“Atual gestão municipal virou as costas para a segurança pública em Rio Verde. Nós vamos enfrentar o problema”

Deputado federal e forte candidato à Prefeitura de Rio Verde diz que, com uma arrecadação em torno de R$ 70 milhões mensais, a cidade tem condições de ser maior do que é atualmente

Fernando Leite/Jornal Opção

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

O tema segurança pública tem tomado os debates eleitorais municipais em todo o País. Em Rio Verde, uma das cidades mais importantes do Estado em termos econômicos, não é diferente e quem informa isso é Heuler Cruvinel, o candidato do PSD à Prefeitura da cidade. “O maior problema de Rio Verde atualmente é a segurança pública”, relata o pessedista.

Heuler diz que a gestão do atual prefeito Juraci Martins (PPS) “virou as costas” para a questão, ale­gando que o problema é do Estado, mas que o município pode, sim, ter ações visando proteger sua população. “Nós vamos criar a Guarda Mu­nicipal armada para aumentar o efetivo de policiais nas ruas da cidade. Rio Verde tem apenas 200 policiais militares. A Guarda terá 150 policiais e iremos dotá-la de viaturas e equipamentos para que ela possa trabalhar em conjunto com a Polícia Militar”, diz.

Porém, o candidato é firme em dizer que esse não é o único problema da cidade. “A estrutura física da saúde de Rio Verde é de 30, 40 anos atrás, quando a população era de 60 mil habitantes; hoje, temos 220 mil. Por isso, vamos construir um novo hospital municipal. Além disso, a Prefeitura está construindo seis Cmeis há seis anos e as obras não avançam, mesmo tendo dinheiro. Nós vamos concluir essas obras”, garante.

Licenciado de seu mandato de deputado federal, Heuler está na frente das pesquisas. Na última pesquisa Fortiori, ele apareceu em primeiro lugar na estimulada, com 32,9%, e na espontânea, com 17,7%. A pesquisa, que ouviu 400 eleitores em todas as regiões de Rio Verde, foi registrada no TSE sob o protocolo GO-04481/2016. Nesta en­tre­vis­ta ao Jornal Opção, o pessedista fala sobre sua campanha, suas propostas e de como Rio Verde é importante para o Estado.

Euler de França Belém – Rio Verde é uma das cidades mais prósperas do País. Que argumento o sr. usaria para convencer um empresário a investir na cidade?
Isso é fácil. Rio Verde é o terceiro maior PIB [Produto Interno Bruto, representa a soma em valores monetários de todos os bens e serviços finais produzidos numa região] do agronegócio brasileiro, tem sua forte vocação na produção primária de grãos, para atender as demandas dos mercados nacional e internacional — e exportamos muito, principalmente soja. Rio Verde é o terceiro maior município goiano em extensão territorial, com 8,8 mil km², e população de 220 mil habitantes.

Rio Verde não é forte apenas pela sua vocação agrícola, mas também por sua produção pecuária, de suínos e de aves, também muito forte no nosso município. Rio Verde tem um comércio forte, tem hoje quatro universidades com 20 mil alunos. É uma cidade desenvolvida, progressista, polo da região sudoeste, a mais rica e desenvolvida do Estado, que tem a sua volta uma população de 650 mil habitantes que dependem dela.

A cidade oferece mão de obra qualificada porque tem formação, como o Instituto Federal e mais três universidades, além de Sesi e Senai [Serviços Social da Indústria e Nacional de Apren­dizagem Industrial]. Rio Verde tem consistência para que uma empresa possa ir e encontre essa mão de obra qualificada, além de estrutura montada para poder se instalar. Como eu disse, temos essa vocação principalmente para a agroindústria e a produção é muito grande.

