“A atuação de Ronaldo Caiado para o Sudoeste goiano se resume a discursos e bravatas”

Deputado federal representante da região diz que senador do DEM não trabalha por emendas e recursos para os municípios que, pela vocação ao agronegócio, são para ele fortes bases eleitorais

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Heuler Cruvinel (PSD) é a voz do Sudoeste goiano na Câmara dos De­pu­ta­dos. Com sua base elei­to­ral na região, tem procurado fazer de seu mandato um canal direto com to­dos os prefeitos dos municípios vizinhos. “Visito de quatro a cinco prefeituras toda segunda-feira”, revela. Com o atual mandatário de Rio Verde, Paulo do Vale (PMDB), entretanto, a situação não tem sido fácil. “Ele ainda não me­ recebeu depois de tomar posse, em janeiro, nem foi a meu gabinete em Brasília”. O deputado tem feito severas críticas ao peemedebista, que foi seu rival na disputa eleitoral do ano passado.

Também por ter sua base em uma região vocacionada ao agronegócio, Heuler pode falar com propriedade sobre o senador Ronaldo Caiado (DEM), que tem muito apoio no Sudoeste por sua ligação com o setor ruralista e a forte vocação para o agronegócio de Rio Verde, Jataí e todos os demais municípios. E o deputado é taxativo sobre o senador: “Caiado só levou discursos para a nossa região. Se analisarmos o que ele realizou em termos de benefícios para os municípios goianos, vamos ver que é muito pouco, ainda mais se comparado a alguém como Marconi Perillo ou José Eliton”, sentencia.

Nesta entrevista ao Jornal Opção, o parlamentar tece elogios à gestão do governador e do vice tucanos em Goiás e, sobre o cenário nacional, contesta o fundo eleitoral — criado pela recém-votada reforma política — e a sobrevida que o plenário da Câmara dos Deputados deve dar a Michel Temer (PMDB), com a provável recusa de autorizar investigação do presidente por participação em organização criminosa. A segunda denúncia contra ele, porém, deve ter mais apoio dos políticos da Casa do que a anterior.

Cezar Santos — Quando o nome do vice-governador José Eliton (PSDB) como o candidato da base aliada para a sucessão, por parte do próprio governador, houve uma pesada resistência por parte da base. O sr. vê que hoje essa mesma base está pacificada, em sua grande maioria?

Vejo que a base abraçou o nome de José Eliton e será ela quem dará a vitória a ele nas eleições. Tenho convicção de que o vice-governador — que será governador à época — vencerá a disputa em 2018, pelo grupo político forte que tem nessa base do governador Marconi Perillo. Temos hoje um modelo de gestão que deu certo ao longo dos anos em Goiás. Nós, em comparação a outros Estados, estamos bem melhor, com obras em todos os cantos e com os gastos bem controlados, por conta de ajustes feitos na hora certa pela atual gestão.
Marconi também soube economizar para poder fazer investimentos que o Estado tanto precisa para seu desenvolvimento. Praticamente todas as rodovias goianas receberam melhorias e outras tantas foram construídas. Da mesma forma, a situação da saúde, no que diz respeito à responsabilidade do Estado, é uma das melhores do Brasil, por causa do modelo das organizações sociais (OSs). O Hugol [Hospital de Urgências Governador Otávio Lage, inaugurado há dois anos] é um modelo para o Brasil inteiro. A educação vive um bom momento, nas primeiras colocações dos rankings nacionais, como no Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica]. Creio que, quando entramos no debate das eleições e tivermos oportunidade de comparar a situação de Goiás à de outros Estados, vamos sair na frente e José Eliton vai ter a chance de dar continuidade a esse momento.

Augusto Diniz — Qual é o peso, na balança eleitoral, que a base espera do programa Goiás na Frente?

O Goiás na Frente, como todos os programas do governador Marconi Perillo, é inovador. Referência para todo o Brasil. Por quê? Por fazer parcerias com os municípios em um momento de extrema dificuldade financeira por que passam as prefeituras em todo o País. Marconi está fazendo esse convênio com todos os municípios goianos, independentemente de cor partidária. É um governo republicano, democrático, de modo com que todos estão recebendo recursos do governo estadual a fundo perdido. Nenhum prefeito terá de pagar nada de volta. Vamos ter obras com esses recursos em todos os municípios do Estado, além das obras de infraestrutura e de tudo o mais que falamos aqui anteriormente. É um programa que mostra também a capacidade e a habilidade do governador Marconi e do vice José Eliton, que é quem está à frente, que recebeu todos os prefeitos juntamente com o governador, ouvindo a necessidade de cada um e dando a liberdade de escolha sobre a obra de que necessitava.

Rodrigo Maia está quieto, tem se resguardado. Se ele se movimentasse, pela imagem positiva que tem com os parlamentares, creio que derrubaria Michel Temer”

Cezar Santos — Em que pese a certa estabilidade que há em torno do nome de José Eliton ao governo, está sendo anunciada uma guerra nos bastidores pelas vagas na chapa majoritária. Como está seu partido, o PSD, no meio disso? O que vão pleitear?

