“O povo goiano vai decidir entre o projeto da vingança e o projeto da modernidade”

Governador Marconi Perillo responde críticas de adversários sobre sua gestão, acredita em sua vitória e na de seus aliados e diz que Iris Rezende quer o poder apenas para ir à forra das derrotas sofridas. Não teria projetos

Fernando Leite/Jornal Opção

Fernando Leite/Jornal Opção

Marconi Perillo não parece estar em campanha ao receber a equipe do Jornal Opção para uma entrevista. Em uma sala ampla do Palácio das Esmeraldas, ele se mostra à vontade tanto com os dados que fornece — sempre tendo todos os setores da administração na ponta da língua — como com a perspectiva eleitoral. Não parece preocupado em vencer o pleito já em 5 de outubro. “Minha cabeça sempre esteve voltada para a disputa em dois turnos. Se acontecer uma vitória em primeiro turno, melhor”, resume.

Ainda é quinta-feira, mas a semana já tem então um saldo muito positivo para Goiás — e consequentemente, para o governo: na educação, liderança no ranking do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), além da melhor posição já registrada da Universidade Estadual de Goiás (UEG) em levantamento da “Folha de S. Paulo”; na saúde, uma série de pesquisas aponta satisfação com os hospitais públicos; e na economia, o 1º lugar proporcional nas exportações por Estados e o PIB positivo de 2,1% ante o negativo de 0,9% nacional, no último trimestre.

A tranquilidade do governador tucano só dá lugar à indignação quando o assunto são os ataques da oposição na campanha eleitoral, principalmente vindo do PMDB. Mais notadamente, é na figura de Iris Rezende (PMDB) que Marconi centra o foco. “Criticam a saúde e falam agora, demagogicamente, em abrir hospitais regionais. Mas a única obra de Iris na saúde foi fechar o HGG [Hospital Geral de Goiânia]”, frisa. Mais do que isso, o governador diz que seu rival “mais previsível” só quer “o poder pelo poder”, para se vingar das derrotas. “O que motiva Iris é ódio e vingança. Acho que o único projeto dele é tentar me derrotar.”

Como sempre, as atividades de campanha tem diminuído suas horas de sono. Mas não por estresse. “Estou muito seguro das ações que estamos fazendo no governo e do que queremos para o futuro do Estado”, garante. O traje menos formal, de camisa, sem paletó, revela que ele está preparado para arregaçar as mangas. E é o que faz logo que acaba a entrevista, já com novo compromisso na sequência da agenda. Um repórter quer saber se está sobrando para leituras. O tucano brinca, a sério: “Estou lendo a diversidade das ruas”.

Euler de França Belém — Winston Churchill [primeiro-ministro britânico durante a Segunda Guerra Mundial, considerado um dos maiores estadistas da história] dizia que há muita coisa importante na vida, mas não há nada mais importante que a educação. E um dos fatores que consagram um estadista é justamente o sucesso que ele obtém nesta área. A educação pública em Goiás foi considerada a melhor do Brasil pela divulgação do último ranking do Ideb. Qual foi o segredo para esse sucesso, que será creditado à sua gestão?
Em primeiro lugar, o comprometimento — meu e de minha equipe — em ter a educação como prioridade. Mas é importante fazer uma observação. Nesta campanha, todos estão questionando a gestão e o planejamento do governo. E o que mais fica evidenciado, em momentos como este, é justamente a qualidade da gestão e os resultados que estão sendo obtidos em função do planejamento estratégico que adotamos lá atrás.

Nesta semana, por exemplo, nós tivemos cinco bons motivos para comemorar os resultados de um governo ancorado no planejamento estratégico. O primeiro: o ensino médio goiano ficou em 1º lugar no País, segundo o Ideb. E quanto a isso não há o que discutir, pois os critérios são altamente objetivos, isentos e coordenados por uma administração petista, que é oposição a nosso governo. Se, por um lado, 16 Estados caíram no índice, Goiás cresceu e foi para a ponta. No ensino fundamental, chegamos à nota 6, que é uma nota prevista co­mo meta para 2019, Em segundo lugar, a UEG [Universidade Es­ta­dual de Goiás] subiu 46 posições no ranking das universidades brasileiras publicado pela “Folha de S. Paulo”. Isso é uma demonstração inegável de que temos gestão.

Marcos Nunes Carreiro — A saúde também teve uma boa notícia em termos de avaliação nesta semana.
Sim, o terceiro motivo de comemoração é exatamente que acabamos de receber um pacote de pesquisas Serpes avaliando a qualidade da saúde nos hospitais estaduais, nos hospitais municipais, no Hospital das Clínicas da UFG [Universidade Federal de Goiás], que é federal, e nos Cais, que são administrados pelas prefeituras. O critério dessa pesquisa foi ouvir os pacientes, os acompanhantes, familiares dos pacientes e os profissionais da saúde que trabalham nas unidades — médicos, enfermeiros e técnico-administrativos. Os resultados não poderiam ser melhores: tivemos notas superiores a 9, em média. O Crer [Centro de Reabi­lita­ção e Readaptação Dr. Henrique San­tillo] obteve, de novo, a maior média, 9,7. O Hospital Regional da Região Sudoeste obteve nota superior a 9,6. O Hugo [Hospital de Urgências de Goiânia] e o HDT [Hospital de Doenças Tropicais] tiveram nota 9,2. O HGG [Hospital Geral de Goiânia], nota superior a 9,5. Esse resultado mostra o quão correta foi a nossa opção em quebrar paradigmas na saúde e entregar a gestão para as OSs [organizações sociais], além de pagar rigorosamente em dia o custeio da manutenção dos nossos hospitais. Isso significou uma mudança radical na qualidade dos serviços prestados ao público, sobretudo os mais pobres. Isso significa uma gestão mais humanizada do serviço de saúde.