Cezar Santos – A agricultura em Rio Verde tem alta tecnicidade?
Sim, temos uma agricultura tecnificada, de primeiro mundo. Colhemos duas safras de sequeiro sem irrigação, uma produção chamada safra, normalmente a soja, e uma produção chamada safrinha, que são milho e sorgo. Essa produção abastece a cadeia de carne porque temos vários confinamentos de gado e várias granjas de aves e de suínos com o abatedouro da BRF [empresa resultante da fusão entre a Perdigão e a Sadia], o maior do Estado, que gera 8 mil empregos diretos, totalizando 22 mil empregos com os indiretos. Esses números são só dessa empresa, fora as cooperativas, e temos a maior do Estado, a Comigo, que promove a maior feira de tecnologia de agricultura e pecuária do Centro-Oeste, a Tecnoshow. Essa feira, realizada na primeira semana de abril, mostra a agricultura qualificada e tecnificada que temos na região. As maiores produções de grãos do Brasil estão na nossa cidade. Por isso temos essa pujança em Rio Verde.

Euler de Fr­ança Belém – Energia elétrica tem sido um problema em Rio Verde, como em outras regiões?
Temos alguns gargalos em Rio Verde, no que se refere a essa questão de atração de empresas. A rede de distribuição é, evidentemente, um problema. Não há energia para as empresas se expandirem e para atrairmos novas indústrias.

Outro gargalo é o aeroporto da cidade. Esse aeroporto é municipal e demanda melhorias para que os proprietários das empresas, os executivos, possam visitar suas plantações com mais facilidade. A extensão da pista é pequena e o terminal de passageiros é ineficiente. Essa pista suporta as aeronaves particulares da cidade e da região. A frota de aeronaves de Rio Verde é grande e, pelo fato de sermos uma cidade polo, poderíamos ter muito mais voos diários. Para comparação, a cidade de Chapecó (SC), do porte de Rio Verde, tem quatro voos diários, nós temos apenas um, de uma aeronave menor, com capacidade para 70 passageiros. Para aumentarmos a capacidade de voos seria preciso aumentar a extensão da pista.

Cezar Santos – Há exploração do ecoturismo em Rio Verde? Há potencial para essa atividade, que em muitos locais é forte fonte de arrecadação?
Tem potencial principalmente nos distritos, na região de Ouroana, que é mais montanhosa, de topografia mais ondulada. Ali, poderia haver estímulo da prática de esportes radicais, que já existe em certa época do ano. Se incentivasse, poderíamos ter um calendário consistente de campeonatos de esportes radicais e, assim, estimular o turismo. Há regiões de serras, mas Rio Verde é um município muito grande e acaba oferecendo muitas opções nesse sentido. A maioria do território é de terras agricultáveis, boas para o cultivo, para a pecuária e de produção da agroindústria.

Euler de França Belém – Qual é a arrecadação de Rio Verde?
Em torno de R$ 70 milhões mensais, próximo dos R$ 800 milhões por ano. Somos a quarta arrecadação do Estado, atrás apenas de Goiânia, Aparecida e Anápolis, ficamos acima de Senador Canedo, de Luziânia, de Cristalina. É uma arrecadação boa para o município e é crescente e, mesmo com a crise, não tivemos redução, principalmente por causa da valorização das commodities produzidas no município, produtos de exportação. Nossas maiores empresas exportam soja in natura, aves e suínos até para a China. A diversidade econômica que temos nos dá essa força.

Cezar Santos – Na gestão do falecido prefeito Paulo Roberto Cunha foi determinada uma restrição à monocultura. Isso tem reflexos favoráveis na economia de Rio Verde hoje?
Sim, temos de reconhecer que o então prefeito Paulo Roberto Cunha muito lutou para que uma determinada faixa de terra pudesse ser plantada com cana-de-açúcar [através de lei municipal, o cultivo ficou restrito a 10% da área agricultável da cidade] e isso foi bom para o município, pois permitiu essa diversidade de produção. Sem isso, talvez ficássemos sujeitos a uma monocultura e certamente estaríamos passando por dificuldades hoje. Não teríamos, como temos hoje, a produção de diversas culturas e poderíamos estar sofrendo com a crise que castiga o país. A crise nos afeta menos. Isso também valorizou muito o comércio local porque, quando se tem a monocultura de cana, o proprietário das usinas normalmente não mora na cidade, não compra no comércio local e sim direto da fábrica. Logo, ele acaba não valorizando os comerciantes da cidade. Hoje, os produtores compram os insumos no nosso comércio, compram da Comigo, ou seja, movimentam a economia da cidade; o dinheiro circula ali dentro.

