“O estreitamento da relação de Bolsonaro e Toffoli é para blindar o Flávio Bolsonaro”

Em entrevista ao Jornal Opção, o deputado Delegado Waldir diz que o presidente se deixa manipular pelos filhos que, segundo ele, estão destruindo o governo

Waldir Soares: racha com Bolsonaro pelo comando do PSL | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Campeão de votos em Goiás para a Câmara, o deputado Delegado Waldir Soares enfrenta uma batalha dentro de seu partido, o PSL. E os adversários são peso pesados: o presidente Jair Bolsonaro e seus filhos, especialmente Eduardo, com que o delegado disputa a liderança da legenda.

Em meio às acusações mútuas, sobram farpas para o colega de bancada Major Vítor Hugo, a quem Waldir chama de “lixo”. O delegado defende a deputada Joice Hasselmann na troca de acusações com a família Bolsonaro e revela o motivo de tudo: a disputa pela “chave do cofre” – leia-se o Fundo Partidário, que destina R$ 8 milhões por mês ao PSL.

Na manhã desta segunda-feira, 21, Waldir Soares concedeu a seguinte entrevista ao Jornal Opção, em que também falou sobre os planos para o partido em Goiás:

 

Euler de França Belém – O sr. está no segundo mandato e é importante dar uma satisfação ao eleitor de Goiás. O que o sr. conseguiu realizar até agora, quais são os projetos aprovados neste mandato?
Nesse segundo mandato, fui levado à liderança do PSL. A reforma da Previdência, a Lei da Liberdade Econômica, a reestruturação do governo, o fim do horário de verão. Tivemos vários projetos aprovados em comissões, como o que determina que o traficante, a partir de agora, receberá uma multa junto da condenação, cujo valor será destinado a programas de atendimento ao usuário de drogas. Há outro projeto, aprovado em outras comissões e que está na CCJ [Comissão de Constituição e Justiça], que separa o pagamento do IPVA do licenciando. Assim, acaba-se com a indústria de apreensão de carros por causa do atraso no IPVA.

A decisão do presidente Bolsonaro de suspender os radares das estradas é referente a um pedido meu, que fiz antes da campanha. Tenho dezenas de projetos.

Euler de França Belém – O sr. está em um processo de fortalecimento do PSL no Estado. Vamos falar de alguns municípios. Em Goiânia está definido que o major Araújo será o candidato a prefeito?
Ele é nosso pré-candidato. Em todos os lugares, temos pré-candidatos. Em Porangatu, temos o Capitão Pires. Em Itumbiara, o Gugu Nader. Todos têm chances. Não devemos subestimar ninguém. O presidente Bolsonaro começou com 3% e foi eleito presidente.

Euler de França Belém – E em Anápolis, como está a situação?
Em Anápolis temos três pré-candidatos. Temos um diálogo com o coronel Adailton e, caso ele consiga liberação do PSL, ele será um dos pré-candidatos. Nós temos também um delegado que se colocou como pré-candidato.

Euler de França Belém – O Humberto Evangelista?
Ele se colocou como pré-candidato.

Euler de França Belém – O delegado Manoel Vanderic está próximo do sr.?
É um amigo.

Euler de França Belém – Ele pode ser candidato pelo PSL?
Com certeza, poderia ser. É uma excelente pessoa, tem um trabalho social espetacular. Ele é imbatível em Anápolis. Era para ser deputado federal comigo. Ofereci para ele ser candidato e ele teria sido eleito. Não teria levado o lixo do Vitor Hugo [líder do governo na Câmara dos Deputados]. Se ele [Vanderic] tivesse sido candidato, teria 40 mil votos em Anápolis. Ele é fenomenal.

