“Em 2018, quero olhar para trás e ver que temos um Estado pronto para seguir crescendo”

Vice-governador diz que ainda é cedo para discutir a disputa pelo governo, mas não esconde que gostaria de dar continuidade a este projeto que ajudou a construir

jose-eliton-galeriaMesmo estando em meio à articulação das eleições de 2016, o mundo político não deixa de pensar em 2018, ano em que o governador Marconi Perillo (PSDB) já não estará na disputa pelo Executivo estadual. É nesse ponto que, mesmo a oposição, não deixa de pensar em José Eliton¸ o vice-governador que também é titular de uma das secretarias mais importantes do Estado: a de Desenvolvimento Econômico, Científico e Tecnológico e de Agricultura, Pecuária e Irrigação.

Na entrevista que concedeu ao Jornal Opção na quarta-feira, 12, José Eliton — que até o momento está na presidência do PP — evitou falar sobre seu futuro político, mas não deixou de comentar que ser governador está nos seus planos. “Eu tenho alegria de compor um governo do qual eu convirjo muito na forma de pensar e defender teses. Eu tenho convergência com as teses defendidas pelo governador Marconi e penso que, se um dia eu tiver a condição de ocupar a cadeira de governador, darei continuidade a esse projeto”, diz.

Segundo ele, embora seja um agente político, seu foco atual é na administração, que tem um objetivo: “O que todos nós queremos, o que o governador Marconi quer, é dar eficiência ao serviço público”.

Marcos Nunes Carreiro – Além de vice-governador, o sr. detém uma das pastas mais importantes do organograma do governo. O que, de fato, foi feito até o momento?

Começamos com a reestruturação do processo administrativo da secretaria, fruto da junção de diversas pastas. Ao longo desses sete meses pudemos observar que havia muitas ações sobrepostas. As incubadoras de empresas, as startups, por exemplo, eram desenvolvidas por vários órgãos: pela Universidade Estadual de Goiás (UEG), pela área de Ciência e Tecnologia, pela Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapeg). Agora, tivemos condições de dar racionalidade a esses programas. Além disso, criamos o programa interno Adiante, no qual definimos todas as ações da secretaria de 2015 a 2018, com ações em várias áreas. Já avançamos em algumas. Estamos com o, talvez, maior programa de regularização fundiária do Brasil, o que é muito importante especialmente para as regiões do Entorno do Distrito Federal, Nordeste e Norte. Temos muitas terras sem regularização, o que impacta a economia e, à medida que se regulariza uma área, damos ao proprietário condições de acesso a financiamentos e, consequentemente, de aumento da produção e das divisas do Estado.

Estamos desenvolvendo um programa de fortalecimento e reestruturação da Emater [Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária]. O presidente Pedro Arraes, um dos técnicos mais renomados do Brasil, que foi presidente da Embrapa e hoje nos empresta seu talento, tem feito um trabalho de reestruturação de toda a logística da Emater, com um programa inovador em parceria com o Ministério da Agricultura, que visa ampliar a extensão agrícola nas propriedades, principalmente naquelas que têm mais dificuldades de acesso à mão de obra técnica qualificada na orientação do produtor. Vamos também ampliar o Produzir, nosso programa de incentivos fiscais. A Assembleia aprovou propostas que encaminhamos para ampliar o acesso por parte de empresas já instaladas no Estado, com novas modalidades de incremento de benefícios que possam garantir investimentos maiores nesse cenário de crise. Assinamos recentemente protocolo de intenção com diversas empresas e que envolve investimentos de mais de R$ 400 milhões. Estamos preparando outras empresas que estão se instalando aqui. Tivemos reunião do conselho do Produzir e foram aprovados R$ 100 milhões em investimentos da iniciativa privada com diversos projetos, de forma a dinamizar a economia.

Além disso, estamos fortalecendo os APLs [Arranjos Produtivos Locais], por meio de um trabalho de muito esmero pela área de ciência e tecnologia feito ainda na gestão passada. Temos expertise de excelência reconhecida inclusive pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. O ministro Armando Monteiro destacou para mim que Goiás tem talvez o melhor programa de fortalecimento dos Arranjos Produtivos Locais. Esse é um importante instrumento na medida em que se dinamiza a economia conforme a vocação de cada região, seja na área de produção de lácteos, de cerâmica vermelha, de mel, de plantação de banana, metal-mecânica — que é o caso de Catalão — ou o farmoquímico, em Anápolis. É um trabalho contínuo que estamos fazendo.

Agora, no início de setembro, estamos lançando o projeto mais ambicioso da nossa gestão, na busca de fazer de Goiás o Estado que mais investe em inovação e tecnologia no País. Estamos desenvolvendo um programa baseado em rotas de desenvolvimento, em que observamos as potencialidades de cada região e as necessidades das cadeias produtivas, para que possamos dar um salto de qualidade nessa área.

Patrícia Moraes Machado – O sr. nunca foi alheio ao governo. Neste mandato, mesmo sendo vice-governador, assumiu uma secretaria de peso. Qual marca pretende deixar ao final do mandato?

