“Os eleitores de Itumbiara votaram em mim em reconhecimento ao plano de governo de Zé Gomes para a cidade”

Parente do mítico político da cidade — morto por um atirador durante ato de campanha para mais um mandato municipal —, o deputado e prefeito eleito quer trabalhar para atrair novos investimentos e promete austeridade na gestão

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

No meio de uma semana, ele era apenas um deputado estadual preocupado em obter benefícios para sua base, o município de Itumbiara. No início da semana seguinte, José Antônio da Silva Netto, ou Zé Antônio (PTB), se tornava prefeito eleito da cidade. A causa da mudança abrupta no rumo de sua vida política, deve-se à tragédia com uma personalidade quase mítica da cidade: Zé Gomes, ex-prefeito e candidato novamente ao cargo, pelo PTB, foi baleado e morto durante um dos últimos eventos de campanha, tendo ao lado o governador em exercício José Eliton (PSDB), também atingido.

Zé Antônio também estava na caminhonete naquela tarde de quarta-feira, na linha de tiro. Escapou de ser alvejado pelo criminoso — morto pela polícia —, mas virou o nome escolhido pelo partido para substituir o candidato e parente na disputa eleitoral — Zé Gomes era seu primo em segundo grau. Ganhou com dois terços dos votos válidos. Na hora em que o eleitor itumbiarense acionava o “14” (número do candidato), ainda aparecia a foto do outro Zé, já que as urnas estavam já lacradas por ocasião do episódio fatídico.

Aos 27 anos, Zé Antônio será um dos prefeitos mais novos de Goiás. E garante: vai honrar as lições que aprendeu com o “saudoso” e “eterno” Zé Gomes, como o qualifica. “Ele era o Pelé da política, não vai ter um igual.” Na entrevista ao Jornal Opção, o prefeito eleito diz que contará com o vice Gugu Nader (PSB) como um grande parceiro na gestão e aposta na austeridade para fazer um grande governo.

Elder Dias — Sua eleição em Itumbiara se deu em circunstâncias bem peculiares, com a morte do ex-prefeito e candidato favorito José Gomes da Rocha (PTB). Como foi estar deputado e três dias depois ser o prefeito eleito de uma das maiores cidades goianas?
De fato, foi uma circunstância muito trágica e totalmente inesperada, não só pra mim, como para a cidade de Itumbiara, para Goiás e para o Brasil. Eu vinha desenvolvendo meu projeto político buscando ser o deputado estadual que Itumbiara merece e vivendo a expectativa de ter nosso agora saudoso Zé Gomes novamente à frente da prefeitura, uma vez que ele foi, em minha opinião, o melhor prefeito da história de nossa cidade. Não só por isso, mas também do ponto de vista pessoal, eu tinha uma relação muito próxima, fraterna com ele, que era uma referência política pra mim. Meu desejo é que ele estivesse como prefeito eleito.

Mas naquele momento trágico, cabia ao nosso partido, o PTB, liderado pelo presidente regional, deputado Jovair Arantes, se reunir como os aliados para escolher um nome, e tínhamos apenas 24 horas para fazer isso. Num momento de muita dor e angústia, decidimos, com o apoio do vice Gugu Nader (PSB), do prefeito Chico Bala (PTB), e todos entenderam que meu nome seria o ideal para assumir a candidatura. Obviamente, não tive como me preparar para ser o candidato, mas hoje me sinto preparado, contando com o apoio de boas pessoas ao meu lado, para cumprir o nosso plano de governo na cidade de Itumbiara.

Elder Dias — O sr. só foi pensar nessa situação, de fato, depois que aceitou o convite?
Quando em foi trazida essa oportunidade, eu tinha a opção de recusar. Tendo em vista que tenho mais de dois anos de mandato como deputado estadual pela frente, mas acredito que o fato de ter aceitado depõe muito sobre o meu caráter, do que eu tenho convicção, do que eu quero para a cidade. Naquele momento, via a oportunidade de honrar o legado e a história de Zé Gomes e, em parceria com os governos estadual e federal, cumprir o plano de governo que ele desenvolveu e apresentou à cidade.

Cezar Santos — O sr. estava no carro em que Zé Gomes foi alvejado?
Sim, estava ao lado do vice-governador José Eliton (PSDB) e mais próximo até do ângulo que o atirador se aproximou. Mais próximo ainda estava o candidato a vice-prefeito Gugu Nader, que era o primeiro na linha de tiro.

Cezar Santos — Com tanta gente naquela carroceria de caminhonete, mais pessoas próximas, o assassino conseguiu acertar Zé Gomes. Ele tinha uma pontaria muito certeira, não?
São alguns mistérios que a gente não consegue entender, mas agora temos de buscar aceitar. Infeliz­mente, o criminoso teve êxito no objetivo trágico dele.