Nosso presidente em Goiás, o secretário Vilmar Rocha [titular da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Recursos Hí­dricos, Infraestrutura, Cidades e Assuntos Metropolitanos (Secima)] está aguardando 2018 para começar a conversar sobre o cenário da chapa majoritária. Acredito que a chapa da base aliada tenha dois nomes definidos: a de governador, para José Eliton; e uma vaga ao Senado, para Marconi Perillo. Então, teríamos abertas na chapa a vaga de vice-governador, a outra vaga ao Senado e a suplência de Marconi, que também é importante.

Augusto Diniz — A reaproximação forte de Marconi com a senadora Lúcia Vânia (PSB), que tem comparecido aos eventos do governo, não mina a disposição de outros pré-candidatos ao Senado, como o próprio Vilmar Rocha, o senador Wilder Morais (PP) e outros?

Temos condições de acomodar praticamente todos os partidos da base aliada para 2018.

Elder Dias — Mas há mais partidos importantes na base aliada — PP, PSB, PTB, PSD e outros — do que vagas na chapa, além do que o PSDB já vai ocupar duas. Como conciliar?

Não temos de pensar só em chapa majoritária, têm partidos na base com preferência pela Câmara Federal.

Elder Dias — Mas em que consistiria esse ajuste para a Câmara? E como o todo da base aliada poderia favorecer mais esse partido do que os outros para a eleição da Câmara?

O governador Marconi sempre teve habilidade para conduzir esse processo e trazer juntos todos os partidos que compõem a base aliada. Principalmente quando se tem um quadro de grande chance de divisão da oposição. A oposição, dividida, perde força, o que favorece o vice-governador José Eliton. E eu, pessoalmente, acredito que não há mais como unir os dois principais pré-candidatos. Creio que tanto o deputado Daniel Vilela (PMDB) — pelo potencial que tem — como o senador Ronaldo Caiado (DEM) — por ser, talvez, sua última oportunidade para tentar governar Goiás — deverão ser candidatos. E essa divisão favorece a candidatura de José Eliton. Cabe ao governador manter a habilidade que sempre teve para conduzir esse processo.

Augusto Diniz — O fato de Caiado estar liderando todas as pesquisas de intenção de voto até o momento é um desafio para José Eliton?

Sim, Caiado está em um bom momento de imagem pessoal, mas não tem penetração nas classes C e D, além de sua história política ter pouco resultado para o Estado de Goiás. Se analisarmos o que Caiado já levou de benefícios para os municípios goianos, vamos ver que é muito pouco, principalmente se comparado ao que fizeram Marconi e José Eliton, grandes construtores e realizadores.

Cezar Santos — Caiado sempre foi um político de discursos…

Sim, de discursos, de bravatas e de oposição para desconstruir e criticar. Mas nunca construiu, nunca foi de realizar ou de fazer. Por isso mesmo, creio que Caiado terá dificuldades quando começarmos o debate para as eleições de 2018. Vamos ter, de um lado, a política da construção, e, de outro, a política da desconstrução. Essa vai ter dificuldades para conseguir apoio para administrar Goiás, diferentemente de Marconi, que, não importando quem estivesse no poder em Brasília, sempre buscou apoio para gerar recursos, arcar com o custeio e fazer as obras para o Estado. Se fosse Caiado? O senador com certeza teria dificuldades, pelo pouco conhecimento que tem e pela dificuldade de relacionamento que tem, principalmente com o governo federal.

Euler de França Belém — Questionei Vilmar Rocha, como presidente de seu partido, como seria se para o PSD fosse ofertada a vice de José Eliton. Ele citou seu nome e o do deputado Thiago Peixoto. O sr. aceitaria esse convite, se acontecesse?

Estou à disposição da base aliada do governador Marconi e de José Eliton para o que for preciso no que diz respeito a fortalecer a chapa, desde que tivéssemos um bom entendimento. Meu projeto inicial para 2018, até pelo caráter municipalista de meu mandato, é trabalhar para a reeleição. Tenho andado muito pela Região Sudoeste, conversado com os prefeitos e colocado emendas em mais de 40 municípios, todos os anos, para atender demandas do Sul, do Sudoeste e do Oeste goiano. Fui muito bem votado nesses municípios em 2014 e tenho de dar esse retorno.

Euler de França Belém — Qual o motivo que está fazendo o deputado Lincoln Tejota deixar o PSD e seguir rumo ao Pros?

Ele considera que, no Pros, poderá formar uma chapa para deputado estadual de modo que os candidatos possam dobrar com ele e garantir sua eleição a deputado federal. No Pros, sua intenção é entrar no chapão da base aliada e manter a mesma chance de vencer as eleições, com a facilidade de colocar os candidatos a estadual numa chapa sobre a qual teria controle.

Cezar Santos — A reforma política que foi aprovada pode melhorar o quadro para o País?

