Jayme Rincón, em entrevista: “Estamos fazendo, sim, o melhor governo da vida dos goianos”

Ao rebater ataques do pré-candidato Vanderlan Cardoso (PSB), titular da Agetop defende administração e diz que a melhor opção do eleitor é reeleger Marconi Perillo

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Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

O presidente da Agên­cia Goiana de Trans­por­tes e Obras (Age­top) é também um dos principais porta-vozes do governo. Com seu estilo direto, Jayme Rincón não costuma deixar pergunta sem resposta. E nem ataques que considere infundados. Foi assim que reagiu à entrevista do pré-candidato do PSB à sucessão estadual, Vander­lan Cardoso, concedida ao Jornal Opção. Para rebater os questionamentos feitos pelo empresário e político, ele se submeteu à mesma sabatina com a equipe de jornalistas, na terça-feira, 18.

Entre as diversas polêmicas envolvidas em todas as áreas — Ideb, Celg, Cre­deqs, chacinas, número de comissionados —, sobrou tempo também para falar de política. Para Rin­cón, o quadro eleitoral mostra que Marconi Perillo (PSDB) continua sendo a melhor opção para o eleitorado. E o deputado Ronaldo Caiado (DEM), que quer ser senador, pode, sim, caminhar junto com o governador na campanha deste ano, com a possibilidade, inclusive, de integrar a chapa majoritária. “Marconi já disse algumas vezes que a chapa é a que está aí. Mas, política é como as nuvens”, declarou, citando o ex-governador de Minas Gerais Magalhães Pinto (“Política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou”).

O titular da Agetop — uma das áreas mais bem-sucedidas da gestão —, reafirma que, a despeito de todas as intercorrências, este é, sim, o melhor governo da vida dos goianos, como prometeu o slogan de 2010. O cumprimento das obras preocupa, mas Jayme Rincón está tranquilo. “Nosso calendário não é o eleitoral. As pessoas cobram o não cumprimento de um item ou outro, mas, é bom lembrar, temos até a meia-noite do dia 31 de dezembro para entregar tudo.”

Cezar Santos — O slogan “Prometo fazer o melhor governo da vida dos goianos” é sensacional. Mas ele vai estar cumprido ao fim do governo?
Não tenho a menor dúvida em relação a isso. É simples fazer essa análise. Às vezes as pessoas pegam o plano de governo e ficam discutindo ponto a ponto, se isso ou aquilo foi realizado ou não. Só que plano de governo não é um documento inflexível, imutável. É óbvio que o plano feito em 2010 passou e passa por transformações, em função das demandas da sociedade e do Estado. E o governador, que tem experiência de três mandatos, sabe ainda mais disso. As pessoas fazem uma avaliação linear, quantitativa. Mas veja bem: no plano de governo não tínhamos prometido fazer 2 mil quilômetros de novas estradas, mas prometemos um centro de convivência no Morro do Além [próximo a Campinas, no Setor Perim]. Resolvemos que não há necessidade de fazer essa obra. Então as pessoas falam que, de cem obras não foram feitas 15. Mas esses 2 mil quilômetros de rodovias, que não estavam no programa de governo, valem por muitas mais obras.

Então, vamos por partes: os programas sociais não só foram mantidos, como foram também ampliados. Na área de saúde, além de melhorarmos a gestão, estamos construindo o Hugo 2, que é mais do que o dobro do Hugo [Hospital de Urgências de Goiânia], um hospital equipadíssimo, com uma ala para queimados, e que vai ficar pronto em junho; estamos construindo o Hospital Regional de Uruaçu e retomando o de Santo Antônio do Descoberto; fazendo cerca de dez centros de medicina de média complexidade no interior; e estamos fazendo seis Credeqs [centros de referência e excelência em dependência química], de modo que todos os governos anteriores da história do Estado, inclusive os de Marconi Perillo, não houve nenhuma ação na saúde como houve agora.

Na educação, pagamos o piso dos professores; reformamos ou estamos reformando todas as escolas; estamos entregando computadores para os alunos; e os índices mostram que estamos fazendo o melhor governo da vida dos goianos também. Na infraestrutura, o que se fez neste governo é mais do que todos os outros somados. Pode pegar desde a época de Pedro Ludovico. Estamos reconstruindo 6 mil quilômetros de estradas e pavimentando mais 2 mil de novas estradas; estamos fazendo, em Anápolis, o aeroporto de cargas e o centro de convenções; outra obra é a duplicação e iluminação de todas as saídas de Goiânia, além da iluminação da BR-153 no perímetro urbano da região metropolitana. O problema é que a população tem a memória fraca, mas basta se lembrar da situação das rodovias em janeiros de 2011. O Estado de Goiás iria parar, literalmente, sem condições de viajar cem quilômetros com a certeza de chegar ao destino. Isso demandou tempo e recursos, mas está aí o resultado.

Também atraímos e estamos atraindo empresas. Nesta semana recebi a visita do presidente da Stemac, uma fábrica de geradores que está em Itumbiara, que nos revelou que retirou os investimentos que tinha no Sul do País e repassaram para Goiás. Foi uma empresa atraída por insistência do governador Marconi, da mesma forma que ocorreu com Suzuki, Hyundai, Hypermarcas e outras. Essa busca por investimentos é uma marca do governador e que continua firme.