Euler de França Belém — Dizia-se que existia uma rixa pessoal entre Zé Gomes e o criminoso e que eles teriam tido um entrevero no dia.
Essa possibilidade foi totalmente descartada, uma vez que as câmaras mostram que naquele dia, Zé Gomes saiu de casa tão somente para ir à carreata. Tive uma relação muito próxima com o ex-prefeito nos últimos anos e eu desconhecia qualquer relacionamento que ele tivesse com o atirador.

Euler de França Belém — O sr. conhecia Gilberto [Gilberto Ferreira do Amaral, o Béba, o assassino de Zé Gomes]?
Eu o conhecia de vista, pois, mesmo sendo a cidade de porte médio, conhecemos as pessoas, ainda mais que ele havia sido funcionário público.

Euler de França Belém — Ele tinha um histórico de violência?
Isso eu não consigo afirmar, porque não tinha relacionamento com ele. Não sei sobre isso. Certamente as investigações vão levantar um perfil dele que eu desconheço.

Cezar Santos — O sr. e Zé Gomes já tinham conversado sobre a possibilidade de, mais tarde, o sr. ser lançado a prefeito? Essa opção futura estava colocada?
Nesse momento, meu foco estava muito voltado ao meu mandato de deputado estadual, tanto que agora apoiava a gestão do prefeito Chico Bala e tinha a grande expectativa de apoiar a gestão de Zé Gomes, uma vez que ele foi um entusiasta da minha campanha a deputado. Como ser político, certamente eu vislumbrava no futuro vir a ser prefeito de Itumbiara, mas esse “timing” não estava definido no meu coração e nem entre nosso grupo político, até porque tínhamos o melhor perfil possível para ser o candidato a prefeito naquele momento, que era o próprio Zé Gomes.

Cezar Santos — Em sua família, além do sr. e de Zé Gomes, há mais políticos? Como é seu parentesco com Zé Gomes?
Meu avô materno, Placidino, foi vereador por Itumbiara, por três mandatos e foi candidato a vice-prefeito. Em minha primeira eleição para vereador, nós inclusive disputamos juntos naquele pleito, em 2008. Meu parentesco com Zé é por parte do meu pai, primo primeiro dele, e que foi vereador por Itumbiara por um mandato. Então meu parentesco com Zé Gomes é de primos em segundo grau.

Euler de França Belém — O projeto de ser prefeito, para o sr., seria bem mais à frente se não fosse a morte de Zé Gomes. Mas estava projetado para o sr. disputar mandato de deputado federal em 2018?
Nesse caso, no PTB, com Zé Gomes na vice-presidência do partido e a anuência do presidente Jovair Arantes, eu poderia, sim, disputar uma vaga na Câmara Federal. Isso era cogitado.

Elder Dias — Há um sentimento de mudança na política brasileira. Nas eleições de outubro, em várias cidades, o eleitor votou nesse sentido. Novos nomes fo­ram eleitos em grandes prefeituras do País, como João Doria (PSDB), em São Paulo, e Alexan­dre Kalil (PHS), em Belo Horiz­on­te. Como político novo e vindo de uma família tradicional na política, com um ícone tradicional como Zé Gomes, o sr. acha que pode renovar a política, embora tenha essa origem tradicional?
Tenho convicção disso. A renovação política não se dá apenas na questão da idade, o que eu represento, mas também pelo comportamento, pelas ações e gestos. Eu sempre fui muito comedido e equilibrado com relação a isso, por entender que não é a idade que define caráter. E lembro que tanto na nova quanto na antiga geração existem bons e maus perfis. Em meu caso, o importante é que eu busque ser de fato essa mudança que eu sempre cobrei e que foi o estímulo para eu entrar na política, com 19 anos de idade, mas já tendo militando na política estudantil e nos movimentos partidários de juventude. Acredito, sim, que é possível fazer essa renovação e pretendo fazê-la.

Cezar Santos — Qual a figura política que lhe inspira, no plano nacional?
Tenho no deputado Jovair Arantes uma referência de lealdade, de compromisso e de trabalho. No caso dele, eu posso testemunhar com muita proximidade pelo nosso relacionamento, e, quando faço essa deferência, o faço com segurança. Vejo também no governador Marconi Perillo (PSDB) uma figura assim, por ele ter sido senador, vice-presidente do Senado e presidente do Consórcio Brasil Central.

