“O PMDB está minguando com Iris e Marconi vai ganhar a eleição de novo”

Uma das lideranças mais respeitadas do partido diz que o governador faz gestão de destaque e terá voto até de peemedebistas de longa militância

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

 Frederico Jayme Filho ocupou cargos importantes na administração pública goiana, como deputado estadual, secretário de Segurança Pública e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. Sempre militou no PMDB. Nessa entrevista ele volta ao passado para esclarecer fatos, analisa o presente e vaticina um futuro muito ruim para seu partido, se a legenda não sair da influência do ex-governador e ex-prefeito Iris Rezende, o candidato do partido ao governo estadual.

Frederico Jayme bate pesado em Iris, faz cobranças e afirma com todas as letras que o ex-prefeito traiu Júnior Friboi. O ex-secretário de Segurança Pública, que na semana passada aceitou convite do governador para ser um dos coordenadores da campanha à reeleição do, teoricamente, adversário, faz apologia dos feitos do tucano como governador, segundo ele, bem diferente do correligionário Iris Rezende.

Patrícia Moraes Machado – O sr. sempre foi afirmativo em suas posições, sem utilizar meias palavras ou meias verdades, e uma carreira como deputado, conselheiro e presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), secretário de Segurança Pública, portanto, realmente conhece a história política do nosso Estado. Como avaliaria o quadro político atual?
Temos um governador que desenvolve trabalho extraordinário tanto em sua ação administrativa, com a construção de grandes e importantes obras, quanto em sua ação política. E é bom ressaltar que não são obras faraônicas. São duplicação, reconstrução e restauração de rodovias, o Hugo 2, em Goiânia, reforma do autódromo, centro de convenções em Anápolis e tantas outras obras necessárias à nossa população. Na ação política o governo consegue manter sua base quase que intacta depois de várias gestões. Goiás está bem representado, com autonomia boa. Tem se destacado a nível nacional como uma das melhores economias. Portanto, está altamente positiva a ação governamental. Porém, temos as questões político-eleitorais. A oposição vem com cinco pré-candidatos, sendo os principais o ex-prefeito de Anápolis Antônio Gomide (PT), o ex-prefeito de Senador Canedo Vanderlan Car­do­so (PSB) e o ex-prefeito de Goiâ­nia Iris Rezende (PMDB). A oposição já demonstrou, desde o início do debate ou há mais de um ano, sua dificuldade de unidade. As vaidades pessoais, os interesses partidários e outras coisas acabaram falando mais alto, e a oposição vai muito desunida para a disputa. Vanderlan Cardoso até consegue manter bem unida a sua base, estrutura de apoio, companheiros e partidos aliados. O PT, embora sozinho, mantém também a unidade partidária em torno de uma candidatura. O PMDB não. O partido, mais uma vez, é sacrificado por ação de um homem só: Iris Rezende Ma­chado. Ao longo da história, dos anos de sua militância política, ele vem enfraquecendo, destruindo o PMDB, que só resiste por ser um partido muito forte, muito resistente. O eleitor peemedebista é forte em Goiás e vem sobrevivendo, apesar dessa ação nefasta de Iris Rezende.

Frederico Vitor – Como Iris vem prejudicando o PMDB?
Se voltarmos no tempo, verificaremos que ele não tem sido correto com o partido, desde quando prefeito de Goiânia, pela primeira vez. Aquela época, para agradar o governo militar, ele levou para prisão muitos dos seus secretários. Teve um comportamento de muita bajulação ao governo militar. A Praça do Avião ele fez para homenagear os militares. Ainda assim, os militares não se importaram com ele e o cassaram. Nesse período de cassação não houve notícia do Iris ser solidário com seus companheiros, com seu partido, embora outros cassados tivessem participado, talvez sem aparição pública, sem buscar os órgãos de comunicação, mas tinham uma participação solidária com os companheiros em reuniões internas, fechadas. Depois, em 1982, houve uma abertura parcial com possibilidade de candidaturas ao governo do Estado e ele já atropelou Henrique Santillo, que era senador e vinha enfrentando a ditadura militar de forma corajosa. Eu tive a honra de ser seu secretário de Educação na Prefeitura de Anápolis e fui por ele, também, lançado candidato a vereador lá. Portanto, era um trabalho duro, forte com as entidades estudantis em efervescência e Iris Rezende se escondia. Só em 1982 ele reapareceu no cenário e, então, já começou atropelando seus companheiros. Nós conhecemos a história: Mauro Borges foi marginalizado, sacrificado partidariamente; Nion Albernaz, repito Hen­rique Santillo, Irapuan Costa Junior, Lúcia Vânia, Juarez Bernardes. Até Maguito Vilela teve sua candidatura à reeleição em 1998 impedida por Iris, que tinha o controle do diretório estadual. Em seguida, ele não permite que Henrique Meireles leve adiante seu projeto de candidatura a governador, cria obstáculos e depois diz que não. Depois, Vanderlan Cardoso e por último, agora, ficou de forma muito escancarada, a sua “trairagem” com Júnior Friboi. E ele vai para campanha, agora, com o partido desunido. Ele disse que só iria ser candidato se o partido estivesse unido e se ele fosse ungido. Não está e não irá se unir. Nós temos muitos prefeitos e 12 ou 13 já declararam apoio a Marconi. Mas, muitos outros ficarão de braços cruzados. Por exemplo, o prefeito de Jataí [Hum­berto Machado]. E nós temos candidatos à Câmara Federal e Assembleia Legislativa que são obrigados a acompanhar partidariamente a candidatura majoritária, mas que não vão desenvolver nenhuma atividade, pois não acreditam no projeto do candidato a governador. Portanto, o partido está destruído, lamentavelmente. É um partido muito forte, mas está ma­chucado pelas ações de Iris Re­zende. Por isso, o balanço que faço é que o governador tem uma reeleição absolutamente tranquila, pelo seu valor, pelo trabalho que desenvolve e pela incompetência da oposição.