Euler de França Belém – A palavra lixo não é muito forte para denominar o Vitor Hugo?
É muito pouco, é uma palavra muito pequena. Nós sentamos em uma mesa para montar a chapa do [Ronaldo] Caiado para deputado federal e estadual, com líderes de todos os partidos. Caiado sugeriu fazer um “chapão”. Disse ao governador: “Não, o PSL vai ter chapa pura para deputado estadual e federal”. Fizeram mil ofertas para mim. Não aceitei. Aí elegi esse Vítor Hugo. Corri o risco de não ser eleito, por causa do coeficiente eleitoral. Ele teve 30 mil votos. E aí esse FDP juntou-se com o Caiado depois que virei oposição para me derrubar do diretório.

Quando ele soube que eu seria o presidente do diretório estadual, ainda na pré-campanha, disse ao Bolsonaro que não seria candidato pelo PSL, iria para outro partido. Para atender o Bolsonaro e pacificar [a situação], eu o convidei para ficar no PSL, o Bolsonaro pediu para ele ficar no PSL. O Bolsonaro, o [Gustavo] Bibianno e o Julian Lemos [deputado] são testemunhas.

Fiz um sacrifício por esse cara [Vítor Hugo] e ele é uma das razões desse rompimento meu com o presidente. Ele impediu meu acesso ao presidente. Nunca estive no Palácio [do Alvorada] com o presidente depois da campanha, apenas em eventos, mas nunca tive uma audiência.

Ele blindou o presidente da minha presença. E está afundando o presidente. Ele, a Kufa [Karina Kufa, advogada], o ministro, um grupo pequeno de parlamentares e os filhos estão afundando o presidente, estão destruindo o presidente.

Euler de França Belém – No período do presidente Getúlio Vargas, também havia essa ideia de que os irmãos e uma turma estavam destruindo o presidente. Quando a história foi contata posteriormente, percebeu-se que Vargas estava ciente e por trás de todas as articulações. Culpar o entorno não é duvidar demais do Bolsonaro? Porque ele é um homem inteligente.
Ele sabe de tudo e dá aval para os filhos.

Euler de França Belém – E por que isso? O presidente corre o risco de perder apoio no Congresso.
Superproteção. Nós demos a Comissão de Relações Exteriores para o Eduardo Bolsonaro para agradar o presidente da República. Quem tinha essa disposição era eu. Como líder, poderia escolher. A Joice [Hasselmann] está certa. Ela falou ontem [domingo] na live que iria ser a presidente da Comissão Finanças, mas abriu mão para atender o Eduardo.

Euler de França Belém – A Joice fez um bom trabalho como líder?
Fez. A reforma da Previdência [saiu] por causa dela. Nós que aprovamos, como líderes. Ele foi fundamental.

Euler de França Belém – Qual o segredo da Joice?
Ele é uma mulher decidida, trabalhadora, não tem medo. Ela é corajosa e inteligente. Ela é fenomenal, é espaçosa.

Rodrigo Hirose – A briga dela no Twitter com o Eduardo Bolsonaro não está excessiva?
Não. É natural em um momento de atrito.

Rodrigo Hirose – Mas dois deputados trocando ofensas nos Twitter, usando emojis, não é um pouco infantil?
Se olhar as redes sociais dos deputados que estão com o Eduardo, uns dez atacaram todos os parlamentares que estão do meu lado, sem exceção. Não se vê um ataque meu a ninguém.

Euler de França Belém – Esse ataque é feito de dentro do Palácio do Planalto?
Há um grupo coordenado. Os “caras” não estão lá dentro, mas há assessores contratados que são gerenciadores dessas milícias virtuais. Tem gente lá dentro.

Euler de França Belém – O chefe dos ataques é o Carlos Bolsonaro?
É.

Euler de França Belém – Não é grave o filho do presidente…
Claro que acho. Tanto que estou revelando tudo que eu sei. Eu não sabia até então, mas a partir do momento que estou sendo atacado, tenho de revelar o que estou sendo atacado.

Rodrigo Hirose – O sr. não sabia ou apenas não revelava?
Comecei a saber aqui [mostra o celular], quando comecei a ser atacado. Sabia que existia uma milícia virtual do PT, pois fui atacado por ela. Hoje estou sendo atacado pela milícia virtual do presidente Bolsonaro e dos filhos dele.