Elder Dias — O Brasil, nas últimas eleições, escolheu ser um país que não aceitou uma ideologia mais à esquerda. Mas o sr. acredita que os valores ideológicos, divididos em direita, centro e esquerda, e que o Brasil está mais voltado ideologicamente à direita?
Acredito que os valores existam, sobretudo nas classes políticas e nos movimentos classistas. Agora, do ponto de vista da população em geral, sinceramente entendo que não há esse posicionamento, mas que existem uma comoção e uma mobilização em busca de gestões eficientes e que não tenham condutas questionáveis. Essa percepção é maior que a das divisões ideológicas impostas pela classe política.

Augusto Diniz — Após a morte de Zé Gomes, antes de substituí-lo como candidato a prefeito, o sr. teve condições de discutir com os aliados o que será necessário fazer por Itumbiara?
O crime ocorreu no dia 28 de setembro, e no dia 29 nós já tínhamos a definição de que eu seria o candidato. E nesses três dias que antecederam a eleição eu e meu vice, Gugu Nader, não fizemos nenhuma ação a não ser ter gravado o último programa que iria ao ar naquela quinta-feira, 29, para anunciar que eu seria candidato. Na verdade, o que fazer por Itumbiara já estava definido pelo plano de governo de Zé Gomes, o qual eu, inclusive, apresentei na integralidade quando registrei minha candidatura. Fiz parte da formação desse plano de governo e Zé Gomes, numa campanha de muito amor e tranquilidade, apresentou esse programa, que foi aceito pela maioria da cidade. Então me resta agora, com o apoio das classes políticas, da família de Zé Gomes — algo que é extremamente importante — e da sociedade cumprir esse plano. Isso já estava aprovado pela população. Então, as pessoas votaram em mim em homenagem a ele, mas também em reconhecimento a esse plano de governo. E este será o plano que será implantado.

Augusto Diniz — Quais são pontos que, a partir de 1º de janeiro, precisarão ser tomados como prioridade?
A saúde, tanto que a principal obra prevista em nosso plano de governo é a construção do novo hospital municipal de Itumbiara. Obviamente, daremos todo o cuidado necessária à saúde preventiva, mas entendemos que essa parte estrutural é importante, visto que o hospital atual tem quase 40 anos e ficou obsoleto. E já demos um passo importante para o cumprimento desse objetivo, pois solicitei ao governador Marconi Perillo para que eu pudesse apresentar uma emenda de orçamento do Estado, ainda este ano, no valor de R$ 20 milhões, para fazer a construção desse hospital. A partir disso, o governador me garantiu a sanção dessa emenda, que deverá ser aprovada pela Assembleia. É um gesto grandioso do governo estadual. Assim, com a contrapartida do município e também com o apoio da União, conseguiremos consolidar esse projeto.

Há também outros projetos, como para a área habitacional, e também de infraestrutura, como o recapeamento da cidade. Enfim, para todas as pastas nós temos encaminhamentos. Destaco, por exemplo, o comprometimento da prefeitura com a segurança pública, que constitucionalmente é de responsabilidade do Estado, mas um setor que nós vamos ajudar para que haja a diminuição da criminalidade. Não podemos, também, deixar de mencionar também os investimentos na área da educação. Nós temos mais de 13 mil alunos na rede municipal, entre os Cmeis [centros municipais de educação infantil] e escolas de tempo integral e foi uma área que melhorou muito tanto em estrutura quanto em valorização dos professores. Continua­remos a fazer esses e outros investimentos.

Augusto Diniz — Como tem sido a relação do sr. com as lideranças partidárias, como o governador Marconi Pe­rillo e o deputado federal Jovair A­­rantes, além de outros políticos que possam ajudá-lo em seu governo?
Esse relacionamento está sendo fundamental. Encontro, na Assem­bleia, apoio irrestrito para a gestão em Itumbiara. Além disso, tenho apoio de nossa bancada de deputados federais e dos senadores, do governador Marconi Perillo e do vice-governador José Eliton. É preciso destacar, também, a importância do nosso relacionamento como atual prefeito, Chico Bala, com os atuais vereadores e com os vereadores eleitos, que serão fundamentais. Nesse momento, temos bom relacionamento com todos, mesmo com aqueles que se dizem oposição, pois há um sentimento comum de beneficiar Itumbiara por meio de nossa gestão.

Cezar Santos — Em relação também a relações políticas, como está a convivência do sr. com o deputado e colega de Assembleia Álvaro Guimarães (PR), que foi o candidato derrotado nas eleições em Itumbiara?
Temos um relacionamento respeitoso. Fomos aliados políticos em alguns momentos, assim como também já fomos adversários. Nunca tivemos, porém, um relacionamento pessoal.

Augusto Diniz — Como está a composição da Câmara?
Atualmente, são 17 vereadores, mas a Câmara aprovou em seu regimento a redução para 12. Desses, 8 foram eleitos por nossa coligação e 4 pela coligação adversária. E tenho encontrado em todos uma sinalização de parceria em prol da cidade.