Euler de França Belém – Vocês fazem melhoria genética com inseminação artificial no gado. Aquele touro da novela [“América”, da Rede Globo] era de Rio Verde?
Eu me formei em agronomia em Rio Verde e me especializei em melhoramento da raça nelore para produção de carne, porque essa raça tem aptidão para o nosso Cerrado e nosso clima, para produzir carne a custo mais baixo e também para se reproduzir a campo. O nelore tem aprovação na nossa região. Por isso iniciamos esse trabalho com gado registrado pela Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ), com inseminação artificial, transferência de embrião, fertilização in vitro, utilizando embrião sexado, podendo ter animais geneticamente melhores para vender sêmen e embriões para outras propriedades em vários Estados do País. Minha família continua com esse trabalho, além da agricultura, mas o nosso forte sempre foi a pecuária. O referido touro Bandido era um touro de rodeio, foi criado para isso. Ele era de Rio Verde, mas de outra propriedade.

Vamos construir um novo hospital municipal, que terá atendimento humanizado para a população e em diversas especialidades, com ala para idosos, por exemplo”

Vamos construir um novo hospital municipal, que terá atendimento humanizado para a população e em diversas especialidades, com ala para idosos, por exemplo”

Euler de França Belém – Algumas pesquisas mostram que uma das principais demandas atuais no Brasil é saúde. Em Goiânia, por exemplo, Hugo e Hugol atendem bem os casos mais complicados; para cirurgias eletivas, o HGG é bom. O problema é o atendimento básico. Como é a saúde em Rio Verde e o que o sr. propõe para melhorá-la?
Em Rio Verde, a situação é muito pior do que a descrita aqui. Goiânia conta, pelo menos, com a estrutura do Estado, que faz esse atendimento. Rio Verde não tem a estrutura de saúde do Estado e também não tem uma estrutura municipal. Atualmente, há filas intermináveis para fazer cirurgias eletivas. Faltam remédios e não há estrutura adequada para atender à população, pois a estrutura física da saúde de Rio Verde é de 30, 40 anos atrás, quando a população era de 60 mil habitantes; hoje, temos 220 mil. Precisamos recuperar esse tempo perdido.

Por isso, temos a proposta de construir um novo hospital municipal. O atual tem capacidade de apenas 50 leitos; nós queremos transferi-lo para a universidade, que abriu um curso de Medicina e precisa ter um hospital universitário. Esse novo hospital terá atendimento humanizado para a população e em diversas especialidades, com ala para idosos, por exemplo.

Rio Verde só tem uma UPA, que tem filas intermináveis. A pessoa fica, atualmente, 12 horas na fila para conseguir ter um atendimento primário. Já temos a aprovação do Ministério da Saúde e, inclusive, já foram depositados 10% desse recurso na conta da Prefeitura, que não quis construir a UPA. Aliás, a Prefeitura não conseguiu construir o Hospital Materno Infantil, que já tem seis anos de construção, sendo que o dinheiro foi todo do governo federal; R$ 14 milhões. Hoje, apenas 20% das obras estão feitas. Vamos concluir essa obra e entregar o hospital para a população com UTI neonatal e ala pediátrica.