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Até Maguito Vilela teve sua candidatura à reeleição em 1998 impedida por iris rezende, que tinha o controle do diretório estadual” | Fernando Leite/Jornal Opção

Patrícia Moraes Machado – Não é fácil o PMDB assumir o papel de vítima, como se sempre o problema fosse o Iris? Se o partido é forte, com boa militância, com gente que busca a renovação, por que não enfrenta Iris? Assim, como Júnior Friboi parecia que iria fazer e, no final, declinou? Ninguém tem pulso para enfrentar Iris?
Iris, nessa sua última investida contra os interesses do partido, detinha maioria na executiva do partido. Ele construiu isso, usando a sua força como prefeito de Goiânia, elegendo alguns deputados e os colocando para tomar conta da sigla. A segunda questão é que o Júnior foi surpreendido, pois eu o avisei várias vezes para não mudar de partido, para não vir para o PMDB, porque seria atropelado. Iris tem o controle partidário, ele não iria deixar. Júnior me dizia Iris é meu amigo, da minha confiança, ele é um homem de palavra. Eu respondia você acha. Deu no que deu. Não me lembro bem a data em que teria uma reunião do diretório, não só da executiva, e Iris sentiu que não teria, dentro dos 72 votos, mais que 19 votos, aí ele desistiu da postulação. Fez uma carta com acusações contra o Júnior. Já estava errado. A democracia determina se eu não tenho maioria, eu não tenho que atacar o outro candidato. É o partido que está decidindo, o outro tem tanto valor quanto eu. Iris desistiu e começou a promover um desgaste da candidatura do Júnior, através das redes sociais e de ações dele mesmo, no escritório, dizendo a lideranças que o Júnior não teria capacidade de administrar o Estado, que não era preparado e era um homem para compra de apoio. O que não é verdade. Júnior nunca gastou nada com ninguém, nunca comprou ninguém. Foi um apoio natural pela renovação do partido. Júnior disse tudo bem, se ele quiser eu vou à convenção. O gru­po irista ameaçou, e a imprensa di­vulgou isso, ir para as ruas protestar contra a candidatura do Júnior, contra a decisão democrática do diretório do partido. Júnior achou por bem não fazer esse enfrentamento. Se já não seria fácil ao PMDB en­fren­tar Marconi Perillo, pior ainda ra­chado, dividido, com tanto desgaste e com a maior autoridade política do partido fazendo manifestação de rua contra o candidato, a mulher dele, deputada federal Iris Araújo, fazendo manifestação de rua contra a maioria esmagadora do diretório. Desanima, desamina mes­mo. São ações desleais. Enfren­tamento já teve, o Meirelles tentou fazer isso, con­versou com muitos dos diretórios.

Patrícia Moraes Machado – Quando saiu do TCE o sr. tentou articular uma candidatura ao governo e também não conseguiu. O que aconteceu na época?
Muitos não sabem o que aconteceu. Maguito tinha um grave problema de desgaste do partido em função da desatenção de Iris Rezende com Anápolis e meu nome representava a unidade das forças empresariais, dos representantes dos bairros, através das associações que eram ligadas a mim. Meu nome representava um contraponto a esse desgaste. Procurei Maguito muitas vezes para que eu deixasse o TCE.

Patrícia Moraes Machado – Já havia um movimento de renovação?
Havia, Maguito falava isso, todos falavam. Eu conversei com Iris sobre a minha saída do Tribu­nal. Ele me disse o seguinte — se­ria bom que ele estivesse aqui, para olhar nos olhos deles e que ele relembrasse dos fatos: “Você é a salvação! Você tem que deixar o TCE. Primeiro, você resolverá nosso problema de Anápolis. Já tenho dados sobre isso. Segundo, porque o PMDB de Goiás tem uma certa restrição ao Maguito, pois ele não recebia prefeito, e você é muito próximo do PMDB. Você vai completar a chapa. Você será muito bem-vindo”. Eu acreditei. No dia 27 de março de 2006, eu levei o meu pedido de aposentadoria. Naquele instante, liguei para Iris: “Prefeito, vou assinar agora” e ele: “Ótimo! Amanhã, às 7 horas, você vem tomar café co­mi­go”. No outro dia fui à prefeitura e fui muito bem recebido por ele, que disse “agora, você sai a cam­po. Você sabe fazer política, tem credibilidade com o PMDB de Goiás, você vai superar esse des­gaste que Maguito tem com o PMDB e tal, para dar ânimo à militância”.

Tomei café e, em seguida, fui a Catalão, onde havia uma disputa com Adib Elias. Fui conversar com o Adib, pois quem insistia muito na minha saída do TCE e me queira para vice era o Maguito. Então, fui dar uma satisfação ao Adib. Fui muito bem recebido e conversamos em sua residência. Ele me perguntou: “Frederico, por que o Iris Rezende é contra você?”. Eu respondi que ele não era contra, pelo contrário, que tinha conversado com ele no dia anterior e tomado, naquela manhã, café com ele. Adib me disse que não, que já tinha chegado a ele a notícia de uma coletiva em que Iris tinha dito que não podia admitir que uma pessoa deixasse o TCE abrindo vaga para um governador adversário do PMDB nomear o sucessor. Primeiro, o TCE não é de ordem política partidária. E como eu iria deixar o TCE e esperar ter um governador do PMDB para a vaga ser preenchida pelo partido? É uma coisa absurda! Eu falei deve ter algum equívoco. Eu fiquei sem acreditar. Voltei para Goiânia e montei um programa de viagens pelo interior. Tenho uma testemunha aqui (Juarez Maga­lhães, presente à entrevista) que andava com o Maguito. Ele nunca foi a uma cidade comigo. Nunca indicou um delegado sequer que me apoiasse, nada, zero. Era ele para um canto e eu para outro.
Dois dias depois, o Mauro Miranda se autolançou candidato a governador; ele deixou a Comurg, dizendo ser candidato de Iris Rezende. Iris ligou para muitos delegados, pois eu chegava ao interior e me diziam que o Iris havia ligado para pedir apoio ao Mauro Miranda. As pessoas diziam que tinha que renovar a chapa, que estavam comigo e que iriam trabalhar na vizinhança. Eu percorri todos os municípios de Goiás, reuni com o PMDB em todos os municípios. Corri o Estado de ponta a ponta. Convenção no domingo, na terça-feira anterior o Iris me chama na prefeitura, e lá estavam Maguito, Adhemar e Adib, e não me lembro quem mais, para dizer que tinha uma pesquisa que me dava 72% de aprovação entre os convencionais. Mas que sozinho eu não iria conseguir, que tinha a ação do Maguito, na próxima convenção ele faria um discurso pro-Mauro, o que não iria resolver. Então, ele Iris iria se afastar da campanha e cuidar da administração de Goiânia. Ficou claro que havia um veto. Não veto a minha pessoa. Ele queria derrotar o Maguito Vilela.

Em seguida, eu dei uma entrevista grande ao Jornal Opção, depois das eleições, em que o Maguito perdeu, e acusei Iris como grande responsável. Ele traiu o partido. Foi isso que aconteceu, em resumo. Fui à prefeitura e disse a ele: “Iris, sua história é de deslealdade, falta de companheirismo, de puxar tapetes, uma história ruim. E eu sempre procurava não ver a sua luta política por esse lado, e agora eu também sou vítima”. Como é que eu iria assumir a responsabilidade de ir para uma convenção partidária, se fosse ganharia. Eu disse ao Maguito, que foi ao meu gabinete e ao meu escritório, com o Juarez Magalhães e Daniel Vilela. Maguito me disse que se eu quisesse um enfrentamento, nós iríamos a um enfrentamento. Estava até emocionado. Eu disse Maguito, nós vamos ganhar a batalha, nós vamos ganhar a convenção. Mas, nas minhas costas ficará o peso de alguém que ficou 17 anos no Tribunal e que saiu para rachar o PMDB. Eu vou ser o causador da divisão, enquanto, na verdade, Iris quer te derrotar. Você pode se preparar, pois ele não tem nenhum motivo, nenhuma razão para estar contra a minha candidatura, que é boa. Porém, não posso assumir essa responsabilidade.