Augusto Diniz — Já é possível dizer de quanto será a redução dos gastos públicos com essa diminuição do número de vereadores na cidade?
Não consigo precisar, mas certamente é uma redução considerável. E acredito, inclusive, que a Câmara conseguirá auxiliar nossa gestão, economizando seu duodécimo, retornando o valor excedente para que nós possamos, no Executivo, investir. Aliás, esse é um gesto que é e já foi exercido pelo atual presidente e pelos presidentes anteriores da Câmara de Itumbiara.

Elder Dias — Essa redução de número de vereadores é rara no mundo político.
Sim, mas já aconteceu outras vezes em Itumbiara. Quando me elegi vereador, a Câmara tinha 10 vereadores e, naquele momento, nós já poderíamos ter 17. Isso em 2008. Então, foi uma decisão política, em resposta a anseios da sociedade, entendendo que não somente em quantidade, mas, sobretudo, em qualidade da atividade pública. E isso encontrou respaldo na população.

Elder Dias — O sr. é a favor da redução no número de parlamentares, em geral? Na Assembleia Legislativa, por exemplo?
É como eu disse: nem sempre, a quantidade vai simbolizar a qualidade. Então, é uma decisão muito institucional. Entendo que vai ao encontro de uma necessidade atual. Assim, desde que haja diminuição das despesas e que aumente a capacidade de investimento, sou a favor.

Elder Dias — O sr. ficou quatro anos como vereador. A Câmara local muda muito a cada legislatura?
Embora realmente mude muito a cada legislatura, a Câmara tem uma característica de parceria, mas não de submissão, o que acho saudável.

Cezar Santos — Um dos problemas mais graves do País atualmente é a questão das drogas. O sr. já disse algumas medidas que pretende adotar para auxiliar o Estado no combate a esse drama, mas não é o caso de um trabalho mais pesado e efetivo a ser capitaneado pela prefeitura junto ao governo?
Está comprovado que o tráfico e a drogadição são os grandes responsáveis, pelo aumento dos índices de criminalidade, isso é um fato. Nesse sentido, a Prefeitura tem como apoiar em todas as esferas, sobretudo no principal pilar, que é a prevenção. Hoje já é feito um trabalho considerável na rede municipal de educação e nos programas sociais. Outros passos importantes — e de que a prefeitura pode ser parceira — são o acolhimento e o tratamento por meio de entidades e instituições voltadas a esse trabalho. Certamente, poderemos continuar essa parceria.

Caberá à Câmara e a nós, dentro das competências do município, trabalhar as questões de legislação, para podermos auxiliar ainda mais o Estado, além de amparar as forças de segurança para a atuação na repressão. Temos de estar preparados também para a ressocialização desses dependentes, ou mesmo delinquentes que tenham cometido algum crime, dando estímulo a esse processo. Uma faixa considerável da criminalidade, não só em Itumbiara, mas no Brasil, é de reincidentes.

Penso que desde a prevenção até na repreensão é importante que seja feito esse trabalho. Claro que guardadas as responsabilidades de cada ente. Eu, tendo esse entendimento, buscarei a forma legal de apoiar esses trabalhos.

Augusto Diniz — Seu caso não é o único em Goiás de deputado estadual que foi eleito para o Executivo…
Somos quatro.

Augusto Diniz — Um de seus colegas de Assembleia foi eleito em Goiânia para ser vice-prefeito, o deputado Major Araújo (PRP), que já declarou algumas vezes que não tem interesse de assumir o cargo e ficar na posição de “vice decorativo” na Prefei­tura. O sr. chegou a conversar com ele? E qual sua posição sobre as declarações do Major Araújo?
Não falei com ele e por isso, sinceramente, não tenho uma opinião do porquê dessa posição.

Euler de França Belém — Como está o comprometimento da folha de pagamento da Prefeitura de Itumbiara? Quanto sobra por mês para fazer outros investimentos?
A prefeitura está hoje no limite da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), comprometendo cerca de 50% da sua arrecadação com a folha. Isso se dá, sobretudo, porque nos últimos meses houve uma queda na arrecadação no município, não só de Itumbiara, creio que essa queda foi geral em todos os municípios. Por isso, nos aproximamos ainda mais da faixa limite da Lei de Responsabilidade Fiscal. Tenho interesse em iniciar uma gestão austera, mantendo enxuta a estrutura da máquina pública e buscando bons quadros para essa formação de equipe de governo, para que mesmo com estrutura reduzida nós possamos ter eficiência nos serviços públicos.

“Terei de reduzir o custo da máquina pública”

Cezar Santos — O sr. já definiu a equipe?
Ainda não. Não fiz nenhum convite a ninguém até agora.

