“Caiado tem visão estreita. Quero ser senadora por uma maior participação da sociedade”

Única mulher do Centro-Oeste candidata ao Senado, petista diz que ideias de Caiado e Marina Silva beiram ao obscurantismo e reforça que a prioridade do partido é, antes de tudo, reeleger Dilma

Fernando Leite/Jornal Opção

Fernando Leite/Jornal Opção

Se tem uma Marina causando furor em nível nacional, eleitoralmente falando, sua xará no âmbito local acredita que pode também promover uma virada no quadro atual da disputa para o Senado. Marina Sant’Anna está na vice-liderança da corrida, segundo as pesquisas de intenção de voto, ainda bem atrás de Ronaldo Caiado (DEM), o favorito, e seguida por Vilmar Rocha (PSD). De negativo, a menor estrutura de seu partido em relação aos rivais, o que a obriga a dividir a área de atuação com Gomide e os outros candidatos majoritários do partido para cumprir as rotas pelo Estado. De positivo, seu carisma e sua transparência na discussão de temas diversos.

Única mulher candidata ao Senado em todo o Centro-Oeste — algo que ela faz questão de ressaltar —, Marina foi a primeira suplente da coligação PMDB-PT para a Câmara dos Deputados em 2010 e teve a oportunidade de assumir o cargo na maior parte da legislatura, com a licença de Thiago Peixoto (eleito pelo PMDB, hoje no PSD) para assumir a Secretaria do Estado da Educação. Lá, foi integrante destacada da Comissão de Meio Ambiente e uma das líderes de uma frente parlamentar de resistência aos desmandos do deputado Marco Feliciano (PSC-SP) na Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM).

Nesta entrevista ao Jornal Opção, a candidata do PT deixou claro que a prioridade é a continuidade do projeto do partido, com a reeleição de Dilma Rousseff. Marina Sant’Anna defende a representatividade direta da sociedade — o que foi contemplado com o decreto da presidente em maio criando os conselhos populares e do qual Ronaldo Caiado é um dos maiores críticos. “Caiado é portador de um tipo de visão que, para mim, é estreita, por não querer a participação da sociedade”, afirma. Outra figura considerada por ela com ideias “obscurantistas” é sua xará, ex-petista e candidata à Pre­si­dência, Marina Silva (PSB).

Euler de França Belém — Marina Silva (PSB) passou Aécio Neves (PSDB) e está crescendo, com a pesquisa indicando que ela venceria Dilma Rousseff (PT) no segundo turno. Como petista, o que a sra. diria para o eleitor votar em Dilma e não em Marina? Qual a diferença entre o ideário das duas?
Sobre diferença entre ideários, Dilma não pensou em ser candidata, ela foi convidada a ser. É uma pessoa de classe média, ocupou funções que exigiram muito dela intelectualmente na gestão pública, isso desde o Rio Grande do Sul. No campo da esquerda, Dilma tem uma visão sobre como mudar o Brasil, dos pontos de vista da concentração de renda e ambiental, com foco na mudança dos índices sociais em favor da maioria da população. Essa é a Dilma, mostrada nas diversas áreas até nas disputas dentro do Congresso, procurando convencer as pessoas por meio do partido, de sua assessoria, de seu ministério, para universalizar os serviços garantidos na Constituição Federal. Dilma quer o País caminhando no rumo da superação das desigualdades sociais, sabendo que isso é passo a passo.

Ela tem uma visão de desenvolvimento que perpassa todos os campos. Na Rio+20, ela conseguiu a adesão dos outros países na compreensão de que o desenvolvimento é crescimento econômico, é o alcance dos serviços públicos pelas pessoas, é qualidade de vida e também é proteção ambiental. O ideário dela é focado numa mudança substantiva do País ao longo dos anos e prevê que, para essa nova etapa, esse novo ciclo de desenvolvimento, se trata de avançar nos direitos e conseguir manter o equilíbrio econômico. Li agora há pouco sobre o crescimento das empresas de capital aberto no Brasil, incluindo as empresas estatais, o que está previsto com o crescimento econômico, com o crescimento do PIB, e tratando desses outros elementos citados.

No caso de Marina Silva, estou procurando compreender o que ela vai propor para o País. Ela buscou montar a Rede, não conseguiu formalmente e acabou dando a palavra fundamental para Eduardo Campos (PSB). Com a morte de Eduardo, Marina passa a dar o seu tom e dificilmente duas pessoas falam exatamente as mesmas palavras sobre os mesmos problemas. Mas, sobre o que se tem, ela montou um partido que tem o nome de ONG [organização não governamental]. Não estou sendo desrespeitosa, mas é a verdade. O termo Rede, como está num vídeo com a Luiza Erundina [ex-prefeita de São Paulo, deputada federal pelo PSB e coordenadora-geral da campanha de Marina Silva à Pre­sidência da República], deseduca a sociedade num processo recente de aprofundamento da democracia, quando os partidos políticos são elementos fundadores dessa democracia; são eles os responsáveis pela representação pública, e aí se faz uma chamada pelo não político, pelo antipolítico. Isso não é compreensível, vou ficar aguardando. Não sei o discurso que o PSB vai fazer.