Eu disse que ele tinha que buscar um vice de Anápolis, e eu sairia do processo, para não assumir a responsabilidade de partir o partido. Iris conseguiu isso.


Marcos Nunes Carreiro – E por que o sr. e outros em situações complicadas no PMDB não deixam o partido?

Não deixo o partido porque ele não pode ter dono. Eu fui líder estudantil. Ajudei a fundar o MDB. Eu fui candidato e eleito vereador pelo MDB. Fui deputado três vezes pelo MDB e, na última vez, o mais bem votado em Goiás. Fui presidente da Assembleia, secretário de Segurança Pública, honrei o partido. Também, desligado partidariamente, fui presidente do Tribunal de Contas, eleito em quatro oportunidades e honrei a minha história no partido. Não posso, de forma alguma, me curvar à vontade e ao desejo de Iris Rezende e deixar o PMDB, não deixo. E, se tentarem uma expulsão, eu discuto com eles. Quem tem de deixar o partido é quem se enriqueceu escandalosamente em Goiás, tem patrimônio astronômico, um dos maiores do Brasil, exercendo advocacia e atividade política. Tem que ter um milagre aí. E por que Iris não explica isso? Tem que explicar. Eu tenho muita curiosidade sobre isso. Eu não posso fazer acusações diretas, pois não tenho provas. Mas tenho dúvidas da honestidade de quem adquire um patrimônio como esse.

Patrícia Moraes Machado – Maguito e Daniel Vilela e outros que estavam com Friboi e agora estão com Iris novamente? O partido voltou a se unir? Há uma unidade?
É uma unidade falsa. Estão ali por uma questão partidária. Principalmente quando se é candidato, não há alternativa. Eu nem diria falsa, é estratégica, por sobrevivência partidária e até por outros espaços. É artificial, o termo mais adequado. A diferença, hoje, da projeção de votos, entre Iris e Marconi, não digo nem entre os outros candidatos, é de 430 mil votos. É uma diferença difícil de reverter. Quer dizer, se o Iris é a maior liderança, se o PMDB é o partido mais forte no ponto de vista eleitoral, em Goiás, por que tem essa diferença? É porque muitos peemedebistas de coração, como eu, que têm uma tradição, não acreditam em Iris, no seu projeto. Sabemos que é um projeto megalomaníaco.

“Caiado já fez denúncias graves contra Iris”

 

Patrícia Moraes Machado – O deputado federal Ronaldo Caiado foi um dos maiores críticos aos governos de Iris Rezende. Agora, é candidato ao Senado na chapa peemedebista. O sr. acredita que Caiado pensa ser Iris inocente de suas acusações anteriores?
Ronaldo deve estar sofrendo muito. Gosto muito do Ronaldo, tivemos convivência em Anápolis, na adolescência, na juventude, sempre o respeitei por sua conduta ética, por seu combate sistemático a desvios e tudo o mais. Mas, eu digo que ele está sofrendo muito, pois ele se viu sem alternativa, sem lugar. Ele fez essa aliança com Iris, mas é claro que ele não acredita em Iris. Ronaldo foi um dos maiores denunciadores dos desvios do PMDB. Retifico, no governo de Iris Rezende Machado. Denunciou Caixego, Astro Gráfica, BEG, Banco do Desenvolvimento. Eu tenho a honra de dizer que quem levou a conhecimento público foi o Tribunal de Contas do Estado, sob a minha presidência. Eu determinei que fizesse um levantamento e o deputado Caiado foi muito enfático ao dar respaldo à fiscalização do Tribunal e denunciar, publicamente.

Cezar Santos – Inclusive a atuação do Iris como ministro, Caiado foi muito enfático ao falar da carne de Chernobyl [no período em que Iris era ministro da Agricultura no governo Sarney].
Isso, a carne contaminada. Foi muito enfático. Caiado é bom político e inteligente, imagino que ele precisou fazer essa coligação, foi uma necessidade até do ponto de vista legal. Ele deverá fazer campanha de candidato ao senado com propostas inerentes a atividade de senador, não muito apegado a Iris Rezende. Tenho convicção que ele não acredita em Iris.

Patrícia Moraes Machado – Caiado tem imagem de ético e Iris, ao buscar essa aliança, acredita em agregar essa imagem. Caiado consegue transferir isso para Iris Rezende?
De jeito nenhum. Caiado aparece com 33% de aprovação e Iris Rezende tem 26% e não sairá desse patamar. Iris vai cair.


Patrícia Moraes Machado – O slogan da campanha de Iris é Amor por Goiás, embasado na ética e na transparência. Dá para Iris sustentar esse discurso diante de sua história política?

Não. Faço um desafio a Iris, antes de falar em transparência e ética, eu tenho dúvidas de onde veio tanta fortuna. Eu gostaria que ele esclarecesse isso a mim e a Goiás. Na advocacia não foi, pois como advogado ele era medíocre. Herança não é, pois a que recebeu foi muito pequena, de Guapó. O resto foi como servidor público, ocupando cargos eletivos e por nomeação, que são assalariados. Não enseja ninguém a oportunidade de fortuna. Ele tem que explicar isso. Ele comprou um avião King Air. Eu vi uma declaração que foi um pouco mais de R$ 1 milhão e não foi. São R$ 6 milhões. O que ele vendeu para comprar esse avião? Vendeu gado, para quem? Tomou empréstimo, de onde? Ele vendeu algum património imóvel, qual foi? Tinha dinheiro em caixa? De qual banco? Ele pagou com cheque? São indagações que eu faço a ele. Eu gostaria muito que ele me explicasse e se for convincente, estarei aqui para dizer: “Ele tinha razão, eu estou absolutamente convencido de que tudo foi ético, correto, honesto”. Por en­quan­to, eu acho que não. Gostaria que explicasse a mim e a Goiás, an­tes de falar em ética e transparência.

Patrícia Moraes Machado – O sr. tem informação sobre as últimas ações de Iris como prefeito de Goiânia junto à empresa Qualix?
Eu tenho informação que, no último dia de administração, ele pagou uma fatura, me parece, se não me falha a memória, de R$ 12 milhões. Sessenta dias depois, ele teria comprado um King Air. Eu não posso fazer acusação, pois não tive acesso a documentos, falo aqui por ouvir dizer. Seria bom que ele explicasse isso. Eu tenho conhecimento, por exemplo, que Jayme Rincón, presidente da Agetop, fez vários ofícios solicitando cópias desses contratos, acionou o Ministério Público, mas a Procuradoria da prefeitura colocou isso na gaveta, por ordem do prefeito, e ninguém tem acesso. Seria necessário que Iris Rezende fizesse um esclarecimento público, e deixasse o prefeito Paulo Garcia liberar o contrato, afinal, ele está falando em transparência. E por que isso está escondido? Por que a Qualix não dá uma explicação do que fez com esse recurso? Não é obrigação, mas seria a título de esclarecimento, para não pairar nenhuma dúvida. Iris não conseguirá absorver a imagem ética de Caiado, que é coerente. A história política do deputado é de coerência. Como ele dirá que Iris é correto, ético, honesto? Acredito que o Caiado não tem como dizer isso. Sob pena de ferir a sua história.

