“A PEC 55 e as reformas são necessárias para que o Brasil retome seu crescimento”

Deputado federal representante da região sudoeste do Estado faz balanço de sua candidatura à prefeitura de Rio Verde e volta para Brasília já com posicionamento fechado sobre medidas do governo Temer

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Depois de uma licença de quatro meses para fazer campanha à prefeitura de Rio Verde, o deputado federal Heuler Cruvinel (PSD) está de volta à Câmara dos Deputados. E já avisa: votará a favor de todos os projetos estruturais do governo Michel Temer (PMDB), como foi o caso da PEC 241, que estabelece um teto para os gastos públicos e agora, aprovada em dois turnos, seguiu para o Senado, com o nome de PEC 55.

As reformas da Previdência, trabalhista, tributária e política também são necessárias, na visão do parlamentar. “São reformas importantes. Precisamos preparar o Brasil para que ele possa retomar seu crescimento em dois ou três anos”, avalia. Crítico do governo do PT, ele consegue ver qualidades na gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas diz que o projeto de poder do partido levou à corrupção descoberta pela Operação Lava Jato.

Apesar de não ter obtido sucesso em seu pleito de se tornar prefeito de Rio Verde, Heuler Cruvinel diz ter entendido o recado da população. “O fato de eu ser deputado federal e dar uma representatividade que Rio Verde não tinha há 18 anos na Câmara pesou contra minha candidatura. Foi um voto para que eu possa continuar em Brasília e tenha as portas do gabinete abertas para a cidade”, resumiu. Ele diz que o fato de a base aliada ao governo ter se dividido entre ele e Lissauer Vieira (PSB) também contribuiu para a vitória do peemedebista Paulo do Vale no município.

Elder Dias — O sr. acaba de sair de uma campanha em Rio Verde, em que disputou o cargo de prefeito, vencido pelo adversário peemedebista Paulo do Vale. Qual o balanço que pode fazer dessa eleição?
Nós sofremos um prejuízo eleitoral pela divisão da base aliada em Rio Verde. O rompimento de minha candidatura com a administração municipal, com o prefeito [Juraci Martins, do PSD], do qual éramos aliados, nos prejudicou eleitoralmente, isso ficou comprovado. Nosso adversário, candidato do PMDB, foi favorecido com isso e se elegeu. Ficamos em 2º lugar, mas temos consciência de que tivemos oportunidade de mostrar os serviços prestados o município. Levamos boas propostas para a população.

O fato de eu ser deputado federal e dar a representatividade que Rio Verde não tinha há 18 anos na Câmara Federal antes de minha eleição em 2011 também pesou contra minha candidatura. Foi um voto, de certa forma, para que eu possa continuar em Brasília e, assim, ter as portas do meu gabinete abertas para atender a população da cidade. Meu objetivo é continuar o trabalho de levar para lá recursos e benefícios do governo federal, mantendo o elo com a administração municipal. Rio Verde precisar ter essa representatividade, ter as portas abertas em Brasília. Hoje tenho bons relacionamentos em vários ministérios, o que ajuda muito nesse trabalho. Meu objetivo é continuar essa parceria com a prefeitura. Agora é hora de desmontar os palanques e trabalhar em prol do desenvolvimento da cidade de Rio Verde e do Estado de Goiás. Sou um dos 17 representantes de Goiás na Câmara dos Deputados e quero continuar esse trabalho de parceria, especificamente com minha base, que é toda a região sudoeste.

Elder Dias — O sr. já conversou com o prefeito eleito Paulo do Vale depois da eleição, para buscar firmar essa parceria?
Eu o cumprimentei, mas não tivemos uma conversa mais detalhada com relação a Brasília. Estou voltando da licença de quatro meses que tirei na Câmara por interesse particular, para fazer a campanha, e reassumo o mandato. A partir daí, espero receber o prefeito eleito Paulo do Vale, em meu gabinete em Brasília, para firmarmos essas parcerias que são de interesse de Rio Verde e, com certeza, da próxima administração municipal, que se iniciará em 1º de janeiro de 2017.

Cezar Santos — Então, o sr. reafirma que, passada a eleição, os interesses de Rio Verde ficam acima das diferenças partidárias e que se coloca aberto para ajudar a administração de Paulo do Vale?
Com certeza, temos de pensar no cidadão rio-verdense. Quero continuar o trabalho que vinha fazendo e quero fazê-lo agora com mais força, para atendermos as demandas da cidade de Rio Verde, principalmente para podermos concluir as obras que estão paralisadas na cidade, o que cabe à administração municipal, ao prefeito. É claro que estarei com as portas abertas a ele em Brasília, mas no plano político serei oposição à administração municipal que se iniciará em janeiro. Temos de fiscalizar, cobrar as propostas que foram feitas por Paulo do Vale na campanha, para que resgate suas promessas à população. Eu vou fiscalizar e cobrar esses compromissos, mas ao mesmo tempo estarei em Brasília para fazer essa ponte entre o governo federal e o governo municipal.

