“Delegado Waldir perde força com minha saída da vice”

Médico defenestrado da chapa do PR diz que preferiu sair quando viu o jogo político rasteiro que estava sendo armado pela presidente de seu partido, mas isenta o agora candidato à Prefeitura

Na foto Zacharias Calil | Foto: Renan Accioly/Jornal Opção

Na foto Zacharias Calil | Foto: Renan Accioly/Jornal Opção

Referência nacional e também no exterior na separação de gêmeos siameses, o cirurgião pediátrico Zacharias Calil resolveu entrar na política, depois de recusar vários convites. Seria o vice na chapa do deputado Delegado Waldir Soares, do PR, mas uma articulação nebulosa tirou o PMB, sigla a qual ele era filiado, da aliança, levando-a para a campanha de Vanderlan Cardoso (PSB).

Na entrevista que segue, Zacharias detalha os bastidores desse imbróglio, se mostra decepcionado com as figuras envolvidas, mas reafirma sua disposição para contribuir com a melhoria da cidade, atuando também politicamente. Já desfiliado do PMB, afirma que vai analisar com calma o ingresso em outra sigla: “Com gente que pense igual a mim, que aja com ética e clareza, sem puxar o tapete de ninguém”.

Marcos Nunes Carreiro – O sr. anunciou na semana passada a desistência à vice do Delegado Waldir na disputa pela Prefeitura de Goiânia. O que ocorreu de fato, se o própiro candidato tinha dito várias vezes que o sr. seria o parceiro dele na campanha?

A questão começou com algumas imposições, depois que Iris Rezende (PMDB) desistiu da candidatura, da presidente, não sei se é presidente, do partido do Delegado Waldir [o entrevistado se refere à deputada federal Magda Mofatto, líder maior do PR, que é presidido em Goiás pelo marido, Flávio Canedo], que começou a dar entrevistas nos jornais dizendo que a vice estaria aberta e que o PMDB seria a “noiva bonita” da festa. E falando também do DEM, dizendo que a vice estava aberta, que não tinha compromisso com a vice de Waldir, descartando, portanto, eu e o PMB. Achei estranho, porque o compromisso tinha sido firmado desde o início do ano. Mas tudo bem, às vezes as pessoas falam coisas sem noção do que estão falando.

Marcos Nunes Carreiro – Mas o sr. falou com o Delegado Waldir depois das manifestações de Magda Mofatto?

Várias vezes eu questionei o Waldir: que história é essa? Ele me disse não tem nada disso. Ele até postou nas redes sociais que não abria mão da vice comigo. Mas a coisa foi fluindo dessa maneira. Em entrevistas aos jornais, eu disse ela pode estar falando isso aí, mas eu não tenho compromisso com ela, não tenho compromisso com o partido dela. Nunca conversei sobre isso com eles, meu compromisso é com Waldir, com o PMB e com a população de Goiânia. Até ai, tudo bem, mas começaram a dificultar as coisas. A presidente do PMB metropolitano, Sabrina Garcêz, tentou contato com eles (pessoal do PR) várias vezes e não conseguia e quando conseguia era muito maltratada no PR. Ela re­cla­mava muito disso. Nesse mo­mento eu cheguei a dizer a ela que estava desistindo, que não ia continuar, esta va achando muito difícil como o processo estava caminhando. Ela me dizia para não desanimar, que deveríamos seguir em frente, que tinha falado com Waldir e ele também dizia que era apenas intriga da oposição e tal.

Depois eu viajei ao exterior, o que eu tinha comunicado antes ao partido, não foi nada de surpresa. Voltei, passei uma semana no Rio Araguaia com minha família. Votei e no sábado à noite (30) recebi uma mensagem do Waldir, dizendo que precisava falar comigo, que a Sabrina estaria conversando com outro candidato co quem já tinha fechado o apoio do PMB. Liguei pra ela, perguntei, ela foi meio evasiva, disse que realmente estava conversando (com outro candidato, no caso Vanderlan), porque não estava tendo espaço no PR e que temia chegar à convenção e eles complicarem a vida do PMB. “Eles vão nos largar na mão”, me disse. Aí eu pensei que estava incluído nisso, ser deixado de lado. Marcamos uma conversa para domingo (31) à tarde.

Mas antes da conversa vi nos sites de notícias que ela havia fechado acordo com o outro partido. Liguei de novo para Sabrina e ela ficou de novo muito evasiva e eu senti que não ia dar certo. Já falei para encurtarmos a conversa, disse que não iria encontrá-la de novo, informei que já havia conversado com Waldir e comuniquei que estava saindo da campanha. Ela disse como assim, eu respondi que ela já havia fechado com outro candidato. Ela negou, disse que só estava conversando com outro partido e que isso não custava nada. Eu disse custa sim. Lembrei que tinha sido convidado pelo governador Marconi Perillo, pelo deputado e pré-candidato Vecci e que todos sabiam que eu estava conversando e fui claro, respondi que me sentia lisonjeado por ter sido convidado para ser vice do Vecci, mas eles entenderam minha posição de já ter compromisso com Waldir Soares. Expliquei e fui claro, mas ela, Sabrina, não estava sendo clara comigo. Reiteirei que estava saindo e pensei que ela pelo menos contra-argumentasse, mas não, ela agiu como se fosse jogar para o candidato (Waldir) que eu tinha desistido, dizendo que eu havia feito isso por conta própria.

