“O PSDB não vai abrir mão de disputar a Prefeitura de Goiânia em 2016”

Presidente da Agetop afirma que há uma intensa agenda de inauguração de obras ainda neste ano e no primeiro semestre de 2015

Além de comandar a pasta que cuida das obras estaduais, o empresário Jay­me Rincón (PSDB) tornou-se o principal articulador político do governador Marconi Perillo. Nessa entrevista, ele revela fatos ocorridos na campanha que culminou na reeleição de Marconi. Rincón lembra que durante a crise que quase paralisou o governo, há dois anos, ele nunca desanimou e dizia que o governador chegaria em 2014 com condições de disputar e vencer o pleito, como de fato aconteceu.
O presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop) fala também de programas e ações que serão realizados no segundo mandato tucano. E para não perder o costume, ele critica a administração do prefeito Paulo Garcia, a quem chama de “emburrado”, di­zen­do que chegou a hora de o PSDB voltar ao executivo da capital. “A última gestão que deu orgulho aos goianienses foi a do professor Nion Albernaz”, afirma Jayme Rincón.

Patrícia Moraes Machado – Duas características que marcam o governador são a capacidade de se reinventar e de arregimentar pessoas com o mesmo perfil dele. O sr. apareceu nos últimos oito anos, se consolidou e tornou-se o principal parceiro e amigo dele. Se fosse para escrever uma biografia do governador ou participar de algum capítulo importante dessa trajetória, da qual o sr. participou diretamente, como definiria o governador?
A primeira palavra seria obstinado. Ele tem uma disciplina muito grande. Também me chamam a atenção a memória fantástica e a disposição enorme de trabalho de Marconi. Eu acho que o grande diferencial dele em relação aos demais políticos, não desmerecendo ninguém de Goiás ou do Brasil, são a determinação e obstinação. Ele realmente tem uma capacidade de se reinventar, de estar se atualizando. E ele amadureceu muito neste terceiro mandato. Sempre foi um homem de aglutinar, de agregar, de “ciscar para dentro”, mas hoje ele é muito mais conciliador. Às vezes, as pessoas, por paixão de oposição ou por má-fé, não veem no governador este homem de diálogo, de conciliação, de discussão, o que é uma injustiça. Eu, mais do que ninguém, pela convivência que tenho, pela minha participação no governo, vejo que ele busca o diálogo com todo mundo, com todo mundo mesmo. Ele é um homem de conversa. É lógico que, à medida que ele vai se tornando capaz administrativamente, e ele vem em um processo evolutivo, do primeiro governo até agora, o governador está sempre evoluindo. Agora ele é mais duro com relação com às posições de Estado. Nesta campanha ele teve um diferencial muito grande. Em momento algum ele foi tentado a embarcar nessas promessas malucas que os adversários começaram a fazer no final. Marconi foi muito firme. Ele disse: “eu não vou enganar e não vou iludir ninguém, vou trabalhar dentro da realidade de Goiás”. E ele é muito firme nessas posições. Em primeiríssimo lugar o Estado, o interesse público. Ele concilia isso muito bem. Nem sempre, ao colocar o interesse público em primeiro lugar, se consegue ser um bom político, mas ele sabe fazer as duas coisas. E tem credibilidade para isso, as pessoas confiam no que ele diz exatamente em função deste histórico, do que ele construiu ao longo da carreira política.

Patrícia Moraes Machado – Nessa campanha ele não fez nenhuma proposta, foi mais uma confirmação do que já vinha sendo feito, com aprimoramento nos próximos quatro anos. O que se esperar, então, no segundo mandato?

no Hugo 2 já começou a recrutar pessoal e fazer treinamento. expectativa é que em seis meses o hospital esteja com 100% da capacidade instalada e funcionando” | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

no Hugo 2 já começou a recrutar pessoal e fazer treinamento. expectativa é que em seis meses o hospital esteja com 100% da capacidade instalada e funcionando” | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

O povo é sábio e nós não tivemos que dizer com muita clareza: você quer que o Estado continue ou pare? O povo entendeu isso. Nós temos um projeto que é continuado, mas neste terceiro mandato, a oposição, mais uma vez, agiu de má-fé e dizia que nós fazíamos obras eleitoreiras, desconsiderando que a gente está fazendo obras desde 2011. O que já entregamos é muito mais do que o que temos para entregar. Logica­men­te que não dava para concluir tudo até o final do ano, que era o nos­so objetivo. A população entendeu que é governo de realizações, go­­verno planejado, que não faz obra de afogadilho, de última hora.

Muita, mas muita coisa foi entregue e ou­tras estão por entregar. Mas eles perceberam que essas coisas estavam sen­do concluídas. Um candidato que pas­sa na porta do Hugo 2, e estamos lá instalando equipamentos, e fala que só tem casca, esse candidato está querendo enganar a população. Quem passava lá via que não era isso.

Dizer que os Credeqs estão atrasados? Estão. Mas o de Aparecida está concluído, hoje (quarta-feira, 29) começou a contratação do pessoal. São projetos demorados. Credeq não é só estrutura física, é um programa. A estrutura física do Credeq é parte deste programa de recuperação. Para construir tinha que definir projetos adequados, área adequada em cada um dos munícipios e isso demanda tempo, as prefeituras tinham que desapropriar para poder doar ao Estado, o projeto elaborado deveria ser adequado para aquele tipo de área. Sempre fiz questão de afirmar que nosso calendário não era eleitoral. Não íamos fazer nada a toque de caixa para cumprir calendário eleitoral. Se quiséssemos ter concluído o Hugo 2 de qualquer jeito, para entregar antes das eleições, teríamos conseguido; com o Centro de Convenções de Anápolis mesma coisa. Mas não nos sentimos tentados em nenhum minuto a fazer isso.

Tínhamos muito o que mostrar, não precisava fazer coisa correndo para calar a boca de oposição. Estávamos muito seguros.

Patrícia Moraes Machado – Há dois anos, com a crise política instalada no governo, o sr. foi um dos poucos mais próximos do governador que veio a público e defendeu ele em to­dos os momentos. Nesses episódios o sr. disse que em véspera de e­leição, um ano antes da eleição, o go­vernador estaria com o maior ín­dice de aprovação e capacitado para disputar a reeleição, porque já havia todo esse cronograma que vocês traçaram. Agora, nos próximos quatro anos, qual a sua previsão?
Na área de infraestrutura temos mui­ta coisa em execução e que vai ser concluída; há muitas obras que se­rão iniciadas, principalmente em termos de pavimentação de novas ro­dovias. No Rodovida da Recons­trução nós ainda temos 1,5 mil quilômetros para fazer, considerando que já fizemos 5 mil. Parece pouco, mas é muita coisa. É mais do que vo­­cê ir e voltar a São Paulo.

Os Cre­deqs nós também temos que concluir. O grande foco deste quarto mandato de Marconi vai ser melhorar a qualidade dos serviços prestados à população. Temos o Vapt Vupt, mas é necessário evoluir para o Vapt Vupt digital, de forma que a população faça boa parte desses serviços na sua casa, no seu computador. Na área de saúde, com as OS [organizações sociais], evoluímos muito, mas ainda tem um caminho ainda para melhorar. Na prestação de serviços do Estado como um todo, ainda há um longo caminho para a gente percorrer. Mas o mais importante é que o governador está muito consciente, muito firme nessa posição.