Fui uma reforma muito tímida. O plenário aprovou a PEC 282, que prevê o fim das coligações para 2020 e estabelece uma cláusula de barreira progressiva, a partir de 1,5%, com o propósito de reduzir a quantidade de partidos no Brasil. Isso seria ótimo, até para o andamento dos projetos na Câmara e para que o eleitor tivesse um direcionamento melhor sobre quem é direita, esquerda e centro no Congresso.

No limite do tempo, foi aprovada também a criação do fundo eleitoral, à qual eu fui contra, mas que passou pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, já para as eleições de 2018. É um valor de R$ 1,7 bilhão, com 30% de emendas de bancadas e o restante de propagandas partidárias. Também foi aprovado o voto impresso. Enfim, foi uma reforma tímida, ficou aquém da expectativa da sociedade brasileira, mas é um passo para que tenhamos algum desenvolvimento, principalmente com o fim das coligações proporcionais e a instituição da cláusula de barreira, com a consequente redução do número de partidos, o que inviabilizará os chamados “nanicos” que visam apenas vender seu tempo de TV. Foi a reforma política possível, depois de quase um mês de muita discussão. O Brasil deve viver, de agora em diante, um novo capítulo de sua história política. Devemos virar essa página com a Operação Lava Jato, diante de tudo o que aconteceu, tantos escândalos e tantos presos políticos, todas essas situações que vivemos durante os últimos anos. Vamos passar a viver uma nova era eleitoral e política no Brasil, criminalizando o caixa 2 e cada vez mais apertando o cerco principalmente com relação às campanhas, com o fim das doações de empresas.

Cezar Santos — A segunda denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB) está na Câmara dos Deputados. Como o sr. vê o clima na Casa? Temer vai conseguir nova vitória, como na primeira denúncia?

Eu acredito que deva aumentar o número de votos contra o presidente Temer, mas creio que ele ainda conseguirá os votos necessários para sua permanência à frente do mandato até o fim dele, em dezembro de 2018. Esse aumento dos votos contrários, em parte, mostra que o Brasil começou a aprender a separar a crise política da questão da economia, que agora parecem caminhar paralelamente. Infelizmente, vivemos muitos escândalos, o que fez com que a classe política, de forma generalizada, passasse a ter uma resistência da sociedade, por causa do modelo que estamos vivendo.

Se analisarmos essa denúncia contra Temer, com todos os seus personagens, vamos chegar à conclusão de que realmente houve uma organização criminosa, principalmente por causa dos atores do PMDB envolvidos. A população está atenta a tudo isso e a consequência é a avaliação positiva de apenas 3% para o presidente, entre “ótimo” e “bom”, o menor índice da história para uma administração na democracia brasileira.

Elder Dias — O sr. já definiu seu voto?

Vou votar a favor da denúncia, autorizando a investigação do presidente Temer. Votei contra a primeira denúncia e agora votarei a favor da segunda.

Euler de França Belém — Por que a mudança de posição?

Por acreditar que a denúncia atual tem mais consistência do que a primeira, que foi baseada em gravações dos irmãos Joesley e Wesley Batista, que realmente não têm qualquer credibilidade para levar algo adiante, o que acabou sendo comprovado depois. A atual denúncia se mostra mais consistente, principalmente com os mais de R$ 50 milhões pegos em um apartamento sob controle de Geddel [Moreira Lima, ex-ministro de Michel Temer] e com os indícios que incriminam Eliseu Padilha, Moreira Franco [ambos ministros de Temer], Eduardo Cunha [ex-deputado federal e ex-presidente da Câmara, preso em Curitiba] e o ex-governador do Rio Sérgio Cabral [preso no Rio de Janeiro e condenado há 45 anos]. Todos são do PMDB e estão envolvidos na denúncia. Com essa avaliação muito baixa do governo e este momento por que o Brasil está passando, creio que o presidente deveria ser afastado para ser investigado.

Elder Dias — Se existe agora uma separação entre governo e economia, se o cenário mudou nesse sentido, não há mais o argumento de que a descontinuidade de Temer na Presidência afetaria o mercado e a estabilidade brasileira. Por que, então, Temer continua com tanto apoio no Congresso, a ponto de se manter sem perigo de perder essa votação? O que faz com que tantos o apoiem na Câmara e no Senado mesmo tendo apenas 3% de aprovação?

Temer tem uma base política muito grande no Congresso. O PMDB tem uma quantidade considerável de deputados e há também os partidos que dão essa sustentação a ele. Acredito, porém, que se houvesse alguma movimentação do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Só que ele não está sinalizando nesse sentido, para articular a ponto de querer derrubar o presidente. Quando do impeachment de Collor [Fernando Collor de Mello, presidente de 1990 a 1992, hoje senador, também investigado na Operação Lava Jato], Itamar Franco [vice-presidente de Collor] fez suas articulações; quando do impeachment de Dilma Rousseff (PT), houve uma articulação muito grande, principalmente por parte de Eduardo Cunha e de Temer, que estava por trás.