Cezar Santos – O sr. está dizendo que ele fez um jogo para que o sr. ficasse como tendo desistido?

Ela fez um jogo, e pensou que eu era bobo, mas percebi na hora, porque quando se quer alguém do seu lado, você diz logo “não sai não, espera aí, vamos conversar, estou indo aí agora”. Ela disse que o partido estava aberto pra mim, que eu podia pleitear minha candidatura para deputado federal em 2018 e tudo mais. Foi muito tranquila, como se fosse o resultado que ela esperava mesmo. Ela achou que eu sou imaturo, mas não. O movimento dela foi para isso. Ela pensou apenas nela e não no restante do PMB e muito menos no Waldir.

Ela disse numa entrevista que não conseguia falar comigo, que ligava e eu estava não sei onde. Que eu estava em Aruanã, fazendo o que em Aruanã? Ora, eu tenho minha vida com minha família. O entrevistador argumentou que ela é uma pessoa moderna, tem celular, várias forma de comunicar. As pessoas falam até com quem está em barco. Eu ligo para minha filha em Lisboa pelo Whatsapp, como alguém não consegue comunicar comigo em Goiânia, em Aruanã?

Cezar Santos – Como o sr. percebeu a posição de Waldir Soares nessas articulações? Ele esteve alheio a isso?

Bem, comigo ele não demonstrou que estivesse nessa articulação. Mas sei que Sabrina tentou várias vezes um acordo mais firme com ele, várias vezes vi isso e ela reclamou várias vezes pra mim que não estava conseguindo retorno quando o procurava. Mas, comigo, Waldir sempre dizia que nós iríamos caminhar juntos. Lembro que ele me disse: “se perdermos a eleição, vamos perder juntos, porque eu não compactou com essas coisas que estão acontecendo aí, não sou homem de duas palavras”. Respondi que eu também não sou de duas palavras e que estava com ele. Lembrei que quando o governador e o Giuseppe Vecci me chamaram, eu comuniquei isso a ele. Não ajo por trás, acho que temos de agir com transparência, com ética e respeito, por isso estávamos juntos nessa empreitada.

Cezar Santos – O sr. já tinha sido convidado várias vezes para a política, mas sempre mostrou certo receio, o que foi superado dessa vez atendendo o chamamento de Waldir Soares. Esse desdobramento o desiludiu da política, está decepcionado com as pessoas?

Sim, diminuiu minha fé nas pessoas, porque vi que elas não agem de maneira honesta. Elas não pensam no que se pode fazer para melhorar a qualidade de vida de Goiânia. A minha intenção em entrar como vice-prefeito se deu porque eu não me sinto bem na minha cidade, não estou gostando de morar em Goiânia. E quando não se gosta de algo, tem de tomar uma atitude. Não adianta levantar banderia na rua, sozinho, que ninguém vai lhe acompanhar. Uma maneira de fazer isso é parar de apenas recamar e entrar na política para tentar melhorar, resolver os problemas para você e para as outras pessoas, na saúde, na segurança, na mobilidade, a malha viária que está uma porcaria — quem anda de moto igual eu, sabe que as ruas estão inviáveis, todas esburacadas. Por isso resolvi entrar na política e tive o apoio do Delegado Waldir, com quem já estava conversando há muito tempo sobre isso. Ficamos segurando pra lançar a minha candidatura e veio o momento.

Augusto Diniz – Essa conversa vinha desde quando Waldir Soares estava no PSDB?

Quando ele estava no PSDB eu estava no PP, e pensei que se­ria bom. Ele com uma densidade eleitoral muito grande e eu num partido também da base aliada, pensei que eu não teria nenhuma dificuldade. Mas Waldir saiu do PSDB e ele me disse que nosso projeto continuava, perguntou se eu tinha interesse em ficar com ele porque ele iria sair candidato a prefeito. Topei, eu estava interessado e teria de sair do PP, que não podia ir com Waldir. Ele mesmo me indicou o PMB numa articulação nacional em Brasília, articulou por cima. Todos ficamos felizes, teria 1 minuto e 45 segundos de TV, mais 1 minutos do partido dele, seriam quase 3 minutos, seria muito bom. Fizemos a parceria, Waldir e a Rose Guimarães, presidente estadual, e a Sabrina, do metropolitano, foram no meu consultório, assinei a ficha de filiação, tudo maravilha. E aí começaram essas desavenças e caminhou para minha saída.

