“Pesquisa não ganha eleição”

Sem se preocupar com o resultado de institutos sobre intenção de votos, governador diz que trabalhará pela reeleição pautada na boa gestão

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Há pouco mais de quatro meses como titular do governo estadual, José Eliton (PSDB) afirma que o cidadão tem começado a perceber o foco de seu trabalho, voltado para o ser humano. “Programa para cuidar das pessoas significa cuidar no sentido de ofertar serviços na saúde, segurança e educação para que o indivíduo possa ter o direito de sonhar com um futuro melhor.”

Questionado sobre a liderança do senador Ronaldo Caiado (DEM) nas pesquisas de intenção de votos, o candidato a reeleição diz que a história eleitoral em Goiás comprova que nem sempre o que os institutos mostram é o que de fato vem a acontecer. “Temos 80% dos eleitores que não se posicionaram, que apontam voto branco, nulo ou indeciso quando se faz a pergunta espontânea. É uma eleição completamente aberta”, observa.

Augusto Diniz – A pesquisa Serpes mostra, nas três rodadas da pesquisa, mostra o senador Ronaldo Caia­do (DEM) com intenção de voto praticamente inalterada, o que indica uma possível consolidação do percentual de 39%. Como o sr. tentará quebrar essa lógica durante a campanha?
Qual é a pesquisa verdadeira: Serpes, Ibope, Exata, Rede Record ou O Hoje e Jovem Pan? Qual expressa a realidade do cenário? Temos diversas pesquisas com cenários diferentes. Qual é o cenário real? Quem pode afirmar isso? Você pode afirmar? É preciso analisar os diferentes resultados das pesquisas. Há levantamentos que me mostram com 24% e Serpes com 10%. Mas há outras em que apareço com 15%, 12% e 18%. Tem pesquisas que apontam o senador Ronaldo Caiado com 39%, que é o caso da Serpes, e outras com 32%. Temos pesquisas que dão 5% e 10% para Daniel Vilela (MDB) e outras com 9% a 10% ao emedebista. Qual é a verdadeira?

Tenho um sentimento. Obvia­men­te temos pesquisas internas que nos balizam nesse cenário. O que não significa que uma ou outra pesquisa esteja fraudando ou deliberadamente falseando informação. De­pen­de da amostragem do banco de coleta de dados, as localidades que op­taram por fazer a pesquisa e uma série de circunstâncias que podem estar impactando a análise. É por isso que sempre digo que político não pode e não deve ter ansiedade com pesquisa. Mesmo porque pesquisa não ganha eleição, trabalho ganha eleição.

Voltemos ao cenário das eleições de Goiás em 1994, que tem certa similaridade com essa disputa por alguns atores que participam, com exceção do meu caso que talvez seja o mais novo na política de todos que concorrem. Tínhamos Ronaldo Caiado disparado nesta mesma época. A segunda colocada era a hoje candidata a reeleição ao Senado, Lúcia Vânia (hoje no PSB). Terceiro colocado era Maguito Vilela (MDB), pai de Daniel. Ao final da eleição, Maguito venceu e Caiado sequer para o segundo turno foi.

Em 1998, Iris Rezende (MDB) tinha mais de 70% das intenções de votos. Marconi Perillo (PSDB) começou com 3%. Me lembro bem porque no dia 7 de setembro foi o comício de Marconi em Posse naquele ano. Por coincidência, Marconi tinha 7% naquele 7 de setembro, isso a menos de um mês para a eleição. Só não venceu no primeiro turno porque o Serpes publicou uma pesquisa na véspera da votação dando a vitória no primeiro turno a Iris. Quando as urnas foram abertas, o resultado era completamente oposto. De um dia para o outro.

Vamos para 2002, quando Ma­guito tinha mais de 40% e Marconi 14%. Resultado foi Marconi reeleito no primeiro turno. Começa a eleição de 2006 com Maguito na frente com cerca de 60%. O segundo colocado era Demóstenes Torres (hoje no PTB) e Alcides Rodrigues (então no PP). Nesta mesma época, Maguito tinha 48% das intenções de votos. Mas quem ganhou a eleição foi Alcides Rodrigues, que começou em terceiro. E assim temos muitos exemplos de cenário igual. Portanto, não tenho nenhuma ansiedade com pesquisa. Compreendo todas, cada uma tem a sua metodologia, a sua forma de análise, mas o que nos cabe é trabalhar e levar à opinião pública as nossas ideias e propostas.

Mesmo porque há um ponto que é convergente em todas as pesquisas. Temos em torno de 80% dos eleitores que não se posicionaram politicamente, que apontam voto branco, nulo ou indeciso quando se faz a pergunta espontânea. É uma eleição completamente aberta.

Patrícia Moraes Machado – Diante deste cenário de dúvida em relação à validade das pesquisas que têm sido publicadas…
Deixe-me interrompê-la. Não levanto dúvida em momento ne­nhum em relação à validade ou à realidade das pesquisas. Coloquei que o es­pectro amostral pode gerar distorções, seja pelo número de entrevistados que amplia a margem de erro, sejam pelas cidades pesquisadas que podem ter determinadas variações, questões regionais. Todas essas questões.

Patrícia Moraes Machado – Diante das possíveis distorções nas pesquisas e cenários diferentes mostrados por eleições anteriores, há uma resistência aos 20 anos do grupo político que governa o Estado. Como o sr. pretende romper essa barreira?
Tenho orgulho do nosso passado e da construção do Estado moderno que observamos hoje em Goiás. Mas tenho a consciência de que não vivemos no Estado das maravilhas. Temos desafios. Me proponho justamente a enfrentá-los com serenidade e segurança. Buscamos garantias e conquistas importantes que os brasileiros e goianos que experimentaram ao longo desses anos não querem retroceder. Citarei um exemplo que nem a oposição tem coragem de divergir. Li uma matéria em que o candidato do MDB, Daniel Vilela, elogia o programa Bolsa Univer­si­tária. É uma conquista que nós garantimos a sua continuidade. Assim como Renda Cidadã, Universidade Estadual de Goiás (UEG) e programas importantes.