Por outro lado, o Brasil todo espera como Marina vai se posicionar sobre as coisas de Estado. Lembremos a reação dela ao TSE [Tribunal Superior Eleitoral] por este não ter reconhecido o partido Rede Sustentabilidade, que não tinha o número suficiente de assinaturas. Marina achou que deveria ter reconhecido, mesmo assim, fazendo vigília na porta do TSE. E, após a morte de Eduardo Campos, Marina Silva adotou uma posição de messianismo, fundamentalista. As pessoas estranharam. É preocupante alguém procurar ocupar uma posição central no País com visão de que é mais merecedor que os outros para estar naquele posto, do ponto de vista divino.

No Brasil a religião é referência para as pessoas, mas o Estado laico é também o acordo firmado na Constituição de 88. Religião pode ser usada como legitimação para guerra, por exemplo, como vemos em Gaza — onde estive em 2012 e vi um hospital de crianças que havia acabado de ser derrubado por bombas e agora ocorre da mesma forma — e em outras partes do mundo. É o que vemos também no Iraque, com curdos, xiitas, cristão sendo massacrados. Como alguém que se compreende acima dos outros vai tratar, por exemplo, o Congresso Nacional? Como Marina vai tratar as forças da sociedade, religiosas ou não, que não concordem com ela? No discurso inicial, ela já propaga a intolerância religiosa de algum modo, mesmo que ela não pense assim. Ainda não sei como ela firmará seu discurso, mas a apresentação inicial que ela faz é extremamente preocupante.

Euler de França Belém — A posição contrária de Marina Silva sobre o casamento homossexual e o aborto, não é extremamente conservadora e retrógrada, não?
Qualquer pessoa pode pensar o que desejar, é compreensível sobre o ponto de vista religioso dela. Mas isso não é aceitável para quem pleiteia posto de Estado.

Cezar Santos — Mas ela não vocaliza o que uma grande parte da sociedade pensa? Não é legítimo isso?
É completamente legítimo, claro que é, qualquer pessoa propõe o que desejar. Mas é temerário, preocupante, porque temos uma Constituição que é resultado de uma República que em poucos momentos teve democracia. Agora é momento de aprofundar essa democracia. Saiu na imprensa, não sei se ela disse isso, mas algo como “eu não estava no avião porque fui protegida por Deus”, “Deus me escolheu”. Isso, além de ofensivo, é impertinente, partindo de uma autoridade pública. Estou ouvindo até evangélicos discordarem da posição de Marina, nesse ponto de vista de Estado.

Euler de França Belém — Acho que o Estado não tem de fazer proselitismo religioso, até porque o Estado é laico. Eu que sou 100% do casamento homossexual, a favor do aborto, a favor da liberalização da maconha, acho retrógrado, atrasado, o comportamento de Marina Silva. A ideia de um país para escolhidos sempre deu errado. O PT nunca teve essa ideia de construir um país totalitário, sempre teve posição diferente. Acho que Marina Silva tem essa ideia da não política, de que tudo está errado, uma ideia quase totalitária. Não é assustador?
É assustador. Veja o caso na Câmara Federal, na Comissão dos Direitos Humanos e Minorias (CDHM), o deputado Marco Fe­li­ciano (PSC-SP) causou uma situação que nos chamou atenção neste caso. Ele poderia muito bem defender suas posições, já que 98% da população brasileira têm algum vinculo de fé, tendo religião ou não expressa sua fé. Mas isso é para si. Quando vai lidar com as coisas de Estado, tem de existir outro tipo de perspectiva.

Quando Feliciano assumiu a Comissão de Direitos Humanos, tivemos de criar uma Frente Par­lamentar em Defesa dos Direitos Humanos, porque ele simplesmente cerceou o andamento das pautas. Acreditem, isso ocorreu até sobre o direito dos índios. A PEC [proposta de emenda constitucional] 215 retira da União a exclusividade do Estado no tratamento das terras indígenas. Nós, da Frente Parlamentar em defesa dos Direitos Humanos, mais os índios ocupamos a sala da comissão, porque o deputado Feliciano colocava seguranças para que os movimentos sociais não entrassem. Ocupamos a sala para exigir que os assuntos relacionados aos direitos dos índios entrassem na pauta antes de ele chegar. São coisas incompreensíveis, não pode ser desta maneira.

Seja uma Casa parlamentar, seja uma pessoa à frente do Estado, quem está lá tem de se abrir para assuntos diversos, discutir soluções para tal pauta, mesmo que ela não goste dela. Foi um ano de tumulto na Câmara Federal sem Comissão de Direitos Humanos. Foi um ano que os movimentos sociais ficaram excluídos até dos corredores quando tinha reunião da Comissão de Direitos Humanos, ele não permitia, punha seguranças para que não entrasse ninguém. Até a discussão sobre os direitos da criança — sobre a questão de sofrimento, de agressões físicas, de questões psicológicas na relação com as pessoas adultas —, até isso foi uma discussão sem fim. Ora, o que é sofrimento, no ponto de vista psicológico, está definido.

Mas, mesmo assim, foi uma dificuldade imensa entender o que é sofrimento, por ter compreensão diferente, por entender sofrimento certamente apenas no cabedal religioso. Eu respeito, mas é preciso se utilizar de conceitos universalizados. De fato, isso me causa apreensão, porque, como na Idade Média, em períodos obscurantistas, em que algum segmento toma conta e começa a cercear o acesso ao conhecimento por parte da sociedade, realmente acho preocupante e dou esse exemplo do que aconteceu na Comissão de Direitos Humanos.