O primeiro governo Marconi, em 1999, foi marcado pela reformulação e modernização da máquina administrativa e pelos programas sociais. O segundo governo, pelos investimentos na consolidação da UEG, por programas como Bolsa Universitária, em programas de conteúdo social forte. O terceiro governo teve como marca os investimentos em infraestrutura. Queremos, com a orientação do governador, dar a este quarto mandato — o nosso segundo com ele — a marca da inovação e tecnologia. Poderíamos falar horas de todas as ações que estão sendo desenvolvidas pela nossa pasta, mas em linhas gerais, estamos avançando nesse processo estratégico de desenvolvimento do Estado. Sabemos que temos de dialogar com as diversas secretarias. Nesse programa de inovação, por exemplo, temos uma pauta específica com a Secretaria de Educação; outra com a Secretaria de Saúde; outra com o Planejamento. O governo precisa dessa sinergia entre as diversas secretarias.

Ao final do mandato, espero que os indicadores econômicos continuem a ser bons como os que têm hoje, ou melhores daqui para frente. O resultado deste trabalho, quando se trata de desenvolvimento econômico, se traduz em sucesso na medida em que se consegue ampliar a base de arrecadação do Estado. Seja ela pela incrementarão de receita através de instalação de novas empresas ou através de geração de empregos que cria um ciclo virtuoso na economia. À medida que se consegue ter uma mão de obra qualificada, vemos melhores perspectivas de futuro e uma dependência cada vez menor dos programas de inclusão social do Estado por parte dos filhos das famílias goianas. Tomamos como referência regiões do Estado em que há oferta de emprego, pois existe ausência de mão de obra para ocupá-los.

O nosso desafio é preparar e dar qualificação a nossa gente para que elas possam aproveitar essas vagas que vão surgindo. Quando se consegue modernizar a produção no campo, através de diversos programas, seja pelo fortalecimento da Emater; pelos importantes programas defendidos pela Agrodefesa e Vigilância Sanitária, que garantem mercados internacionais para os nossos produtos de natureza animal ou vegetal; ou seja por meio de programas que incentivem a produção. Estamos retomando agora grandes projetos de irrigação como o programa Flores de Goiás e também iremos emancipar o programa Luiz Alves. Além disso, estamos terminando de fechar um acordo sobre o antigo projeto Três Barras de irrigação e queremos iniciar ainda neste ano o projeto Umburuçu de irrigação.

Ou seja, são projetos grandes que mudam e consolidam o Estado como um líder importante na produção primária. Mais do que isso, o nosso grande desafio nesta área é atrair empresas que possam manufaturar esses produtos e, assim, agregar valor a eles. Temos que fortalecer o homem do campo, deixar com que as pequenas propriedades tenham capacidade de não só dar subsistência para a pessoa, mas de dar a ele condições e perspectiva de ver sua família crescer e desenvolver. Quando se fortalece o comércio como o todo, cria-se regras no e-commerce. Estamos encaminhando agora o estatuto das micro e pequenas empresas para a Assembleia. Assim, criamos um marco regulatório importante para o desenvolvimento deste que é um importante setor da economia.

Então, em 2018, quero olhar para trás e ver que o ambiente de negócios em Goiás é saudável. Se nós conseguirmos atingir essa meta, muito ligada à secretaria que hoje exercemos, teremos um Estado pronto para a metade seguinte deste século. Não acredito em nenhum Estado que tenha capacidade de se desenvolver se não tiver um investimento forte em tecnologia e inovação. Não é transferir conhecimento, mas produzir conhecimento. Temos que fortalecer a UEG. A Fapeg hoje é referência, mas é preciso que ela tenha mais pesquisa aplicada à economia, e defendo isso com muita clareza. Temos que consolidar a relação que temos com a iniciativa privada, ter consciência que Estado e iniciativa privada devem trabalhar de mãos dadas para o processo de desenvolvimento econômico.

Frederico Vitor – O governo do Estado vai terceirizar a manutenção da malha rodoviária por meio de pedágios, como já faz o governo federal em algumas BRs?

Nossa malha rodoviária está em bom estado, com uma ou outra rodovia precisando de intervenção ainda, o que já está sendo feito. E a Agetop (Agência Goiana de Transportes e Obras) se prepara para dar mais ordens de serviço. Nossa meta, já definida na gestão passada, é ter a melhor malha do país e isso tem um custo porque, à medida que se investe e recupera, tem que manter as estradas em boa situação para a dinâmica da economia e da logística do Estado. E o governo estuda com tranquilidade o processo de concessão de parte das rodovias. Mesmo porque, quando a União iniciou o processo de concessão das rodovias federais que cortam o Estado, provocou o deslocamento dos grandes fluxos rodoviários dessas estradas para as GOs, que não têm pedágios e que estão em ótima situação de trafegabilidade. Com maior tráfego, a deterioração é mais rápida. Então, temos de ter alternativas para solucionar. A concessão dessas rodovias pode ser uma alternativa. Não significa, necessariamente, que será a alternativa. Estamos analisando com cuidado, mesmo porque é uma pauta imperiosa no Brasil de hoje.

Marcos Nunes Carreiro – O Estado tem adotado uma espécie de política neoliberal nos últimos anos: terceirizou a gestão dos hospitais para as organizações sociais, modelo que pode ser estendido às escolas. Agora, estuda-se privatizar a Metrobus, Celg Telecom, Goiás Gás, fora a própria Celg. Esse é o melhor caminho nesse momento?