Tendo essa arrecadação de R$ 70 milhões/mês, Rio Verde tem algo em torno de R$ 12 mi­lhões/mês, que são os 15% que precisam ser investidos obrigatoriamente, para poder atender essa estrutura de saúde pública na cidade. Isso com medicamente, mas a empresa que vencer a licitação precisa entregar, porque em Rio Verde é cheio de “faz de conta”. A Prefeitura compra o me­dicamento, mas a empresa não entrega e a população fica sem.

Cezar Santos – O Ministério Público, inclusive, investiga essa falta de remédios na cidade.
Sim, há uma operação em curso em Rio Verde para verificar essa falta de medicamentos; e também em relação a exames. A saúde de Rio Verde é da pior qualidade; não há nenhuma que tenha uma qualidade tão ruim. Falta estrutura, falta vontade, falta médico, enfermeiro, agente de saúde. E isso, tendo esse orçamento. A Prefeitura adquiriu um tomógrafo há 18 meses, através de emenda parlamentar. Até hoje o equipamento não foi montado, o que mostra a total ineficiência da gestão municipal. Custou R$ 1 milhão e ele está lá na caixa, empacotado no hospital municipal.

O Hospital Evangélico de Rio Verde, que é tradicional na ci­dade, construiu um posto de saúde, por meio da Igreja Presbiteriana. O posto foi entregue à Prefeitura há 12 meses e ainda não foi colocado em funcionamento. Isso mostra a falta de vontade e incompetência da Prefeitura.

Euler de França Belém – Como está a situação dos Cmeis em Rio Verde? E o que o sr. pretende fazer nessa área?
Rio Verde tem seis creches em construção há seis anos. E as obras não avançam, sendo que o dinheiro está na conta da Pre­feitura. Nossas primeiras ações à frente da Prefeitura se­rão para concluir todas as obras em andamento: as creches, o Hospital Materno Infan­til e a canalização do córrego do Sapo. Hoje, temos um déficit muito grande de creches. Cerca de 1.100 alunos, de zero a três anos, estão fora das creches e têm interesse em frequentá-las. Se as seis creches fossem concluídas, teríamos condições de atender todas as crianças.

Foi feita uma compensação ambiental com uma empresa da cidade e, no acordo com o Ministério Público, ela foi obrigada a construir uma creche no centro da cidade, uma creche grande, que foi entregue agora e a Prefeitura também não a colocou para funcionar. A verdade é que a cidade está abandonada. O mandato do prefeito acabou antes da hora, pois ele entregou os pontos antes de finalizar seu período à frente da Prefeitura.

Nós temos o compromisso de, além de concluir as que estão sendo feitas, ter também uma creche que funcione 24 horas para atender às mães que trabalhem no período noturno. Algumas empresas da cidade funcionam 24 horas e uma creche assim é importante.

“Tenho serviços prestados a Rio Verde” 

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Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Cezar Santos – O sr. falou em demanda reprimida de creches, mas e a educação, como está?
Hoje nós temos 71 escolas municipais, dez na zona rural e 61 escolas no município. Temos na educação infantil e no ensino fundamental em torno de 2,4 mil alunos fora das salas de aula. Rio Verde cresceu muito e não foram construídos equipamentos sociais para esses novos bairros: creches, postos de saúde, postos policiais, praças. Essas ferramentas e equipamentos sociais são realmente necessários para dar condições a esses novos bairros. Rio Verde precisa hoje de, no mínimo, entre seis e oito escolas para poder atender a essa demanda reprimida, dessa quantidade de alunos que estão fora da sala de aula.

Cezar Santos – É curioso. Um adversário do sr. disse que, se for eleito, vai fechar escolas. Isso é possível?
Está totalmente desinformado, porque hoje Rio Verde precisa construir escolas próximas das pessoas, precisa poder estar perto de onde as pessoas moram para facilitar a vida das pessoas. A nossa proposta é totalmente o contrário. Nós queremos construir escolas para poder zerar a demanda do déficit das vagas nas salas de aula na educação infantil e no ensino fundamental.