Rodrigo Maia [que assumiria o cargo de presidente com o afastamento de Temer], ao contrário, está quieto, tem se resguardado. Se ele se movimentasse, hoje tem mais credibilidade na Câmara do que todos do governo juntos. Porém, ele tem uma situação delicada, já que Moreira Franco é seu sogro e está sendo investigado também, inclusive nessa denúncia contra Temer. Tenho certeza de que, se ele se movimentasse, reverteria o jogo, pois tem uma imagem muito positiva com os parlamentares.

Cezar Santos — Resumindo, o sr. está dizendo que, se Maia conspirar, consegue derrubar Temer.

Acredito que sim.

Euler de França Belém — Mas ele não está conspirando mesmo?

Não está, pelo contrário, está quieto.

Euler de França Belém — O problema entre eles não seria pelo fato de o DEM estar se aproveitando da crise para pegar mais deputados e se fortalecer?

Chegou a ocorrer isso realmente. Houve, então, uma movimentação do PMDB contra essa ação do DEM, principalmente por parte de Moreira Franco. A partir daí, teve um atrito entre o presidente da República e o presidente da Câmara.

Euler de França Belém — Eram mesmo 15 deputados envolvidos nisso?

Isso, 15 deputados.

Augusto Diniz — Essa história já está pacificada?

Creio que sim, até porque não estamos vendo nenhuma manifestação de Rodrigo Maia numa articulação contra o presidente Michel Temer. Se houvesse, acredito que Temer realmente estaria em risco.

Euler de França Belém — Rodrigo Maia demonstra uma expressão de enfado sempre quando aparece em alguma entrevista. Ele tem sempre essa cara de desinteresse ou desânimo, mesmo na convivência pessoal?

Não, não tem essa cara, não (risos). Ele é boa gente, pessoa do bem.

Euler de França Belém — Por que o deputado Alexandre Baldy (Podemos-GO) é tão próximo de Rodrigo Maia?

Creio que seja mesmo uma relação de amizade construída por Baldy, que é uma pessoa de muito fácil relacionamento e cuja família se mudou para Brasília. Isso também tem facilitado o contato do deputado com Rodrigo Maia.

Elder Dias — O sr. votou contra o fundo eleitoral, mas a bancada goiana ficou bastante dividida em relação à questão. E o fundo partidário continua, no valor de R$ 900 milhões. Com isso, a soma do gasto dos impostos pagos pela população em ano de eleições vai chegar a R$ 2,6 bilhões. Não é muito dinheiro para fazer campanha, principalmente para um país que tem restringido gastos com educação, saúde, ciência e tecnologia? Não poderia ser só a metade, ou menos? Os políticos não deveriam se acostumar a lutar por seus mandatos gastando menos?

Exatamente por isso eu votei contra a criação do fundo eleitoral. Neste momento de restrição de investimentos para infraestrutura, de falta de recursos para educação e saúde, não vejo como criar um fundo assim. O caminho seria buscar campanhas mais baratas, com doações de pessoas físicas, via internet, redes sociais etc. Teríamos de tentar começar isso no Brasil, talvez aumentando um pouco o limite de doação de pessoas físicas. Não temos como continuar com esses valores astronômicos para campanha.

Augusto Diniz — O sr. acredita que, se o Congresso não viabilizasse uma reforma política, o STF [Supremo Tribunal Federal] faria esse papel no lugar dos parlamentares?

Certamente, o STF iria legislar, teria essa prerrogativa, e faria valer já para as eleições para 2018.

Augusto Diniz — Por que foi tão difícil chegar a um consenso sobre a mudança do modelo da eleição para cargos proporcionais?

Os partidos de esquerda, principalmente, foram contra o distritão, o qual eu considerava o modelo mais justo. Acho, inclusive, que foi um erro usar esse nome. Em vez de “distritão”, seria preciso chamar o modelo de outra forma. Foi sempre o que a população pediu, haja vista que ela, no geral, nunca entendeu o critério de poder eleger candidatos por soma de votos na coligação. Creio que até o nome dificultou, mas era simples: os que têm mais votos são eleitos. A esquerda trabalho na cabeça da população que seriam eleitos os que tivessem mais poder econômico, eu não acredito, vejo que seria o modelo mais justo eleger quem tem voto.

“Não terá reforma da Previdência nesta legislatura”

Euler de França Belém — O apresentador de TV Luciano Huck e o empresário Abílio Diniz estão propondo a criação de um fundo para apoiar candidatos, o que é comum nos Estados Unidos. O que o sr. pensa disso?

Poderia ser um caminho viável para financiar as campanhas, até por não ser um fundo público, mas formado por pessoas físicas. Seria uma saída interessante, até pela dificuldade que teremos para recursos nas próximas eleições.

Euler de França Belém — O sr. vê possibilidade de a reforma da Previdência ser aprovada ainda nesta legislatura?