Cezar Santos — Sua chapa majoritária foi derrotada, mas como ficou a chapa proporcional? Sua aliança conseguiu fazer maioria na Câmara de Vereadores?
Nossa coligação elegeu o maior número de vereadores, em número de oito: a do deputado estadual Lissauer Vieira (PSB) elegeu sete; e a do prefeito eleito elegeu seis. Então Paulo do Vale terá minoria na Câmara, mas ele está buscando composições para manter a governabilidade.

É importante destacar que fizemos uma campanha limpa, propositiva, mostrando que tínhamos capacidade de fazer e tivemos a melhor composição de candidatos a vereador nas nossas coligações, com 120 bons nomes, alguns que já tinham mandato e outros que se candidatavam pela primeira vez. Por isso fizemos uma campanha que me possibilitou sair maior do que quando entrei no início da disputa. O resultado não foi o que desejávamos, mas estou satisfeito com nosso desempenho. Torço para que o prefeito eleito possa fazer uma boa gestão para que Rio Verde ganhe.

Euler de França Belém — E a base aliada capitaneada pelo governador Marconi Perillo, como foi na Região Sudoeste?
Ganhamos em Jataí, em Montividiu, em São Simão, em Acreúna, em Chapadão do Céu, em Serranópolis e outros municípios. Mas perdermos em algumas das principais — com exceção de Jataí —, como Rio Verde, Mineiros, Quirinópolis, Santa Helena, Santo Antônio da Barra e Bom Jardim, esta a cidade do presidente da AGM [Associação Goiana dos Municípios, presidida pelo prefeito Cleudes Baré].

Euler de França Belém — São quantos eleitores na região?
São cerca de 800 mil habitantes em toda a região, mas não sei precisar o número exato de eleitores. Em Rio Verde, são 118 mil eleitores e foram 105 mil votantes — tivemos uma abstenção pequena na cidade e uma quantidade menor de votos nulos e brancos, se compararmos aos números gerais do Brasil.

Marcos Nunes Carreiro — Já se encontra em processo a articulação para as eleições estaduais de 2018. Qual o reflexo desses resultados da Região Sudoeste para a base aliada nessa nossa empreitada?
Creio que é de prejuízo para a base, principalmente nessas principais cidades. Mas tem como reverter esse prejuízo a partir de ações do governo estadual, pensando já em 2018, no sentido de atender as demandas da região, principalmente em relação a rodovias, o grande problema que temos no Sudoeste. É preciso construir e concluir obras nessa área. A região necessita ter uma malha viária em boas condições de trafegabilidade, por ser uma região agrícola e que precisa transportar as riquezas produzidas lá.

O governo também precisa implementar ações importantes, como os Credeqs [centros de recuperação de dependentes químicos] e demandas da segurança pública, outro grande problema na nossa região. Também é preciso concluir algumas escolas que estão em construção.

Marcos Nunes Carreiro — O Credeq de Rio Verde já começou a ser construído?
Começou o de Quirinópolis. Em Rio Verde está sendo construído o Case [Centro de Aten­di­mento Socioeducativo, para menores infratores], que também se faz muito importante. Ou­tra necessidade em Rio Ver­de é a transferência da Casa de Prisão Provisória, que fica num local muito inadequado. Outro problema é o reduzido efetivo de policiais militares em toda a região. Há poucas viaturas. Então, há algumas ações que o governo estadual deve tomar para minimizar o prejuízo de algumas derrotas eleitorais da base aliada em cidades importantes na Região Sudoeste.

Elder Dias — Essa falta de obras contribuiu para essas derrotas?
Com certeza, principalmente em Rio Verde. O maior problema atual da cidade é a segurança pública. A conclusão da reconstrução de GO-174, que liga Rio Verde a Montivi­diu, que é chamada de “Rodovia da Morte”, também é necessária. Penso da mesma forma sobre a construção de algumas escolas e do Case. Nós sabemos que o momento é difícil e que o Estado realmente não tem condições de viabilizar essas obras. O governador tem buscado alternativas para concluir as obras que estão em andamento e sabemos que as outras regiões também têm tido essas dificuldades, como as obras que estão paralisadas em Anápolis. Então, acredito que nesses próximos dois anos, o governador conseguirá concluir as obras feitas no Estado todo.