Na área de segurança, primeiramente temos de dizer que é um problema de ordem nacional. E, por coincidência, é a única atividade de governos que não tem uma responsabilidade direta do governo federal. Como este não tem nenhuma responsabilidade, ele não ajuda, lava as mãos. Acesso os jornais das capitais de todo o Brasil e não vejo nenhum deles em que entre as manchetes de primeira página não tenha alguma coisa sobre segurança. Se não houver uma política federal não vai ter jeito. Defendo a tese de que os presídios deveriam ser todos federalizados e longe dos centros urbanos, para evitar facilidade para os presos continuarem a cometer ações de dentro do presídio. Outra coisa: a polícia fica ridicularizada, porque prende alguém hoje e soltam-no amanhã. Talvez seja essa a única área em que se possa cobrar algo deste governo, mas não estamos diferentes do que está ocorrendo em qualquer outro Estado. A segurança precisa ser analisada de forma abrangente, portanto, estamos lutando contra um inimigo a cada dia mais espalhado, vivendo uma banalização da vida — veja o caso da moça que perdeu a vida nesta semana, no Setor Bela Vista, porque não tinha um celular para dar ao assaltante. Será que vamos ter de colocar um policial para cada cidadão?

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Patrícia Moraes Machado — Se este é o melhor governo da vida dos goianos, o que tem a se oferecer ao eleitor goiano em 2014?
Se o governador Marconi Perillo for novamente candidato, ainda tem muito que fazer, é preciso dar andamento a muitos projetos. Em determinado momento vamos ter de fazer uma comparação. Vamos, então, pegar todos os possíveis candidatos que estão colocados agora, sem demérito a quem quer que seja. Por exemplo, Vanderlan Cardoso (PSB).

Sabemos exatamente o grupo que está com ele. É um grupo que já teve sua oportunidade e não soube aproveitá-la em benefícios para o Estado. Sabemos em que condições recebemos o governo das mãos deles. Simplesmente acabaram com o Estado, perdemos um ano para recolocar a casa em ordem. Falando só de minha área, não tínhamos mais estradas, fruto de quatro anos de inércia.

Sobre Júnior Friboi (PMDB), venho da iniciativa privada e sei que a experiência de administrar uma empresa e o que há na administração pública é algo muito diferente. As declarações que ele tem dado já são um sinal amarelo, têm criado um nível de insatisfação generalizado. Não se faz um governo se não tiver o mínimo de sensibilidade política. Veja, por exemplo, a experiência que tivemos com Collor [Fernando Collor de Mello, presidente de 1990 a 1992, que sofreu impeachment], que era cheio de ideias, mas não teve condições políticas de manter um governo.

Cezar Santos — Seja mais específico em relação a essa crítica a Júnior Friboi.
Pergunte a opinião de Iris Rezende, maior líder do partido dele, sobre Friboi; pergunte ao pessoal do PT, que é aliado do PMDB e deveria se aliar a Friboi, sobre o que pensam. Mas basta ver sua visão de governo e de Estado. Friboi já teria condições de apresentar algo mínimo de concreto em relação ao que pretende implantar. Ele deu uma entrevista a uma rádio esses dias e fui lá para rebater, mas ficou até difícil, porque era só ataque pessoal rasteiro. Não existiu nem uma linha de proposta. Nem sei se um discurso desse vai vingar até a eleição.

Já Antônio Gomide (PT) assumiu Anápolis depois de sucessivas más administrações. É óbvio que alguém com o mínimo de bom senso teria sido um bom prefeito da cidade. O fato de ter sido um bom gestor não dá credencial para ser um bom governador. Um agravante de sua situação é a falta de quadros no partido, o que talvez seja uma das maiores dificuldades do prefeito Paulo Garcia em Goiânia hoje. Se houvesse uma aliança com o PMDB seria melhor, mas, se ele sair candidato, o PMDB também terá e não imagino uma eleição sem esse partido — por sua capilaridade e pelo dinheiro de Júnior e, não sendo Júnior, também pela capacidade eleitoral de Iris. Uma briga para o segundo turno terá de ser entre PMDB e PT, porque não imagino o candidato do governo fora do duelo. Vejo, então, uma disputa que vai deixá-los bem desgastados. Por todas essas razões, não tenho a menor dúvida de que o candidato da situação, principalmente se for mesmo Marconi, é o melhor para dar continuidade ao melhor governo da vida dos goianos. Não sendo ele, tenho certeza de que teremos um outro candidato competitivo.

Euler de França Belém — Quem seria esse candidato, se não for Marconi Perillo?
O candidato natural seria o vice-governador José Eliton (PP).

Euler de França Belém — Mas o can­didato ao governo geralmente tem de carregar a campanha. José Eliton não conseguiu eleger o pai dele [Dr. Eltin, do DEM] a prefeito de Posse, com toda a estrutura que colocou lá. Não há o risco de ele ser um novo Alcides?
Minha nossa, a última coisa que a gente quer é que haja um novo Alcides. Goiás não merece um novo Alcides. No caso de Posse, temos de ver que eleição municipal é atípica, há uma série de questões locais, familiares até. Mas, partindo do pressuposto de que José Eliton não tivesse bagagem eleitoral, vamos olhar os outros quadros, à exceção de Iris: ninguém tem, também. Então, ele poderia rivalizar com todos os outros e com a vantagem de ter um governo bem avaliado para lhe dar sustentação. E importante: Marconi já disse que, se não for ele o candidato, vai ficar até o fim do governo para tentar eleger seu sucessor.

Euler de França Belém — Por qual motivo Marconi não disputaria? Essa possibilidade é grande?
Eu diria que é de 50% para cada lado, se disputa ou não disputa. Eu a­cho que a possibilidade seria ele dizer que está cansado. Marconi é muito transparente e diz sempre “eu gosto de ser governador”. Ele não é hipócrita de dizer que governar é um fardo. Mas, eventualmente, esse cansaço seria a única razão para impedi-lo. Se o governo não tivesse deslanchado, até poderia não ser, mas eu já disse que Marconi chegaria às eleições com condições de vencer. Achávamos que a situação em que estamos hoje, em março, chegaríamos a ela apenas em julho. Eleição só é ganha depois de apurados os votos, mas Marconi só não vai ser candidato se não quiser.