Cezar Santos – O piso dos professores está sendo pago?
Sim. E nós vamos continuar com as garantias das conquistas que os professores tiveram nos últimos anos. Queremos valorizar os professores. Sabemos que eles são fundamentais, principalmente para o aumento do Índice de Desenvol­vimento da Educação Básica (Ideb). Nós vamos trabalhar para criar essa proximidade com os professores, que oferecem essa boa qualidade na educação em Rio Verde.

Marcos Nunes Carreiro – O sr. citou a canalização do córrego do Sapo. O que é exatamente essa obra?
Rio Verde tem um problema grave em relação à mobilidade urbana e precisa ter novas avenidas para melhorar a trafegabilidade da cidade. A ligação de avenidas já existentes também é importante. Nesse sentido, a canalização do córrego do Sapo foi feita, como uma marginal, com recursos do governo federal. Agora, a Prefeitura estava fazendo as ruas marginais para dar mobilidade, estavam sendo feitas com uma largura de sete metros, ou seja, muito estreitas, dada a importância da Avenida que vai cortar a cidade de leste a oeste.
Rio Verde precisa ser planejada para os próximos 20 ou 30 anos para ter uma população de 400 mil habitantes, pois ela chegará a isso por ser uma cidade polo, desenvolvida. Rio Verde não pode ficar, como foi nos últimos oito anos, “passando batom” ou fazendo um “puxadinho”. A cidade precisa de obras es­tru­turantes que possam ser importantes para o desenvolvimento da cidade.

Augusto Diniz – O sr. diz que Rio Verde precisa mudar em diversas á­reas. Seu nome aparece na liderança da pesquisa Fortiori, mas ainda em empate técnico com ou­tro candidato. A população percebe e tem buscado essa mudança?
A população reconhece que a cidade está abandonada. E que Rio Verde pode mais. Rio Verde tem uma boa arrecadação. O que Rio Verde precisa é de um político forte, de um político que tenha trânsito livre em Brasília, em Ministérios, junto a outros deputados federais e senadores para viabilizar parcerias com o governo federal para continuar buscando recursos da União, ter portas abertas com o governo estadual, fazer uma gestão séria, planejada, transparente dos recursos do município e buscar parcerias com a iniciativa privada para poder resolver outros problemas que nós temos na cidade, como o caso do transporte público, da rodoviária, do aeroporto, que nós teríamos condições de poder de fato resolver esses problemas que se arrastam ao longo dos anos.

Rio Verde é uma cidade de grande porte e não tem um lago, não tem um parque, não tem lazer e entretenimento; não tem esporte, nem cultura. Nós estamos falando aqui em algumas ações em que seria preciso ter a presença do poder público para minimizar o uso de drogas e, consequentemente, no futuro influenciaria na segurança pública, tirando as crianças das ruas e da marginalidade.

Hoje, o maior problema de Rio Verde é a segurança pública. A atual administração virou as costas para esse problema e disse que não é com ela. Esse é outro problema que nós vamos enfrentar. Nós temos propostas para a segurança pública, para o enfrentamento desse que é, segundo pesquisas de opinião, o maior problema que nós temos no município.

Marcos Nunes Carreiro – Enfrentar como, deputado? Constitucional­mente, quem deve arcar com os custos da segurança pública é o Estado. Claro que o município pode auxiliar, até porque o prefeito conhece mais a cidade do que o governador. Mas como o prefeito pode ajudar nas questões da segurança sem ultrapassar o limite de suas responsabilidades?
Nós vamos criar a Guarda Municipal armada, aumentar o efetivo de policiais nas ruas da cidade. Rio Verde tem hoje apenas 200 policiais militares. Criando a Guarda Municipal armada com 150 policiais, dotando-a de viaturas e equipamentos para poder trabalhar em conjunto com a Polícia Militar, inclusive fazendo a formação desses policiais que vão ser contratados através de concurso público no quartel da Polícia Militar. E com o salário inicial de R$ 2,5 mil, que é possível legalmente e tecnicamente, de acordo com a legislação vigente e com a Constituição Federal. Inclusive, outros municípios do porte de Rio Verde já adotaram essa medida e diminuíram seus índices de criminalidade.