Marcos Nunes Carreiro – O sr. anunciou que vai se desfiliar do PMB…

Já me desfiliei.

Marcos Nunes Carreiro – … mas vai continuar tendo interesse na política?

Isso me deu mais forças para prosseguir. Eu nunca desisto, a gente não pode desistir de um projeto. No momento, essas pessoas são pequenas em relação ao projeto que tenho e à própria pessoa que sou. Quem age dessa maneira não merece meu crédito, tanto que pedi minha desfiliação. Mas tenho projetos na frente, mas agora vou escolher um partido que tenha gente que pense da maneira que penso, com honestidade, com ética, com responsabilidade e de maneira alguma tentar “passar a rasteira” nos outros. Como alguém que está num projeto, faltando dois dias para as convenções, derruba e alega que eu pedi para sair? Como fazer isso se o projeto já vinha de quase um ano? Sabrina fez a negociação. O que a gente não sabe é o que ganharam com isso. Eu falei não fui eu que perdi, quem perdeu foram eles. Estou tranquilo, porque tenho a minha profissão, tenho reconhecimento de todos. Nas redes sociais ninguém criticou a minha saída, ninguém falou mal, pelo contrário. Volto para a medicina tranquilamente, já voltei a trabalhar no Hospital Materno-Infantil, porque tinha tirado licença, e sigo minha vida normalmente.

Augusto Diniz – O sr. diz que ficou surpreso com a movimentação de Sabrina Garcez nos últimos dias. Em algum momento antes da desistência de Iris Rezende o sr. percebeu que havia alguma abertura do PMB ou do PR para mudar essa aliança sua com Delegado Waldir?

Em relação ao PR eu percebi o tempo todo. Eles queriam desconstruir o que nós já tínhamos programado, tanto que Waldir fez várias declarações sobre isso. Eles dificultaram as coisas.

Marcos Nunes Carreiro – Eles quem? A deputada Magda Mofatto?

Como é o nome do marido dela?

Marcos Nunes Carreiro – Flávio Canedo.

Ele foi quem dificultou muito.

Marcos Nunes Carreiro – Agora, como o sr. analisa a situação de Delegado Waldir? O PR tem uma clara dificuldade para firmar alianças e o PMB era o único partido que o apoiava.

Magda devia procurar a “noiva bonita” que ela sempre queria (se refere ao PMDB). Já que a vice estava aberta, o caminho deles devia ser esse. Vejam como Ronaldo Caiado é uma pessoa ética, como médico e como político: quando Waldir o procurou, para que ele pudesse apoiar a sua candidatura, ele foi claro e disse “Olha, Waldir, eu tenho compromisso com Iris”. Pronto. O que Sabrina deveria ter dito? “Eu tenho compromisso com o dr. Zacharias e o PR”. Uma pessoa séria faria isso.

Marcos Nunes Carreiro – A saída do sr. prejudicou Waldir?

Sim, porque eu sou uma pessoa muito bem relacionada na cidade. Eu sou daqueles que onde eu como caviar, eu também como pão. Frequento qualquer ambiente e me dou bem com todos, mas as classes média e alta estavam apostando muito nessa parceria. Muitos diziam o que todos dizem, que Waldir é isso ou aquilo e eu: “Não, ele é uma pessoa séria. Eu o conheço”. Waldir frequentou minha casa, minha família o conhece. Minha esposa é psicóloga e analisa as coisas. Tudo aquilo é uma caricatura, mas ele é muito sério. Eu fui à Fieg e ouvi a mesma coisa. Ouvi os diretores da Fieg dizendo que ele está preparado e que é uma pessoa do bem. Agora, eu tenho apoio onde eu convivo e na minha própria profissão. Tem o CRM e uma série de fatores que nós íamos procurar agregar à campanha. São formadores de opinião.

Cezar Santos – O sr. agregaria à campanha?

Sim. Inclusive, Waldir ficou chateado porque ele perguntou se eu seria o secretário de Saúde, caso ele fosse eleito, e eu respondi não. Eu vou trabalhar na eleição no dia 2 de outubro, quando for votar.

Augusto Diniz – O sr. não vai declarar apoio a nenhum candidato?

Não. A decepção em relação às pessoas foi muito grande. Então, para se aproximarem de mim, eu terei que analisar muito bem as pessoas. Muitos já chegaram a mim pedindo para que eu as nomeasse presidente da Comurg ou da SMT, em troca de apoio. Eu acho isso horrível. Essas pessoas não servem nem para votar em mim. Eu não participo disso. Nós temos que mudar o modo de pensar a política. Essa cultura de “toma lá, dá cá” precisa acabar. Qual é o bem comum que nós temos? Não é a população? Então, temos que priorizar a população. Vejam a esculhambação que foi esse episódio do Samu [Operação SOS Samu, que revelou um esquema criminoso envolvendo UTIs privadas e servidores do Samu]. Pegar pacientes sem chances de defesa e rebaixar a consciência deles. A que ponto chegamos? Isso é o maior absurdo que vi na minha vida. Fazer glicose em paciente diabético.