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Patrícia Moraes Machado — É possível que o deputado Ronaldo Caiado (DEM) esteja na chapa do governo?
De nossa parte não existe problema nenhum com Caiado. Não há nenhum problema intransponível dele com o governador. As portas sempre estiveram abertas a ele, nunca foram fechadas.

Patrícia Moraes Machado — Antes, Caiado era irredutível nas críticas ao governo e agora está amenizando o discurso e está se falando até na possibilidade de seu retorno à base. Está havendo alguma conversação?
O processo político vai recolocando as coisas em seu devido lugar. Eu, no lugar de Caiado, analisaria o quadro que aí está. Pelo histórico dele, não o imagino junto com Marina Silva (Rede/PSB), o que já é uma possibilidade descartada; com Júnior Friboi, muito menos, porque este representa um segmento que Caiado sempre combateu; com o PT, ainda menos. Então, ao fazer essa análise, se percebe que ele estar conosco seria o mais natural e coerente. Talvez seja isso que esteja acontecendo. Caiado nunca abriria mão de suas convicções em função de um projeto que não estivesse de acordo com seu histórico de vida.

Euler de França Belém — Mas a pergunta é mais focada: há a possibilidade de Caiado integrar a chapa majoritária?
O governador já disse algumas vezes que a chapa hoje é a que está aí [com José Eliton na vice e Vilmar Rocha (PSD) ao Senado]. Mas, repetindo Magalhães Pinto [ex-governador de Minas Gerais], “política é como as nuvens”. (risos)

Elder Dias — O governo trabalha com a apresentação de números e estatísticas para mostrar seu trabalho. Mas alguns causam contra controvérsia, como a ascensão de Goiás no Ideb [Índice de Desenvol­vimento da Educação Básica], de 16º para 5º no ranking em apenas um ano. Na educação, geralmente, as coisas são demoradas. Para um salto desses, ou houve uma melhoria de fato ou uma maneira diferente para formatar os mesmos dados. Foi mesmo pela qualidade ou foi algo construído pelos dados enviados por Goiás?
Os dados que enviamos são os solicitados pelo governo federal, que é quem formula o Ideb. Não cabe discutir a metodologia ou os critérios. O secretário Thiago Peixoto [da Educação] me disse que é obvio que haverá questionamentos, que alguns não vão aceitar esse ranking. Aqui em Goiás há sempre essa tendência negativista, de desconstrução e de desmerecimento de ações de governo. No caso de Goiás, evoluímos em todos os índices. Todos os indicativos do Estado são positivos. Por que questionar somente o do Ideb? O Ideb é resultado de uma série de ações feitas ao longo do tempo, não tenho dúvida disso. Se houve por parte de quem avalia uma mudança de critério, isso não representaria todo esse salto.

Indiscutivelmente a educação tem melhorado em Goiás e é fruto do trabalho do secretário Thiago Pei­xoto, que é reconhecido. Esta­mos implantando o programa de entrega de notebooks para os alunos, em uma licitação vencida por um grupo português, que faz isso pelo mundo inteiro. Eles ficaram admirados e disseram ter relatado o que viram aqui ao senador Cristo­vam Buarque (PDT-DF), especialista na área, e que ele falou que pretendia fazer-nos uma visita. Por­tan­to, houve muito avanço na educação de Goiás e só quem não quer enxergar não vê o que estamos fazemos. Contra os números não há como brigar.

Euler de França Belém — O pré-candidato ao governo do PSB Vanderlan Cardoso falou que ainda há escolas de placas em Goiás. Isso ocorre mesmo depois de todo o investimento que o Estado fez?
Realmente não sei. Se existir escola de placa em Goiás, é um número insignificante — até porque a gente sabe em que período esse tipo de obra foi feito em Goiás: era um costume da época do PMDB, que fazia escola e casa com placas. Estamos agora construindo várias escolas padrão século 21, que terão, em todas as salas, ar-condicionado, por exemplo. A parte de instalação física das escolas vem melhorando consideravelmente. Essa observação que fez o pré-candidato Vanderlan é muito pequena, porque, em um universo de 1,3 mil escolas, pode ser até que existam duas ou três que ainda sejam de placas. Mas estamos em um processo de evolução.

É lógico que não adianta uma bela construção se não houver conteúdo didático, qualificação dos professores, mas existe uma conjunção de fatores que mostra a educação evoluindo em Goiás, por mais que a oposição queira questionar. A propósito, é uma irresponsabilidade muito grande o que está fazendo a presidente [Iêda Leal] do Sintego [Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás], que é pré-candidata a deputada. Foi uma imprudência fazer um convite para paralisação xingando o governo, em qualquer lugar do mundo isso seria proibido. No chamamento da categoria, ela já critica o governo o tempo inteiro. Mas conversem com os diretores, com a maioria dos professores, para ver se não estão satisfeitos. Claro, vai haver sempre uma ansiedade por melhorias.

Euler de França Belém — Mas o Sintego tem razão ao falar que o governo não cumpriu o que foi acordado?
Somos uma das poucas unidades federativas que pagam o piso, que é a briga nos outros Estados. O que existe é uma limitação de ordem financeira e legal. Há um limite para gasto com pessoal e o governador, por mais desgaste que isso eventualmente possa trazer, é muito firme em relação a isso, não faz politicagem. Ele não usa nenhum artifício com qualquer categoria por razões políticas.