Ontem (terça-feira, 28) eu fiz reuniões com todos os diretores e gerentes e bati exatamente nesta tecla. Em termos de rodovia nós vamos buscar a perfeição. Temos dificuldade enorme de sinalização de direção; quem chega a Goiás não sabe onde está indo. Queremos um belo projeto de sinalização em todas as rodovias do Estado. Vamos melhorar a sinalização de segurança. Começaremos a tratar melhor as faixas de domínio, que são as laterais das rodovias, um dos nossos grandes programas, e as pessoas só verão a importância dele depois de pronto. Vamos fazer cerca de 150 km de terceira faixa nas rodovias. É na terceira faixa que ocorrem o maior número de acidentes, onde se trava o trânsito. Com isso teremos uma das malhas rodoviária mais segura do Brasil, perdendo apenas para São Paulo. Vamos fazer programas de trevos, pois morre muita gente em cruzamento. Vamos construir cerca de 250 trevos, que além de questão de segurança fazem fluir o trânsito, trazem uma série de vantagens. E temos que construir pelo menos 250 pontes em rodovias não pavimentadas, pontes que foram caindo ao longo do tempo; pontes de madeiras vamos substituir por pontes de concreto. Na área de infraestrutura ainda tem coisas para fazer, mas aí é a busca da perfeição.

Cezar Santos – Um diferencial nas rodovias é o projeto de iluminação, que é inédito.
Ao final deste mandato Goiás vai ter a maior quilometragem de rodovias iluminadas do Brasil, que é outro diferencial. Quando iluminamos de Goiânia a Inhumas, os índices de acidentes quase zeraram. Tudo o que estamos fazendo é questão de segurança, e às vezes as pessoas não dão valor. Antes não tinha rodovia iluminada; hoje, quando cai a chave e causa queda de energia ou algum problema, no outro dia rádios, jornais e televisão falam que a iluminação não está funcionando. Convivemos a vida inteira sem isso e quando fica um dia vem cobrança.

A BR-153, que não era atribuição nossa, às vezes fica um trecho de um ou dois quilômetros sem iluminação, no outro dia recebo o clipping e vejo fulano dizendo que não está funcionando. Nós fizemos um contrato diferente, as empresas responsáveis pela construção são responsáveis pela manutenção durante cinco anos. Não temos dificuldades em manter isso.

Euler de França Belém – Quais rodovias receberão a terceira faixa?
Todas as estradas receberão terceira faixa. Eu tenho uma vivência muito grande com as terceiras faixas. Meus pais tinham uma fazendinha em Itaberaí e íamos aos finais de semana para lá. Havia uma subida e imprudentes causavam acidentes. Depois que fizeram a terceira faixa diminuíram os acidentes. Com as terceiras faixas vamos acabar com o estrangulamento e com os riscos de acidentes mais sérios.

Euler de França Belém – Até o final deste ano e no primeiro semestre de 2015, o que será inaugurado?
O Credeq de Aparecida, o Hugo 2, o Centro de Excelência de Esporte, o viaduto da GO-080, a duplicação até São Francisco, a duplicação de Morrinhos até Caldas Novas. É muita coisa. Isto no primeiro semestre.

Euler de França Belém – O Hugo 2 entra em funcionamento exatamente quando?
A OS que venceu a concorrência lá já está começando a recrutar pessoal e fazer treinamento. Por determinação do Ministério da Saúde, não se pode colocar hospital para funcionar sem 100% da capacidade. Há um cronograma, que vai colocando por partes, pela emergência, depois outras coisas. A expectativa do Sérgio Aidar, da OS, é que em seis meses o hospital esteja com 100% da capacidade instalada e funcionando.

Euler de França Belém – E o Credeq de Aparecida?
Começa ainda este ano.

Euler de França Belém — Quando converso com jornalistas de fora, a primeira coisa que eles perguntam é sobre o Credeq em Goiás, por ser referência. Todos os governadores estão de olho. Se o Credeq tiver sucesso será como o Crer…
(interrompendo) O Crer que nós fizemos com o dinheiro que roubaram da Caixego…

Euler de França Belém — … que virou modelo para o Ministério da Saúde, que o indica para os outros Estados e pode até financiar. Até os europeus estão de olho no Credeq.
Eu tenho zero de dúvida de que o Credeq será mais um dos programas do governador Marconi Perillo que vai para o Brasil inteiro, assim como foi o Renda Cidadã, o Bolsa Univer­sitária. Nós estivemos lá há uns 30 dias, e ele está pronto. Todo cidadão tinha de ir lá e ver o que é o Credeq, tem que ver, não adianta falar. Nós vamos começar a levar a sociedade organizada, imprensa, para ver esse programa. O apoio da população é muito importante para o programa. O Credeq é disparado o melhor programa deste terceiro mandato do governador. É fantástico e está indo de encontro com a grande demanda da sociedade.

Euler de França Belém – As Organizações Sociais estão preparadas?
É pré-requisito. Por exemplo, o de Aparecida quem ganhou foi uma organização da Igreja Católica, que tem uma expertise muito grande, com trabalho interessante na área de recuperação de dependentes. Mas eles não tinham a estrutura que nós estamos dando lá, totalmente diferente do que existe no Brasil.

Marcos Nunes Carreiro – OS ligada à Igreja Católica foi proposital ou apenas coincidência?
Foi coincidência, eles nos procuraram e já fazem este trabalho. Várias entidades, inclusive religiosas, manifestaram interesse; foi aberto um chamamento público e eles entraram e venceram. A gestão vai estar muito ligada a quem já faz algum tipo de trabalho nesse sentido. Agora, é lógico, dentro de um conceito mais evoluído em função da estrutura que o Estado vai dar. Porque hoje, na realidade, eles fazem o trabalho de ajudinha picada, de caridade. No programa do Credeq haverá dinheiro e financiamento público para que efetivamente tenha condições de fazer com que funcione. Não adianta fazer uma estrutura daquele tamanho se depois não tiver a gestão e o recurso necessário.

Frederico Victor – Escrevi uma reportagem sobre o COD, Comando Operacional de Divisas da Polícia Militar, e eles ressaltaram que parceria com a Agetop é muito importante no trabalho deles. Nos próximos anos a Agetop tem programado um trabalho de reestruturação das instalações físicas das Polícias Militar e Civil?
Total. Às vezes a sociedade não sabe, mas nós temos uma participação importante na área policial. O Batalhão Rodoviário, por exemplo, é mantido com recursos da Agetop e a gente participa, fazemos reuniões semanais, atendemos todas as demandas. Com o Batalhão de Di­visas foi a mesma coisa. Tudo relacionado a segurança em Goiás que depende da Agetop é minha prioridade absoluta, e não se discute. Nós vamos fazer e implantar. No próximo governo vamos dar estrutura à Polícia Rodoviária e ao Batalhão de Divisas. É nas rodovias que tudo transita, que tudo passa. E nós vamos aparelhá-los com o que for necessário.

Cezar Santos – A grande obra da próxima gestão vai ser o VLT [Veículo Leve sobre Trilhos]?
O VLT vai ser uma marca importante do governo na capital. Vamos consolidar o Eixo Anhanguera como o melhor sistema de transporte da capital, é uma evolução muito grande. As pessoas sonham com o metrô, mas não temos recurso. E a necessidade de metrô em Goiânia está muito distante, até pela característica da cidade, uma cidade plana. O Eixo Anhanguera está pronto para receber o VLT. Técnicos começaram a fazer um estudo e não existe no Brasil nenhuma capital que tenha uma avenida que corta a cidade inteira, no sentido de leste-oeste, como a Avenida Anhanguera. A implantação do VLT é um projeto natural. As obras começam no próximo ano, e agora entra a fase de desapropriação e em seguida começa a construção.