Talvez alguns dos candidatos da oposição façam críticas ou queiram acabar com esses programas. Eu não. Tenho orgulho e respeito por ter ajudado a construir essa plataforma de desenvolvimento do Estado. Sabe­mos que temos muitos desafios pela frente. E o trabalho é fundamental. Em grande parte das pesquisas, quando se faz a avaliação do governo, estamos acima de 47% de aprovação. Significa dizer que estamos entre as três melhores avaliações de governo do País, o que já aponta um caminho sólido de que o cidadão tem compreendido a nossa forma de administrar.

Com a experiência dos meses que estou à frente do Estado, o conjunto de ações do nosso programa de governo em um ambiente real, com a correspondência no orçamento do Estado em 2018 e na proposta para 2019 que será encaminhada à Assembleia Legislativa, tem propostas inovadoras nas áreas de ciência e tecnologia, saúde, educação. São elementos que farão com que esses 80% da população que mostram desinteresse pelo processo eleitoral ou não definiram sua posição terão a possibilidade de analisar e tomar a decisão acerca do seu voto.

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Patrícia Moraes Machado – Gostaria que o sr. citasse nas áreas de educação, saúde e segurança pública um ponto diferente do seu projeto que o desvincula do tempo do ex-governador Marconi Perillo (PSDB).
Educação: Avançamos no programa UEG em Rede, que será continuado com meta de atingir 100% dos municípios goianos, 45 mil vagas por ano de ensino superior em todas as regiões do Estado. Estabelecemos no plano de governo a criação em 2019 do Bolsa Per­manência para que os alunos das escolas em tempo integral, aqueles de baixa renda, que muitas vezes não têm condição de ficar o tempo integral porque precisam trabalhar para complementar a renda de suas famílias, possam permanecer na escola.

Se alcançamos o primeiro lugar no Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica] no que diz respeito à qualidade do ensino público no País, isso se deve à qualificação do professor. Em 1999, tínhamos 26% dos professores da rede estadual com curso superior e chegamos hoje a 100% através do projeto Licenciatura Plena Parcelada. Queremos dar um novo salto na qualidade do ensino e consequentemente do aprendizado a partir de um programa de mestrado para todos os professores da rede estadual de ensino. Com isso, ampliaremos o grau de eficiência na política de ensino e aprendizado.

Saúde: Fizemos talvez uma das agendas mais importantes dos últimos tempos, que é o programa 3º Turno. Só que o 3º Turno vai acabar. Ele tem de acabar. Se não acabar significa que não atingiu seu objeto, que é acabar com a fila de espera das cirurgias eletivas. Se a espera não zerar é porque o programa não obteve sucesso. Quando pararmos com o 3º Turno, ao longo do tempo, outras filas serão formadas.

Criaremos o programa Fila Nunca Mais para que tenhamos sempre o monitoramento da demanda por cirurgias eletivas para fazer o atendimento da população e evitar que as pessoas fiquem de um mês a dois anos à espera de uma cirurgia eletiva, que impacta a vida de quem tem menos dinheiro. Quem tem condição financeira busca a rede particular de saúde. E quem não tem? Esse é um dos desafios na área de saúde.

Além de consolidar todo o processo de regionalização da saúde. Recentemente inaugurei a parte ambulatorial do Hospital de Uruaçu. Esperamos colocar todo Hospital de Uruaçu em pleno funcionamento nos próximos três a quatro anos. O que é próprio de hospitais deste porte, como é o Hugol [Hospital Estadual de Urgências da Região Noroeste de Goiânia Governador Otávio Lage de Siqueira], que está em fase de consolidação das suas atividades.
Vamos colocar em funcionamento as Unidades de Saúde Especia­lizada (USEs), que ofertam medicina de média e alta complexidade. São 25 especialidades médicas. Temos inaugurada a parte física de Goianésia e Quirinópolis. Estamos em fase de conclusão em Posse, Formosa, São Luís dos Montes Belos e cidade de Goiás para completar a rede de USEs. A rede Hugo do Entorno do Distrito Federal (DF) está em fase final em Águas Lindas.

A unidade de Santo Antônio do Descoberto está prevista para ser entregue no final deste semestre. Liberamos recursos para concluir a reforma do Hospital Regional de Luziânia para ser concluída até final do ano. Daremos início à construção do Hospital de Valparaíso. Com a conclusão de toda a rede, o fluxo de ambulâncias para a capital do Estado será diminuído.
Muitas vezes o cidadão confunde o papel de cada ente na oferta de saúde. A responsabilidade do Estado é a saúde de alta e média complexidade. A saúde básica é responsabilidade dos municípios. Só que os municípios estão sem condições de atender. Isso gera a sensação de uma desorganização geral na área de saúde. Quando o goianiense vai ao Cais [Centro de Atendimento Integral à Saúde], no qual temos um alto índice de reclamação, não tem o mesmo atendimento que recebe nos hospitais estaduais.

Quando se mensura as unidades estaduais, seja Hugo [Hospital de Urgências de Goiânia], Hugol ou HGG [Hospital Estadual Geral de Goiânia Dr. Alberto Rassi], o índice de aprovação do usuário é superior a 90%, o que não corresponde com a rede municipal de saúde. Criaremos um programa de apoio aos municípios na saúde básica. Como é competência privativa do município, a cidade tem de anuir com a proposta que faremos. É uma agenda inovadora na área de saúde entre tantas outras que fiz referência.

Segurança: Focamos um conjunto de ações e continuaremos na mesma linha para combater o tipo penal que incomoda o dia a dia das pessoas. Em 2016, começamos a formatação de toda a política pública de segurança que pudesse atacar diretamente o crime organizado. Como consequência, observamos a diminuição dos indicadores de violência. Praticamente acabamos com o novo cangaço. O modelo de combate ao roubo e furto de cargas em Goiás é referência no Brasil, a ponto de o ministro [extraordinário da Segurança Pública] Raul Jungmann visitar Goiás como case de sucesso.