Elder Dias – Sua discordância política com o Iris é antiga. O sr. chegou a ser secretário de Segurança Pública no governo dele. O que quebrou essa confiança?
Minha nomeação para a Secretaria de Segurança Pública, na época, aconteceu por que segurança em Goiás tinha virado um caos. Havia invasão de terras no norte de Tocantins, que na época era Goiás; tínhamos assaltos à mão armada; estupro; roubo de carros; a Praça Tamandaré era um antro de consumo de drogas e de violência, de sexo explícito, aos domingos. Era um caos. Além da Polícia Civil, que entrou em greve, o IML fechou, as famílias querendo os corpos, que estavam lá para serem submetidos aos exames de praxe, e não tinha como liberá-los já há uma semana. Numa viagem a São Paulo, Iris me convidou e me pediu encarecidamente que eu assumisse o cargo, pois já me conhecia e sabia que eu tinha determinação para resolver as questões. Relutei em aceitar. Todos meus amigos, companheiros políticos não queriam que eu aceitasse. Até porque estava um caos, realmente, e era sepultura de político. “Você tem uma imagem boa, está exercendo mandato de deputado, com toda aprovação popular. Como vai aceitar esse cargo?”, diziam, mas eu aceitei. E aí houve uma redução drástica do índice de criminalidade. Fui apoiado pela Polícia Civil, num gesto de confiança, acreditando no diálogo que tivemos em uma reunião grande, após a posse. Tive também apoio da Polícia Militar, com o comandante-coronel Álvaro Álvares Júnior, que acreditou no nosso trabalho. Começamos a combater a bandidagem. Endurece­mos mesmo, tanto a Militar quanto a Civil, eu dava apoio e assumia, publicamente, todas as ações da polícia. Conseguimos, praticamente, eliminar a corrupção da polícia. Foi um período bom e Iris reconheceu o trabalho. Muitas vezes, elogiava o secretário de Segurança Pública. E me falava, na intimidade: “Frederico, você salvou meu governo, porque essa questão levaria por água abaixo todas as outras áreas que estão dando certo”. Foi uma questão só de administração, mas com o passar do tempo ele não mais reconheceu. Pode ser que atualmente ele dê reconhecimento, mas porque queria atingir Maguito. Ele preferiu sacrificar uma confiança mutua, recíproca em um companheiro de muitos anos de luta, no objetivo de atingir, repito, o Maguito Vilela. E, por que derrotar o Maguito, um candidato do partido dele? É claro! Ele era prefeito de Goiânia, Maguito sendo eleito governador seria a maior autoridade política e administrativa do PMDB em Goiás. Iris ficaria em segundo plano. Derrotando o Maguito, como aconteceu, ele continuou a ser a maior figura do PMDB em Goiás, o chefe, o coronel. As atitudes dele são de coronel. Iris é o coronel do PMDB de Goiás, assessorado por sua esposa, a deputada federal Iris Araújo.

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O PMDB é um partido forte que está destruído, machucado pelas ações de Iris Rezende. por isso, o governador marconi perillo vai ser reeleito tranquilamente” | Fernando Leite/Jornal Opção


Cezar Santos – O sr. fez um recorte histórico importante para esclarecer os novos eleitores e desenha para o PMDB uma situação muito difícil, porque aposta na vitória de Marconi Perillo. E o futuro do PMDB?

Infelizmente, enquanto o PMDB ficar sob o jugo de Iris Rezende, a tendência é de se autodestruir, enfraquecer. Está minguando já. O PMDB que tinha Santillo, Mauro Borges e tantas figuras de valor.

Patrícia Moraes Machado – Mas o PMDB tem, hoje, com o Iris Rezende, 30% dos votos.
Mas eu disse, o PMDB é muito forte. É o partido mais forte de Goiás, em termo eleitoral.

Patrícia Moraes Machado – Mas os votos são do Iris Rezende ou do partido? Quando entra outro candidato ele não assume esses 30%.
Não assume porque ele sempre se coloca na disputa com os outros que surgem. É claro, quando se fala numa disputa, uma pesquisa espontânea ou estimulada, o nome de Iris é forte, dentro do PMDB, é o mais conhecido. Quantas eleições ele já disputou? E foi prefeito duas vezes. Foi ministro. A mulher dele, deputada federal Iris Araújo, leva o nome dele para os quatro cantos. Então, é natural. No momento em que ele sai do processo e coloca um nome novo na disputa, automaticamente os votos vão migrando. O Júnior, por exemplo, já teria hoje 20% ou mais dos votos.

Patrícia Moraes Machado – Ele saiu com 20%?
Ele estava chegando aos 20%. Quase 20%. Quem sabe até os 26% do Iris. A política se for feita com sinceridade, franqueza e respeito, dá voto.

Patrícia Moraes — E a questão da sonegação de impostos da empresa JBS com o ICMS? O sr. sabe quem articulou o vazamento das informações?
Esta questão não é bem do Júnior, é da JBS, que não o tem como sócio majoritário. O governador não teria como, porque há o sigilo fiscal que tem que ser respeitado pela Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz). Foi alguém como bom acesso a Sefaz que conseguiu essa documentação e levou o destino que levou. Mas não foi o governador. É uma coisa muito clara, não chega a ter uma prova concreta, mas há fortes indícios de que foi o grupo de Iris quem articulou isso.

Patrícia Moraes Machado — Marcelo Melo retirou candidatura a deputado federal e ele é uma figura importante na Região do Entorno do Distrito Federal. O PMDB perde com a saída dele?
Estava com Marcelo Melo no dia da decisão, em sua fazendo próxima de Luziânia. Ele disse que tinha eleição assegurada, sem duvida, mas faltava a segurança com a majoritária. Ele disse que conversou com Iris, mas que saiu profundamente decepcionado. Segundo ele, Iris, que já era ruim, piorou muito. Nesta condição ele preferiu não disputar eleições, mesmo sabendo do prejuízo que isso representará ao partido. O resultado está aí, a última pesquisa demonstra que Iris é quase inexistente no Entorno.

Patrícia Moraes Machado — Sem o Entorno do Distrito Federal e há muito tempo sem visitar o interior, a estrutura de Iris se resume à Região metropolitana de Goiânia?
Iris está muito bem em Goiânia, até o eleitor descobrir que ele é o grande responsável pelo caos que, na minha ótica, é uma herança maldita para o Paulo Garcia. O PT também é incompetente para administrar. Unindo essas duas questões foi Iris quem avalizou Paulo Garcia, todos se lembram disso. Marconi vai subir muito bem nas pesquisas em Goiânia.

