“O Brasil precisa de muitas reformas, mas uma de cada vez. A primeira delas é a da Previdência”

Deputado federal fala das reformas fundamentais a serem realizadas no Brasil e diz que governo de Michel Temer tem condições de alcançar importantes avanços nos próximos dois anos

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Importante peça do governo de Mar­coni Perillo (PSDB) nos últimos a­nos, Thiago Peixoto (PSD) voltou à Câ­ma­ra Federal há alguns meses, em um dos períodos mais conturbados da história re­cente da política brasileira. Tendo atuado co­mo deputado durante o governo Dilma Rous­seff (PT), e acompanhado os debates em torno da crise econômica brasileira, Thia­go diz que, agora, cabe ao governo Michel Te­mer (PMDB) fazer algumas das reformas ne­ces­sárias para que o País retome o crescimento.

Conseguirá Temer fazer, por exemplo, a reforma da Previdência? Thiago diz que sim. “Desde que me entendo por gente ouço falar na necessidade da reforma da Previdência. Se o Brasil conseguir realizá-la já será um grande feito. O governo tem uma base política sólida, muito diferente do que tinha o governo passado, para aprovar as medidas corretas para o País, às vezes populares, às vezes impopulares, mas sobretudo necessárias. E acho que o governo tem demonstrado isso em algumas aprovações na Câmara”, relata.

E a reforma da Educação? “Cada dia com sua agonia. Temos de fazer muitas mudanças, muitas reformas, mas uma de cada vez. Entendo também que esse é um momento progressista no sentido de não concordar com o status quo. Então, fazendo uma mudança de cada vez, muitas mudanças poderão ser feitas.”

Thiago também comenta, nesta entrevista ao Jornal Opção, sobre a situação do candidato de seu partido à Prefeitura de Goiânia, Francisco Júnior, que não tem pontuado bem nas pesquisas de intenção de voto, e diz que “a eleição ainda não terminou. O que as pesquisas apontam hoje podem não ser os resultados do dia 2. Ainda temos tempo para que a campanha ganhe força e avance.”

Marcos Nunes Carreiro – O governo Temer propôs a PEC do Teto de Gastos, que tem sido muito discutida. Alguns dizem ser extremamente necessária, enquanto outros dizem que só terá os efeitos esperados se for acompanhada de outras medidas. Como o sr. vê isso?

O Brasil vive a maior crise econômica dos últimos 120 anos. São 12 milhões de desempregados, com expectativa de chegar a 14 milhões no final do ano. Não se conseguirá recuperar a economia com uma “bala de prata”. A PEC 241, que chamo de PEC do Juízo Fiscal, é o primeiro passo para uma série de medidas que terão de ser tomadas. Mas sem esse primeiro passo nada avança, porque houve nos últimos anos um descontrole financeiro fiscal enorme, com reflexos econômicos muito fortes. Por isso que temos uma altíssima taxa de juros, que os investimentos têm caído etc. A PEC é o primeiro passo e, depois de aprovada, será fundamental discutir a reforma da Previdência. E outras reformas vão ter de chegar.

Cezar Santos – Mas parece que muitos congressistas não têm a clara noção do que a PEC significa. É isso mesmo?

Essa PEC está cercada de muita desinformação, porque ela simplesmente estipula o crescimento dos gastos bem menor do que é hoje, mas não tem redução dos gastos em nada. Ouve-se dizer que vai reduzir investimentos em educação, por exemplo, mas não é verdade. Igualmente em outras áreas. O que vamos ter é um controle maior dos gastos como um todo. Se o governo decidir gastar mais em educação ou em saúde do que gasta hoje, ele pode. O que não pode é estourar o limite global. E quem vai decidir esse limite, além do Executivo, será também o Congresso, que priorizará as áreas que de fato são prioridades.
Mas a PEC é também uma oportunidade para se discutir a qualidade dos gastos. Hoje, além de se gastar mais do que arrecada, se gasta mal. Um exemplo é a área da Educação. Nos últimos anos houve uma escalada de investimentos, sem ter sido seguida de avanços educacionais. Isso porque os recursos foram mal aplicados. Então, temos de gastar bem e a PEC vai gerar essa condição.

Marcos Nunes Carreiro – Alguns governadores propõem colocar os Estados nessa PEC. Alguns deles, principalmente o de Goiás, Marconi Perillo, tem buscado cada vez mais reduzir os custos para sobrar recursos para investir. Colocar os Esta­dos nessa PEC seria benéfico?

Entendo que seria uma medida de apoio aos governadores para eles avançarem mais rápido nos ajustes fiscais que eles propõem. Por outro lado, isso dificulta a aprovação da PEC, porque gera uma pressão maior no Congresso. Uma coisa é discutir gastos do ponto de vista do governo federal, outra é discutir isso com pressão dos Estados e municípios. É algo a ser muito bem trabalhado. Por exemplo, em julho e agosto, na renegociação das dívidas dos Estados, os governadores pediram para que nesse projeto tivesse uma série de medidas e depois, na hora da aprovação, não houve presença dos governadores com suas bancadas, o governo federal se sentiu abandonado pelos governadores. A exceção a isso foi o governador Marconi Perillo, que ligou para cada deputado de sua bancada, e a secretária [da Fazenda] Ana Carla Abrão esteve presente no plenário da Câmara tentando gerar esse convencimento. Mas não foi essa a atitude dos outros governadores. Então, a dúvida para colocar os Estados nessa PEC é se vai poder contar com o apoio dos Estados ou não.