O quarto motivo: saiu o ranking das exportações e Goiás liderou proporcionalmente as exportações no País. E não apenas pelo volume de exportações, mas também pelo superávit exportador. Neste ano teremos déficit de exportações no Brasil, ou seja, balança comercial negativa, enquanto em Goiás teremos um superávit comercial superior a US$ 2 bilhões. É importante con­siderar que em 1999, quando assumi meu primeiro governo, tí­nha­mos um volume exportador de US$ 317 milhões. Este ano ultrapassaremos US$ 8 bilhões em exportações.

Por último, o quinto motivo é que, enquanto no Brasil tivemos no segundo trimestre um PIB [Produto Interno Bruto] negativo de 0,9%, Goiás teve um PIB positivo de 2,1%. E isso tem sido uma constante, pois ano após ano Goiás tem sido 1º, 2º ou 3º lugar no ranking do crescimento de PIB. Mal comparando, nós, Goiás e a região Centro-Oeste, temos um crescimento semelhante ao dos tigres asiáticos [países capitalistas do Sudeste da Ásia, como Coréia do Sul, Malásia e Cingapura] na década de 90. E é bom registrar também que em 1999, no marco ze­ro de minhas administrações, Goiás tinha R$ 17 bilhões de PIB. Neste ano, chegaremos próximo a R$ 150 bilhões de PIB. Isso tudo significa resultados positivos de gestões que focaram nas melhorias gerais do Estado em todos os aspectos.

conexao.qxdMarcos Nunes Carreiro — E a educação em Goiás evolui tanto quanto a economia?Nas três últimas amostragens do Ideb nós conseguimos saltar de 16º para o 5º e, agora, do 5º para o 1º lugar no ranking do ensino médio. No ensino fundamental, chegamos à 2º posição. Isso tudo porque criamos o Pacto pela Educação, ancorado em 25 pilares, que passam pela unificação curricular, pelas mudanças didático-pedagógicas, pela instituição da figura do técnico-pedagógico, do tutor. Além disso, valorizamos os diretores; instituímos o pagamento do piso nacional mínimo em todos os anos; valorizamos os superintendentes e subsecretários; criamos o Programa Reconhecer, que trouxe os professores que estavam em desvio de função de volta para a sala de aula; criamos o Prêmio Aluno, que passou a dar aos melhores alunos uma poupança em dinheiro, além do reconhecimento público por serem os melhores — e não fizemos isso para uma região, mas, sim, para o Estado inteiro. No primeiro ano, os 5 mil melhores alunos ganharam R$ 1 mil, cada. No segundo ano, subimos o número de premiados para 10 mil melhores, que ganharam, cada um, R$ 1,1 mil. E agora vamos aumentar para R$ 1,2 mil o valor da premiação aos melhores alunos.

Fora isso, ainda criamos o Prêmio Escola para valorizar as escolas que se saíram melhor no Ideb e criamos o Índice de Desenvolvimento da Educação Goiana, o Idego, para fazer a avaliação anual, já que o Ideb faz uma avaliação bienal. Com o Idego, nós pudemos aferir os resultados ano a ano e, por isso, já sabíamos que estaríamos entre os três primeiros colocados. Criamos o Programa Nossa Escola, que pela primeira vez no País descentralizou dinheiro para reformas e ampliações direto para os diretores e conselhos gestores das escolas. Com isso, conseguimos, em dois anos e meio, realizar reformas e ampliações em 1.080 das 1.096 escolas goianas. Também criamos o projeto da Escola Padrão Século XXI, que é uma escola de primeiro mundo e que oferece as melhores condições para um bom aprendizado. E, por fim, criamos o Programa Escola Digital, pelo qual já entregamos notebooks e netbooks para professores e alunos. Agora estamos na fase de licitação para comprar computadores para mais 200 mil alunos. No próximo governo, se eu for reeleito, vamos universalizar este programa e também outro, o Programa de Quadras Cobertas, que visa estimular a prática esportiva. Neste ano, após reformar as escolas, já repassamos os recursos para a construção de 520 quadras cobertas. Sendo reeleito, vamos concluir e universalizar a construção de quadras em todas as escolas do Estado. O próximo passo é concluir todo o trabalho de melhoria de laboratórios e bibliotecas, além de climatizar todas as salas de aula das escolas estaduais.