Acho que não será possível, será algo para a próxima Legisla­tura. É um tema impopular e, perto das eleições, os atuais deputados não vão querer deixar sua digital nesse tema.

Euler de França Belém — Não é excessivo o peso que o governo dá à questão da Previdência? Sempre se diz que “se não fizer agora, o País quebra”, mas nunca acontece de quebrar…

Mas é que já está quebrado (risos).

Euler de França Belém — Mas está quebrado por causa da Previdência?

A Previdência como está é um dos fatores preponderantes para que o Brasil esteja quebrado.

Euler de França Belém — A folha do funcionalismo do Estado do Rio de Janeiro equivale a 105% da arrecadação. O que isso tem a ver com a Previdência?

É um caso isolado, não se aplica ao restante do País ou ao governo federal.

Augusto Diniz — As mudanças da lei com a reforma trabalhista ainda não entraram em vigor, ou seja, a população ainda não sentiu seus efeitos. Já a proposta de emenda constitucional para a reforma da Previdência gerou um desgaste para os deputados e senadores. Apoiar essa reforma seria dar fim à própria reeleição no ano que vem?

Não sei se propriamente seria isso, mas é um tema polêmico e que, como eu disse, deverá ficar para a próxima legislatura, por gerar muitas dúvidas e ter um contraditório muito grande. Tem gente que garante que o déficit da Previdência não afeta tão diretamente a economia como alguns especialistas dizem. Temos também pessoas próximas a aposentar que seriam afetadas. Por isso, acho que não será um tema debatido por agora e, a priori, sou contra a aprovação de uma reforma da Previdência num momento como o atual, ainda mais em um governo com baixa popularidade e passando por denúncias.

Euler de França Belém — Sempre se fala em reforma tributária, mas o Congresso nunca discute nada sobre isso. Neste governo não há qualquer chance de aprovar algo, mas pelo menos se pensa em fazer essa reforma?

Uma reforma tributária viável, plausível, teria de ser um mote de campanha presidencial, com toda a certeza. Teríamos de diminuir, principalmente, o tamanho da máquina e os gastos do governo. Seria preciso diminuir a carga tributária e o número de impostos, para que houvesse mais condições de produção no Brasil e gerar mais empregos. Nos Estados Unidos, Donald Trump está fazendo isso e está melhorando a empregabilidade e a economia como um todo, diferentemente do que todos imaginavam. Trump está levando de volta as indústrias que, mesmo sendo americanas, estavam produzindo na Ásia.

Euler de França Belém — Nos Estados Unidos, continua predominando o que aqui se chama de renúncia fiscal. Cada Estado lá tem seus incentivos diferenciados.

Sou totalmente contra acabar com os incentivos fiscais. É preciso que eles existam para que os Estados com mais dificuldade de crescimento possam se desenvolver.

Euler de França Belém — Então, o sr. apoia a luta da Adial [Associação Pró-Desenvolvimento Industrial do Estado de Goiás] e da Fieg [Federa­ção das Indústrias do Estado de Goiás] pelos incentivos fiscais?

Com certeza, totalmente favorável. Os incentivos fiscais foram importantíssimos para o crescimento da economia do Estado, desde o primeiro momento de nossa industrialização. E não será diferente no decorrer dos anos, para que as empresas continuem a ter interesse em se instalar em Goiás e em outros Estados mais periféricos.

Euler de França Belém — Como está a CPMI [Comissão Parlamentar Mista de Inquérito] da JBS?

Os trabalhos de oitivas estão começando agora, para ouvirmos todos os convocados e convidados para a CPMI. Já tivemos, na semana passada, o ex-presidente do BNDES [Banco Nacional de De­sen­volvimento Econômico e So­cial] Luciano Coutinho; o ex-ad­vo­gado da JBS Willer Tomaz de Sou­za. Já foram convocados Wesley e Jo­esley Batista e o executivo Ri­car­do Saud. Estamos na expectativa de houver esses personagens e a­vançar na CPMI da JBS, que foi, com certeza, a empresa a se tornar maior fonte de financiamento de campanhas da história do Brasil, o que tinha ligação direta com em­prés­timos vindos do BNDES a ju­ros subsidiados de recursos públicos.

O caso da JBS prejudicou diretamente o Estado de Goiás, pois prejudicou o pecuarista. Com os recursos do BNDES, eles compraram empresas frigoríficas e depois as fechavam [várias plantas foram fechadas em Goiás]. Montavam um cartel, monopolizando o setor, dando prejuízos diversos. O passo seguinte era a devolução do favor com dinheiro público, em forma de financiamento das campanhas eleitorais. Por fim, está sendo investigado o que os sócios majoritários da empresa fizeram nos últimos 15 meses, em termos de tráfico de influência nos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário.

Euler de França Belém — O depoimento de Willer Tomaz à CPMI foi fechado. O que ele disse?

Ele comprometeu bastante Rodrigo Janot [ex-procurador-geral da República] em seu depoimento.