Cezar Santos – Na quarta-feira, 14, governadores do Norte e do Nordeste foram a Brasília pedir recursos, já que muitos serviços em seus Estados, como Saúde, estão entrando em colapso. Eles ameaçam decretar calamidade pública. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, tem dito que não há dinheiro. Isso pode provocar uma crise maior?

Pode, já que há um desequilíbrio federativo muito grande do ponto de vista de financiamento e, quando a crise vem, isso é agravado. De fato, o governo federal não tem recurso. Infelizmente, pelo desajuste das contas que o governo Temer herdou, as condições para dar apoio aos governos estaduais são limitadas. Mas esse debate tem de ser feito, a solução tem de ser buscada de forma bem articulada entre governadores e União. É algo legítimo, mas o governo federal não mente ao dizer que não tem recursos. Tem de construir uma solução, mas não é fácil.

Temos de entender que estamos atravessando a maior crise econômica do País, o que vai demandar medidas fortes que gerem mudanças. Falar em mudança é fácil, mas fazer é difícil. Será muito importante que medidas como a PEC 241 e a futura reforma da Previdência sejam encaradas de forma séria, como estão sendo. Talvez sejam as únicas alternativas que nós tenhamos para mudar. Repetindo: são 12 milhões de desempregados, podendo chegar a 14 milhões em alguns meses.

Cezar Santos – Os congressistas estão entendendo esse momento?

Não sei se o Parlamento está consciente do tamanho da crise que estamos vivendo. É um remédio amargo, mas se não tomarmos pode gerar um colapso muito mais sério.

Cezar Santos – Não há risco de uma frustração com o governo Temer, uma vez que se esperava que com o impeachment sacramentado, ele partisse para medidas mais efetivas no rumo de começar a consertar os estragos causados por Dilma?

Não concordo. O problema é que as pessoas começam a ter esperança em fatos que não são a solução. Exemplo: na década de 1980, achávamos que restabelecer a democracia no País seria a solução para tudo; bastaria votarmos para presidente e tudo estaria resolvido. Foi um avanço importantíssimo, fundamental, indiscutível, mas não era a solução para todos os nossos problemas. Depois, com a nova Constituição, pensou-se de novo que tudo estaria resolvido, e não foi assim.

Agora, essa expectativa foi gerada de novo: bastaria o impeachment para tudo se tornar mil maravilhas. A questão é que, com o impeachment, temos agora um governo legítimo estabelecido, em condições de tomar as medidas necessárias; e não será uma medida, mas uma série que vai desencadear o progresso e ajudar a sair da crise do nosso País.

Com relação ao governo Temer, como dito, o primeiro passo é que todo mundo quer que os juros caiam, mas um dos motivos dos juros altos é que, para financiar os gastos errados e excessivos do governo, tem de se emitir títulos e paga-se juros muito altos desses títulos, daí se gera o padrão de juros para qualquer tipo de empréstimo. Quando o governo passa a gastar melhor e menos, o risco cai, os juros caem de forma gradual e se começa a ter a retomada dos investimentos. Esse passo é fundamental, mas não é por milagre. Com a Previdência será a mesma coisa, outra medida importante de ajuste das nossas contas. Temos de parar de achar que as nossas soluções dependem de uma “bala de prata” só. É preciso uma série de medidas para retomarmos o desenvolvimento.

“Presidente Michel temer acerta em criar um novo ambiente econômico, onde as parcerias poderão ser firmadas de forma atrativa”

Marcos Nunes Carreiro – O governo Temer vai precisar de uma articulação forte no Congresso para a­provar essas medidas, que são impopulares. A oposição já está batendo na reforma da Previdên­cia, dizendo que serão tirados di­rei­tos dos trabalhadores. Como está essa articulação no Congresso?

Primeiro se deve dizer que quem é oposição hoje governava o Brasil há três meses. Quase 100% deles entendia a necessidade de um ajuste fiscal e pregava a reforma da Previdência, só que não tinha coragem nem habilidade para promovê-las. É interessante o fato de que pessoas, racionalmente, acham que isso é necessário, mas no embate político deixam o País de lado para ter um discurso baseado em mentiras. A reforma da Previdência é necessária, fundamental, mas nem chegou ao Congresso ainda. Portanto, não temos condições de discutir conteúdo dessa matéria, e mesmo assim, as mentiras estão sendo ditas, dizem que vai tirar direitos e outras coisas. Isso é mentira, ninguém conhece a proposta. E se, de fato for prejudicial à sociedade, o Congresso não vai fazer.

