“Não levo a candidatura de Caiado a sério, mas para mim seria nosso adversário ideal”

Presidente da Agetop banca José Eliton como o vencedor da corrida eleitoral e desafia o senador a mostrar o que fez por Goiás. Para ele, o comandante do DEM começaria a campanha com pouca gente e terminaria sozinho

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

A forma franca e direta com que Jayme Rin­cón (PSDB) tra­ta as pautas que lhe são endereçadas é algo já co­nhecido. Ele é assim sempre em que tem de defender suas ideias — como a polêmica possibilidade de demissão dos servidores públicos, na qual toca novamente nesta entrevista — ou o governo de que participa e no qual está, sempre de forma bem ativa, desde 2011.

Porém, o presidente da Agência Goiana de Transporte e Obras (Agetop) fica ainda mais atiçado quando o tema é eleição. Foi assim no ano passado, quando defendeu até o fim a candidatura de Vanderlan Cardoso (PSB) contra Iris Rezende (PMDB) e já dá indícios de que será da mesma forma na próxima campanha. Desta vez, o alvo principal é Ronaldo Caiado (DEM). O senador é o maior crítico do governo estadual e vem se utilizando dos espaços na mídia para criticar severamente Marconi Perillo (PSDB) e seu vice, José Eliton (PSDB), este o pré-candidato do partido ao governo.

“Não acredito que ele (Caiado) será candidato, mas eu torço para que seja”, diz Jayme, para quem o possível rival começaria com índices altos, mas terminaria amargando um dígito nas intenções de voto. Nesta nova conversa com o Jornal Opção, ele também destaca o grande poder de realização que tem José Eliton e coloca Marconi como futuro presidente da República. “Se ele fosse governador de São Paulo, o candidato do partido à Presidência seria ele, já estaria escolhido”.

Euler de França Belém — O governo vai privatizar a Saneago? Há um comentário generalizado sobre isso nas redes sociais.
Não. O governo está capitalizando a empresa e vai vender ações para isso, como ocorreu no Paraná, um ca­so bem-sucedido. Mas, passar o controle acionário é algo fora de cogitação.

Euler de França Belém — Isso não existe?
Não, e todas as declarações que o governador fez são nesse sentido. Não acredito na privatização da Saneago, apesar de que — e isso é apenas minha opinião — o Estado não tem capacidade de investir. Vimos agora o sucesso que foi a venda da Celg. Se fosse eu o governante, não teria dúvida em também vender a Saneago, mas com certeza não é isso que vai acontecer. O governador quer capitalizar a empresa com essas medidas.

Euler de França Belém — Para o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), o saneamento básico é item fundamental. Goiás é exemplo nessa área?
Se compararmos ao restante do País, sim. Temos a água praticamente universalizada e avançamos na questão das redes de esgoto, mesmo considerando as dificuldades de investimento. Infelizmente, porém, estamos ainda muito aquém do ideal.

Augusto Diniz — O que ocorre neste momento, em que várias cidades goianas estão vivenciando o drama do desabastecimento de água?
Primeiramente, estamos vivendo períodos cada vez maiores de seca, numa escala sem precedentes. Mas aqui, para Goiânia e Aparecida, com o Sistema João Leite começando a funcionar, a situação ficará resolvida por mais 40 anos. Com certeza, este será o último ano em que vamos vivenciar essa situação de falta d’água em pontos da região. No geral, estamos bem servidos.

Vimos o que ocorreu em São Paulo, considerado o Estado mais desenvolvido, há três anos atrás. Lá houve racionamento, efetivamente. Isso é consequência de um problema maior, climático, que estamos vivendo e, com os Trumps da vida, a tendência é piorar. Felizmente, em Goiás, para a região metropolitana, o governo se precaveu e tomou as medidas necessárias no momento certo.

Patrícia Moraes Machado — Quando será a inauguração definitiva da barragem?
Está marcada agora para setembro, não sei exatamente que dia.

Patrícia Moraes Machado — Já para funcionar 100%?
Exatamente.

Augusto Diniz — Situações como a baixa considerável do reservatório de Serra da Mesa são preocupantes para a Saneago?
Com certeza o presidente da Saneago, Jalles Fontoura, deve estar muito preocupado com isso. A crise dos reservatórios é nacional e não ocorre diferente por aqui. Eu estava observando a situação do Araguaia. O que estão fazendo com o rio é muito grave. A quantidade de pivôs centrais instalados na região de Britânia e do Itacaiú é absurda. Dizem que se não tiver água não tem como produzir, mas é preciso achar um meio termo. Não dá para sugar toda a água dos rios por conta da produção agrícola.