Euler de França Belém — O sr. disse que a prefeitura gasta 50% dos recursos com funcionalismo. Com o custeio da máquina, quanto sobra para investimento?
Cumprem-se as prerrogativas constitucionais — de 25% de investimento na educação, 15% na saúde e de 7% a 8% para a Câmara Municipal — e, ademais, o que vem é prioridade de gestão.

Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Euler de França Belém — São quantos servidores comissionados?
A prefeitura está me repassando esses dados agora na transição. A estimativa é de que a Prefeitura de Itum­biara não chegue a ter mil funcionários comissionados. Do total, que gira em torno de 4 mil a 4,5 mil colaboradores, Itumbiara tem de 3,5 mil a 4 mil efetivos.

Euler de França Belém — O orçamento do próximo já está aprovado?
Não. A previsão é que se aprove o orçamento agora em dezembro.

Euler de França Belém — Com a venda da Celg, as prefeituras terão algum aporte de recursos?
Certamente sim. É uma equalização que está sendo feita na companhia, le­vando em conta alguns débitos em relação aos municípios. Acredito que poderemos ter algum incremento de receita.

Euler de França Belém — Há alguma ex­pectativa de receber dinheiro vindo da repatriação feita pelo governo federal?
Já entrou parte da repatriação no caixa da prefeitura ainda nesta gestão. O restante deve entrar ainda este ano.

Euler de França Belém — E qual é esse valor?
Vai totalizar pouco mais de R$ 2 milhões para Itumbiara. Disso, já chegou pouco mais de R$ 1 milhão.

Euler de França Belém — Essa verba não é carimbada? Ela chega para prefeitura de que forma?
Ela não é carimbada, por isso, nesse momento vai ser importante para o nosso prefeito.

Cezar Santos — Pode ser usada no pagamento do 13º salário, por exemplo.
Em Itumbiara, o 13º salário é pago no mês do aniversário do colaborador, como no Estado, o que faz com que a prefeitura não fique sobrecarregada.

Elder Dias — O sr. falou em gestão austera. É possível detalhar o que o sr. pensa em fazer em uma gestão austera?
Posso simplificar de uma maneira mais objetiva, dizendo que é não inchar a folha, não ter excesso de desperdícios. Isso em todos os sentidos, é preciso buscar otimizar os gastos. Embora eu tenha estado no Executivo como vice-prefeito e ter assumido a prefeitura por 20 dias, destaco até minha própria formação como gestor público e engenheiro agrônomo. Eu preciso fazer a parte de gestão como hoje é feito na iniciativa privada: minimizar desperdícios.
Primeiro não inchar a folha. Estou dis­posto a ter uma estrutura muito reduzida de pessoal. E, nos custos o­pe­racionais da prefeitura, primar sempre pela legalidade, cumprindo a Lei nú­mero 8.666 [Lei das Licitações e Contratos Públicos] por meio das licitações e chamamentos públicos, comprar sempre o mais barato e na quantidade correta. Ou seja, otimizar a gestão.

Elder Dias — Tem alguma organização social (OS) que atua no município? Há interesse em implantar alguma gestão por OS em Itumbiara?
Sinceramente não pensei a respeito.

Elder Dias — Com relação às contas da prefeitura, há três dificuldades. Uma delas é a corrupção. Outra é o desperdício. A terceira é a má gestão. O prefeito reeleito de Bom Jesus da Lapa (BA), Eures Ribeiro (PSD), que comanda uma cidade com cerca de 70 mil habitantes, diz em um vídeo viralizado na internet que um bom gestor tem de ter “mão de ferro”, saber de todos os gastos. Isso em uma prefeitura pequena é mais fácil de fazer. No caso trata-se de uma cidade média. O sr. adotaria uma postura assim em Itumbiara? É a intenção do sr. controlar os gastos, desde uma secretaria de Estado até o almoxarifado de uma escola?
Embora engenheiro agrônomo e gestor público por formação, me sinto vocacionado à política e ao setor público. Quando aceitei a missão de ser o candidato a prefeito em lugar de Zé Gomes, estava ciente de que precisava desenvolver uma boa gestão para o município. Agora, como prefeito eleito, sei que para isso terei de ser austero, reduzindo o custo da máquina pública, inclusive com a folha de pagamento, e minimizando os desperdícios e gastos.
Em busca disso, primeiramente vou procurar me cercar de boas pessoas, formando uma equipe qualificada em todas as áreas. Também vou acompanhar de perto todas as tramitações dentro da Prefeitura, em todas as pastas, jamais terceirizando responsabilidade ou o poder concedido a mim, mas sim, como um líder, delegando responsabilidades. Estou muito determinado nesse sentido e me sinto bem fazendo isso. Posso vir até a assumir algum desgaste ou ônus individual por esse tipo de comportamento na gestão, mas, desde que a gestão se mostre eficiente e que o reconhecimento público da cidade aconteça, estarei motivado a continuar desenvolvendo esse trabalho.