Patrícia Moraes Machado — Como e por quem a Delta entrou em Goiás?
Não sei dizer quem trouxe. Mas tenho conhecimento que esta empresa executou os primeiros contratos com a Pre­feitura de Goiânia, na gestão de Iris Rezende.

Marcos Nunes Carreiro — O senhor está prevendo um resultando muito ruim para o PMDB nestas eleições. Dado os grandes descontentamentos de prefeitos do partido que não vão apoiar Iris, sinaliza que pós 2014 vai existir uma renovação na legenda?
Tenho esperança com o PMDB. Depois de 2014, Iris não tem mais como usar argumentos falsos para impor candidaturas.

Patrícia Moraes Machado — Ele pode ser candidato à Prefeitura de Goiânia em 2016…
Sim, mas ele perde. Ele não ganha mais em Goiânia. Na verdade a renovação do PMDB será automática. Temos em Goiás uma história difícil de ser destruída. Existe uma rixa entre o antigo PSD e Arena. O PSD está representado pelo PMDB e o outro partido pelo DEM, PSDB e PP. O eleitor do antigo PSD, mesmo que antigo e muito deles morreram, o ranço continua forte, principalmente no interior. O PMDB vai lutar por sua renovação, até mesmo pelos militantes de base.

Marcos Nunes Carreiro — Mas que são os novos nomes que fazem parte do PMDB?
Tem muitos novos, podem emergir grandes líderes que hoje são ofuscados por Iris.

Elder Dias — Não sendo eleito em 2014, Iris passa a ser o nome mais forte para a Prefeitura de Goiânia em 2016, já que a situação também não se renovou.
Iris não teria muito destaque para ser imbatível. E há um cidadão que não é político, mas que demonstrou ter grande capacidade administrativa. Ele é um homem madrugador, trabalhador, dinâmico, não é político partidário, mas tem aptidão pela política e capacidade, que é o Jayme Rincón. As vezes que sai com ele pelo interior, acompanhando-o na fiscalização de obras, observei a forma de ele conversar com os funcionários simples. Ele é o presidente da Agetop, uma agência importante, ele poderia chegar com certa imposição. Mas não, ele chega com simplicidade. É o estilo da pessoa. Na minha ótica, é um nome fortíssimo que o PSDB teria para ser prefeito de Goiânia, derrotaria facilmente Iris Rezende.

Patrícia Moraes Machado — Procede que pelo menos 25% do PMDB estaria apoiando Marconi Perillo?
Sim, 25% de forma declarada e transparente. Mas tem outro porcentual que não vai declarar por muitas razões. Conversei com muitos amigos e eles dizem: eu, minha mulher e meus filhos vamos votar em Marconi Perillo, mas não podemos manifestar isso, pois teríamos problemas com os eleitores do PMDB. Eu pergunto, mas porque vocês vão votar no Marconi? Todos respondem pelo que ele fez pelos municípios Goiás afora. Marconi recebeu um governo destroçado, todos sabem disso, mas ele foi ágil, lutador, acreditou, buscou recursos e persistiu. Outra razão é de que esses 25% dizem que não têm um candidato confiável, pois em nos governos de Iris foram feitas obras que estão deteriorando, asfaltos de péssima qualidade. O estilo de gestão de Iris é diferente do de Marconi, e a população tem notado isso.

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Júnior Friboi estava chegando aos 20% de intenções de voto. Talvez hoje ele tivesse os mesmos 26% de Iris Rezende. Mas Júnior foi traído por Iris e não pôde ser candidato” | Fernando Leite/Jornal Opção

Frederico Vitor — Durante o processo de pré-candidatura do empresário Júnior Friboi, falou-se muito de uma rusga entre o PMDB nacional e o diretório estadual do partido. Houve isso?
Obtive informações junto a integrantes do nacional do PMDB de que eles tinham pesquisas qualitativas que demonstravam que para vencer Marconi era necessário um nome de credibilidade forte, não precisava de um político partidário, fixado no partido há muito tempo. Caso contrário perderia as eleições, e com Iris Re­zen­de perderia de forma maior do que em 2010. O PMDB nacional então investiu no Júnior. O vice-presidente Michel Temer conversou com Iris. Essa manobra uniria duas questões: primeiro tiraria o palanque do governador de Per­nam­buco e candidato do PSB a Presidência da República, Eduar­do Campos. E também daria ao PMDB condições de enfrentar Mar­coni Perillo. Iris não foi relutante, como ele sempre faz, disse que seria uma boa alternativa e que da parte dele estaria tudo bem. Só que ele acreditava que Júnior seria rejeitado pelo PMDB em Goiás. Mas aconteceu o contrário, Jú­nior passou ser aceito pelas bases do partido. Daí Iris começou um trabalho de desmoralização de Júnior, dizendo que ele fa­lava o português errado e que não tinha cultura, como se Iris tivesse. Enquanto isso, Júnior crescia.

Patrícia Moraes Machado — Como poderia ser o quarto governo de Marconi?
Ele tem o desejo de inovar, está sempre buscando a modernidade. Quem conversa com Marconi sente isso tempo todo. Às vezes ele não fica tranquilo em bate-papo informal, ele sempre está buscando discutir as coisas, no que pode melhorar e progredir. Goiás precisa investir muito mais em infraestrutura. Ter boas rodovias, aeroportos e fortalecimento de nossa indústria. E temos que ter a preocupação com a segurança pública. O grande responsável pela ousadia da bandidagem é a política de segurança do governo federal, que não investe nesta área e torna a sociedade vítima. Bandido é bandido, não há essa história de ser excluído. Não podemos passar a mão na cabeça de alguém que mata por causa de um telefone celular.

Patrícia Moraes Machado — Qual seria a solução?
A solução é investimento em inteligência. A maior causa é a droga, por isso temos de fechar as fronteiras, mas o governo federal não fecha. A ideologia hoje do nosso governo é a mesma da maioria dos governos da América Latina, onde se produz droga. Fechar as barreiras é possível, mas não há nem a tentativa de impedir, porque vai contrariar interesses de alguém que tem a mesma ideologia.

Elder Dias — O sr. foi deputado por três legislaturas. Uma das causas da insegurança são as leis frouxas. Não falta ação do Legislativo?
Vamos por partes. A questão das fronteiras não vai resolver tudo em um passe de mágica, mas pelo menos reduz o problema. E não podemos continuar a ter presídios superlotados com presos ociosos. É preciso colocá-los para trabalhar, na confecção ou quebrando pedra, se for o caso. Ter uma escola nos presídios, para verdadeira recuperação, também é necessário para o convívio social depois. É preciso parar também com essa história de achar que a sociedade é culpada e que o bandido tem suas razões. Tem de endurecer com a bandidagem, e isso acontecerá no dia em que o secretário de Segurança Pública disser “eu não quero mais bandido em Goiás, vou jogar pesado e vou dar força para a polícia”. Polícia tem de ser respeitada. Bandido tem de ter medo da polícia. Hoje, não tem, matam policiais e não tem manifestação pela polícia. Mas, se a polícia dá um tiro em um bandido é um deus nos acuda. Por enquanto, estamos vivendo uma guerra civil não declarada. Quem hoje para com tranquilidade em um sinaleiro? É o bem contra o mal e o mal está vencendo.