Cezar Santos — O governo estadual poderia ter feitos mais na capital se houvesse parceria com o prefeito Paulo Garcia?
O governo estadual tem muita ação, mas poderíamos ter feito um pouco mais se tivesse evoluído a parceira com o prefeito Paulo Garcia. Infelizmente essa parceria não evoluiu. Não por falta de tentativas do governador, mas não adianta ficar olhando para trás. Só temos que deixar claro que o governo do Estado está à disposição da Prefeitura de Goiânia para confirmar as parcerias que o prefeito quiser.

Marcos Nunes Carreiro — Na primeira entrevista do governador depois da vitória, ele falou exatamente des­sa questão, dizendo que enviou vá­rios emissários ao prefeito Paulo Gar­cia, mas nenhum trouxe resposta po­sitiva. Por que há essa resistência em relação a parcerias com o governo?
Houve, não sei se ainda há essa resistência. Talvez eu tenha sido o emissário que mais foi ao prefeito buscar essas parcerias que não evoluíram. São duas explicações. Pri­meiro, uma dificuldade enorme do prefeito em função da resistência do casal Iris Rezende e Iris de Araújo, principalmente dela. Eles, por exemplo, cobraram muito do Maguito Vilela [prefeito de Aparecida de Goiânia e que firmou várias parcerias com o governo estadual] quando ele começou a aproximação conosco. A outra dificuldade é a autossuficiência do prefeito Paulo Garcia. Ele achava que não precisava de ninguém, que daria conta de tudo sozinho. Com a divisão de recursos e tributação que vigora no País, nenhuma prefeitura sobrevive sem ajuda. É um ajudando o outro, é natural. E nós só não conseguimos fazer parcerias com o prefeito Paulo Garcia. Além disso, ele tem uma dificuldade muito grande em lidar com o contraditório.

Nós somos oposição ao prefeito de Goiânia, os nossos vereadores fazem oposição ao prefeito, mas não é uma oposição radical, nervosa, nós temos visões diferentes. Por exemplo, no caso do IPTU, nós somos terminantemente contra, mas o prefeito leva isso para o lado pessoal. Ele pensa que pelo fato de fazermos oposição, queremos inviabilizar o mandato dele, que queremos acabar com a vida dele, ele personifica isso. E eu nunca levei isso para o lado pessoal. Imagina as críticas que recebemos no início do governo sobre a malha rodoviária do Estado, se eu tivesse levado aquilo para o pessoal eu teria brigado com meio mundo, eu não misturo as coisas. Na época aquelas críticas eram pertinentes. E quando a gente faz críticas ao prefeito estamos fazendo coro a 80% da população, que reprova a gestão dele. Os deputados Mauro Rubem e Luis Cesar Bueno usam a tribuna da Assem­bleia para bater no governo, aí eles dizem que são oposição, é natural. Quando eles batem é papel da oposição, mas quando nós batemos nós estamos querendo acabar com a gestão dele? Não é por aí.

Patrícia Moraes Machado – Um ex-secretário de Finanças da Prefeitura de Goiânia nos disse que na época da reeleição de Paulo Garcia (2012), o prefeito disse que tinha de fazer acontecer, porque se fosse para o segundo turno, o sr. e o deputado Jovair Arantes [então adversário do petista na disputa] iriam inviabilizar a eleição dele. Por que essa fixação de Paulo Garcia com o sr., particularmente?
Não sei, talvez por eu ser mais contundente nas minhas críticas e o prefeito leva para o lado pessoal. Ele chegou a dizer que tinha um QG armado na Agetop para desestabilizar a administração dele. Com o tanto de demanda para cuidar do Estado eu vou ter tempo para ficar armando QG para desestabilizar a administração do prefeito? Quem desestabilizou a administração dele, foi ele mesmo. Ou fomos nós que deixamos o lixo na rua? Fomos nós que deixamos a cidade escura? Fomos nós que deixamos esse asfalto de péssima qualidade? Fomos nós que não demos conta de terminar as marginais, que todas paradas? O pessoal da Comurg mais que dobrou. Somos os responsáveis? Mesmo que tivéssemos a intenção, não precisava. Ele fez essa lambança todo sozinho. O governador reeleito reafirmou a disposição de montar parceria com o prefeito, a gente espera que ele tenha evoluído politicamente e tenha a grandeza de espírito, de reconhecer as dificuldades e as limitações. Ele está prejudicando a cidade. Ontem eu falei com o prefeito de Anápolis João Gomes (PT) e nós temos um grupo de ação lá. Eu disse, João veja as demandas que você tem, é logico que temos limitações, mas o governador teve uma votação expressiva em Anápolis. É importante que a gente continue dando apoio à cidade, independentemente do João ser do PT.

“Prefeito Paulo Garcia não entende as parcerias”

Cezar Santos — A impressão é que o prefeito teme ser diminuído politicamente se fizer parceria com Marconi.
Paulo Garcia não entende as parcerias, acha que se fizer isso estaria sendo cooptado ou mostrando subserviência ao governo ou ao governador. Nada disso. Temos parcerias com o governo federal e isso não nos diminui o governador, pelo contrário, ele agradeceu. Paulo Garcia vê fantasma em tudo quanto é lugar. O fantasma da vez sou eu. Tenho consciência que as ações feitas pelo PSDB em Goiânia foram em benefício da sociedade, foram casos pontualíssimos. O problema mais recente foi a questão do IPTU, não concordo que o prefeito, sem fazer o dever de casa, sem enxugar a estrutura, sem reduzir o número de secretarias, sem resolver o problema da Comurg, queira aumentar imposto para custear máquina inchada. O dinheiro é muito difícil de ganhar.

Marconi Perillo pode ficar sem mandato, ser presidente do PSDB e fazer um projeto nacional de oxigenação do partido. Ele tem um leque de opções” | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Patrícia Moraes Machado – O sr. sempre demonstrou uma paixão muito grande por Goiânia. Tem pretensões de disputar a prefeitura?
Hoje eu estou muito focado no meu trabalho. Na reunião com os diretores da Agetop me perguntaram até quando eu vou ficar na presidência. Eu respondi que até quando o governador quiser. A Agetop me fascina. O próximo ano será de muita entrega, de concluir muita coisa e de começar projetos novos, então estarei muito focado. Eu não vou precipitar assunto de Prefeitura de Goiânia. Se na frente surgir oportunidade e houver essa possibilidade, eu posso até conversar. Mas hoje não faz parte dos meus planos.

Cezar Santos — E sua posição como homem de partido, já que nos últimos anos o PSDB tem aberto mão de disputar em Goiânia. Isso pode se repetir em 2016?
Não vai abrir mais, o PSDB vai disputar, o governador já disse isso claramente. Talvez tenha sido um erro do PSDB. Goiânia está do jeito que está porque há 12 anos o mesmo grupo administra a capital. A última gestão que realmente deu orgulho aos goianienses foi a do Nion Albernaz. De lá pra cá foi uma sucessão de equívocos. Iris saiu bem avaliado, mas ele não é mais o prefeito de Goiânia. E ele cometeu equívocos gravíssimos, como o plano diretor que arrebentou com o trânsito da cidade, que arrebentou com a infraestrutura, de energia, de água, de tudo. Transformou Goiânia em um paliteiro. As avenidas, que eram largas, estão estreitas porque em uma quadra projetada para abrigar cem casas, foram construídos cem prédios. Ou seja, onde era para morar cem famílias, moram duas mil. Então, Iris cometeu equívocos enormes. Outro exemplo: não fizeram um sistema de captação de água correta e, por isso, quando chove, alaga tudo. Iris é “lambão” e Goiânia não aceita mais o seu estilo de administrar.

Cezar Santos – Então, o PSDB não irá abrir mão de ter candidato à prefeitura de Goiânia em 2016?
Com certeza, o PSDB terá candidato.

Marcos Nunes Carreiro – Em Anápolis o PSDB também deve ter candidato. E Aparecida de Goiânia?
Também. Teremos candidato nas três cidades.