Nós vamos ter um gasto de R$ 600 mil mensais já com os encargos da contratação desses policiais. Isso representa 0,8% do orçamento do município para enfrentar hoje o maior problema que nós temos na cidade. Mas isso não para por aí. Nós temos que dar essa sensação de segurança, ter o policiamento ostensivo, aumentar a quantidade de policiais nas ruas, poder fazer esse trabalho.

Ao mesmo tempo, nós temos que cobrar do governo estadual, que é o responsável pela segurança pública, para aumentar o número de vagas no sistema prisional para não ficar esse prende e solta que hoje nós temos. A cidade conta com a Casa de Prisão Provisória, que está no centro da cidade, entre duas universidades. Esse projeto já foi iniciado junto ao Estado e nós vamos cobrar essa transferência, pois acontecem muitas fugas. Vamos cobrar que seja levada para um local mais adequado, mais distante da cidade e que possa abrigar a maior quantidade de bandidos.

Vamos construir o Centro de Apoio Sócio-Educativo (Case), que já foi iniciado, para ser o local de internação de menores infratores. Nós temos acompanhado Brasil afora, e Rio Verde não é diferente disso, menores de idade cometendo crimes. Recentemente, nós tivemos um menor de 13 anos que matou uma pessoa na cidade, um trabalhador, e não tem um local adequado para internar esse jovem, essa criança.

Com a construção do Case, da Casa de Prisão Provisória, nós vamos ter condições de aumentar a quantidade de vagas no sistema prisional. Com as ações da polícia na rua, nós teremos condições de ter um policiamento ostensivo. E a nossa intenção, através da Guarda Municipal armada, é descentralizar o local de atuação, colocando-a em quatro regiões da cidade, mais próxima da população para que, quando tiver uma ocorrência, a Guarda Municipal esteja mais próxima das pessoas e faça o atendimento necessário que dê, de fato, a sensação de segurança que hoje é importante. A população está toda amedrontada. As pessoas estão com medo de sair às ruas, com medo de ir a um bar ou restaurante a noite porque várias pessoas já passaram por essa triste realidade de serem assaltadas.

Augusto Diniz – O sr. citou a questão da busca por recursos federais. O que o fato de o sr. ser deputado federal e ter trânsito em Brasília pode ajudar nesse ponto? Quais seriam as facilidades ou dificuldades para conseguir verba federal para Rio Verde?
Essa é uma das grandes vantagens da nossa candidatura, de poder ter esse trânsito livre e portas abertas em Brasília, de poder viabilizar recursos do governo federal, de poder transitar da melhor forma junto a Ministérios, com outros deputados, com senadores e a própria Presidência da República, de saber os caminhos para conseguir viabilizar esses recursos, essas parcerias junto ao governo federal para a cidade de Rio Verde.

Conseguimos colocar Rio Verde dentro do contexto político nacional desde que iniciamos o nosso mandato, há seis anos. Prova disso é a quantidade de serviços prestados que eu tive através do nosso mandato na cidade de Rio Verde. Consegui viabilizar recursos em todas as áreas: habitação, saúde, educação, segurança pública, instalação da central de videomonitoramento, recursos para a agricultura, recursos para o esporte, construção do centro poliesportivo.

Tenho serviços prestados à cidade de Rio Verde e deixo as portas abertas em Brasília para poder continuar viabilizando recursos e parcerias com amigos deputados e senadores para Rio Verde. Eu, através do nosso mandato, que vai até o dia 31 de dezembro, vou indicar emendas para execução no ano que vem. E eu como prefeito terei condições de poder executar essas emendas e fazer com que as obras sejam entregues, que Rio Verde possa sair desse marasmo, dessa paralisia que se encontra hoje.