Como poderemos confiar num candidato como esse que levou meu partido para o lado dele (referindo-se a Vanderlan Cardoso)? Ele estava do outro lado. É a mesma coisa de cobiçar a mulher alheia.

Augusto Diniz – Como o sr. vai analisar, a partir de agora, a escolha de um novo partido?

Temos que ver as opções com muita cautela. Há bons partidos surgindo com empresários, pessoas de nível superior e que têm índole, que não estão preocupadas em adquirir riquezas com esse tipo de coisa.
Marcos Nunes Carreiro – O sr. já tem um partido em mente?

Não. Vou analisar muito. Para eu entrar em um partido agora, ele terá que ter um currículo muito bom. Se não tiver, o jeito é ficar de fora.

Marcos Nunes Carreiro – Em 2018, o sr. pretende ser candidato a algum cargo?

Ainda não pensei nisso, mas tenho disposição em pensar em uma eleição majoritária ou mesmo federal. Pode ser. Mas vou analisar e ver as pessoas que estarão ao meu lado.

Cezar Santos – Na condição de pré-candidato a vice o sr. passou a acompanhar a política mais de perto. Percebe haver algum candidato que esteja apresentando propostas interessantes?

Só ouço falar que vai fazer isso ou aquilo, que vai tirar alguns carros. Mas não vejo nada concreto. Não está no nível de apresentar propostas e dizer que quer tal e tal pessoa na equipe. Essa era nossa proposta, de ser a novidade e quebrar essa hegemonia que existe aqui a tantos anos. Só existem PSDB e PMDB e os outros partidos apenas brigando para chegar lá? As pessoas que estão ali são as mesmas. É preciso ter renovação e os mais jovens devem ter oportunidade para mostrar seu trabalho e adquirir experiência.

Por que eu não quis ser prefeito? Eu poderia ser candidato a prefeito, mas não tenho a malícia e a experiência de um administrador. Entrando como vice, eu aprenderia os trâmites que existem dentro da prefeitura. Um exemplo: na residência médica, você fica aprendendo para depois sair e praticar sua medicina. Acho que a administração é assim.

Marcos Nunes Carreiro – O sr. fala que não tem experiência administrativa e, por isso, não poderia disputar a prefeitura. Porém, Waldir também não tem.

Não é preciso ter experiência administrativa. Um exemplo: eu vou fazer uma cirurgia de separação de gêmeos siameses. Eu sou o coordenador, mas como vou separar a parte óssea? Vou chamar o ortopedista. E o coração? O cardiologista. É mesma coisa na administração pública. Chama-se as pessoas boas e que não têm passado sujo. Há muitas pessoas preparadas e querem trabalhar para melhorar uma determinada área e transformá-las em referência. Ninguém sabe tudo. Veja o governador Marconi [Perillo], por exemplo. O cito porque, apesar de ter a política na veia, ele era jovem quando assumiu o governo do Estado, não tinha experiência para administrar, mas fez o melhor governo que Goiás já teve. Marconi modernizou o Estado, porque colocou pessoas de qualidade na equipe dele. Administrar também é fazer equipe. Não tem como trabalhar sozinho. Goiânia tem excelentes pessoas, mas que não têm oportunidade.

Um exemplo: quem indica um diretor de Cais? “Ah, ele trabalhou na campanha do fulano, entregou santinho, então temos que ajudá-lo.” Não estou querendo diminuir ninguém e pode até colocar essa pessoa na direção de um Cais, mas uma pessoa assim precisa passar por um treinamento. Temos aí Sesc, Senai, Sesi, que podem fazer o treinamento para que se preste o atendimento à população. Tudo isso é uma questão de gestão. Qual o foco principal da saúde? O paciente. No SUS, todo final de mês vemos aquelas filas enormes, principalmente idosos, para fazer exames. Isso é humilhante. Então, temos que trabalhar não com indicação política, mas indicação técnica.

Augusto Diniz – Por ter acompanhado Waldir Soares durante um ano, o sr. acredita que ele tenha perfil que demonstra capacidade de formar uma equipe e administrar Goiânia, já que hoje o deputado federal é visto como um candidato monotemático?

Eu acho que ele tem condições sim de formar uma boa equipe. Inclusive eu citei alguns nomes de pessoas que vocês conhecem e ele foi atrás delas. Ele me ouviu quando eu disse a ele que são pessoas extremamente técnicas, de respeito e trabalho prestado à sociedade. Acredito que valeria a pena, no caso de o Delegado Waldir ser eleito, convidá-los para formar seu secretariado. Às vezes é a maneira de a pessoa se expressar. Mas ele tem que adotar isso, porque, se não for feito, não vai ter condições de conduzir a prefeitura.