Elder Dias — Mas não está faltando um controle por parte da Secima [Secretaria do Estado de Meio Ambiente, Recursos Hídricos, Infraestrutura, Cidades e Assuntos Metropolitanos] em relação à outorga da água e o uso desses pivôs, que podem estar causando um dano ambiental enorme?
Eu comentei com o governador sobre minha preocupação em relação à quantidade de pivôs em Goiás. Tenho certeza de que o secretário Vilmar Rocha [titular da Secima] é firme, preocupado e correto em todas as suas medidas. Mas entre sua posição e a expedição de outorgas para a instalação de pivôs há um longo caminho. Se eu fosse o secretário, reveria todas as licenças de pivôs e imporia fiscalização para saber se todos estão efetivamente licenciados. Acho que precisamos fazer isso agora, porque, se esperar, talvez não tenhamos o que salvar lá na frente. É uma preocupação que está cada vez mais clara para mim: vamos acabar com nossas águas, nossos rios, nossos reservatórios, muito antes do que poderíamos imaginar.

Cezar Santos — Poderia se estabelecer uma força-tarefa nesse sentido.
Exatamente, para pegar tudo o que seria necessário, de uma ponta à outra, em todos os mananciais. Não tenho dúvida de que há muita coisa clandestina.

Marcelo Mariano — Essa força-tarefa ela é factível ou é uma utopia?
Com certeza, é factível. Tudo o que se puder agregar em termos de cabeças, ações e procedimentos é preciso trazer e fazer. Ou então vamos ficar puxando para um lado e para o outro. Quem participa de governo e tem noção de planejamento sabe que não tem como fazer diferente.

Elder Dias — Uma das grandes dificuldades que a Secima tem passa pela questão de pessoal. A equipe é restrita. Não seria interessante fechar parcerias com outras instituições? A Universidade Federal de Goiás (UFG) tem o Lapig [Laborat­ório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento], que tem ferramentas de última geração para monitoramento. Não seria possível estabelecer esse canal?
Com certeza, é uma ideia interessante. É algo que precisamos nos atentar. Não digo que acendeu a luz amarela para a questão da água, para mim já é a luz vermelha. Se não frearmos essa questão dos pivôs em Goiás, vamos ficar sem água muito rapidamente.

Augusto Diniz — Com a definição de que a água é um bem estadual e não municipal, como é que deve ser a atuação da Saneago agora, com a revisão do Plano Diretor de Goiânia?
Na verdade, os recursos hídricos são um bem que é tratado em nível estadual, mas a exploração dos serviços é municipal. Isso sempre funcionou bem, mas o prefeito Iris Rezende (PMDB) quis politizar essa história, mais por falta de assunto. Se tem um lugar onde a Saneago cumpre bem seu papel é Goiânia. Iris usa isso como moeda de troca, mesmo sabendo que não tem a menor condição de indenizar a Saneago (por quebra de contrato) no caso de a Prefeitura assumir o serviço na capital.

Augusto Diniz — Mas a Saneago tem poder de intervir na discussão da revisão do Plano Diretor, para direcionar para como deve ser feito para a água ser preservada?
Não sei se ela tem poder para isso, mas com certeza há a necessidade de a Saneago participar da discussão. Não há como tomar uma decisão sem ouvi-la. Por isso que é muito ruim continuar politizando assuntos que deveriam ficar restritos a período eleitoral. Para discutir questões da cidade, é preciso pensar no bem da comunidade, nos interesses da população. Isso o governador Marconi faz com muita maestria, jamais mistura interesses de Estado a qualquer questão partidária. E esperamos que Iris faça o mesmo.

Patrícia Moraes Machado — Mas Iris, contrariamente ao que disse em campanha, parece que está buscando parcerias com o governo estadual. O sr. disse que precisa separar o que é dito em campanha do que é feito durante a administração. Mas não passa a ser um estelionato eleitoral fazer tudo ao contrário?
Não se pode cobrar coerência de Iris, seria muita dureza em relação a ele. Eu acho que a população goianiense tem uma condescendência muito grande com ele. É impressionante como é o trato a outros governantes, em relação à maneira com que Iris é visto. Pode até ser algo legal, pela importância que ele teve na história da cidade, mas ninguém parece querer cobrar dele. A gente tem até de aceitar, apesar de achar que não é a melhor forma de lidar com um governante — até porque ele já teve tempo mais do que suficiente para resgatar alguns dos compromissos que fez durante a campanha. Lembro-me de que, por exemplo, ele disse que construiria “tantos viadutos quantos fossem necessários” para resolver os problemas de estrangulamento no trânsito. Com certeza, estaríamos falando de mais de 40 viadutos e ele dizia como se fosse apenas ter de estalar os dedos.

Patrícia Moraes Machado — Iris também não buscou resolver a questão do transporte público, que quem acabou assumindo a negociação foi o governo estadual.
Ele não vai resolver nada, vai fazer o que sempre fez: recapear algumas ruas, pintar meio-fio, cortar grama e trocar lâmpada. Iris Rezende é o tipo de governante que gosta de “passar batom”. Tanto em Goiânia como no Estado, ele nunca fez alguma intervenção pensando além do próprio mandato. Então, para fazer do jeito que ele faz, tem de ser assim, imediatista. As grandes ações transcendem mandatos. Se você pegar as gestões de Iris, vai ver que não houve qualquer projeto que ele tenha deixado e que tivesse tido continuidade, porque não tem como. O que ele faz? Mutirão. Por quê? Porque vai lá, executa, é uma ação específica. Você nunca vai ver Iris apresentar um único projeto para resolver algo estrutural de Goiânia. Em suma: com Iris vamos ter uma cidade limpinha, bonitinha, arrumadinha, mas vamos perder mais quatro anos para enfrentar os reais problemas de Goiânia. Isso não ocorrerá no mandato de Iris.