Elder Dias — A região continua sendo ponto de referência das rotas de tráfico?
Sim, e é um grande problema que nós temos, com o aumento dos índices de criminalidade, principalmente em Rio Verde, Jataí e Mineiros, que são as maiores cidade da região. E isso se agrava por causa da fragilidade do sistema penitenciário da região. A Casa de Prisão Provisória de Rio Verde, por exemplo, não tem condições de comportar os presos e, como está no centro da cidade, temos de lidar com fugas constantes. Não temos um Case, que é o local adequado para que os menores infratores cumpram suas penas. Esperamos que essa obra seja concluída para que o bandido seja preso e possa continuar preso. Lá a polícia já conhece o bandido porque eles não ficam presos, então já sabe o que ele fez, onde ele mora e o que precisa fazer. Por isso é importante melhorar a estrutura do sistema penitenciário, para que possamos diminuir os índices de criminalidade. O maior problema de Rio Verde é a segurança pública, não diferentemente das maiores cidades do Estado.

Augusto Diniz — O sr. diz que as portas de seu gabinete em Brasília estão abertas para ajudar o prefeito eleito de Rio Verde a governar, mesmo que sendo de oposição. Mas, se a PEC [proposta de emenda constitucional] do Limite de Gastos for aprovada, como ficará a situação das emendas orçamentárias? Haverá dificuldade para os parlamentares aprovarem emendas?
O que vamos cobrar de imediato da administração municipal em Rio Verde é a conclusão das obras para as quais já têm recursos destinados. Temos, por exemplo, creches em construção, o Hospital Materno Infantil, a canalização do Córrego do Sapo, o Centro de Convenções. Todas essas obras já têm recursos alocados. Vamos destinar emendas parlamentares, pois acreditamos que não haverá contingenciamento, principalmente de imediato, em relação às emendas parlamentares — as emendas de bancada já serão contingenciadas. Temos de acreditar que a PEC 241 [agora, no Senado, transformada em PEC 55] mantenha o valor de emendas parlamentares para os próximos anos, que hoje é de R$ 15 milhões por parlamentar.

Augusto Diniz — Qual avaliação o sr. faz da PEC, caso ela seja aprovada no Senado da forma como saiu da Câmara?
Hoje essa PEC se faz necessária, devido ao momento pelo qual passa o País. Nós sabemos da capacidade que tem o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, para poder promover essas mudanças, que são necessárias à economia. É preciso conter gastos para fazer os investimentos necessários para o País e retomar os empregos. O Brasil precisa de reformas e uma delas é a limitação dos gastos do governo federal.

Elder Dias — Não foi muito pouco o tempo destinado a discutir os detalhes da PEC, já que seus efeitos vão durar por pelo menos 20 anos?
Isso foi muito bem analisado e estudado pela equipe econômica do governo federal. E isso é necessário. O prazo é de 20 anos, mas, retomando o crescimento econômico do País, teremos condições de rediscutir isso. Tenho certeza de que o presidente da República não gostaria de fazer isso, mas, sim, de ter dinheiro para fazer os investimentos. Só que o PT quebrou o Brasil. Os últimos 13 anos deixaram o País em recessão econômica e agora precisamos fazer as reformas necessárias, como a tributária, a trabalhista e a política. São reformas importantes. Precisamos preparar o Brasil para que ele possa retomar seu crescimento em dois ou três anos.

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

“Thiago Peixoto É um excelente nome para disputar o governo. é Capacita­do, preparado e de bom trânsito com outros parlamentares” Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Elder Dias — O PMDB participou do governo Dilma Rousseff, nos dois mandatos. Então, se o PT quebrou o Brasil, o PMDB deu uma boa “ajuda”, não?
Ah, com certeza (risos). O PMDB sempre trabalhou muito com troca de cargos, tanto que boa parte do partido está envolvida na Operação Lava Jato. Então, com certeza ajudou, pois tinha vários ministérios. E esse é um dos motivos pelos quais o PSDB sai como o grande vitorioso das eleições municipais, pois é a maior oposição ao PT. Isso mostra que o tempo do PT exauriu. E Henrique Meirelles foi muito importante nos primeiros oito anos do governo petista, quando tivemos a oportunidade de ver uma economia crescer. E qual a grande vantagem dele hoje? Tem experiência, pois já passou pelo Banco Central e conhece muito bem a economia do País, conhece o mercado e tem credibilidade. Por isso acho que o Brasil pode entrar nos trilhos do desenvolvimento novamente.