Frederico Vitor — A sra. acha que a Marina Silva não estaria ainda surfando na onda de comoção da morte de Eduardo Campos (PSB), para obter esse bom desempenho nas pesquisas de opinião?
Acho que sim. Ela pode inclusive continuar crescendo, se se apresentar de um novo modo. A forma como ela está se apresentando neste interregno — entre a criação da Rede e este momento em que falamos aqui — é temerário, embora tenha legitimidade.

Cezar Santos — Marina Silva não estaria encarnando a desilusão de boa parte da sociedade com a classe política, apresentando-se como uma antipolítica?
Aqui, como em outros lugares do Brasil, há pessoas ligadas à Rede que são respeitáveis, que têm história. Mas, quando ela se coloca como “antipartido”, “antipolíticos” e “anti” tudo o que considera que está ruim, ela chama a herdeira do banco Itaú [Neca Setúbal] para ser a coordenadora de sua campanha. Empresários de grande porte também dão sustentação a sua campanha. O que ela está fazendo não é diferente dos outros partidos. Em torno de 80% dos recursos que vão para as campanhas nacionais são oriundos do setor financeiro e de grandes empreiteiras. Então, não grande diferença neste sentido. Acho que cada um deve compreender seu papel e, como disse Luiza Erundina, isso é deseducativo. Se ela alterar o rumo e se colocar como propositiva, compreendendo esse processo, pode, sim, crescer. Mas, neste momento, creio que é comoção.

Euler de França Belém — Essa é uma discussão que, se a sra. for eleita, terá de fazer lá no Senado. Marina Silva é a favor da autonomia do Banco Central, mudou para esta posição depois de uma conversa com Neca Setúbal. Qual é a sua posição sobre isso?
Eu compreendo essa visão, mas entendo, ao mesmo tempo, que essa autonomia relativa já existe — no momento, por exemplo, de tratar dos juros. Hoje o poder do mercado financeiro no mundo é quase inesgotável, junto com outros poderes que têm o mesmo cacife. Se nós tratarmos da completa autonomia do mercado financeiro, alguém vai ditar as normas. Quem dita as normas da completa autonomia? O Banco Central é fundamental para o desenvolvimento econômico e para o conjunto de desenvolvimento do País, como inflação e outros elementos que acabam participando das obrigações do Banco Central. Sem dúvida nenhuma, acabam sendo uma trava para o desenvolvimento. Com­preendo essa postura, mas eu pergunto: autonomia significa o quê, exatamente? É só autonomia em relação à Presidência da República? Será um grupo de técnicos? A quem esse grupo reporta suas decisões? Deve haver autonomia, mas em certo nível, parte de autonomia.

Euler de França Belém — A senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) insiste que Marina Silva ainda continua com posições duras em relação ao agronegócio. A sra. representa um Estado onde o agronegócio é muito forte. Qual é sua posição sobre isso?
Aqui em Goiás há dois campos fortes: o agronegócio e a agricultura familiar. Isso não é só no Brasil, mas também pelo mundo todo —60% a 80% da cesta básica, dependendo do país, em todos os continentes, vêm da agricultura familiar. Isso são dados da realidade que a FAO [sigla em inglês para Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agri­cultura] tem confirmado.

Já o agronegócio tem outra função: é a geração de divisas para o Estado e para o País. Goiás e o Centro-Oeste são responsáveis por boa parte desse crescimento econômico que nós temos. Marina Silva trata o agronegócio como adversária do desenvolvimento, naquele conceito de proteção ambiental e inclusão social. Ao longo do tempo, ela tem se posicionado totalmente contrária ao agronegócio. Já fui advogada de lavradores durante muitos anos e minha compreensão é de que existe um elemento na origem da cultura fundiária do País e do Estado de Goiás, em que a distribuição de terras se deu para os “amigos do rei”. Isso aí veio de uma cadência de forte criatividade cartorária. Chegamos a um ponto de obrigatoriedade de uso das terras e, com isso, a obrigatoriedade de cuidados ambientais. Quem mais investe e tem mais recursos, quem provoca esse PIB favorável à região do nosso Estado, também agrega mais responsabilidade am­biental. Já estive na Faeg [Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás] debatendo esse assunto, além de produção rural, e compreendo que deve haver uma responsabilização maior de quem tem mais. O pequeno agricultor tem apenas um pequeno trecho de terra, seus 5 ou 10 hectares, não tem técnico disponível e a Emater [Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária] está absolutamente pauperizada em Goiás. Ou seja, não tem assistência técnica direta, favorável, não tem o arcabouço que tem um grande empresário.

Para mim, o diálogo que se deve ter é com o agronegócio e suas responsabilidades ambientais, já que o setor já vem cumprindo com as responsabilidade sobre o crescimento econômico. Eu fui da Comissão do Meio Ambiente quando estava na Câmara e persistimos nesse debate, no qual fui relatora de uma matéria de interesse direto da Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária] sobre o rodízio de culturas, como floresta, lavoura e pecuária. A tecnologia que existe e o trabalho que o Embrapa faz de pesquisa têm de avançar no sentido de produção com responsabilidade ambiental. O modo com que Marina Silva trata a questão causa uma preocupação muito grande, pois nem todo empresário rural pensa como latifundiário de décadas atrás. Nem todo empresário rural é aquele que acha que tem de ter trabalho escravo e ele tem de ficar livre.

Para quem pensa assim, a lei já manda expropriar a terra. Não se pode fazer o que quer, todo mundo tem responsabilidade social.