Marcos Nunes Carreiro — Neste ano, o Brasil, pela primeira vez desde 2003, teve queda no índice de formandos do ensino superior, o que demonstra, segundo especialistas, que há equívocos na formação dos alunos que entram para as universidades. Isto é, há falhas no ensino básico. Em Goiás, devido aos bons resultados do Ideb, é possível dizer que o foco está na educação básica e não na superior?
O foco, sem dúvida alguma, é na educação básica. Tanto que as nossas notas médias dos ensinos médio e fundamental melhoraram demais, embora tenhamos ficado em 2º lugar no ensino fundamental. Melhoramos e temos de melhorar ainda mais. Porém, em minha opinião, isso evidencia o planejamento que há na educação básica. É claro que esses resultados todos não são crédito da ação exclusiva do governo. Isso é resultado do empenho de professores, alunos, pais e de todos os servidores da educação e de toda a comunidade escolar envolvida.
Eu quero ressaltar que nós temos atualmente os melhores alunos e os melhores professores da rede de educação básica do País. Queira ou não, somos os melhores. Porém, não deixamos de focar no ensino superior. Nós continuamos com o programa Bolsa Universitá­ria, que já che­gou a 153 mil alunos beneficiados e estamos priorizando o fortalecimento, a consolidação e a autonomia da UEG [Universida­de Estadual de Goiás], que também obteve um resultado extraordinário, ao subir 46 posições no ranking das universidades brasileiras. Se outros Estados estão caindo, é porque estão errando na estratégia, como você bem lembrou.

É inadmissível que em 16 Esta­dos nós tenhamos recuo no índice do ensino médio. Como forma de reconhecimento necessário, é bom lembrar que, entre todos os Estados brasileiros, os líderes do Ideb — tanto no ensino médio co­mo no fundamental — são os de go­vernos administrados por tucanos: Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Paraná estão entre os três melhores em cada uma dessas etapas do ensino.

Euler de França Belém — O que o sr. pensa que seria agora um passo a mais para o avanço da educação em Goiás?
Profissionalizar ainda mais a educação, focar ainda mais. Funda­mentalmente, buscar mecanismos que possam valorizar mais ainda a carreira dos professores e dos servidores da educação. Nós já temos uma iniciativa concreta em relação a isso. Já temos uma lei que já tramitou na Assembleia Legisla­tiva estabelecendo que, 80% dos recursos do pré-sal e dos royalties do petróleo sejam destinados à educação básica. E, destes, 60% deverão ser destinados à carreira dos professores. O foco — e eu vou fazer isso de forma absolutamente prioritária — será encontrar os meios para que os professores possam cada vez mais se sentir motivados. E, claro, nós vamos continuar com o Pacto Pela Educação, aprimorando o que precisar ser aprimorado e dando ênfase ao que já deu certo e ao que já nos deu condições de alcançar esses avanços.

Euler de França Belém — A oposição, em seus programas eleitorais, tem falado constantemente que o sr. impactou o salário dos professores com o fim da titularidade. Como o sr. responde essa crítica?
Na verdade, nós incorporamos a titularidade aos salários. Foi a medida que decidimos tomar à época em que começamos a pagar o piso. Se somarmos tudo o que pagamos com o piso, nós devemos ter chegado a 40% ou mais de aumento salarial. Nós pagamos, em todos os quatro anos, o piso salarial dos professores. Teve um ano em que nós pagamos mais de 16% de aumento. O cálculo que fizemos, por conta desse pagamento, por conta do piso, dava conta de que o orçamento não suportaria um aumento superior ao que foi dado.

Nós chegamos a ter 98% do orçamento da Educação comprometido exclusivamente com a folha de pagamento dos servidores da área. Se não tivéssemos feito algumas modificações, esse comprometimento iria a mais de 110% da receita. Então, não poderíamos bancar o pagamento dos salários. Se tem uma prática que nunca existiu nos meus três governos foi atraso de pagamento de salários ou não cumprimento das obrigações com os servidores públicos. Nós fizemos tudo isso com os pés no chão e com alta responsabilidade em relação a dar os aumentos com condições de bancá-los. Não há nenhum precedente em Goiás de aumentos concedidos por mim por meio de leis que não te­nham sido dados, bancados e honrados, em meus anos como governador.

“União precisa investir mais em segurança”

Euler de França Belém — No setor da saúde, os adversários têm criticado a não construção de hospitais regionais. O sr. tem em vista essa política de criar hospitais regionais? Como está a situação hoje?
A primeira crítica que os candidatos da oposição fazem hoje é de que não há fiscalização das OSs. Mas, antes, todos eram contra as OSs. Como as OSs deram certo e o nível de excelência de nossos hospitais aumentou consideravelmente, hoje os adversários voltam as baterias à fiscalização. Mas eu desafio a me mostrarem, no Brasil, algum Estado que tenha um nível de comprometimento, em termos de fiscalização de OSs, maior do que o de Goiás. Aqui, os contratos das OSs têm cerca de 6 mil itens para serem observados e fiscalizados. Todo contrato é fiscalizado pela Agência Goiana de Fiscalização (AGR), que é o órgão regulador da concessão; pela Controladoria-Geral do Estado; pelos organismos internos de fiscalização da saúde; pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE); pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), que é o controlador externo; e pelo Ministério Público.

Então, não há ninguém no Brasil que tenha um nível maior de comprometimento com a fiscalização para o bom funcionamento das OSs do que nós. Se tudo já não estivesse sendo observado, nós não teríamos um hospital já acreditado pela ONA [Organização Nacional de Acredi­tação], que é o HGG. No Brasil, isso está restrito apenas a seis hospitais públicos. E não teríamos dois com acreditação em andamento agora, para este ano ainda — o HDT e o Crer.

Euler de França Belém — Mas como o sr. responde essas críticas sobre hospitais fechados e outros problemas?
Quanto à essa questão, o que a gente pode perceber é que há muita hipocrisia, muita politicagem, muita mentira nesses programas eleitorais bancados pelos adversários. Há muito marketing. Iris Rezende (PMDB), por exemplo, deixou o HGG fechado oito anos. Ele fechou e ficou seus quatro anos no governo com o hospital fechado; o sucessor dele [Maguito Vilela, também do PMDB] assumiu e o manteve mais quatro anos fechados. O HGG só foi reaberto quando eu cheguei ao governo, em 1999. A lógica desse pessoal é fazer discurso e depois esquecer o discurso. Para eles, dinheiro investido em saúde significa gastos desnecessários.