Ele precisa colocar essas pessoas nos lugares certos. Eu acho sim que ele tem essa capacidade. Ninguém administra sozinho. Ninguém se sujeita a um político que bate a mão na mesa determina que tudo deve ser feito como ele quer. Talvez pessoas que se preocupam em estar lá apenas pelo cargo se sujeitariam a uma postura irredutível, mas quem tem bom nível não se sujeita a isso.

“A saúde pública em Goiânia está em estado de caos”

Cezar Santos – Na pré-campanha o sr. chegou a participar de reuniões nos bairros acompanhando Waldir Soares?

Não. A gente estava programando para começar agora. Eu disse ao Waldir que não era o momento, que pela minha profissão eu não poderia acompanhá-lo nesse primeiro momento. Meu tempo está todo tomando até o mês de agosto.

Cezar Santos – O sr. iria trabalhar mesmo na campanha propriamente dita.

Exatamente. Seria o ideal. A gente sempre fica com o pé atrás e deu no que deu. Se eu tivesse ido para todos os lados com o Delegado Waldir teria sido pior. Seria um desgaste. Eu avisei ao meu partido, às vezes eles entenderam de uma maneira diferente, que já tinha me desincompatibilizado do Estado e estava praticamente sem salário. E informei que eu precisava de uma estrutura para que eu pudesse manter a candidatura. Como se vai fazer campanha para vice-prefeito sem estrutura financeira?

Me avisaram que o PMB não tinha estrutura para me bancar. Como não? Como é que uma pessoa vai ser candidato a vice-prefeito e não tem um escritório de apoio, não se sabe quem vai fornecer adesivos, que forma você vai trabalhar, como ter carros, combustível, telefone? Eu estava entrando em uma campanha sem condição e sem salário.

Quando eu falei com o Waldir, ele me comunicou que com o fundo partidário do PR ele me ajudaria na campanha. E deu certo. Começamos a organizar. Alguns amigos disseram que iriam participar. Seria uma campanha na base da amizade. Também não vou vender minha casa porque é a única coisa que eu tenho.

“A saúde deve ter o paciente como foco principal. No SUS, todo final de mês
vemos aquelas filas enormes, principalmente idosos, para fazer exames. Isso é humilhante. temos que trabalhar não com indicação política, mas indicação técnica”

Marcos Nunes Carreiro – Na condição de técnico gabaritado na área da saúde, o que é preciso fazer para que a saúde de Goiânia seja melhor do que é hoje?

É preciso colocar o paciente no centro da atenção. É preciso estimular as equipes médicas a trabalhar. Hoje existe um déficit de médicos muito grande em decorrência dos baixos salários. Um exemplo: em vez de contratar dez médicos, contrata cinco com salário alto. Em Aruanã tem um hospital com cinco médicos, cada um recebe R$ 22 mil da prefeitura. Esses médicos moram e trabalham lá, fora os plantões. Isso mantém os médicos no emprego.

É preciso estimular o Programa de Saúde da Família (PSF). Tem a necessidade de contratar mais profissionais da área técnica. Enquanto um médico cubano ganha R$ 10 mil, R$ 12 mil por mês, o nosso médico ganha R$ 5 mil. É uma insensatez muito grande. Por isso é preciso manter o profissional estimulado, melhorar a remuneração desse médico para fazer esse profissional se sentir bem, em um ambiente agradável, com ar-condicionado funcionando, sem goteira. As coisas básicas precisam ser feitas.

Só isso já segura o profissional naquele emprego. E com as ações básicas de saúde é possível diminuir o atendimento dos Cais. Hoje, com o ato médico, nós temos que pegar os profissionais das outras áreas da saúde para trabalhar junto com o médico. O médico não é o principal, ele faz parte de uma equipe de técnicos de raio X, fisioterapeutas, farmacêuticos, biomédicos. Mas é o médico quem coordena. Com essas equipes multidisciplinares a coisa flui.

Para acabar com as filas é preciso colocar essas equipes multidisciplinares atuando. Mas é preciso discutir o fato de que o médico não tem plano de cargos e salários. Ele está ganhando R$ 1,5 mil em um plantão ou menos. Às vezes não tem carteira assinada.

Eu sou médico aposentado pelo Distrito Federal. Eu tinha carteira assinada como servidor, mas eu tenho um plano de cargo e salário. Eu aposentei com paridade e recebimento integral, se o médico na ativa recebe aumento, o meu também aumenta. As pessoas prestam concurso e entram. Não é por indicação de alguém. E é preciso ter um plano de cargos e salários eficaz. Juiz tem, promotor tem, além de auxílio livro, auxílio moradia, e o médico não tem.

Cezar Santos – Falando em filas, esse sistema de chequinho, até o nome é esquisito…

Esse chequinho é uma coisa horrorosa! A gente vê na televisão todo final de mês as filas. Eu me lembro bem em governos estaduais anteriores que a pessoa tinha que pegar um vale para buscar a cesta básica. Era humilhante. O cara parava de trabalhar para pegar a fila para pegar um papelzinho. O governador Marconi Perillo botou um cartão magnético, pelo qual dava o dinheiro.