Augusto Diniz — Qual o risco que essa CPMI corre de não ser isenta e de se tentar criar uma mobilização, dentro da comissão, para defesa do governo e ataque à JBS?

Com a indicação do relator da CPMI [deputado Carlos Marun (PMDB-MS), um dos maiores defensores de Temer no Congresso], isso ficou evidente: seria tendenciosa, para defender o governo e atacar a JBS. Porém, estamos trabalhando, ouvindo os personagens, para, se for realmente feito um relatório tendencioso, elaborar outro, alternativo, para aprovar ou rejeitar o de Marun.

Augusto Diniz — Para o sr., quem hoje seria Carlos Marun?

É o maior defensor do PMDB. Ele tem a cara de maior defensor do partido, desde a época de Eduardo Cunha até o momento atual, com todos os ministros envolvidos.

Cezar Santos — Depois de toda essa reviravolta, não fica parecendo que só o PMDB está sendo criminalizado? O PT sumiu.

Mas todo mundo do PT já está na cadeia, não tem mais o que falar (gargalhadas). Só falta Lula. Estamos esperando a definição de Sérgio Moro em relação a ele, com mais condenações.

Então, o passo seguinte é a segunda instância, para torná-lo inelegível ou, melhor, o que todo mundo espera: que Lula vá preso, já que ele era quem chefiava a quadrilha do PT. Agora é a organização criminosa do PMDB — que sempre foi aliado preferencial do PT — que está sendo desmascarada.

Elder Dias — Mas essa turma do PMDB agora denunciada está no poder há três décadas, desde José Sarney [1985-1990], passando por Fernando Collor [1990-1992], Itamar Franco [PMDB, 1992-1994], Fernando Henrique Cardoso [PSDB, 1995-2002] e chegando a Lula e Dilma.

O PMDB é o partido mais fisiológico da história do Brasil. Sempre foram governo.

Euler de França Belém — O sr. acha que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD), realmente será candidato à presidente?

Ele está se movimentando para isso. Meirelles acredita que a economia vai melhorar, independentemente da questão política. Assim, pode acontecer o mesmo que houve em 1994, quando FHC era ministro da Fazenda e lançou o Plano Real. Melhorou a economia do País e se tornou, depois, presidente da República. Essa é a expectativa do pré-candidato Henrique Meirelles.

Cezar Santos — Ele tem enfatizado que a economia está melhorando por conta das medidas que sua equipe tomou.

Ele está levantando exatamente isto: que a economia brasileira vai melhorar consideravelmente até março ou abril do próximo ano. Já temos esses indícios e, para o ano que vem, deve estar bem melhor.

Euler de França Belém — Até o fim do ano, segundo ele, já crescerá 1%.

Com esses indícios de melhora, o partido está apostando nisso. Meirelles já teve reuniões com a bancada do PSD, está articulando e trabalhando seu nome para 2018.

Augusto Diniz — Com base na recuperação da economia, que vem ocorrendo, ainda que lentamente, Meirelles vai ter condição de mostrar isso para a base da população, que ainda não tem visto os efeitos de melhoria?

Meirelles acredita que até meados do primeiro semestre do próximo ano isso estará sendo sentido pela população. Na verdade, isso já deve ocorrer a partir, com a queda do desemprego.

Augusto Diniz — Ele se desvinculou da imagem de ministro do governo Temer?

Não tem como desvincular, já que ele é de fato ministro e está no governo Temer. A diferença é que ele não tem ligação política com o presidente Temer. Meirelles está trabalhando sua candidatura de forma independente do Planalto, pelo viés da melhora da economia.

Elder Dias — Mas Meirelles buscaria o apoio de Temer para sua eventual candidatura?

Não tenho visto essa movimentação por parte dele.

Cezar Santos — Como sujeito de a­glutinação, não há dúvida de que ele vai tentar buscar o apoio do PMDB.

Euler de França Belém — E mais: Meirelles tem acertado em seus prognósticos sobre a volta do crescimento da economia. É algo que não está se dando apenas pelo agronegócio, pelas commodities e, embora a conjuntura mundial esteja ajudando também — até porque a China agora voltou a crescer —, a indústria fez sua retomada, assim como a construção civil.

Meirelles está eufórico com a recuperação da economia e, até por isso, está se movimentando politicamente. Ele tem números até sobre gasto de energia, que está crescendo. Da mesma forma, há avanços na taxa de emprego, de vendas industriais de vários setores, empreendimento imobiliários etc.

Deputado Heuler Cruvinel, na redação do Jornal Opção: “Tento reunião com o prefeito de Rio Verde desde janeiro”

“O governo estadual tem beneficiado Rio Verde com várias obras importantes”

Euler de França Belém — Ronaldo Caiado é muito forte, eleitoralmente falando, no Sudoeste. Isso é um fato. Mas o que realmente ele levou de importante para a região?