Voltando à questão política, o governo tem uma base política sólida, muito diferente do que tinha o governo passado, para aprovar as medidas corretas para o País, às vezes populares, às vezes impopulares, mas sobretudo necessárias. E acho que o governo tem demonstrado isso em algumas aprovações na Câmara. O que ajuda muito é que há um diálogo hoje entre Executivo e Legislativo, ao contrário do que havia antes, porque a presidente Dilma não conversava com ninguém, não tinha disposição para conversar. Hoje, a relação do Congresso com o presidente Michel Temer é muito diferente. Lula também conseguia ter esse diálogo, e muita coisa importante foi feita por isso.

Marcos Nunes Carreiro – A reforma da Previdência é fundamental, mas há outras reformas necessárias. Nestes dois anos haverá prazo para avançar além da reforma da Previdência?

Desde que me entendo por gente ouço falar na necessidade da reforma da Previdência. Se o Brasil conseguir realizá-la já será um grande feito. Se a PEC 241 for aprovada, estimulando um controle fiscal maior nos gastos públicos, também já será um grande feito. Cada dia com sua agonia. Temos de fazer muitas mudanças, muitas reformas, mas uma de cada vez. Entendo também que esse é um momento progressista no sentido de não concordar com o status quo. Falam que o governo Temer é conservador, mas um governo conservador seria aquele que queira conservar as coisas como elas estão, mas ele está propondo uma série de mudanças. Talvez o governo conservador fosse o de Dilma, que não queria mudanças. Então, fazendo uma mudança de cada vez, muitas mudanças poderão ser feitas.

Saindo um pouco da economia, temos de alterar o sistema educacional do País. É uma reforma importante, como diversas outras. Fazendo uma, abre-se oportunidade para outras acontecerem. É uma escada em que se vai subindo degrau por degrau.

Euler de França Belém – O governo federal anunciou o Programa de Parceria de Investimentos (PPI), que visa dar concessão principalmente de rodovias e aeroportos. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles voltou da China dizendo que há oportunidade de negócios de 269 bilhões de dólares. Quer dizer, existe muito dinheiro e investir em infraestrutura é fundamental. Mas o presidente Michel Temer terá tempo para conseguir fazer isso?

Dá tempo. Já falamos sobre a PEC 241, que é a PEC do Juízo Fiscal. Ela não é o fim de si, mas o meio de gerar condições para fazer outras coisas. Junto com o ajuste fiscal, é preciso ter uma fonte mais forte de desenvolvimento e acho que essa frente lançada, das parcerias público-privadas, representa exatamente isso. A própria presidente Dilma Rousseff tentou isso antes, mas em um modelo mais equivocado. Então, o modelo anterior não gerava bom retorno para os investidores e, por isso, eles não vieram. Agora criou-se o modelo adequado e isso vai gerar atração para que o recurso venha e para que possa haver investimento em grandes obras.

Antes, gerar investimento e desenvolvimento era uma responsabilidade, na cabeça das pessoas, apenas do setor público. A visão moderna de política não é mais essa, mas a da parceria. E acho que o governo Te­mer acerta em gerar esse novo ambiente, onde as parcerias poderão ser firmadas de forma atrativa para os investimentos.

“Educação precisa ir além da questão salarial”

Cezar Santos – Nesse cenário, a operação Lava Jato não pode ser um risco, ao revelar envolvimento de membros do governo Temer?

O risco é grande, mas entendo que os primeiros sinais que o presidente Temer deu em relação a isso foram positivos. Todos os ministros citados com possíveis envolvidos na Lava Jato, ou de terem se beneficiado, saíram, diferente do que ocorreu com Dilma, em que os ministros citados permaneciam no poder ou até ficavam com mais poder. Agora tivemos casos de pessoas que em tese eram poderosas e foram afastados, como Romero Jucá e Henrique Eduar­do Alves e outros, que foram citados, embora ainda sem comprovação, mas saíram do governo. Isso mostra que o presidente Temer não vai tolerar contaminar seu governo com a Lava Jato.

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Cezar Santos – Sobre educação, estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgado na quinta-feira, 15, mostra que a média salarial dos professores da rede pública dos ensinos fundamental e médio no Brasil é menos da metade dos países pesquisados. Por outro lado, os professores universitários da rede pública no Brasil têm salário igual ao dos professores de países nórdicos, como Noruega e Finlândia. Isso também não teria de ser corrigido no Brasil?