Na saúde também pode ser feito isso, pode vender serviço de saúde. Um exemplo é laboratório, que podem ser feitos convênios. Com a compra do serviço você pode tirar isso do chequinho. O paciente pode ir lá com um cartão como se fosse um plano de saúde para melhorar esse serviço. É preciso fazer sistema de prioridade para cirurgias. Há casos de pessoas que precisam passar por cirurgias e estão há quatro anos aguardando sem conseguir o atendimento. E é o município que detém as guias de internação.

Goiânia é gestão plena. Quem recebe o grosso do dinheiro é o município. As ambulâncias estão todas quebradas. Acabou o convênio das “motolâncias” com o Ministério da Saúde e essas motos estão jogadas.

Cezar Santos – O sr. está dizendo que a gestão da saúde em Goiânia está em estado de caos?

Está. Um exemplo é aquela reportagem do programa “Fan­tástico”, que mostrou o nosso colega, Fernando Machado (secretário de Saúde de Goiânia), e perguntam se ele é dono de UTI e ele diz que não, se a mulher dele é dona de UTI e ele também nega. No dia seguinte é questionado por ser dono de uma UTI, e ele confirma. Eu acho que essas pessoas perderam a noção.

Fotos: Renan Accioly/ Jornal Opção

Fotos: Renan Accioly/ Jornal Opção

Cezar Santos – Perderam a vergonha?

Perderam a vergonha. Por que você tem que fazer convênio com o técnico da ambulância para ganhar 300 reais e rebaixar nível de consciência de paciente? Cor­rupção, baixos salários, falta de cursos de qualidade, de respeito ao paciente acarretam isso. O berço, a educação da pessoa também influencia. Mas ele vê tanta coisa acontecendo e ninguém é punido que ele começa a fazer também e se sente tentado a entrar.

Cezar Santos – O governo interino do Michel Temer (PMDB) está falando em mexer na estrutura do programa Mais Médicos. O sr. considera que seria uma boa medida?

Nós temos que pegar essas equipes multidisciplinares e valorizá-las. Na verdade, esses médicos cubanos são enfermeiros mais bem treinados, não são médicos. Se formar esquipes com os nossos médicos nós não precisamos dos cubanos, que podem ir embora.

Cezar Santos – Mas também há uma questão ideológica dos governos petistas, que fizeram o programa para também repassar parte do dinheiro para a ditadura dos irmãos Castro. Como o sr. analisa isso?

Isso tem que acabar. Todo mundo é contra. É preciso reformular o Mais Médicos. Acho um absurdo ter uma leva de médicos aqui e pagando esse valor para manter a ditadura de Cuba. Onde existe isso? Só no Brasil que se vê esse tipo de fator complicador. Muita gente denunciou a existência de diplomas falsos, o que pode ter mesmo. Casos de espiões sendo pagos para vigiar os cubanos aqui.

Eu estive em Cuba há uns anos e me dei muito bem com eles. Mas as pessoas têm uma falsa impressão do que são esses cubanos que estão aqui. Eu participei de um congresso lá e realizei algumas palestras para especialistas formados na Universidade de Cuba, e vi que eles são bons médicos. Na minha especialidade, que é cirurgia pediátrica, eu os considero de alto nível. Eles saem do país, vão para vários congressos internacionais. Em Cuba, eu conversava muito com um cirurgião pediátrico, e ele ficava o tempo todo olhando de lado. Um dia eu perguntei o que ele tanto olhava. Ele me respondeu ‘eu não sei quem é você, com quem eu estou conversando’. Expliquei para ele que eu era brasileiro. Eles são muito desconfiados. E é uma situação deprimente essa do Mais Médicos.

E os que eu vi lá são diferentes dos que vieram para o Brasil. Dá para ver até pelas receitas médicas, que são um absurdo. Na realidade eles não são médicos com o bom treinamento que nós temos, em comparação a qualidade dos profissionais que eu vi em Cuba.

Poderíamos fazer diferente. No caso de uma residência médica não é todo mundo que passa. Aí o médico é contratado como clínico com o salário do Mais Médicos. Por que não? Nisso ele passa dois, três anos com o salário que ele conquistou, porque no interior você não tem muitas despesas, faz seus estudos e busca uma vaga de residência médica.

Cezar Santos – Em Goiânia, além da saúde, que outras áreas o próximo prefeito vai ter de resolver?