Cezar Santos — Um símbolo do descaso do governo federal com o setor é o fato de existir um Ministério da Pesca, entre vários outros, e não um Ministério da Segurança Pública.
Muito bem lembrado. Outro absurdo é que houve um plebiscito sobre o desarmamento e a população votou contra, em sua maioria absoluta, esmagadora. Por que não querem se desarmar? A população quer violência? Não, a população quer se resguardar até que o Estado possa dar a ela a segurança necessária. Mesmo assim, continuam desarmando o cidadão. Já o bandido, acostumado na clandestinidade, continua com suas armas e pode abordar tranquilamente quem é de bem por saber que as pessoas estão desarmadas. Se você é uma pessoa de bem e tem uma arma em sua residência para proteger sua família, pode ser preso se a polícia entrar lá e encontrar alguma espingarda ou revólver. Um governador foi preso porque estava com o registro vencido de sua arma. Chego a pensar que esse tipo de política tem outros propósitos.

“Caso Cachoeira foi ódio de Lula a Marconi”

Patrícia Moraes Machado – Como foi o retorno do dinheiro do caso Caixego para a conta do banco?
A história do caso Caixego todos conhecemos, até mesmo quais são as pessoas envolvidas. Foi devolvido o valor de R$ 5 milhões, na época, às escondidos, “na moita”, como se diz no interior. Apareceu esse dinheiro na conta da Caixego, no momento em que o processo criminal estava identificando todas as pessoas e chegando em seu alvo maior. O dinheiro veio “às carreiras” para impedir o avanço do processo criminal e a devolução do bem. Foi estratégico. Eu imagino que deva ter sido um sofrimento para os larápios, que tiveram de juntar esses R$ 5 milhões que surrupiaram, mas tiveram de fazer.
Os jornais publicaram recentemente uma decisão da Justiça, que deixou de atingir algumas pessoas pelo fato de elas terem hoje idade em que não podem ser condenadas. Essas pessoas foram isentadas não por serem inocentes, mas por já serem de idade avançada. Outras foram condenadas, como um advogado.

Patrícia Moraes Machado – O governador Marconi Perillo foi tripudiado no caso Carlos Cachoeira, mas na CPMI da Operação Monte Carlo ele se defendeu. A oposição deve usar esse tema durante a campanha eleitoral. Carlos Ca­choeira prejudicaria uma reeleição de Marconi? Cachoeira não foi ligado a outros políticos, inclusive do PMDB?
Carlos Cachoeira é um empresário de Goiás que morava em Anápolis, com empresa naquela cidade, e tinha a atividade dos jogos de forma paralela. Nos governos do PMDB ocorria o mesmo, porque a Gerplan, sua empresa, fez com convênios com a LEG [Loteria do Estado de Goiás]. Depois, ele teve uma aproximação com o ex-senador Demóstenes Torres e isso acabou atingindo-o politicamente. Demóstenes foi eleito juntamente com Marconi, a quem apoiou. Assim, como senador, teve várias conversas com o governador, inclusive solicitação uma ou outra nomeação, o que é natural e do processo político. A acusação é de que uma ou outra das pessoas indicadas por Demóstenes tinha ligações com Cachoeira. Não sei se isso procede. Mas é preciso que se registre com todas as letras que o governador foi uma grande vítima da irresponsabilidade do ex-presidente Lula, que queria se vingar de Marconi.
Na verdade, Lula tinha dois objetivos: primeiro, quem derrubou José Dirceu, o homem mais forte, então, do governo federal? Foi Carlos Cachoeira, que flagrou o escândalo da propina nos Correios, que envolveu um assessor de Dirceu [Waldomiro Diniz]. O homem-forte de Lula não teve como se sair da acusação e deixou o governo. Então, criou-se o ódio do PT sobre Cachoeira.

O segundo episódio veio com a boa fé de Marconi Perillo, ao denunciar a Lula o esquema do mensalão. O governador teve um excesso de boa fé, já que, se havia esse esquema, é claro que Lula seria o chefe, o comandante. Então, nasceu o ódio em Lula quando, em uma entrevista ao estourar o caso, Marconi disse que havia avisado o presidente com antecedência. Isso detonou aquele discurso de Lula de dizer que não sabia de nada.
Assim, o PT não ficou satisfeito em partir para cima de Demóstenes. Queria também envolver de qualquer forma o nome de Marconi Perillo, que não tinha ligação direta, de nenhuma natureza, com Cachoeira. Mas precisavam destruir a figura de Marconi. Pois bem, o governador foi submetido a uma CPMI e teve de passar por uma sabatina. Quem ouviu sua defesa, como eu o ouvi, percebeu que ele deu um show. Senadores que o acusaram de início, depois, ao ouvi-lo, se reposicionaram e externaram seu contentamento com a defesa de Marconi. Essa história de Cachoeira atingiu o governador naquele momento, mas já é algo desgastado, sem qualquer novidade. Qualquer acusação que um oposicionista fizer será vista como leviana, principalmente se partir de Iris Rezende.

Patrícia Moraes Machado – Segundo Iris, o PMDB negociou com o PT uma “operação abafa” para acabar com a CPMI, resultando na escolha dos presidentes da Câmara e do Senado. O que sr. pensa sobre isso?
Até posso imaginar que tenha negociado, porque a mulher dele [deputada Iris Araújo, integrante da CPMI] ficou calada o tempo todo, não fez uma pergunta sequer a Marconi. Será que ela foi conivente? E, se foi, com todo o ódio que ela e o marido têm do governador, será que estavam com medo de alguma coisa? Para ter uma negociação, tem de haver um interesse comum. Pode ser que o silêncio de Iris Araújo tenha sido por receio, porque ficou muito evidente que a Prefeitura de Goiânia tinha negócios fortíssimos com a construtora Delta. Mas não acredito em acordo entre PMDB e PT, porque Lula ficou o tempo todo monitorando por telefone, voto por voto. A questão é que não havia qualquer suporte para condenar Marconi Perillo. Correriam o risco de fazer algo só politicamente e isso cair imediatamente na Justiça, o que faria Marconi crescer politicamente.