Cezar Santos — O Código Florestal não pacificou essa questão?
O Código Florestal anterior era da década de 60 e havia o entendimento de que ele realmente teria de ser alterado. Sua aprovação foi aplaudida, por vários setores. Houve um esforço do então deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) para fazer um relatório e traduzir as experiências nacionais e internacionais dentro do novo código. Mas ficaram algumas questões que causaram diferenças. Então, até porque não havia outro modo de votar, eu fui a única deputada federal que votou contra o relatório. Não votei contra o conjunto, mas havia propostas como a da anistia diante de crimes ambientais, o que acabou vetado pela presidenta.

De certa forma, tudo ficou pacificado, porque, no resultado final, os Estados também começaram a fazer seus próprios códigos. Há uma responsabilidade real, concreta. Há a fiscalização do poder público, mas é preciso que todo mundo se responsabilize. É a nossa terra, nosso chão, então temos de melhorar o modo de produção, cuidar da água, da terra, do subsolo, ver o tanto de veneno necessário, o modo como ele é utilizado. Acabei contribuindo com o relatório — que acabou sendo um novo projeto, feito inicialmente pelo deputado Padre João (PT-MG) —, que tratava do seguinte: o avião que espalha o agrotóxico na lavoura precisa dar informações às autoridades da região. Foi exatamente quando aconteceu um acidente em Rio Verde, quando um avião agrícola passou baixo jogando veneno em um horário em que mais de 30 crianças e professores em um assentamento estavam no recreio. O assunto passou a ser debatido em todas as comissões de que eu participava, foi mesmo um momento de comoção.

 

“O agronegócio está ganhando como nunca”

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Euler de França Belém — E as crianças ficaram bem?
Elas ficaram bem. Teve até mesmo uma audiência pública da Comissão de Direitos Humanos do Senado em Rio Verde sobre esse assunto. Mas, veja bem: o veneno, quando cai, fica dele 30% na planta e o resto desce para o subsolo, para a água e pode matar peixes e ocasionar outras tragédias. É algo para ser tratado com o máximo de critérios. Foi um acidente em que as crianças e os profissionais da educação conseguiram se livrar do problema, mas é algo que não pode acontecer. A gente quer um rigor maior e, muitas vezes, não querem que esse rigor maior seja atendido.

Dentro da Comissão de Meio Ambiente, tínhamos uma parceria desligada de partidarismo. Era o PT junto com o PV, com o PSDB, com o PMDB, com gente do PPS. A configuração acaba sendo outra e a avaliação que eu tenho é de que precisamos reconhecer tudo o que nosso País tem em termos de fatores: o agronegócio, a agricultura familiar, o uso de veneno nas lavouras e o trabalho da agricultura orgânica e da agroecologia, que está se intensificando e pelo qual eu participei de uma frente parlamentar. É algo que diz respeito à alimentação saudável. Neste momento em que a gente conversa aqui, está tendo um seminário internacional na Emater sobre agroecologia. A cada dia mais o cuidado com a alimentação saudável ganha mais atenção, novas tecnologias para isso, como é feito em um espaço dentro da Embrapa que desenvolve essas tecnologias para agricultura familiar com base no extrativismo orgânico, preocupado com todos esses aspectos. Tudo isso tem de estar dentro de nosso campo. Não adianta excluir um dos fenômenos do crescimento ou do desenvolvimento econômico. Temos de agregar, discutir e procurar nos embasar para pegar as melhores tecnologias e proteger mais o meio ambiente, facilitando o desenvolvimento do País e a inclusão social.

Euler de França Belém — Segundo as pesquisas de Goiás para o Senado, Ronaldo Caiado (DEM) está em 1º lugar e, depois a sra. e Vilmar Rocha (PSD). É possível derrotar Caiado? Qual é a diferença de seu projeto em relação ao dele?
Eu estava esperando essa pergunta (risos). Caiado está há 20 anos na Câmara dos Deputados. Com a saída de ACM Neto [DEM, hoje prefeito de Salvador], ele se habilitou como liderança de um campo político de oposição na Câmara. Isso não quer dizer que ele tenha necessariamente ganhado suas posições. Pelo contrário, em muitas de suas posições mais radicalizadas, ele perdeu. Creio que houve uma percepção — muita gente na internet se manifestando, inclusive pessoas do agronegócio — de que são necessárias novas representações, inclusive para quem defende o campo de ideias que ele representa. Caiado é um parlamentar muito ativo e tem correspondência de suas ideias em muitos lugares, mas, por outro lado, é uma voz isolada dentro do contexto de que se dispõe. Ele é um parlamentar de extrema-direita. A senadora Kátia Abreu, que é presidente da Confederação Nacional de Agricultura (CNA), tem postura diferente da que ele tem.

Cezar Santos — Mas ela pede votos para ele.
Mas isso faz parte, eles são da mesma categoria.

Cezar Santos — Não há uma contradição, então, na sua afirmação de que ele está isolado?
Ele está isolado porque outros vieram depois dele com uma capacidade maior de diálogo. Ele tem uma presença importante hoje por causa da articulação que ele faz, por conta de sua experiência de 20 anos de Câmara. Mas os setores do agronegócio estão tendo muito lucro, estão avançando em seus investimentos, recebendo crédito crescente como nunca se viu. Esses setores acham que deve haver diálogo. O agronegócio pode não ser a preferência como modo de produção de muitas pessoas na política, mas também não dá para chafurdar e ignorar a realidade dos avanços que têm existido com este governo.