Rodrigo Hirose – Como funciona essa milícia? São pessoas pagas, robôs?
Tudo, tem um pouco de cada. No meu celular, há um tanto de telefones. No meu Facebook, no Instagram. No final de semana, tentaram me moer.

Euler de França Belém – Como fica a CPI das Fake News?
O PSL defende a apuração completa.

Euler de França Belém – Ela vai até o fim?
Vai, com certeza.

Rodrigo Hirose – Como delegado, o sr. acha que essa CPI vai descobrir o quê?
Não sei. Pode levantar toda a estrutura das milícias virtuais.

Rodrigo Hirose – E essas milícias tiveram influência nas eleições do ano passado?
Não sei, não posso dizer. Mas eles eram fortes. Tal qual o PT criou, o Bolsonaro também criou. Igualzinho. Os dois criaram essas milícias virtuais. A esquerda e a direita.

Euler de França Belém – Um dos motivos da insatisfação do Bolsonaro com a Joice é a aproximação dela com o João Dória. No momento, não é mais importante para o presidente manter uma base para governar do que ficar discutindo 2022?
Concordo. O João Dória tem candidato a prefeito [de São Paulo], que é o meu amigo Bruno Covas. A Joice é a candidata a prefeito do PSL.

Euler de França Belém – Há notícias de que o Bolsonaro poderá lançar o José Luís Datena. O sr. acredita nisso?
É problema dele. A candidata do PSL é a Joice. Tanto que nessa semana os diretórios de São Paulo e Rio de Janeiro serão mudados. O Flávio [Bolsonaro] vai sair do comando do diretório.

Euler de França Belém – Há uma discussão para fusão do PP com o PSL?
Não. [A possibilidade] é zero, como era com o DEM. O que existe é que o pessoal pode estar tomando um vinho, batendo um papo e conversando política. Qual a vantagem do PSL fundir-se com qualquer um desses partidos? Zero. Nós temos o maior Fundo Partidário. Não tem interesse.

Só tomei essas atitudes por causa da traição. A traição do Caiado, há quatro meses ele teria pedido o partido aqui em Goiás, como tomou o PTB do Jovair [Arantes]. Agora trouxe o Cidadania, da Lúcia Vânia. Mas o PSL será adversário dele em todos os municípios de Goiás. Ele está desesperado, por isso quer tomar o PSL.

O segundo fator foi o ataque ao presidente Luciano Bivar. Sou o líder e tinha de tomar uma posição. Uma semana depois houve a operação da Polícia Federal, o circo montado. O presidente sabia uma semana antes. Isso causou a cisão.

O que tornou a divisão maior, é a reforma dos militares na Previdência. Lá atrás eu disse que era um abacaxi e agora isso está consolidado. O Vítor Hugo e o General Girão defendiam a readequação apenas para os generais. Na comissão, o PSL defende os praças, apensar de não termos nada contra os generais. Os 75% [de reajuste] tem de ser estendido para todos.

Isso gerou o ataque. O governo passou o final de semana articulando a minha queda. Levaram pessoas do meu grupo. Não tem problema. Nós suspendemos cinco [deputados] e essa semana suspenderemos mais dois.

Euler de França Belém – Quem são eles?
O Eduardo Bolsonaro e o Daniel Silveira, o que fez a gravação [em que Waldir aparece dizendo que implodiria o presidente]. O Eduardo Bolsonaro por causa dos ataques que ele fez a mim, ao partido e a outros deputados no final de semana. O Daniel pela gravação.

Euler de França Belém – O sr. concorda com o Tancredo Neves, que dizia que quando se tem articulador político demais, se tem articulador político de menos? O governo tem vários e no final nenhum funciona. O governo Bolsonaro é melhor que as falas do presidente. O sr. não acha que se tivesse um articulador de fato, para fazer a paz em fez de fazer a guerra?
Os filhos do presidente não são subordinados aos articuladores, aí destroem o governo. Ontem [domingo] na live o Eduardo Bolsonaro atacou duas vezes o parlamento no qual ele vive.