Euler de França Belém — O Estado de São Paulo tem duas das 200 melhores universidades do mundo, a USP [Universidade de São Paulo] e a Unicamp [Universidade Esta­dual de Campinas]. A UEG [Univer­sidade Estadual de Goiás] foi uma boa ideia, mas que parece ter sido prejudicada pela política. Têm cidades goianas em que não há mercado para quem se forma nos cursos. Mas a crítica principalmente de Van­derlan, no caso, é que a UEG ainda não tem autonomia de fato.
A UEG tem autonomia desde o momento em que o reitor passou a ser escolhido pela comunidade universitária. O Estado repassa o que é determinado constitucionalmente para a universidade e o reitor tem, sim, liberdade para fazer os investimentos e aplicações que achar necessários. A Agetop era quem fazia as obras na instituição e o reitor tomou para si essa responsabilidade. Hoje não há vínculo da UEG com o Estado a não ser pelo repasse que é feito. O reitor já não é mais tratado como um secretário do Estado ou auxiliar imediato do governador. Portanto, essa informação de Vanderlan não procede. Não há mais politicagem nas contratações da UEG, que são por concurso; também não há na escolha do reitor, feita pela comunidade; também não há politicagem nos recursos, porque o repasse é constitucional. Então, onde é que pode estar tendo política? Tenho visto as entrevista de Vanderlan ultimamente e creio que ele precisa ter mais cuidado com o que fala para não cair em descrédito.

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“A Prefeitura não discute o transporte coletivo”

Patrícia Moraes Machado — O atraso de obras fez com que o governo começasse a deslanchar somente no fim do segundo ano de gestão. Como vocês encontraram o Estado, principalmente em relação à situação financeira?
Não somente a questão financeira, que foi a mais complicada — tivemos de fazer o maior ajuste fiscal de nossa história e isso demandou tempo. Mas, antes, sofremos o agravante de não ter havido transição, já que o governo Alcides Rodrigues se negou a isso e sonegou todas as informações. Chega­mos a 1º de janeiro de 2011 para ver o que havia. Foi então um ano de arrumar a casa. Citando o caso do programa Rodovida, só tivemos como fazer licitações em dezembro. Isso foi em todas as áreas.

O governo só deslanchou a partir do final do segundo ano, já que 2012 também foi um ano atípico, por conta de tudo o que aconteceu no aspecto político [com a Operação Monte Carlo]. Mesmo com o foco na administração, tivemos de mostrar que a coisa não era daquele jeito. Houve até uma incerteza se o governo daria a volta por cima. Tínhamos certeza que sim, mas isso não estava claro para a classe política de forma geral. Depois de tudo, feito o ajuste fiscal, fomos atrás dos financiamentos, o que não ocorre de um dia para o outro, e sofremos novamente com a oposição, que tinha o intuito de atrapalhar. Mas as obras não estão atrasadas, tanto é que vamos entregar tudo até o fim do ano.

Patrícia Moraes Machado — Como foi a questão dos contratos pagos no apagar das luzes do governo Alcides? Houve isso mesmo?
Houve, sim, tanto é que parte da folha ficou sem ser paga. No caso da Agetop, as histórias que ouvimos, tanto de empresários quanto de colaboradores, é de que eles ficaram até quase meia-noite do dia 31 de dezembro de 2010 fazendo pagamentos. Então, se tinha dinheiro para pagar empreiteira, por que deixou de quitar a folha? Mas costumo dizer que a vida é igual a um carro: temos um para-brisa enorme e um retrovisor pequeno para olhar para trás. Nisso o governador foi sábio, ele deu um prazo para falar de governo Alcides. Hoje a gente só rebate; o governo Alcides é como se não tivesse existido, é melhor pular. Não vai resolver nada ficar falando disso, atribuindo culpa.

O que temos a fazer é elaborar os projetos e executá-los. Eventuais atrasos de cronograma podem acontecer, mas no geral estamos com tudo sob controle. Não vamos deixar ao sucessor nem obras inacabadas, nem atraso de folha ou de pagamento de fornecedor. Sobre as obras, o que temos ouvido são só elogios, ninguém questiona a qualidade. E não só isso, mas também o aspecto visual. É o que há em relação à obra da GO-020. Chegaram a criticar os coqueiros que plantamos lá, mas é engraçado, porque acham lindo quando veem isso lá fora. Fazer bem feito custa quase praticamente a mesma coisa em relação a fazer malfeito. E tudo o que se faz errado precisa de um tempo extra muito maior para corrigir as falhas.

Estamos dentro do cronograma dos viadutos nas saídas da cidade. Queria antecipar, mas surgiram imprevistos — redes de captação e de água pluvial de que não tínhamos registro, questões em relação à rede de transmissão elétrica etc. Também fizemos uma captação de água para evitar o que ocorreu no Túnel da Avenida Araguaia, com aquela inundação. Em nossas obras, existe o risco de ter um problema ou outro, pontual, mas todos foram e serão corrigidos. Todas as empresas serão chamadas à responsabilidade.

Elder Dias — Em relação à obra de revitalização da GO-020, a travessia dos pedestres pela BR-153 ficou comprometida.
A dificuldade que temos hoje é o acesso de um lado para o outro, do Carrefour para o Centro Cultural Oscar Niemeyer, o que não é responsabilidade nossa.

Elder Dias — Mas o governo assumiu a iluminação da BR-153, que também não é sua responsabilidade.
Sim, mas no caso dependemos de ação do Dnit, que fez duas passarelas — uma na altura da Unip e outra perto do Paço Municipal —, mas não fizeram essa, que nós reivindicamos. Não dá para fazer tudo que não é de nossa responsabilidade. É o caso também do transporte coletivo. O Estado tem sido muito cobrado sobre isso e já fazemos muito além de nossa atribuição.