Esse conceito de neoliberal é um conceito doutrinário que merece reflexão. Nossa política é clara na aplicação de uma política socialdemocrata, uma vez que o governador Marconi Perillo é até um integrante do Partido da Social Democracia Brasileira, o PSDB. E o que é colocado como neoliberal, às vezes, não é. O PT, muitas vezes, praticou muito mais ações neoliberais do que o PSDB quando governou o País. No Brasil se deturpam os conceitos, as teses, e isso confunde a sociedade. Eu entendo que o Estado deve se ater às suas ações fundamentais e não pode abrir mão de ser o definidor de políticas públicas essenciais, sejam na saúde, na educação ou na habitação. Porém, deve-se sempre buscar na iniciativa privada parcerias importantes para a consolidação do processo de desenvolvimento, tornando mais eficientes suas políticas públicas.

Temos um exemplo disso na área da saúde. Hoje, temos a melhor saúde pública do Brasil. Me recordo que, em 2011, os jornais davam diariamente manchetes com os problemas nessa área, e o governador optou por colocar as organizações sociais (OSs), tendo por base o Crer, que hoje é referência nacional e está sob a gestão de uma OS desde que foi fundado. O Crer é um Sarah Kubitschek 2 na sua área específica. O governador, numa discussão madura e saudável com a sociedade, tomou a decisão de quebrar paradigmas e preconceitos e transferiu a gestão dos hospitais à iniciativa privada através das OSs. O resultado é que hoje não mais faltam médicos ou equipamentos, temos uma relação importante com os servidores, conseguimos desonerar a Secretaria da Saúde, que está construindo um volume significativo de obras em todo o Estado. As pesquisas mostram satisfação superior a 90% da população com os hospitais da rede pública estadual.

Claro que isso não é um remédio mágico para todas as questões. Na perspectiva positiva que temos, como nos colégios militares, poderíamos transportar essa experiência para as demais unidades. Esse debate é o que o governador leva hoje, com a secretária de Educação, para buscar um modelo que possa dar eficiência. O que queremos é que a educação pública em Goiás tenha o mesmo padrão de eficiência da educação privada. Mas não vamos abrir mão de ter a definição das políticas públicas, assim como temos na saúde. As OSs administram, são as síndicas dos hospitais, mas a gestão política da saúde é definida pela Secretaria da Saúde. Na educação será da mesma forma.

Outro exemplo: na Secretaria de Desenvolvimento, vamos lançar agora o edital para chamamento das OSs para todo o ensino profissionalizante no Estado, transferindo a gestão. Porém, a política, a definição de prioridades de acordo com as várias regiões, será conduzida pela secretaria. O que todos nós queremos, o que o governador Marconi Perillo quer, é dar eficiência ao serviço público.

Com um maior tráfego nas rodovias goianas, a deterioração se torna mais rápida. o governo estuda alternativas para a questão, entre elas, a concessão” |  Foto: Wagnas Cabral

Com um maior tráfego nas rodovias goianas, a deterioração se torna mais rápida. o governo estuda alternativas para a questão, entre elas, a concessão”
| Foto: Wagnas Cabral

Cezar Santos – O governador tem uma característica: busca recursos onde é possível. Recentemente, o Estado abriu uma nova possibilidade de arrecadação, com o lançamento das debêntures da dívida ativa. E esse dinheiro é, seguindo a determinação do governador, para continuar investindo. O que será priorizado?

Temos um vasto programa de execução de obras em andamento, que vem desde 2013. Essa operação de crédito referida tem destinação específica, estabelecida pelo governador nas obras estruturantes que o Estado vem realizando. Esse recurso vem para atender as demandas do Estado, mas tem o sentido também de incrementar as receitas. Todo o ajuste fiscal tem um limite e, por mais que se corte custos, não se pode deixar de atender às demandas. Penso que estamos muito próximos do limite dos cortes na administração pública. O nosso grande desafio agora é incrementar a receita com criatividade. Temos uma situação de custeio delicada no Estado. Mas temos recursos interessantes para investimentos: através de operações de crédito, em operações de emissões de debêntures como essa, ou por financiamentos aos quais temos buscado acesso, no sentido de construir um ambiente para que os investimentos se realizem.

E aí há um portfólio de ações definidas pelo governador, com investimentos desde a área de saneamento básico, de infraestrutura logística aeroportuária, passando pela infraestrutura rodoviária, pelos eixos logísticos de desenvolvimento, a exemplo da plataforma multimodal de Anápolis, que temos a intenção de consolidar. E também de importantes centros de comércio, como o Centro de Convenções de Anápolis. Em Goiânia, há o centro de excelência esportiva. Os hospitais, como em Uruaçu e os cinco laboratórios médicos de especialidades. Há também os Credeqs. Ou seja, é um grande portfólio de ações a que será destinado esses recursos.

Marcos Nunes Carreiro – Por que os Credeqs estão demorando tanto para sair? Falta de recursos?

Tem um tempo de maturação. Vejamos o Hugo 2: foi objeto de alguma crítica em relação ao prazo, mesmo sendo recorde para uma obra daquela estrutura e daquele tamanho. O Credeq tem uma estrutura muito grande. Primeiro, é preciso estruturar a parte física para depois atuar na logística. E ainda há uma discussão terapêutica, sobre o modelo que será destinado. Me recordo que essa discussão começou ainda no trabalho do então secretário Antônio Faleiros, quando à frente da pasta de Saúde. Estamos inaugurando um modelo diferenciado para o tratamento das dependências de álcool ou de drogas, e esperamos que seja referência nacional. Claro que, quando temos determinadas situações em que se tem uma queda do financiamento, a própria obra tem sua execução diminuída. Mas ela está em andamento, e esperamos inaugurá-la ainda neste ano. O Hugo 2 foi um exemplo. A parte física daquele hospital foi entregue antes mesmo de sua inauguração, onde se têm quase três mil funcionários. Assim vai acontecer com os Credqs, com a rede Hugo, com o Hospital de Uruaçu, em Santo Antônio do Descoberto, Valparaíso e Águas Lindas.