Não só no combate ao furto e roubo de cargas, mas também no combate ao crime no campo. O programa ProRural [Programa de Prevenção, Controle, Repressão e Redução a Crimes Rurais] foi lançado recentemente e é inspirado em um programa de georreferenciamento que foi iniciado pela patrulha rural na cidade de Catalão. Foi a primeira experiência que tivemos em 2016 e que agora será expandido a todo Estado de Goiás com resultados altamente eficientes. O pacto integrador de segurança pública tem maturado o seu cenário de inteligência.

A segurança pública tem no Estado o nível de competência. Tem muita gente que debate o tema sem muita profundidade. Há problemas conjunturais no Brasil em segurança pública que afetam essa área. Não há Estado nenhum no Brasil que irá resolver o problema de segurança pública se não tivermos uma reordenação da legislação correlata: a reformulação do Código de Processo Penal, Processual Penal, de Execução Penal e a reestruturação do sistema penitenciário nacional.

Na última década, ficamos com os recursos do Funpen [Fundo Penitenciário Nacional] contingenciados para formação do superávit primário da União. O Estado de Goiás e os demais Estados, por meio de seus secretários de Segurança Pública, tiveram de entrar com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para obrigar a União a descontingenciar os recursos. Quando conseguimos isso, tivemos condições em Goiás de inaugurar as unidades prisionais de Formosa e Anápolis, a ampliação da unidade de Jataí e entrar na fase final de outras três penitenciárias no Estado, o que garante a oferta de vagas em área que é tão importante.
Observamos candidatos dizerem que resolverão o problema com força. Como assim? Mandará sair atirando em todo mundo? O que estão propondo? Como parlamentares tiveram a oportunidade de apresentar propostas reais e concretas de solução, mas nunca fizeram nada. Observamos políticos que estão há 30 anos na política falando que vão mudar, fazer e acontecer. Mas nos 30 anos não fizeram nada, não têm uma marca. Especialmente na área de segurança. Estiveram no parlamento brasileiro e poderiam ter contribuído, mas não fizeram nada na sua trajetória em relação a esse tema.

Patrícia Moraes Machado – Há algum projeto específico para os policiais?
Vamos seguir na linha que estamos. As forças policiais de Goiás tem hoje a segunda melhor remuneração do País. Só não tão remunerados quanto às do Distrito Federal, que não é financiada pelo governo do Distrito Federal, e sim pela União, que custeia os policias. Goiás tem hoje o maior padrão de vencimentos. É importante destacar que, além do padrão de vencimentos ser o melhor do Brasil, temos a melhor infraestrutura de serviço, com as viaturas mais modernas, armamentos altamente qualificados, equipamentos de inteligência que talvez a União, com a Polícia Federal, possa ter igual.

Fazemos uma série de convênios com Estados que nos solicitam todo aparato de inteligência para auxiliar em determinadas situações. Queremos ampliar as ações e o efetivo com segurança. É quando surge o discurso fácil de que Goiás paga salário de R$ 1,5 mil, o que não é verdade. É mentira deslavada. É falta de lealdade das pessoas que falam isso. Essa foi uma solução que criamos para equilibrar a necessidade de ampliação do efetivo com a capacidade do Tesouro.

Foi construído por sugestão do ex-presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO), desembargador Leobino Chaves, juntamente com o então procurador de Justiça Lauro Machado, que, na força tarefa de segurança pública, propuseram criar o soldado de terceira classe. Só recebem R$ 1,8 mil, que é a remuneração básica mais AC4 [horas extras remuneradas], que chegam ao valor real na ordem de R$ 3 mil em média, quando estão no período de formação na academia e no estágio probatório. Depois o soldado recebe a projeção automática para a entrada na carreira normal da Polícia Militar com a base de remuneração que é a segunda melhor do País.

É preciso ter lealdade com isso. Há candidatos que dizem que vão aumentar no primeiro dia de janeiro o salário do soldado de terceira classe. Trata-se de uma pessoa completamente despreparada, que não conhece a realidade do Estado e os impactos advindos disso, ou está agindo de má-fé. A transposição do salário desse profissional terá um impacto imediato no Tesouro de R$ 8,6 milhões por mês, o que chegaria a R$ 104 milhões anuais, sem contar as AC4, que trariam um impacto ainda maior. Esse cálculo apenas no salário-base. De onde será tirado esse recurso?

Patrícia Moraes Machado – O recurso, segundo o candidato, viria da redução da corrupção.
Vi candidato dizendo isso. Ele tem o deve legal de apontar de onde virá o recurso, caso contrário ficará sempre na bravata, gritaria, na leviandade, na irresponsabilidade de alguém que diz ter determinado tipo de ilícito, mas não aponta onde, quem está fazendo e de que forma.

Augusto Diniz – Por que o sr. acredita que o senador Ronaldo Caiado diz ser necessário acabar com o soldado de terceira categoria?
Porque Caiado é irresponsável, está a agir de má-fé ou completamente desconectado com a realidade econômica do Estado. Não conhece e faz propostas para a plateia. Não conhece e faz propostas eleitoreiras sem saber dos impactos que essa proposta advirá. Temos orçamento enxuto. Talvez faça isso para acabar com Renda Cidadã ou Bolsa Universitária. Pode até propor uma situação, mas tem de apontar de onde vai tirar o recurso. Qual benefício irá cortar? Ou cortará salário dos que estão, o que a Constituição não permite? O que Caiado fará para financiar essa proposta?

Este é o grande debate. Há muita gente que faz proposta apenas para agradar e obter o voto a todo custo. Depois a frustração é muito grande por não ter condição de cumprir. Um candidato a presidente da República propôs Bolsa Serasa, Bolsa SPC. Uma coisa maluca! Vi uma piada na qual a pessoa dizia “agora não estou mais preocupado, vou comprar tudo e não vou pagar porque se fulano for eleito presidente da República vai acabar com as dívidas”. É brincadeira! Esse tipo de situação virou piada. A sociedade moderna não coaduna mais com esse tipo de proposta.