Elder Dias — Que avaliação o sr. faria do PT, do ex-presidente Lula e da ex-presidente Dilma Rousseff?
O PT tem uma ala radical de esquerda e uma ala moderada, mais equilibrada. Em qualquer partido, o Brasil precisa de bons políticos. Lula tem habilidade política, o que Dilma nunca teve, sempre foi zero nesse quesito. Se Lula soube conduzir as conversas com os partidos, sua sucessora nunca fez isso. Ele teve seus pontos positivos em relação ao País, principalmente em colocar as classes C e D em condição de consumo, fazendo com que as grandes empresas e indústrias tivessem como vender para essas pessoas. A vida delas melhorou muito da porta de casa para dentro — elas compraram carro, geladeira nova, TV nova, ar condicionado etc. —, embora isso não tenha acontecido em termos de serviços públicos.

Em relação a seu período de governo, ele foi bom, especialmente para as classes C e D, que tiveram melhoria em sua qualidade de vida. Mas o grande problema de Lula foi ter priorizado seu projeto de poder ao Brasil. Tudo o que está sendo apurado pela Operação Lava Jato ocorreu por causa de querer manter o PT no comando.

Elder Dias — Seu partido este no governo da ex-presidente Dilma Rousseff até o início do processo de impeachment. Gilberto Kassab, presidente do PSD, foi ministro de Dilma e agora também participa do governo do PMDB, que também é responsável pela crise no Brasil. Não é uma contradição o PSD não ser oposição ao atual governo?
O PSD foi criado em 2012 com a ajuda do PT, inclusive com a ajuda da presidente Dilma. Ela foi uma grande incentivadora da criação do PSD. O ministro Gilberto Kassab, grato como ele sempre foi a todas as ações do PT e de Dilma, ele quis retribuir isso na eleição presidencial levando o apoio do PSD à candidatura da então presidenciável e hoje ex-presidente Dilma Rousseff. Mas, dentro da bancada do partido, ele deu autonomia e liberdade para que todos os parlamentares pudessem suas posições em relação às eleições presidenciais.

Por isso aqui em Goiás, o PSD, sob a direção de nosso presidente Vilmar Rocha [secretário estadual de Cidades e Meio Ambiente], nós apoiamos a candidatura de Aécio Neves (PSDB) junto com o governador Marconi Perillo (PSDB). E assim ocorreu em vários outros Estados do País, o PSD optou por essa posição. Mas o ministro Gilberto Kassab sempre esteve junto mostrando essa gratidão, essa lealdade, principalmente com relação à fundação do partido. Então essa foi a situação.

No impeachment, a maioria do partido, 29 deputados — nós somos 37 — votou pelo início de seu processo, mostrando essa autonomia dentro do partido e essa liberdade que o partido dá por meio do ministro Gilberto Kassab.

Augusto Diniz — O sr. citou a credibilidade que o nome do ministro Henrique Meirelles tem no mercado. Mas só a credibilidade de seu nome é suficiente para recuperar a economia do País? O que vai ser preciso fazer para retomar o crescimento?
Não é somente seu nome, mas essas ações que ele tem tomado, essas reformas que serão feitas, das quais uma é a PEC 241. Têm também as reformas que eu citei, que devem passar pelo Congresso e que são importantes. Essas várias reformas são ações que estão sendo tomadas com a condução do ministro da Fazenda. Realmente ele tem essa credibilidade, conhece muito do assunto, conhece de mercado, tem o conhecimento de todo o mercado financeiro. Sabe o que fazer realmente para a economia do País possa voltar às condições de crescimento do que se faz necessário para que o Brasil possa sair da crise.
Acho que se, Meirelles tivesse sido nomeado quando Dilma era presidente, ela ainda como estaria presidente. Ele realmente é o nome de consenso. É um notável, um nome quase de unanimidade dentro de quase todo o País.

Elder Dias — Não é exagerada demais essa confiança no poder de Henrique Meirelles de mudar uma conjuntura tão complexa do País, sem contar os fatores externos?
Mas ele é especialista no assunto. Ele conhece o assunto. Ele é quase igual o que Neymar é no futebol.

“PT se mostra adepto do quanto pior, melhor”