Eu peço alguém para me apontar um hospital que seja que foi cons­truído por Iris durante os anos em que ele foi governador do Esta­do. A única obra dele na saúde foi fe­­char o HGG. Fala-se agora, demagogicamente, em abrir hospitais re­gionais. Mas quem fechou os hospitais regionais foi o PMDB. (enfático)

Elder Dias — Então, a quem se deve o que há de estrutura hoje em Goiás no setor da saúde?
Quem construiu a rede SUS de saúde em Goiás foram Henrique Santillo [governador do Estado entre 1987 e 1991] e Antônio Falei­ros [secretário de Saúde no governo Santillo], no final da década de 80, com a construção do Hugo e dos Cais em Goiânia, em Anápolis, em Aparecida de Goiânia e em outras cidades. Santillo também construiu dez hospitais regionais — em Po­ran­gatu, Jaraguá, Piracanjuba, Luzi­â­nia, São Luís dos Montes Belos, Rio Verde, Itaberaí, entre outros. O PMDB transferiu a gestão desses hospitais para os municípios. Ora, se se transfere a gestão de um hospital regional para os municípios, essa gestão passa a ser municipal. Quase todos viraram postos de saúde, porque seria impossível a uma prefeitura bancar o atendimento à saúde para os munícipes de outras cidades. Ou seja, eles acabaram com a regionalização, desfizeram o que Henri­que Santillo tinha feito.

O que nós estamos fazendo agora? Não estamos prometendo, estamos fazendo: primeiramente, criamos a Rede Hugo de Hospitais, com hospitais de urgências em Goiânia, Aparecida, Anápolis, Trindade, Santa Helena e, agora, construindo o Hugo 2 em Goiânia, quase pronto, e o Hospital de Urgências no Norte, em Uruaçu. Além disso, assumimos dois hospitais que eram municipais e que ficaram em construção pelo período de 10 a 15 anos. Um é em Santo Antônio do Descoberto, no Entor­no do Distrito Federal, que já foi repassado este ano ao governo do Estado e cujas obras estão em fase de conclusão. Este vai se transformar também em hospital de urgências, com o apoio do Ministério da Saúde. O outro que agora vamos assumir é o hospital de Águas Lindas, que vai se transformar em hospital de urgências. Assim que for repassado para o Estado, vamos proceder licitação e concluir a obra, equipando-a para funcionar com uma OS em parceria com o Ministério da Saúde.

Ainda vamos construir a décima unidade da Rede Hugo, que será na divisa de Valparaíso com Novo Gama, no Entorno Sul do DF. Dos dez, o primeiro foi construído por Santillo e outro, pelo governador anterior — mas que foi equipado e entrou em funcionamento em meu governo. Toda a responsabilidade foi nossa.

Marcos Nunes Carreiro — Há alguma nova empreitada nesse setor?
Agora começamos a construção dos primeiros ambulatórios médicos de especialidades (AMEs). Serão como hospitais regionais. Cada unidade dessas, cujo modelo copiamos do Estado de São Paulo, terá 20 especialidades. Serão 20 médicos especialistas e 20 especialidades diferentes. Isso vai acabar com essa história de ficar trazendo os pacientes para os grandes centros. Nós vamos resolver grande parte dos problemas e dos diagnósticos lá mesmo, na origem, em cada uma dessas 20 regionais de saúde do Estado. Mas isso não é uma coisa improvisada, apresentada agora na campanha para ganhar voto, isso já está sendo estudado há dois anos.

Elder Dias — A implantação dos AMEs é algo interessante e realmente necessário. Como o sr. pretende colocar 20 especialidades em cada uma dessas unidades diante da carência desses profissionais especialistas — um exemplo é a pediatria. Como o Estado contornaria essa dificuldade?
Vamos ter de regular com a questão dos salários. Teremos de trazer médicos de outras partes do Brasil e estimular as universidades daqui a dar formação específica para esses profissionais a essas especialidades solicitadas pelo Estado. Mas não é só para os AMEs que teremos dificuldades em determinadas especialidades no recrutamento para o Hugo 2. Em algumas áreas, tivemos menos candidatos do que vagas na seleção pública. Os AMES vão exigir profissionais de qualidade e serão 20 especialidades diferentes. O que recomendei foi que se comece a informar as instituições acadêmicas de medicina sobre quais serão essas especialidades para que os profissionais comecem a se preparar agora. Vamos necessitar de um número muito grande e, outra coisa, eles terão de ficar no interior. Precisare­mos de profissionais especialistas e que queiram se dedicar a uma atividade no interior do Estado. E, claro, os salários terão de ser melhores.

Elder Dias — É um projeto, então, para mais de um mandato?
Estamos começando ainda neste mandato e espero concluí-lo no próximo. Em São Paulo tudo funciona maravilhosamente bem.

Elder Dias — Em São Paulo, os AMEs estão implantados há quanto tempo?
Começou no governo de José Serra e (2007–2010) e seguiu com Geraldo Alckmin (2011–2014).