Cezar Santos – Houve também o envolvimento da Delta com o PMDB do Rio e do governador Sérgio Cabral.
Sim, e também com o governo de Agnelo Queiroz (PT) no Distrito Federal. Também o próprio governo federal. No caso específico de Marconi, ele não foi protegido por ninguém: foi lá, enfrentou a CPMI e se justificou muito bem. Qual foi o cerne da acusação contra Marconi? O fato de ele ter vendido uma casa. Ora, que coisa mais estranha! En­quan­to outros estão por aí comprando fazendas e boiadas, o governador estava se desfazendo de um patrimônio financiado pela Caixa Econômica Federal. Ele tomou o dinheiro e, então, quitou o financiamento. Onde tem crime nisso? Aí falaram que Carlos Cachoeira tinha morado na casa e que teria sido dele. Ficou provado, então, que o comprador não foi Ca­choei­ra, mas outra pessoa, um pro­fessor [Walter Paulo, da Fa­cul­dade Padrão]. Levaram o professor à CPMI para contar a história e ele confirmou todos os detalhes

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Paulo Garcia sofre com a questão ética em relação ao ex-prefeito Iris Rezende. ele ficou em situações complicadas, como no caso do escândalo da comurg” | Fernando Leite/Jornal Opção

Patrícia Moraes Machado — Dizem que o ex-secretário de Finanças do prefeito Paulo Garcia, Cairo Peixoto, foi afastado porque iria demonstrar o que aconteceu na administração de Iris Rezende à frente da Prefeitura, inclusive com documentos. O sr. tem informação sobre isso?
Sim, tenho informação segura de que foi exatamente isso que aconteceu. Colocam-no como “doido”, mas não o desmentem. Por que não provam que o que ele tem a dizer não tem procedência? A verdade é que Paulo Garcia, que só foi eleito porque Iris jogou pesado para sua reeleição — apesar de não haver muito potencial eleitoral na oposição para aquela campanha —, sofre com uma questão ética, em relação ao ex-prefeito. O prefeito ficou em situações complicadas, como no caso do escândalo da Comurg, em que não pôde exonerar o rapaz, por ser este protegido de Iris. Paulo Garcia teve de engolir isso.

Patrícia Moraes Machado – O que diferencia Iris e Marconi como administradores?
Marconi é um gestor que planeja e que faz questão de que a obra construída por ele tenha bom resultado. Ele se preocupa com isso. Tanto que, em questão de obras físicas, já vi, por exemplo, Marconi medir com o dedo a espessura do asfalto — isso foi na restauração da rodovia de Corumbá a Pirenópolis — e depois anotar no papel para conferir no contrato se estava tudo certo. Como político, Marconi é leal e correto com os seus aliados. Ele é verdadeiro e, por isso, às vezes contraria até amigos. Iris, não. Iris é o chamado populista. Ele prefere diluir o dinheiro que seria gasto para fazer uma obra de boa qualidade em muitas outras. O que interessa é o resultado eleitoral instantâneo. Eu sei, fui deputado, presidente da Assembleia, até secretário dele e sei como funciona. É característica também do político desleal, que chega e te abraça… tem até um ditado no meio político, que o punhal de Iris Rezende nunca enferruja, porque está sempre cravado nas costas de alguém.

Patrícia Moraes Machado – Qual a seria o retorno para a sociedade da gestão de Iris e de Marconi?
A do Iris é muito negativa para a sociedade. Veja em Goiânia, essas trincheiras malfeitas, tiveram de passar por várias recuperações e ainda têm problemas sérios. Os projetos feitos por ele e seguidos por Paulo Garcia estão dando problemas quando a obra física é construída. São obras feitas a toque de caixa.

Patrícia Moraes Machado – E como o sr. avalia o discurso de Iris exaltando Dergo, Crisa e órgãos de governos passados?
Ele teria de falar também sobre os armazéns da Casego (Cia Armazéns e Silos do Estado Goiás), ele se esquece. Fico enojado de ouvir Iris falar nisso, porque tudo nele é falso, tudo aquilo é mentiroso. Eu sou do PMDB, um partido bom, com excelentes integrantes, pessoas sérias e honradas, mas esse cidadão realmente envergonha a todos nós, porque não preza o direito que a sociedade tem de retorno aos impostos que ela paga. Ele vê a sociedade como um instrumento eleitoral de promoção pessoal dele, só.

Já o resultado de uma obra do Mar­coni, veja o Centro Cultural Os­car Niemeyer. Falaram tanto do Mar­coni no governo do Alcides, que foi um crime, não sei o quê, que tinha defeito, que não dava con­ta. Mas olha que maravilha é aquilo.

Patrícia Moraes Machado – O que tem os armazéns da Casego?
Para falar sobre isso eu preciso de outra entrevista. Acho que quando se fala disso o Iris deve ficar muito assustado, porque aconteceram muitas coisas. Prefiro deixar para depois, vou prestar atenção na campanha política, e aí voltamos a isso.

Patrícia Moraes Machado – Dizem que o PMDB ao unir com Caiado repete o que as oposições fizeram em 1998, quando se juntaram em torno da candidatura de Marconi. Isso está acontecendo?
Não, de jeito nenhum, a diferença é quilométrica. Em 98 era um candidato jovem, sem desgastes pessoais, que conseguiu com seu dinamismo, sua capacidade política, unir as oposições e o povo de Goiás. Isso porque o povo estava cansado daquela sucessão de escândalos no governo. Tentam acusar Marconi na questão do Carlos Cachoeira, mas nem com a força do Lula nessa história conseguiram atingir o governador. Não tem como dizer que Marconi surrupiou dinheiro público, que um órgão do governo caiu em escândalo por desviar dinheiro, por corrupção na construção de obras. Não tem nada disso contra o governo de Marconi. O governo de hoje não pode ser comparado com o governo de outrora, não tem nada de corrupção.

E no governo do PMDB tinha casos concretos, provados. A sociedade, cansada disso, acreditou no jovem candidato em 98. Hoje, como imaginar que essa união PMDB, DEM e Solida­riedade vá representar aquilo? Primeiro, o candidato envolvido nos mais rumorosos escândalos em seus governos e no ministério. Um candidato que não tem a mínima condição em falar de ética, honestidade e austeridade. Não estou aqui fazendo acusação a ninguém, é a história, são os processos, que a imprensa já noticiou tantas e seguidas vezes.

Patrícia Moraes Machado – O ex-prefeito de Anápolis Antônio Gomide fez uma administração tida como muita boa. A candidatura dele é relevante, qualifica o debate? Ele pode mudar o quadro da sucessão?
Não acredito. Tenho boa relação com ele, mas é fácil analisar o que aconteceu em Anápolis, que era uma cidade feia, com a parte central, pavimento, praças, muito desgastado. Coisas pequenas poderiam mudar aquele visual e Gomide percebeu isso. E coincidiu que os incentivos fiscais no Daia estavam sendo finalizados e a arrecadação subiu muito em Anápolis. Gomide então melhorou as praças, recuperou pavimento nas ruas centrais, fez fontes luminosas. Conseguiu recurso federal e fez uma trincheira — que por sinal está deixando muito a desejar, tem problemas, ônibus batendo nas laterais, carros se acidentando, porque ficou muito estreita, está lá para quem quiser ver.