Patrícia Moraes Machado – Essa crise econômica de agora já estava prevista pelo governo estadual durante o período eleitoral?

O governador teve uma percepção muito clara do que haveria no Brasil. Ele tomou decisão, naturalmente em função da realidade local, mas muito mais pela realidade nacional, em que já se vislumbrava em 2014 um cenário não muito bom para este ano na economia. Observando isso, o governador Marconi tomou a precaução, já em 2014, ao iniciar o processo de reestruturação da máquina administrativa do Estado, visando criar um ambiente econômico saudável de modo que pudéssemos atravessar esse cenário de crise e conseguir superar mais rapidamente esse período. O governador estava certo. De lá para cá, as contas públicas vieram se deteriorando. Goiás não teve problemas como os de outros Estados como Paraná e Rio Grande do Sul. Goiás tem uma situação fiscal muito melhor. Claro que temos problemas, desafios a enfrentar e precisamos estar atentos às contas públicas. A tomada de decisão do governador em 2014 foi precisa, porque ele sabia que o cenário nacional teria reflexo no cenário local. Afinal, a crise nacional fez com que a nossa receita diminuísse e com que nossa arrecadação sofresse um processo de estagnação, mas que é menor que a de outros locais, pois nossa economia é fortemente alavancada na produção primária, que sofre menos com essas intempéries econômicas que afetam São Paulo, por exemplo, de forma muito mais dura, pois é um Estado que depende muito da indústria.

Patrícia Moraes Machado – Por que há diferenças entre os discursos da secretária da Fazenda, Ana Carla Abrão, e de Planejamento, Thiago Peixoto? A primeira fala em cenário econômico mais duro, enquanto o segundo é mais moderado. Qual dos dois é mais verdadeiro?

Nós sabemos do cenário econômico atual e a secretária Ana Carla não pode pintar um cenário de festa e alegria, mesmo porque não seria prudente por parte dela. O que devemos fazer é buscar dar ao Estado condições para que possamos atravessar o cenário de crise com o menor reflexo econômico possível. Não vejo divergência entre os discursos dela e do secretário Thiago Peixoto, pelo contrário, acho que são convergentes. As reuniões de trabalho que nós tivemos ao longo desses oito meses foram todas de posições convergentes no sentido de equilíbrio das contas públicas. Ela tem noção exata que o Estado tem uma condição fiscal muito melhor do que outras unidades da federação. Mas nós temos dificuldades em determinados aspectos, e ela tem a responsabilidade de fazer esta gestão. Nós vivemos um momento delicado, principalmente em relação ao custeio, mas é um cenário que, com certeza, vamos atravessar. Tanto é que agora o governador ampliou algumas ações atribuindo à Fazenda a responsabilidade de verificar determinadas situações como parte de um programa de ajuste fiscal que está levando com a Secretaria de Planejamento. O tom e o estilo de cada um falar pode dar esta visão, mas em relação ao diálogo interno que nós temos, os discursos são absolutamente convergentes.

Frederico Vitor – Em relação à área de Segurança Pública, observamos que o secretário Joaquim Mesquita tem investido muito em inteligência. Mas há um déficit nos efetivos das polícias Militar e Civil. Há previsão de concursos?

Essa questão está em pauta. Nos últimos meses, observamos uma redução significativa dos indicadores relacionados à violência em Goiás. Este é um problema para o qual não existe solução mágica. Temos que atuar em diversas áreas para dar pacificação social. Nós vamos ao interior e temos indicadores de violência extremamente baixos. Casos isolados ocorrem em um ou outro município mas, em regra geral, temos uma situação de tranquilidade no interior. Agora, como em todos os centros metropolitanos, temos problemas; especialmente na região metropolitana de Goiânia, e na região metropolitana do Entorno do Distrito Federal. Mas ao longo dos últimos meses nós temos observado um avanço muito grande. Há um avanço no aparato de segurança pública e em logística, com condições estruturais que dão ao policial condição de exercer sua função: viaturas novas, coletes à prova de balas, armamentos novos. Além disso, as polícias têm o segundo ou o terceiro melhor salário do Brasil. Mas o secretário tem focado de maneira significativa um forte aparato de inteligência. E é justamente nisso que reside, talvez, o sucesso que ele está tendo nos últimos meses. Mas esta questão não se resolve com segurança, mas com educação e saúde de qualidade, oportunidades de emprego, um conjunto de ações que não se soluciona de hoje para amanhã. São ações que têm que ter perenidade para se conseguir paz social. Temos que enfrentar estes problemas de frente.

Marcos Nunes Carreiro – Uma parte importante da economia de Goiás tem passado pela chamada guerra fiscal. Há um debate no Senado para regular esta questão. Muito se falou nos fundos regionais de desenvolvimento, mas alguns parlamentares dizem que vai faltar dinheiro para tais fundos. O Estado tem acompanhado isso de perto?