Cezar Santos – Como está a questão da limpeza urbana em Rio Verde? A Prefeitura resolveu os problemas de aterro sanitário, por exemplo?
Não resolveu. Tem que ser feito. O aterro sanitário é terceirizado. A limpeza, a coleta de lixo e a varrição são terceirizadas. E o aterro sanitário não foi normatizado.

Cezar Santos – Como que a população avalia esse serviço de limpeza?
Esse serviço é feito por uma empresa há vários anos e tem certa aceitação com relação esse serviço de limpeza que é feito.

Heuler Cruvinel: “A população quer uma mudança de verdade, pois está insatisfeita com os rumos que a atual administração tomou e eu estou da mesma forma, crente de que Rio Verde tem mais a oferecer” | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Heuler Cruvinel: “A população quer uma mudança de verdade, pois está insatisfeita com os rumos que a atual administração tomou e eu estou da mesma forma, crente de que Rio Verde tem mais a oferecer” | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Marcos Nunes Carreiro – O sr. lidera as pesquisas de intenção de voto, mas o candidato Paulo do Vale vem logo atrás. Porém, há algumas denúncias do Ministério Público e ações que envolvem o nome dele. Como isso repercute com a população?
A condenação que ele teve em primeira instância deve ser julgada pelo Tribunal de Justiça no dia 15 de setembro em segunda instância, o que pode deixá-lo inelegível inclusive para esta eleição. Que possa ser feito esse julgamento, que é apenas um dos processos existentes contra Paulo do Vale, pois ele também tem investigações na Polícia Federal, sobre recursos do SUS que foram para sua clínica.

Quando foi secretário de Saúde, na gestão de Juraci Martins, ele aumentou o repasse do SUS para sua clínica, que recebia na época R$ 121 mil, uma clínica nefrológica, que passou a receber R$ 481 mil. Ele, sem a quantidade de pacientes para oferecer serviço, mandava para o SUS “pacientes fantasmas”, com os quais não tinha tratamento, mas que ele mandava como se estivesse fazendo para poder receber esta quantia que era repassada por ele. Foi realizada uma auditoria, por três meses, e ficou comprovada a existência desses tratamentos, procedimentos que não eram realizados e pelos quais ele recebia os recursos do SUS, enquanto várias pessoas ficavam em filas, precisando de cirurgias eletivas, mas sem tratamento. Nós esperamos, portanto, que seja feita toda a investigação pela Polícia Federal e que fique comprovado o que a auditoria constatou na Clínica Nefrológica de Rio Verde.

Marcos Nunes Carreiro – O sr. fazia parte do grupo do atual prefeito. Por que o sr. se descolou deles e quis um voo solo?
É um governo de oito anos que, nos primeiros quatro anos, estava no caminho certo — tanto é que foi reeleito com 76% dos votos em 2012. De lá para cá, ele se perdeu — por pressões da Câmara Municipal, pelo aumento do número de vereadores, pelos contratos que foram feitos, pelas pessoas que foram fazer parte do governo dele, seu secretariado. Eu vi que as coisas não estavam no caminho certo, do jeito que nós gostaríamos que estivesse. Rio Verde está abandonada e o prefeito não está trabalhando como deveria, não cumprindo seu expediente normal na Prefeitura, e realmente as coisas desandaram. Ele, inclusive, tem uma rejeição administrativa na cidade.

Por isso, eu decidi criar um novo grupo político, trazer novas pessoas, como vereadores, candidatos a vereador e presidentes de outros partidos para que, com uma nova mentalidade política, nós tivéssemos condições de fazer outras propostas e projetos para Rio Verde. A população quer uma mudança de verdade, uma vez que está insatisfeita com os rumos que a atual administração tomou e eu estou da mesma forma, crente de que Rio Verde tem mais a oferecer em qualidade de vida para sua população e também uma melhor qualidade dos serviços públicos prestados a ela.