Rafael Oliveira – O Atlas da Violência aponta que Goiás está entre os três Estados com o maior número de casos de feminicídio. Caiado e Daniel dizem que falta investimento nas delegacias de atendimento à mulher. Como que o sr. pretende tratar o assunto?
É preciso estudar o Atlas detalhadamente para chegar a essa afirmativa, que não corresponde à realidade. Nos indicadores específicos de violência contra a mulher é possível observar que Goiás fica entre os cinco Estados que mais avançaram no combate a esse tipo de ilícito. Quando analisamos de forma separada todos os itens do Atlas – homicídio contra a mulher, lesão corporal contra a mulher, todos os atos criminosos que compõem a cesta daquilo que a lei chama ou interpreta como feminicídio –, verá que tivemos um ganho qualitativo extraordinário de 2016 para os dias atuais.

Temos um desafio a percorrer nessa área. Temos uma atenção especial e sabemos do problema. Um problema que envolve elementos que muitas vezes não podemos interferir. Por isso incentivamos a mulher a falar, a expor o problema para que as autoridades possam fazer a intervenção necessária. É por isso que criamos o Batalhão de Terminal, que pacificou o transporte público coletivo, que é usado por milhares e milhares de pessoas todos os dias. A parceria com o Tribunal de Justiça e o Ministério Público possibilitou que estejamos presentes nos terminais inclusive com cartilha para orientar as mulheres contra o assédio no transporte público.

Quando pegamos o Atlas como um todo, excluindo o debate exclusivo do feminicídio, observamos que Goiás foi um dos Estados que mais avançou em todos os indicadores no combate aos ilícitos. O Atlas destaca que Goiás tem a melhor plataforma de informação do País. Em 2016, eu estabeleci a plataforma de acesso integral à disposição de qualquer cidadão, pesquisador ou analista. Todos os dados de tipos penais pela Secretaria de Segurança Pública, que são mais de mil, estão no site.

Escancaramos à opinião pública todas as informações da segurança pública, com exceção às informações de natureza reservada que a lei nos exige um nível de confidencialidade. Mas no que diz respeito ao monitoramento dos índices de criminalidade, estão todos os dados disponíveis, o que por si só já demostra avanços.

Patrícia Moraes Machado – Quais serão as ações para melhorar o atendimento às mulheres, que sofrem agressões e temem as delegacias?
Nosso plano de governo inclui um conjunto de ações transversais que estamos trabalhando, não apenas no que diz respeito ao aparato de segurança pública. Esse é um tema que deve ser enfrentado desde a formação básica do ser humano nas escolas, creches, e no atendimento à saúde. Muitas vezes a mulher chega a um hospital ou posto de atendimento e o próprio médico percebe essa situação e pode informar à autoridade de segurança para que seja feito um monitoramento dessa questão.

A mulher pode ter dificuldade de denunciar por uma série de fatores, seja de natureza cultural ou até o medo de enfrentar o problema por uma circunstância específica de seu dia a dia. São elementos que devem ser aplicados transversalmente. Demos posse recentemente a um conselho de combate à violência contra mulher no Estado, o que faz parte de todo um portfólio de ações voltadas ao combate à violência contra a mulher.

“Thiago o e Raquel me dão o que é elementar para uma chapa que quer construir um futuro melhor: segurança”

Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Augusto Diniz – A oposição tem dito que a saúde em Goiânia vive o caos porque o Estado não construiu os hospitais regionais.
Muitos dos hospitais de Goiânia da rede estadual sequer atuam na sua capacidade máxima. Temos o Hugo, Hugol, HGG, que tem mais de 90% de aprovação dos usuários. É uma falsa premissa deliberadamente colocada. Tanto é que agora estamos fazendo o 3º Turno. Em determinado momento, o município quis colocar obstáculos, mas percebeu que isso ajudava a prefeitura e a polêmica acabou. O Estado já realizou mais de mil cirurgias eletivas, mais de 20 mil exames e consultas à população que esperava há tempos.

O resultado é uma melhora na oferta de serviços à população. Matéria que po­de­ria ter sido feita pelos próprios agentes que são responsáveis por isso. Eu assumi a responsabilidade. Seria muito mais fácil enquanto governante dizer “isso é obrigação do prefeito e do presidente da República”. Mas eu não. A situ­a­ção envolve a vida das pessoas que es­tão esperando. Assumi a responsabilidade.

Os que criticam são tão contraditórios que recentemente ouvi declarações dos dois candidatos de oposição elogiando o modelo de OS [Organização Social] que implementamos no Estado de Goiás. Es­se fato por si só demonstra o acerto das políticas que faremos. É claro que temos de­safios enormes na saúde. Fico triste quando ainda vejo uma pessoa esperando por uma cirurgia eletiva ou alguém no in­terior que não tem acesso rápido à saúde. Mas garanto que resolverei essa questão dentro da realidade que temos. E é por isso que estamos atuando dessa forma.

Marcelo Mariano – A chapa majoritária da base aliada tem duas mulheres na disputa dos quatro cargos. Se reeleito, o sr. ocupará metade das secretarias com mulheres?
Não trato essa questão por percentual, avalio conceito. Todos somos iguais, independente da cor e do sexo. Até mesmo porque por dentro somos todos iguais. Raquel Teixeira (PSDB) foi escolhida e claro que o fato de ser mulher pode ter sido um elemento. Mas não foi esse o fator decisivo. Foi a capacidade intelectual, a competência, a experiência política, toda a visão de governo que Raquel tem, que foi importantíssimo na construção do plano de governo – Raquel Teixeira, Ricardo Balestreri, Flávio Peixoto e Igor Montenegro.

Raquel é uma mulher altamente preparada para bem servir o Estado em todas as áreas da administração pública, que une o conceito que temos de uma sociedade moderna, que deve gerar oportunidades a todos, tratar a todos com igualdade, com pagamentos e remunerações a todos da mesma forma. É por isso que temos a senadora Lúcia Vânia (PSB), que tem credenciais que a habilitam para estar presente na chapa. É uma senadora da República reconhecida nacionalmente pela sua competência, firmeza de propostas e convicções.

Aleandra Sousa (PTB), que é segunda suplente do senador Marconi, da mesma forma. Isso sinaliza a visão que temos de respeito e de tratamento a todos com isonomia na remuneração ou à convicção de cada um. O fato de ser mulher não pode ser de exclusão, e sim de inclusão.