Essa é uma questão que nos preocupa muito. Nosso processo de crescimento na última década foi extremamente alavancado graças aos incentivos fiscais. Aquilo que outros Estados denominam como guerra fiscal, nós entendemos como instrumentos de desenvolvimento regional. Os Estados que criticam os incentivos fiscais querem garantir a existência de seus parques industriais, no momento em que vemos nosso parque industrial florescer e nossa economia diversificar. Este debate precisa ser muito mais aprofundado no Congresso Nacional. O governador Marconi lidera, obviamente, todo o processo de defesa desses instrumentos. Mas não é só Goiás. Outros Estados, como Bahia, Pernambuco e Tocantins, têm a noção da importância dos incentivos fiscais para o processo de desenvolvimento. É claro que, com o passar do tempo, a economia fica menos dependente dos incentivos para atrair empreendimentos, empresas e investimentos. Questões como logística e infraestrutura são fundamentais para toda a análise decisória de uma empresa para investir no lugar. Goiás mudou muito sua realidade de 1999 para hoje. Diversificamos nossos polos industriais, temos um polo metal-mecânico importante, um polo farmoquímico que é o segundo maior do País, um polo de confecções que o sétimo maior do Brasil e uma série de ações que garantiram a diversificação do Estado. Em momentos de crise, como vive hoje o setor automobilístico, vemos o crescimento do setor farmoquímico. No mês de julho, houve uma expansão de mais de 2,5% na exportação desses produtos.  O nosso grande desafio é poder ter produtos manufaturados na pauta de exportação para que valores sejam agregados. Os incentivos ainda são importantes para o processo de desenvolvimento, e a União não pode discutir essa questão sob o olhar de São Paulo. Ela tem que olhar sob o olhar da federação. E isso envolve o pacto federativo, discussão que não se restringe ao parlamento; há uma questão judicial sobre o tema. Devemos ter alternativas que garantam segurança jurídica. Quando se analisa todas as consultorias de investimento, se observa que Goiás é a primeira opção para se colocar recursos. E defendemos isso com muita força. No mês de março, chegamos a emitir uma nota para discutir as questões relativas aos incentivos informando que esta é uma posição de governo. Permanecemos com ela e sabemos de sua importância.

Marcos Nunes Carreiro – Como o Estado tem equacionado e lidado com a questão da crise das usinas de etanol?

Estamos observando esse setor com muita atenção. Somos o segundo maior produtor de etanol do Brasil e o setor sucroalcooleiro é importante para a economia, pois compõe muito com a nossa capacidade de arrecadação. Mas o problema do setor é de contexto nacional. O governo federal, me parece, tem definido novas políticas e isso tem animado os produtores. Recentemente, tive conversas com os representantes do setor e discutimos ações específicas para a área, mesmo porque, além de produzir etanol e açúcar, grande parte das usinas também gera energia. Porém, nos últimos quatro ou cinco anos, esse mercado passou por um momento delicado em cenário nacional. Agora, parece que a área tem experimentado um renascimento e, à medida que isso ocorre, temos uma economia mais forte. Nesse contexto, o Estado atua dentro de sua competência nessa área, cuja responsabilidade maior é do governo federal.

Quando se discute isso no exterior, percebe-se que há certa resistência. Certa vez, eu estava na China, onde há um problema sério no que diz respeito à despoluição, principalmente de Pequim. Naquele momento, comecei um debate e comecei a falar do etanol com o objetivo de abrir mercados para este produto. Imediatamente, a autoridade chinesa que estava na mesa conosco disse: “Este é um assunto no qual não temos interesse”. Isso porque o etanol deles é à base de milho, eles não têm a tecnologia e não querem ficar dependentes da nossa. Então, se temos a tecnologia, por que o Brasil, que é líder mundial nessa área, não fortalece essa pauta?

Marcos Nunes Carreiro – A presidente Dilma Rousseff anunciou investimentos para a área na semana passada.

Sim. Parece-me que o governo federal tem, desde o início do ano, tomado medidas no sentido de fortalecer o setor, o que acho muito importante.

Marcos Nunes Carreiro – O sr. tem liderado muitas missões pelo Estado. Recentemente, o sr. esteve na Rússia, país que teve alguns problemas com a importação de carne brasileira. Como está a questão?

O mercado russo está aberto para a carne brasileira. O que ocorreu foi o seguinte: uma missão russa veio ao Brasil e detectou problemas sanitários no abate feito por alguns frigoríficos específicos. Então, o governo colocou restrição sobre essas empresas. Já discutimos esse tema com a ministra [da Agricultura] Kátia Abreu e também com as autoridades russas e não há restrições à carne brasileira, mas com alguns frigoríficos, que já estão em diálogo tanto com o Ministério da Agricultura quanto com os órgãos de importação da Rússia.

A relação de Goiás com a Rússia é muito boa e temos, inclusive, a possiblidade de aumentar nossas exportações para aquele país, que sofre com alguns embargos da Europa e dos Estados Unidos, devido aos conflitos em que estão envolvidos. Contudo, o Brasil não tem porque se ater a essas questões geopolíticas já que temos interesse em aumentar nossas relações com a Rússia, que é um mercado consumidor importante. Eles têm uma produção significativa de frangos, mas que ainda tem capacidade de consumo. Tanto que grande parte dos empresários que nos acompanhou na missão que fizemos era dessa área. Fizeram bons contratos durante as rodadas de negócios. De todas as missões que fiz até hoje, talvez, essa da Rússia seja a que me deixou mais impressionado, devido à vontade que eles têm de ampliar suas relações com o Brasil.