Elder Dias — O sr. estaria disposto a comprar brigas até mesmo com aliados para implantar esse tipo de gestão?
Na verdade, até aqui o que tenho encontrado é muita receptividade por parte deles em relação a esse posicionamento. Não tivemos confrontos de qualquer espécie em relação a objetivos e ideias. Quero destacar esse mes­mo sentimento e essa mesma postura por parte de meu vice-prefeito, Gugu Nader. Não será diferente em relação àqueles que virão formar a equipe conosco. Por isso, posso dizer que estou muito à vontade hoje com nosso grupo político, que entende essa necessidade que Itumbiara tem, justamente para que possamos fazer cumprir o plano de governo, algo que precisará de investimentos consideráveis.

Augusto Diniz — Governadores e secretários de Fazenda dos Estados se reuniram com o presidente Michel Temer e seus assessores para discutir temas importantes, como as multas sobre o Imposto de Renda, que têm de ser repassadas aos fundos de participação dos Estados e dos municípios. Como o sr. vê essa situação. Somente o congelamento por meio da PEC dos Gastos Públicos [PEC 55] é suficiente ou é preciso rediscutir o pacto federativo também?
Sou um defensor do pacto federativo para que a gente possa reavaliar a distribuição dos recursos entre os entes — a União, os Estados e os municípios. Por outro lado, também sou realista a ponto de entender que isso só será uma solução para médio ou longo prazo. Assim, as ações que são tomadas para buscar resultado mais imediato, como é o caso da PEC 55, para que possamos restabelecer nossa economia, são algo necessário. A mobilização de governadores e secretários é fundamental para abrir o diálogo e a provocação do Congresso — onde se definem essas questões, como a da PEC e do pacto federativo. Espero que tenhamos bons resultados em relação às gestões que estão sendo feitas no momento.

Augusto Diniz — Como está hoje a cidade, dois meses após a tragédia com Zé Gomes? Ainda se vive o luto pelo crime?
De fato, ainda é um momento em que a cidade ainda sente a tragédia. Estamos encaminhando para a elucidação do caso, o que infelizmente não trará de volta nosso Zé Gomes nem o cabo Vanílson [Vanílson João Pereira, de 36 anos, foi o PM que primeiro reagiu aos disparos do atirador, sendo também atingido fatalmente por ele] — a quem quero destacar aqui como herói naquele dia, já que, não fosse sua intervenção, com certeza outras vidas teriam sido ceifadas naquela tarde.

É importante que o caso seja esclarecido, não só este, mas todas ações criminosas que têm acontecido. Confio e tenho cobrado do governo do Estado, e posso dizer que tenho sido correspondido, para que possamos minimizar o drama da violência.

Augusto Diniz — E como está a expectativa da cidade sobre a nova gestão?
Tenho sentido uma boa expectativa, além do reconhecimento por algumas ações que já temos tomado, por exemplo, em relação ao planejamento e ao trabalho sobre os orçamentos de verbas municipal, estadual e federal, prevendo já os gastos para o próximo ano. Vejo também que nosso comportamento de maneira equilibrada e serena para conduzir os dados da transição tem sido importante. Sobre a questão da formação da equipe, tenho encontrado também uma boa resposta da população. E estou muito determinado a corresponder a essa confiança.

Prefeito eleito de Itumbiara, Zé Antônio: “Estou determinado a corresponder à confiança do povo de minha cidade” | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Prefeito eleito de Itumbiara, Zé Antônio: “Estou determinado a corresponder à confiança do povo de minha cidade” | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Euler de França Belém — Rio Verde tem sentido menos a crise nacional, por causa da força do agronegócio. Em Itumbiara isso é equivalente?
Hoje ocupamos a 7ª posição no ranking da economia do Estado, entre os municípios. Sempre tivemos como característica a força no agronegócio, mas desde a era Zé Gomes — em minha opinião, de maneira muito acertada e como grande visionário que ele era — houve o estímulo à diversificação de nossa economia, com a prestação de serviços e a industrialização. Com isso, a cidade tem mantido uma arrecadação média consideração, de R$ 28 milhões a R$ 30 milhões por mês. Evidentemente, têm períodos em que esses números caem, mas, em média, temos índices bons. Claro que sentimos a crise, muitos serviços são feitos em formato tripartite e, por isso, houve alguns momentos de dificuldade, por conta de repasses. Mas, de qualquer maneira, temos mantido a economia, nossa geração de emprego e renda, dentro de nossas capacidades.