Augusto Diniz – O deputado federal Thiago Peixoto (PSD) tentou se viabilizar como candidato a vice-governador, mas a escolha foi pela ex-secretária Raquel Teixeira. Como o sr. os definiria e o que foi determinante?
Temos dois seres humanos altamente qualificados. Cada um com suas características e estilo, são pessoas que têm serviços prestados ao Estado, experiência política e competência gerencial. Tenho certeza que Raquel haverá de contribuir e que Thiago contribuirá ainda mais do que já fez ao Estado e ao Brasil. No caso específico do Thiago, o deputado teve dificuldades no PSD, algo que tornou público. Isso dificultou o ingresso de Thiago na chapa. Mas estaria feliz com o deputado como vice-governador, assim como estou muito feliz com Raquel como vice-governadora.

Os dois me dão o que é elementar para uma chapa que quer construir um futuro melhor: segurança. É saber que o Estado tem na figura do vice uma pessoa que tem capacidade, pode contribuir, não criará problemas, tem compreensão de mundo e não agirá por capricho para ocupar posições de importância para o Estado. Estou muito feliz com Raquel, assim como ficaria muito feliz se tivesse Thiago como vice-governador.

Augusto Diniz – Há a possibilidade de mudar Raquel Teixeira por Thiago?
Zero. No momento em que anunciamos a chapa e formalizamos o convite temos convicções firmes. Raquel é uma excepcional vice-governadora. Tenho nela confiança e segurança na sua trajetória. Sempre esteve cotada entre os nomes para ocupar essa vaga. Coloquei as dificuldades políticas que Thiago teve, mas a decisão do vice passa por mim. Outros partidos não compuseram conosco porque eu já tinha escolhido a candidata a vice-governadora.

Não cedi esse espaço para composição partidária. Entendo claramente que é preciso ter uma chapa consistente. Não pode se brincar com a gestão de um Estado que tem quase 7 milhões de habitantes, contradições imensas em seu território e tem desafios imensos pela frente. É preciso ter pessoas que têm capacidade contributiva. Tenho segurança absoluta que Raquel é um dos melhores nomes da vida pública de Goiás.

Marcelo Mariano – Qual dos partidos que deixou a base aliada o sr. avalia que teve impacto maior: PP, Pros, PDT ou PRB?
Todos os partidos têm um impacto eleitoral. Do menor ao maior, todos têm representação, figuras com convergência de ideias. Se perdemos uns, ganhamos outros. Solida­riedade, Patriota, Rede, entre tantos outros partidos que vieram somar conosco. Esse é um equilíbrio natural do processo.

Rafael Oliveira – A aliança nacional do PP é com o PSDB. O que faltou em Goiás para repetir a coligação?
Penso que já respondi a essa pergunta. O partido buscou espaço na chapa. Eu já tinha escolhido meus companheiros de chapa.

Marcelo Mariano – Quantos deputados federais e estaduais o governo espera eleger?
Temos a expectativa de eleger de 25 a 30 deputados estaduais e queremos fazer entre 10 e 12 deputados federais.

Marcelo Mariano – Daniel Vilela conseguiu encorpar a chapa do MDB com a entrada do PP e PRB. O crescimento do emedebista preocupa o governo?
Em hipótese nenhuma. Estou trabalhando com muita firmeza. Quero tentar vencer a eleição no primeiro turno. Trabalharei para isso com muita dedicação compreendendo que o processo eleitoral prevê a hipótese de dois turnos. Caso isso se confirme, não vejo dificuldades em enfrentar Daniel, Caiado, Kátia Maria (PT), Weslei Garcia (Psol), Marcelo Lira (PCB) ou Alda Lúcia (PCO). Faz parte do processo eleitoral. Estou preparado para ir ao embate com todos.

Patrícia Moraes Machado – O senador Wilder Morais (DEM) dizia que o o sr. deveria ser reeleito e outro nome seria um risco. O deputado Lincoln Tejota (Pros) elogiava o governo e afirma que combaterá a corrupção no Estado. Como o sr. avalia essa nova posição?
É legítima a busca por espaço. Todas forças políticas almejam avançar e se consolidar. É natural no processo. Não é natural a incoerência em seus discursos. Não faço política com agressão, não falo mal dos outros na tentativa de desconstruir adversários ou políticas públicas. Não posso falar uma coisa em um dia e depois dizer outra. Isso contribui para o descrédito da política. Político que um dia fala uma coisa, mas no dia seguinte diz algo completamente oposto ao que afirmava no dia anterior gera um ambiente de completa desconstrução da classe política.

Fica muito claro à população que se trata apenas de oportunismo e não de convicção. Determinadas posições se tratam de conveniência. Não me refiro especificamente aos nomes colocados porque os respeito. Mas quando situações dessa natureza ocorrem percebe-se esvaziar a atividade política de construção. Lincoln é filho do conselheiro Sebastião Tejota [TCE], que tem o papel de fiscalizar.

Se nunca apontou atos que estariam ocorrendo em áreas da administração, como Lincoln teria coragem afirmar o que você colocou com o pai tendo sido relator das contas do Estado, que apontou para a regularidade, e como integrante do órgão de controle jamais verificou qualquer tipo de situação dessa? É no mínimo inusitada essa situação. Pai e filho deveriam discutir para chegar a um ponto comum de colocações.

“O Estado tem olhado com muita atenção para as contas públicas”

Marcelo Mariano – Se pudéssemos comparar com os presidenciáveis, Caiado seria o Bolsonaro das eleições em Goiás?
Não tenho os elementos para fazer essa avaliação.