Elder Dias — As drogas são uma tragédia urbana. Como o setor de saúde se prepara para enfrentar esse drama?
Nós vamos ter a rede regional de Credeqs [centros de referência e excelência em dependência química], para enfrentar o problema das drogas lícitas e ilícitas. Provavel­men­te vamos incluir a área de psiquiatria nos Credeqs. São cinco unidades em construção, um praticamente pronto, em Aparecida de Goiânia, e os outros ficando prontos em breve. Pretendemos ampliá-los em outras regiões, para que o processo de regionalização da saúde se dê de forma consistente também em relação ao tratamento de dependentes.

Por outro lado, nós vamos propor parcerias e ampliar as que já temos com as Santas Casas, que têm recebido ajuda do governo mensalmente para custeio, manutenção e equipamentos. Hospitais municipais, como os de Jataí e Rio Verde, já recebem também uma colaboração mensal nossa, para o funcionamento de UTIs. Nós vamos estender parcerias para outros hospitais — inclusive para hospitais privados — que estejam relativamente desativados no interior. Queremos que eles sejam reativados para que possam complementar a rede estadual de saúde.

Ainda na área de saúde, vou criar um programa para colocar médicos nas cidades mais distantes que não tenham nenhum médico. Aprova­remos uma lei para que esses médicos — que serão brasileiros, e médicos bons, é preciso ressaltar — recebam uma boa remuneração.

Euler de França Belém — Qual a atuação do governo estadual em relação aos hospitais do câncer?
Nós fizemos um convênio com o Hospital Araújo Jorge, pelo qual repassamos mais de R$ 6 milhões para melhorias, ampliações e equipamentos. Fizemos o mesmo com o Hospital São Cottolengo, para o qual deveremos repassar, por convênio, mais de R$ 6 milhões. No Hospital de Queimaduras estamos fazendo mais de 1,5 mil cirurgias reparadoras em pacientes que estavam na fila por conta de queimaduras muito graves — cerca de 800 pacientes já foram ou estão sendo operados no convênio conosco. Nós também reabrimos o Hospital São Pedro de Alcântara, um hospital de caridade da cidade de Goiás, e mantemos abertas instituições como a Santa Casa de Anápolis, que, se não tivessem nossa ajuda, estariam passando por grandes dificuldades.

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Patrícia Moraes Machado — Se o sr. for reeleito, o que esperar dos próximos quatro anos? Com o que nos surpreenderemos positivamente, assim como ocorreu agora com o resultado do Ideb?
Primeiramente, não precisaremos de tempo algum para preparar a casa, organizar a administração. Tenho brincado de que eu precisarei apenas de duas horas para sair, ir à Assembleia tomar posse, fazer o juramento e pisar de novo no acelerador. O que a população pode es­perar é que nós teremos resultados ainda mais expressivos na educação, aprofundaremos as melhorias na saúde, ampliando parcerias, para que esses serviços também melhorem nos municípios. Na área da segurança, nós colheremos os frutos do que estamos plantando agora. Os investimentos estão sendo feitos, mas a maturação e a colheita nesse se­tor demoram um tempo maior. Es­tamos investindo, só nesse ano, cer­ca de R$ 1,6 bilhão em segurança.

O problema é que o governo federal não investe também, já que a Constituição estabelece que apenas os Estados tenham de investir no se­tor. Eu defendo que haja uma mu­dança nisso. Felizmente, os presidenciáveis estão todos se comprometendo nesta campanha a alterar a Constituição e vincular dinheiro fe­deral, constitucionalmente, à segurança pública. Eu defendo que haja um porcentual de 5% do orçamento da União para a segurança. Assim, com mais dinheiro, poderemos re­munerar ainda melhor os policiais, aumentar o efetivo e instalar mais câmeras. Tudo isso custa muito.

Patrícia Moraes Machado — Das propostas apresentadas na campanha de 2010, o que não foi realizado?
Foram poucas coisas. Por exemplo, tinha uma proposta de construir um mirante no Morro do Além [região do Setor Perim, em Goiânia]; por outro lado, não constava no plano que reconstruiríamos 5 mil quilômetros de rodovia. Em nenhum ponto do plano está escrito “reconstruir as rodovias goianas”. O mirante custaria de R$ 50 mil a R$ 100 mil. A re­construção das rodovias está custando R$ 2 bilhões. É claro que dei ênfase a reconstruir a malha rodoviária em detrimento de algo que estava no plano de governo.

O plano de governo fala também de intenções, de algo que pode ser debatido, mas não são imutáveis. Eles podem ser mudados, dependendo da necessidade. Em algumas áreas, nós deixamos de priorizar itens que estavam no plano por outros que não estavam. Na educação, por exemplo, a grande prioridade foi o Pacto Pela Educação e, em lugar de outras ações, nós escolhemos reformar todas as escolas e investir em alguns pontos em relação aos quais nós dependíamos para obter os resultados que obtivemos no Ideb.

O que esperar? Avanços mais significativos na segurança. Con­tratamos, nesse governo, quase 6 mil policiais — já contratados ou em fase de contratação. Nós reestruturamos as carreiras de todas as polícias. Estamos construindo uma grande central de inteligência, controle e comando interligando câmeras, chamadas no número 190 e todas as viaturas, para controlar com inteligência e preventivamente todas as ações em relação à segurança.