Elder Dias — E o “abacaxi” da CDTC [Câmara Deliberativa do Transporte Coletivo] vai ter seu comando repassado mesmo para a Prefeitura de Goiânia?
O assunto é de responsabilidade das prefeituras. Já subsidiamos o Eixo Anhanguera em 50%, o que custa mais de R$ 6 milhões ao mês; estamos fazendo a extensão desse eixo até Goianira, Senador Canedo e Trindade, o que vai onerar esse valor; demos o passe livre estudantil; estamos mandando à Assem­bleia projeto de lei desonerando os insumos que compõem a tarifa de ônibus; demos o passaporte do idoso. Nada disso é atribuição do Estado. Se é demanda da sociedade, vamos chamar mais gente, vamos chamar o governo federal para ajudar. O que não concordamos mais é que queiram transferir ao Estado o que não é responsabilidade legal.

Dizem que não foi discutida essa transferência da CDTC. Mas como vamos discutir com quem não comparece nem às reuniões regulares para discutir assuntos essenciais? O governo tem a presidência da CDTC como se fosse a rainha da Inglaterra, só serve para tentar marcar reunião. Que proposta um município líder, como Goiânia, levou para ser discutida? Não fomos nós a fazer a licitação do transporte coletivo. O problema começou com a renovação da concessão. Será que esse edital foi feito com as regras devidas? E a fiscalização, e as ações? O que competia às empresas foi efetivamente implantado? E se não foi, por que não houve cobrança? O transporte é um tema sensível, por mais que melhore ainda estará aquém das necessidades.

Euler de França Belém — A Prefeitura de Goiânia tem projetos para a cidade — os novos corredores, o BRT etc. —, mas não pode se responsabilizar pelo que ocorre nos municípios vizinhos. O Estado não tem de ser forte, então?
É para isso que existe a CDTC. As prefeituras têm de se entender para fazer essa interligação. Não estamos saindo da câmara, mas não dá para presidir algo para o qual não se consegue marcar uma reunião. Podem colocar mil assuntos em discussão que vamos estar lá para debater. Não estamos politizando, mas não vamos ficar com o desgaste do transporte coletivo em uma situação na qual somos credores. (enfático)

Euler de França Belém — Mas as prefeituras têm dinheiro para fazer esse investimento?
É preciso muito pouco recurso para isso. A grande demanda é da região de Goiânia e estamos estendendo os eixos, em mais uma atribuição que não é do Estado, mas a que não nos furtamos. Só queremos que isso seja reconhecido e que o assunto não seja politizado. Vou dar um exemplo: quando o governador disse que faria o passe livre estudantil para 20 mil beneficiados, no dia seguinte, o prefeito Paulo Garcia anunciou, sem saber como iria fazer, que estenderia o subsídio para todos. O que aconteceu? O prefeito retrocedeu, porque não daria conta de implementar e anunciou uma medida como o Poupa Tempo. Por que o Estado entra e mantém o que se compromete e a Prefeitura não faz assim com suas ações?

Cezar Santos — A Prefeitura ameaça tomar o Eixo Anhanguera…
Ameaçaram tomar o saneamento também. É simples: basta fazer o cheque para ressarcir o Estado dos investimentos que foram feitos e ter dinheiro para subsidiar a passagem como subsidiamos. Se quiser, assuma, não se esquecendo da parte mais bem avaliada do transporte público da capital, que é o Eixo Anhanguera. Só que terá de ressarcir o Estado e aplicar R$ 6 milhões por mês. Se não está dando conta da coleta de lixo, como vai subsidiar o Eixo? Não se resolve as coisas com rompantes, porque depois fica desmoralizado.

Frederico Vitor — Em relação ao VLT, por que não se consegue dar início ao processo?
É bom lembrar que o VLT não foi promessa de campanha. Na campanha de 2010, José Serra veio a Goiânia como candidato a presidente e prometeu que faria um metrô de superfície de 16 quilômetros em Goiânia. O governador incorporou isso, caso Serra fosse eleito. Mas o problema não é esse: o VLT é um projeto demorado, com uma modalidade de operação nova, por PPP [parceira público-privada]. Para construir um projeto que é o primeiro, do qual não há um histórico e há uma série de entraves. Chegou um momento em que o governador decidiu que não começaria uma obra sem saber qual seria seu destino. O que ele está fazendo agora é aguardando um cronograma mais concreto. Tudo indica que aguardará a definição do próximo governo. Se o próximo governo quiser dar sequência, estará tudo pronto para começar; caso contrário, o que se perdeu terá sido somente a parte de projeto.

Elder Dias — Fazendo uma autocrítica, não teria sido melhor, para o Estado e para a Celg, ter aceitado o acordo feito pelo governo anterior no fim de 2010?
Nós tentamos de todas as formas possíveis ter acesso ao que estava sendo discutido e acordado. Existia um governo legitimamente eleito. Como sonegar informações sobre um documento dessa importância a esse governo eleito? Não tínhamos a menor ideia sobre o que estava sendo assinado. Disseram que havia uma cláusula de confidencialidade. Ora, que nos chamassem para assiná-la juntos. Esta é a diferença em relação ao governador Marconi: ele chamaria qualquer um que tivesse sido eleito para mostrar o que seria feito. Eles sonegaram a informação. Já tinham um histórico ruim e assinaram um acordo desse volume aos 46 minutos do segundo tempo. Qualquer um que tivesse sido eleito não teria como garantir que honraria o contrato. O governador agiu corretamente. Quando observamos que aquele governo deixou de pagar a folha para quitar com fornecedores, vejo que não tinha de assinar nada mesmo não. Não sabíamos para onde iria esse dinheiro.