O sr. tocou em minha veia, com este assunto. Eu morei em uma casa, por muitos anos, ao lado do Goiânia Shopping, onde não é Bueno, nem Jardim América nem Nova Suíça, entre a T-9 e a T-10, o chamado Bueninho. Mudei-me para lá, em 1986, e tudo era muito fácil. Dali eu acessava o Materno-Infantil, muito próximo, o Unique, um hospital onde opero, bem na rua abaixo. Até que resolvi construir no Residencial Alphaville. E digo, a pior coisa para mim em Goiânia é a mobilidade. Não tem como andar, a cidade está totalmente parada. Para sair de casa, e não pegar trânsito, é preciso sair às 6 da manhã, se sair às 6h30 fico encalacrado no trânsito. A mobilidade em Goiânia hoje é terrível.

Outra coisa que precisamos mu­dar é que, para contornar um quarteirão, gasta-se de 10 a 15 minutos, pois os sinaleiros intercalam, um a­bre e, já na rua que virou, o outro fe­cha. Se vê as pessoas caminhando tran­qui­lamente e indo embora, e sem consumo de combustível, sem poluição do ar ou sonora e sem o calor insuportável. Domingo mes­mo, eu cheguei de Aruanã, às 18 ho­ras, e peguei a Avenida D e, quando cheguei à Praça do Cruzeiro, eu, que nãos sabia que tinha jogo da seleção, gastei 1 hora e meia para chegar em casa.

E ainda tem a questão da segurança, pois hoje não se pode bobear em nada. Onde morava era um problema seriíssimo, tínhamos medo de assalto e sempre havia uma ou outra confusão.

O calor também é insuportável, e a mobilidade e o transporte urbano também. Se você tem um transporte de qualidade, não precisa andar de carro, pois se pega um ônibus e segue, reduzindo o consumo, a temperatura do ambiente e outras coisas. Para mudar o trânsito de Goiânia, é preciso chamar um engenheiro de trânsito e ver o que é preciso fazer. Algumas cidades, como Curitiba e Brasília, por exemplo, adaptaram-se: elas pegaram as avenidas centrais e inverteram o fluxo em determinada hora do dia, o que muito ajudou.

É preciso ainda manter as crianças na escola. O adolescente é muito ativo e ele tem de ter uma atividade. Muitos ginásios, por exemplo, estão abandonados. O jovem não é estimulado a praticar um esporte. Dou um exemplo: existe uma estrutura erguida e ociosa no Jardim América, um ginásio de esporte, aonde fui com meus dois netos e eles não puderam brincar, pois o horário de fechamento era às 11 horas e, mesmo sendo 10h30, eles disseram que já era horário do almoço e tinham que fechar. Não deixaram os meninos brincarem. Os funcionários ficam à toa, portanto. É necessário convênio com escolas, pois pode ser um centro de atividades diárias. Existe uma praça por ali, onde acontece uma feira e demais atividades, que deveria ser um centro esportivo. É preciso tirar a criança das ruas e colocá-la para praticar esportes, fazer cursos, a exemplo do Sesi, que promove isso, como teatro, dança e outras atividades. É preciso convênios, pois tudo está abandonado. Foi construído para quem? A população fica sem acesso?

Cezar Santos – O sr. percebia propostas nesse sentido em seu ex-partido?

O que mais me chama a atenção do PMB é que ninguém está preocupado em solucionar os problemas da cidade. Eles estão preocupados apenas em fazer coligações, coisas do umbigo deles, só com a política. Goiânia é só política? E os administradores? Estão jogados, querendo trabalhar, fazer algo saudável, mas sem que ninguém fale deles. Você não ouve dizer que vão chamar sicrano ou beltrano, nada disso. O presidente interino Michel Temer não pegou os melhores para o Banco Central? Quem é o melhor, quem tem credibilidade? Eu não sei mexer com finanças. Presidente sabe mexer com finanças? Não, pois não é economista. E mesmo se fosse, ele não tem a credibilidade que um Meirelles tem.

Recentemente estive em Brasília, queria conhecer o Memorial JK. Entrei para ficar só uma hora e acabei por passar a manhã inteira lá. Fiquei fascinado pela história de vida de Juscelino Kubitschek, com o que ele produziu no país, com a coragem que ele teve — pois, é preciso ter coragem. “Mas ele é doido”, diziam, como dizem hoje do Waldir. Mas é preciso ser doido, às vezes, para tomar certas atitudes, como mudar a capital do Rio de Janeiro para o Planalto Central. É preciso ousadia. Ao contrário de um querer passar a rasteira no outro, isso é a coisa mais horrível que existe. Não entra na minha cabeça isso de querer derrubar alguém por você não gostar, por inveja, nada disso.

Muitos ficam articulando isso e se esquecem do projeto que tem para Goiânia. O meu ex-partido, o PMB, qual o projeto que tem para a cidade? O que a presiente (Sabrina Garcêz) deveria dizer? “Não vou ser candidata à vereadora”. O que faria como vereadora por Goiânia? Este é o chamamento que temos que fazer. “Não, eu estou fazendo coligação com os partidos pequenos”. Mas em que eles contribuirão para que melhore a condição de vida na cidade? Faltam propostas, portanto.