A reforma educacional é necessária, mas ela não pode se limitar à questão financeira. Para se ter uma ideia, o Brasil investe na educação hoje mais que os países da OCDE que mais gastam em educação. Não podemos limitar a educação à discussão salarial, é muito mais amplo. Passa por remuneração, por financiamento, mas faltam medidas para mudar de fato a vida do aluno, é preciso avanços nesse sentido. Trabalhar só no vetor salarial não resolve o problema é o Brasil é prova disso. Há dez anos gastávamos 3,5% do PIB em educação; hoje gatamos 6,5% e a qualidade do ensino continua a mesma. Outro problema, é que o ensino superior tem muita força no Ministério da Educação (MEC), e isso faz com que o ensino superior tenha proporcionalmente muito mais recursos do que o ensino básico, o que é um equívoco. O corporativismo interno das instituições federais de ensino atua muito forte no MEC, que não distribui os recursos de forma adequada. E isso precisa ser dito, porque falar isso parece pecado. O MEC tem de dar atenção à educação básica também no financiamento. Esse bolo terá de ser dividido. Não estou defendendo menos recursos para a educação superior, mas sim mais equidade de recursos para a educação básica, a que mais precisa evoluir no País.

Marcos Nunes Carreiro – Reforma educacional para além da questão financeira, em quê exatamente?

Por exemplo, temos avanços importantes no ensino fundamental tanto na primeira como na segunda fases, mas o ensino médio está completamente estagnado há dez anos. A média da Prova Brasil de 2005 é exatamente a mesma de 2015. Isso nacionalmente, embora alguns Estados tenham avançado. Temos de fazer uma reforma com foco em aprendizado. No ensino médio há uma discussão liderada pelos secretários de Educação, sobre a reforma, sobre mudança no currículo de forma significativa. Há uma comissão no Congresso que discute isso há alguns anos, sem nenhum avanço maior. Outra coisa importante é adotar uma base curricular nacional comum ao País. Há discussão sobre isso, mas nada de prático ocorreu. Há uma série de ações de efeito pedagógico, de aprendizado do aluno, que não avança da forma que precisa.

Cezar Santos – E não avançam por quê?

Por disputa ideológica muito forte. Por exemplo, sobre a base curricular nacional comum, hoje há uma tese de que cada professor, cada escola, cada aluno tem de ter acesso a um currículo diferenciado. E isso é ideologicamente muito forte. Eu acredito que deve ter um currículo adaptado a cada aluno, mas a base deve ser comum. Então, quando se vai discutir isso, há um debate eterno e nenhum avanço. Essa questão ideológica na educação barra os avanços de forma muito forte.

Nós temos que saber lidar com os dados. Temos Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica], mas só se lembra desse resultado quando ele sai e alguns comemoram e outros lamentam, mas entre um resultado e outro nada acontece. O que falta, enfim, é gestão e visão estratégica para a nossa educação.

Euler de França Belém – O sr. apoia o projeto de organizações sociais na educação?

Todos os dados mostram que o modelo atual de educação é falido. Então, a busca por alternativas tem que existir e nós temos de ter coragem de testá-las. O governador Marconi Perillo e a secretária Raquel Teixeira têm defendido, e eu concordo com eles, que seria uma boa experiência o modelo das OSs. Mas é algo a ser experimentado, a ser testado, e que está sendo muito bem construído pela secretaria. Agora, uma coisa eu garanto: do jeito que está, não pode ficar. E faço um desafio: se não for OS, apresentem alternativas. Acho que todos concordam que, do jeito atual, está ruim. Eu só ouço críticas ao projeto, mas nenhuma proposta de solução; preferem defender o modelo fracassado. Aí não dá.

Euler de França Belém – Há, sobretudo no interior, uma pressão muito grande por parte da população para que algumas escolas sejam transformadas em militares. Em sua gestão como secretário, essas escolas funcionavam bem? Por quê?

Funcionavam. Primeiro, acho que as escolas militares estabelecem um sistema de gestão mais eficiente; e, segundo, leva para as escolas algo que a sociedade diz que falta nas escolas, que é disciplina, o que gera um compromisso maior e um ambiente educacional mais produtivo. Os projetos são mais claros e o resultado, e isso não é opinião minha, é uma cobrança muito grande da própria sociedade por mais escolas militares. Então, acho que é uma boa referência, um bom ponto de partida, e tem dado certo. Agora, não podemos ter uma rede com mil escolas militares. Eu defendo que essas escolas têm que estar em regiões de vulnerabilidade social e muita violência. Por que aí é possível levar àquela comunidade mais segurança, com mais educação. Esses critérios de onde instalar essas escolas precisa ser estabelecido.

A rede também é muito válida e responde de forma muito rápida. O Estado de Goiás é prova disso, com os avanços que teve nos últimos cinco anos. Então, é importante que a rede não-militar também tenha apoio para avançar. E isso vem acontecendo; os dados mostram isso.

Euler de França Belém – Jorge Paulo Lemann, um dos homens mais ricos do Brasil, está interessado em educação e na formação de líderes. Ele, que até pouco tempo não tinha interesse em políticos, percebeu que formar novos líderes é importante. Vocês se encontraram em Harvard. Conversaram sobre Goiás?

Tenho uma relação de diálogo permanente com a Fundação Lemann, que foi criado por Jorge Paulo Lemann para financiar projetos sociais. Eles têm um foco muito grande em educação, em duas linhas: uma sobre a educação básica no Brasil, e esse movimento em favor da base nacional curricular comum tem uma contribuição forte deles; e outra de gerar oportunidade para que alunos brasileiros possam estudar fora do País por meio de bolsas da Fundação Lemann e da Fundação Estudar.