Marcos Nunes Carreiro – Isso significa que está na hora de retomar as principais cidades do Estado, que estão nas mãos da oposição?
Acho que o governador, nesses três mandatos, deu oportunidade para que todos os partidos da base apresentassem candidatos para disputar as prefeituras. Isso fortaleceu a base. Se avaliarmos os partidos da base no Brasil, perceberemos que eles têm uma importância pontual nos Estados, mas em poucos veremos partidos da base do governo com a força que eles têm aqui. Isso mostra que o governador sempre governou com os partidos que o ajudaram e, em certos momentos, em detrimento do PSDB. Agora é hora de reestabelecer essa correlação de forças, até pela vitória maiúscula que o governador obteve nestas eleições. O PSDB precisa ser prestigiado e deve disputar as eleições municipais.

Patrícia Moraes Machado – Mas foi exatamente por esse tratamento dado aos partidos aliados que o governador conseguiu manter sua base unida.
A posição do PSDB não é excludente. Todos os partidos já tiveram opção de apresentar candidatos para a disputa da prefeitura, então chegou a vez do PSDB. É um revezamento. O governador não deixará de prestigiar esses partidos, mas a sigla do governador precisa ter candidato, visto que é uma determinação do próprio Marconi de que o partido precisa se arejar. Se não fizermos isso, viraremos um PMDB. E essa não é a vontade dele. As pessoas que cercam o governador têm a plena convicção de que ele é uma árvore frondosa, diferentemente do Iris, que é um cacto e não dá sombra.

Patrícia Moraes Machado – Em decorrência dessa vitória maiúscula, podemos dizer que o governador pode, agora, ser mais duro administrativamente?
Não sei se o termo é “duro”. Mas acho que, diferentemente das outras eleições, o governador não assumiu compromisso com ninguém. Então, já é uma enorme vantagem para alguém que irá iniciar um quarto mandato. Aquela fadiga de material que todos pregaram, no caso dele, ficou comprovado que ainda não existe. O governador chegou às eleições com 21% de rejeição e com um índice de aprovação de 55%. Ele está hoje entre os três governadores mais bem avaliados do Brasil. Vamos voltar um pouco no tempo. Em 2011, com aquela dificuldade de início de governo, tivemos um ano muito complicado. Em 2012, quando nos preparávamos para deslanchar na administração, veio aquela armação [CPMI da Delta no Congresso] em que todos viram o governador Marconi como morto. E, hoje, vemos essa posição. É um caso, inclusive, digno de análise profunda e que deve ser mostrado para o Brasil. Acredito que tudo isso dará ao governador mais autonomia e não tenho dúvidas de que ele irá prestigiar a todos, sem abrir mão da estrutura básica de governo, como as Secretarias da Fazenda, Saúde, Educação e Agetop, que sempre ficaram na cota pessoal do governador, pois são órgãos mais importantes.

Patrícia Moraes Machado – E o enxugamento da máquina? Será feito?
O governador não adiantou nada ainda, mas é preciso enxugar. Às vezes, quando se fala em corte, pensa-se em um corte linear, por exemplo, reduzir 10% de tudo. Isso não funciona. É preciso analisar caso a caso, ver o que dá para fundir ou alguma secretaria que é possível extinguir e montar superintendências ou diretorias dentro de órgãos existentes. Há muito que pode ser feito para gerar economia, pois se não houver esse enxugamento, teremos a riqueza de 6 milhões de goianos distribuída entre 160 mil pessoas. E, com isso, perde-se a capacidade de investimento. Então, não tem jeito.

Euler de França Belém – Mas como será feito esse enxugamento, visto que apenas os comissionados podem ser demitidos?
Quando se fala em enxugamento da máquina, não se trata apenas do salário dos servidores. É claro que o salário é a maior despesa, mas há uma série de coisas que se associam a essa estrutura. Carro, telefone, papel, energia, aluguel, etc. Ou seja, essas pequenas economias, quando vistas em uma escala maior, representam uma economia muito grande. É preciso pensar nisso de forma mais abrangente.

Euler de França Belém – Comenta-se que todos os comissionados serão demitidos. Se isso ocorrer, quantos serão contratados?
O governador há anunciou o corte de 3 mil comissionados, pela lei que já está em vigor, mas não sei o que ele pensa mais em termos de corte. Porém, acho que, além disso, ainda há um ponto. Não dá para fazer cortes de modo linear, porque há lugares em que o corte de um gerente fará falta; em outros, se cortar três, não fará falta alguma. Por isso, cada caso deve ser avaliado individualmente. Às vezes, há uma gerência que se sobrepõe à outra. É um engano achar que o fato de ter uma secretaria para cuidar de determinado assunto fará com que você tenha mais eficiência. Claro que não. Um exemplo: o Autódromo de Goiânia estava nas mãos da Agel [Agência Goiana de Esportes e Lazer]. Passou para a Agetop e melhorou a gestão. Não estou dizendo que a Agel é incompetente, mas é uma questão de foco. Não é ter uma secretaria que fará um assunto ter mais ou menos importância. Isso é política de governo. Vemos, por exemplo, o governo federal com essa quantidade de ministérios. A presidente fica meses sem falar com um ministro. Então, para que serve um ministério desses? Só para dar satisfação à sociedade. Acho que devemos reposicionar isso. Achar que ter uma secretaria para cuidar de um assunto, torna-o mais importante é pensamento retrógrado.

Marcos Nunes Carreiro – Junto com a reforma, começam também as articulações para escolher quem irá ocupar cada secretaria. O governador já começou a se movimentar em relação a isso?
Não.

Cezar Santos – A reforma será feita em novembro e dezembro, para que o novo mandato já comece com novo organograma?
A ideia é essa. Nós não somos mais um Estado periférico. Nosso eleitorado ainda é pequeno, 3%, mas em qualquer outro aspecto temos importância. Percebeu-se isso nos debates para a Presidência, em que Aécio Neves, invariavelmente, citava ações que começaram em Goiás.

Haverá situações em que Marconi será falado. É o governador que vai para o quarto mandato; é o governador que saiu do fundo do poço e chegou ao topo. Ou seja, naturalmente, teremos condições de chamar a atenção do Brasil para cá. Com um governo mais eficiente e que trabalha em um ritmo mais acelerado, obviamente, isso será feito de forma melhor. Este será o mandato para que possamos acabar de vender Goiás para o restante do Brasil. E conseguiremos. A prática política em Goiás já evoluiu muito. Ainda temos alguns casos pontuais que precisam ser melhorados. Na Assembleia Legislativa, por exemplo — não tenho de dar palpite em outro poder, ao contrário —, ainda falta um papel mais firme de comprometimento em transparência com sociedade, e parece que as coisas estão indo nesse sentido. Estar em cargo público significa ter que lidar com críticas e com o contraditório. Não podemos receber apenas quem queremos. Eu tive que lidar, por exemplo, com aquela montagem grosseira que fizeram no programa eleitoral do Iris, colocando outra pessoa como se fosse eu. Faz parte. Se eu não quisesse isso, eu voltaria para minha casa para cuidar da minha vida particular e empresarial.

Euler de França Belém – O sr. moveu um processo contra Iris Rezende, devido a essa montagem?
Sim. Eles sabiam que aquela voz não era minha. Tanto que [Sandro] Mabel me encontrou depois e disse “que mancada! Não deveríamos ter feito aquilo”, mas eu respondi: “Vocês sabiam que não era minha voz”. Por isso, estou entrando com um processo contra Iris pedindo indenização por danos morais.