Caiado é uma grande liderança, que movimenta, mas que também tem um alto nível de isolamento. Ele é visto como uma pessoa de extrema direita e absolutamente sectária, com dificuldades para reconhecer os ganhos de um governo estando na oposição. No Senado, essa posição não pode existir. Lá são pessoas e lideranças que conhecem o que é um governo, muitos ex-governadores ou que têm uma experiência bastante ampla e que, portanto, são mais tendentes ao diálogo e menos ao sectarismo.

Outra questão em relação a Caiado é que ele é contra a todas as políticas sociais que visam diminuir as desigualdades sociais no Brasil. O que eu falo está nos estudos de todos os institutos, demonstrando a dignidade que veio a valorização do salário mínimo, que ainda é pequeno, com o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida, além do Prona­tec, atingindo quem não poderia ter esses benefícios por conta própria. Isso é um tipo de política pública civilizatória. Nenhum país do mundo pode pensar que deva casar o crescimento do PIB com a miséria. A miséria além de ser um problema crônico, que leva a mais miséria, não é mais cabível. Ela atua contra o fator civilizatório. Não é mais cabível ver pessoas passando fome. O Bolsa Família existe para fazer famílias e comunidades se emanciparem. Não falo em perfeição, mas em resolvermos um problema de nosso país, de nossa civilização, que acumulou fome e miséria. É preciso tratar isso.

Sobre o programa Mais Mé­dicos, ao qual o deputado Caiado é totalmente contra, a posição dele perdeu no Congresso — como ele também perdeu em relação à questão do Ato Médico. Lamento que o debate tenha sido tão sectarizado. A realidade é que os médicos hoje formados são, primeiro, em número insuficiente para o total da saúde pública e privada. Em segundo lugar, os médicos não são obrigados a ir para a periferia, para o interior, ou para a região amazônica. Ninguém pode ser obrigado a fazer qualquer coisa.

Euler de França Belém — Mas quem estuda de graça por conta do Estado tem de ter um compromisso social.
Esse é um debate que está sendo feito. Só que quem se formou antes não tem essa obrigação. E no momento existe uma carência real de número de médicos especialistas. A saída foi terceirizar esse serviço. É claro que há um plano estratégico a ser feito, como aumentar o número de vagas, com controle de qualidade, para as faculdades de medicina. Mas e as pessoas atualmente, que não têm plano de saúde, sem acesso à saúde privada? Vamos deixá-las morrer, simplesmente? Estamos falando de saúde básica, do atendimento a pessoas que, por exemplo, estão com pressão alta e não sabem disso. O deputado Ronaldo Caiado acaba levantando polêmicas por sectarismo, por ter uma postura muito à direita no cenário nacional, e acaba ajudando a concentração e não a desconcentração de renda — nosso País é um dos que têm maior concentração de renda no mundo. O sectarismo não é algo de nosso tempo, não nos favorece. Pre­cisamos, sim, de diálogo e de buscar o convencimento.

Mais uma questão: Ronaldo Caiado saiu à frente, se anunciou, mudou de grupo político. Vinha de uma história de Arena, PDS, PFL e DEM, assim como o deputado Vilmar Rocha também. Este fez uma opção recente de ir para um partido mais aproximado de Marconi Perillo (PSDB). Caiado foi para outro grupo político, fazer oposição a seu grupo de origem. Isso também lhe causou certo desgaste, porque no interior ainda temos a velha disputa com teor de PSD versus UND, muitas pessoas ainda baseiam suas decisões nisso.
Quando saiu a primeira pesquisa, Caiado tinha 34%, eu tinha 26% e Vilmar, 13%. Achei esse levantamento interessante, porque eu tinha dado apenas uma entrevista, dizendo ao PT que eu estava à disposição. Mas meu nome ainda não estava circulando, meu partido nem tinha discutido realmente o assunto, o que seria feito somente ao final das articulações para coligação.

Cezar Santos — Mas não estava certo já que Antônio Gomide seria o candidato?
Sim, porque já havia passado o tempo para desincompatibilização e Gomide tinha saído da Prefeitura de Anápolis com esse compromisso, de que seria candidato ao governo. Meu nome saiu com a discussão bem ao final. Ou seja, quero entender que meu nome está muito prestigiado, de acordo com essa e outras pesquisas. Embora eu estivesse com vontade, eu achei que não sairia candidata e estava organizando minha vida particular. Mas, então, houve essa decisão e, como candidata, fui cuidar das coisas iniciais da campanha, o que muitos fizeram já no primeiro semestre. Ainda nem fui para caminhadas, nem fiz muitos atos públicos. Mantenho uma alta expectativa em relação ao meu nome para essa disputa.

A sociedade está querendo saber em quem vai votar. As pessoas ainda estão montando seus próprios quadradinhos de votos. O que me chama a atenção é o número de pessoas que tem intenção de votar em mim mesmo antes de eu falar qualquer coisa. Agora começaram os programas de TV, estamos com uma equipe mobilizada na internet com mais organização e vou iniciar viagens e ações públicas. Campanha é isso e acho que não precisa ser mais do que isso.