Acontece que muitos desses talentos que estão indo para fora estudar educação, gestão pública, entre outras áreas, foram despertados pela vontade política. Então, ele percebeu que líderes que ele está ajudando a formar passaram a ter interesse na política. Uma história interessante: anualmente acontece, em Harvard, um evento para discutir o Brasil e Jorge Paulo Lemann costuma participar, pois vários dos participantes têm bolsas da Fundação Lemann ou da Estudar. E em uma palestra que ele deu, ele fez uma pergunta: “Quem aqui gostaria de entrar na vida pública?”. Muitos levantaram a mão e ele tirou uma foto com todos esses alunos.

Em Goiás, há muitas pessoas que tiveram relação com o governo estadual e que conseguiram estudar fora por meio da Fundação Lemann. Vou citar três que trabalharam comigo na secretaria de Educação: José Frederico, que terminou seu curso de mestrado em gestão pública, no ano passado, em Harvard; Joice Toyota, que fez mestrado duplo em Business e Educação, em Stanford; e Caroline Tavares, que era professora da rede estadual de Goiás, e trabalhou comigo na secretaria de Educação. Ela está fazendo mestrado em Columbia com bolsa da Fundação Estudar e já está contratada para trabalhar em uma das fundações de Marcel Telles [sócio de Jorge Paulo Lemann], na área de educação.

Joice, por exemplo, foi superintendente em Goiás e conseguiu estudar em Stanford. Quando voltou ao Brasil, montou uma ONG chamada Vetor. Ela é diretora executiva e o José Frederico, apesar de ser fundador da Vetor, trabalha na Falconi, uma empresa que também trabalha na área de consultoria de gestão pública.

Então, citei alguns nomes próximos a nós que conseguiram estudar no exterior, com auxílio das fundações de Jorge Paulo Lemann e de seus sócios. E todos eles pensam, em algum momento, trabalhar no setor público, seja como gestores ou como políticos. E acho que ter pessoas altamente qualificadas e bem intencionadas na política é muito válido.

Cezar Santos – O partido do sr. acompanha a base do governador Marconi Perillo, mas resolveu lançar candidatura solo. Porém, Francisco Júnior parece não “levantar voo”. Por que, sendo reconhecidamente um bom político, ele não consegue se sintonizar com o eleitor goianiense?

É papel de todo partido político desenvolver quadros e apresentá-los à sociedade nas eleições. Não tenho dúvida de que Francisco Júnior é o melhor candidato a prefeito que nós temos, pois é uma pessoa preparada para isso, tanto do ponto de vista de formação quanto de gestão. Então, o PSD, tendo um quadro nesse nível, tinha a obrigação de apresentá-lo à cidade. Agora, a eleição ainda não terminou. O que as pesquisas apontam hoje podem não ser os resultados do dia 2. Ainda temos tempo para que a campanha ganhe força e avance. De qualquer forma, independente do resultado, o partido cumpriu seu papel, que não é o de fazer negociata e não é o de tirar o coelho da cartola, mas o de apresentar seus quadros à população.

Euler de França Belém – O eleitor tende a escolher os candidatos que estão à frente das pesquisas para avaliar. O próprio crescimento de Vanderlan Cardoso acontece no campo dos indecisos, que passaram a avaliá-lo e perceberam que ele pode ser uma alternativa a Iris Rezende. O sr. percebe essa dualidade?

Percebo. Vanderlan e Iris já disputaram diversas eleições majoritárias e são mais conhecidos, se apresentando, portanto, de maneira muito mais fácil, pois todos já o conhecem. Isso gera dificuldade, então, para aquele candidato que é mais qualificado, mas que não tem o nível de conhecimento que eles têm. Essa é uma barreira complicada de se quebrar. Vanderlan disputou duas eleições de governador e não me lembro de qual eleição Iris ficou fora nas últimas décadas. Então, isso chama muito a atenção.

Marcos Nunes Carreiro – A minirreforma também ajuda nesse fenômeno? Ela reduziu o tempo de campanha e restringiu também um pouco o modo de fazer campanha. Como o sr. enxerga isso?

De uma forma geral, entendo como positivas as mudanças. A própria alteração do horário eleitoral foi boa, porque é muito mais fácil o cidadão assistir a uma pílula de 30 segundos que a um programa de meia hora. As pílulas conseguem comunicar de maneira muito mais eficiente. Algo importante também é o baixo nível de financiamento de campanha, porque chegou um momento na vida pública em que não era o melhor candidato que tinha chance, mas quem tinha mais dinheiro.

Agora, tem que se pensar formas de financiamento público de campanha. Se não vai ser via empresas, com o que eu concordo, e se não será via financiamento individual, porque não temos essa cultura, a democracia tem um preço. Então, precisamos buscar uma forma de financiá-la. Qual? Não sei, mas elas precisam ser debatidas e encontradas.