Cezar Santos — Analise a importância da PEC 241. O PT, PSol e PCdoB, mesmo que de forma não muito clara como partidos, colocam as suas franjas — sindicatos, movimento estudantil — para sabotar esse governo de transição que Temer tem de fazer, que se é ruim, é talvez o melhor governo possível dentro das condições políticas a­tuais. Como lidar com isso? Digo is­so porque já se cria nas redes sociais um movimento muito intenso de contrapropaganda da PEC. O governo vai ter força para combater isso?
O PT sempre foi bom de oposição. Ele já começa a se revelar, fazendo com que todos esses movimentos sociais possam ocupar principalmente as universidades e os institutos federais Brasil afora. Eu acho que o Brasil precisa passar por esse momento para que realmente se prepare para a retomada do crescimento que se faz necessário e assim saia da crise. A PEC 241, mesmo não sendo o que o próprio Michel Temer gostaria de fazer, se faz necessária. Hoje o PT se mostra adepto do “quanto pior, melhor”. É um partido que não quer que o País dê certo, mas eles não deram conta de administrar o País e realmente deixaram o Brasil nessa situação. Como eu já disse e o deputado Alexandre Baldy (PTN) também falou [na edição anterior do Jornal Opção], o PT quebrou o País, deixou-nos com essa recessão jamais vista em nossa história. Nós precisamos realmente preparar o Brasil neste momento de transição. Eu acho que nesses próximos dois anos vamos preparar o País para essa retomada de crescimento.

Augusto Diniz — A tendência é que a PEC 241, agora PEC 55 no Senado, passe com facilidade, com uma tentativa de manter o texto aprovado pela Câmara para que ela seja aprovada ainda este ano. Com isso, a discussão do novo pacto federativo acaba por ficar adiada, embora seja uma reivindicação de governadores e prefeitos que lidam com uma dificuldade de receber recursos, que se limitam a cerca de 30% do que o governo federal arrecada. Qual é a situação que os prefeitos goianos, principalmente da Região Sudoeste do Estado? Vão enfrentar nesse momento de tentativa de limitação dos gastos públicos por 20 anos frente à dificuldade de fechar as contas? Além disso, esse problema foi causado por incompetência desses prefeitos ou é realmente dificuldade financeira?
A situação hoje não é nada boa com relação às prefeituras. E isso é Brasil afora, não vou falar só da Região Sudoeste, não. As prefeituras estão quebradas, os Estados estão em dificuldade. Lógico que nós sa­be­mos que a maioria dos tributos fi­cam com o governo federal, algo em torno de 72%. Do restante, 14% fi­ca com os Estados e 14% fica com os municípios. Realmente os municípios têm tido dificuldades, principalmente aqueles que têm dívidas, eles têm tido dificuldades para poder honrar com esses compromissos.

E quem paga o preço é realmente o cidadão, que acaba tendo os serviços públicos de péssima qualidade. Porque realmente não esses prefeitos não têm tido condições de poder facilitar principalmente na saúde e educação. A segurança pública é um dos principais problemas enfrentados nas principais cidades. É um problema que realmente nós queremos que possa ser resolvido de forma mais breve, mais rápida, e principalmente com essa discussão do pacto federativo.

Espero que haja essas mudanças necessárias para que os municípios possam ter condições de poder ter investimentos, porque é na cidade que mora o cidadão e é lá que ele deve ser atendido, em todas as áreas. Faz-se necessário que esse recurso chegue até as prefeituras, para que, então, isso possa chegar até o cidadão.

Fotos: Fernando Leite/ Jornal Opção

Fotos: Fernando Leite/ Jornal Opção

Marcos Nunes Carreiro — Até que ponto o Congresso vai assumir essas decisões importantes para tirar o País da crise e fazer o Brasil re­tomar o crescimento, além de tentar solucionar os problemas na e­ducação, saúde e segurança pública? O Congresso vai aprovar projetos que sejam importantes para a sociedade, mesmo que sejam ruins politicamente e tragam algum desgaste?
Temos Poderes independentes. No caso, o Congresso e o Execu­tivo, por meio da Presidência da Repú­blica. Mas é fundamental o papel do Congresso Nacional nesse momento por que passa o País. Realmente vai ser importante para que possam ser aprovadas essas reformas que serão votadas agora no Congresso, como o caso da PEC 241, que passou pela Câmara Federal, e essas outras reformas que serão votadas nesse governo de transição nesses próximos dois anos.

São projetos desgastantes perante a opinião pública e perante a população brasileira. E por isso que eu acredito que nós não teremos uma redução no quantitativo das emendas parlamentares individuais para que possa, através dessas emendas, garantir aos deputados atender suas bases. Por isso que é realmente importante manter esse valor que nós temos hoje R$ 15,8 milhões para cada parlamentar para atender essas demandas em cada município das suas bases.

O papel do Congresso Nacional é de vital importância para o País nesse momento. Acredito que nós deveremos pautar algumas matérias de interesse do Executivo nesse primeiro momento que será fundamental, o que seria importante, principalmente nesse alinhamento que se tem hoje do presidente da Câ­ma­ra com o presidente da República. Eu acho que nós vamos passar por alguns projetos desgastantes perante a opinião pública, mas que se fazem importantes e nós temos que ter responsabilidade com o País nesse momento e tirar o Brasil dessa situação em que ele se encontra.