Houve aprovação da administração de Gomide e a reeleição dele porque a cidade ficou bonita, bem iluminada, isso na região mais central. E a oposição também não teve um nome competitivo para enfrentá-lo nas urnas, embora se tratasse de um empresário respeitado [Wilson de Oliveira], mas sem ligação com a atividade política. E Gomide, com a imagem da cidade bonita no governo dele, acabou tendo aquela votação toda. Mas não é isso tudo, tanto que Marconi está subindo nas pesquisas em Anápolis e Gomide está sofrendo queda. O atual prefeito [João Gomes] disse no rádio, eu ouvi isso, que estava enfrentando dificuldades, falou para amigos que teve de parar a prefeitura no meio do mês, zerar tudo, para conseguir pagar a folha. Tem problemas complicados em Anápolis. Se a administração está com dificuldades, em três meses de campanha isso será observado pela população. O setor de saúde, por exemplo, está caótico.

Patrícia Moraes Machado – Na eleição passada, Anápolis foi o diferencial para Marconi. Go­mide candidato dificulta?
É natural que haja diminuição de votos para Marconi. Gomide foi prefeito, está com boa imagem, embelezou a cidade, soube mexer com o ego do anapolino. Mas temos convicção de que Gomide está restrito ao porcentual de votos que apresentou até agora [7,6%, na última pesquisa Serpes]. Não vai crescer porque o PT está desgastado, em Goiás as pessoas não confiam no PT, aqui Dilma tem mais de 40% de rejeição. Isso vai atingir muito a candidatura dele.
Gomide tem Anápolis, tem Goiânia, deveria estar à frente do Vanderlan, mas continua atrás. E tem mais, no segundo turno, o eleitorado anapolino que optar por Gomide por questão bairrista, volta todo para Marconi. Anápolis repudia Iris, ao longo da história tem sido assim, Iris não foi bom para Anápolis.

Patrícia Moraes Machado – O que aconteceu exatamente para esse repúdio ao nome de Iris na cidade? Teve a ver com a divergência com Henrique Santillo?
O governo de Iris foi de descaso, de desatenção com Aná­polis. O eleitorado anapolino é exigente, presta atenção. Nada a ver com Henrique. Adhemar ficou com Iris, derrotou Henrique na disputa pela prefeitura, elegeu-se apoiando Iris.

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Ex-presidente do TCE e da Assembleia Legislativa, Frederico Jayme em entrevista a editores e repórteres do Jornal Opção: “Gomide embelezou Anápolis, mas a saúde está em situação difícil”

Patrícia Moraes Machado – Além de gestão, qual a diferença entre Iris Rezende e Marconi Perillo na questão do funcionalismo público?
Para Iris, funcionário público é negligente, preguiçoso e ganha dinheiro sem trabalhar. Ele não valoriza o servidor. Iris não gosta do servidor público. Eu me lembro, certa ocasião, com a Polícia Civil de greve, ele disse “esse povo não faz nada, temos é que investir em obra para o população ver que o governo esta trabalhando”. Eu respondi dizendo que eram servidores que tinham de ser remunerados para dar sua contrapartida, não podiam ser massacrados. A ótica de Iris é essa, com ele havia atraso no pagamento dos funcionários, corte de gratificação de todo mundo de forma antidemocrática. Não gostava de dialogar com as associações dos servidores, dizia que era um bando de preguiçosos e tal.

Marconi já tem outra visão, ele gosta e valoriza o funcionário público. Verdade que nesta administração houve dificuldades no relacionamento com os servidores, porque ele recebeu um governo destroçado, essa é a realidade, com dívida, pagamento da folha em atraso. Marconi teve de corrigir tudo isso, pagar aumentos de direito dos servidores, data-base e outros mais. E com um detalhe, nunca atrasou um dia o pagamento. E o servidor público reconhece isso em Marconi. Não acredita em Iris porque Iris atrasa o pagamento dos funcionários. Marconi paga em dia, reconhece os funcionários e luta com todas as suas forças para dar a eles uma remuneração digna, por saber que eles têm de ser valorizados. São duas concepções diferentes.

Patrícia Moraes Machado — Diz-se que Friboi pode se aproximar de Marconi, em vez de Iris. Ou ele pode ficar neutro?
Não ouvi isso dele, mas acho que a tendência do Júnior é ficar neutro na eleição. Na verdade, Friboi tem muitas razões para se aproximar de Marconi e menos de Iris. Marconi não foi desleal, não foi “traíra” com ele, diferente de Iris. Friboi mesmo disse isso em várias oportunidades.

Acho que Friboi está muito decepcionado com a atividade política, já que no mundo empresarial não tem disso.

Cezar Santos — O pai de Friboi também se decepcionou com Iris Rezende?
Sim, o pai dele é um homem sério, honrado, daqueles para quem o fio da barba tem valor, nem precisa assinar. Seu João Batista tinha adoração por Iris. Antes de Júnior se filiar ao PMDB, num almoço no Panela Mágica, ele me disse que Iris estava insistindo para que entrasse no PMDB. Eu disse, “não acredite em Iris, convivo com ele há mais de 30 anos, fui deputado, presidente da Assembleia e até secretário de governo dele e sei como funciona”. Para mim, são dele coisas características do político desleal, que antes chega e te abraça. Tem um ditado, no meio político, segundo o qual o punhal do Iris nunca enferruja, porque está sempre cravado nas costas de alguém.

Eu falei ao Júnior, “Iris vai te dar o tomé, puxar seu tapete”. E Júnior me disse que o pai dele tinha falado que poderia acreditar em Iris, que o que ele fala é lei, não muda. Eu disse “seu pai está enganado, Júnior, não faz isso”. “Mas o Iris me disse pra eu começar a trabalhar, que eu vou ser o candidato do PMDB”, ele respondeu. Aí, então, ele se filiou. Eu lhe contei das “trairagens” que Iris estava fazendo, com prefeitos. E ele: “Mas eu não acredito, não é possível!” Liguei para o prefeito, perguntei se ele estava disposto a contar para Júnior o que Iris tinha falado. O prefeito disse que estava. Pus Friboi para falar com o fulano, que contou tudo. Aí o Júnior começou a ter dúvidas. Iris era para eles, Friboi e seu pai, João Batista, o suprassumo da lealdade e da sinceridade. Uma imagem que caiu por terra.

Cezar Santos — Friboi estaria torcendo por uma derrota de Iris?
Penso que no íntimo ele deve torcer muito para uma derrota fragorosa de Iris Rezende. E é o que vai acontecer. Cheguei do interior ontem e vi por lá como os companheiros do PMDB estão decepcionados com a situação. Iris tem 26% na pesquisa porque o PMDB tem muitos eleitores em Goiás. Se dependesse da vontade das lideranças, vereadores, diretórios, prefeitos, primeiras-damas, ele não teria nunca esses 26%. Está uma decepção. Essas lideranças acham vazio o discurso de Iris, fraco, incoerente quando fala em transparência. Transparência?

Não estou acusando Iris de nada, só quero explicações porque estou com dúvida e é ruim ficar com dúvida.

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o Marconi vai ganhar um pé na bunda que vai estralar este imbecil inútil