Por outro lado, essas mudanças deixaram um espaço de maior penetração para quem já é altamente conhecido. Assim, passando as eleições, teremos que fazer uma nova avaliação para ver o que pode ser alterado e aprimorado. Mas entendo que já tivemos avanços em relação ao modelo anterior e, aos poucos, vamos chegando num modelo mais ideal.

Euler de França Belém – Goiânia depende muito da área de serviços. Porém, grandes cidades não podem depender apenas de um setor da economia. Campinas, que tem a Unicamp, tem um polo tecnológico avançado e que dá um suporte muito grande para essa diversificação. Goiânia não precisa descobrir uma vocação econômica e definir outras áreas para atrair investimentos?

Eu só não acho que a indústria que tenha que vir para Goiânia tenha que ser a indústria tradicional do século passado. Hoje, existem muitas cidades que conseguiram gerar emprego e desenvolvimento através de novos modelos e novas indústrias, especialmente na área de tecnologia, que têm como base o conhecimento e que geram muito mais riqueza do que a indústria tradicional. E nós temos potencial para isso, pois temos campos universitários importantes.

Agora, é necessário criar a infraestrutura para isso. Todo mundo fala em asfaltar as ruas de Goiânia. Tudo bem, pois ainda existem bairros sem asfalto. Mas quando é que a gente vai falar em ter internet rápida em Goiânia, com rede de cabeamento? Esse é o asfalto do futuro. O asfalto que vai trazer o desenvolvimento daqui em diante não é aquele que nós conhecemos, mas uma nova rede de comunicação que precisa ser instalada e investida.

Eu não vi ninguém falar sobre aproveitar os polos de conhecimento que nós temos em Goiânia. Temos universidades que têm investimentos importantes em tecnologia. Nós temos que abrir alternativas, mas nós não podemos ter a cabeça do passado. Nós temos que pensar no futuro da nossa cidade, descobrir novas vocações e poder avançar.

Euler de França Belém – O arquiteto Jaime Lerner, que deu uma nova faceta para Curitiba, diz que “o carro é o cigarro do futuro”. O que o sr. acha dessa frase dele?

Eu concordo que o carro é um meio de locomoção que se tornou indispensável em alguns aspectos, mas que também gera transtornos enormes nas cidades. É preciso investir em transporte de massa que seja eficiente, chegue na hora, seja confortável e isso gera grandes custos. O governo não tem condição de fazer isso. Aí entra a necessidade de ter as parcerias público-privadas (PPPs). Mas, de fato, esse modelo do carro é um modelo do passado. Qual a alternativa? Eu também não sei. Se não é o carro como é que você vai se locomover? A gente não criou a rede de mobilidade para isso.

“Vemos as expansões acontecendo e as regiões com infraestrutura sendo abandonadas. Isso é preocupante. O Centro de Goiânia, por exemplo, tem rede elétrica, saneamento, prédios e é subutilizado”

Euler de França Belém – Muito se fala de São Paulo, que tem engarrafamentos e trânsito cheio. Imagina se não tivesse o metrô.

Os corredores de ônibus, os BRTs (bus rapid transport), o metrô.

Euler de França Belém – O governador Geraldo Alckmin (PSDB) está fazendo, de São Paulo a Guarulhos, um metrô de superfície que vai facilitar muito o trânsito.

Eu sou muito preocupado com o fato de esses grandes investimentos em mobilidade serem muito caros e que vão se tornando mais difíceis com a expansão urbana da cidade. Essa visão de expansão ilimitada gera um custo muito alto para a cidade e para o cidadão. Para cada bairro que aparece em um extremo, tem que ter toda a infraestrutura. E tem bairros mais centralizados sendo subutilizados. O Centro de Goiânia é um exemplo disso, que tem rede elétrica pronta, tem saneamento pronto, prédios prontos e é subutilizado. E as pessoas vão saindo do Centro.

Esse é um fenômeno muito preocupante porque o custo para gerar tudo isso de novo em outra região é muito alto e vai complicando a cidade. Eu defendo a cidade mais adensada, mais compacta, que não é o que vem prevalecendo nos últimos anos na nossa capital. Vemos as expansões acontecendo e as regiões com infraestrutura sendo abandonadas. Isso é preocupante.

Euler de França Belém – É possível notar a presença da iniciativa privada, mas não a do setor público.

Isso depende de um prefeito que tenha capacidade de articular melhor a cidade, de criar uma série de regulamentações, seguir o Plano Diretor. Essa visão de diversificar e ampliar, no meu ponto de vista, é equivocada. A cidade moderna é adensada, compacta, para que você consiga fazer tudo com mobilidade fácil.

Euler de França Belém – Na opinião do sr., por que Iris Rezende não está apresentando um projeto criativo para Goiânia e deixa claro que pretende fazer o “arroz com feijão”, como asfalto e limpar a cidade?