Euler de França Belém — A crise da Celg será politizada durante a campanha. Para o eleitor, o presente é o governo Marconi, que carrega essa crise. Como resolver isso?
Vamos voltar à origem do problema. Por mais problemas de gestões que tenhamos tido esse tempo todo, tudo começou com a venda da usina de Cachoeira Dourada. Foi a mesma coisa de ter o carro e vender o motor. Cachoeira Dourada era o motor da Celg. Tome o balanço da Endesa [empresa hoje proprietária da usina] e junte ao balanço da estatal. Mesmo com todas as dificuldades da Celg, mesmo esta mal administrada, o balanço final seria superavitário. Isso deixa bem clara a origem do problema.

Você tem alguma dúvida de que a concessão à Celg pelo governo federal será renovada, principalmente com a Eletrobrás sendo majoritária? Ninguém tem. Por que não renovaram até agora? Porque, no dia em que renovarem a concessão, a Celg triplica de valor. O péssimo negócio já passa a não ser e os 49% que o Estado tem hoje passarão a um valor muito maior. Falei a um político esses dias que não tenho dúvida de que a renovação da concessão será feita somente depois das eleições. Por isso tudo, posso afirmar que a não renovação agora é uma decisão política. Não existe o porquê de não ter sido renovada até agora e não existe a menor possibilidade de não ser, afinal a Eletrobrás renovaria de qualquer forma. Vamos discutir esse tema nas eleições e o governador vem encarando isso tudo com muita transferência.

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Elder Dias — Como parte da solução do problema das drogas, relativa à saúde pública, o Estado propõe a implantação dos Credeqs. O pré-candidato Vanderlan Cardoso disse que de forma alguma seguirá essa política, se eleito governador, pois, segundo ele, com os mais de R$ 20 milhões para se construir um Credeq é possível tratar milhares de dependentes químicos. Vander­lan disse que gastaria, hoje, R$ 480 por mês com cada dependente nas atuais casas de recuperação, segundo os cálculos de um programa que pretende implantar em seu eventual governo. Isso daria para tratar, com os R$ 20 milhões de um Credeq, quase 3,5 mil pessoas em um ano. Um Credeq internaria 90 pessoas por vez. Contando que cada pessoa não ficaria menos de cem dias internadas, o Estado demoraria mais de dez anos para assistir esse mesmo número de 3,5 mil dependentes. Não seria, então, mais produtivo o governo apostar no que já está consolidado — no caso, o trabalho das casas de recuperação — do que construir uma obra de R$ 20 milhões para depois repassá-la a uma OS e tratar menos pessoas com um custo mais elevado, com gastos com manutenção, servidores, materiais etc.?
Quem faz essas contas de Vanderlan provavelmente é a mesma pessoa que cuidava das contas do governo passado [se referindo indiretamente a Jorcelino Braga, ex-secretário da Fazenda de Alcides Rodrigues]. Então, eu já começo a questionar qualquer cálculo que ele apresente porque quem o auxilia não tem um histórico muito bom com contas. Se a questão fosse tão simplista como ele relatou, é lógico que não teríamos partido para o programa dos Credeqs. O fato de ter 90 pessoas internadas de cada vez não significa que não haverá um atendimento muito maior.

Não vou cometer a imprudência de Vanderlan e me aventurar a dar números que depois possam ser contestados, mas o número de atendimentos nos Credeqs será muito superior ao de dependentes internados por vez. A internação é o último estágio, antes há vários outros procedimentos. O Credeq não é só para internar, pelo contrário, faz parte de toda uma política de assistência ao dependente, com uma estrutura totalmente especializada para isso. As pessoas, antes de criticar, deveriam no mínimo se dar ao trabalho de conhecer a proposta. O Credeq não é um hospital, é um projeto com ações que transcendem instalações físicas.

Sobre essa questão de repassar dinheiro para tratar dependentes nessas entidades, a primeira observação que tenho é de que não existe essa quantidade de casas da recuperação. Em segundo lugar, não sei de onde Van­derlan tirou esse valor de R$ 480 por dependente.

Elder Dias — Ele disse que isso é a atualização dos valores do programa de governo de 2010 para assistência a dependentes químicos, que seria de R$ 380 mensais por pessoa atendida nas casas de recuperação.
Isso é procurar uma “meia-sola”. A religião pode ajudar o processo, mas não vamos resolver o problema da droga dessa forma. O problema das drogas precisa ser enfrentado como estamos fazendo, como projeto de governo. A gestão nunca deixou de apoiar essas instituições, mas não é a solução. Se fosse, não haveria essa quantidade de dependentes que temos. É preciso analisar o problema das drogas de uma forma muito mais abrangente, o que começa pelo combate ao tráfico. Neste governo batemos recordes sucessivos de apreensão, por duas razões: primeiro, porque o volume, tanto de dependentes quanto de fornecedores; e, em segundo lugar, porque a fiscalização e o policiamento têm aumentado também.

Em Anápolis, com a Polícia Militar, instalamos um programa de guarda mirim, para beneficiar as crianças vulneráveis a traficantes, meninos de 12 a 14 anos que acabam servindo a esses bandidos. As mães fazem as inscrições deles e muitos vão alguns dias e depois não aparecem mais, porque os traficantes ameaçam a família. Isso mostra o tanto que a questão é complexa.