Sobre o zoológico, por exemplo, eu sou a favor de que aquilo acabe, era preciso que fosse um parque da cidade, e não um empreendimento imobiliário — jamais pensaria nisso. Era preciso que fosse um parque, aonde as pessoas fossem para se divertir, mas como se divertir se você vê ali os animais presos? Não é um exemplo para os nossos filhos. Os países de Primeiro Mundo têm acabado com os zoológicos, pois ninguém quer saber disso mais. É deprimente ver aquilo, já foi o tempo. Goiânia já deu um passo ao proibir que os circos trouxessem animais para a cidade, o que é importante. E, ali, também resvala na qualidade de vida, pois é uma área arborizada, um pulmão que existe na região. É um projeto.

Médico Zacharias Calil: “Dizem que Waldir Soares é doido. Pelo contrário, ele é uma pessoa séria. Eu o conheço. Ouvi diretores da Fieg dizendo que ele está preparado e que é uma pessoa do bem” | Foto: Renan Accioly

Médico Zacharias Calil: “Dizem que Waldir Soares é doido. Pelo contrário, ele é uma pessoa séria. Eu o conheço. Ouvi diretores da Fieg dizendo que ele está preparado e que é uma pessoa do bem” | Foto: Renan Accioly

Marcos Nunes Carreiro – Mas, da forma como está, se acabarem hoje com o zoológico…

Digo acabar em longo prazo, o que levaria dez anos, por exemplo. Como na Argentina, onde os animais estão sofrendo, deprimentes, em situação de estresse, mas está fechando, eles extinguiram os zoológicos. Os países de Primeiro Mundo estão fazendo isso. E os seres humanos estão avançando, no sentido de acabar com coisas como essa. O zoológico daqui mesmo ficou muito tempo fechado e é uma área enorme, para uso dos animais. Aquilo poderia acabar e também servir como um hospital veterinário, que abrigasse animais abandonados — um lugar adequado. Está faltando na cidade, e vale ressaltar, uma política voltada para os animais.

Uma vez, escrevi um artigo, intitulado “Enfim, a égua morreu”. Um carroceiro tinha uma égua, que, ao transportar uma carga pesada demais, não deu conta de puxar a carroça. O homem espancou o animal, que rompeu uma hérnia abdominal e ficou agonizando, na Avenida Marginal. Eu fiquei muito revoltado com o carroceiro e, depois, dei-me conta de que ele era muito ignorante para ter feito o que fez. Escrevi esse artigo, que teve grande repercussão. É preciso consciência com os bichos.

A França hoje tem um grande problema em relação a isto, ao abandono de animais. Quando chega o verão, o cidadão, que tem um cachorro em casa, quer sair de férias, quer passear e solta o bichinho na rua. Aqui também acontece muito isso. Eu conheço muitos que colocam o cachorro no carro e o soltam nem sei onde, de tão longe. Eu mesmo nunca mais falei com uma que fez isso — eu fiquei indignado. É preciso ter uma política para os animais, afinal existem tantos judiados e abandonados por aí. É preciso sim ter um hospital veterinário, como São Paulo e Curitiba, que estão muito a frente e é onde tem pessoas com índole de promover sempre o que é melhor. Por que lá é melhor que Goiânia? Por isso, por estas pessoas que são comprometidas com o bem-estar da cidade.

Cezar Santos – Aqui, o que existe nessa área é de iniciativa da população, de abnegados. Parece que o poder público pouco toma frente, não recolhe estes animais, não tem uma política de estimular a adoção.

Exato. Outra coisa é que Goiânia não tem um hospital pediátrico. “Ah, tem o Materno Infantil”, mas espera lá, é preciso conversar com quem entende disso. Eu me formei em 1981 e, em Goiânia, na época, tinha 650 mil habitantes. O Materno Infantil já existia, quando me formei, pois fiz o sexto ano lá. A cidade hoje tem 1,4 milhão e o hospital continua o mesmo, com a mesma quantidade de leitos. Goiânia não tem um hospital pediátrico com todas as especialidades, como em Curitiba, onde tem o Hospital Pequeno Príncipe. Por que lá tem e aqui não? É sobre isso que falo, sobre a falta de determinação política. Se tiver uma política voltada para isso, nós teremos.

Goiânia é referência mundial em separação de gêmeos siameses, mas por quê? Porque nós fizemos, de um voluntarismo de toda a equipe. O dr. Nelson Piccolo, por exemplo, tem um nome admirado em todo o mundo. Ele passa o dia todo e leva seu material, sua estrutura e o Estado não gasta nada com isso, pois ele faz questão de doar. O dr. Mário Kuwae, ortopedista, diz que a melhor coisa do mundo é chegar aqui e fazer uma cirurgia como essa. E todos são assim, pois são pessoas que têm sim a vida feita, mas que contribuem com seu serviço para melhorar a vida dos outros.

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