Euler de França Belém – O sr. disse que o governador estava na Secretaria do Tesouro Nacional resolvendo questões sobre recursos para 2015 e 2016. Isso significa que a relação entre ele e a presidente Dilma Rousseff continua republicana?
O governador Marconi falou com ela ontem [dia 28 de outubro] pelo telefone. Ligou para cumprimentá-la. A relação dos dois é muito republicana, respeitosa. O governador é muito objetivo, não toma tempo de ninguém com conversa à toa. As conversas são práticas e sempre levam sugestões. Ele seria, para a presidente, uma bela interlocução com o PSDB, pois sai fortalecido desse processo eleitoral e é, no PSDB, o único com quatro mandatos conseguidos por eleição. [Geraldo] Alckmin teve quatro mandatos, mas herdou o primeiro de Mário Covas.

Além disso, o governador Marconi é firme quando precisa, mas é um conciliador. Por isso, acredito que a tendência é que a relação com a presidente Dilma melhore daqui em diante, até porque ela não terá a pressão que teve por parte do PMDB neste ano devido ao período eleitoral. E a presidente precisará dialogar, pois se ela não colocar em prática o que disse, de abrir diálogo com a oposição, ela não terá condições de governar. Imagine o seguinte: a turma do PMDB que perdeu as eleições – Henrique Alves, Jader Barbalho, Eduardo Cunha, Geddel [Vieira Lima], Eunício [Oliveira] – irá culpar o governo federal, a presidente Dilma e o Lula pela derrota. Então, acho que a presidente terá uma situação muito complicada, principalmente em relação ao PMDB, pois dependerá dele mais do que antes. E conhecemos as práticas dessa turma. Logo, ela terá que buscar alternativas.

Euler de França Belém – E a base do governador Marconi é muito grande no Congresso Nacional.
E que agrega não apenas os parlamentares de Goiás, como também os deputados de outros Estados que têm relação pessoal e que gosta dele. Assim, acredito que o governador Marconi terá uma participação importante no Congresso.

Euler de França Belém – E como está a capacidade de endividamento do Estado?
Quando a oposição começou a falar sobre endividamento, veio a notícia do Tesouro Nacional dizendo que Goiás era um dos Estados que mais reduziu sua dívida pública: 37%. Quando começaram a falar sobre a educação, veio o primeiro lugar no Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica]. Quando voltaram as atenções para a segurança pública, a polícia prendeu o serial killer. Ou seja, cada item que a oposição pegava, era seguido por uma solução. Lembro-me de uma vez que brinquei com a deputada Iris de Araújo. Ela estava fotografando estradas e falando algumas coisas. Eu disse a ela: “Eu quero que esse tema continue em pauta em 2014, durante a campanha”. Felizmente, não vimos nada disso durante a campanha, ao contrário, disseram que estávamos fazendo demais. Não falaram sobre as mais de 800 licitações que fizemos com mais de R$ 600 milhões de economia. Vieram um dia com uma história de aditivo. Quando pedi para fazer o levantamento, ficou claro que fizemos aditivos no valor de 4% do total. Nós temos R$ 6 bilhões de obras contratadas e R$ 240 milhões de aditivos. Quando se paralisa uma obra, faz-se um aditivo para retomar. A estratégia maldosa deles foi pegar os aditivos sem especificar qual era a finalidade deles e colocaram como se tudo fossem aditivos de preço. Não eram. Muitos aditivos eram de supressão, de redução de preço. Temos 4% de aditivos em um Estado que, historicamente, fazia-se 25%. Não tem um órgão no Brasil que tenha investido o que investimos com apenas 4% de aditivos, isso em função de projetos mal feitos no governo passado e que precisamos readequar. Falaram que os aditivos do Hugo 2 fizeram o hospital dobrar de preço. Não houve aditivo de preço no Hugo. Houve uma nova licitação para uma nova construção. O hospital está custando R$ 149 milhões em uma área de 71 mil m². Isso dá aproximadamente R$ 2 mil por metro quadrado em um alto padrão de obra. Quero ver quem faz uma obra com aquele padrão custando aproximadamente R$ 2 mil o metro quadrado. Nossas estradas são, em média, 25% mais baratas que as obras do Dnit [Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes]. Ou seja, investimos e, por isso, a oposição não teve nada para falar. O que falaram era que o dinheiro para as construções era verba federal. Não era. Se o Estado tem capacidade de tomar dinheiro, pode pegar de quem for. É um empréstimo. É o Estado que vai pagar. Ninguém questionou onde esse dinheiro estava sendo aplicado, pois foram apenas obras necessárias. Nin­guém questionou as licitações ou indicou qualquer indício de favorecimento ou superfaturamento em uma obra nossa. A única coisa que puderam falar foi que estávamos fazendo obras demais. E isso é inquestionável. O Iris disse que fez 7.800 km de estradas. A verdade é que ele fez 4.206 km de rodovias durante seus mandatos. O governador Marconi chegará, ao fim deste ano, perto de 6 mil km de estradas construídas, fora as reconstruídas. Ou seja, Marconi será o governador que mais fez hospitais, mais construiu e recuperou estradas, o que mais construiu presídios e o que mais construiu escolas.

Se olharmos a infraestrutura será um diferença tão grande dos mandatos de Marconi para os outros governadores que não terá mais o que discutir. Na eleição passada (2010), Iris Rezende dizia que andava em todo o Estado, mas não via sequer uma obra de Marconi. Não é verdade. Mas hoje está fácil, é só ele andar. Estamos conseguindo tirar aquele estigma de que obra pública jamais é concluída. Nós estamos concluindo todas. Também estamos descontruindo aquele discurso de que obra pública era cara e malfeita.

Euler de França Belém — As obras do governo são mais baratas, mas as do governo federal demoram demais a serem pagas e embutem o pagamento futuro. Em Goiás o governo paga em dia?
Para isso é só deixar as licitações serem competitivas. Como que funcionavam as licitações? Se você tivesse uma empresa e, suponhamos que você tivesse a iniciativa de participar de uma licitação para uma estrada, entre os pré-requisitos para participar havia a declaração de visitação à obra. Quem não fazia a visita técnica em menos de dez dias, não poderia participar da licitação. Com dez dias então, a Agetop saberia quem tinha feito a visita e que estava participando da licitação. Havia o vazamento dessa informação e se sabiam quais empresas participavam. Primeiro: havia uma reunião em que definiam o desconto. Segundo: caução, ou seja, a empresa tinha que bancar uma caução financeira e bancária garantindo que vai cumprir aquilo que propôs. Quando cheguei na Agetop tirei todos os artifícios para que ninguém soubesse quem vai participar da licitação. Toda a documentação chega na hora, e pode ser baixada pela internet sem que ninguém saiba disso. Quando isso começou, fiquei sabendo que estavam cercando empreiteiros na porta da Agetop. Mandei então instalar câmeras. O primeiro que eu pegasse fazendo aquilo eu chamaria a polícia e pediria para prender. Esse tipo de coisa acabou. As licitações foram para o mercado e passaram a ser disputadas e, por isso, nós tivemos 30%, 20% e 18% de desconto. Estamos fazendo obras pelo preço justo. O empresário deve sim ganhar dinheiro, pois se pegar a obra muito barata ele não dá conta de fazer e larga pela metade.