Rodrigo Hirose – Nesse exato momento, a imprensa divulga que o Major Vítor Hugo conseguiu 29 assinaturas para destituí-lo da liderança do PSL.
Vinte e nove menos cinco, ele tem 24. Nós temos 26, duas a mais que ele.

Rodrigo Hirose – Alguns parlamentares que o apoiaram na semana passada teriam considerado que o sr. passou do tom. O sr. continuará na liderança ou sua posição está ameaçada?
Nós já tínhamos um diálogo, para achar um terceiro líder, que não seja nem eu nem o Eduardo. Já estávamos dialogando [para encontrar] outro líder. O presidente Bivar e alguns parlamentares estão intransigentes. Nós temos maioria, com as suspensões, são 26 contra 22. Caso eles consigam inverter essa maioria, o presidente Bivar está disposto a fazer a expulsão.

É uma guerra insana. Eu não quero essa guerra e já cumpri meu papel, porque tenho de estar aqui [em Goiás] para a eleição municipal do ano que vem. Essa já era minha pretensão, queria a renovação do líder. Eu não quero continuar na liderança, o que podemos fazer é antecipar [a troca].

Euler de França Belém – Quem pode ser.
Tem várias pessoas. A Joice, o Julian Lemos, o delegado Felipe, o delegado Marcelo, a professora Daiane. Qualquer um dos parlamentares pode ser líder. Já estou tranquilo, entreguei a reforma da Previdência, minha maior missão era essa.

Rodrigo Hirose – Ainda essa semana esse novo líder será definido?
Vai depender do que vai acontecer. Eles vão apresentar uma lista, nós vamos apresentar a nossa no final da tarde. Aí estará vigente a nossa. Essa é uma guerra insana que não deveria estar acontecendo.

Rodrigo Hirose – O País não perde com essa guerra? Na semana passada, o Caged divulgou que houve a maior geração de emprego para setembro desde 2013. Mas só se falou na briga do PSL.
O dólar disparou. Mas eu causei essa briga? Quem causou foi o presidente e quem a está aumentando são os filhos dele.

Euler de França Belém – Onde vai parar essa crise?
Esta sendo costurado um diálogo.

Euler de França Belém – Quem está costurando esse diálogo?
Não posso dizer.

Euler de França Belém – O general Mourão não poderia participar desse diálogo?
Ele não entra nessa latada do filho do presidente.

Euler de França Belém – O MDB era considerado um partido fisiológico pelo presidente. Agora o líder do Bolsonaro é do MDB.
O presidente Bolsonaro mudou os conceitos dele, está fazendo aliança com todos os partidos, pois precisa sobreviver. Quando tivemos, lá atrás, uma reunião do PSL com o presidente da República, a deputada Alê Silva levantou a ele falta de posição dele em relação ao ministro Marcelo [Álvaro, do Turismo] e eles brigaram duro. Quando o presidente falou que teria de fazer acordo com partido do centro para governar, a deputada Carla Zambelli levantou-se e deixou a reunião chorando. É uma bancada tempestiva.

Euler de França Belém – O Bolsonaro fica ou sai do PSL?
Para mim é indiferente. Não apoio deuses, não sou de nenhuma seita, apoio o Brasil e ninguém manda no meu mandato. Meu mandato é do povo, não é de prefeito, governador nem ministro da República. Sou um cara independente e assumo meus erros. Os assumi em relação ao Marconi, ao Caiado e agora em relação ao Bolsonaro.

As propostas de conservadorismo, de direita e de família, eram minhas já em 2011. Tinha 45 propostas quando fui candidato pela primeira vez. Não caí de paraquedas.