Euler de França Belém — Quando o sr. fala em projetos desgastantes o sr. refere-se à Reforma da Previdência?
Reforma da Previdência, mas também reforma trabalhista e a própria PEC, que acabam gerando desgastes.

Euler de França Belém — O sr. acredita que as duas reformas serão feitas em 2017?
Eu acredito que sim. Essas duas reformas já vêm há anos se arrastando dentro do Congresso e não podem mais ser levadas com a barriga. São reformas importantes e que devem ser votadas agora na Câmara. Acredito que esse é o papel do presidente Michel Temer, o de poder realmente colocar para votar essas reformas importantes. Ele vai ser cobrado por sua equipe econômica que hoje está à frente das ações do nosso País por meio do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

Cezar Santos — A Reforma da Previdência foi debatida nos governos de Lula e Dilma e está, de certa forma, madura para ser votada.
Sim. Ela já foi muito debatida, mas ela precisa poder realmente ser votada da maneira que possa solucionar a situação previdenciária e trabalhista no País e que possa ter os reflexos desejados, como a retomada do emprego e a viabilidade para a União arcar com os valores previdenciários. São duas reformas importantíssimas para ser votadas em 2017, já bem debatidas. É preciso que haja uma reforma séria.

Elder Dias — O sr. fala em “reforma séria” e a população, hoje, precisa ca­da vez mais do exemplo dos políticos. É essa resposta que tem vin­do das urnas, como se viu aqui nas úl­timas eleições. O presidente Mi­chel Temer está conduzindo uma re­forma da Previdência tendo ele mesmo se aposentado aos 55 anos. Uma das propostas é de aumentar a idade de aposentadoria para 75 a­nos. O sr., no lugar de Temer, para dar o exemplo, abriria mão desse benefício diante desse quadro atual?
Abriria mão, sim, apesar de que eu ainda nem posso falar tanto desse assunto, porque sou muito novo ainda (risos). Tenho 38 anos e ainda não me preocupei com a questão de aposentadoria. Mas, com certeza, acho que o presidente teria de dar o exemplo, sim, pela posição que hoje ocupa.

Euler de França Belém — O deputado federal Giuseppe Vecci (PSDB) e o ex-secretário de governo e também ex-deputado federal Valdivino de Oliveira (PSDB) defendem os incentivos fiscais. Acham que há uma discussão equivocada sobre o tema e dizem que o País ainda precisa dos incentivos, ainda mais em um cenário sem reforma tributária. Os recursos continuam predominantemente com a União, o que prejudica os Estados.
Eu concordo com Valdivino e Vecci. O Brasil precisa dos incentivos fiscais para o desenvolvimento de alguns Estados, para que as empresas sejam atraídas e saiam dos grandes centros e dos Estados que estão mais próximos dos portos e têm maior facilidade de logística, por conta disso. Os incentivos acabam por ajudar Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará. É uma medida que foi importantíssima para nossa industrialização no primeiro momento, com o programa Produzir, do governo Marconi Perillo. Temos de mantê-los.

Euler de França Belém — As eleições municipais mal acabaram, mas 2018 está batendo à porta já. Tancredo Neves [político mineiro e presidente eleito em 1985, mas que morreu antes de assumir o cargo] dizia que “em política não há ‘cedo’, só ‘tarde’”. A base aliada em Goiás foi formatada pela eleição e será reformatada pelo pós-eleição, para ser ampliada. Há um pré-candidato, o vice-governador José Eliton (PSDB), sendo trabalhado para disputar o governo. Mas também há outros nomes, como os secretários Thiago Peixoto e Vilmar Rocha, ambos de seu partido. Como o sr. avalia o quadro para 2018?
Eu acho que 2018 passa por 2016. Como de resto em todo o Brasil, o PSDB saiu muito vitorioso em Goiás. O partido elegeu 77 prefeitos, alguns de cidades menores, mas é um número bem representativo. Se contarmos todos os partidos, a base do governo chega agora a 180 prefeituras. Quer queiramos ou não, a base aliada estará forte em 2018. E o nome que está sendo trabalhado é mesmo o do vice-governador José Eliton. É ele quem Marconi Perillo tem bancado e que está em uma posição de destaque, como secretário de Segurança Pública.

Elder Dias — E na oposição, como está o quadro?
De toda forma, há nomes competitivos na oposição, como o senador Ronaldo Caiado (DEM), que, penso eu, será candidato a governador de qualquer maneira daqui a dois anos. Por outro lado, vejo que ele não conseguirá manter o PMDB dentro de sua candidatura, porque é um partido que tem nomes para lançar e que já vem mostrando esse desejo por meio de algumas figuras emblemáticas. Os peemedebistas têm muitos nomes, entre eles o do deputado Daniel Vilela, que tem traquejo e habilidade política, além de bons relacionamentos para montar uma boa chapa majoritária. Ele é o “novo” que pode aparecer para disputar as eleições e até vencer o pleito.