“Goiânia precisa de um prefeito com capacidade de inovar”

Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Marcos Nunes Carreiro – O sr. é o atual presidente do PP. Porém, nos bastidores, os políticos já dão como certa a sua filiação ao PSDB, visando a disputa pelo governo do Estado em 2018. É verdade?

Não há nenhuma tratativa minha no sentido de trocar de partido neste momento. Já recebi, mais de uma vez, o convite para me filiar ao PSDB. Sei compreender muito bem as articulações políticas e o cenário nacional, mas estou muito bem o PP. Então, essa questão ainda não está no meu horizonte.

Marcos Nunes Carreiro – Mas há alguma possibilidade?

Em política, tudo é possível. [O Jornal Opção apurou que José Eliton deve se filiar ao PSDB em setembro deste ano.]

Marcos Nunes Carreiro – O sr. se vê como candidato natural ao governo do Estado em 2018?

Nós nem definimos o candidato a prefeito em 2016, imagina a governador em 2018. Essa discussão está muito distante.

Euler de França Belém – Mas é um dos seus sonhos?

Todo aquele que está no processo político partidário e que se dispõe a disputar eleição, naturalmente, busca ocupar espaços políticos. E este é, sem dúvida alguma, um espaço de relevo, um espaço que honraria qualquer político, como instrumento para executar aquilo que pensa. Eu tenho alegria de compor um governo do qual eu convirjo muito na forma de pensar e defender teses. Eu tenho convergência com as teses defendidas pelo governador Marconi e penso que, se um dia eu tiver a condição de ocupar a cadeira de governador, darei continuidade a esse projeto, claramente com as alterações e avanços que, eventualmente, cada um possa enxergar. Mas essa discussão de 2018 está muito prematura e não é uma discussão adequada para o momento. Nós temos que executar um bom governo e, assim, teremos condições de ir para um processo eleitoral em 2018 com um candidato com viabilidade de manter esse projeto que, desde 1999, mudou e muda o Estado de Goiás.

Euler de França Belém – O senador Wilder Morais (DEM) irá se filiar ao PP?

Ficaria extremamente feliz. Ele é um homem qualificado, um senador da República, e que tem um trabalho sendo realizado por Goiás. Se ele tomar essa decisão, ficarei contente.

Euler de França Belém – Mas o sr. tem conversado com ele sobre isso?

Já conversei com ele sobre diversos aspectos. Estamos em um processo de entendimento.

Marcos Nunes Carreiro – E o prefeito de Rio Verde, Juraci Martins (PSD)?

É um grande líder político, pois é prefeito da mais importante cidade da região Sudoeste do Estado. Tenho mantido diálogo constante tanto com ele quanto com os deputados Lissauer Vieira e Heuler Cruvinel (ambos do PSD), assim como com outras lideranças da cidade. O PP é um partido consolidado naquela cidade. Na verdade, o próprio Juraci tem raízes no PP. Então, se ele tomar a decisão de filiar, será o bom filho a casa tornando.

Euler de França Belém – Lissauer Vieira pode ser o candidato do PP à Prefeitura de Rio Verde?

Eu defendo que a base governista se una em prol de apenas um candidato na cidade. Por isso, vamos dialogar na busca de um entendimento. Lissauer, Juraci e Heuler são parceiros políticos; homens que ajudaram a mudar a política de Rio Verde. Observo os números de pesquisas sobre a cidade e percebo que a sociedade reconhece os avanços feitos pela administração pública. Assim, acredito que eles tenham a capacidade de dialogar e compreender que o interesse de Rio Verde é o que motiva sua participação na política. Acho que eles chegarão a um bom termo a respeito disso.

Patrícia Moraes Machado – Atualmente, fora o PSDB, PP e PSD são os dois principais partidos dessa nova base governista. Nas próximas eleições, o partido deixará as posições mais importantes para o PSDB e ficará mais como vice ou pretende fazer um grande número de prefeitos?

Todo partido tem como objetivo alçar à posição de chefe do Executivo, inclusive para poder implementar aquilo que pensa. Isso é natural e o PP não fugirá à regra. Onde tivermos condições de competitividade, disputaremos. Agora, isso não nos impede de saber dialogar. O processo político parte do princípio de que é preciso convergir com diversas forças políticas, que tenham sentimentos e projetos comuns. Em determinados municípios, o PSDB deve compor com o PP; em outros, o PP compõe com o PSDB, com o PSD, com o PTB, com o PR, e assim por diante. Então, acredito que essa discussão não pode ser radical.

Marcos Nunes Carreiro – Vemos muitos políticos que defendem a união da base em torno de um nome para a Prefeitura de Goiânia, provavelmente Jayme Rincón. Outros, como o deputado Virmondes Cruvinel (PSD), dizem que o melhor seria lançar mais de uma candidatura. Qual a melhor alternativa?

Eu trabalharei até o último momento para que a base tenha candidatura única em Goiânia por achar que isso transmite à sociedade um sentimento de unidade e de um projeto; projeto este que esteja casado com o que é desenvolvido no âmbito estadual. Acho importante ter essa identidade clara em relação àquilo que a sociedade enxerga. Política não pode ser apenas a busca pelo poder de forma personalista, mas deve ser a busca pelo poder para executar um projeto. Assim, o nome que fará isso é o que menos importa.

Patrícia Moraes Machado – E qual seria o perfil desse candidato?