Não quero nem entrar nesse nível de discussão com Vanderlan, porque, enquanto ele fala de repassar R$ 480 para entidades que, inclusive, já recebem verba e que não resolveram o problema, nós estamos falando de um programa incomparavelmente maior, que é o dos Credeqs. Eu queria era que ele dissesse “se eu for eleito governador, quero fazer 50 Cre­deqs”. Se ele conhecesse o projeto, faria exatamente esse discurso, porque esse é o caminho. O Credeq não é só instalação física, nem essa coisa simplista como quer colocar o pré-candidato.

Elder Dias — Uma questão técnica: por que um Credeq em Morrinhos e outro em Caldas Novas, cidades a apenas 50 quilômetros uma da outra?

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Euler de França Belém — Fica parecendo com a história da UEG, com unidades bem próximas e com a mesma finalidade.
A questão é que foram os locais em que conseguimos avançar mais rapidamente com o projeto. Temos unidades previstas para Porangatu, Luziânia, Formosa. Mas precisamos de certos procedimentos, como achar uma área ideal para a construção. O último que começamos, agora, foi o de Quirinópolis. O prefeito [Odair Resende, do DEM] nos questionou sobre como faria para obter uma unidade do Credeq para a cidade. Depois, me ligou e em 20 dias, identificaram a área, depois a desapropriaram e tudo está andando rápido. Em Luziânia, ao contrário, estamos já há quase um ano tentando. Tem, então, também a questão da agilidade do prefeito. Por exemplo, Evandro Magal [PP, prefeito de Caldas] e Rogério Troncoso [PTB, de Morrinhos] chegaram depois e viabilizaram a obra. Dependemos somente dessa agilidade.

Euler de França Belém — Mas é preciso uma estrutura médica eficiente. Como criar isso por todo o Estado?
O programa do Credeq prevê isso. A primeira coisa que faremos é a licitação de uma OS para administrar. Então, isso já deixa claro que não teremos aumento no número de servidores públicos, embora as regras sejam as do governo.

Frederico Vitor — O presidente da Faeg [Federação da Agricultura do Estado de Goiás], José Mário Schreiner, elogiou bastante o programa Rodovida, que melhorou bastante a infraestrutura viária, reivindicação histórica dos produtores rurais. Mas questionou a respeito das GOs ainda não pavimentadas, que ficam intransitáveis no período das chuvas. Há algum projeto para resolver isso?
Sim, temos o Rodovida Ma­nutenção. A questão é que vivíamos um estado tão crítico que tivemos de priorizar demandas. Pegamos do péssimo para o ruim, depois para o “mais ou menos”. Ao longo do tempo, a única coisa que fizeram foi patrolar, o que foi afundando o leito das estradas. Por isso, temos o projeto de levantar o “grade” [leito] de todas essas estradas, o que é um trabalho caríssimo. Operacionalmente, vai demandar tempo, mas isso está contemplado pelo programa Rodovida Manutenção.

“As OSs em nosso Estado são fiscalizadas”

Elder Dias — As OSs demonstram funcionar em alguns casos e nem tanto em outros. Mas algo que tem sido cobrado pela oposição é a transparência no processo, principalmente em relação à aplicação dos recursos pelas organizações sociais. Isso não deveria ser mais bem exposto para a sociedade?
Ouvi um elogio hoje exatamente sobre isso, de que o setor em que o governo mais avançou foi o da transparência. Hoje, ao acessar o site do governo, você tem todas as informações. As OSs são um segmento novo, para o qual não tínhamos todos os instrumentos, inclusive para a fiscalização. Sempre é preciso fiscalizar melhor, não tenho dúvidas de que precisamos avançar mais.

Elder Dias — Então a crítica da oposição procede, é preciso haver mais transparência?
Todo processo público, independentemente de ser por uma OS ou não, depois de concluído está à disposição de qualquer pessoa. O conceito de OS é algo em que apostamos e que não queremos que seja maculado. É só pedir as informações que queiram, que estarão disponíveis. Vejamos: da forma com que a oposição colocou, se eventualmente estivesse havendo alguma irregularidade, alguém já não teria alertado? E a oposição não pode falar nada, não: há um ano protocolei, como cidadão, uma solicitação para que a Prefeitura de Goiânia me repassassem cópias de todos os processos das empresas Delta e Qualix. Nunca me forneceram. Aliás, tem um processo que sumiu, relativo a pagamentos à empresa Qualix na última semana de gestão do ex-prefeito Iris Rezende. É um mistério.

Euler de França Belém — Quem fez mais negócios com a Delta [empresa envolvida na Operação Monte Carlo] em Goiás?
Todos fizeram negócios com a Delta. É preciso ter muito cuidado nessa questão, porque não quer dizer que todos os contratos que a empresa fez tinham algum vício. Nem tudo da Delta é “rolo”. Agora, se tem alguém que fez zero negócio com a Delta foi o governo Marconi Perillo.

Euler de França Belém — Outra crítica do pré-candidato Vanderlan Cardoso é de que o Estado estaria aplicando os 25% constitucionais na educação, mas está investindo menos do que deveria na atividade fim e perdendo grande parte da verba nas atividades meio.
A resposta que eu dou é: a saúde e a educação não têm melhorado no Estado? Sim, está. Então está faltando investimento? Não. Tanto investimos que os dois setores estão melhorando a cada ano. Esse tipo de questionamento vai na contramão dos fatos.