Patrícia Moraes Machado – Um dos maiores desafios para os próximos quatro anos será a questão orçamentária, com o inchaço da máquina. Qual é o tamanho do comprometimento das receitas do Estado com folha de pagamento?
Temos hoje aproximadamente 47% dos recursos que são destinados para o pagamento da folha, dentro do limite prudencial estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Não vejo inchaço. Em Goiás, diminuímos a estrutura administrativa entre 2014 e 2015. Temos a menor estrutura administrativa do Estado. Temos um número razoável de servidores. Com a demanda crescente da sociedade é preciso atender as expectativas. O que ocorre é que a base de remuneração do servidor público do Estado de Goiás cresceu muito ao longo dos últimos anos como atendimento a demandas justas dos servidores. É preciso garantir a consolidação das conquistas dos servidores, que são fundamentais para a oferta de serviços de qualidade.
Não se pode descuidar para que isso contamine todo o orçamento do Estado. Não vivemos em um ambiente de folga orçamentária, mas é possível construir um equilíbrio a partir do nível de arrecadação. A cada ano há carreiras que têm majoração de salários por força de disposição legal, como é o caso do magistério. Todo ano os professores têm o estabelecimento do piso nacional da educação por força de disposição de Lei Federal. Isso tem impacto anual no orçamento.

Não é necessariamente ao quantitativo de servidores, mas ao crescimento vegetativo, com garantias de incremento salarial advindos por disposição legal, seja incorporação de valores nos salários, progressão ou promoção nas suas respectivas carreiras do serviço público, que têm impacto na folha. É preciso ter sempre atenção muito forte à questão orçamentária do Estado. Há um candidato que fala em demitir um número significativo de servidores públicos. Eu quero preservar o servidor público e suas conquistas.

Patrícia Moraes Machado – Mas em algum momento o Estado não vai suportar a quantidade de servidores e a graduação dos salários.
Se você observar o plano de governo que apresentamos, um capítulo é dedicado à gestão interna. Inclusive tratamos da utilização de ferramentas de tecnologia como forma de ampliar a oferta de serviços sem a necessidade de ampliar o número de servidores no Estado. Ilustro alguns exemplos. Temos o Vapt Vupt digital, que está em avanço.

Waves é uma plataforma de identificação criminal que o Estado adquiriu entre 2015 e 2016, na gestão do secretário Joaquim Mesquita, que tem um campo de atuação da parte de identificação criminal. A plataforma pode usar o centro de comando e controle para monitorar e identificar em vias de acesso carros a cinco quilômetros de distância da câmera de videomonitoramento para verificar se aquele veículo é fruto de roubo ou furto e auxiliar a intervenção mais rápida das forças policiais. Podemos colocar uma câmera na entrada do Estádio Serra Dourada nos dias de jogos que identifica todos os torcedores presentes. Se tiver alguém com mandado de prisão expedido, a polícia pode intervir na hora.

Estamos concluindo toda parte de digitalização de documentos. Podemos chegar ao final do ano com o Estado 100% digital. Não teremos mais de alocar espaços gigantescos para manutenção de arquivos. Haverá um ganho na celeridade de processos internos. Fizemos convênio com o Poder Judiciário para evitar que um delegado tenha de levar um inquérito físico até a Justiça para conseguir uma medida cautelar. Estamos integrando a linha de tecnologia do Estado com a plataforma do Judiciário. Com um toque o delegado envia o inquérito para o Judiciário, o juiz aprecia, o Ministério Público emite um parecer e volta imediatamente. Isso dá agilidade e diminui a necessidade de pessoas. Os avanços tecnológicos propiciam o equilíbrio na governança.

Rafael Oliveira, Marcelo Mariano, Patrícia Moraes Machado e Augusto Diniz entrevistam governador José Eliton | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Patrícia Moraes Machado – O pagamento da folha salarial do Estado permanece em dia mesmo com a crise econômica, mas a situação financeira do governo começa a dar sinais de piora. Como está a saúde financeira do Estado? Há previsão de atrasos?
Esse é o sonho dos adversários, que pregam isso como se fosse um mantra. A cada dia 30 e a cada dia 10 eles se frustram e assim vai continuar sendo. O Estado tem olhado com muita atenção para as contas públicas. Não vivemos no Estado das maravilhas. Temos dificuldades. Mas temos a consciência do que é preciso priorizar. Li uma matéria longa sobre OS. Parece que as pessoas não observam o fluxo de pagamento que é feito ao longo de anos que está disponível para qualquer pesquisador e tentam transformar um fato que é corriqueiro e normal na administração pública em algo novo. Há um fluxo de pagamento que é executado.
Dezembro é o mês no qual são feitos grandes aportes na saúde, inclusive para cumprimento de vinculações nacionais e uma série de situações. É o que vai ocorrer agora. A Secretaria de Gestão e Planejamento tem feito cortes de empenhos e readequações para fechamento do exercício de 2018. Ocorre ordinariamente na gestão das contas públicas. É uma questão que precisa ser tratada com responsabilidade. Tivemos o exercício de 2017 aprovado. O plano de ajuste fiscal foi aprovado e executado pelo governo do Estado em 2017, que foi reconhecido pelo Tesouro Nacional.

Há um espaço fiscal de operação de crédito de mais de R$ 600 milhões. Como a Caixa não tinha como recusar a operação de crédito, ela estabeleceu uma taxa muito alta e eu recusei. Decidi que era melhor aguardar o processo eleitoral delicado passar e depois o Estado voltar a pleitear as operações de crédito para garantir recurso para investimentos. Uma coisa é custeio, outra investimento. Há um conjunto de ações sendo realizadas Estado afora com recursos específicos. Goiás na Frente é um deles. Muitas obras rodoviárias são financiadas com parte de recursos do BNDES [Banco Nacional de Desenvol­vimento Econômico e Social] e outra do Banco do Brasil.

Há uma série de ações que são feitas com recursos dos fundos que têm destinação específica constitucional. Às vezes as pessoas falam porque não conhecem a estrutura gerencial do Estado ou então querem distorcer deliberadamente para atingir seus objetivos eleitoreiros.

Patrícia Moraes Machado – E quando o procurador-geral do Estado procura um desembargador do Tribunal de Justiça e pede recurso?
É uma questão absolutamente ordinária da gestão pública. No passado, o Tribunal de Justiça, por diversas e reiteradas vezes, fazia transferência de repasses do Fundesp [Fundo Especial de Reaparelha­mento e Modernização do Poder Judiciário do Estado de Goiás] para o Estado. Nós consolidamos o Fundesp como um importante instrumento de aparelhamento do Judiciário. O próprio Judiciário tem discutido o Fundinho, que é o fundo de aparelhamento dos Juizados Especiais.