Euler de França Belém — A Prefeitura de Goiânia não faz assim?
A prefeitura não paga. Eles fizeram nova licitação para o Parque Macambira-Anicuns e aquilo é uma piada. Entraram três empresas, sendo que duas tiraram as propostas. É lógico que eles fizeram um acordo entre eles. Eles entram numa licitação desse porte, com garantia de financiamento internacional, e logo em seguida desistem? Desistiu por quê? Ali está claro que foi feito um acordo. Eu falo o seguinte, principalmente para obras rodoviárias: é preciso levar a mesma eficiência que a construção civil levou para as obras privadas. Onde se passa, especialmente à noite, é possível ver gente tra­balhando em nossas obras. O em­preiteiro sabe que vai ganhar mais di­nheiro quanto mais cedo entregar a obra. O custo fixo da empreiteira pa­ra manter maquinário paralisado é muito alto. No governo de Goiás tem volume de obras, se paga em dia, e no final os empreiteiros têm pai­­xão e orgulho de fazer as obras, mostrá-las depois e dizer que fizeram. Há sim esse lado pessoal também.

Cezar Santos – O corpo técnico da agência é de alto nível, o que ajuda.
É impressionante o quanto o corpo técnico da Agetop nos agradece. Eles nos dizem que não há interferência técnica e, realmente, não dou palpite. Uma vez, um técnico me disse que, com 40 mil reais era possível dar sobrevida à aproximadamente 2 mil quilômetros de estradas com o que chamamos de banho de micro. Eu disse a ele para fazer o levantamento o mais rápido possível, pois daqui um ano a estrada não comportaria mais tal solução proposta. Isso é agir preventivamente e dar mais espaço ao pessoal técnico, que conhece e sabe apresentar as melhores soluções. A Agetop não é refratária em nada. Para tudo que existe em eficiência estamos abertos. Quando um engenheiro pretende fazer um curso ou participar de um congresso, eu autorizo sua ida em 100%. Digo a ele que vá, busque novas tecnologias e novos conhecimentos.

“Falta compromisso da diretoria da Celg”

Euler de França Belém — Devemos olhar sempre o nosso entorno. Durante essa conversa, faltou energia cinco vezes. Na quinta-feira, quando sento para escrever o editorial, não consigo, pois falta energia. Tenho que trazer meu notebook, com bateria sobressalente, para poder escrever. O que está acontecendo? A Eletrobrás ainda não está conseguindo investir em Goiás?
Não investiu nada. A solução do problema foi muito mais demo­rada do que a gente imaginava. No final, o governador Mar­coni, com o intuito de salvar a Celg, fez todas as concessões possíveis. Lógico que havia um limite que ele não iria avançar. A Celg não é de ninguém. O que o cidadão quer é que, quando se aperta um botão do interruptor a luz se acenda; que quando você está trabalhando a energia não caia e não te deixe sem computador. Que benefício se tem, como goiano, a Celg ser sua ou não? Algum dia foram lhe dar dividendos de resultados da Celg? O que precisamos é ter energia de qualidade para o Estado continuar crescendo. Demo­rou demais para finalizar o acordo. É lógico que teve pressão política para retardar. Depois de assinado o acordo o governador foi dezenas de vezes a Brasília. O dia que essas coisas chegaram à presidente Dilma ela bateu o martelo e fechou o acordo. Agora, temos que recuperar o tempo perdido. O problema começou com a venda de Cachoeira Dourada? Sim, mas não se pode mais reaver a usina. Em linhas gerais a transição foi muito além do que a gente poderia imaginar.

E em minha opinião, acho que a turma da Eletrobrás que veio para cá não tinha o envolvimento necessário com o Estado e com a companhia pa­ra poder agilizar algumas coisas. Ou contrate um profissional do mer­cado ou traga alguém comprometido, por que não tem cabimento uma di­retoria morar no Rio de Janeiro e vir trabalhar em Goiás. Sem demérito nenhum à qualidade da atual diretoria da Celg. Mas pela importância da em­presa, acho que deveria ser de gente mais comprometida com o Estado.

Euler de França Belém — O governo não tem interesse em ter mais geradoras de energia?
Temos. A GT [Geração e Transmissão] ficou com o Esta­do. Nós já temos o inventário de mais algumas usinas que iremos fazer.

Euler de França Belém — O Estado vai fazer quantas usinas?
Essa informação eu não tenho, apesar de que o governador já anunciou isso. A Celg Geradora vai continuar nas mãos do Estado e vai continuar investindo.

Cezar Santos — Está se abrindo outro campo de crítica onde vem ocorrendo problemas, que é a Saneago.
A Saneago é um problema mais pontual. Tivemos agora uma estiagem mais prolongada e isso ocorreu no Brasil inteiro. O sistema Mauro Borges entra em funcionamento agora em março e está resolvida a questão do abastecimento de água em Goiânia até em 2045. É aquilo que nós dizíamos, é um governo realmente planejado. São Paulo, por exemplo, terá que correr atrás do prejuízo, mas Goiás não. Teve um problema em relação à Saneago que é a falta de energia.

Acabava energia nas subestações, não bombeava a água e a população ficava sem recursos hídricos. O estoque de água existia, mas não se conseguia fazer a distribuição. Isso está sendo resolvido, pois a Saneago está implantando geradores em todas as subestações. Aqui não temos problema de água, é um negócio pontual. Essas duas ações eliminam definitivamente a possibilidade de falta de água. Tudo indica que o próximo o ano será também de estiagem, e nós não vamos viver o que vivemos hoje.

Euler de França Belém — E os hospitais regionais, o governo vai inaugurar quantos em 2015?
Nós vamos inaugurar o de Uruaçu, que já está em fase de acabamento, como pintura, e de Santo Antônio do Descoberto.

Euler de França Belém — Há projeto para outros?
Sim. Há outros, como um hospital maior no Entorno.

Euler de França Belém — Quais rodovias estaduais vão ter pedágios?
Ainda não está definido. Forço­samente nós vamos para isso. Não tem cabimento o governo federal pedagiar todas as estradas federais que cortam Goiás e não pedagiarmos as nossas, haveria uma fuga natural que acabaria com as estradas estaduais. Sempre fui favorável ao pedágio, pois acho uma taxa justa, paga quem usa e tem um bom serviço em contrapartida.

Euler de França Belém — Por que a Agetop não comanda o VLT? Há algum impedimento?
Não há impedimento. Hoje, as atribuições da Agetop são grandes, até pelo volume de coisas que estamos fazendo. O VLT é uma obra muito grande, deveria mesmo se criar um grupo executivo e não ir para Agetop.

Frederico Vitor — E o Centro de Ex­celência, quando será inaugurado?
Na semana que vem estaremos terminando de implantar o gramado e estamos trabalhando para inaugurar neste ano. Lá tivemos alguns problemas. É uma estrutura muita antiga e tivemos que readequar muito o projeto ao longo de sua execução.

Patrícia Moraes Machado — O governador vai contar com três ou dois senadores?
Ronaldo Caiado tem dito que vai ser o senador de Goiás. Na realidade depende mais dele do que do governador. Ronaldo está numa situação delicada, pois tudo indica que vai ter uma fusão entre o DEM e o PSDB. Da parte do governador, ele conta com os três senadores. Ronaldo não é o senador do DEM ou do PMDB, é o senador por Goiás. Até por questão de coerência ele vai estar lá defendendo as questões de Goiás.

Euler de França Belém — No caso dessa fusão, o PSDB de Goiás aceitaria bem Ronaldo Caiado?
Nunca houve de nossa parte nenhuma resistência ao Caiado.

Patrícia Moraes Machado — Ronaldo Caiado ligou para o governador cumprimentando pela vitória?
Não que eu saiba. Está no gesto. Acho que ele é senador por Goiás e ele é de brigar pelo Estado. Acho que ele vai ser um senador por Goiás.

Euler de França Belém — Dizem que o sr. vai ser secretário de Estado nesta nova gestão. O sr. confirma?
Não. Estou muito feliz onde estou, mas lógico que isso vai depender do governador. Se ele perguntar se que quero continuar no governo, vou dizer que sim, e se ele perguntar onde, vou dizer que é na Agetop.