O que se não pode, de forma alguma, é imaginar que a base aliada não tenha condições de ganhar a disputa. Temos totais condições, seja pelo número significativo de prefeitos, seja pelos serviços prestados. E José Eliton pode até ter uma dificuldade inicial para aglutinar a base, mas creio que ele terá a capacidade de trazer o maior número de partidos para si, com a ajuda de seu padrinho político, Marconi Perillo, que é indiscutivelmente o maior político da história de Goiás. E eu acredito que o nome da base será mesmo José Eliton.

Augusto Diniz — Qual é o tamanho da dificuldade que a base poderá ter em 2018 a partir do fato de que os dois maiores colégios eleitorais — Goiânia e Aparecida — estão nas mãos da oposição?
Em 2010 e 2014, o governador Marconi teve, além das duas cidades, também Anápolis [cidade em que Roberto do Órion (PTB) venceu o prefeito João Gomes (PT) nas últimas eleições]. Mesmo assim, venceu a disputa. No caso da capital, Goiânia sempre foi oposição ao governo estadual.

Elder Dias — O problema da base, talvez, é que agora seu candidato não será Marconi Perillo, mas José Eliton. Em termos de estratégia, Lula, para eleger Dilma em 2010, começou a trabalhar o nome dela já em 2007. Não seria, então, desde já o momento de a base se unir inteiramente em torno do nome de José Eliton para que ele chegue fortalecido para a disputa da sucessão estadual?
O governador Marconi Perillo tem bancado o nome de José Eliton em todas as reuniões e entrevistas. É o que ele sempre tem proclamado.

Elder Dias — Mas a base ainda não bancou. Seu partido, o PSD, por exemplo, ainda não a candidatura de José Eliton.
Eu acredito que esse deverá ser o papel do próprio José Eliton, o de tentar aglutinar, chamar toda a base em torno de si. Logicamente, isso ele fará patrocinado e ajudado pelo governador Marconi Perillo. Mas esse é ainda o grande desafio do vice-governador, unir essa base por seu nome.

Elder Dias — E é importante que isso ocorra o mais rápido possível.
Mas o papel do governador Marconi já tem sido feito por ele, bancando o nome do vice José Eliton, você pode ter certeza. Agora, José Eliton precisa entrar em campo para trazer todos os partidos da base e seus representantes, os líderes regionais, os parlamentares, deputados federais, os senadores que puder, como Wil­der Morais (PP) e Lúcia Vânia (PSB), e ainda Vanderlan Cardoso [PSB, ex-prefeito de Senador Canedo e ex-candidato a prefeito de Goiânia], que hoje é um grande reforço para base — é importante trazê-lo junto para 2018. Ele precisa aglutiná-los.

Elder Dias — José Eliton já conversou sobre isso com o sr.?
Não, até porque venho de uma eleição municipal. Também não tenho ainda notícia de que ele tenha conversado com alguém.

Euler de França Belém – Do PSD, temos Vilmar Rocha pleiteando uma vaga no Senado. É uma demanda do partido?
Certamente, Vilmar é um ex­celente nome e todos nós co­nhecemos a capacidade, a intelectualidade e o preparo que tem o nosso presidente do partido, Vilmar Rocha. Acredito que hoje, com a importância do PSD em nível estadual e nacional, ele estará presente em qualquer chapa majoritária que nos fizermos presentes e tivermos condições de apoiar. E acredito que o nome que tenha essas condições é do nosso candidato a senador Vilmar Rocha.

Deputado Heuler Cruvinel: “A base aliada tem totais condições de ganhar a disputa estadual em 2018” | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Deputado Heuler Cruvinel: “A base aliada tem totais condições de ganhar a disputa estadual em 2018” | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Euler de França Belém — Co­menta-se que, se Iris Rezende (PMDB) fechar com Ronaldo Caia­do (DEM), o grupo de Ma­guito Vilela [prefeito de Apa­recida de Goiânia] pode fechar com Marconi. O sr. acha isso possível?
Na política, tudo é possível — tenha certeza disso. No entanto, hoje, a facilidade maior é com Daniel Vilela, que será o presidente estadual do partido em 2018, durante o período eleitoral. Por­tanto, ele tem reais condições de ser o candidato do partido, principalmente por ser habilidoso como ele é, e, assim, buscar os apoios necessários. Ele terá condições de fazer um racha até na base aliada, de trazer alguns partidos que hoje estão nesse grupo. Não citarei nomes, mas acredito que ele possa chegar a fazer isso.