Com a reformulação, o Judiciário entende que não há necessidade do Fundinho. Só que existe um saldo de R$ 58 milhões. A discussão era se o recurso pode ou não ir para o Fundesp e se deve retornar ao Tesouro. E se tem de retornar ao Tesouro, é óbvio que iria auxiliar no custeio das diversas obrigações do Estado. Depois o repasse para aquela destinação foi feito. Esse é um debate natural que o procurador faz com o Poder Judiciário dentro das tratativas que são absolutamente normais. Tanto que foi feita de forma pública no órgão colegiado do Tribunal de Justiça.

Patrícia Moraes Machado – Mas e a declaração de que o dinheiro era pre­ciso para pagar a folha dos servidores?
São questões que são colocadas sempre. O próprio desembargador não confirmou isso, apenas a tratativa em relação a matéria que estava em debate. Isso ocorreu antes do pagamento da folha, que foi regularmente paga e não obtivemos aquele recurso. O que demonstra que aquilo não era o elemento fundamental da discussão.

Augusto Diniz – O vereador Paulo Daher (DEM) incluiu nas informações da Comissão Especial de In­quérito (CEI) da Saúde que o Estado não aplica o mínimo de 12% do or­çamento na saúde. O mesmo dado foi repetido por Caiado em entrevista a uma rádio na semana passada. Qual é a realidade dos investimentos do governo em saúde?
O vereador Paulo Daher deveria se candidatar a deputado estadual para poder fazer essa análise. O senador Ronaldo Caiado deveria perguntar ao pai do candidato a vice-governador de sua chapa, porque foi Sebastião Tejota o relator das contas do governo responsável pela aprovação, inclusive com as vinculações constitucionais. O resto é bravata, grito, tentativa de jogar para a plateia. Repito: Caiado deveria consultar o pai do seu candidato a vice-governador.

Patrícia Moraes Machado – Caiado sustenta as criticas e propostas que faz no fato de ser um político ético e uma pessoa que não tem manchas em sua história. O fato de ser um homem íntegro há 30 anos na política permite que alguém fale sem provas?
Tenho respeito por Caiado e todos os agentes políticos. Não faço julgamento de ninguém, mesmo porque isso cabe ao Judiciário fazer ou ao Ministério Público quando entende que há algo irregular propor medidas contra indivíduos. Ser honesto é obrigação. Trabalhar com seriedade é obrigação. Isso não é uma virtude, é uma deturpação de valor. Preciso sair gritando que sou honesto? Preciso sair gritando que sou correto nas coisas minhas? É obrigação do indivíduo, especialmente do homem público.

O fato de eu ser honesto, trabalhar e ter compromisso com a correção, retidão, seja no comportamento pessoal, familiar, nas atividades empresariais, no setor público, não me dá o direito de acusar ninguém sem provas. Por obrigação legal e constitucional, eu e todo cidadão brasileiro quando tomamos conhecimento de um crime temos a obrigação de apontar, denunciar e encaminhar notícia-crime ao Ministério Público ou à Delegacia de Polícia dizendo quais são os fatos.

O resto é fuxico. Tem uma expressão que as pessoas usam no interior que é “todo mundo gosta do fuxico, mas ninguém gosta do fuxiqueiro”. O fuxiqueiro, via de regra, adora apontar essas questões, mas não consegue apresentar uma questão real. É muito triste quando alguém utiliza desse instrumento para tentar fazer política.

Augusto Diniz – Depois de quatro meses, qual é a marca do seu governo?
O cuidado com o ser humano, com as pessoas, com as questões básicas do dia a dia do cidadão. As duas primeiras ações deixaram muito claro aquilo que penso quais são minhas prioridades. Primeira ação que tomei foi estabelecer a política do 3º Turno. Coloquei os hospitais da rede estadual para trabalhar a noite e de madrugada para atender quem estava esperando uma cirurgia eletiva. E quem estava esperando cirurgia eletiva? As pessoas que não tiveram oportunidade e recurso, que tiveram dificuldades na vida e não conseguem pagar a cirurgia em um hospital particular.

As mil pessoas que já fizeram cirurgia e as 20 mil que fizeram exames ou consultas sabem o que é isso na vida delas. Outra ação que tomei imediatamente foi criar o Batalhão de Terminal em todas as plataformas de embarque e desembarque. Coloca­mos uma viatura atrás de todos os ônibus a partir de meia-noite para mitigar o sofrimento das pessoas que são usuárias do transporte público da capital e que todo dia acordam de madrugada e vão para o terminal para chegar à escola ou ao trabalho.

Conseguimos reduzir em 70% os indicadores de ocorrência no Eixo Anhanguera e nas demais unidades de transporte público da capital.

Esses dois elementos mostram claramente aquilo que penso. O plano de governo tem um foco: o ser humano enquanto indivíduo. Quando citei a frase “programa para cuidar das pessoas” significa cuidar não no sentido de a pessoa ser incapaz de cuidar do seu destino, é cuidar no sentido de ofertar serviços, seja na área de saúde, segurança, educação, para que o indivíduo possa ter o direito de sonhar com um futuro melhor.

Quando falo que garanto um programa como Renda Cidadã é porque sei o que é o impacto na vida de uma pessoa que não tem recurso para colocar o pão na mesa no seu dia-a-dia. Ele precisa da condição elementar de subsistência. Mas precisa mais do que isso. Não precisa só de sobreviver, tem de viver. Para viver tem de ter o direito de ver o filho fazendo uma escola, sonhando em ter uma faculdade. UEG em Rede veio para garantir isso. É outra marca.

Queremos levar o ensino superior a todos os municípios goianos. Não tem nada mais triste do que você querer fazer um curso de jornalismo, não ter dinheiro, não poder sair da sua cidade e não ter como ir para outro lugar fazer um curso superior. Ter uma universidade estadual com um centro de excelência como o de Goiânia e servir simplesmente para abrigar jogo de futebol uma vez por semana.