Patrícia Moraes Machado — O maior direcionamento dos recursos da venda da Celg está na Age­top. Como está o cronograma para encaminhar a entrega das obras que estavam paralisadas?
Já tem obra que estamos entregando. Nós vínhamos, até 2014, em ritmo acelerado. Então, o País entrou em sua maior crise econômica, financeira, ética, moral e política da história. Por mais que tentássemos evitar, isso chegou a Goiás. Mas o governador Marconi Perillo, já prevendo isso, fez um ajuste fiscal muito duro em 2015 e, novamente — “o ajuste do ajuste” — em 2016. Isso é o que está proporcionando a condição para que façamos o que estamos fazendo agora. Todas as obras estão sendo retomadas.

Assim, acabamos tirando o discurso da oposição. O deputado José Nelto (PMDB) gravou um vídeo e o divulgou na internet, dizendo que andaria por todo o Estado para mostrar as obras paralisadas. Eu respondi: “Não precisa gastar tanta gasolina para procurar obra parada, basta andar por Goiânia”. As marginais estão paralisadas há quantos anos? E a Casa de Vidro? Há obras assim em todo lugar. O que a Prefeitura faz é recolher lixo, pintar meio-fio, fazer aquilo que Iris sempre fez. Na Agetop, o que ainda está paralisado é por questão burocrática. Não temos mais nada que possa ser retomado e concluído e que esteja paralisado.

Euler de França Belém — O Centro de Convenções de Anápolis foi retomado?
Está com obras aceleradas e vamos concluir as obras até março do ano que vem.

Patrícia Moraes Machado — O mesmo vale para o aeroporto de cargas?
Esse está praticamente concluído. O que estamos fazendo é, por exigência da Anac [Agência Nacional de Aviação Civil] para a homologação, um pátio de estacionamento e transferência de hangares. Estamos fazendo isso para entregar e a obra só não está mais acelerada porque é um tipo de serviço que não tem como colocar 300 homens para fazer, é um tanto mais técnico.
Em relação a outras obras: todas as duplicações de rodovias e demais obras rodoviárias foram retomadas. Vamos também fazer a entrega de todos os presídios, que estão com obras aceleradas. São cinco e quatro devemos concluir até março. Talvez apenas o quinto, o de Planaltina de Goiás, que começamos agora, é que talvez não consigamos. O hospital regional de Uruaçu também, da mesma forma, vamos entregar até março de 2018. Já o de Santo Antônio do Descoberto está sendo retomado, o Hospital do Servidor vamos entregar no próximo mês. Também retomamos a construção de todos os Credeqs [Centros de Referência e Excelência em Dependência Química]

Patrícia Moraes Machado — E quando eles serão entregues?
Há um cronograma, mas nossa intenção é entregarmos o máximo que pudermos no fim de março, quando o governador Marconi deixa o governo.

Patrícia Moraes Machado — Mas a obra será entregue já funcionando ou só será a estrutura?
O ideal seria tudo funcionando, mas entregando a obra física já é um avanço muito grande. Mas não temos nada parado. Tenho uma sugestão para a oposição: para disputar com chances a próxima eleição, sugiro a eles que mudem o discurso. Parem de falar que não damos conta de fazer nada ou que está tudo parado. Contra os fatos não tem argumento. Eles podem dizer que vão fazer mais, ou melhor. Agora, querer ganhar eleição dizendo que nosso governo é ruim, ou que o governador e seu vice são incompetentes, é uma bobagem, é menosprezar a inteligência das pessoas.

Elder Dias — Sobre o Centro de Convenções de Anápolis, uma publicação em rede social mostrou duas informações dadas sobre o andamento da obra. Em fevereiro do ano passado, o registro era de que 85% do que deveria ser feito havia sido efetivamente executado. Já agora, em agosto, um ano e meio depois, a informação era de que 80% já havia sido concluído. O que houve com esses 5% a menos nesse período?
Sou muito cuidadoso com relação a porcentual de execução de obra, porque depende muito de como se observam os dados. Depende do ângulo que se olha. Em uma obra civil, como o Centro de Convenções de Anápolis, esses dados vão depender do que se colocará como necessário para concluí-la. Tem coisa que estava prevista e que, por uma razão ou outra, não será feita mais, ou vice-versa. Por isso eu digo que, para mim, só valem os 100%. No mais, fica muito difícil avaliar esse porcentual.

Elder Dias — Na verdade, nem os 100% valem de fato. Porque, para a população, não adianta que um hospital esteja fisicamente concluído, mas sem estar em operação.
Sim, aí não vale nada.