Marcos Nunes Carreiro — Daniel, até por ser deputado federal, já teria conversado sobre isso com outros parlamentares?
Ele tem essa facilidade de acesso. Tenho certeza de que tem conversado diariamente com vários parlamentares. E são vários os parlamentares.

Elder Dias — Quanto a Caiado, então, ele pode “tirar o cavalinho da chuva” em relação ao PMDB apoiá-lo em 2018?
Minha opinião é que o PMDB não apoiará Caiado. Para mim, inclusive, ele estará montado a ca­valo, mas debaixo da chuva (risos).

Augusto Diniz — E o sr. acredita que o fato de Iris ter ganhado a Prefeitura de Goiânia dificulta sua aliança com Caiado? Havia um acordo de que Iris o apoiaria em 2018, se estivesse fora da prefeitura de Goiânia. No comando da Prefeitura, isso muda o quadro no PMDB?
Não, isso depende muito das composições. No caso do PMDB, Daniel Vilela tem uma grande vantagem, por ter apoio nacional dentro do partido, que tem ainda capilaridade dentro do Estado, diretórios fortes. O partido certamente vai bancar um nome próprio a governador e Daniel tem totais condições.

Euler de França Belém — E Henrique Meirelles pode ser cotado a presidente da Repú­blica? Ele é um bom nome?
Pode ser, sim, principalmente, dentro do PSD (risos). Acre­dito que o Brasil, com as reformas por que tem passado, preparando-se para o crescimento econômico, ele é um nome supercompetitivo, um nome que a população procura, pois ele não é político e tem experiência, credibilidade e pode, sim, vencer as eleições. Mais, e principalmente: ele pode fazer uma boa administração, uma boa gestão. O Brasil procura por pessoas com as qualidades que tem Henrique Meirelles para a Presidência. Isso vai além do fato de ele ser goiano e do PSD, vejo que Meirelles tem totais credenciais para disputar a Presidência em 2018.

Euler de França Belém — E o Thiago Peixoto? Ele não é uma boa alternativa para o governo?
É um excelente nome. Capacita­do, preparado e é uma pessoa com bom relacionamento, bom trânsito com outros parlamentares também e pode conseguir aglutinar, pode trazer apoio. Mas acredito também que pode ser um bom nome a vice-governador de José Eliton, para fazer uma composição. Ele tem reais condições de ocupar uma vaga na chapa majoritária.

Euler de França Belém — O Entorno do Distrito Federal está pleiteando a vice-governadoria com o deputado federal Célio Silveira (PSDB) ou com a deputada estadual Lêda Borges (PSDB). E o Sudoeste, como fica?
O Sudoeste tem de ter esta representatividade também, pois é uma região importantíssima e que precisa poder ter algumas ações do governo estadual para se desenvolver e crescer ainda mais. Princi­palmente, no agronegócio. Nós precisamos, com relação ao meio ambiente, incrementar ações na agricultura e na agropecuária na região e, assim, aumentar o PIB de seu agronegócio. Temos áreas férteis, mas precisamos de ações do governo, em termos de liberação de energia elétrica, e de outorgas de água para montar pivôs de irrigação e aumentar os números da safra. Assim, incrementaremos o número de ações para que ela impulsione o seu desenvolvimento. O governo estadual precisa rever a liberação de carga de energia para que tenha investimentos com relação à distribuição de energia elétrica para que novas indústrias possam se instalar na região e empresas possam se ampliar. Isso resulta na geração de empregos, na receita dos municípios e outras. É preciso, portanto, representatividade em nível estadual. Nós temos nomes na região para compor a chapa majoritária, uma vez que é uma região já desenvolvida e rica principalmente em terras férteis e povo ordeiro e trabalhador.

Euler de França Belém — A agricultura da região não está em crise?
Ela vive um bom momento, principalmente com relação aos preços de suas commodities e dos produtos que são da região, mas tivemos alguns problemas na última produção em relação à produtividade, devido à escassez de chuvas na região, o que frustrou algumas safras, nos três últimos anos. É importante que existam ações do governo estadual para que o produtor tenha uma tranquilidade maior de continuar produzindo. Hoje, nós temos bons preços das commodities produzidas na região. Temos soja, milho, feijão, pecuária de leite, de corte e ainda, nas regiões de irrigação, batata, cebola e tomate, e mais milho de semente. Na região, se produz de tu­do, o que quiserem, ali tem. A terra é fértil para produção de várias culturas. Temos só essa dificuldade com a chuva, que diminuiu a produtividade. l

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