Elder Dias — Isso vai resolver o problema da segurança?
Eu defendo mudanças na lei penal. A lei é frouxa no Brasil. A polícia é boa, investiga, descobre, prende, mas a legislação é fraca, antiga, antiquada. Você prende hoje, mas a Justiça obriga a soltar por força da lei. Não há quem aguente, pois a polícia está constantemente prendendo, mas a lei não permite que o sujeito fique preso.

Por outro lado, o governo federal tem R$ 12 bilhões contingenciados no Fundo Penitenciário Nacional para formar superávit primário, mas não aplica dinheiro em presídios. Nós temos uma multidão de sentenciados que deveriam ir para a cadeia, mas não vão por falta de vagas. E as cadeias ficam apinhadas de gente. As Forças Armadas tem centenas de milhares de homens e as fronteiras estão desguarnecidas.

Em Goiás, eu criei, na polícia, o comando de divisas, com dez bases operacionais nas divisas do Estado. O total será de quinze, faltam cinco ainda. Em dois anos, nós tivemos uma quantidade recorde de apreensão de drogas. Foram 22 mil quilos de maconha, cocaína e crack apreendidos em nossas divisas por conta dessa iniciativa. Também nunca prendemos tantas armas como depois de tomar essa iniciativa.

Marcos Nunes Carreiro — E falta esse trabalho do Brasil em suas fronteiras?
Exatamente. Imagine se o Brasil fizesse isso na fronteira com a Bolívia, com a Colômbia, com o Paraguai ou com a Vene­zuela. É de lá que vêm as drogas. Eu, por exemplo, se fosse presidente, endureceria o jogo com esses países. O Brasil empresta dinheiro com juro zero, subsidiado para obras. É dinheiro nosso, do BNDES [Banco Nacional de Desenvolvi­mento Econômico e Social]. Eu diria então: “Se querem continuar recebendo apoio, se querem continuar mantendo relações com o Brasil, parem de exportar drogas para o Brasil, desestimulem a produção de drogas em seu território, parem de permitir a entrada de armas contrabandeadas para o Brasil”. Falo isso porque 80% dos crimes e dos homicídios, no Brasil, estão, de alguma maneira, relacionados às drogas ilícitas ou lícitas e ao contrabando de armas. Isso traz uma infelicidade enorme para as famílias brasileiras.

O problema só não é pior, porque há um trabalho preventivo realizado nas igrejas, nas escolas, pelo Proerd [Programa Educacio­nal de Resistência às Drogas e à Violência, iniciativa da Polícia Militar] e com a segurança do Estado. E há um forte trabalho repressivo, mas insuficiente. Uma pesquisa internacional, realizada recentemente, constatou que o Brasil foi, entre cem países, o 7º em ocorrências de homicídios no mundo. Falta uma estratégia nacional de combate à violência, de combate à impunidade, de combate aos homicídios. Não dá para ficar apenas os Estados cuidando disso tudo. As prefeituras, por sua vez e na maioria dos casos, sequer têm guardas. E é uma obrigação legal das prefeituras ter guardas para vigiar lugares públicos como hospitais e escolas. As ruas não são bem iluminadas e isso também é uma responsabilidade das prefeituras.

Então, eu não tenho dúvida de que, se estamos encontrando um jeito para os hospitais do governo — e estamos fazendo isso bem —, se estamos encontrando um caminho para a educação pública — no ensino básico, no ensino superior, no ensino profissionalizante, temos também um belo programa de qualificação para o jovem, que é o Bolsa Futuro — além dos colégios e institutos tecnológicos —, se somos capazes de resolver os problemas de infraestrutura com obras de qualidade, por que não teremos condições de resolver o problema da violência? A Colôm­bia, por exemplo, deu conta.

Marcos Nunes Carreiro — Uma das principais críticas da oposição à segurança pública é o número do efetivo. O sr. disse que já está contratando mais 6 mil e também propôs o Simve [Serviço de Inte­resse Militar Voluntário Estadual], um programa voluntário. É um programa veio para ficar? E qual foi a dificuldade para não aumentar o número de efetivos?
Essa é uma questão muito relativa, pois os policiais se aposentam muito cedo. Com 50 anos, um oficial pode requerer a aposentadoria, no geral. Se há um número muito grande de aposentadorias, há também a necessidade de realização de novos concursos e de novas contratações. Em tempos atrás existia um número menor de policiais do que o que existe hoje, e a polícia era altamente mal remunerada. Em um primeiro momento, fizemos a opção por pagar melhor os policiais e, depois, começamos a contratar mais policiais.

Neste governo, estamos fazendo o máximo. Chegaremos ao final do governo com quase 6 mil novas contratações. Realizaremos novos concursos — inclusive já temos concursos autorizados, em vias de organização — e continuaremos com o Simve, que é um programa pioneiro no Brasil, no qual o governo agrega policiais que foram fortemente treinados pelas Forças Armadas e passaram de cinco a sete anos nas Forças Armadas, mas que, depois de saírem de lá, ficaram sem ter o que fazer. Nós os estamos trazendo para o governo, treinando, agre­gando à polícia uma mão de obra altamente qualificada. E esses po­liciais do Simve participarão dos próximos concursos. Estudarão, terão experiências e, depois, terão condições de entrar pela porta do concurso na corporação onde já trabalham e onde já têm uma relação de profundo amor e respeito a todas as regras.