Patrícia Moraes Machado — Dizem que o “pulo do gato” para o próximo mandato será em termos de gestão com o servidor e com o cidadão. Manter um hospital é mais caro do que construir um hospital. Há, então, um planejamento para o que está sendo erguido e que será entregue? O caminho continua sendo o das OSs [organizações sociais]?
Com certeza, esse é o caminho, é um caminho sem volta para administração dos hospitais. Vem gente do Brasil inteiro para ver nosso processo exitoso nesse sentido, na área da saúde. Ainda tem muita coisa para realizar e por mais que o governador Marconi tenha feito — e fez muito — na área de infraestrutura, ainda haverá sempre uma deficiência, porque somos um Estado ainda carente de investimento nessa questão. Precisamos continuar a dar saltos na industrialização, no escoamento da safra. Tudo que o Estado vive hoje é em função dos investimentos do passado, que fizeram alavancar nosso crescimento. É preciso dar ao produtor, ao investidor, as condições para que ele tenha retorno. Se não fizermos o que deve ser feito, o empresário vai embora, o que há de mais barato no setor produtivo é uma planta de produção. O grande desafio é ter recursos para o custeio de tudo isso que estamos executando agora — os Credeqs, os presídios, os hospitais, as rodovias etc. Esse será o grande desafio do próximo governador.

É preciso também buscar a excelência no serviço ao cidadão, o que, infelizmente, ainda deixa muito a desejar. No dia em que conseguirmos fazer com que todos se sintam bem atendidos onde estiverem e, de preferência, fazendo isso de casa, sem fila, estaremos no caminho correto, perto do ideal. É outro desafio para o próximo governador.

Patrícia Moraes Machado — Mas isso depende de arrecadação. Como estão as finanças do Estado?
Se nós tivermos essa arrecadação inercial que teremos com o crescimento do País já será um suporte considerável. Henrique Meirelles [ministro da Fazenda] já está trabalhando com um crescimento de 3% do PIB para o ano que vem. É muito alentador, apesar que temos ainda um sistema tributário burro, superado e uma guerra fiscal inócua, da qual, interessante, nós nos beneficiamos muito, talvez o Estado em que isso tenha ocorrido de forma mais evidente. Com a infraestrutura que Marconi está acabando de implantar em Goiás e com a posição geográfica, não vamos precisar nos preocupar com guerra fiscal. E o que já veio está aqui, não vai embora.

Patrícia Moraes Machado — E como conter o crescimento da folha de pagamento?
Quando cheguei ao governo, em 2011, lembro-me de que a primeira entrevista que eu dei foi dizendo que era preciso colocar o dedo na ferida da questão da estabilidade do funcionalismo público. E fui bombardeado nas redes sociais de tudo que é jeito. Mas não mudei minha opinião, até porque hoje sei que tipo de servidores temos.

Eu poderia tocar a Agetop com pouco mais da metade dos funcionários que temos hoje? Sim, não tenho dúvida, mas desde que eles tivessem o “risco” de serem demitidos. Nenhum governo investiu tanto na qualificação do servidor como o de Marconi, a partir da iniciativa de Giuseppe Vecci [ex-secretário estadual de Gestão e Planeja­mento, hoje deputado federal pelo PSDB], que teve isso como uma de suas grandes bandeiras. Tanto no serviço público como na empresa privada há uns melhores que outros, quem trabalha mais e menos. Se tivéssemos a possibilidade de demitir o funcionário público, teríamos um enxugamento muito grande da folha. Falo sempre ao governador que faço um reconhecimento muito extenso ao corpo técnico da Agetop. Veja o que estamos fazendo lá — e não se faz isso sozinho. Mas é o que eu digo: é preciso tocar o dedo na questão da estabilidade. Outra questão é a da Previdência. O Brasil está perdendo a oportunidade de fazê-la por bem e acabará tendo de fazê-la por mal.

Augusto Diniz — Ainda há um questionamento sobre a transparência com que se dá o repasse do Estado para as OSs. O que é preciso fazer para fiscalizar melhor e tornar mais límpido esse processo?
Quando as pessoas falam em falta de transparência, em parte é porque não buscam, já que tudo isso está no Portal da Trans­parência, bem detalhado. Para mim, o próximo passo em relação às OSs seria fazer uma auditoria da necessidade de cada item da planilha. É preciso saber, de fato, a necessidade de cada serviço.

Augusto Diniz — Qual foi o desgaste que Marconi teve por ter bancado as OSs na educação, em um processo que ficou de lado?
Infelizmente isso ficou de lado. Não acredito em grande desgaste, até porque temos um modelo aprovado em outra área, a de saúde. Esse processo na educação teria de ter sido bancado mais firmemente pelo governo como um todo. Quando se vai mexer em uma área sensível como a educação, em que há uma série de benefícios arraigados durante anos e anos, a resistência deveria ter sido enfrentada com um pouco mais de dureza. Mas era uma época de governos — não só o nosso — mal avaliados e era difícil levar adiante uma mudança substancial tão brusca de gestão em um cenário assim. Se fosse “céu de brigadeiro”, tudo teria evoluído mais rapidamente. Mas é a tendência natural (que se implantem as OSs na educação).