Candidata ao Senado, a petista Marina Sant’Anna fala aos editores Euler de França Belém e Cezar Santos e ao repórter Frederico Vitor: “Nós não tínhamos a obrigação de apoiar Iris Rezende”

Candidata ao Senado, a petista Marina Sant’Anna fala aos editores Euler de França Belém e Cezar Santos e ao repórter Frederico Vitor: “Nós não tínhamos a obrigação de apoiar Iris Rezende”

Euler de França Belém — Ao contrário da sra., o candidato do PT começou a mobilização há mais tempo, mas não decolou ainda. Qual é o motivo?
Antônio Gomide já era conhecido em Anápolis, um município polo, e nos municípios vizinhos. Ele começa a ser conhecido no restante do Estado agora. É hora de começarmos a mostrar força de engate para sua campanha e para a minha, também. Estamos nos reunindo com os movimentos sociais e com a base do partido. Gomide viajou durante o primeiro semestre se apresentando para nosso partido e para outros. Ele começou uma campanha, na sequência da convenção, já falando sobre a candidatura mesmo, fosse para imprensa ou nos lugares a que ia. Eu acredito que, a partir daí, ele terá oportunidade de crescimento nas pesquisas. Nós não fizemos nenhuma pesquisa pessoal. Estamos vendo as pesquisas que a imprensa tem publicado. Vendo as pesquisas qualitativas e quantitativas, teremos possibilidade de avaliar o que está nos ajudando e o que precisamos superar.

Cezar Santos — Há poucos dias, a presidente Dilma esteve em A­ná­polis e fez questão de não ser fo­tografada ao lado de Gomide. Rui Falcão esteve em Goiânia e disse que a prioridade do PT é a reeleição da Dilma, que já de­monstrou que a prioridade dela é a parceria com o PMDB, nos Estados em que esse partido tiver candidato ao governo, como aqui [Iris Rezende]. Ou seja, Gomide foi deixado “na chapada” pelo comando nacional, não?
Eu não vou concordar com o que você diz. Participei de todos esses eventos e tenho ido ao PT nacional, conversado com os dirigentes e recorrido também à direção da campanha de Dilma, em Brasília. Nós tivemos um mo­mento aberto dentro do partido para discutir isso. Rui Falcão, juntamente com o deputado Ricardo Berzoini (PT-SP), veio a Goiânia, assim como Gilberto Carvalho, para fazer a campanha de Dilma, que tem a presença do PT, do PCdoB, do PTB, do PMDB e de alguns outros partidos e autoridades que nos apoiam nacionalmente, mesmo não sendo da preferência do total de seu partido. Naturalmente, Rui Falcão e os ministros precisavam chegar ao Estado com esse entendimento. Eles precisam ter a delicadeza do momento atual — basta entender que o vice de Dilma é Michel Temer [presidente do PMDB]. Nosso partido, indubitavelmente, faz campanha para Gomide. Rui Falcão, desde dezembro do ano passado — quando estivemos juntos pela primeira vez tratando sobre a campanha de Gomide —, apoiou e vem apoiando essa decisão. Nós a reiteramos e temos apoiado a postura de Gomide em manter a candidatura.

No caso dos eventos públicos da campanha da Dilma, nós estamos em um ambiente multipartidário e eu sou a única candidata ao senado que é do campo que apoia a Dilma e o Lula e também sou a única candidata mulher ao Senado — não só de Goiás, mas do Centro-Oeste. Naturalmente, os ministros têm mais tranquilidade para falar do meu nome, porque sou a única. Porém, no caso para o governo do Estado, tem a campanha de Iris e a de Gomide, então tem de fazer um gesto de respeito à representação. Maguito Vilela [prefeito de Aparecida de Goiânia pelo PMDB] é um dos coordenadores da campanha de Dilma, com Valdi Camarcio. O deputado Jovair Arantes (PTB) também tem se empenhado. Assim, é preciso ter esse respeito multipartidário, porque a prioridade do PT e de outros partidos no Brasil é a reeleição de Dilma. É a reeleição que garante nosso projeto nacional. As outras eleições são importantes — a do Gomide, a minha, a de deputados federais e de estaduais, todas são importantes. Mas a nossa prioridade é a eleição de Dilma. Isso não só por parte de Rui Falcão, mas é a prioridade de todos nós.

Euler de França Belém — Por que o candidato Iris Rezende sugeriu que o PT o traiu em 2014? Segundo ele, havia um acordo para que o PT o apoiasse. O que aconteceu, exatamente?
É o que todos acompanharam. O PT não chegou a discutir a aliança com o PMDB em um momento anterior.

Euler de França Belém — Mas Iris disse que, se fosse candidato, o PT teria obrigação de apoiá-lo.
Partidos não têm obrigações entre si. Partidos fazem análises de conjuntura e tomam suas decisões. Porém, havia uma possibilidade, sim, de os partidos estarem juntos. A preferência era fazermos campanha juntos para fortalecer Dilma. Era nossa preferência. Nós comunicamos várias vezes oficialmente ao PMDB e aos pré-candidatos da época, tan­to a Iris quanto a Júnior Friboi, à direção executiva do partido, que nosso tempo final para decisão de candidatura era o prazo para a desincompatibilização, pois nosso pré-candidato era Gomide. Isso já estava decidido e o PMDB, até então, não decidira quem seria seu candidato. Nós não podíamos, simplesmente, abrir mão de ter uma candidatura, porque não temos a possibilidade concreta em deixar ter um candidato. Nós não sabíamos o que eles estavam pensando. Respeitosamente, de ambas as partes, houve um entendimento. Se o PMDB tivesse, antes do período da desincompatibilização — portanto, antes do início de abril —, decidido se seria Iris ou Júnior Friboi, teríamos discutido se apoiaríamos ou não. Isso não é campanha secundária, é para governador de Goiás. Não podemos fazer isso, apoiar seja quem fosse o candidato. Isso não existe, ninguém faz isso, assinar um documento e deixar para que o outro partido decida, pelo resto da vida, o que vai ser feito por você? Não pode ser assim. Nem Iris, nem Friboi se firmaram enquanto candidatos e o PT lançou sua candidatura. O PT não teve a oportunidade de discutir a coligação, uma vez que o partido com quem poderíamos nos coligar imediatamente não tinha candidato.