Patrícia Moraes Machado — E se ele perguntar se o sr. quer ser o prefeito de Goiânia?
Ele não vai perguntar isso agora, pois ele sabe do tamanho do projeto de coisas que temos ainda que fazer.

Euler de França Belém — Marconi foi eleito pela quarta vez governador, e a tendência do político que disputa e ganha quatro eleições é de se tornar um político mais nacional. Depois deste governo, qual é o futuro? Marconi pensa em disputar a Presidência?
Sim, até porque ele tem idade para isso. Ele pode sonhar com o que ele quiser e ele deve sonhar mesmo. Se ele não sonhasse e não fosse tão convicto dos sonhos dele, não teria sido governador em 1998, quando derrotou Iris Rezende. É um sonho e tem que ser um sonho nosso. Pela idade, pelo histórico, pela obra e por tudo que fez, o goiano tem toda a possibilidade de sonhar em ter um presidente da república. Não tenho dúvida nenhuma disso.

Com todo mundo que a gente conversa, gente de fora, de todas as áreas e da imprensa, é impressionante o quanto eles apostam no governador e no seu projeto nacional. Até mais do que a gente daqui de Goiás, e eles falam de uma forma muito concreta.

Euler de França Belém — Há quem diga que ele vai fazer igual ao Aécio Neves. Em 2018 vai ser candidato ao Senado para em 2022 ser candidato a presidente.
Não diria que ele seja novamente candidato a senador. Ele nunca ficou sem mandato. Mas ele pode se dar o luxo de quatro anos mais para frente ficar sem mandato, visitando o Brasil e sendo o presidente do PSDB nacional. Existem algumas alternativas para ele ficar sem mandato. Ele pode ser presidente do PSDB e fazer um projeto nacional de oxigenação do partido, ele tem um leque de alternativas para o futuro. E o mais importante: ele tem tempo. Não tem que atropelar, as coisas acontecem na vida dele na hora certa. O fato de termos saído literalmente do fundo do poço em 2012 para essa votação consagradora agora, mostra a força de trabalho do governador. Sempre disse a ele, nada resiste à força do trabalho, vamos chegar em 2014 em condições de disputar. Acho que só eu, ele e nossas famílias acreditavam nisso.

Não se via ninguém defendê-lo com essa convicção e eu falava, podem pegar entrevistas minhas daquela época, em que eu dizia que o governador chegaria em 2014 em condições de vencer. Felizmente estávamos certos, ele acreditava nisso, apesar de ter sofrido muito, mas acho que a experiência foi até boa pra que ele lidasse melhor ainda com dificuldades e contraditórios, com críticas e cobranças, já que foi governador muito jovem, para que entendesse melhor como funciona esse jogo de injustiça e puxação de tapete. Talvez tenha sido até um aprimoramento na personalidade política do governador. Ele ficou ainda mais condescendente, porque sentiu na pele um processo de desconstrução.

Euler de França Belém – Um filósofo ale­mão disse que o ressentimento é uma força poderosa na política, só que o ressentimento, como disse Vi­cente Matheus, é uma faca de dois le­gumes, pode ser positivo e pode ser negativo. No caso da Alemanha, pa­ra Hitler, foi positivo, o ressentimento dele de ter sido preso em 1923, quando tentou dar o golpe em Munique, aí escreveu “Minha Luta”, e foi potencializando o ressentimento da Alemanha que se sentia prejudicada com o acordo com as potências pela Primeira Guerra, ele capitalizou esse ressentimento e conseguiu chegar ao poder em 1933 sem golpe, porque foi indicado pelo presidente Hinden­burg para chefiar o governo. No caso de Goiás, o ressentimento foi po­liticamente negativo, com Iris extremamente ressentido e o governador mesmo sendo tremendamente atacado, numa tentativa de gol­pe, por que não conseguiram tirá-lo através de eleição, ele não demonstrou ressentimento nenhum. Nos debates, Marconi não partiu para o enfrentamento diferente de Aécio, que partiu para o enfrentamento com Dilma, Marconi não, continuou sereno. Por que isso?
Isso é dele. Depois, pelo amadurecimento. Estava claro pra nós, e foi indicado pelas pesquisas, que ninguém queria aquele nível de agressão, de baixarias, de falta de propostas. Se Iris tivesse gastado metade do tempo que ele usou para atacar, para agredir, para mentir, se tivesse usado esse tempo falando de Goiás, do futuro, ele teria uma votação um pouco melhor. As avaliações, dos debates, dos programas eleitorais dele eram impressionantes, eu em perguntava será que eles não têm isso? Não é possível que não estejam fazendo (as avaliações) para ver que a população não quer esse nível de discussão. Iris falando que o povo está morrendo à míngua! Lógico que não está. Que o Es­tado está dominado por uma quadrilha! Lógico que não tem nada disso. Não sei quem pôs isso na cabeça do Iris, que ficou batendo nessa tecla. No último debate, a primeira per­gunta que fizemos foi propositiva, fa­lamos de pesquisa. Ele já veio babando, brigando, xingando. Estava claro que não era isso que a população queria.

Quando eles diziam quero morar na propaganda do governo de Goiás, eu dizia mostrem alguma coisa da propaganda que não seja verdade. Em momento algum falamos que a segurança pública nossa era a melhor do Brasil ou estava maravilhosa. Mas o que estava bom nós mostramos que estava bom, mesmo. O governador deixava isso claro. E eu defendo isso há muito tempo, a segurança pública é questão epidêmica no Brasil. Ou os governadores se mobilizam junto ao governo federal para enfrentar, ou o crime vai vencer. Iris dizia que ia dobrar o efetivo da polícia, se isso fosse a solução, seria simples, é só colocar. Nesse conceito, porque dobrar e não triplicar ou quadruplicar? De onde saiu isso de dobrar?

Presidente da Agetop, Jayme Rincón, fala a editores e repórteres do Jornal Opção: “Sempre gostei de política e discordo de quem usa a política como trampolim para fazer negócios” | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Euler de França Belém – A caça ao serial killer mostrou que inteligência é fundamental.
Após a prisão, meu irmão me mandou três casos de serial killer que demoraram de 10 a 20 anos para se­rem desvendados. Aqui, a polícia ar­mou uma arapuca para o cara; anunciou que tinha prendido um suspeito, para o cara ficar mais tranquilo; soltou o suspeito e não noticiou. A polícia trabalhou com inteligência. E Iris quer desqualificar uma polícia dessa?

Cezar Santos – E a criminalidade hoje está diretamente relacionada às drogas.
Sim, e quem fiscaliza fronteiras, por onde entram as drogas, é a União. O governador falou que iria defender o endurecimento do policiamento de fronteira. Os países vizinhos dependem da gente, então o governo federal tem de exigir que eles coíbam a entrada de drogas, ou então não tem mais ajuda nossa, mais dinheiro do BNDES. O governo federal tem de tomar posição.

Temos dificuldade com os presídios. Em Santa Catarina, os presos comandam o crime de dentro da cadeia, mandam pôr fogo em ônibus, etc. Tem de federalizar os presídios tirando-os das regiões metropolitanas. Há, mas tem dó dos presos! Uai, vai ter dó de preso ou de seu filho? Vai ter dó da família do preso que matou, que roubou, fez o diabo, ou dó de sua própria família que corre risco de ser assaltada ou morta? Federalizar os presídios é uma forma de o governo federal participar. O Estado prende, a Justiça julga e a União guarda. Tira os presídios das regiões metropolitanas, depois põe ônibus para a família visitar os presos, sei lá. Não pode é deixar os presídios nas regiões metropolitanas com os caras lá dentro comandando o crime, não adianta colocar bloqueadores (de celular). Também tem que mudar a legislação. A polícia prende e três dias depois o cara tá solto, descobre onde o policial mo­ra, ameaça a família dele. Ban­di­do não fica preso. Questão de se­gu­rança pública é muito mais complexa.