Discurso. Caiado sempre fez discursos apoiando o agronegócio, principalmente. Agora, de concreto, algo realmente de resultado, ele nunca levou qualquer benefício para a Região Sudoeste. Ele peca por isso, mas tem força por ser o agronegócio sua bandeira de atuação no Congresso Nacional.

Euler de França Belém — Nem mesmo em Rio Verde há alguma obra significativa que ele tenha sido responsável?

Não, nem mesmo em Rio Verde.

Euler de França Belém — Nem com a aliança com o prefeito Paulo do Vale (PMDB), também conhecido como “Paulo da Mídia”?

(risos) Nada, nada, nada. Não tem nada em termos de recursos que Caiado já tenha enviado para Rio Verde. Com qualquer dos prefeitos da região com quem se converse — tenho visitado de quatro a cinco prefeitos a cada segunda-feira —, a resposta vai ser a mesma: eles dizem que nunca receberam do hoje senador ou do então deputado federal Ronaldo Caiado. Então, realmente, ele não tem esse tipo de trabalho, não é um político que goste de construir. O que ele faz é acusar e criticar.

Euler de França Belém — E o programa Goiás na Frente, quanto levou para Rio Verde em termos de recursos para a prefeitura?

Foram R$ 6 milhões direto para a prefeitura, além de outras obras que estão sendo realizadas. Por exemplo, está sendo feita a reconstrução da GO-174 até Montividiu, uma obra de R$ 45 milhões e que era uma necessidade antiga, por ser estreita e ter um fluxo alto de caminhões; também está em andamento o anel viário de Rio Verde; e está sendo erguido o Centro de Apoio Socioeducativo (Case), bem como um presídio, em parceria com a iniciativa privada. Ou seja, o governo de Goiás está enviando um valor muito superior no total.

Euler de França Belém — E essas obras estão adiantadas?

Sim. Agora em novembro já devemos inaugurar a reconstrução da GO-174. O Case fica pronto até março do ano que vem. Já o anel viário, retomando agora as obras, também deve ficar pronto até março ou abril.

Euler de França Belém — O governo estadual, então, vem contemplando o Sudoeste, já que essas obras não beneficiam apenas Rio Verde?

Eu posso dizer que o governo tem trabalhado bastante na Região Sudoeste, tendo em vista que uma das maiores demandas é a condição das rodovias estaduais. Quando Marconi iniciou seu terceiro mandato, em 2011, a situação era caótica. Desde o início, iniciando pelas que estavam em pior estado, o governador reconstruiu todas as estradas que cortam a região — as últimas estão sendo concluídas agora. São obras feita realmente com boa qualidade de asfalto, com luzes de alerta e toda a sinalização necessária. É isso que a economia da região necessida para poder escoar toda sua produção de grãos, de carne e de cana, além dos produtos industrializados. O produtor rural reconhece o que foi feito em toda a região.

Elder Dias — E como está a situação do Hospital de Urgências?

A situação do Hurso [Hospital de Urgências da Região Sudoeste, em Santa Helena] é muito boa. As escolas têm recebido melhorias, também. Todos os municípios participam do Goiás na Frente e toda a região está em condições bem melhores do que se encontrava quando Marconi pegou o Estado, em 2011.

Euler de França Belém — É verdade que o chamado setor produtivo, puxado pela Comigo [Coope­rativa Agroindustrial dos Pro­du­tores Rurais do Sudoeste Goiano] e pela Associação Comercial e Industrial de Rio Verde (Acirv), pretendem lançar um nome como candidato do grupo a deputado federal? Se procede, por quê?

Realmente não sei, estou sabendo por meio de notas emitidas pela imprensa. O que tenho consciência é de estar fazendo um trabalho municipalista e respondendo às demandas de todas as entidades de classe — Coderv [Conselho de Desenvolvimento Econômico de Rio Verde], Acirv, Comigo e outras — sobre os recursos enviados para Rio Verde, inclusive os que estão pendentes. Aliás, dias atrás tive reunião com o Coderv para pedir ajuda na atuação com o governo federal para a prefeitura, para viabilizar as emendas parlamentares. Creio que tenho feito meu trabalho de forma honesta, correta, sem nenhum pro­cesso contra nosso mandato. No entanto, sempre houve outros candidatos a deputado federal em Rio Verde e na região — Wagner Guimarães, em 2010, Paulo do Vale, em 2014, ambos pelo PMDB. Isso pode ser uma exigência do candidato do partido ao governo, para trabalhar a chapa e o nome do candidato ao governo na região.

Euler de França Belém — Sua relação com Antônio Chavaglia [presidente da cooperativa Comigo] é positiva e qualitativa?

Muito positiva. Se ele for candidato a deputado federal, lhe garanto meu apoio, para que possa ser candidato único em Rio Verde.

Euler de França Belém — Lissauer Vieira (PSB), que é deputado estadual por Rio Verde e foi também candidato a prefeito, declarou que não tem resistência pessoal a seu nome, disse que aceitaria fazer dobradinha com o sr. e que prioriza os interesses do município. Vocês estão conversando?