Augusto Diniz – O que aconteceu, de fato, quando o prefeito Juraci Martins resolveu sair do PP, a partir do momento em que o senador Wilder Morais confirmou apoio à candidatura do sr.?
Ele queria outra candidatura, que era a do seu apoiado, o deputado Lissauer Vieira (PSB). Então, ele preferiu ir para outro partido que estivesse ligado à legenda que foi escolhida por Lissauer e, assim, fez a opção pelo PPS para fazer a junção de seu grupo político à candidatura de Lissauer.

Marcos Nunes Carreiro – Lissauer Vieira foi secretário de Comu­nicação de Juraci Martins e também está respondendo a sérios processos em relação a essa época.
Sim, e é por isso que digo que eles, Paulo do Vale e Lissauer, são farinha do mesmo saco e que podem ficar juntos, pois eles fazem qualquer tipo de acordo. Paulo do Vale, quando secretário, aumentou o repasse da clínica, isso no mandato do Juraci; e Lissauer, também quando secretário, fez um contrato da sua rádio para poder receber mídia da Prefeitura e era um contrato muito maior que das outras rádios da cidade, e olha que é uma rádio comunitária. Então, o modus operandi é o mesmo, a mentalidade e o pensamento são os mesmos. Por isso, se fala muito na cidade que eles vão se juntar, no final, uma vez que Rio Verde não tem segundo turno. Portanto, antes do dia 2 de outubro, eles vão se juntar.

Cezar Santos – Qual o histórico de Lissauer na cidade?
Não existe. Não tem serviço prestado, não conseguiu contribuir com a cidade, não levou nenhum benefício para ela. Ele realmente precisaria ter serviço prestado para se consolidar no município, o que não acontece. Mas eu não irei tecer nenhum comentário em relação a ele.

Cezar Santos – Corre nos bastidores que Lissauer está quase desistindo da candidatura.
Isso não cabe a mim, esperemos o tempo da campanha. Mas o que se diz em Rio Verde é que ele irá desistir antes das eleições e que irá apoiar Paulo do Vale. Hoje, portanto, o único projeto de mudança para cidade é o meu, pois eu não concordo com a maneira que tem sido administrada a cidade. E eles, se juntando, já estão com projetos seguros, garantido candidatura de deputado federal um para o outro, em 2018, e por aí vai. A intenção deles, em estarem juntos, é justamente essa.

Augusto Diniz – As pesquisas demonstram que ainda há um grande número de indecisos no eleitorado de Rio Verde. O que fazer para conquistar este eleitorado?
Nós temos acompanhado isso e é em todo o Brasil. Em Goiânia, na espontânea, há 58% de indecisos. Isso mostra que a população está realmente desacreditada da classe política. Com o histórico de cada candidato, a população começa então a definir seu voto e eu acredito que, com o nosso histórico, com nossos serviços prestados, nossas propostas e projetos, nosso trabalho de mobilização e com o nosso grupo político, daqui para frente, nós iremos crescer ainda mais nas pesquisas e ter vitória nas eleições.

Augusto Diniz – O sentimento nos eleitores, pelo que o sr. percebe, é de mudança?
Em Rio Verde, esse sentimento é claro. E como a população é sábia, ela vai saber separar o joio do trigo, ao definir o voto. Nos­sas propostas e projetos, totalmente exequíveis de acordo com o orçamento do município, que tem uma boa arrecadação, vai implantar um projeto novo, ousado e que irá melhorar a qualidade de vida de todos.

Hoje, a rejeição da atual administração, principalmente em relação às obras inacabadas, ao abandono que existe com a cidade, com a saúde de péssima qualidade, com a segurança pública que poderia ter um enfrentamento por parte da Prefeitura. Quando a administração vira as costas para este que é o principal problema da cidade, deixa a população abandonada. E ela, revoltada, tem resistência em relação ao prefeito.

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