Euler de França Belém — Há uma possibilidade, no momento, em ter um segundo turno com Marina Silva e Dilma Rousseff. O governador Marconi Perillo (PSDB), então, não teria Aécio Neves o apoiando. O PT aceitaria o apoio de Marconi Perillo para Dilma Rousseff, no segundo turno?
O PT aceita o apoio de quem quiser apoiar. Uma eleição de segundo turno é uma eleição plebiscitária.

Euler de França Belém — Não tem veto a um apoio de Marconi?
De minha parte, não. E acho que não haverá da parte de ninguém do PT. Nós estamos falando de uma situação muito hipotética, eu não sei quem optaria pelo quê, mas, no segundo turno, nós não temos nem ninguém tem qualquer tipo de veto, a não ser que seja de uma personalidade que você acredita que não é possível e que acredite que vá prejudicar a campanha.

Cezar Santos — É bom lembrar que Marconi apoiou Pedro Wilson (PT) no segundo turno em 2004 [então prefeito de Goiânia, Pedro era candidato à reeleição contra Iris Rezende].
O PT já apoiou Marconi também, no passado, em 1998. Há mais história com o PMDB, no entanto, o que se fixou na eleição de Dilma com um vice do PMDB. Mas, isso é segundo turno e você tem de optar entre os dois, se você não está dentro. O jogo é entre quem lidera, é uma preferência conjuntural e não estratégica, em geral.

Cezar Santos — A adesão do prefeito Paulo Garcia a Gomide demorou, o que sinaliza que havia problema. Isso já foi superado?
Foi superado na convenção. A convenção define o que nós, do partido, faremos a partir de então. O prefeito Paulo Garcia tem estado em algumas das atividades de campanha, como nas vindas de Rui Falcão e Gilberto de Carvalho. Mas em outras ele não está, pois sua tarefa prioritária — e nós entendemos assim também — é resolver os desafios da gestão municipal com aquilo que todo mundo sabe, com o problema financeiro bastante desafiador na Prefeitura. Ele está conseguindo dar os passos iniciais. Ele deve estar em alguns momentos na campanha, já se reuniu com petistas que estão na gestão e se manifestou, não que fossem obrigados, mas pediu apoio a Gomide, a mim, a Dilma, a deputados federais e estaduais. Ele está fazendo os gestos possíveis para um prefeito que tem essa demanda importante da Prefeitura para cuidar.

Cezar Santos — Nos bastidores se diz que a sra. está selecionando os eventos, vai apenas aos eventos que têm mais gente.
Estava conversando com minha assessora e disse que tem coisas que eu leio e escuto que mais se parecem com lendas urbanas, alguém cria e vai espalhando. (risos)

Cezar Santos — É bom para esclarecer: o que dizem é que, pelas pesquisas, a sra. terá mais votos do que Gomide e, por isso, não quer colar sua imagem à dele.
Isso não tem o menor fundamento. Primeiro, sou petista e quem me conhece sabe que sou posicionada, não sou bipolar. Sou do PT desde que o partido surgiu, há 34 anos. Ao mesmo tempo, isso é uma alegria e uma responsabilidade para mim, um compromisso de coerência comigo mesma e com a minha militância. Sobre a questão das nossas agendas, nós temos uma combinação. Somos cinco majoritários, não só Gomide e eu. Temos Tayrone di Martino [vereador por Goiânia] como candidato a vice; Edson Bueno, que é de Montividiu, município ao lado de Rio Verde [candidato a 1º suplente de senador]; e tem Antônio Bites [candidato a 2º suplente de senador], que é do Entorno do DF, de Valparaíso. O que nós fazemos é dividirmos as tarefas para podermos nos multiplicar. Está acertado desse modo. Eles levam o nome tanto de Gomide como o meu e o de Dilma, e eu levo-os também. Esse é um entendimento para a campanha dar certo.

Nós não somos um exército de candidatos majoritários. O Estado tem 246 municípios e precisamos estar nos lugares. Por outro lado, Gomide começou a campanha mais cedo, visitou todo o Estado e eu estou começando agora, a partir de julho. Nossas atividades não necessariamente são conjuntas, devido ao histórico das próprias campanhas e a necessidade de a gente se multiplicar. Eu estive hoje reunida com pessoas relacionadas à pauta da agricultura familiar. Não tem como Gomide estar grudado comigo o tempo todo, ou eu com ele. Isso não faz campanha. Eu já fui candidata ao governo e passei pela mesma situação. Eram dois candidatos ao Senado com seus respectivos suplentes e meu vice. Nós nos dividimos pelo Estado e cada um ia para um lugar. Por isso, hoje eu estava lendo uma matéria e achei que era uma lenda urbana (risos).