Quem hoje faz críticas faz isso por criticar, porque quer ganhar a eleição, mas não tem argumentos. No caso do PMDB, eles se esquecem que foram governo e as polícias nunca foram tão maltratadas como naqueles tempos, tanto do ponto de vista salarial como no de estrutura. Chegaram a dizer, naqueles governos do PMDB, que apoiar políticas para os policiais era salgar carne podre. Os policiais todos se lembram disso. Não é à toa que eu tenho a grande maioria de policiais me apoiando, pois eles confiam em meu trabalho. No tempo em que Iris Rezende administrava o Estado, os policiais, quando muito, iam de bicicleta para trabalhar, porque era um salário de fome. Eles rodavam de Fiat 147, que viviam caindo aos pedaços, viviam nas oficinas. O governo não tinha dinheiro para tirar os carros da polícia da oficina, logo os policiais viviam empurrando os carros nas ruas, por falta de gasolina, pedindo esmola para os prefeitos. Os revólveres eram calibre 22 ou 38, vindo do Exército.

Hoje todos têm pistola ponto 40, nunca compramos tantos coletes à prova de bala, tantas munições. Demos as condições para a polícia trabalhar. Neste mês, estamos trocando, pela terceira vez, todas as viaturas da Polícia Militar, dos Bom­bei­ros, da Polícia Civil e da Polícia Téc­nico-Científica. São 2,2 mil novas viaturas que estão indo para as ruas, por causa do nosso planejamento, da nossa gestão, focada no trabalho dos policiais e em defender a paz e a vida das pessoas. As pessoas que hoje falam e já tiveram a oportunidade de exercer o poder como governador, falam coisas que sabem que não vão cumprir. E ninguém da polícia acredita, pois sabem que é conversa mole, conversa de quem quer ganhar a eleição a qualquer custo. Nós temos e sempre tivemos uma estratégia para a segurança.

Quero adiantar mais uma coisa: os assassinos das mulheres, esses crimes que ocorreram neste ano, todos vão para a cadeia. Vamos elucidar todos os casos. Tenho absoluta confiança na qualidade técnica de nossos delegados, de nossa Polícia Civil, de nossa Polícia Técnico-Científica e de nossa Polícia Militar. Lamentavelmente — e possivelmente —, muitos vão voltar logo para as ruas, por conta da legislação fraca e que precisa ser mudada e endurecida.

“A crise da Celg foi gerada no passado”

Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Governador Marconi Perillo durante entrevista aos repórteres do Jornal Opção, no Palácio das Esmeraldas: “Estou muito seguro no que diz respeito ao governo que estou realizando” l Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Patrícia Moraes Machado — Ao fim da negociação da Celg, o que os goianos podem esperar? O que realmente aconteceu, a gente entregou a Celg ou a empresa ainda é goiana?
Há uma discussão hipócrita, mentirosa, por parte da oposição, especialmente do PMDB, em relação à questão da Celg. Estamos dando uma solução definitiva para a questão da Celg, resolvendo um problema que o PMDB criou. Os grandes responsáveis pela crise da Celg chamam-se PMDB e suas administrações. Eles venderam Corumbá 1 e Cachoeira Dourada [usinas hidrelétricas sob concessão de Goiás], as duas galinhas de ovos de ouro da Celg. As duas juntas, hoje, geram 1.050 megawatts-hora (MWh) de energia. A Endesa, empresa que comprou Cachoeira Dourada, já obteve mais de R$ 10 bilhões de juros e dividendos desde que comprou a Celg. Ao vender Cachoeira Dourada, ainda fizeram algo pior: no edital, para valorizar a venda da usina, colocaram uma cláusula que garantia que o Estado deveria comprar energia de Ca­choeira por um prazo muito longo por preço que era, no mínimo, o dobro do que o mercado venderia para a Celg. Isso fez com que a estatal fosse acumulando prejuízos, porque deixava de comprar energia mais barata no mercado por outra, mais cara, de modo obrigatório. Era um absurdo, que eu rompi ao entrar na Justiça, por volta de 2004. Depois, fizemos um acordo com a Endesa, mas para uma venda por um preço melhor para o Estado.

Outro dado: Cachoeira foi privatizada, mas nenhum centavo disso voltou para o caixa da Celg. Pelo contrário, todas as dívidas ficaram e a Celg teve de assumir o ônus. Portanto, o problema da Celg foi gerado pelo PMDB, quando venderam esses dois patrimônios do Estado. Não adianta querer jogar a culpa em outro. Nós administramos a Celg no sentido de resolver problemas do passado e demos conta disso em grande parte. No início de 2012 entregamos a gestão à Eletrobrás, porque o governo federal fez essa exigência para fechar o empréstimo.

Mais do que isso, a Eletro­brás e o Ministério de Minas e Energia estabeleceram uma condição: para prorrogar a concessão da Celg, que vai vencer no início do ano que vem, 51% das ações teriam de ser repassadas para a Eletrobrás. Ora, quem dá a concessão para uma companhia de energia é o governo federal, através do ministério. E eles foram claros: ou esse acordo com 51% para o governo federal e 49% para o governo estadual ou não haveria possibilidade de empréstimo nem a renovação da concessão. O que a Celg valeria sem a concessão?