Estamos, neste momento, instalando em Itumbiara uma unidade da Can-Pack S/A, uma multinacional bel­ga do ramo de latas de alumínio, que investirá mais de 300 milhões de eu­ros (mais de R$ 1,1 bilhão) em sua planta, que está sendo construída de ma­neira muito célere. Vamos ter aumento de arrecadação do município, mas também de emprego e renda.

Euler de França Belém — Então o desemprego não está grande em Itumbiara?
Posso dizer que, por todo o planejamento que as gestões fizeram nos últimos 12 anos, não sentimos um impacto considerável em termos de desemprego. A Prefeitura continua sendo a principal empregadora, com mais de 4 mil colaboradores, mas temos uma oferta considerável de emprego espalhada em pequenas, médias e grandes empresas na zona urbana e também na zona rural.

Euler de França Belém — A Suzuki desistiu de ir para Itumbiara?
Não. A área continua destinada à instalação de sua fábrica, para a produção do jipe Jimny. A Suzuki instalou-se em seu primeiro galpão, à época, como centro de distribuição de carros e peças, gerando até uma movimentação fiscal a partir de Itumbiara. Com a crise automobilística mundial e o mesmo grupo sendo detentor da Mitsubishi em Catalão, eles entenderam que era interessante concentrar investimentos em apenas uma unidade. Mas não houve qualquer desistência em definitivo em relação a Itumbiara. Pretendo fazer contato com a presidência do grupo no Brasil para tratar desse tema.

Elder Dias — E como está o processo de instalação da fábrica de cerveja Heineken?
Solicitei uma agenda à presidência da Heineken, na pessoa do sr. Didier, para que possamos retomar o cronograma de instalação da fábrica em nossa cidade. O termo de intenções já foi assinado, bem como o processo de doação da área. Também temos feito uma análise criteriosa da água que será utilizada. A instalação da planta, inclusive, é o motivo de vinda da Can-Pack para nossa cidade, já que será uma das fornecedoras mais importantes.

Euler de França Belém — E há energia elétrica suficiente para esses empreendimentos?
Essa foi a maior demanda da Can-Pack, que vai consumir o e­qui­valente a 70% da energia do mu­nicípio — somente com ela. Es­sa foi a maior gestão que tivemos de fazer para trazer a indústria.

Elder Dias — E ela terá realmente essa demanda atendida?
Sim, todas as demandas estão solucionadas.

Elder Dias — E como fica a questão da água, algo essencial para uma indústria de bebidas, como a Heineken?
Foi um dos fatores técnicos decisivos para que a Heineken fosse para Itumbiara. Lembro-me de que na época havia outros municípios pleiteando a fábrica, mas temos na cidade uma das maiores vazões possíveis, que supera a necessidade, já que a captação será feita diretamente do Rio Paranaíba.

Elder Dias — Itumbiara continua no papel de cidade polo do Sul de Goiás?
Sim, continua a ser, em todos os sentidos. Itumbiara tem essa po­sição, até mesmo no entendimento institucional. Na saúde, por exemplo, cobrimos lá 11 municípios da região Meia Ponte e absorvemos até certa demanda de Minas.

Elder Dias — Fala-se muito em parcerias intermunicipais, os consórcios, para áreas as mais variadas da administração. Mas na prática, vemos poucas ações efetivadas nesse sentido. O sr. planeja fazer algo nesse viés?
Já tivemos o início desse tipo de discussão, por meio de audiências públicas. Por enquanto, temos conversações sobre coleta e destinação de resíduos sólidos e saúde pública. Ou seja, já houve iniciativas partindo do Executivo, mas sobre a representatividade dos secretários. Um passo que considero importante é discutir esses temas, buscando o formato de consórcio, diretamente pelos chefes do Executivo, ou seja, pelos prefeitos, ainda que tenhamos o acompanhamento dos técnicos e secretários. Inclusive, como uma cidade polo e tendo interesse nessas parcerias, claro que acompanhado com o nosso corpo técnico — a equipe de governo —, pretendo fazer uma gestão pessoal como chefe de Executivo, para que possamos triunfar com certa serenidade.

Euler de França Belém — O sr. apoiará o Gugu para deputado estadual?
É um ótimo quadro. Ele tem um “recall” político e, certamente, em nosso atual grupo político tem bons quadros e teremos de trabalhar, naturalmente, a união do nosso grupo em prol de um nome para que consigamos manter a representatividade de Itumbiara, que tem demonstrado a sua força historicamente nas últimas eleições estaduais, sejam a dos governadores como a de deputados estaduais, federais e até votação expressiva para senadores e candidatos à Presidência que apoiamos — liderados por nosso saudoso Zé Gomes. Em minha opinião, esse foi um grande trunfo, uma vez que a força política aumentou a capacidade administrativa ao fortalecer as suas relações e, assim, conquistando maiores investimentos e verbas do Estado e da União. Portanto, trabalharemos com sabedoria para manter a união do grupo e, tendo bons quadros, cito inclusive nosso vice Gugu Nader.