Frederico Vitor — O candidato Ronaldo Caiado, com 34% das intenções de voto, representa a classe pecuarista e rural. Mas ele também recebe votos da classe trabalhadora. Qual o argumento que a sra., da classe trabalhadora, tem para convencer os eleitores a vo­tarem na sra. e não em Caiado?
Essa é uma ótima pergunta e diz respeito a por que sou candidata ao Senado. Eu tenho usado esse argumento com as pessoas e o utilizarei mais nos programas. Eu quero convencer as pessoas nesse sentido. Primeira­mente, Goiás tem três senadores, como os demais Estados. E dois deles são senadores de oposição, tem sido assim durante o governo Dilma, que não tem tido aqui senadores que a apoiem. Em Goiás, Dilma tem cerca de 30% das intenções de voto. Portanto, há uma não representação de um terço do povo de Goiás dentro do senado. Eu quero ser essa representação, que é a representação de quem pensa que o desenvolvimento deve ter esse caminho — sempre mudando, se alterando, melhorando, mas com esse caminho da diminuição das desigualdades sociais, melhorando a educação.

Nos últimos 12 anos, houve um crescimento em 125% dos investimentos na área de saúde, 150% na área de segurança, 223% na área da educação. E os municípios continuam com enormes carências. Todos os municípios goianos receberam — a não ser que o prefeito tenha tratado do assunto —, independentemente de partido político, três benefícios do governo federal. Benefícios diretos, fora o Bolsa Família e outros programas sociais. Eu falo de máquinas, de posto de saúde. Eu quero ser a parlamentar que trabalha com a representação da sociedade na participação social, o que hoje ganhou importância muito grande — embora meus adversários não apoiem isso. A Constituição Federal diz que todo poder emana do povo, o que deve ser exercido por representação ou diretamente. E o decreto que a presidenta Dilma fez no mês de maio organiza os conselhos que o Congresso Nacional vá criando, como a presidenta também faz, aliás. Isso estava desorganizado e precisava ser feito por de­creto. Agora, eu vejo gente iludindo as pessoas, dizendo que isso deveria ter sido feito por lei, porque querem obstaculizar a participação da sociedade. Caia­do, por exemplo. Ele é um portador dessa visão, que, para mim, é estreita, por não querer a participação da sociedade. Voltamos à temática do obscurantismo, do antiético, daquilo que não permite às pessoas — embora a Cons­tituição mande— terem acesso à informação e que possam conhecer e influenciar as decisões.

Sempre fui uma parlamentar a favor de haver participação da sociedade. Uma coisa não enfrenta a outra. Nossa Constituição está certa, o poder pode ser feito por representação ou diretamente. Eu quero ser parceira dos conselhos municipais, estaduais e federais e também das Câmaras Municipais, dos prefeitos, dos deputados estaduais e federais, para que nós, independentemente de partido político, fiscalizemos com o poder que o Senado da República tem, o passo a passo de como esse recurso está chegando ao destino. Há um aumento muito grande no volume mas, ainda assim, as pessoas e os municípios têm reclamado. As pessoas não estão sentindo esse aumento que está acontecendo, deve haver algum problema. O segundo aspecto é esse, fiscalizar independentemente de qual governo seja.

Aqui entra o terceiro argumento, que é a mesma formação de visão sobre o mundo e sobre o país de que é preciso melhorar a vida das pessoas. Por isso, discutiremos políticas públicas. Faremos com que Goiás, ainda que muito beneficiado pelo governo Dilma e o de Lula, antes, seja beneficiado por uma ação direta e para que não só melhore o Nordeste brasileiro, mas também o Nordeste goiano, o Norte do nosso Estado e que melhore o Entorno de Brasília, que tem um dos maiores índice de criminalidade do País e problemas graves na área de mobilidade.

Em quarto lugar, eu sou a única candidata mulher ao Se­nado e também do Centro-Oes­te. Eu quero contribuir para que mais mulheres estejam no Senado. Hoje, temos 10% de senadoras. São 8% de deputadas federais. É preciso ampliar esse número de mulheres, não só por serem mulheres, mas por minha formação e minha condição de mulher em um espaço eminentemente masculino. Isso pode parecer um pouco descontextualizado do contexto político, mas nós somos 52% da sociedade e estamos em todas as áreas da sociedade, mas não temos essa representação no campo da política.

Nesse período da campanha de 1º a 7 de setembro, atuarei fortemente na coleta de assinatura para a reforma política, para termos um plebiscito, uma Constituinte exclusiva, pois o Congresso Nacional, se quisesse, já teria feito uma reforma política, mas a maioria não demonstra interesse. A sociedade tem o direito de participar e a Constituição abriga esse interesse. Esses são os pontos fundamentais. Sou uma pessoa que lida com qualquer assunto, que não tem uma proposta principal. O que eu não sei, eu procuro saber. No Senado, há técnicos e profissionais que estão ali há 20 anos, que têm conhecimentos profundos e que podem nos ajudar. Caso alguém chegue com um projeto, não existe isso de “deixa para lá”. Tem como apreciar, discutir, ainda que o projeto pareça estranho. Ali tem profissionais capacitados para buscar a história daquele assunto, resgatar e, quem sabe, aproveitar opiniões muito boas que não são levadas em consideração.

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João Rodrigues

Parabéns Marina Santana pela excelente entrevista. Estamos contigo pra o que der vier.A sua entrevista tira todas as dúvidas e credencia você como a melhor candidata ao senado. Vamos a luta e iremos eleger uma senadora que de fato irá trabalhar em favor do povo. Dia 05 de Outubro vou votar assim: Dilma 13 pra presidenta, Antonio Gomide 13 Governador, Marina Santana 131 para Senadora, Olavo Noleto 1314 para deputadoFederal e Delegada Adriana Accorsi 13123 para deputada Estadual, assim contribuindo pra mudar Goiás,