Goiânia precisa de um prefeito com capacidade de inovar, de ofertar serviços públicos e que tenha a compreensão das diferenças da cidade. Ele precisa saber que a realidade do Setor Bueno é diferente da do Alto da Glória que, por sua vez, diverge da Vila Mutirão. O prefeito precisa saber isso e entender que obras são importantes para estruturar a cidade e que serviços são para dar às pessoas condições de exercer a cidadania plena. É necessário criar instrumentos de gestão para dar à população acesso aos serviços públicos. É importante asfaltar uma rua? Sim e essa demanda existe. Mas dar condições para o ônibus passar por aquela rua e levar o cidadão para o seu trabalho de forma adequada é tão importante quanto. O transporte público em Goiânia ainda é um desafio muito grande e que demanda estudos muito sérios.

Cito Curitiba, que tem um sistema de transporte exemplar, mas que demorou 20 anos para ser implementado. Passou por Jaime Lerner e por Cássio Taniguchi. Os dois foram responsáveis por isso. Então, eu não enxergo Goiânia hoje como projeto de gestão, mas como projeto de município, independente de quem esteja no governo. Quais são as soluções para melhorar o trânsito? Essas soluções, muitas vezes, não poderão ser exercidas em apenas um mandato.

Patrícia Moraes Machado – Isso é o que precisa ser feito. Qualquer candidato pode se apresentar para realizar esse projeto. Mas e o perfil individual da pessoa que se colocará como candidato?

Não vou discutir o perfil de “a”, “b” ou “c”. Temos um projeto, que deve ser aplicado por alguém que tenha um perfil técnico, com base acadêmica sólida, político e que tenha identidade com a população. Em relação à capital, esse perfil deve ser renovado. Precisamos de alguém que seja capaz de implementar políticas públicas e liderá-las, às vezes, impondo quebra de preconceitos. Não é fácil, pois a pessoa precisa saber que irá assumir o mandato e, muitas vezes, precisará tomar medidas difíceis do ponto de vista político. Essa construção é o desafio que a base tem: unir todos os partidos dentro desse projeto. Mas respeito também as vozes que defendem, como estratégia, mais de uma candidatura para compor em um possível segundo turno. Eu, particularmente, entendo que essa não é o melhor caminho, mas respeito e nada impede que essa seja a decisão que a base possa tomar.

Euler de França Belém – Muito interessante quando o sr. fala sobre o perfil necessário para governar Goiânia. Porém, é impossível não tratar de nomes quando se fala em política. Jayme Rincón, Giuseppe Vecci, Thiago Peixoto ou Virmondes Cruvinel são candidatos que se encaixam no perfil que o sr. falou?

Uns mais, outros menos e, mesmo assim, esse perfil tem que ser avalizado, primeiramente, pelos partidos da base. Esse projeto tem que ser único em todos os partidos, pois faz, naturalmente, referência ao projeto que o governo executa, defende e que será aperfeiçoado com os demais partidos da base para que cheguemos a um modelo final desse projeto com o perfil daquele que irá representar. Não vi o Vecci (PSDB) se postar como candidato. Já vi o Jayme (PSDB), que eu acredito ser um nome com potencial e capacidade de diálogo e que pode identificar esse projeto com a capital. Temos também o deputado Fábio de Sousa (PSDB), que é um nome muito identificável com o governo do Estado, com o governador Marconi e com as políticas que são desenvolvidas por nós. Ele se identifica com determinado segmento da população, mas tem a capacidade de poder falar com outros segmentos, levando a cara desse projeto. Nós temos o deputado Waldir Soares (PSDB), que se coloca como pré-candidato e que teve uma votação expressiva em Goiânia. Ele também tem um diálogo muito forte com um segmento específico da sociedade, tem ideias próprias e coloca suas posições.

Além disso, nós temos o Sandes Júnior, dentro do PP, que tem uma tradição em Goiânia; já disputou eleição à Prefeitura e tem um perfil um pouco diferenciado. Também temos nomes que ainda não se apresentaram como candidatos e não só do PSDB e do PP, como também do PSD, como Francisco Júnior e o próprio Virmondes Cruvinel, dentre outros. Do PTB: o próprio Jovair Arantes, que foi candidato nas eleições passadas. Eu não sei se eles têm esse perfil ou esse projeto, mas são nomes que têm valor e a base precisa discutir, tirando a imposição de que precisa ser desse partido ou de outro. A questão é ter maturidade e discutir o que é melhor para defender o projeto, fazê-lo chegar à sociedade, ganhar a eleição e, depois, executá-lo.

Cezar Santos – As sucessivas derrotas da base em Goiânia, desde Nion Albernaz, na década de 1990, se deve a duas questões: de não conseguir se unir; e, também, de não ter emplacado um discursos que tenha encantado o eleitor goianiense. O que o governo Marconi poderá dar de trunfo ao candidato da base no ano que vem?