Euler de França Belém — Como agrônomo, como o sr. avalia o Blairo Maggi como ministro da Agricultura? Muita gente diz que não existe política agrícola no Brasil.
Sim, mas eu vejo que tenho de avaliar justamente o plano da agricultura para o Brasil e não somente o perfil que está lá, e pelo plano, por sermos tão pujantes no agronegócio e este ser o responsável pela fatia considerável do PIB e ser o principal mantenedor do nosso equilíbrio do PIB, acredito e espero que sejam mais bem fomentadas as políticas agrícolas nacionais. Até hoje e até aqui, não foi dada a prioridade ao agronegócio e ao setor produtivo em geral, como deve ser feito.

Euler de França Belém — Zé Gomes, da última vez que esteve aqui, disse que pretendia melhor explorar o potencial turístico de Itumbiara. O que significa isso?
É verdade, pois Itumbiara tem hoje seu turismo de negócio muito maior que seu turismo de lazer. Temos riquezas naturais maravilhosas, como o Rio Paranaíba, que, entre outros rios pelo mundo, é muito belo e bem cuidado. Outros não têm a mesma beleza e o mes­mo cuidado. A poluição é mínima, uma vez que muito avançamos tendo sempre uma gestão eficiente na área de saneamento; nós temos a maior parte do nosso esgoto co­letado e tratado — mais de 80%. Com um potencial do Paranaíba, por exemplo, é preciso estimular o seu uso no lazer e turismo. Na formatação e proposta de governo colocada por Zé Gomes, em forma de revista e entregue nas casas de Itumbiara, eu tenho de tê-la como livro de cabeceira, pois os cidadãos vão me cobrar isso. Nela, tem o estímulo a práticas esportivas e de lazer e atividades turísticas, em geral.

Euler de França Belém — Marconi Perillo tem recebido os prefeitos e suas demandas, para assim atendê-las. A gestão de Jataí, por exemplo, quer apoio para construção de casas e recapear as ruas da cidade. Qual é a reinvindicação mais imediata de Itumbiara?
Já garantida pelo governador Marconi está uma emenda por mim apresentada no valor de R$ 20 milhões ao orçamento do Estado, que será aprovada no dia 7 de dezembro, e sobre a qual já existe o compromisso dele em sancioná-la, para a construção do novo hospital municipal da cidade. Há hoje outras obras já até licitadas por parte do governo para Itum­biara e que já foram tratadas com ele. Por exemplo, a conclusão do IML, bem como da Avenida Mo­des­to de Carvalho — a redução do canteiro central e a ampliação da rua, que é a extensão de uma rodovia estadual do município; a ligação com a GO que liga a cidade à Ca­choeira Dourada e outros convênios de asfalto que já existem celebrados com o Estado. São de­man­das que já existem e que o go­verno se comprometeu a cumpri-las; no entanto, como já aprendi até com o nosso eterno prefeito Zé Go­mes, sem­pre que tiver oportunidades com o governador ou mesmo com o presidente da Re­pública, de ser atendido a um pleito, é preciso se ater a um pedido exclusivo e importante, para que ele lembre e cumpra o compromisso.

Euler de França Belém — Até porque quem tem pleito demais acaba não tendo pleito.
Exatamente. Eu fui oficializado, com um único pedido, que é o da emenda, e encontrei no governador o amparo devido. Deixaremos esse recurso aprovado e, com muito esforço e fé em Deus, começaremos os trabalhos no próximo ano. E, certamente quanto às demandas mais históricas e já existentes por parte do Estado, como um convênio com serviço de alta complexidade de saúde, o caso das UTIs, que são conveniadas, a manutenção do serviço com o estado, e os demais que me propus a fazer.

Euler de França Belém — O sr. é de esquerda, direita ou de centro?
Eu sou a favor das demandas e das necessidades de Itumbiara. Tenho, na minha base, partidos que são tidos de direita e de esquerda. E, como gestor, pretendo ter firmeza para tomar as decisões que vão ao encontro dos desejos da população.

Euler de França Belém — O sr. é um típico socialdemocrata, portanto?
Exatamente. Pretendo ter firmeza nas minhas decisões e ser flexível e dinâmico para poder retomar qualquer posição, caso eu esteja errado. Parafraseando JK [Juscelino Kubi­tschek, presidente do Brasil de 1955 a 1960], eu não tenho compromisso com o erro.

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