Rodrigo Hirose – Mas, pragmaticamente, não é importante ter o presidente da legenda? Não é seu caso, mas muitos deputados pelo Brasil foram eleitos graças à proximidade com Bolsonaro.
Como presidente do PSL, o administro como uma empresa. Cada diretório é responsável por tornar o PSL o maior partido em cada município em número de filiado. Mostrei essa capacidade organizacional quando elegi dois deputados federais e dois estaduais depois de apenas 45 dias que assumi o PSL. Só não elegemos o terceiro estadual porque uma deputada nossa perdeu por 500 votos.

Nós aprendemos articular. Temos diretório e teremos candidatos a prefeito em todos os municípios. Estamos construindo o PSL. Portanto, também estamos fazendo essa parte pragmática.

Euler de França Belém – Seu projeto é ser candidato a governador ou senador em 2022?
Não sei, hoje sou deputado federal. O futuro a Deus pertence e vai depender da construção do projeto. Tudo é uma ponte que passa por 2020. Meu projeto hoje é eleger prefeitos e vereadores pelo PSL. Essa é minha meta. Por isso também preciso desse tempo aqui em Goiás.

Euler de França Belém – Por que o Bolsonaro esvaziou o ministro Sergio Moro?
Por que ele é um adversário e pautas que o presidente defendia não defende mais.

Rodrigo Hirose – Por exemplo?
CPI da Lava Toga, o presidente é contra, o PSL é favorável. CPI das Fake News: nós somos favoráveis e ele é contra. Enfraquecimento da Polícia Federal: o presidente fez isso ao tentar retirar a autonomia da PF, nós somos contrários.

Nós somos contrários ao enfraquecimento do Moro. Nós somos favoráveis às teses das ruas: Lava Jato, prisão em segunda instância (o presidente é contra). Por isso estou me distanciando do presidente: em razão da traição, ele está fugindo dessas pautas.

Rodrigo Hirose – Todas essas ações do presidente têm relação com as denúncias contra o Flávio Bolsonaro?
Não tenho nenhum bandido de estimação, nem filho de estimação. Qualquer filho meu que errar vai ser punido. Não sou como o presidente.

Rodrigo Hirose – O sr. acha, então, que o presidente está tentando blindar as investigações?
O estreitamento da relação dele com o [Dias] Toffoli [presidente do STF], através da advogada Karina Kufa, é [para] blindar o filho Flávio Bolsonaro. Se houve busca e apreensão [contra] o Bivar, o Bezerra, no papa e no bispo, o Flávio tem de sofrer as mesmas consequências e investigações.

Euler de França Belém – Por que o pacote anticrime está parado?
Por falta de interesse do governo. Ele tem a máquina.

Euler de França Belém – Qual sua posição em relação à prisão em segunda instância?
Sou favorável. Tanto que colocamos a em votação a proposta que estava na CCJ.

Euler de França Belém – Existe um acordão para enfraquecer a Lava Jato? Quem o lidera?

Não sei.

Euler de França Belém – Mas tem?
Tem.

Euler de França Belém – Como o sr. avalia o atual procurador-geral da República, Augusto Aras?
Não o conheço, mas as informações são de que ele é de esquerda e vai fragilizar a Lava Jato.

Rodrigo Hirose – Mas por que o presidente nomearia um procurador de esquerda?
Tem de perguntar para ele.

Euler de França Belém – O Lula está dizendo que não quer sair da cadeia para o regime semiaberto. Como o sr. avalia isso?
Vai sair. Essa é uma jogada política, senão acaba o discurso Lula Livre.

Euler de França Belém – Ele sairá e depois voltará, pois tem outros processos?
Mas até condenar, vai rolar muita água debaixo da ponte.

Euler de França Belém – O Gustavo Bibianno volta para o PSL? Ele era ruim como ficou a imagem?
Não sei, tem de esperar. É um cara espetacular, muito bom.

Euler de França Belém – Por que o general Santos Cruz saiu do governo?
As mídias digitais o destruíram. Ele era contra essas mídias. Há um financiamento para isso e ele contrário.