Euler de França Belém – E a ramificação criminosa é nacional e internacional, não tem como só o Estado combater.
Felizmente os dois candidatos à Presidência assumiram o compromisso público de entrar na área de segurança pública. A presidente tem de chamar os governadores e fazer uma integração das polícias, para troca de informações, faça um cadastro único dos criminosos, comece a monitorar com inteligência onde eles estão. Estado (como ente federativo) nenhum dá conta sozinho. Ou se trata a segurança pública como questão de Estado, de governo federal, ou vamos continuar perdendo.

Euler de França Belém – No Canadá, a escola de segurança nacional é do governo federal, não é do governo estadual.
O mais grave, o governo brasileiro está contingenciando dinheiro da segurança pública para fazer superávit (nas contas), foram R$ 12 bilhões contingenciados da segurança pública. E veja que as obras federais estão numa lentidão. As nossas aqui estão todas adiantadas ou dentro do cronograma. O ideal seria a União passar dinheiro para os Estados fazer as obras; as obras menores, o Estado passa para as prefeituras, porque estão mais perto da população. Há quantos anos estão para construir a BR-060. O dinheiro que vem pra cá estamos aplicando tudo.

Patrícia Morais Machado – Onde estava adormecido esse seu lado político, porque o sr. vem realmente se destacando nos últimos seis anos. O sr. descobriu esse lado político?
Eu não tinha experiência política. Mas gostava de ler, de dar palpites sobre política.
Patrícia Morais Machado – Sempre me impressionou sua capacidade de informação e de transmitir isso. O sr. fala do governo tanto quanto o governador, defende e tem uma perspectiva de futuro. De onde vem isso?

Sempre gostei, na minha família tem políticos, tio, avô, em Pires do Rio militaram politicamente. Tive tio deputado. Sempre li muito, discuti política.

Euler de França Belém – O sr. não acha que essa energia vem do fato de ser um executivo, que faz, eficiente, muito ágil. O sr. se aproxima do governador Marconi, que também é um executivo, e aí o sr. pega essa inspiração e trabalha mais.
Um dia que o governador foi na Agetop, apresentei-o ao pessoal, ele sentiu esse ânimo das pessoas. Primeira coisa que fiz lá: gerente e diretor não têm que se anunciar para entrar na minha sala. Há a hierarquia, mas gerente tem toda liberdade de falar comigo um assunto que às vezes ele acha que o diretor não está fazendo da melhor forma. Aí conseguimos fazer uma administração meio colegiada, todos se sentem participantes. Estimulo todos a falarem. O trabalho é tranquilo, o governador me deu liberdade para escolher, na primeira diretoria, com seis meses eu tinha trocado três diretores que eram indicação política. Montei uma equipe redonda e fomos buscar eficiência.

Patrícia Morais Machado – Mas de onde o sr. acha que vem isso?
De gostar. Sempre gostei de discutir política. Só tenho dúvida sobre algumas práticas que acho que devem ser mudadas radicalmente. Discordo de quem tem a política com trampolim para fazer negócios, isso me incomoda, mas diminuiu muito. E na medida em que temos vitórias como essa do governador Marconi Perillo, mais firmes vamos ser com relação a isso, a fazer uma política mais transparente em benefício do cidadão.

Patrícia Morais Machado – No seu lado empresarial o sr. é do mesmo jeito? Eu já o vi redigindo textos, resolvendo aspectos políticos, dando entrevistas, falando de tudo. Ou seja, o sr. se envolve em todo o governo, assim como o governador.
Mas isso é só querer. Nos programas eleitorais, eu falava, não sou Agetop, eu sou governo. Temos de mostrar o governo como um todo. Sempre me coloquei na posição de governo, é simples, não sou só A­ge­top. Como membro da equipe, me sinto na obrigação de dar palpite onde eu possa agregar algo, não te­nho dificuldade com isso. É da mesma forma com o meu trabalho. Tu­do o que quiserem falar é bem-vindo. Voltando ao prefeito, se faço al­guma crítica ele emburra. Eu não tenho isso. Quando as estradas de Goiás estavam ruins, colocavam fo­tos nos jornais, amigos me diziam que aquilo era sacanagem. As fotos eram mentira? Não, então eu não tinha de brigar com os fatos.

Euler de França Belém – O sr. foca nos resultados.
É, e o governador cobra muito isso. A burocracia ainda dificulta muito, temos de lutar contra ela todos os minutos, porque ela é feita para não deixar as coisas acontecerem. É um negócio maluco, com sobreposição de fiscalização, de normas. E não é o excesso de burocracia que vai inibir corrupção e malfeitos. O que inibe é a certeza da punição. Vamos ter um desdobramento agora no caso Petrobrás, vamos ver se o País mudou ou não, se vai ficar só naquela história do mensalão. A certeza da impunidade faz as pessoas ter coragem para fazer abusos.

Euler de França Belém — O jornalista Ben Bradlee, editor do “Was­hington Post” quando do caso Wa­tergate Gate, que levou à renúncia do presidente Richard Nixon, em 1974, disse que a história americana foi empurrada pela imprensa livre e crítica. Quando a imprensa é controlada pelo Estado, tornando-se o sorriso do poder, não se apuram as denúncias. No Brasil, fala-se agora em regulação da mídia. Na verdade, a proposta da presidente Dilma Rousseff tem como objetivo o controle da imprensa. Como o sr. avalia a questão?
Por isso estão querendo fazer isso. O dia em que se controlar a imprensa no Brasil, acabou, pode preparar para virar a Venezuela.

Euler de França Belém – Thomas Jefferson [terceiro presidente dos Estados Unidos, 1801-1809] disse “prefiro uma imprensa excessiva a uma imprensa adormecida”. Eles estão querendo controlar a imprensa para evitar que isso venha à tona (corrupção na Petrobrás). Eles podem mexer na Constituição, e podem engessar o País.
Não sei se tem clima para isso, acho que agora vai ter uma mudança substancial no Congresso. E vamos ver se o PSDB também faz papel de oposição. Jamais vamos fazer oposição como o PT, de quanto pior me­lhor, mas não temos que alisar nem ter condescendência com ninguém.

Euler de França Belém — Na democracia, é vital o enfrentamento diário e constante. Por que senão, no momento das campanhas eleitorais, qualquer crítica mais acerba transparece como agressão. Na verdade, o consenso é mais rico quando advém do conflito.
O PSDB tem de fazer oposição, temos de bater firme.

Patrícia Morais Machado – Como foi o dia após a eleição e a vitória de Marconi Perillo. Como foi a segunda-feira?
Óbvio que esperávamos ganhar, mas na segunda-feira estávamos todos ainda meio de ressaca política. Só na terça-feira caiu a ficha. Já comecei a fazer reunião com todo mundo: gente, vamos embora trabalhar, temos mais quatro anos. A certeza de mais quatro anos, no meu caso e do pessoal da Agetop, só tivemos ontem (terça-feira). Aí é gratificante. É muito bom passar pelo que passamos, e chegar aonde chegamos.

Patrícia Morais Machado – Na segunda-feira o governador foi fazer o quê?
Na hora do almoço ele foi dar en­tre­­vista nos canais de TV todos e à tar­de foi para Brasília, já trabalhando.

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Adeneval Jose Francisco

O ELEITOR DA CAPITAL NÃO É BURRO COMO OS INTERIORANOS.

Lena Silva

Vou esperar ansiosa a hora de eleger Jayme Rincon a Prefeito de Goiania.