Conversamos há duas semanas. Quando termina um processo eleitoral é preciso desmontar os palanques e pensar apenas no município. Tenho trabalhando pela cidade e pela região no Congresso, da mesma forma com que ele tem trabalhado junto ao governo estadual na Assembleia Legislativa. Sendo assim, se pudermos convergir pelo melhor para Rio Verde e para nossa região, estou à disposição. Precisamos defender os interesses de nossa região.

Euler de França Belém — Lissauer fala que é muito difícil lidar com o prefeito Paulo do Vale, por ele ter muita resistência a quem queira ajudar entre os parlamentares. Fala-se que é difícil até conseguir uma audiência com ele. É realmente difícil manter contato com o prefeito?

Tento marcar uma reunião com Paulo do Vale desde que ele ganhou as eleições. Após sua posse, coloquei meu gabinete à disposição para recebê-lo em Brasília e pedi uma reunião no gabinete dele, em Rio Verde, para discutir as emendas pendentes para a cidade. Já se passaram mais de dez meses e até hoje ele não foi a Brasília nem marcou a audiência para me receber. O prefeito tem essa dificuldade de relacionamento, embora tenha prometido, ainda durante a campanha, que receberia todas as pessoas. A única coisa que ele fez, até agora, foi comprar placas para inaugurar as obras que estavam prontas da administração anterior. Até o presente momento, há uma série de promessas pendentes da campanha sobre as quais ele não tomou nenhuma atitude: a implantação da Guarda Municipal; a redução da tarifa de água e esgoto — ele fez o contrário, aliás, au­mentou o valor; a quebra de contrato com a Ode­brecht, o que não ele fez; a construção de 4 mil casas po­pulares, o que não foi feito até o mo­mento; a construção de um centro de tradições nordestinas, da mesma forma; uma unidade de pronto atendimento (UPA) no Bair­ro Promissão também não saiu do papel, bem como a conclusão do Hospital Materno-Infantil. Es­sas são algumas das promessas que ele fez e de que eu me lembro no momento.

Euler de França Belém — E qual a situação das escolas que ele faria, tendo contêineres como estrutura?

Essas “escolas de lata” já estão enferrujando e ainda não iniciaram as obras em alvenaria, o que seria realmente decente para os alunos estudarem. Ou seja, praticamente nada do que foi prometido em período eleitoral foi cumprido em nenhum passo.

Euler de França Belém — Procede que o prefeito teria inaugurado uma obra — a canalização do Córrego do Sapo — que já havia sido inaugurada por seu antecessor, Juraci Martins (PPS)?

Na verdade, ele comprou a placa e inaugurou uma obra que já estava pronta. O que ele tem feito é comprar placas para inaugurar as obras prontas da administração passada (risos). Realmente, houve a canalização desse córrego, cujos recursos, em parte, foram viabilizados junto ao governo federal, no total de R$ 22 milhões. Paulo do Vale plantou grama em volta e colocou a placa.

Euler de França Belém — Vereadores de Rio Verde dizem que o prefeito é autoritário. Essa reclamação procede, também?

O prefeito é autoritário, rancoroso e guarda mágoa (risos). Eu acho que seria hora de desarmar os palanques e realmente pensar na cidade, no futuro de Rio Verde, sem vaidades, sem rancores, sem mágoas. É preciso pensar em uma cidade melhor, com a ajuda de todos, independentemente de onde ou de quem venham os recursos.

Euler de França Belém — Outro questionamento sobre Rio Verde é de que o recapeamento é no modo “sonrisal”. É verdade que é mesmo muito ruim?

É muito malfeito. Precisamos agora esperar a temporada de chuvas para ver como vai ficar, porque foi feito no período de seca. Para ter ideia de como é, há lugares em que se vê o que estava pintado na rua antes de ter sido recapeado. É muito superficial.

Euler de França Belém — O Sudoeste goiano teve uma safra extraordinária. Qual é a expectativa para a próxima?

A mesma da anterior. Estamos esperando o período chuvoso para iniciar o plantio da safra 2017/2018. Usamos a melhor tecnologia, os melhores materiais e insumos para a produção de grãos. É uma região que serve de referência positiva para todo o País.

Euler de França Belém — Qual a porcentagem da soja que é industrializada e quanto é exportado “in natura”?

Não sei ao certo, mas diria que é 50% para cada.

Euler de França Belém — Os grandes exportadores estão presentes na região?

Sim, todos eles: Cargill, Bunge, a própria Comigo, que hoje tem uma grande indústria na cidade e que exporta sua produção em parte já processada. Outra parte, que vai para China, Japão e Índia, sai “in natura”.

Euler de França Belém — O escoamento é por caminhão?

Sim. Estamos esperando a conclusão da Ferrovia Norte-Sul, que ligaria a região aos portos de Santos (SP) e de Paranaguá (PR). Ela minimizaria o custo do frete e isso passaria a ser parte da lucratividade do produtor.

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