Rodrigo Hirose – E vem de onde esse dinheiro?
Público. Santos Cruz era contrário.

Euler de França Belém – Por que o crime organizado se tornou nacional?
As facções estão dominando todos os presídios e têm ramificações. Nas ruas também. Quem está na rua tem de ser filiado a uma facção, senão não sobrevive no crime. No Centro de Goiânia, o Comando Vermelho proibiu assalto.

Euler de França Belém – E como está o processo de privatizações?
Eu as defendo. O Brasil tem que enxugar a máquina pública. Sou favorável a todas as privatizações, até do Banco do Brasil, Caixa Econômica, Petrobrás. O Estado tem de cuidar da saúde, educação e segurança.

Euler de França Belém – O ministro da Economia, Paulo Guedes, está indo bem?
Está.

Rodrigo Hirose – O presidente acionou a Advocacia Geral da União para processá-lo por causa do conteúdo das gravações.
Ele vai usar provas ilícitas? Foi feita uma gravação clandestina. E acho uma delícia, se ele está me processando é porque sou uma pessoa importante.

Euler de França Belém – Mas o sr. não exagerou quando falou em implodir o presidente?
Não. Quando, no áudio, ele tanta comprar parlamentares para dar a liderança para o filho, não é implodir o governo? [É uma] interferência direta do Poder Executivo no Parlamento, rasgando a Constituição, é motivo para impeachment. Não fui eu que fiz a gravação.

Euler de França Belém – O sr. acha que alguém pode pedir o impeachment do Bolsonaro?
Acho.

Rodrigo Hirose – Com base em quê?
Espera que vocês vão ver. O áudio foi divulgado. É uma interferência clara do Palácio e de ministros. Uma deputada que estava do meu lado e que depois passou para o Eduardo, na semana passada reclamou a mim que um indicado dela para o Ibama não havia sido nomeado. O cara tem um currículo espetacular e não foi nomeado porque o ministro do Meio Ambiente [Ricardo Salles] e o presidente Bolsonaro não nomearam. Aí ela conversou com o Major Vitor Hugo neste final de semana, fez até uma live com ele, e o cara vai ser nomeado. O que é isso?

Rodrigo Hirose – O sr. fala em compra de deputados, o presidente está negociando com o MDB e o Centrão. Aquela história de nova política está enterrada?
Já era.

Rodrigo Hirose – É por que não é possível governar dentro dessa “nova política” ou ela simplesmente não existe?
Não existe nova política nesse momento. Ele [o presidente] vendeu isso, mas não está entregando. Nós temos algumas mudanças. Não existe nenhum caso de corrupção no nosso governo ainda – eu chamo de nosso governo porque o ajudei a ser eleito -, diferente do Lula.

Há também o caso de ministros sem vinculação partidária que ele alegou no começo. Hoje, cada ministério tem um partido que é dono.

Euler de França Belém – Então por que impeachment, se não há casos de corrupção e irregularidades?
Interferir em outro poder e comprar parlamentares não é grave? Manter uma milícia digital não é grave? Em nenhum momento estou falando que vai ter impeachment. Quem tem de analisar isso são os especialistas e eu não sou especialista.

Rodrigo Hirose – Essa briga toda tem a ver com fundo partidário?
Tem. É pela chave do cofre.

Euler de França Belém – Quanto é o fundo partidário?

Oito milhões por mês, uma fortuna. Temos candidatos em todos os municípios porque temos o maior fundo eleitoral e o maior tempo no horário eleitoral. Aqui em Goiânia, se eu quiser ter candidato a prefeito, diferente das últimas eleições, o meu candidato se potencializa pelo tempo no horário eleitoral. Temos de fazer uma análise política agora com base no fato de que o PSL terá candidatos em todos os municípios, somos grandes como o PSDB e o PT lá atrás.