Jayme Rincón, presidente da Agetop: “Não tem região do Estado em que não haja várias obras importantes em andamento”

“José Eliton é disparadamente o melhor nome”

Euler de França Belém — Como o sr. vê a questão da qualidade da escola militar, que é pública e boa ao mesmo tempo, aprovando em cursos dificílimos?
Interessante que um dos pedidos mais frequente que recebo na Agetop é para implantar colégio militar em algum município ou conseguir vaga numa delas. Não tem como entregar o ensino todo para os militares, porque não é só questão de qualidade no ensino, mas também a da disciplina, coisas que hoje seriam questionadas. Vivemos em um país onde tudo hoje é questionado, tudo está errado, todo mundo é ladrão. É um momento de caça às bruxas geral, com um debate muito calcado em cima da pureza.

Elder Dias — Na sucessão estadual anterior, existiu um exato momento em que o sr. disse “a gente vai ganhar”, mesmo com todo o tempo à frente do governo. E agora, como fica? Mesmo assim, o governo vai conseguir eleger José Eliton (PSDB)?
A próxima eleição será uma incógnita em todo o Brasil. Ninguém sabe o que está se passando na cabeça do eleitor. A gente pode caminhar para um voto de protesto geral, elegendo quem é do contra, como um Jair Bolsonaro [deputado pelo PSC-SP e pré-candidato da extrema direita]. Esse risco existe, mas, à medida que o País volta a crescer e começa a haver uma estabilidade política — mesmo com a Rede Globo não querendo —, a tendência de reeleger José Eliton, que já será governador, passa a ser enorme. Não existe eleição fácil nem ganha, mas, de todas, talvez esta seja a que tenhamos melhores condições de ganhar.

Por quê? Porque José Eliton é disparadamente o melhor pré-candidato entre os que já se colocaram até agora. Ele tem experiência administrativa e política, participou efetivamente das duas gestões de Marconi, não é um aventureiro nem alguém que vai aprender a governar. Ele elaborou e executou esses programas que estão acontecendo agora na gestão. Também é preciso ver que o governo estará bem avaliado, em função de tudo que está acontecendo. Esse reconhecimento, é bom frisar, não é obtido por meio de um intuito eleitoreiro, mas redundam em uma avaliação eleitoral, é óbvio — ou então não se faria nada no governo. Ora, a avaliação positiva dos eleitores é exatamente em cima do que é feito. E mais: ele vai enfrentar candidatos fracos.

Elder Dias — E o que dizer do senador Ronaldo Caiado (DEM), que lidera as primeiras pesquisas de intenção de voto?
Sinceramente, não levo a sério a candidatura de Ronaldo Caiado. Não acredito que ele será candidato, mas eu torço para que seja. Gostaria de ver ele disputando uma eleição ao governo de ver quem estaria com ele — e por quanto tempo ficaria — e quais seriam suas propostas. Talvez ele não tenha tido nem a humildade de procurar um marqueteiro até agora. Vendo as pílulas dele na TV, eu, se fosse o marqueteiro, o proibiria de sorrir. O sorriso dele é cínico, chega a chocar. Ele tem um olhar esbugalhado, ninguém quer saber disso mais. Não se tira absolutamente nada de consistente do que ele fala.

Então, aí pegamos a história dele, que é radical de origem. Caiado vem de uma família tradicionalmente radical, de coronéis, e vai continuar sendo isso. Não se muda um cidadão com a idade que ele tem, vai continuar a ter prática de coronel. Outra coisa: o que ele fez por Goiás até hoje? Foi deputado federal por quantos mandatos? Vamos nomear tal obra ou tal projeto, que aconteceu por protagonismo de Ronaldo Caiado, ou alguma proposta que tenha apresentado e que beneficiou o Estado. Qual? Nenhum, nenhuma. Isso vai ser questionado quando ele for candidato.

Não adianta ele ir à televisão e falar que está tudo ruim, falar que o Goiás na Frente é um programa de engodo, porque não é. Há 246 prefeitos que podem falar para ele se é um engodo ou não, basta ele andar. Há todas as obras que estamos fazendo, por todo o Estado. Mas o discurso do senador é falar que o Estado, que nós vendemos a Celg, só ataques. Não faz uma proposta sequer. O que seria o correto? Apontar o que está errado e mostrar o que faria e como faria se fosse governador. Mas Caiado não fala isso.

Patrícia Moraes Machado — E o que leva Caiado a não criticar o caos na saúde em Goiânia?
Isso é Caiado. Ele é médico e participa da administração de Iris Rezende na Prefeitura. Se tivesse algum compromisso para melhorar a vida das pessoas, de verdade, iria lá para dentro ajudar. Não está falando que a saúde do Estado está ruim? Não concordo, mas supondo que esteja, basta um pouco de discernimento para ver que a da Prefeitura está muito pior. Então, ao invés de falar da minha casa, ele teria de primeiramente arrumar a dele. Repito: não acredito que ele seja candidato ao governo. Mas, se for, será um candidato muito bom para a gente enfrentar. Aí talvez ele conheça seu tamanho exato na política, porque está se arvorando. Diz ter 40% nas pesquisas, coisa que não acredito. Mas, com tamanha antecedência, vai começar com 40% e terminar com 5%. Caiado não tem base no interior, não tem um prefeito que o acompanhe, não tem um deputado sequer. É ele sozinho.