A própria oposição dizia que a Celg não valeria 1 real. Nós brigamos e conseguimos que, mesmo com a concessão vencendo em alguns meses, ela pudesse valer R$ 117 milhões. A partir da assinatura pelo ministério da prorrogação da concessão por mais 30 anos, a Celg passa a valer R$ 15 bilhões ou R$ 16 bilhões. Nós teremos pelo menos metade disso. E também ficaremos com a Celg Geração e Transmissão (Celg GT) e a Celg Telecomu­nicações (Celg T), 100% nossas, do povo goiano. Em tempo: a Celg não está sendo privatizada. Estamos fazendo um acordo de acionistas com uma empresa estatal federal, que é a Eletrobrás, e que vai garantir investimentos a partir de agora, para que possamos trazer mais indústrias e ampliar com qualidade os serviços para o comércio e o consumidor residencial. Se o PMDB afundou a Celg, vendendo as usinas hidrelétricas, nós estamos salvando a companhia, com esse acordo com o governo federal.

Patrícia Moraes Machado — O que o sr. pensa quando ouve o candidato Iris Rezende falar em retomar a Celg?
Ele não sabe nem o que está falando. Se ele quisesse fazer alguma coisa, já poderia ter feito agora — afinal, o ministro de Minas e Energia [Edison Lobão] é de seu partido, o PMDB. Iris sempre apoiou Dilma Rousseff e o PT. Mas ele não vai fazer nada por dois motivos: primeiro, porque ele só quer saber de fazer o discurso; em segundo lugar, porque o governo federal também está agindo em relação à Celg com seriedade e responsabilidade, como nós.

Marcos Nunes Carreiro — Seria viável retomar as usinas hidrelétricas?
Não, porque seria quebra de contrato. As empresas participaram do negócio e pagaram, cumpriram com o acertado. É a mesma coisa desse contrato agora, com a Eletrobrás. Assina­do o acordo de acionistas não tem mais volta. O resto é demagogia, falácia, discurso de campanha. Eles sabem que não é possível e estão falando isso para ganhar voto. São bravateiros. Os gestos deste que é o principal candidato da oposição são de alguém que está extremamente estressado, descompensado. Tenho visto as entrevistas e parece que querem ganhar o governo de qualquer maneira.

Patrícia Moraes Machado — Seus principais adversários, Iris Rezende e Ronaldo Caiado (DEM), chegam a demonstrar ódio pelo sr. Eram rivais, desafetos até, e estão hoje na mesma chapa. Como o sr. vê isso?
Isso foi um acordo de conveniência entre eles, um precisou do outro e eu respeito isso. É uma decisão que cada um deles tomou. Temos uma boa chapa. Temos um excelente candidato a senador, que é Vilmar Rocha (PSD), que dobrou suas intenções de voto na última pesquisa Ibope e com o qual, tenho certeza, vamos chegar lá na frente vitoriosos. Temos um excelente candidato a presidente da República, que é Aécio Neves (PSDB), e também uma excelente coligação formada para nossos deputados federais e estaduais. Temos uma boa aliança para o futuro do Estado. Eu me sinto jovem ainda, com 51 anos, cheio de vigor, energia e boas intenções. Gosto do que eu faço, e faço bem.

Patrícia Moraes Machado — É uma política de ódio pessoal e não de um projeto por Goiás?
Tenho certeza de que o que motiva Iris é ódio e vingança, vendeta. Eu acho que o único projeto de Iris é me derrotar. Ele não está muito preocupado com o que fará daqui para frente, a não ser fazer a vingança. Caberá ao povo goiano decidir se o que interessa a Goiás é o projeto da vingança ou o projeto da modernidade e da prosperidade.

Patrícia Moraes Machado — Essa vingança seria em decorrência de qual motivo?
Das derrotas sofridas no passado.
Elder Dias — Em termos eleitorais, para o sr. foi melhor ou pior en­frentar Iris novamente?
Todos os adversários são difíceis e eu respeito cada um.

Elder Dias — Mas há estratégias diferentes para cada adversário.
Iris é mais previsível.

Patrícia Moraes Machado — Nesta campanha o sr. parece estar mais tranquilo. O nível de estresse está menor?
Estou muito seguro em relação ao governo que estou realizando e muito seguro com a campanha que está sendo feita, com os compromissos que estou fazendo e com as garantias que estou dando para o futuro de Goiás. Estou muito seguro também em relação ao modelo de desenvolvimento que estamos adotando para o Estado, quer na gestão pública quer nas parcerias privadas.

Euler de França Belém — É possível vencer no primeiro turno?
Minha cabeça sempre esteve voltada para a disputa em dois turnos. Se acontecer uma vitória em primeiro turno, melhor. Mas estou preparado e estou preparando meu grupo para o enfrentamento do segundo turno.

Marcos Nunes Carreiro — O candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, não está bem nas pesquisas, que apontam um segundo turno entre Marina e Dilma. Caso isso ocorra, quem o sr. pretende apoiar?
Os brasileiros acabaram de dar uma demonstração de que podem mudar seu humor em semanas. Temos mais de três semanas até o fim da campanha e continuo acreditando muito no potencial de Aécio e espero apoiá-lo no segundo turno.

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Alexandre Ribeiro

Fora Antenor Nogueira! A juventude TUCANA é vitima de seus abusos e sua arrogância. Governador, tem eleitor seu, pessoas que distribuiram santininho em TODAS as suas eleções, sendo tratado que nem LIXO por esse “senhor” que está à frente da AGRODEFESA. Pelo amor de Deus, solicito que interceda a nosso favor… Inclusive adoraria ver essa pessoa medindo forças com você, ele se acha GRANDE d+, porque medir forças com a gente é fácil, queria era ver ele medindo forças com quem eu elegi para ser meu representante! E o 45 ainda está na moda… Eu sempre participei de suas campanhas,… Leia mais