Euler de França Belém – Em 2022, você sobe no mesmo palanque que o Vitor Hugo?
Não. Terá uma divisão, isso não vai ficar desse jeito. Ele e o presidente devem sair do PSL.

Rodrigo Hirose – E do governador Caiado?

Zero. Só se ele for pedir voto para mim para governador.

Euler de França Belém – E o Kajuru, você apoia para governador?
Não, o PSL terá candidato a governador e senador. Estamos montando um grande time e vamos eleger muitos prefeitos agora.

Rodrigo Hirose – O senhor se sente de alguma forma enganado pelo presidente?
Traído, sim. Por isso usei uma palavra dura. Se você for traído por um grande amigo, qual expressão vai usar? O que vai falar para ele? Uns matam, eu não mato ninguém.

Euler de França Belém – Falam que o Bolsonaro é muito bom de trato no convívio pessoal.
É verdade, ele é um gentleman, um cara espetacular. Mas quando está sob influência dos filhos e da advogada, aí ele se transforma.

Rodrigo Hirose – Os filhos manipulam o presidente?
Sim. Na verdade ele se deixa manipular. Ele é uma criança. Manipulam e ele aceita.

Euler de França Belém – Ele parece estar em campanha o tempo inteiro. Isso não é ruim para o governo?
Claro que é. Eleições só em 2022, mas ele quer destruir os outros candidatos. Fez isso com o Huck, Dória, Witzel, todos os potenciais candidatos ele está tentando destruir no nascedouro. Ele denunciou a compra de aviões pelo Huck.

Euler de França Belém – O BNDES tem uma caixa preta?
Tinha, já abriu.

Rodrigo Hirose – E o que saiu lá de dentro?
Saiu o financiamento do Lula, empréstimos a juros mais que favoráveis a outros países, compra de aviões. Hoje, tudo sobre o BNDES que você quiser saber é aberto.

Rodrigo Hirose – O senhor não exagerou naquela declaração que fez sobre ser como uma mulher traida que apanha e volta para casa? Não foi machista?
Zero machismo. Você já foi à Delegacia da Mulher? A mulher quando é traída, apanha, mas mantém o casamento por causa dos filhos, sustento econômico, amor. Eu poderia ter usado o homem na comparação – eu já fui traído. Agora, tenho de aceitar? Não, eu me libertei.

A minha declaração foi no sentido de que não insistiria na relação após ser traído, essa foi a intenção, e não humilhar qualquer mulher. A maior parte do meu eleitorado é mulher. A delegacia da mulher na região Noroeste, a mais pobre de Goiânia, quem foi que levou? Um tal Delegado Waldir. Sou defensor das mulheres, tenho proposta para defesa das mulheres, recentemente ajudei a aprovar o projeto do Luís Lima (PSL-RJ) que diz que toda mulher vítima de violência doméstica pode fazer divórcio no próprio juizado da violência. Pedi urgência, ajudei a aprovar. Fiz uma analogia e alguns usaram isso contra mim.

Euler de França Belém – Chamar presidente de vagabundo é exagero.
Se for traído, qual expressão vai usar?

Euler de França Belém – Mas tem a liturgia do cargo.
Qual liturgia? Quem quer respeito não trai. Quem não quer ser ofendido não ofende. Qual linguajar você acha que se usa nessas reuniões? Era uma reunião fechada. Sai muito mais palavrão, cem vezes mais. Ninguém estava negociando dinheiro, fazendo nenhuma malandragem.

Rodrigo Hirose – Por que alguém entra com celular, grava e vaza?
Ele queria fazer o serviço sujo para o Governo. Foi encomendado pelo presidente da república e pelo Eduardo Bolsonaro. É ele [Daniel Silveira (PSL-RJ)] quem disse isso na imprensa.

Uma resposta para ““O estreitamento da relação de Bolsonaro e Toffoli é para blindar o Flávio Bolsonaro””

  1. Sandra Brandão Branco disse:

    Obstruir pauta do governo é ser a favor do governo???

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