Quando falta arroz com feijão, nós sentimos falta. É muito difícil querer avançar para outros tipos de ação sendo que o básico não está sendo feito. E é aí que Iris desperta esse interesse, porque ele tem uma história de que consegue cumprir. Mas isso é preocupante porque nós precisamos de um prefeito que tenha uma visão moderna, de futuro, para essa cidade.

Com todo respeito ao Iris, ele tem outras qualidades, mas essa de olhar para o futuro e ver a Goiânia que tem que avançar ele não tem. Assim como ele tem outras qualidades, essa ele não tem. Se ele representa um bom prefeito para o “arroz com feijão”, ele jamais vai ser o prefeito que vai ter uma visão de que o novo asfalto não é aquele asfalto que ele conhece, mas essas novas redes de comunicação que têm que ser construídas em Goiânia. É ruim isso.

Euler de França Belém – Com toda a autoridade que ele tem, como político e administrador, Iris Rezende nunca teve uma visão moderna para a saúde, enquanto o principal problema de saúde em Goiânia é da Pre­fei­tura. O principal em Goiânia é o posto de saúde. Não o hospital.

Basta entra em um hospital e em um Cais. Eu desafio qualquer um a perceber que, de fato, o problema não é a rede estadual. O problema no nosso caso é a rede municipal.

“Criamos a frente parlamentar do Brasil Central”

Euler de França Belém – Por que o sr. defende tanto o Uber?

Primeiro: livre concorrência. Eu não acho que o mercado de mobilidade da cidade pode ficar na mão de concessões de taxistas. Eu não defendo o Uber simplesmente, eu defendo qualquer avanço de mobilidade na cidade. E o Uber, por onde ele é instalado, representa um avanço nesse sentido. Não é a solução para tudo, mas é um avanço.

Basta ver que a chegada do Uber em Goiânia gerou maior qualidade do serviço de táxi. Outro dia eu peguei um táxi que tinha água, copiando o modelo Uber. E isso é bom. Outra coisa: gera concorrência de preço. É desproporcional o preço que você paga no Uber e o preço que você paga no táxi. Enfim, existe uma série de coisas que eu entendo como positivas. A minha defesa do Uber é a defesa de práticas modernas, de inovação para as cidades e o Uber é um símbolo disso em alguns aspectos.

Cezar Santos – Nos Estados Unidos já estão testando carro de Uber sem motorista. Aqui, nós ainda estamos discutindo a legalidade do modelo.

Eu entendo que o prefeito Paulo Garcia (PT) perdeu uma grande oportunidade. No final do ano passado, nós fizemos um evento em Goiânia, o “Let’s Go”. Trouxemos diversos especialistas e referências na área de tecnologia, inovação, para discutir com a cidade, e veio um dos diretores do Uber. Eu fiz uma provocação e disse que tinha que trazer o Uber para Goiânia porque ele tinha ido de táxi para o evento. (risos) Depois, conversamos mais um pouco e, em janeiro, ele fez contato comigo dizendo que eles estavam considerando instalar o Uber em Goiânia, mas queriam chegar em Goiânia de uma forma diferente.

Em todo lugar que eles chegam, é sem ser convidado. E acharam que aqui tinha um ambiente para eles serem convidados a chegar na cidade. Pediram para que eu marcasse uma conversa deles com o prefeito Paulo Garcia. Eu fui lá, conversamos com o pessoal do Uber, eles fizeram a sugestão e Paulo ficou de avaliar. Era uma proposta muito interessante porque seria a primeira cidade no mundo em que o Uber chegaria a convite da Prefeitura. Então, seria um case a ser adotado no mundo todo. A cidade se tornaria referência nessa relação com o Uber.

Eu percebi que o prefeito concordava, gostava da ideia, mas temia o embate corporativista. Tentamos diversas vezes, mas acabou que eles vieram pelo caminho tradicional. Eles se instalaram em Goiânia e começaram a operar. Depois o prefeito buscou uma forma de regulamentar o Uber, chegou a fazer uma consulta pública e não regulamentou.

Eu entendo que o prefeito perdeu a grande oportunidade de trazer esse meio de transporte para a nossa cidade de uma forma mais inteligente e viável. E hoje você já tem a briga tradicional instalada.

Thiago Peixoto em entrevista aos editores do Jornal Opção: “Não podemos discutir segurança pública somente Estado por Estado. A nova segurança pública tem que ter uma inteligência que supere nossas fronteiras.” | Foto: Fernando Leite/ Jornal Opção

Thiago Peixoto em entrevista aos editores do Jornal Opção: “Não podemos discutir segurança pública somente Estado por Estado. A nova segurança pública tem que ter uma inteligência que supere nossas fronteiras” | Foto: Fernando Leite/ Jornal Opção

Euler de França Belém – Como está o Fórum Brasil Central? Qual tem sido o resultado dele?