Unimos a Eseffego [Escola Superior de Educação Física e Fisioterapia do Estado de Goiás] com a UEG. A Eseffego era referência, criamos a Faculdade do Esporte. Converse com os alunos que estudam no Centro de Excelência de Formação de Professores e Atletas de Alta Performance. A marca está colocada. Esse sou eu. É o que eu penso. Esse é o governo que eu penso e proponho para Goiás.

Augusto Diniz – Como a imagem que o sr. defende de ser um governador voltado para o indivíduo será trabalhada durante a campanha para convencer e fazer o eleitor compreender essa ideia?
Trabalho com os instrumentos que tenho. Primeiro com a minha voz, com minhas ideias. Onde eu puder ir. O Jornal Opção é um instrumento importantíssimo por dar espaço para um debate qualificado que a maioria dos veículos de comunicação não abre a oportunidade de podermos nos aprofundar em temas importantes. Temos as redes sociais, que são outro elemento importante nos dias atuais, apesar de muitos analistas verem com ceticismo o trabalho na internet.

Teremos a campanha de massa, que é a de televisão e rádio, que ainda tem um papel muito importante. Conversei recentemente com o cientista político Antonio Lavareda, que falava justamente do sentimento em relação ao papel da campanha de rádio e televisão, que para ele terá papel fundamental nessa eleição. Muito maior do que teve nas eleições anteriores. É a visão de alguém que é referência nesse meio.

Buscaremos meios para que a nossa mensagem chegue. Seja no corpo a corpo, através de uma carreata no final falando às pessoas que lá estiverem, com nossos prefeitos, deputados e vereadores em cada canto, levando a nossa mensagem. Esperamos que o eleitor possa analisar essa mensagem e se convencer que esse é o melhor caminho. Não fazer o eleitor votar por votar. O voto convicto é o melhor voto que existe.

Marcelo Mariano – No plano de governo do sr. há um trecho que trata da criação do centro de inteligência e estratégia do comércio exterior em parceria com a iniciativa privada. O que vem a ser essa proposta e como ela ajudaria a incrementar a balança comercial do Estado de Goiás?
Temos uma ação embrionária dessa experiência que propus com os membros do Consórcio Brasil Central. Estamos unindo todos os Estados que são signatários do grupo para ampliar as exportações dos Estados com uma ação conjunta entre os órgãos estatais e o setor privado. O incremento se dá a partir de intercâmbio comercial porque é preciso ter essa capacidade. Buscamos estabelecer em conjunto unidades em países que têm relevo no comércio exterior para que nossas empresas possam ter bases para ofertar produtos ampliando o resultado da balança comercial e consequentemente trazer dividendos.

Não só com o objetivo de ampliar exportações, mas também importações. Quando se tem um ambiente saudável de relação internacional de comércio, há uma balança equilibrada. Não adianta ter uma balança muito desequilibrada. Grande parte do superávit comercial de Goiás é fomentado por nossa produção primária, que é o carro chefe das exportações. O desafio que temos é fazer com que Goiás passe a ser um exportador de produtos manufaturados, com alto valor agregado. É nosso grande desafio.

Estamos trabalhando em conjunto com o setor privado. Liderei diversas missões internacionais em diferentes continentes com o objetivo de abrir portas para empresários. Fui acompanhado de uma delegação muito grande de empresários no Leste Europeu, na América do Sul e na Ásia. Iniciativas que tiveram frutos em médio e longo prazo. Continuaremos a agir nessa perspectiva para garantir avanço significativo nas relações comerciais do Estado.

Marcelo Mariano – O plano de governo do líder nas pesquisas de intenção de votos não traz uma linha sequer sobre comércio exterior. Por que o sr. acredita que o senador ignora uma área tão importante para Goiás?
Não tenho como falar isso. Talvez não entenda que isso seja algo essencial. Eu entendo que é.

Patrícia Moraes Machado – Caiado diz que o projeto pode ser mudado no decorrer do tempo. É uma atitude normal modificar o plano de governo ao longo da campanha?
Compreendo que a sociedade é dinâmica, impõe novas demandas e desafios. Mas em um curto espaço de tempo entre a propositura do plano de governo e a eleição dificilmente haverá condições de colocar novas propostas. Eu coloquei na “Carta ao Povo Goiano” que o plano de governo é aberto no que diz respeito a sua execução nos próximos quatro anos porque novas demandas podem existir ao longo deste período. Não que será mudado agora. Esse é o documento que vai balizar a administração.

O cidadão que for votar em mim já sabe de antemão o que farei nos próximos quatro anos. É justamente o que está estabelecido no plano de governo. Não sou de surpreender ninguém e não gosto de surpresa. Segurança e estabilidade são fundamentais para que se tenha tranquilidade na gestão pública e melhoria de qualidade de vida para o cidadão.

Augusto Diniz – Jayme Rincón, que coordena a campanha do PSDB em Goiânia, disse ao Jornal Opção que o sr. demonstra vontade de disputar o governo frente a frente com Caiado no segundo turno. Há mesmo o desejo de enfrentar seu ex-aliado político?
Vou usar um jargão do futebol: quem quer ser campeão não escolhe adversário. Acredito que temos posições diferentes em jogo, são ideias e propostas distintas. O cidadão vai conhecer cada uma dessas propostas. Para mim é irrelevante se será com Daniel, Kátia, Weslei, Alda, Marcelo ou Caiado. Claro que hoje as pesquisas indicam o potencial eleitoral do senador, mas isso não significa nada. As pesquisas faziam isso em 1994 e Caiado não foi para o segundo turno. O que queremos é apresentar um bom debate para a população.

Patrícia Moraes Machado – O sr. tem um perfil diferente dos políticos tradicionais que batem nas costas, sorriem fácil e abraçam criança. Seu perfil mais técnico pode dificultar o acesso ao eleitor. O sr. pretende mudar?
Ninguém muda mais depois dos 45 anos. Esse é meu estilo, esse sou eu, é assim que vou para a eleição.

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Paulo Meirelles

Nem pesquisa e nem o Zé !!!

Elias Rocha Iporaense

Entrevista longa (até demais). Li com atenção. Não me convence. Atitudes valem mais que palavras.