Patrícia Moraes Machado — O discurso da oposição é de se unir. É uma ameaça ao governo, muda alguma coisa?
Não acredito. Vamos supor que se unam em torno de Daniel Vilela (PMDB). O que Caiado agrega? Nada, só atrapalha. Com um mês de campanha, ele já vai ter brigado com todo mundo ali. Caiado não tem voto, não pode achar que aquela votação ao Senado é dele — mais uma semana de campanha em 2014 e ele teria perdido para Vilmar Rocha (PSD). Então, se não agrega nada a Daniel, talvez este pudesse dar a ele o tempo do partido na TV. Porque, se o PMDB eventualmente ficasse com Caiado, seria apenas a sigla. Ou você acha que Maguito Vilela ou Daniel trabalhando em campanha para Caiado? Não vão, até porque Daniel acha que a vez é dele. Mas cada um com seus problemas. Eles que se ajeitem se vão juntos ou separados. Não se escolhe adversário, é preciso ganhar de quem estiver do lado de lá. Até lá, é preciso a gente trabalhar muito. É isso que vai fazer José Eliton ser reeleito: ter um bom discurso, ser articulado, muitíssimo trabalhador e ter uma equipe junto com ele, “mordendo na trave”. Digo de novo que não existe eleição ganha nem fácil, mas, das últimas três, esta é a que vejo a gente com melhor perspectiva de vencer.

Augusto Diniz — Há alguma chance de ver Daniel Vilela como vice de José Eliton? Falo isso porque a prefeita Nárcia Kelly (PTB), de Bela Vista de Goiás, disse que gostaria de ver isso. É uma possibilidade?
Muito pequena. Até penso que, se o PMDB fosse apenas o partido de Maguito e Daniel, isso seria possível. Mas há um obstáculo intransponível nesse sentido: Iris e sua mulher, Iris Araújo (PMDB). Enquanto o casal tiver essa ascendência sobre o partido, não tem como ocorrer. Para o Estado, essa união seria o céu, até porque PSDB e PMDB estão junto em nível nacional — e devem estar assim também no próximo ano.
Marconi tentou se aproximar de Iris em relação à candidatura a prefeito, o governador queria que ele encerrasse sua carreira do tamanho que Iris deveria ser, sem essas picuinhas e rabugices. O Estado só teria a ganhar. Mas, enfim, como não ocorreu antes, não vejo possibilidade de isso ocorrer agora.

Patrícia Moraes Machado — Daniel Vilela já sinalizou que está flertando com o PT, com a vice para o ex-prefeito de Anápolis Antônio Gomide.
É verdade, isso está ocorrendo também.

Marcelo Mariano — Mas qual seria o adversário ideal num eventual segundo turno, Caiado ou Daniel?
Acho Caiado mais frágil. É o que a­grega menos e o que briga mais. Gostaria de ver com quantos Caiado começaria e com quantos terminaria. Eu creio que começaria com poucos e terminaria sozinho. Política como Caiado faz acabou, felizmente. E, se ele for candidato ao governo, vamos ter essa comprovação. Não tem como alguém com tal ódio no coração, com esse temperamento, ser go­vernador de Goiás. Se isso acontecer, temos de nos mudar todos daqui.

Patrícia Moraes Machado — Mas, mesmo com tudo isso, há políticos da base aliada sinalizando aliança com ele. Um exemplo é a senadora Lúcia Vânia (PSB). Seria um contrassenso à história dela apoiar Caiado. Mas, não só dela, há possibilidade de dissidência na base?
Enquanto não definirmos os candidatos da chapa majoritária vamos ver esses movimentos. Essas definições serão de última hora. Até lá, cada um quer ocupar seu espaço, e para isso há duas formas: uma é se engajar firmemente no projeto, como está o senador Wilder Morais (PP); outra é dizer “se não me quiser, vou embora”.

Patrícia Moraes Machado — E essa política realmente já passou?
Já passou, com certeza. Não pode ser assim. Wilder está mostrando a forma certa de fazer política, trabalhando feito um louco em Brasília pelas coisas de Goiás e de suas cidades. Lúcia Vânia é uma excelente senadora para Goiás e para os municípios. Não a vejo fora da base. A história dela foi construída aqui e a base deve muito a ela também. O governador tem uma relação única com Lúcia: têm aquelas brigas, mas tem muito carinho e atenção envolvidos também. E isso aumentou mais ainda depois que Ana Carla [Abrão, ex-secretária da Fazenda] ocupou cargo no governo. Marconi é extremamente grato pelo que Ana Carla fez por aqui. Ele considera que Ana Carla não é dez, é mil. A senadora, por toda sua história, por suas razoes, por ser mãe de Ana Carla, tudo isso, tem de estar conosco.

Augusto Diniz — Onde vão caber todos esses pré-candidatos à chapa majoritária?
Não há nada de anormal, sempre foi assim. Depois tudo se acerta.