Em 2014, eu fui aos Estados Unidos, em Harvard, para falar dos avanços educacionais de Goiás. Nós tínhamos atingido o primeiro lugar do Ideb e eu fui convidado para falar sobre isso. Aproveitei e marquei uma conversa com o professor Mangabeira Unger, que ainda não estava como ministro de Dilma. Ele me disse que era muito importante que o Brasil tivesse planos de desenvolvimento regionais, contou que tentou desenvolver alguns planos quando foi ministro e entendia que eles precisavam quebrar a lógica do mapa oficial do Brasil.

Para ele, pensando a região Centro-Oeste, ela tem uma semelhança muito grande com outros Estados e um plano regional para essa região deveria ter a participação de outros Estados. A característica econômica de Goiás é muito próxima da do Tocantins, de Rondônia. No Centro-Oeste, cabia ampliar essa região para esses dois outros Estados. Mangabeira disse que faltava no Brasil uma liderança para puxar esse projeto.

Eu falei a ele que achava que o governador Marconi Perillo (PSDB) topava assumir esse papel. Voltei dos Estados Unidos e conversei sobre isso com o governador, que disse que aceitava. Foi no mesmo dia que ele me convidou para ser secretário de Planejamento. Eu tinha a tendência de ficar na Câmara, mas Marconi me disse que toparia a ideia se eu fosse para o governo e ajudasse a implementar. Eu cheguei ao governo e, passado um tempo, Mangabeira se tornou ministro da Dilma. Conversei com o ministro e disse que Marconi topava a proposta feita por ele e que marcaria uma conversa entre os dois em Goiânia.

Isso aconteceu. Os dois conversaram, o governador topou o desafio e lançou essa frente de governadores. A ideia inicial era uma frente, não um consórcio. Isso foi se desenvolvendo. Mar­coni convidou outros governadores, fizemos um seminário em Goiânia e começou a surgir o desenho do consórcio. Meses depois conseguimos montar o consórcio, aprovado em todas as Assembleias Legislativas.

Naquele momento, os Esta­dos só discutiam uma agenda de a­juste fiscal, e faltava o vetor de desenvolvimento. Esse vetor de desenvolvimento não podia ser isolado por Estado, precisava ser integrado. Então, a agenda de desenvolvimento de Goiás passou a ser desenvolvida com a agenda de desenvolvimento de outros Estados do Brasil Central, no caso de mais outros cinco Estados.

Para isso acontecer, nós criamos um consórcio que tivesse a capacidade de pensar essa agenda de desenvolvimento e de executar essa agenda de desenvolvimento. Isso gerou uma proximidade entre os governadores. Além de uma agenda muito forte nessa área, há um diálogo permanente de troca de experiência, de ações em comum. E isso foi ganhando peso.

Marcos Nunes Carreiro – Mas, hoje, é certo dizer que há outros Estados, fora os iniciais, participando ativamente das conversas promovidas pelo consórcio.

Sim. Através disso, o Movi­mento Brasil Competitivo conheceu esse formato e Cláudio Gas­tal e Jorge Gerdau decidiram ampliar essa articulação para além dos seis Estados. Hoje, temos uma agenda de reforço do Estado, que tem 19 Estados participando, e que nasceu desse núcleo aqui no Centro-Oeste, que nasceu daquela conversa lá em Harvard.

Olha como é bacana quando você participa de um bom projeto, a capacidade de projeção que isso tem. Os governadores passaram a conversar e entenderam que também faltava uma articulação disso no Congresso Nacio­nal. Eu voltei para a Câmara e já criamos a frente parlamentar do Brasil Central, que terá uma agenda legislativa voltada para esses Estados.

Fora isso, vai ser assinada nesta semana uma Comissão Especial para a Reforma do Estado, que vai discutir o projeto desses 19 Estados. Como derivado dessa ação, nós já temos uma ação nacional acontecendo.

Marcos Nunes Carreiro – O consórcio lançou, em agosto, o pacto interestadual de segurança pública integrada. O que esse pacto pretende de fato?

Eu concordo 100% com a visão do vice-governador de Goiás, José Eliton, de que nós não podemos discutir segurança pública somente Estado por Estado. Que a nova segurança pública tem que ter uma inteligência e uma articulação que supere as nossas fronteiras. E essa discussão começou com os Estados do Brasil Central. Hoje, ela é mais ampla do que tudo.

Você tem Estados que não fazem parte do Brasil Central, do desenho desse consórcio, que já integram essa discussão nacional de segurança pública. Inclui a troca de informações, dados, inteligências e operações montadas de forma conjunta.

Eu diria que é um movimento nacional de segurança pública, o que é muito positivo, porque você deixa de discutir a segurança pública somente cada um cuidando da sua própria vida e passa a discutir olhando um todo como hoje você discute educação, saúde e agora você pode discutir segurança pública dessa forma.

Dessa visão, que o doutor José Eliton defende, e eu também concordo com ele, a criação do Ministério de Segurança Pública, que seria o órgão articulador da segurança pública nacional. Já que é hoje uma das principais demandas no País, por que não ter isso mais articulado e com respaldo de um Ministério?

Na semana passada nós tivemos uma discussão em Brasília sobre essa possibilidade. Tudo isso tem como embrião o Brasil Central.

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