. É um negócio absurdo! Crise para o setor industrial é levar prejuízo, não para os bancos. Nos bancos crise é redução de 10% nos lucros.

Marcelo Mariano – São os 5% que controlam 85% dos investimentos.
Exatamente. Algo que eu tenho como um balanço negativo da experiência da gestão do PT foi não ter enfrentado essa lógica. Não basta dizer que tem Bolsa Família e outros programas sociais, que são migalhas perto do que os bancos ganham.

Augusto Diniz – É o que Lula define como “avanços moderados para continuar avançando”.
Mas moderou demais, esse é o problema.

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Rosilene Francisca de Sousa

Não está adiantando de nada o usuário do SUS consultar mas unidades básicas de saúde se os exames pedidos o povo não consegue realizar pois todos cai na fila reprimida, até um simples exame de sangue cai na fila Agora pra piorar a secretaria está tirando os laboratórios das unidades de urgência e emergência, esses laboratórios realizam exames tanto os de emergência como os de demanda e agora a secretaria quer que os de demandas não sejam mais realizados por esses laboratórios, e quer que os técnico de enfermagem coletem o sangue pra enviar pra outras unidades e os pacientes… Leia mais