Patrícia Moraes Machado — A população quer renovação na política e tem sinalizado isso. Então, na formação de uma chapa isso é importante, também. Se a oposição levar consigo Vilmar e Lúcia, essa oposição não nasceria envelhecida?
Talvez a oposição esteja nos forçando a fazer uma renovação que tem de ser natural. O fato bom é que está todo mundo brigando para ocupar espaço do lado de cá. Se o “lado de lá” fosse tão bom assim, por que ninguém está brigando para ser vice de Caiado ou de Daniel? É que ninguém acredita na vitória do lado de lá. Essa suposta ida para o outro lado está sendo usada basicamente para demarcar território do lado de cá. Não se iludam: José Eliton é o próximo governador de Goiás.

Cezar Santos — O sr., que é especialista em obras, pode explicar como os prefeitos têm reagido ao programa Goiás na Frente?
Esse programa nasceu da imaginação do governador. Foi idealizado por ele, depois entrou a equipe, com José Eliton e tudo o mais…

Euler de França Belém — Quem criou o nome “Goiás na Frente”?
Foi Paulo de Tarso, que é meu amigo e amigo do governador, e foi nosso marqueteiro lá atrás. Aliás, a única coisa que Marconi não fez foi o nome (risos), mas a partir do início José Eliton participou ativamente.

Pois bem, imaginem a situação do prefeito que chegou agora ao cargo, em terra arrasada. A grande sacada do programa é que não é o Estado que impõe o que será feito em tal cidade, mas o próprio prefeito, a Câmara, a sociedade local é que escolhem o que querem. São eles quem sabem o que é preciso no município. Segundo ponto diferencial: é tudo a fundo perdido, o prefeito não tem de pagar nada. Isso num momento em que ele não está tendo dinheiro nem para a folha. Marconi fez isso por questão puramente política? Não, ele fez isso justamente porque sabe a dificuldade que os governantes têm por falta de dinheiro! Tudo isso vai reaquecer a economia local, o supermercado, o posto de gasolina, a pensão, a mão de obra. Mexe com a cidade como um todo. Porém, mais do que isso, nós retomamos todas as obras que estavam paradas e vamos concluir. Você não anda hoje em nenhuma região do Estado em que não haja duas, três, cinco obras importantíssimas do governo. Então, o Goiás na Frente, no momento em que o País vive essa crise, com todos os Estados com dificuldade para pagar suas folhas, nosso governo está investindo bilhões de reais nos municípios… alguma coisa está diferente em nosso favor nisso aí.

Cezar Santos — Há alguma amarração para impedir o prefeito de usar esse dinheiro indevidamente?
Claro, esses recursos são carimbados, para fim específico. É quase um ressarcimento — não é porque a gente manda o dinheiro antes. Eu falei com o governador esses dias a respeito do programa e digo que, ao andar pelo Estado vendo as obras, ouço muito que “Goiás é uma ilha”. Eu achava exagero, mas hoje tenho certeza de que isso é verdade: somos uma ilha, o que estamos vivendo aqui é diferente de tudo no restante do País. Vamos ter aqui, nos próximos dias, um workshop para gestores de órgãos similares à Agetop, de todo o Brasil. Vão passar três dias aqui e já temos mais de 1,4 mil inscrições. Todos estão interessados em ver o que estamos fazendo aqui, porque somos realmente uma ilha. Por quê? Porque temos um governador em quarto mandato, com muito conhecimento, muita garra, muito relacionamento. Isso está fazendo a diferença.

Patrícia Moraes Machado — A filiação desses prefeitos ao PSDB aconteceria sem o Goiás na Frente?
A grande maioria.

Patrícia Moraes Machado — Pergunto isso porque a oposição está dizendo que as filiações tiveram motivação nisso.
Vou dar exemplo de dois prefeitos com quem conversei, um do DEM e outro do PMDB. Brinquei com o primeiro, dizendo: “Você não tem cara de DEM, não!” (risos). Ele respondeu: “Foi a única legenda que me deram, nem conhecia o Caiado, fui conhecer depois da eleição”. Então, na realidade, hoje não se vê muito “DNA” nessas escolhas. Eu sou do tempo em que ou era PSD ou era UDN. Nascia assim e vivia assim, com uma das siglas, igual time de futebol. Hoje, com a bagunça partidária que vivemos, o sujeito pega a legenda que derem a ele. E como o DEM geralmente está sobrando, porque ninguém quer, por conta do Caiado…

Claro, temos os filiados históricos. Isso ocorre em Catalão, em Quirinópolis e outras cidades. Isso ocorre muito com candidatos do PMDB e do PSDB. Mas, nesses outros casos restantes, em que o prefeito “está vindo”, ele queria estar conosco era desde o começo, mas tinha outro candidato na cidade e acabava saindo por outro partido.

Patrícia Moraes Machado — E a crítica de Caiado ao fato de o governo usar o Goiás na Frente para ajudar as prefeituras?
É natural, já que Caiado nunca ajudou. Ele estranha isso mesmo. A prática normal dele é não ajudar ninguém.