Elder Dias — A saúde tem melhorado em Goiás, mas de “ruim” para “menos pior”. Ressalto que não é um problema do Estado, mas geral. Mas, ainda que haja a crise na saúde, o grande desafio do momento é a segurança. É isso que deve afetar o governo durante a campanha. O governador disse que este seria o “ano da segurança”. Tem gente sendo contratada, tem investimento em equipamentos e viaturas. O problema é que, apesar de tudo isso, já houve três chacinas na Grande Goiânia somente este ano, além de casos como o da jovem morta em um assalto só por não ter um celular. Não seria porque o governo esteja apostando errado na origem desse mal?
O fato é que o Estado, por sua posição geográfica, tem sido beneficiado economicamente, mas, pelo mesmo motivo, prejudicado emocionalmente. Pela proximidade com Mato Grosso, acabamos por nos tornar rota das drogas, que é hoje o maior problema de segurança pública. Há uma banalização total da vida. O que aconteceu nas chacinas não é por falta de segurança. O problema não é esse.

Não estávamos acostumados com isso em Goiás, de coisas que já ocorriam há muito tempo em São Paulo, por exemplo. Mas é o ônus do desenvolvimento, pelo qual tivemos uma migração maior, que traz todos os benefícios do progresso, mas também os malefícios. O governo tem agido em todas as frentes, não faltam investimentos, não há mais desvio de função de policial, não há escândalos no setor. Mas temos de saber que não vivemos em uma ilha. Segurança é um assunto para ser discutido nacionalmente.

Elder Dias — Por que está havendo tanta morosidade para a entrega de CNHs, um documento que era entregue em poucos dias e agora está demorando semanas para ficar pronto? O que está havendo no Detran e no Vapt Vupt?
Houve uma defasagem no Detran, em termos de modernização e uma série de coisas. De forma transparente, houve um atraso tecnológico que estamos tentando corrigir agora. Em no máximo 30 dias estará tudo normalizado. Tivemos o ingresso das classes C e D em um universo que não imaginavam como era. Quando essas classes conheceram o bom serviço das redes de fast food, dos shoppings etc., passaram a ter esse atendimento como padrão e então exigiram mais do atendimento do governo, porque passaram a ter um parâmetro de comparação. E o cidadão precisa mesmo reclamar, brigar. O mínimo que o governo precisa fazer é prestar um serviço de qualidade, pois o povo paga muito imposto para sofrer com a demora e com funcionários mal-humorados. Em um próximo governo Marconi, não tenho dúvida de que uma das metas terá de ser o aperfeiçoamento da qualidade do serviço ao usuário, em todas as áreas. É preciso investir pesadamente nessas melhorias e não há nenhum bicho de sete cabeças nisso. Evoluímos muito pouco neste governo no Vapt Vupt, que era uma referência clara da gestão. Não que tenhamos piorado no serviço, mas deixamos de melhorar.

Euler de França Belém — Como está a questão dos leitos de UTI, o que foi também questionado pelo pré-candidato Vanderlan Cardoso?
O número que ele apresentou é totalmente fora da realidade. Goiás cresceu mais do que a maioria dos Estados na oferta de leitos na rede pública. UTI, então, nem se fala. Não se vê mais nenhum caso de alguém que fique na fila, esperando por vaga. Felizmente, hoje temos uma oferta mais abundante do que a necessidade da rede pública.

Rincón: “Todos fizeram contratos com a Delta, mas é preciso ter cuidado, nem todos os contratos com a empresa tinham vício”

Rincón: “Todos fizeram contratos com a Delta, mas é preciso ter cuidado, nem todos os contratos com a empresa tinham vício”

Elder Dias — Outra questão que Vanderlan levantou foi sobre outorga de créditos, o repasse de créditos por empresas beneficiadas com até 100% de isenção de impostos. Ele chegou a falar que isso seria “roubo”. Por exemplo, uma empresa que pagava milhões de reais em tributos no governo passado hoje não estaria pagando nada. Isso procede?
Negativo. Todo incentivo é dado no incremento. Quando se fala que o Estado “deixou de arrecadar”, no caso dos incentivos, está se falando de um crédito que não existiria. A empresa de geradores que citei, a Stemac, vai faturar R$ 1 bilhão. Esse imposto não existiria e a empresa veio para cá por conta disso. Mas vai chegar um momento em que vai passar a existir. E não existe essa transferência de crédito de uma empresa para outra.

Elder Dias — Goiás é vice-campeão em cargos comissionados no País, somente atrás de São Paulo. De forma proporcional, nosso Estado lidera esse ranking. Como o governo reage a esse dado? Outra questão é que o governo falou que iria cortar gastos com comissionados e ainda não fez isso.
Você fala com alguém que defende o servidor comissionado. O que precisam indicar é se há algum comissionado que não esteja trabalhando. Se isso acontecer, tem mesmo de ser apurado. Agora, ter ou não comissionados é uma opção do governo. Pegue as contas do Estado: em relação a todas as despesas do governo, o que os comissionados representam é praticamente nada. E prestam um bom serviço. Os que estão na Agetop, não são muitos, todos trabalham, e trabalham muito. Não entendo a celeuma em torno dos comissionados.

Elder Dias — Por que o governo, então, falou em demitir comissionados?
Por conta de uma cobrança que acaba não tendo mais jeito de sustentar. Dão manchete sobre isso, enquanto temos problemas muito maiores do que quantitativo de comissionados. Em vez de falar da quantidade, indiquem quem não está trabalhando entre os servidores.

Frederico Vitor — Quando o goiano vai poder voltar a assistir corridas no Autódromo de Goiânia?
A partir de junho, quando vamos reinaugurar com uma corrida de Stock Car. Será o autódromo mais bonito do Brasil, que poderá receber qualquer tipo de corrida. É uma obra que vai surpreender. Será uma praça multiuso, com um anel externo iluminado para os ciclistas.

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