Primeiro, nós estamos desenvolvendo a capital, do ponto de vista conceitual e também quanto ao objetivo de realizações. Quando o governo do Estado, sob a liderança do governador Marconi, reestrutura toda a plataforma de saúde da cidade, observa-se que ele abre um espaço para haver uma convergência, um diálogo, uma sinergia entre a estrutura de saúde estatal. E isso pode ser desenvolvido pelo município com a sua política de saúde. É possível interligar, integrar as duas políticas para dar eficiência. Nós temos a clareza de que a população, hoje, tem uma dificuldade com as unidades de saúde administradas pelo município. Os hospitais administrados pelo Estado, como já citei, têm altos índices de aprovação. Portanto, ficará claro para população que este candidato tenha as melhores condições de fazer essa sinergia, de fazer com que ambas as estruturas dialoguem e possam ter eficiência na atividade fim de cada uma. Pois, hoje, há uma dificuldade de compreensão, por parte da sociedade; tanto é que, quando você observa os indicadores de pesquisa, você vê que saúde é um ponto alto de preocupação, mas, quando você recorre aos indicadores de satisfação, você vê que há um abismo entre a rede estadual e a municipal na diferença da avaliação de estrutura. Portanto, isso será pauta do discurso do candidato do governo dentro de uma política que é estabelecida. O PT, provavelmente, possui outra visão quanto à política que nós temos sobre o desenvolvimento da saúde. O PMDB, talvez, tenha outra visão e ele apresentará sua tese à cidade. Nós, agora, iniciaremos um processo de reformulação dos padrões educacionais do Estado. O candidato do governo também estará sintonizado com essa pauta e a população terá a oportunidade de avaliar esse projeto, que, me parece, não é o mesmo defendido pelo PT ou pelo PMDB. Então, eu coloco muita ênfase: a sociedade pode, talvez, não querer um projeto, mas ela tem que ter uma noção clara do que está sendo defendido. O candidato da base tem que estar muito ligado a estes projetos que são defendidos conceitualmente pelo governo.

Patrícia Moraes Machado – Mas unir o que o governo aplica e o que será defendido pelo candidato da base já aconteceu em outras eleições e não convenceu. Por que daria certo agora?

Momento histórico. Depende do candidato. É ele que tem que fazer a comunicação, que tem que dialogar com a sociedade para ela ter o projeto que quer. Eventualmente, a população pode entender que não é o melhor projeto para ela e nós temos que compreender isso, afinal, faz parte do processo democrático. Agora, eu acredito que o candidato da base tem que estar identificado com as políticas públicas que são defendidas por nós. O discurso não pode ser oportunista. O discurso não pode ser para ganhar a eleição. Ele tem que ser para realizar uma gestão. Portanto, a pessoa tem que ter capacidade de dialogar com sinceridade para que possa, inclusive, fazer uma boa gestão. Se não, acontece o que está acontecendo atualmente no governo federal. O que Dilma fez para conseguir vencer a eleição? Tudo que ela falou que não existia, hoje o Brasil está vendo. Assim, temos a presidente pior avaliada na história do País. Pior até que o ex-presidente Fernando Collor, quando sofreu o impeachment pelo Congresso Nacional. Isso é fruto da farsa que foi elaborada no processo eleitoral.

Patrícia Moraes Machado – Mas, as pessoas acreditam que a dificuldade da base em fazer o prefeito de Goiânia é devido às candidaturas de Iris Rezende. O sr. acredita que ele é imbatível na capital?

Ao contrário, eu acredito que o ex-prefeito Iris encontrará uma dificuldade muito grande em Goiânia. Ele terá que renovar seu discurso e fazer uma comunicação com a sociedade. É claro que ele é um líder e ninguém ignora o fato de que ele se comunica bem com a capital. Mas não sei se esse é o projeto que Goiânia quer para ela, agora, neste momento. Nós temos outras forças políticas que podem se identificar muito mais com a Goiânia moderna. Goiânia quer um novo momento político. Nós vivemos um período de transição no Estado todo. Há um sentimento de renovação política, o de florescer novas lideranças, mesmo porque, se formos analisar, as lideranças que nós temos hoje são muito ligadas ao regime de 1964; muito ligadas ao momento de discussão de duas teses que polarizavam o mundo, naquela época. Atualmente, a sociedade brasileira e goiana começa a mudar. A sociedade muda, pois é dinâmica e tem novas pautas, novas bandeiras e demandas. O debate agora é diferente do que foi há quatro anos. Goiânia, pelo que consigo ler das pesquisas a que tive acesso, é uma cidade que quer ter uma nova perspectiva. Sendo assim, cabe a nós, que estamos formulando um projeto para a capital, apresentar essa nova perspectiva que se identifique com o eleitor e que seja factível, para que possamos acreditar efetivamente nela. Este é o nosso desafio: o de buscar, dentro do perfil, alguém que tenha a capacidade de vocalizar esse projeto. Às vezes, quando você faz um projeto, há tantos dados técnicos que é difícil conseguir transportá-los de forma palatável à população e para que ela possa ter a compreensão exata.

Frederico Vitor – Por que a base não consegue investir mais politicamente em Aparecida de Goiânia, que é o segundo maior colégio eleitoral do Estado?

Cada município tem sua realidade. Em Aparecida, nós temos lideranças com relevância, pois já tiveram oportunidade de administrá-la: o ex-vice-governador Ademir Menezes (PSD) já foi prefeito; José Macedo já foi prefeito; Marlúcio Pereira (PTB) tem um histórico de atuação na cidade, dentre tantos outros, como Chico Abreu (PR). É claro que Aparecida vive em um ciclo, que foi iniciado pelo ex-governador Maguito Vilela, que conclui seu mandato agora, mas que segue para um novo debate. Provavelmente, o PMDB terá um candidato, o do prefeito; e nós, da base, teremos outro. Mas em Aparecida também há um problema que é a discussão da formação de unidade da base. Nós vivemos esse mesmo dilema lá.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.