Augusto Diniz — Caiado disse que seria propaganda extemporânea, um projeto para captar prefeitos e aumentar a base.
Isso é besteira. Como já disse: toda ação bem-sucedida redunda em resultado eleitoral ou político. Simples. Não é que estamos fazendo para cooptar alguém, é que todos querem estar do lado propositivo, agregador realizador. Se estão vindo, é porque nossa turma é boa.

Euler de França Belém — E é importante lembrar que o governo está fortalecendo todos os prefeitos com os recursos.
Sem exceção. Iris Rezende, inclusive, já falou que quer reavaliar o que recebeu, pelo que foi dado a outros municípios. Ele se baseia no tamanho de Goiânia para querer mais de R$ 30 milhões. E ele está certinho.

Patrícia Moraes Machado — E ele vai receber?
Claro que vai (enfático), parece que para uma obra de revitalização da região da Praça do Trabalhador ao Parque Mutirama. É 100% de certeza de que ele vai receber esse montante.

Augusto Diniz — O sr. adiou seu projeto político? Não será candidato no ano que vem?
Essa história toda começou muito prematuramente. É óbvio que, quando essa hipótese foi aventada, muita gente que estava mais ou menos empolgada com essa possibilidade, entre esse pessoal alguns prefeitos, levantou a bola e apoiou. Mas decidi que não vou tratar desse assunto antes da hora, antes do momento de decidir. Sei que, sendo candidato, tenho uma folha de trabalhos prestados interessante a apresentar. Eu não sabia a dimensão desse trabalho na outra ponta, fui entender agora, que comecei a andar pelo Estado. Esse reconhecimento é muito gratificante.

Nesta semana, fomos à cidade de Goiás para ver a duplicação da GO-070 e paramos em um local. Quando eu vi a visibilidade da paisagem dali, fiquei tão empolgado que comecei a ligar para as pessoas e dizer “vocês não estão entendendo, achamos um ponto para fazer um mirante que dá para ver a Serra Dourada inteirinha!”. E então comentei com a prefeita de Goiás [Selma Bastos, do PT] sobre isso, com ela elogiando o trabalho que estávamos fazendo. Uma coisa eu garanto: não entregamos porcarias. Assumi um compromisso com o governador de, a cada obra que entregarmos, a última será melhor do que a penúltima. Com essa da estrada para Goiás não sei o que vamos aprontar na próxima, porque vai ser difícil ter uma rodovia mais bonita.

Augusto Diniz — Então o projeto pessoal de eleição não está descartado?
Não, não descarto nada, até porque essas coisas acontecem naturalmente, na hora certa.

Marcelo Mariano — Se o modelo de gestão de Goiás pode mesmo servir para o Brasil, até onde Marconi Perillo pode chegar, nacionalmente falando?
Se ele fosse governador de São Paulo, ninguém estaria discutindo quem seria o candidato do PSDB à Presidência: Marconi Perillo seria unanimidade. Ele hoje é muito maior do que comporta a política de Goiás. Não tenho dúvida de que o governador tem todo o currículo, experiência, ferramentas, enfim, todos os pré-requisitos para ser presidente da República. Eu, pessoalmente, acho que Marconi ainda será. Não sei quando, mas não tenho essa dúvida.

Patrícia Moraes Machado — A oposição fala em “fadiga de material”, pelos 20 anos de poder da situação. Mas a fadiga não é da oposição, e não do governo?
Lógico que é da oposição. Nos países desenvolvidos, os governos bem-sucedidos ficam décadas no poder, com o mesmo comandante. Ninguém quer trocar governo realizador, ainda mais com as opções a nós que têm por aí. Ainda que não fôssemos bons — e eu acho que somos —, essas opções são muito inferiores a nós.

Patrícia Moraes Machado — Como o sr. avalia Daniel Vilela como candidato?
Uma incógnita. Não há nada que possa ser demonstrado como histórico entre seus feitos, diferentemente de José Eliton, que hoje tem um leque de realizações enorme. Talvez seja quem tenha mais depois de Marconi. Já de Daniel a gente não sabe.

Patrícia Moraes Machado — Iris entraria de verdade em uma campanha de Daniel Vilela?
De jeito nenhum. Entraria, sim, na campanha de Iris, sua mulher. O que ela está fazendo hoje na Prefeitura é o que, senão campanha?

Patrícia Moraes Machado — O sr. acha que ele não vai apoiar Daniel?
De jeito nenhum.

Patrícia Moraes Machado — Por quê?
Por conta de ranço, de rancor. Que nem é tanto dele, mas da mulher, da dona Iris. Ela pode até dizer que vai apoiar, óbvio, porque quer que Daniel seja candidato ao governo para abrir espaço para ela. O que eu digo é que ela não entraria nunca de verdade em uma campanha de Daniel Vilela.

Patrícia Moraes Machado — É certo o apoio que Marconi tem dado a Michel Temer?
O que o governador faz chama-se “responsabilidade com o País”. Isso é tão óbvio: é um governo que é de transição, do qual o PSDB participa, que tenta implantar as reformas que nosso partido sempre quis e não deu conta.

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